– Eu não sei qual é o problema, já disse. – Rachel falou, desiludida.

Almoçando com seus melhores amigos, Kurt e Mercedes, Rachel tentava entender porquê Finn andava tão distante ultimamente. Desde o dia em que jogaram raspadinha em cima dele, Finn estava estranho. Rachel sabia que alguma coisa dentro dele mudara a partir daquele acontecimento.

Finn não estava acostumado a ser piada. Ele sempre fora o garoto mais popular e valorizava muito isso. Até demais, na opinião de Rachel. Se ele não fosse tão apegado à popularidade, talvez tudo seria mais fácil em relação aos dois. Mas Finn não conseguia largar essa obsessão pela boa imagem no colégio.

Por um lado, ela entendia. Finn tinha insegurança em si mesmo, portanto, ele precisava manter a imagem de maioral. Era como se ele quisesse manter as aparências, pois, se não tinha segurança em si mesmo, os outros, pelo menos, teriam. Ele não suportaria se percebessem que, no fundo, era apenas um garoto assustado, que não sabia direito o que fazer com sua própria vida.

Rachel queria ajudá-lo, mas se Finn se afastasse, ela não poderia. E sabia, gostaria que não fosse assim, mas sabia que ele estava se afastando. Porém, Rachel não estava disposta a desistir. Finn sentia algo por ela. Não era possível que ele tivesse mudado tanto sua atitude para com Rachel, se não tivesse começado a gostar dela, nem que fosse um pouco.

– Às vezes, ele fica meio aéreo, sabe, como se estivesse pensando em algo muito importante, mas que ainda não chegou a uma conclusão que o agradasse.

– Olha lá, ele está vindo aí. – comunicou Mercedes.

Com sua bandeja de comida na mão, Finn se sentou ao lado de Rachel. Percebeu que cortara algum assunto entre os três mais uma vez.

– Ultimamente, vocês andam cheios de segredo. – disse.

Kurt pegou seu suco, antes de falar:

– Vai dizer que você não tem segredos.

Finn não respondeu. É, ele também tinha seus segredos. Andara pensando na proposta de Quinn, mas não comentara com mais ninguém, nem mesmo com Puck, que era seu melhor amigo. Quinn viera falar com ele mais de uma vez desde aquela no campo de futebol, perguntando se ele já havia tomado alguma decisão. Mas Finn ainda não sabia o que fazer.

E ele não entendia porquê. Alguma coisa dentro dele se agitava de maneira negativa ao pensar em volta com Quinn. Mas, ao mesmo tempo, sabia que isso era o que queria. Não, mais do que querer, era o que ele precisava fazer. Já não estava mais aguentando ser alvo de olhares e de piadas de mau gosto. Ainda era popular, mas, se não agisse rápido, poderia pôr tudo a perder.

– Hoje é sexta, dia da festa no Breadstix. Quem vai? – Mercedes perguntou.

Kurt soltou um suspiro pela boca.

– Só se você for sozinha, por que eu, com certeza, não terei um par e Rachel já vai com Finn. Não quero ficar sobrando.

– Então não tem problema, porque eu vou sozinha.

– Ótimo.

Rachel, por sua vez, balançou a cabeça negativamente.

– Eu não vou poder ir.

– Por que não? – Finn quis saber.

– Não te falei ainda? Meus pais vão viajar nessa mesma hora e eu preciso estar em casa.

– Mas, Rachel... – Kurt reclamou.

– Você sabe que eu sempre fico com meus pais quando eles vão viajar, Kurt. É uma tradição familiar. – ela explicou a Finn. – Mas você pode ir se quiser.

Finn encolheu os ombros.

– Eu vou com Kurt e Mercedes, então.

Mesmo sem Rachel, Finn precisava ir nessa festa. Tinha que retomar sua vida social urgentemente.


Rachel estava com seus pais na sala de música de sua casa, aproveitando-os antes que eles tivessem que viajar de novo. Mas sua mente não parava de pensar em Finn, Kurt e Mercedes no Breadstix. Nunca havia estado com Finn numa festa antes, muito menos como namorada dele, ainda que de mentirinha, e ela gostaria muito de estar lá.

