K-chan258- olá, bem, já vai um longo tempo desde que falamos e tbm desde que publiquei o último capitulo, este é um pouco maior, e sim, eu tenho que colocar mais acção,... estou a trabalhar nisso, lol, mas não tenho tido muito tempo para escrever... agradeço-te bastante a tua ajuda e prontidão e olha que vou usar.... mais uma vez obrigada por continuares a ler. foste a única a deixar review, por isso agradeço-te ainda mais...
Espero que ainda haja mais pessoas a ler esta fic... porque acreditem que ela dá muito trabalho... se sim, não custa nada dize o que acham,,,, pffff, onegai!!!
Olá. Bem, na introdução deste capitulo escolhi começar com esta música, da autoria dos Linkin Park, porque é um pouco o retrato de tudo o que se vai passar, o próprio capitulo tem o nome da música. Espero que gostem e descuplem a demora.
In Between (No meio)
Let me apologize to begin with
(Deixe-me começar com um pedido de desculpas)
Let me apologize for what I'm about to say
(Deixe-me desculpar-me por o que estou a ponto de dizer)
But trying to be genuine
(Mas tentar ser verdadeito)
Was harder than it seemed
(É mais dificil do que parecia)
And somehow I got caught up in between
(E de alguma maneira eu acabei por ser apanhado no meio)
Between my pride and my promise
(No meio do meu orgulho e de minha promessas)
Between my lies and how the truth gets in the way
(por entre as minhas mentiras e de como a verdade se mete no caminho)
The things I want to say to you
(as coisas que te quero dizer)
Get lost before they come
(perdem-se antes que eu possa começar)
The only thing that's worse than one is none
(A pior coisa é não ter nada)
Let me apologize to begin with
(Deixa-me começar com um pedido de desculpas)
Let me apologize for what I'm about to say
(Deixa desculpar-me por o que estou a ponto de dizer)
But trying to regain your trust
(mas tentar reconquistar a tua confiança )
Was harder than it seemed
(é mais dificil do aquilo que eu pensava)
And somehow I got caught up in between
(E de alguma forma acabei por ser apanhado no meio)
- And I cannot explain to you- (e eu não te posso explicar)
In anything I say or do or plan- (tudo aquilo que pensou ou planejo)
Fear is not afraid of you- (Não é o ter medo de ti)
I cannot explain to you in anything I say or do- (Não te posso explicar tudo aquilo que penso e planejo)
I hope the actions speak the words they can- (mas espero que as acções falem pelas palavras que valem)
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Capitulo 21 - In Between
Desde a visita do Sano, o Kenshin tinha decido que queria espairecer, desanuviar um bocado, pensar numa maneira de conseguir resolver toda aquela confusão.
Entrou no carro e conduziu sem nenhum destino em mente, seguiu os seus instintos de forma inconsciente, e sim, e eles levaram-no até bem longe.
Quando deu por si, estava na porta de casa de alguém que, já há muito tempo tinha partido.
O ruivo nem queria acreditar que tinha voltado ali. Depois de todo o sofrimento ele ainda tinha o descaramento de voltar aquele lugar.
Porquê que vim até aqui? - Ele olhou para a moradia de dentro do carro.
Provavelmente, está desabitada. - o Kenshin raciocinou - Depois da morte dela, ninguém mais teria interesse em viver aqui.
Subitamente, teve vontade de entrar lá dentro. O ruivo não sabia bem porquê, mas algo o chamava para entrar algo lhe dizia que ele devia entrar.
Mas, para quê?
Tudo o que lá deve haver resume-se a teias de aranha e pó... Mais nada...
Ele fechou os olhos e encostou a cabeça no assento.
Embalado com o som da sua respiração caiu em meditação por breves minutos antes de ser acordado com o som de um enorme trovão.
Como que energizado pela tempestade o Kenshin saiu do carro e caminhou em direcção ao portão, pouco se importando se a chuva que caía encharcava completamente todas as suas roupas.
Saltou a portada e uma vez lá dentro rondou a casa. Não havia nenhuma luz acesa, mas, o jardim estava bem tratado, o que não era normal numa casa abandonada.
