Mais um pelo dia. (E sim, os capítulos já estavam escritos, faltava uma revisão...).
Obs.: O título desse capítulo me lembra cursinho... Ai ai...
Disclaimer: Harry Potter não me pertence.
Capítulo 21. Atrito
Estava um silêncio completamente incomodo na mesa do café da manhã e todos os marotos, exceto Remus, trocavam olhares preocupados enquanto Remus brincava com sua comida, aparentemente absorto demais em pensamentos para perceber que sua barriga roncava de fome. Já fazia mais de uma semana que ele estava assim e aquilo já havia começado a preocupar os amigos que desconheciam o fato de que ele e Agatha haviam terminado. Para eles, Remus ainda estava abalado por descobrir que Agatha odiava lobisomens.
Sirius olhou para James e começou sua habitual conversa por gestos que só James entendia. Algo de que Lilian realmente se envergonhava sobre James e o amigo porque eles nunca percebiam que quando começavam a ficar empolgados, fazia gestos muito grandes como abrir os braços e quase se virar de ponta cabeça. Quando a comunicação atingia aquele nível, ela sempre se afastava um pouco e fingia que não estava com eles.
Enquanto James e Sirius trocavam os seus gestos, todos sobre o que eles deveriam dizer para o lobisomem depressivo, Lilian ficou a olhar para a cara de Remus. Ele estava meio pálido e seus olhos tinham uma tonalidade avermelhada que havia se tornado permanente desde o dia que tiveram de cumprir a detenção. Não sabia como, mas precisava de algum modo ajudá-lo. Ela queria algo efetivo, não uma conversa de gestos que nunca levava a nada.
Ela olhou para o outro lado da mesa, tentando encontrar Agatha, acabando por encontrá-la sentada com Alice e Alan, os dois grifinórios nos quais ela havia se apoiado deixando até mesmo Eliza de lado depois de toda aquela confusão. Diferente da semana anterior aquela, na qual ela havia estado sozinha e sempre muito triste, sua expressão havia ficado fria com uma estranha pitada de tristeza, algo que ela só conseguia perceber por conhecê-la muito bem. Olhou novamente para Remus, que fitava seu pão como se ele fosse um objeto de estudo, e percebeu algo estranho...
Agatha teria muitos problemas com Sirius se fosse aquilo que ela estava pensando...
— Droga, já chega disso! — disse Sirius, em voz alta, fazendo o refeitório inteiro olhar para ele.
— N-não é nada não! — riu Peter, se dirigindo aos olhares curiosos de vários alunos, enquanto James virava os olhos em reprovação ao modo explosivo de Sirius.
— Se você não olhar para mim agora, você estará encrencado! — disse Sirius, tentando abaixar um pouco o tom de voz, enquanto apontava para Remus. Como o esperado, ele não respondeu, nem percebeu que Sirius estava apontando para ele.
— Sirius, não vá fazer nada que-
— Aluado, você deve olhar para mim quando eu falo com você! — disse Sirius, quase em um rosnado.
— Eu... O que eu fiz? — perguntou Remus, olhando-o nos olhos com seu par de olhos vermelhos começando a se encher de lágrimas.
Sirius ficou branco, a última coisa que ele esperava no mundo é que o amigo pudesse começar a chorar. Ele nunca havia o visto chorar!
— Eu disse que era uma péssima idéia — resmungou James, rolando os olhos.
— Eu... É... — tentou começar Sirius, mas não conseguia pensar em palavras que pudesse ser usadas naquela situação — Nós andamos meio... Preocupados com você.
— Estou bem — mentiu Remus, dando um sorriso inocente completamente fingido.
— Não, não está — disse Peter, se intrometendo na conversa para apoiar Sirius.
— Só estou um pouco cansado... — tentou rir ele, fingindo um bocejo e limpando as lágrimas que diria que eram de sono se lhe perguntassem por que estava chorando.
— Agora já chega disso — disse James seriamente — Nós te conhecemos faz cinco anos, já é tempo o bastante para sabermos dizer se está bem ou não e se está fingindo um sorriso ou não.
Remus ficou a olhar para o rosto dele por um longo momento, mas havia coisas das quais ele não podia fugir para sempre. Esconder que Agatha jamais voltaria era impossível... Seus olhos voltaram a se encher de lágrimas ao pensar naquela realidade tão cruel, então ele se antecipou em engolir o soluço que estaria por vir e limpar as lágrimas rapidamente.
— Você não acha que... Deveria conversar com ela? — perguntou Sirius, dando um tapinha no ombro do amigo.
— Ela... Não... Eu... — começava a dizer ele, mas abaixou a cabeça e tapou a boca para segurar o choro.
— Ela terminou com você, não é mesmo? — perguntou Lilian, em seu tom de voz mais doce possível.
Todos os marotos trocaram olhares horrorizados, como se Agatha tivesse acabado de violar um tabu dos mais graves, então olharam para Remus ansiosamente, esperando por sua resposta.
Como Lilian esperava, ele assentiu.
