Capítulo 21- Preparativos

Gina revirou-se na cama e espreguiçou confortavelmente, franzindo o cenho logo em seguida. De repente a sua cama lhe parecia espaçosa demais. Abriu os olhos e viu que estava sozinha ali. Sentou-se na cama confusa, olhando ao redor do quarto, mas nem sinal de Harry.

O carpete estava seco e limpo, nem parecia que sapatos sujos e molhados haviam pisado ali na noite passada. Estava tudo em ordem, mas ela se lembrava de ter dançado pelo quarto e tirado várias coisas de lugar. Ou pelo menos pensava que se lembrava.

Teria sido um sonho? Sua cabeça estava doendo e a garganta seca, e ela desconfiava que era isso que chamavam de ressaca.

-Não foi um sonho... -disse em voz alta, como que para ter convicção.

Levantou-se e se espreguiçou novamente. Estava faminta. Enquanto se trocava olhou para a cortina que balançava com o vento que entrava no quarto. Tinha certeza que tinha fechado a janela na noite passada por causa da chuva. Sorriu.

-Não foi um sonho -repetiu categórica.

Lamentava não ter visto Harry partir, mas estava grata de poder ter dormido um pouco mais. Depois do dia de ontem, o sono era uma das coisas que mais precisava. Enquanto arrumava seus cabelos e se olhava no espelho, percebeu que parecia feliz demais para alguém que havia acabado de perder o pai. E era estranho, porque depois da noite com Harry, esse fato parecia um pouco mais distante.

Remexeu numa gaveta próxima e tirou uma foto que não levara quando se casou. Uma foto do casamento dos seus pais. De Arthur e da mãe que ela não conhecera, Molly. Nem se lembrava porque não havia carregado essa foto consigo, mas na época lhe pareceu melhor deixá-la. Ficou observando a foto por tempo suficiente para que a dor voltasse e suspirou conformada. A noite passada com Harry havia sido um sonho, mas ele já estava longe e ela tinha que voltar à realidade. Assim que abrisse a porta do quarto, encontraria um clima de tristeza e velório pela casa. Guardou a foto onde a pegara e saiu para tomar café.

Gui, Carlinhos e Rony estavam comendo calados, cada um com seus pensamentos. Ela se sentou à mesa rezando por Harry, agradecendo a visita dele. Parecia que sem ele, este dia seria mais difícil de enfrentar. Olhou cada um de seus irmãos enquanto se servia, e ficou em dúvida se deveria quebrar o silêncio ou não. Seu olhar encontrou o de Carlinhos por um instante e ele sorriu.

-Como vai o bebê?

Gina devolveu o sorriso e arriscou uma brincadeira.

-Existe uma pessoa atrás dessa barriga, sabe?

Gui também riu, apenas Rony ainda continuava calado.

-Quais são as providencias a serem tomadas? -perguntou ela, olhando para os dois irmãos mais velhos- Ainda falta muito?

Gui suspirou.

-Na verdade não. Papai fez um novo testamento no dia em que você chegou.

Gina arregalou os olhos e engasgou-se com o leite.

-Como assim? Por que ele faria um novo testamente se não sabia que... Se ele nem sabia...

Pelo jeito que Carlinhos e Rony encaravam o irmão mais velho, eles também não sabiam desse novo testamento. Mas ao contrário do que se esperava, Gui riu.

-Fez porque ficou feliz em saber que ia ter um novo neto. Enquanto ele não podia festejar isso porque estava preso na cama, achou que fazer um novo testamento era um gesto concreto para comemorar a boa notícia -então olhou para Gina- Seu filho ou filha já está incluído na divisão.

Gina ficou sem saber o que dizer, apenas balançou a cabeça e voltou-se para as suas torradas. Mas Gui riu novamente e olhou para Rony, que até então mantivera-se calado e comia cabisbaixo.

-Acho que você deveria se casar, Rony.

Rony e Gina engasgaram ao mesmo tempo, e Carlinhos e Gui entreolharam-se confusos. Gina riu disfarçando e então todos os olhares se voltaram para Rony. Ele cruzou com o olhar de Gina brevemente e ambos pensavam a mesma coisa: alguém teria ouvido a conversa da noite passada?

-Por que acha isso, Gui? -perguntou ele, com as orelhas vermelhas.