Uma das janelas estava semi-aberta. " - Perfeito." - ele pensou.
Assim que conseguiu entrar teve a certeza de algo.
Não está ninguém em casa, porque não sinto o Ki de ninguém, mas, Alguém mora aqui... Esta casa tem cheiro de gente, e... está tudo bem arrumado demais para uma casa desabitada.
A parte da casa em que ele se encontrava era o escritório.
Talvez alguém a tenha comprado, e, nesse caso eu posso ser acusado de invasão de propriedade alheia, é melhor sair.
Embora renitente o Kenshin virou as costas e estava decidido a partir quando reparou em algo que lhe era familiar.
Em cima da secretária havia uma encadernação castanha de pele, com duas Iniciais belamente desenhadas e gravadas a dourado: YK
Os olhos violetas cravaram-se naquele objecto. Aquelas iniciais... pegou na capa e deu uma olhada nas folhas.
Não demorou muito para que ele descobrisse o que se passava.
Á sua frente ele tinha um contrato de trabalho assinado por Haijime Saito, e..... Yukishiro Enishi.
O Enishi que a Kaoru fala, é o mesmo Enishi que eu... é o irmão da Tomoe...
Nada podia tê-lo surpreendido mais...
Era muito estranho este aparecimento do Enishi de um momento para o outro.
Foi então que relembrou as palavras da Kaoru:
Flashback
" - Então como está a correr esse caso que tens em mãos?"
Ela deu um gole na bebida e passado uns segundos respondeu:
" - Mais ou menos, nada de concludente, sabemos que as suas vitimas são sempre o mesmo género de pessoas e que é muito esperto."
O Kenshin suspirou: " - É perigoso Kaoru, promete-me que vais ter sempre cuidado."
Se Não te tivesses ido embora poderíamos estar a resolver este caso juntos... a culpa é tua seu idiota.
" - Sim. Mas eu não estou sozinha... o Enishi também está comigo e o Saito ás vezes também dá uma ajuda."
Tinha de vir á conversa esse tipo!!! Nem no jantar ele nos deixa em paz!
Ela notou que algo o enfureceu mas não percebeu o quê.
" - Esse Enishi, tem referências?"
Ela saboreou um pouco da lasagna: " - Sim muito boas por sinal.
Fim do Flashback
Eu não estive assim tanto tempo fora, e quando eu trabalhava com a Kaoru, não existia lá nenhum Enishi, muito menos Yukishiro Enishi, senão, eu saberia logo.
Mas então, como é que ele apareceu assim de um momento para o outro, e, logo para ajudar a Kaoru neste caso?
Como se toda a confusão na cabeça dele não bastasse, os olhos do ruivo depararam-se com uma foto que o fez ficar ainda pior.
Tomoe...Era a foto dela no dia do baile de finalistas.
Sim, estava tudo confirmado, não havia dúvidas, aquele Enishi era o mesmo Enishi, que ele conhecia.
: Por momentos o Kenshin sentiu uma mistura de sentimentos á medida que as imagens do seu passado e presente passavam á sua frente uma de cada vez:
:
" - O meu irmão, ele, não gosta muito de ti..." - a voz dela reflectia tristeza
:
" - Kenshin, não tens que me falar acerca do teu passado..." - a Kaoru sorriu " - Porque eu só me interessa de quem tu és agora... e agora és o homem que eu.... amo..." - ela disse pela primeira vez
:
No dia do funeral da Tomoe:
" - Tu és o culpado Himura!" - o miúdo gritou " - Eu nunca te vou perdoar! Eu vou vingar-me acredita que vou!!"
:
O Kenshin acordou com aquela última frase e Finalmente as vozes dissiparam-se...
" - Eu não esqueço nem perdoo...
Aquilo que perdi por aquilo que vais perder..."
Agora tudo fazia sentido, sim, tudo batia certo, as ameaças que ele recebeu eram todas do mesmo género, todas falavam em vingança, em perder alguém....
O Enishi não voltou para esta cidade sem propósito, não, ele tinha algo em mente, ele queria vingar-se de mim... Ele QUER vingar-se de mim... e vai usar a Kaoru.