— Como assim? — perguntou Sirius, saindo de si — E porque não contou para nós? Droga, eu vou esfolá-la quando a vir. Menina idiota! Imbecil! Como você pode não dizer nada? Não sabe que nós faríamos ela se arrepender por isso?
Como Remus não respondia, Sirius continuava dizendo as palavras mais cruéis que encontrava. Estava nervoso demais, tanto que não conseguia segurar. Não estava nervoso com Remus, mas sim com Agatha, mas não era ela que estava ali para que ele pudesse descontar sua raiva, então muitos de seus xingamentos acabavam saindo no amigo que lhes omitira algo tão importante.
— Eu acho que era exatamente por isso que ele estava escondendo — cortou Lilian rispidamente — Não é inteiramente culpa dela.
— Mas é claro que é! Diga-me se nós deixamos de ser amigos algum dia de nossas vidas por isso? É claro que é culpa dela!
— Não, não é! Você não terá que se casar com ele! — disse Lilian, erguendo a sobrancelha — O que você faria se fosse sua esposa? Eu sei que parece ridículo, mas pense se casar com o que você mais teme!
— Eu não ligaria! — retrucou Sirius, dando um soco na mesa.
A essa altura, vários alunos haviam começado a prestar atenção neles, todos cochichando sobre o modo agressivo de Sirius. Por sorte nenhuma de suas palavras lhes fizeram pensar sobre a condição verdadeira de Remus.
— Sirius, dê um tempo — cortou Remus, antes que Lilian pudesse continuar com a discussão. Ela estava pronta para isso. Talvez se James fosse como Remus, ela não ligasse, mas no fundo de seu coração, ela jamais tivera algum motivo para odiar lobisomens. Um motivo que Agatha certamente poderia ter a julgar pelo que ela dissera na noite da detenção.
— Como pode continuar a defendê-la? — indagou Sirius, incrédulo.
— Sirius... Esse é o maior medo dela — Remus defendeu, abaixando a voz para um nível que nenhum ouvido interessado pudesse escutar.
— Ah! E você acha que isso é explicação o bastante? Se ela te amasse tanto quanto dizia amar, ela não ligaria para esse "medo" — retrucou Sirius.
Lilian mordeu os lábios quando ele disse aquilo. Por mais que Remus pudesse não concordar com aquilo por ser ele o discriminado, ela sabia que o que Sirius tinha razão. Ela sempre acreditara que o verdadeiro amor superava qualquer barreira.
— É complicado! — Remus tentou defender.
— Não estou dizendo que não é complicado.
Sirius tinha sempre uma boa resposta para tudo.
— Pare de defendê-la! — insistiu Sirius — Olhe só, você só não enxerga porque está cego por esse seu preconceito contra si próprio. Remus, a errada é ela!
— Não posso... — disse Remus, balançando a cabeça de um lado para o outro — Quando ela... Quando ela soube, Sirius, ela me entendeu... Ela foi sinceramente compreensível. Foi compreensível de um modo que eu não achei ser possível.
— Então porque te ignora agora?
— Eu não sei! — ele retrucou — Acha que se eu soubesse não teria dado um jeito seja lá qual fosse?
— Eu irei falar com ela.
— Não, por favor! Você não vai! — disse Remus, desesperadamente, seus olhos se arregalando de horror.
Sirius desviou seus olhos dele e virou com tudo para dentro de sua boca o suco que estava em seu copo, a ponto de acabar com aquela conversa. Remus o olhava esperando uma promessa de que ele não faria nada com Agatha, mas percebeu que se continuasse a discutir com ele, algo ruim poderia acontecer. Pegou seu material e saiu pelo corredor, na frente de todos os outros.
— Sirius, você não fará isso, fará? — perguntou Lilian.
— Acho que estou um pouco curioso para saber por que essa garota é tão "compreensível" — disse ele, revirando os olhos com desgosto ao pronunciar a palavra que Remus havia usado. Por mais que Remus pudesse brigar com ele depois, algum dia ele iria lhe agradecer por ter sido aquele que havia ido tirar tudo a limpo com ela.
Ele olhou para o outro lado da mesa, onde Agatha estava sentada com Alice e Alan bem a tempo de ver que ela estava olhando com dor para Remus que desaparecia pelo salão, enquanto mordia a ponta de seu polegar. Ele esperou, continuou olhando para ela, podendo ver que os olhos dela se voltaram para ele e quando viu como ele a olhava, virou rapidamente a cabeça para o lado, deixando que seus cabelos caíssem por sobre o ombro e escondessem seu rosto da vista dele.
Aquela covarde veria muito bem qual era o resultado de ser tão hipócrita como estava sendo...
Fim do capítulo 21
Obs.: Eu achei bonitinho o modo como o Sirius cuida do Remus nessa fanfic... Mas... Deixa pra lá.
Se gostarem, deixem uma review.
Se odiarem, deixem uma review.
Se não souberem o que acharam, deixem uma review.
Se não for nenhuma das opções acima, deixem uma review. o.o
