Gente, não tive tempo de revisar o capítulo. Se tiver algum erro ajeitarei durante a semana :) Agora se preparem que o capítulo tá pura ação \o/
A Lenda da Lua
Paola B. B.
Capítulo XX. Rebeldes
PDV Jacob
O lunar continuava a explicação sobre como seria o andamento da visita, mas notei que ele mal prestava a atenção no que estava dizendo, seus olhos azuis volte e meia grudavam em Bella. Minha amiga, para variar, não dispôs de nenhuma preocupação, porém a curiosidade dela parecia crescer exponencialmente.
Em outras circunstâncias eu até me divertiria com a situação, mas a expressão do homem não era de um nervosismo por avistar alguém importante, havia mais. Era como se ele estivesse com medo, quase apavorado, na verdade. Ele passava sua mão por seus cabelos castanhos escuros os colocando atrás da orelha, então para não repetir o mesmo gesto ele coçava levemente a barba por fazer.
Quantos anos será que ele tem? Tirando a barba eu daria no máximo 20 anos, com a barba uns 25. O cabelo comprido não ajudava muito a disfarçar a idade. Todavia havia uma seriedade em sua postura que gritava maturidade. Então creio que ele já passou de seu primeiro século.
Os olhos dele correram para a porta de entrada e, neste momento, posso jurar que vi uma gota de suor escorrer pela testa dele. Algo está errado. Muito errado.
- Mais quantos lunares trabalham nesse lugar? – perguntei sobre a respiração e ele se perdeu em seu discurso. Acho que adivinhei alguma coisa.
- E... Onde eu estava mesmo? Ah sim! Acho que já está na hora de entrar, por favor, me sigam. – ele deu as costas para a turma e então seguiu caminhando lentamente em direção à porta. – Você é diferente. Você não é um lunar, é? – quase não consegui escutá-lo devido às conversas paralelas de meus colegas.
- Não, eu não sou. Mas você não respondeu minha pergunta. – retruquei e senti um apertão em minha mão.
Bella me olhava com curiosidade. Apenas sorri para ela e continuei a puxando perto de mim. Meus extintos estavam alerta.
- Somos em 4. – respondeu por fim. Merda. Eu não estava gostando nem um pouco disso.
- Posso contar com a discrição de seus colegas?
A resposta não veio. Mil vezes merda!
Seguimos até uma grande sala na qual se situava o planetário. Como estávamos no final da fila esperei que todos entrassem, inclusive Bella, e então olhei seriamente para o lunar que estava parado na entrada aguardando que todos fizessem seu caminho. Aproveitei que estávamos a sós para ser um pouco mais direto.
- Devo me preocupar com a segurança dela? – perguntei olhando diretamente em seus olhos. Eu era mais alto e mais largo, então minha presença impôs algum respeito, eu acho...
- Que eu saiba ela sabe se defender muito bem. – retrucou me encarando, porém ele não parecia querer me enfrentar ou intimidar, havia preocupação demais nos olhos dele.
- Oh, ela sabe. – concordei com sarcasmo. – Deixe-me reformular a frase então. Devo me preocupar com a segurança dos humanos?
- Olha rapaz, eu não sei o que você é ou sua relação com a família...
- Somos amigos. Minha tribo tem respeito pelos lunares. A alcateia escolheu se submeter à realeza lunar, apesar deles não nos verem como súditos, apenas como bons guerreiros dispostos a lutar ao lado deles.
Dr. Frederic Francois deu um sorriso fraco.
- Eu gostaria de ter a fé que você tem neles. Não creio que você tenha pleno conhecimento das coisas que aconteceram na Lua, caso tivesse não seria tão ingênuo.
- Então você é um rebelde. – afirmei e ele pareceu ficar nervoso com minhas palavras. Sua boca entortou com uma careta.
- Não fale sobre o que não sabe.
Franzi o cenho e dei um passo para trás. Deixei minha postura ameaçadora cair.
- Eu não entendo... Pensei que os rebeldes só quisessem uma oportunidade para pegá-la.
- É exatamente o que eles querem.
- Então porque está tão preocupado?
- Porque eu não sou um rebelde, mas trabalho com três que são. – grunhiu por fim. – É melhor entrarmos, enquanto a palestra estiver em andamento não teremos problemas. Mas ela terá que se manter escondida quando formos para o observatório. Se eles perceberem a presença dela eles não vão se importar com os humanos, eles vão atacá-la.