-Porque há um presente para a sua noiva no testamento também -disse ele, franzindo o cenho em seguida- Papai deu a entender que talvez você tivesse uma noiva.

Todos continuavam a olhar para Rony, e como ele permanecesse calado, Gui continuou:

-"Uma noiva bonita e difícil. Ou então já estariam casados", foi o que ele disse.

-E o que o fez pensar isso?

Gui deu de ombros.

-De todo modo, parece que é verdade, não é mesmo?

Rony ficou levemente corado e suas orelhas pareciam pimentões, Gui e Carlinhos se encaram e deram um sorriso.

-Pois case logo, Rony -disse Carlinhos, dando um tapinha amigável nas costas do irmão- O papai não gostaria de ver você sendo enrolado por ninguém. Ou enrolando, quem sabe.

Rony afastou-se da mesa irritado e levantou sem olhar para os irmãos.

-Não tem noiva nenhuma! -exclamou, antes de sair pisando firme.

Gina tentou acompanhar o riso dos irmãos, mas seu coração por dentro estava agitado. Será que agora Rony cederia? Enfim ele pararia com esse absurdo de nobreza e orgulho? Ficou olhando por onde o irmão tinha saído.

-Que bom que nós sempre temos o Rony pra nos distrair... -riu Carlinhos.

Gui concordou e eles passaram a falar de outra coisa. Gina não demorou muito e pediu licença também e foi procurar Mary. Primeiro precisava de algum remédio que lhe tirasse a dor de cabeça, e depois que alguém arrumasse uma carruagem para ela ir à cidade. Mary providenciou ambas as coisas num instante, mas pegou Gina pelo braço e a acompanhou até a saída da casa.

-Não leve por mal o que eu vou lhe dizer, criança, mas...

Gina estranhou o jeito de Mary, ela nunca se constrangia nem parecia desconfortável daquele jeito.

-Pode falar o que quiser, Mary. Não precisa ter vergonha.

A carruagem parou em frente a elas e Rodolfo ficou a espera. Mary fez um sinal a ele com a cabeça e ele afastou um pouco, já ficando direcionado para a saída. Gina estava começando a ficar nervosa ao ver que a governanta corara, isso não era do feito dela e começava a assustar.

-Mary...

-Essa noite, já era tarde, eu me levantei por que ouvi um relincho de cavalo bem longe. Eu ia acordar um dos cocheiros para que fossem olhar se algum animal estava solto, mas então eu julguei ter ouvido conversas no seu quarto, menina.

Gina a olhava com o coração disparando, tentando controlar a respiração e sua expressão do rosto.

-Havia uma voz masculina, mas o senhor Draco ainda não voltou...

As duas ficaram se encarando, uma tensão enorme entre elas. Ela avisara a Harry que isso era arriscado demais! Gina estava tentando pensar em algo, mas nada vinha na sua cabeça, ao não ser o fato de que havia sido descoberta. Mary a encarou fundo nos olhos por alguns segundos, então ajeitou seu vestido e mudou completamente a sua face, como se estivesse falando de um lindo dia.

-Certamente eu me enganei. Não vou lhe atrapalhar mais. Bom passeio, pequena!

E saiu andando rápido para dentro da casa. Gina ficou ali com o coração aos pulos. Mary havia descoberto que ela tinha um amante, mas pelo visto ia a encobertar.

-Mas isso não pode durar muito tempo -disse para si, andando até a carruagem- Para o centro da cidade, Rodolfo!

Durante todo o trajeto ela ficou pensando nas coisas que ia dizer e fazer, e finalmente percebia que o seu tempo era mais curto do que imaginara a princípio. Não tinha quatro dias ou uma semana, isso era uma ilusão. Se Draco concordasse em ficar, não ficaria mais do que dois dias. E para Gina, esses dois dias era tempo mais do que suficiente para Mary se confundir e acabar entregando-a sem querer. Assim que a carruagem parou, ela dirigiu-se diretamente até à sapataria. Um senhor magro e alto sorriu para ela no instante em que ela entrou.

-Bom dia, em que posso servi-la?

Gina ainda estava meio desnorteada, mas o senhor Granger pareceu adivinhar quem era e foi cumprimentá-la, apertando sua mão.

-A moça Weasley, claro! Sinto muito pelo o seu pai, ele era um homem muito bom, a cidade sentirá muita a falta dele.

-Obrigada, Sr. Granger.