Sem medo de ser precipitado o Kenshin saiu daquela casa e voltou para o carro. " - Tenho que falar com a Kaoru, ela tem que me ouvir. E ela tem que vir a casa, nem que seja para trocar de roupa,... Ela vai aparecer."
E, assim, com uma mistura de remorso, medo, ansiedade e raiva o Kenshin conduziu de volta para casa e rezou para que ela chegasse rapidamente.
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Por seu lado, a jovem policia que acompanhou os amigos na ida á pizzaria, na qual o Enishi também foi, não se sentia nada atraída á ideia de ir a casa buscar roupas...
" - Vamos escolher uma mesa." - o Sano disse
O Enishi observou brevemente o local: " - Aquela ali vai ficar de vago."
" - Misao, depois do jantar vens comigo a minha casa?" - ela pediu discretamente á amiga.
A jovem de trança acenou, embora não entendesse bem o que se estava a passar.
" - Quanto tempo?" - a Misao perguntou
A jovem policia foi apanhada de surpresa... " - Não sei..."
O Enishi que seguia a frente com o Sano cedeu o lugar para a Kaoru se sentar e perguntou:
" - Não te apetece voltar para casa, certo?"
A Kaoru suspirou e abanou com a cabeça: " - Não."
" - Se quiseres, podes ficar na minha..." - ele disse.
Como seria de calcular, esta questão fez com que o Sano e a Misao literalmente ficassem de boca aberta com a rapidez do Enishi, até a própria Kaoru ficou corada.
" - Bem... Enishi, eu já pedi á Misao... e ela diz que não se importa... mas Obrigada á mesma."
O Enishi acenou com a cabeça e sorriu: " - Claro, eu entendo." E ficou a olhar para ela pensativo.
" - Eu ainda te devo uma explicação Enishi, acerca do que aconteceu." - ela disse
Ele não disse que não... " - Sim. Tem tempo."
O olhar dele era tão intenso que ás vezes parecia que conseguia ler os pensamentos dela.
E por algum tempo fez-se silêncio na mesa.
O Sano e a Misao entreolharam-se e foi aí que o Sano decidiu interromper:
" - Uh!Uh! Bem, acho que devíamos pedir a pizza..." - o acto seguinte foi olhar para a lista e escolher o que queriam comer...
Não gosto da maneira como este tipo trata a Kaoru, parece que está interessado nela, mas ao mesmo tempo há algo sinistro por detrás do olhar dele.
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O jantar foi divertido, a Misao aproveitou para contar ao Enishi algumas histórias do grupo de amigos, houve algumas piadas pelo meio, e depois veio a nostalgia...
" - Nós somos muitos mais." - o Sano disse " - Ainda há o Aoshi, O Yahiko, a Megumi, a Tae, Tsubame, e o Kensh..." - a frase foi cortada quando se apercebeu que poderia estar a magoar a amiga."
" - Desculpa, Kaoru." - ele imediatamente acrescentou
A Kaoru parou de comer e olhou para o Sano.
Porquê que o Sano fala como se soubesse do que aconteceu?
" - Como é que..." - a Kaoru não teve tempo de terminar a frase, porque alguém bem conhecido deles se aproximou da mesa onde estavam.
" - Boa noite, meninos e meninas."
Todos olharam para a médica.
" - Megumi? Que coincidência!" - a Misao exclamou
Os lábios carregados de baton da médica esboçaram um sorriso: " - Sim... Não contava encontrar-vos aqui..."
" - Calculo que se soubesses que aqui estávamos não virias aqui." - o Sano respondeu
A Megumi entendeu a hostilidade do Sano como sinal de que a Kaoru lhe tinha contado tudo.
" - Kaoru, Querida, não sabes mesmo perder... Bastou teres perdido o Kenshin para logo reunires os teus amigos na esperança de que eles fiquem do teu lado e não do meu... "
A Kaoru mordeu o lábio de leve antes de encarar a Megumi de frente:
" - Em primeiro lugar, não contei a ninguém, porque... é algo que só a ti e a ele diz respeito... Mas se fazes questão de que toda a gente saibas que foste para a cama com o Kenshin, tudo bem..."