Pisquei algumas vezes ainda mais confuso.
- Você me chama de ingênuo, mas então quer...
- Como eu disse, você não sabe do que está falando. – murmurou. – Eu não acredito que ela seja a encarnação do mal, como os rebeldes. – a ironia pingou de suas palavras. – Mas também não acredito que ela seja um milagre.
- Então no que acredita?
- Eu acredito na ciência. Evolução. Tecnologia.
Como já estávamos perto dos humanos abaixamos ainda mais o tom de voz.
- Um lunar cético. – não pude evitar o tom irônico.
- Você não tem ideia do quão "religiosa" é a nossa sociedade, mais do que a dos humanos e posso até garantir que até mesmo mais que a sua espécie. – caminhamos no corredor que cortava os círculos de assentos dispostos na sala. Os alunos preencheram as duas primeiras circunferências. – Pessoas como eu, apenas fazem as perguntas certas para as pessoas erradas. Quando não aceitamos as respostas somos chamados de céticos.
Não demorei a encontrar Bella que guardava um lugar para mim enquanto o lunar caminhava para o centro dando inicio a apresentação. Nossos colegas logo se ajeitaram olhando para a projeção no teto. Eu quase podia acreditar que era o céu de verdade.
- Você demorou. O que descobriu?
- Não precisa se preocupar, princesa. – beijei sua têmpora. – Apenas aproveite o céu.
Ela revirou seus olhos, mas fez o que eu falei.
Confesso que eu estava fascinado com o que o lunar estava explicando. Fomos desde a formação dos corpos celestes até a morte de estrelas. Vimos os misteriosos buracos negros e as constelações mais famosas. Tudo explicado de maneira simples e jovial enquanto as imagens eram um show a parte.
Eu teria aproveitado muito mais se não estivesse preocupado. Eu precisava mandar uma mensagem para Charlie, mas nenhum filho da puta queria me emprestar o celular. Um jogador idiota até reclamou para o professor dizendo que eu estava incomodando. Babaca!
A uma hora e meia de palestra passou e então seguimos para o refeitório no qual teríamos por volta de quarenta minutos para lanchar e então iríamos para o próximo andar para tentar identificar algumas constelações usando o telescópio. Era a parte que Bella mais estava animada.
Tomei cuidado para manter minha amiga sempre no meio do bolo de estudantes. Tudo correu bem. Inclusive o lanche no qual a conversa no refeitório se tornou quase ensurdecedora pela animação de todos. Porém faltando 10 minutos para irmos para o telescópio o professor me chamou para um conversa. Jogador babaca! Fez minha caveira para o professor que agora me dava um enorme sermão sobre atrapalhar colegas em um passeio tão enriquecedor quanto aquele.
O discurso só parou quando ouvimos a voz o Dr. Francois chamar a turma para seguimos a programação. Segui me juntando ao grupo, porém assim que busquei Bella eu não a encontrei. Puta que o pariu! Meu coração acelerou conforme eu dava uma volta em meu próprio corpo a procurando. Tentei buscar seu cheiro, mas tudo o que consegui foi me intoxicar com a gordura da cozinha. Merda! Onde ela foi?!
Voltei meu olhar para frente onde encontrei o lunar me fitando com intensidade. Ele percebeu que algo estava errado e então rapidamente falou.
- Esse é o Dr. Natan Caldwell e ele continuará com vocês a partir daqui. Foi um prazer conhecê-los. – indicou o homem baixinho ao seu lado que pareceu confuso com a fala de seu colega, mas não disse nada, apenas sorriu e foi para a porta sendo seguido pelos alunos.
Deixei-me ficar por ultimo e com um pouquinho de sorte o professor não percebeu que fiquei para trás.
- Onde ela está? – perguntou Frederic bem ao meu lado. Seus olhos arregalados e preocupados refletindo meus próprios sentimentos.
- Eu não sei. – murmurei assim que pisamos fora do refeitório. Minha turma virou para a esquerda, mas eu logo captei o cheiro de Bella para a direita. – Por aqui.
Nossos passos eram rápidos pelo corredor. A farejei até a porta do banheiro, por um leve momento me tranquilizei, porém assim que coloquei minha cabeça para dentro e a chamei eu não obtive nenhuma resposta. Ela não estava lá.