-Mas então, o que lhe traz até aqui? Seu irmão gostaria de fazer uma outra encomenda?

Ela balançou a cabeça.

-Não, desta vez não. Eu é que gostaria de saber se o senhor faz sapatos femininos.

A expressão dele se fechou um pouco.

-Receio que eu não posso ajudá-la, Sra. Malfoy. Fabrico apenas sapatos masculinos.

-Mas o senhor não pode me indicar alguém?

Ele voltou a sorrir e foi para trás do balcão. Pegou papel e caneta e escreveu alguma coisa. Voltou e entregou a ela.

-Procure o Sr. Baltazar! Não há melhor do que ele. Tenho certeza de que ele lhe fará um belo par de sapatos.

Ela pegou o papel e sorriu. Guardou dentro da bolsa e então colocou a mão sobre o peito, fingindo uma tontura.

-Eu posso me sentar um pouco? Por um instante não me senti bem. Deve ser a gravidez...

Ele pegou uma cadeira rapidamente e deu para ela se sentar, então olhou preocupado para dentro de uma porta lateral e gritou:

-Hermione! Venha cá um instante!

Gina teve vontade de sorrir. Como Harry podia ter certeza de que as coisas aconteceriam assim? Continuou respirando fundo e fazendo sua expressão de doente até que Hermione entrou. As duas se encararam por um segundo então ela olhou para o pai.

-O senhor me chamou?

-A Sra. Malfoy não está se sentindo bem, minha filha! Leve ela até ali dentro e lhe dê um copo de água com açúcar.

Hermione a ajudou a se levantar e entraram pela porta que dava da sapataria para a casa. Quando entraram na cozinha, Hermione fechou a porta e a encarou.

-O enjôo é de mentira mesmo, não é? -certificou-se a morena.

-É sim -sorriu Gina, mas Hermione não respondeu o sorriso.

-Ótimo, pode falar.

Gina suspirou, certamente a morena não gostava dela por causa do irmão. E mal ela sabia que estava no testamento do seu pai! Mas agora não era hora para isso, mas tarde ela poderia conversar novamente com Rony, mas agora seu tempo era curto.

-Diga a Harry que me busque amanhã às oito. Eu vou sair pela porta da cozinha com alguma desculpa qualquer, ele me pega e nós vamos embora. Vou deixar uma carta na mesa da cozinha, com as criadas. Elas provavelmente não vão entender na hora, mas assim que derem por minha falta vão abrir o envelope e entender tudo. A carta afasta a possibilidade de sequestro ou coisa assim.

Hermione ficou encarando-a.

-Não seria melhor vocês partirem assim que toda a casa já estiver deitada?

-Você não conhece Draco, eu não conseguiria enganá-lo. Assim que eu me levantasse, ele...

Mas o que ele faria, Hermione não ouviu, porque Gina encarava a outra porta com espanto. A morena se virou e corou. Rony estava ali e olhava para a irmã estupefato.

-Quem é Harry? -foi tudo o que ele disse de início.

Hermione e Gina se entreolharam, as duas tentando pensar em alguma coisa rápido. Foi Hermione que falou primeiro.

-Quem lhe deu licença para entrar em minha casa, Ronald Weasley?

O ruivo entrou e fechou a porta atrás de si, por um instante ele deixou de olhar para a irmã e encarou Hermione sério.

-O seu pai. Eu vim até a sapataria e ele me disse que minha irmã estava enjoada aqui dentro.

Mas Hermione ainda não tinha perdido a pose.

-E o que lhe trouxe até aqui? Mais sapatos? Ou talvez mais mentiras?

Rony não respondeu, apenas olhou para a irmã. E pelo olhar dele, Gina entendeu que ele achava que ela procuraria Hermione para falar de Rony. Hermione captou o olhar dos dois irmãos e corou, olhando para Gina com raiva.

-Você sabe?

Gina parecia acuada. De dois lados havia alguém a pressionando e, droga, o seu tempo era pouco!

-Rony me contou ontem... Eu o forcei a contar. Não imaginava quem seria quando comecei a pressioná-lo.

Hermione abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas Rony a interrompeu.

-Vocês não vão me enganar! Vamos parar com essa conversa! -ele voltou a olhar para Gina- Quem é Harry? O que significa tudo que eu ouvi?

Gina ficou dois segundos pensando, então olhou para Hermione com a expressão séria.