A Misao deu um pulo da cadeira: " - O quê? O Kenshin e tu? Não pode ser? Megumi, como é que vocês foram capazes?"
O Sano e o Enishi mantiveram a mesma atitude calma, e isso fez a Kaoru desconfiar, mas continuou a enfrentar a Megumi:
" - Bem, agora já todos sabem... Estás feliz?"
" - Querida, não é nada pessoal, mas entende, tu eras muito, "miúda" para o Kenshin, ele precisava, sabes... de uma mulher mais madura..." - a maldade da Megumi era algo que a Kaoru nunca tinha provado.
" - Bem, então só posso dar-te um conselho:" - a Kaoru juntou um tom de gozo nas próximas palavras - " Cuidado, a fruta madura tende a cair da árvore e ficar podre rapidamente... "
" - O quê?" - a Megumi não estava a contar com uma reacção daquelas " - Mas quem é que tu julgas que és pirralha?" - a Megumi rosnou
O Enishi levantou-se e colocou-se como barreira entre ambas:
" - A história acaba aqui. Acredita que é o melhor..."
A médica estranhou a atitude daquele rapaz que ela nem sequer conhecia, os olhos dele eram determinados, e bastaram aquelas palavras para a deixar um pouco amedrontada.
" - Muito bem." - a Megumi voltou as costas e começou a andar de volta a porta do restaurante
Quanto ao Enishi, Misao e Sano, durante alguns minutos evitaram olhar para a amiga. Ninguém queria ser o primeiro a falar, nenhum deles sabia o que dizer.
Para surpresa de todos a Kaoru foi a primeira a falar:
" - Dúvidas, perguntas ou questões?" - ela perguntou ironicamente.
A Misao que ainda estava um pouco em choque com tudo o que tinha ouvido começou por dizer:
" - Bem Kaoru, eu nunca pensei que... o Kenshin... aliás, eu sempre pensei que tu e o Kenshin... fossem ficar juntos... "
A jovem de olhos azuis suspirou: " - Acho que esse também foi o meu erro..."
" - Já pensas-te que o Kenshin pode não ter tido culpa?" - o Sano interrompeu
A Misao acotovelou-o: " - Só mesmo tu para defenderes uma coisa dessas. Não é altura para este tipo de solidariedade masculina!" - virando a sua atenção para o Enishi acrescentou: " - Não me digas que tu também concordas com isso?"
" - Não." - ele respondeu prontamente.
" - Tu já sabias disto não já, Sanosuke?" - a Kaoru perguntou
" - Eu falei com o Kenshin esta tarde, e ele contou-me tudo, e olha que ele estava muito abalado... ele não se lembrava de nada e..."
O Enishi recostou-se para trás na cadeira e forçou as mãos na mesa, num gesto de completa desacreditação: " - Nem tu acreditas nisso."
O Sano fitou os olhos no outro homem: " - Tu não conheces o Kenshin. Não podes falar."
" - Vamos parar com isto, por favor." - a Kaoru pediu " - Vim aqui para me distrair."
Em sinal de respeito todos pararam de falar e por algum tempo, por mais uma vez, fez-se silencio.
Mas foi por pouco tempo, até que a Misao começou a falar e nunca mais se calou, divertindo toda a gente com os seus comentários.
Depois de saírem da pizzaria andaram um pouco a pé. Mas então o Sano decidiu que tinha que se ir embora, e a Kaoru lembrou-se que tinha de passar por casa para ir buscar alguma roupa.
" - Bem... eu tenho que ir..."
" - Já?" - a mão dele segurou no braço dela
A Kaoru pestanejou várias vezes antes de responder:
" - Sim... tenho que ir a uns sítios antes de ir para casa."
" - Então depois vais lá ter a casa?" - A Misao perguntou
" - Sim..." - a resposta foi breve
" - Eu precisava de falar contigo." - o aperto dele era forte, mas não o suficientemente forte para se tornar agressivo.
Os olhos dela cruzaram-se com os dele, e por um ápice ambos ficaram alheios a tudo ao seu redor.