Meu coração voltou a acelerar e nós começamos a correr pelos corredores. Foi então que escutamos um rosnar.
- Você me empresta uma calça? – pedi já puxando minha camiseta e a jogando num canto perto de um armário.
- O que?!
Não esperei resposta e explodi em minha transformação e galopei mais rápido.
- Mas o que...!
Assim que virei no corredor à direita encontrei o que eu não queria ter encontrado. Bella estava espremida contra a parede com um homem de cabelos raspados tentando estrangulá-la.
- Que porra está acontecendo?!
- Jake!
- Bella!
A enxurrada de pensamentos da matilha não me tirou o foco.
- Liguem para o Charlie! – gritei antes de pular no lunar e jogá-lo contra a janela.
O vidro se quebrou e nós dois caímos do segundo andar do local. Rosnei para o lunar que logo se recuperou e me chutou para longe. Merda! Estávamos no meio de Seattle! Isso vai ser um problema muito maior do que eu previa.
PDV Bella
Massageei meu pescoço buscando o fôlego. Maldito apetite que me faz ir mais vezes no banheiro do que o que eu gostaria!
- A senhorita está bem? – só então notei o Dr. a minha frente.
Apenas acenei e me levantei. Eu precisava ajudar Jake. Comecei a andar em direção a janela quebrada com o intuito de pular, mas fui levemente impedida.
- Deixe que seu amigo cuide disso, agora é melhor você voltar para a sua turma e ficar escondida entre os humanos. Kaleb não é o único perigo por aqui. Vamos, eu a acompanho.
Senti minha energia correr em minhas veias e meus olhos imediatamente mudarem de cor. Eu estava levemente irritada com a sugestão. Não era culpa dele, ele estava apenas preocupado, mas as portas do inferno vão se abrir antes que eu deixe um amigo lutar sozinho!
- Jacob é forte, mas se esse Kaleb for experiente e mais algum lunar se juntar a ele, Jake não terá chances. – minha voz soou dura antes de eu pular e deixar minhas asas me ampararem.
Notei que os dois haviam caído no estacionamento lateral. Estávamos em uma área mais residencial e com a noite a vizinhança estava praticamente deserta com os moradores aproveitando o jantar dentro de suas casas. O problema era que se os rosnados se tornassem mais altos do que isso nós chamaríamos muito a atenção.
Sobrevoei Jake que rosnava ferozmente para o lunar que me atacou. O homem avançou no lobo que se ergueu em suas patas traseiras dando uma violenta unhada na cara de Kaleb. A raiva aumentou e dessa vez Jake não conseguiu se defender e foi jogando para o outro lado do estacionamento parando apenas quando seu corpo atingiu a lateral de um carro.
Rosnei irritada e num rasante acertei Kaleb com um soco certeiro. Pego desprevenido seu corpo voou e ele caiu de costas no chão. Pela minha visão periférica notei algo vindo em grande velocidade em minha direção, mas antes que me atingisse foi bloqueado e desviado por Frederic.
O ataque era um dardo de gelo lançado por outro lunar. Ele tinha cabelos loiros bem cortados e uma barba comprida. Droga! Quantos mais tinham?
- Será uma honra lutar ao seu lado. – disse o Dr. Francois cruzando seu punho em seu peito e abaixando levemente a cabeça.
- Ok... – murmurei e ele sorriu.
- Traidor! – grunhiu Kaleb grudando em Frederic e o empurrando cada vez mais para o alto.
Olhei para o lunar que sobrou.
- Você vai morrer. – sibilou lentamente com um sorriso doentio em seus lábios.
Senti um frio percorrer minha espinha, mas não demonstrei o medo repentino. Sorri de volta para ele.
- Eu quero ver você tentar. – sibilei com igual lentidão o que pareceu irritá-lo ainda mais.
Ele veio em minha direção e eu recuei em meu voo. As palmas de suas mãos se ergueram e então um dardo de gelo em cada mão se formou. Ele não perdeu tempo em jogá-los contra mim. Joguei meu corpo para trás dando uma cambalhota no ar desviando do ataque. Quando retomei a postura ereta outros dardos voaram e eu rapidamente tentei bloqueá-los com uma rajada de vento feita por minhas asas.