-Dê a ele o recado que eu te pedi.

Então Gina pegou a mão do irmão e o puxou para fora da sapataria, mal agradecendo a gentileza do senhor Granger ao passar.

-Onde nós poderíamos conversar sem sermos ouvidos? -perguntou ela.

Rony deu de ombros.

-Eu não sei! Nos cafés sempre tem um risco de alguém nos escutar, tem sempre muita gente. E numa praça nós seríamos incomodados, com certeza. Em casa...

-Em casa não! -rugiu ela- Lá é o último lugar que eu quero falar sobre isso. Até porque Draco já deve estar lá a essa hora.

Rony ficou pensativo.

-Eu não sei. Lilá uma vez comentou que todas as fofocas sempre aconteciam na igreja. Mas eu não tenho certeza se ela estava fazendo uma piada ou não.

-Não, acho que não. Vamos para lá.

Durante o trajeto não trocaram uma palavra e andaram rápido. Rony forçou um sorriso para cumprimentar alguns conhecidos, mas não pararam nenhuma vez. A igreja estava vazia àquela hora, mas ainda assim Gina não quis sentar-se num banco e conversar. Mesmo sussurrando, ela ainda temia ecos e pessoas curiosas.

-Vamos ver se a sacristia está vazia -disse ela.

Entraram devagar e ainda tiveram a impressão de terem ouvido vozes, mas quando entraram na sala, estava vazia. Havia uma mesa grande com muitas cadeiras, um cômodo com os objetos utilizados na missa e um grande armário, onde ficavam as batinas de padres e coroinhas. Gina entrou e fechou a porta.

-Está vazia, mas pode chegar alguém a qualquer momento, portanto eu vou ser breve -disse, encarando o ruivo.

Ele balançou a cabeça.

-E você precisa acreditar em mim.

Ele tornou a balançar a cabeça.

-E mesmo que não me apóie, precisa jurar que não vai me entregar nem fazer nada para impedir.

Rony ficou parado dessa vez.

-Fale logo, Gina, antes que chegue alguém.

Eles ouviram um ruído novamente e olharam para os lados. Gina abriu a porta e conferiu, mas não viu ninguém.

-Não deve ter sido nada -disse Rony- Vamos, diga! Quem é Harry?

Ela suspirou fundo.

-Harry é o homem que eu amo, Rony. E com o qual eu pretendo fugir amanhã à noite.

Rony corou furiosamente e arregalou os olhos. Não esperava ouvir isso de forma tão crua assim da boca da irmã. Mas ela voltou a falar antes que ele pudesse brigar.

-Draco não é o que todos vocês pensam, ele é um monstro. Nunca foi um bom marido, passou anos me tratando como se eu não existisse ou não significasse nada.

Rony deu um sorriso sarcástico.

-Ah, claro, isso realmente é motivo suficiente para se fugir com um amante...

-E se eu disser que ele já tentou me matar? Que a minha doença nunca existiu de verdade, mas foi criada por ele pra me controlar?

Rony ficou com o dedo em riste parado no ar, a boca escancarada e os olhos arregalados. Estava pálido e a encarava totalmente estupefato.

-Pois isso aconteceu, Rony. Draco me dopou durante esses anos para que eu não o incomodasse. Eu só descobri há pouco tempo. E logo em seguida ele fez uma tentativa de me matar também. E esse Harry... Ele saiu da Itália e veio atrás de mim para me salvar de Draco.

Rony ainda estava perplexo encarando o nada, sem saber o que falar. O silêncio da sala parecia ainda maior do que na hora que entraram.

-Eu preciso que você acredite, Rony.

Ele balançou a cabeça e a encarou com piedade.

-Você não inventaria isso, inventaria?

Ela balançou a cabeça negativamente, e a expressão dele mudou da incredulidade para a fúria.

-Eu vou matá-lo!

-Não faça isso, Rony! Draco é uma pessoa perigosa, ele acabaria com você num instante!

-Pois eu vou! E eu ainda vou...

-NÃO!

Ele congelou no meio do gesto e a olhou assustado. Um ruído muito baixo aconteceu.

-Prometa que não vai fazer nada, Rony! Eu provavelmente vou ser desonrada e deserdada, mas você nunca vai levantar um dedo contra Draco e nem vai deixar que um dos meninos façam. Melhor, nem conte a eles. Nunca! Eu não quero que Draco faça qualquer coisa contra vocês. Acredite, ele não precisaria sujar as próprias mãos. Draco é uma pessoa baixa, Rony. Ele não lutaria de modo honesto.