Era impressionante como o olhar dele conseguia ser tão firme... ele nem sequer pestanejou uma única vez enquanto se entreolhavam, e as palavras dele vieram acrescentar ainda mais firmeza ao seu ser:
" - Vá -lá. "- e assim sem mais nada ele simplesmente a fez ir.
::
Ela seguiu no carro dele, a Misao tinha levado o dela.
O Enishi conduzia bem depressa, mas a Kaoru não sabia porquê não tinha medo.
" - Eu não conheço este sitio. Para onde me levas Enishi?"
" - Quero te mostrar algo..." - Ele respondeu com um ar apreensivo.
A Kaoru voltou-se para encará-lo, mas ele já tinha voltado o seu olhar para a estrada.
" - Parece algo sério Enishi..."
Ele apenas continuou a conduzir, mas desta vez um pouco mais devagar, pelos vistos já tinham chegado ao destino.
" - Espera aqui um pouco." - ele saiu do carro e correu para abrir um portão.
De volta ao carro ele sacudiu a água da chuva que escorria pelo seu rosto e acrescentou:
" - Tempestade..."
Fez o carro entrar pelo portão e a Kaoru calculou que aquela fosse a casa dele.
Seguiram até á garagem, uma vez lá, ele estacionou e saíram fora do carro.
" - É a tua casa Enishi?"
Ele foi á mala buscar o saco de treino e acenou afirmativamente á pergunta dela.
Porque me trouxeste aqui Enishi?
Do outro lado ele questionava-se acerca do mesmo.
Ele caminhou pelos vários compartimentos enquanto a Kaoru o seguia de perto.
Depois, ele parou subitamente, o que por sua vez fez a Kaoru parar de repente também.
Ainda de costas o polícia inquiriu com um tom um pouco sombrio:
" - Deves estar a perguntar-te porque te trouxe aqui? Certo?"
A Kaoru suspirou: " - Sim... Mas, Enishi, estás a sentir-te bem?" - ela não podia deixar de notar que o ki dele tinha mudado, a cada minuto que passava o Enishi ficava cada vez mais obscuro.
Ele ignorou a pergunta dela e abriu a porta de um dos quartos.
Assim que entrou lá dentro ela pôde ver que se tratava não de um quarto mas de um escritório.
Sem ligar ao que ele fazia a Kaoru deambulou um pouco pelo local, observou um a um todos os objectos em cima da secretária. Várias canetas de tinta antigas, uma capa com as iniciais dele gravadas, papel de carta... mas houve algo que assim que a Kaoru viu a chamou a atenção.
Sem mais demoras pegou no objecto. " - Era a tua irmã? "
Ele acenou. " - Como sabias?"
A Kaoru colocou a fotografia num ângulo em que comparava o Enishi com a mulher nela.
" - O olhar, é o mesmo. É como se fossem pessoas distintas, mas com o mesmo olhar."
O Enishi caminhou até ela e sem parecer brusco tirou o retrato da mão dela e voltou a colocá-lo na mesa.
Tirando os olhos da rapariga na foto a Kaoru conseguiu ver algo que até então ainda não tinha reparado.
" - Tu, sabes manejar uma espada? Tens algum estilo em especial?"
" - Sim." - a resposta foi breve " - Tive que aprender."
" - Como assim, Tiveste de aprender? Alguém te obrigou?" - aquela conversa estava a tornar-se cada vez mais estranha.
" - A minha irmã foi assassinada, e eu jurei vingar-me do homem que a matou."
A Kaoru franziu o sobrolho: " - Mas para quê a espada?"
O Enishi caminhou até perto do objecto cortante e retirou do pouso: " - Quem vive pela espada morre pela espada." - Nesta altura a Kaoru sentia-se um pouco insegura perto dele, parecia que por vezes olhar dele ficava esquisito, os olhos verdes ficavam mais escuros, e a expressão facial de menino mimado passava a ser de um homem completamente diferente, como se estivesse a viver acontecimentos passados mesmo ali, á frente dela.
" - Enishi." - ela tentou tocar-lhe no braço para o chamar á realidade e a reacção dele por pouco não a injuriou seriamente, porque ao contacto com o toque dela, o jovem de cabelos prateados retirou a espada da bainha e empurrou a Kaoru para trás.