Ainda mais por que sentia que devia ficar perto de Finn o máximo de tempo possível. Alguma coisa dentro dela a incomodava. Estava sentindo uma necessidade constante de ficar de olho em Finn nos últimos dias. Uma insegurança que até então não havia sentindo. Mas ele também dera motivos para isso, afinal, andava estranho e não queria dizer a ela qual era o motivo.

E, para piorar, vira-o conversando com Quinn certo dia. Era a primeira vez que ela tinha visto Quinn ir falar com Finn desde que toda aquela história começara. Era um fato que deixara Rachel extremamente preocupada.

– Rachel, querida?

Ela ouviu seu pai, Hiram, chamar seu nome. Abandonando as preocupações por um momento, ela o olhou.

– Sim, papai?

– Está distraída. – ele comentou.

– Estou? – Rachel se fez de desentendida.

– Com certeza é aquela tal festa que ela e Finn estavam comentado aqui outro dia, lembra? – Leroy perguntou a Hiram.

– Ah... É isso, meu bem?

Rachel negou com a cabeça, mas sem conseguir ser muito convincente.

– Ahá! É isso. – exclamou Hiram.

– Não tem importância. – ela afirmou.

Os homens trocaram olhares ao verem o desânimo dela.

– Rachel, – Leroy começou. – há algo que te preocupa?

– Nós temos percebido que você anda meio tristonha. – Hiram passou a mão no rosto dela carinhosamente.

Leroy se pôs sério.

– É o Finn? – perguntou, com tom grave.

– Não, pai, não é o Finn. – ela mentiu.

– Ele fez alguma coisa com você? – Leroy insistiu.

Rachel se mexeu em seu assento, inquieta.

– Não, já disse que não.

– Ah, Leroy, para de pegar no pé do garoto. Rachel só está desanimada porque queria estar na festa se divertindo com seus amigos, ao invés de estar aqui fazendo companhia a dois velhos.

Rachel teve que sorrir.

– Não é nada disso, eu gosto de ficar com vocês. Nossas noites de cantoria são especiais para mim. E vocês não são velhos.

– Mas não parece estar desfrutando esta noite. – Leroy constatou.

De repente, Hiram se pôs de pé.

– Está decidido! – ele declarou. – Vamos levar Rachel ao Breadstix para que ela possa se divertir.

– Não... – Rachel começou a contradizer.

– Sem mais palavras. – Hiram puxou um não muito conformado Leroy do sofá pela mão. – Vamos, Leroy. Só se é adolescente por um curto período na vida, tem que aproveitar.


Finn acabara de chegar à festa do Breadstix. Vários estudantes do Mackinley estavam ali, como pôde notar.

Separara-se de Kurt e Mercedes logo quando entrou, pois a turma deles não era a mesma turma de Finn. Não, isso não era a verdade, a quem ele queria enganar? Agora que decidira retomar sua boa reputação, evitou que o vissem com eles, assim de simples. Foi bom Rachel não ter ido, assim ele ficava mais livre. Isso também não era verdade, no fundo, queria que ela estivesse ali.

Finn tentou manter os pensamentos confusos à margem e se juntou a Puck, sentado no balcão do bar.

– E aí, Puck?

Puck olhou e ficou surpreso ao vê-lo sentar ao seu lado. Fazia tempos que Finn não se juntava a ele de livre e espontânea vontade. Olhou em volta, antes de perguntar:

– Cadê a Berry?

– Não veio.

– Não? – Puck franziu a testa. – Está livre hoje, finalmente? Parece que agora você só vive grudado nela.

Finn se sentiu incomodado com o comentário. Percebeu o tom de zombaria na voz de Puck. Apesar da conversa que tiveram, logo quando Finn começou a "namorar" Rachel, Puck nunca entendera realmente por que ele estava se relacionando com alguém como ela. E não era o único a pensar aquilo, todos no Mackinley achavam que Finn tinha perdido o juízo para estar namorando Rachel Berry.

– Ela não pôde vir.

– Ah... – expressou Puck. – Ótimo. Você precisa voltar à realidade, cara, nem que seja por pouco tempo. Essa Berry não é boa influência para você.

Finn viu o barman e pediu a ele uma bebida. Depois, se voltou de novo para Puck.

– O que quer dizer com "não é boa influência"?

– O que acha que quero dizer? Acorda, Finn! – Puck deu um tapa nas costas do outro. – Como se não bastasse ela ser parte da turma dos fracassados do colégio, o que é péssimo para a sua reputação, agora você faz parte até de grupinho de coral? Fala sério.