-Mas então...

-Então você vai voltar comigo para casa e fingir que não sabe de nada. E amanhã quando eu me for, vai dar um jeito de que Draco não vá atrás de mim e de Harry. E vai rezar por mim.

Finalmente Rony havia entendido a pior parte.

-Você nunca vai voltar?

Ela deu um sorriso triste.

-Como eu poderia?

Mais um ruído aconteceu e um outro menor seguido. Os dois se encaram assustados, um novo ruído e então a porta do armário se abriu e Neville Longbottom e Luna Lovegood estavam caídos no chão. Os segundos seguintes foram marcados pelo silêncio. De um lado Gina e Rony, em pé e com o coração na mão. De outro Luna e Neville caídos no chão, ele tão apavorado quanto os dois irmãos, e ela relativamente calma, olhando tudo aquilo achando certa graça. Luna riu e se levantou, sacudindo a poeira do vestido, então sorriu para Rony e Gina.

-Olá! Vocês por aqui!

-É... –respondeu Rony- E vocês por aqui também... No armário. Posso perguntar o que faziam lá?

Neville se levantou num pulo e pretendia falar alguma coisa, mas Luna foi mais rápida.

-Na verdade eu não queria estar dentro do armário. Mas Neville quis nos esconder para que ninguém soubesse que estávamos nos beijando.

A expressão de Neville era de puro horror, e Rony e Gina pareciam tão horrorizados quanto.

-Neville! -exclamou Gina- Mas você é um seminarista! Em breve será padre!

-Ora, e você é casada! -retrucou ele com raiva.

O silêncio novamente voltou e todos estavam tensos. Somente Luna ainda sorria.

-Ora, vocês sabem um segredo nosso e nós sabemos um segredo de vocês. Todos se calam e ninguém se machuca!

Era simples e prático. Quase óbvio. Se não fosse o fato de que todos ali sentiram-se mais seguros se ninguém tivesse descoberto mais coisas do que deveria. Era possível confiar? Os dois ruivos se entreolharam, perguntando silenciosamente se fariam tal pacto de silêncio. Rony balançou a cabeça e olhou para Neville.

-Nós aceitamos. Assim que sairmos daqui, fica como se a gente não soubesse de nada. Em contrapartida vocês também permanecem calados.

Luna sorriu e fez um gesto debochado, como se nem precisasse de Rony repetir o que ela dissera. Neville ainda ficou sério, então pigarreou e balançou a cabeça.

-Não, eu não concordo.

Dessa vez nem mesmo Luna foi capaz de manter-se serena. Olhou intrigada para ele.

-O que quer dizer com isso, querido?

Neville parecia ainda mais sério, e olhava para todos de um modo quase furioso. A primeira que ele encarou foi Luna.

-Você vem me tentando todo esse tempo, e hoje eu fui muito fraco para resistir. Mas eu não desisti, Luna. Eu vou ser padre, e não me importo se o meu superior souber da minha falha, eu mereço ser punido.

Luna finalmente parecia atingida, e pela sua expressão ela achava que depois de beijá-la, Neville deixaria de lado a idéia de ser padre. Mas quem estava pior era Gina, ela já imaginava o que ele falaria. Os dois se encararam, e Neville balançou a cabeça, recriminando-a.

-Você não vai fugir. É errado.

-Neville, você não me ouviu? Não ouviu que Draco é um monstro e que já tentou me matar?

Ele ainda não parecia convencido.

-Pois acho que você está inventando isso para enganar Rony. Quando conversamos você deu a entender que estava muito feliz no seu casamento e que Draco era um bom marido.

Gina ficou chocada e furiosa, inflou de raiva e colocou as mãos na cintura. Depois bufou e riu sarcástica.

-É claro! Ou você acha que eu saio por aí contando para todos que meu marido é perigoso? Seria suicídio!

Neville começou a andar pela sala, e Rony olhava para a irmã analisando-a. Teria Neville razão? Ela poderia estar inventando tudo isso?

-Ainda é suspeito! Você pode ir à polícia e denunciá-lo! Prenderiam ele e você não teria mais que suportá-lo! Mas fazendo as coisas do modo errado como você quer, eu só posso pensar que você não tem razão.