Dando-se conta do que tinha feito ele imediatamente atirou a espada para o chão e desculpou-se.
A Kaoru achou aquela atitude muito estranha e deu dois passos atrás, afastando-se ainda mais dele.
Ele deu dois passos em frente e antes de falar, fechou os olhos respirou fundo por duas vezes. Quando os abriu novamente os seus olhos tinham voltado á cor normal:
" - Não é a mim que tens que temer, Kaoru."
Ela abanou a cabeça e fixou firmemente o olhar do homem a frente dela:
" - Tenho eu que temer alguém?" - ela não imaginava sequer que tivesse que ter medo de alguém. Mas aí algo fez sentido. Os post-its no computador que diziam que ela não ia conseguir, aquilo que ela nunca tinha achado ser mais do que uma mera provocação, seria isso de que ele estava a falar?
Como ele não falava ela fez uma pergunta semelhante, mas, mais profunda do que a anterior " - De quem é que tenho que ter medo Enishi e porquÊ?"
Ele aproximou a mão direita do rosto dela. " - Tão parecidas e tão diferentes." Ele acariciou-a ao de leve: " - Eu não vou permitir que ele te faça o mesmo que fez a minha irmã, Kaoru"
Vários factores estavam a contribuir para ela não estar a conseguir entender nada do que se estava a passar, o facto de ele falar por enigmas, de por vezes parecer nem sequer estar a falar para ela, e agora o facto de estarem tão próximos.
" - Ele quem?" - no meio de todos aqueles pensamentos foi a única pergunta que ela conseguiu colocar.
Mais uma vez ele fugiu á pergunta: " - A minha irmã estava apaixonada... "
Oh... ele ás vezes parece lunático...
E quando estava prestes a ignorar tudo o que ele fosse dizer e tentar arranjar uma maneira de sair dali, da boca do Enishi saiu um nome que a fez bloquear:
" - O quê? Podes repetir?" - ela disse incrédula.
" - Kenshin Himura é o assassino da minha irmã."
Ele observou a reacção dela, a principio parecia que o mundo lhe tinha caído em cima, porque a Kaoru colocou a mão no peito e nos olhos dela pareciam formar-se lágrimas. Mas depois tudo mudo, a reacção dela mudou. O olhar da Kaoru ficou firme:
" - O Kenshin não é nenhum assassino!" - ela gritou furiosa
Idiota, mesmo depois do que ele te fez tu continuas a gostar dele. - o Enishi pensou
" - Podes perguntar-lhe. Acho que ele não te vai negar." - ele acrescentou.
Depois de o Kenshin a ter traído, o Enishi pensou que contar-lhe a verdade acerca do ruivo era a melhor maneira de a fazer separar dele de uma vez por todas, mas pelos vistos tinha-se enganado.
A Kaoru procurou a bolsa dela para si ir embora, mas ele não deixou.
" - O que te estou a dizer é a verdade, Kaoru. O Himura é um homem horrível, ele matou muitas pessoas ele destruiu a minha vida e vai destruir a tua também se não tiveres cuidado." - ele gritou, como se estivesse a repreender uma criança.
Ela fez força para se soltar da mão dele que a segurava e assim que conseguiu disse:
" - Leva-me a estação de táxis mais próxima por favor." - ela pediu tentando controlar os nervos e a vontade que tinha de lhe bater.
Mas ele insistiu: " - Não podes ir assim. Vamos com..."
" - Tira-me daqui!" - Ela berrou não permitindo que ele fosse sequer capaz de terminar a frase.
Ela é mais vulcânica do que aquilo que eu pensava. Se calhar para já é melhor levar as coisas com calma.
" - Muito bem... eu vou levar-te até a casa da Misao." - ele disse.
Assim que ouviu isto a Kaoru seguiu porta fora até a garagem.
:
Uma vez no carro e depois de já estarem bem longe da casa dele, a Kaoru pediu:
" - Deixa-me sair aqui."
O Enishi recusou-se: " - Não, ainda estamos muito longe da casa da Misao."
" - Eu quero ir a pé." - e sem mais demoras abriu a porta do carro e saiu.