Minha ação de defesa só os fez desviar de rota e um deles arranhou minha bochecha. Senti o sangue escorrer e isso me irritou. Rosnei e ergui minha mão esquerda no alto formando meu arco de fogo. O azul brilhou sobre minha cabeça.
- Vamos ver se seu gelo é resistente o suficiente. – disse cínica.
O lunar não demorou a jogar mais dardos em minha direção. Puxei logo duas flechas com minha mão direita e interceptei o ataque no meio do caminho. O gelo simplesmente evaporou.
- Aberração! Você vai morrer de qualquer jeito! Nem que eu tenha que matá-la com minhas próprias mãos! – gritou ele e voou focado em capturar meu pescoço. Ah! Eu não caio duas vezes no mesmo truque!
- Que tal você ganhar um pouco do seu próprio remédio? – perguntei dando uma leve torcida em meu pulso fazendo o fogo virar gelo. Puxei quatro flechas grossas e as enviei direto para as asas dele. – Porque você não esfria um pouco a sua cabeça, hum? – mandei uma piscadela para o lunar preso contra o asfalto pelas suas asas.
Minha petulância foi cortada quando um corpo se chocou com o meu e me derrubou contra o asfalto. Recolhi minhas asas antes de sentir o impacto. Ai! Eu ganharia um roxo.
Juntei minhas pernas e chutei bem do meio da barriga do lunar de cabelos enrolados. Deus! Eu só espero que esse seja o último. Levantei-me, mas logo fui derrubada com um soco. Senti o sangue em minha boca. Merda! Era o lunar que eu prendi no chão. Parece que ele se livrou das flechas. Antes que eu reagisse Jake o tirou de cima de mim o agarrando com sua boca. Ai! Isso devia doer.
- Ah! Larga! Filho da... Ah! – gritei ao ser levantada pelos cabelos em direção ao céu estrelado.
Ele então largou e imediatamente segurou meus pulsos os puxando para trás. Escutei um crack em meu ombro e a dor veio logo em seguida. Meus braços foram presos em minhas costas e eu chacoalhava minhas pernas tentando me livrar da captura. De repente o agarre em meu cabelo voltou, mas agora ele me puxava para que eu olhasse em uma direção. Meus olhos captaram a Lua cheia bem a nossa frente.
- A culpa é sua! – gritou em um ouvido enquanto seu aperto ficava cada vez mais forte. – O que aconteceu na Lua é culpa sua!
Merda!
- Eu não me lembro! – gritei de volta. – Seja lá o que eu fiz me desculpa! Mas eu não me lembro!
- Conveniente. Isso não vai salvá-la. – sussurrou em minha orelha antes de rosnar e morder meu ombro.
Gritei sentindo seus caninos em meus ossos. E então gritei de novo quando outro lunar aproveitou minha posição vulnerável e veio com toda a velocidade com seu joelho diretamente em minha barriga.
O uivo sofrido de Jake ecoou mais alto que meus próprios gritos. A luta estava no ar. Ele não podia fazer nada.
Eu precisava fazer alguma coisa! Ainda com a cabeça anuviada pela dor deixei que minhas mãos começassem a esquentar. Era melhor que ele me soltasse se não viraria churrasco!
O ouvi grunhir, mas seu aperto só aumentou. Persistente de merda! Tentando controlar meus nervosos e agonia, respirei fundo o máximo que conseguia, pois o outro lunar achou interessante me transformar em saco de pancada. Acho que já tenho pelo menos duas costelas quebradas.
Controlando meus poderes comecei a formar uma corrente de ar em volta da minha cintura, com minhas mãos ainda quentes a corrente de ar foi esquentando também e cada vez mais. Rosnei furiosa e deixei explodir com toda a minha força.
A corrente se expandiu em meu perímetro e empurrou meus dois agressores para longe. Eu estava livre. Meu corpo começou a cair, eu estava esgotada e não me importei com o impacto. Meus olhos foram escurecendo enquanto escutava os gritos de agonia, mas antes de atingir o chão meu corpo foi capturado no ar, porém desta vez o toque era gentio e impediu que eu me machucasse ainda mais. Ainda pude ver os olhos cinzentos preocupados de meu irmão antes de ser levada pela inconsciência.
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Ufa! No próximo capítulo teremos o desfecho dos acontecimentos... Será mesmo que foi o irmão da Bella que chegou para ajudá-la? :x
Próxima postagem: 06/08/2017