Rony espreitou ainda mais a face da irmã, ela olhava para Neville com total incredulidade.

-Você acha que Draco seria preso? Pelo amor de Deus, que provas eu tenho? É a minha palavra contra a dele. A única testemunha é Narcisa, mas ela nunca falaria nada contra o filho!

-Narcisa Malfoy sabe? -perguntaram Rony e Luna.

-Foi ela quem me salvou -foi tudo que Gina disse, baixando a cabeça e virando de costas para todos.

Não, isso não podia estar acontecendo. Só Hermione deveria saber, mas de repente Mary, Rony, Neville e até Luna sabiam! E o pior, Neville não colaboraria. Se Draco a levasse de volta para Londres, ela estava perdida. Ele sabia de alguma coisa. "Draco sabe de alguma coisa e não vai me perdoar nunca. Eu não vou conseguir escapar". Lutando contra o desespero, ela se virou novamente para Neville, pensando numa forma de convencê-lo. Mas não foi ela quem falou, foi Rony.

-Você não vai contar nada a ninguém, Neville. Se a sua consciência está pesada porque você acha que pecou, então diga a verdade ao seu superior, puna-se e sinta-se feliz. Mas eu confio na minha irmã e sei que ela está falando a verdade. E eu não vou deixar que você coloque a vida dela em risco.

Neville abriu a boca para falar algo novamente, mas Rony o cortou:

-Livre arbítrio, Neville. Deus não interfere nas nossas escolhas, e não é você quem vai o fazer.

Neville permaneceu calado, aparentemente o último argumento finalmente fizera efeito. Mas ele ainda parecia irritado ao olhar para Rony e para Gina. O ruivo então levantou levemente a arma que trazia.

-Nós estamos indo, mas se você resolver dificultar a vida de Gina, eu resolverei isso de outra forma.

-Rony! -exclamou Gina.

Mas Neville sabia que ele estava falando sério. Encararam-se por um segundo, então Rony pegou o braço da irmã e a puxou para fora da sala. Tinham dado apenas alguns passos quando veio um padre na direção contrária a eles, indo exatamente para a sala de onde tinham saído, na qual Neville e Luna ainda estavam.

-Bom, Neville vai ter a sua chance de contar a verdade e se sentir um bom moço -disse Rony irritado.

Gina ainda encarava o irmão assustada pelo último gesto dele, mas assim que saíram da igreja, ela o parou e o abraçou.

-Obrigada, Rony. É bom saber que eu posso contar com você.

Ficaram abraçados no meio da rua, algumas pessoas olhando, mas não deram atenção. Voltaram a andar em silêncio, indo direto para a carruagem que trouxera Gina.

-Como você veio? -perguntou ela ao irmão.

-Na carruagem de Carlinhos, partimos pouco tempo depois de você. -ele corou um pouco- Eu pensei que você fosse conversar com Hermione sobre... Sobre você sabe o quê.

-E eu deveria ter falado?

Ele pareceu chocado.

-Não! Claro que não!

Gina não respondeu nada, mas assim que entraram na carruagem, ela disse:

-Você vai ser capaz de sufocar o seu sentimento por quanto tempo, Rony? Eu estou aqui para provar que orgulho e nobreza não servem de nada. Nenhuma dessas coisas fez de Draco uma pessoa melhor ou me fez mais feliz. É possível abdicar disso se for pra correr atrás do que se quer.

Rony não respondeu e ela respeitou o silêncio dele, não tocando mais no assunto. Viajaram por quase todo o caminho em silêncio, somente quando já estavam perto de casa que Rony voltou a falar.

-Temos que pensar no que você vai falar a Draco. Sobre o que você foi fazer na cidade. Senão ele pode desconfiar de algo.

Gina deu um sorriso irônico.

-Draco já desconfia. Desde que chegou nessa cidade ele está estranho, macabro. Eu gostaria era de saber se ele sabe de algo, saber exatamente o que ele sabe.

Rony ficou ainda mais sério. Prontamente começou a bolar uma desculpa, a qual Gina ajudou a melhorar. Assim que chegaram, viram a carruagem de Draco parada do lado de fora e Rony apertou a mão da irmã.

-Está tudo bem. Aja como se tivesse tido uma manhã ótima.

Ela respirou fundo e encenou um sorriso. Soltaram as mãos, desceram da carruagem e entraram em casa. Onde o demônio os esperava.