Ela não vai para a casa da Misao.
Provavelmente vai ter com ele tirar esta história a limpo. - ele sorriu malevolamente - E ele como certinho que é, vai admitir tudo...
:
Depois de ter andado alguns quilómetros a Kaoru deparou-se com a porta da sua própria casa.
Irónico como no dia anterior tinha chegado ali da mesma maneira, arrasada. Á espera de encontrar algum conforto, alguma ajuda da parte dele. O que ela mais desejava era que ao contrário da noite de ontem, ela conseguisse sair dali aliviada, que tudo o que o Enishi lhe tinha dito fosse mentira...
Subiu as escadas e assim que chegou ao seu andar tirou as chaves da mala.
Abriu a porta e procurou por ele. Passou pela cozinha e pela sala, e já seguia em direcção aos quartos quando ele a chamou:
" - Kaoru."
Ela fechou os olhos e permaneceu de costas. Como é que eu o vou encarar? Como é que eu vou olhar para ele? Não era a traição dele que a estava a magoar, não, isso tinha perdido a importância perto de tudo o que o Enishi lhe tinha dito.
" - Kaoru, tu estás molhada." - ela sentiu que ele se aproximou, mas ela afastou-o.
O Kenshin pôde ver que ela tinha estado a chorar porque os olhos dela estavam vermelhos, e a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi que o Enishi a pudesse ter magoado. Só isso enraiveceu-o.
" - O que é que aquele tipo te fez Kaoru?" - a voz dele estava diferente, tinha perdido a doçura, agora só restava uma grossa e nada meiga e os olhos dele, já não eram violeta, mas dourados. Aquela visão do Kenshin fez com que as palavras do Enishi se tornassem ainda mais reais: Um assassino...
" - Não! Eu recuso-me a acreditar!" - Ela desesperou.
Acreditar em quê? Mas o que é que estás a querer dizer Kaoru, o que é que ele terá feito contigo para tu estares assim?
Ele colocou as mãos nos ombros dela: " - Se o Enishi te fez alguma coisa, eu juro que o mato. "
Aquelas palavras foram o auge para a Kaoru. " - Matar?" - ela balbuciou ainda sem acreditar.
O Kenshin por outro lado não estava ainda a entender o que se estava a passar com a mulher que ele amava. Ficava cada vez mais confuso.
" - Como sabes do Enishi? Como é que o conheces?" - ela perguntou com medo de ouvir a resposta.
Meu Deus, faz com que ele me minta, faz com que ele me convença de que isto não é verdade. De que é um pesadelo. - mas as preces da Kaoru não foram atendidas.
" - Conhecemo-nos em situações muito... delicadas." - o Kenshin não estava a entender o rumo da conversa, e, a última coisa que queria agora era falar sobre tudo o que aconteceu á Tomoe.
Meu Deus se eu pudesse pegar numa borracha e apagar tudo e começar do inicio...
" - Foste tu quem matou a irmã dele?" - apesar de tudo, de todas as evidencias apontarem para ele, ela queria acreditar, queria acreditar que ele não era quem o Enishi tinha dito que era.
Aquela pergunta atingiu-o como uma flecha a arder.
Não há mais nada a fazer, vou ter que lhe contar a verdade.: " - Sim, eu fui o causador da morte da Tomoe."
A Kaoru mais uma vez fechou os olhos, como se isso fosse diminuir a dor de saber a verdade. Não, não ouvi bem, não pode ser.
" - Quando eu vim para aqui Kenshin, eu, vim para limpar a tua imagem." Ela soluçou. " - Eu vim porque acreditei que tu eras o Kenshin que eu conheci... eu vim porque..."
" - Eu sou o Kenshin que tu conheces..." - ele tentou abraçá-la, mas ela esquivou-se das mãos dele.
A Kaoru não permitiu que ele continuasse a falar, ela sabia que tinha de dizer aquilo antes de irromper em lágrimas:
" - Meu Deus como eu sou burra... Mesmo depois de me traíres com a Megumi, Mesmo depois do Enishi me dizer que eras um assassino..."