Finn respirou fundo. Não queria admitir, mas Puck estava falando exatamente as coisas que ele estivera pensando ultimamente. Sentia o coração doer ao pensar isso, porque, de certa forma, gostava de Rachel, mas ela não o ajudava muito no quesito popularidade.

Puck apontou para umas garotas que passaram perto deles.

– Olha só para elas. Existem muito melhores que a Berry por aí.

– Eu gosto dela, Puck.

– Gosta o suficiente para virar um idiota igual a ela? O suficiente para fazer parte da turma dos fracassados também?

Sem saber o que responder, Finn ficou em silêncio. Não podia dizer a Puck que seu namoro com Rachel era temporário. O barman chegou com a bebida e ele deu um longo gole. Queria esquecer as diversas dúvidas que rondavam sua cabeça.

Ainda em silêncio, ele ouviu Puck continuar a falar.

– Eu não queria dizer isso, mas tenho que dizer, antes que seja tarde demais. Os outros jogadores estão falando um monte de você pelas costas. – Puck fez uma pausa para que a informação entrasse bem na mente de Finn. – Eles não estão mais achando que você deve ser o líder.

– O quê?

– É. – Puck continuou. – Estão falando até em falar com a treinadora Bieste. Eu não duvidaria que peçam para que você não seja mais o quarterback. Ou pior, – ele se aproximou mais de Finn, para dar mais ênfase no que ia dizer. – podem pedir para que você saia do time.

– Não! – Finn subiu o tom de voz. – Eles não podem fazer isso. Não acha que estão exagerando, não?

– Karofsky é quem está agitando as coisas. Os caras não confiam mais em você. A gota d'água foi o tal do Glee Club. Falam que agora você é bichinha demais para comandar um time e está manchando a imagem dos outros jogadores.

Finn abriu e fechou a boca diversas vezes, indignado demais com tamanha injustiça para poder falar. Mas o que é que eles estavam pensando?

– A treinadora Bieste não vai aceitar isso!

Puck encolheu os ombros.

– Talvez. Mas nunca se sabe. Vai arriscar?

– Isso é inaceitável!

Puck esvaziou o conteúdo de seu copo, antes de se levantar.

-Você tem que decidir quais são suas prioridades agora, Finn. Ser popular, ou ser fracassado. Ser do time de futebol, ou ser do Glee Club. E, ah! Decidir também se quer mesmo continuar namorando a pessoa que está te afundando cada dia mais.

Com essas palavras, Puck foi embora e deixou Finn sozinho com seus próprios pensamentos.

E agora, o que ele ia fazer?

Pediu ao barman outra bebida e a tomou de uma vez só.

Estava perdido. Completamente perdido.

Não podia arriscar sair do time de futebol. Karofsky, aquele ordinário! Se Finn o visse naquele momento, seria capaz de esganá-lo.

O que seria dele se perdesse a vaga no time? Era uma possibilidade pequena, a treinadora Bieste não ia aceitar o pedido deles tão facilmente, mas o que ela faria se eles insistissem a ponto de não haver outra saída?

Deus do céu, Finn perderia as chances de tentar entrar numa faculdade com a bolsa de esportes. Nem tinha certeza se era aquilo mesmo que queria, mas qual outra perspectiva de futuro ele tinha? Sem a bolsa, ele não teria outra escolha a não ser ficar em Lima, trabalhando na oficina de Burt.

Só de pensar na possibilidade, sentiu calafrios. Não, não podia deixar que aquilo acontecesse.

Tomou o líquido de outro copo que o barman trouxera para ele. Ao acabar, pediu outra e a esvaziou também. A bebida e as angústias estavam-no deixando tonto. Passou as mãos pelo rosto e pelos cabelos. A que ponto havia chegado? Desde que terminara com Quinn, sua vida tinha desmoronado.

Quinn!

Finn levantou a cabeça subitamente. Ainda bem que ainda tinha Quinn. Ela o salvaria!

Olhou em volta, procurando pela garota. Pagou a bebida, rapidamente, e deixou o bar. Andou pelo salão, meio cambaleante, caçando Quinn por todos os lados. Tinha que encontrá-la e consertar sua vida de uma vez por todas.