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N/A: Hello, pessoal! Aqui estou eu, novamente! Não atualizei tão rápido quanto eu gostaria, mas o cap nem demorou! Duas semanas é um tempo honesto de espera, né? rsrs E pelo menos o capítulo saiu maior do que a média, de novo!rsrs (estarei eu pegando a prática nisso???). Bom, se você, boa alma caridosa, chegou até aqui, se gosta da fic, então entre na campanha "Eu faço uma autora feliz" e deixe uma resenha! Bjusss, Asuka

Brousire: O Harry mudou mto desde o início da fic, rsrs Arriscando tudo agora só pra ver a Gina feliz, Mas é difícil achar um desses, ah, nem me diga como é difícil...rsrs Em compensação, medroso como o Rony eu conheço um monte!rsrs Vamos torcer pra que ele tome vergonha na cara!rsrs E olha só, ninguém pegou eles na cama, e a única pessoa que descobriu q ele esteve lá vai acobertar!rsrs Podia ser pior...rsrs Bjusss

Mari Dias: Essa Gina tá brincando com fogo, rsrs Ela q não tome muito cuidado não, pq o Draco não vai dar mole não...rs Continua torcendo aí, vamos ver se eles conseguem!rsrs Bjusss

Sophia.DiLUA: "Rony sempre um legume" huahuahu essa foi mto boa!rsrsr Mas é da natureza dele, rsrs Contanto q ele saiba voltar atrás, a Hermione perdoa...rsrs Ela vai saber ver valor nas "legumices" dele!rsrs Bjusss

Isa Slytherin: Meo Deos, como é difícil escrever coisas felizes!rsrs Fazer um monte d tragédia é mto mais fácil...rsrs E eu me divirto mais tb, rsrs Mas de fato a fic tava precisando de uma trégua, rsrsr Pra dar uma respirada antes da fuga (ou da tentativa, hehe...). Lembrando q antes d chegarem na índia, eles tem q conseguir fugir primeiro, né?rsrs O Draco não tá fácil não...rs Bjusss

Diana Prallon: Sim, isso é o maior de todos os elogios!rsrsrs Fico feliz q vc leia e goste, rsrs E o seu Draco pelo menos não é um mané, rsrsr Antes mau do que um idotão!rsrsr Bjusss

miaka: O Harry só tá esperando a Gina, uai! É um momento difícil pra ela, tadinha!rsrs Bjusss

Ninha: O Rony é meio cabeça-dura, né?rsrs Mesmo quando ele sabe que tá errado, continua insistindo só pra não ter que admitir que errou... Mas ele ainda vai ter a oportunidade de fazer a coisa certa!rsrs Difícil agora vai ser despistar o Draco, se antes ele era perigoso, agora então... Posso dizer que vc acertou sua previsão...rs Bjusss

Mirella Silveira: O Rony sem ser teimoso não é o Rony! E qd a pessoa tá apaixonada, até os defeitos são bonitinhos, rsrsrs Mas só se ele reconhecer q errou a tempo, né? Pq num tem amor q dure!rsrs E de fato o Draco vai dar um trabalhinho pra eles, não vai aceitar isso tudo fácil não...rsrs Bjusss

Pamela Black: Aff, calma eu num tava não...rsrs Mas já tinha colocado na minha cabeça que queria um cap assim, e tava todo mundo pedindo um fim de cap feliz! Aí uni as duas coisas, né?rsrs E pode deixar q eu vou comentar com o Harry sobre o seu quarto e o absinto...rsrs Se ele topar eu entro na fila, pq eu tb queria poder esquecer...rsrs Bjusss

Michelle Granger: Ahá, nem mandei a "bomba" nesse cap., rsrsr embora começaram os preparativos, hehe Eu não te fiz chorar nesse cap, mas quem sabe no próximo? rsrsr Brincadeira!rsrsr Ou não...rsrs (adooooro fazer isso!rsrs) Bjusss

Rk-chan: Ah, eu sei q dessa vez demorou um pouquinho mais, mas de vez em quando aki aperta, rsrsr Mas em compensação o cap tá aí! rsrs E pode deixar q nesse caso a bebida e a gravidez não ai dar em pizza, rsrs Minha mãe deu umas escapulidas na gravidez do meu irmão e ele tá aí firme e forte,rsrs Bjusss