Assassino... Doeu tanto ouvi-la dizer aquela palavra... já tinha sido chamado de assassino por muita gente, mas nunca, nem nos seus piores pesadelos sonharia em ouvi-la dizer aquilo. A sua doce Kaoru a chamá-lo de assassino.
Apesar dos devaneios dele ela continuava a falar.
" - Eu... vim feita uma idiota com a esperança de que as coisas não fossem bem assim... mas tu confirmas-te tudo! O que é que eu posso fazer agora??"
O Kenshin estava pronto a intervir quando uma outra pergunta saltou da boca dela:
" - A tua espada!" - ela gesticulou como uma doida - "- Quando te perguntei porque tinhas uma espada contigo tu disseste-me que já não tocavas nela há imenso tempo, e que..."
" - E é verdade, eu já não toco na minha espada há muito tempo, só para treinar. Nunca para matar!" - ele tentou defender-se
" - Mentiroso!!!" - ela gritou com toda a sua força
O Kenshin correu até ela e abraçou-a, com toda a esperança de que os actos e sentimentos falassem mais alto do que as palavras. De que houvesse uma réstia de amor dentro do coração dela, e que, isso a levasse a ficar do lado dele.
Por mais estranho que parecesse a Kaoru permitiu que ela a abraçasse. Sentiu que cada vez ele a apertava mais como se ela pudesse fugir a qualquer momento.
As lágrimas dela escorriam da sua cara para o pescoço do samurai, e ele conseguia sentir que a respiração dela estava mais calma.
" - Kaoru..." - ele murmurou " - Eu só te quis proteger... de mim, do meu passado."
" - Eu podia perdoar uma traição, Kenshin." - a Kaoru tentou pedir forças para que conseguisse dizer as palavras seguintes: " - Mas duas é demais."
" - Eu nunca te traí Kaoru." - a voz dele ficou embargada
" - Eu quero tanto acreditar em ti." - ela chorou " - Mas não posso, Kenshin, não posso, por mais que te ame não consigo acreditar em ti...." - Foi então que se soltou dos braços dele.
Ela disse que me amava... Um renovo de esperança evadiu o peito do ruivo.
Aquela foi a melhor coisa que ele tinha ouvido no dia, apesar de não ser pelos motivos certos...
" - Kaoru eu..." - mais uma vez ela não o deixou falar.
" - Não me procures, por favor." - ela pediu
Ele abanou com a cabeça: " - Eu vou atrás de ti por onde tu fores eu vou estar." - ele disse.
" - Não!" - ela perdeu a paciência. " - Se me amas deixa-me ir."
E dito isto saiu pela porta fora com a maior rapidez possível.
:
O Kenshin foi deixado para trás sozinho naquele hall de entrada.
Eu devia ir atrás dela. Mas eu não posso ir atrás dela. Mesmo depois de tudo, Enishi, tu não conseguiste vencer, ela não acreditou completamente em ti, se não não teri vindo aqui...
Eu não sei se dar espaço será a melhor solução... Quem me dera saber o que fazer... Como é que posso mostrar-lhe que mudei, que não sou o assassino que ele lhe disse que eu era?
Um grito vei interromper a sua meditação.
" - Kaoru!!"
Tinha sido a voz dela.
Ele desceu as escadas o mais rápido que conseguiu, abriu a porta da entrada do prédio e correu até lá fora. Mas para além da chuva e das folhas que o vento fazia dançar de um lado para o outro, não viu nada.
Chamou o nome dela várias vezes, mas sem resultado. Foi então que, depois de um trovão seguido do costumeiro relâmpago, conseguiu ver algo a reluzir no meio do chão, uns metros mais á frente.
Foi até lá e reconheceu imediatamente o objecto.
Era o colar azul que ele lhe tinha dado como prenda.
Nessa altura não teve dúvidas de que ela tinha sido levada por alguém. E só um nome lhe veio á cabeça.
" - Enishi.":
:
Ok. Foi um bocadinho grande. Mas houve um pouco de acção. a Kaoru descobriu tudo e acabou por ser raptada... bem... talvez fsse preciso um pouco mais, mas, haver vamos.
Deixem a vossa opinião...
Jou-chan