Quinn estava com umas amigas perto da porta. Ele foi até ela. Quando chegou perto, a garota o viu e saiu de perto das outras meninas para se juntar a ele. Ansioso, Finn esperou até que ela chegasse.

– Oi, Finn. – ela sorriu. – Que surpresa você ter vindo sem a Berry.

Finn não queria pensar em Rachel naquele momento. Pensar nela faria com que ele hesitasse, então, foi direto ao ponto.

– Quinn, eu estive pensando na sua proposta.

– Ah, é?

Finn respirou fundo. Mais de uma vez. Tinha que tomar coragem e manter a mente concentrada no que era realmente importante. Naquele exato momento, não podia pensar em mais nada, muito menos em Rachel.

– Eu decidi aceitar. – ele anunciou, finalmente.

No mesmo instante em que disse isso e, ainda que tenha tentado não pensar nela, a imagem de Rachel veio à sua mente. Ele balançou a cabeça, irritado com a falta de controle sobre os próprios pensamentos. Rachel entenderia o que ele estava fazendo. Afinal, tudo o que acontecera entre eles fora de mentira, não é verdade? Rachel não só entenderia, como o apoiaria, não é?

O sorriso de Quinn se ampliou.

– Eu sabia que você ia voltar ao juízo perfeito alguma hora, Finn. Assim como eu mesma fiz. – ela disse, já não tão sorridente, passando a vista pelo salão, mas não vendo quem procurava. – Foi por isso que veio sem a Berry?

– É. – mentiu ele. Por que Quinn insistia em falar em Rachel? Não via que aquilo só piorava as coisas?

– Quem bom. Ela não era boa o suficiente para você.

Ele já estava ficando impaciente. Não aguentaria que ela continuasse a falar de Rachel. Fazia com que ele ficasse com um estranho sentimento de culpa. Estranho, sim, porque não havia razões para que ele se sentisse culpado.

Ainda bem que tinha bebido um pouco antes de ir falar com Quinn. Aquilo lhe dera coragem para fazer o que fez a seguir, sem pensar direito nas consequências que traria.

Ele se aproximou de Quinn e a beijou.

A resposta dela foi imediata, beijando-o de volta. Por que será que, ao fechar os olhos, sentiu que a garota que estava beijando era um pouco mais alta do que deveria? E onde estava o cheiro de jasmim que ele tanto gostava?

Fechando os olhos com mais força, Finn procurou afastar aqueles pensamentos. O problema era que ele se acostumara com Rachel, por isso estava estranhando beijar Quinn, mas com o tempo tudo passaria. No final das contas, era de Quinn que ele sempre gostara de fato. Certo?


Pouco antes de Finn beijar Quinn, Rachel tinha entrado no Breadstix, feliz por poder se reunir com o rapaz de seus sonhos de novo. Passara pouco tempo longe dele e já estava com saudades.

Riu para si mesma ao se dar conta de que era uma romântica incurável.

Abriu espaço entre as pessoas que estavam mais perto da porta e olhou em volta, a procura de Finn, Kurt ou Mercedes. Mas parou de repente, como se tivesse topado com uma parede transparente, ao ver a cena que se desenrolava ali perto.

Lentamente, Rachel levou as mãos trêmulas até a boca. Ela viu como Finn se inclinava em direção a Quinn e a beijava. O mundo de Rachel desabou naquele exato momento. Sentiu como de o estômago tivesse descido até os pés e lá ficado. Estava tão atordoada que as extremidades das mãos e pés começaram a ficar dormentes.

Demorou segundos, que poderiam ter sido anos, de tão devagar que passaram, ali, parada, contemplando a cena. Por mais que doesse, não conseguia desviar o olhar. Era como aquela ferida que você tem na pele, mas que fica mexendo, retirando a casquinha, mesmo que doa. Ela olhava tão fixo que nem piscava.

Não muito distante, Puck observava a cena com olhos parecidos. Não tão intensos quanto os de Rachel, mas igualmente surpresos. Mas, ao contrário da garota, ele simplesmente deu meia-volta e foi embora.


Eu sei que tem muita gente com raiva do Finn no momento, e com raiva de mim também. Kkkkkkkkk… Mas isso faz parte do que eu já tinha planejado para a fic, lá no começo.

O bom é que, no final, tudo acaba bem no reino de Finchel. XD

Obrigada pelas reviews, e fico feliz que cada vez chegam pessoas novas. Sejam bem-vindas!