Disclaimer – Naruto e as suas personagens não me pertencem (apenas aquelas que eu inventei) mas sim, a Masashi Kishimoto

Autora da Fanfic – Arika_Nasasu

Beta Reader - Akimi_tsuki

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O Ódio

Naruto ao lado de Sasuke, e em conjunto com este, olhava para Oshi com um enorme orgulho. A pequena vestida de branco levava um pequeno cesto na mão onde repousavam as duas alianças dos noivos. Eram idênticas, mas de tamanhos diferentes. Com um pequeno sorriso para a madrinha, Oshi parou e estendeu aos noivos, por cima da sua cabeça, um cestinho, onde sobre uma pequena almofada branca repousavam as alianças.

O ninja que presidia o casamento pediu a Juugo para pegar na aliança que correspondia à noiva. Estava na hora dos noivos proferirem os votos. Os votos que os ligariam para sempre, provavelmente até que a vida os separasse. Juugo, que pegava no pequeno anel entre as suas mãos trémulas, agarrou na mão da noiva.

- Eu Juugo…

A sua fala foi cortada por um enorme estrondo que vinha das imediações da aldeia. Um poderoso chakra percorreu os sentidos de todos os ninjas. Um chakra que transportava claramente o ódio. Oshi saltou para os braços de Sasuke com medo deixando o cesto cair para o relvado, e Naruto procurou Nasasu na primeira fila. Quando viu o filho, este olhava-o com um olhar assustado, mas no momento a seguir o seu filho esfumou-se no ar.

- Nasasu? – Berrou Naruto dando três passos confusos em direcção ao local onde o filho estivera sentado. Mas rapidamente compreendeu que quem tinha estado ali sentado aquele tempo todo fora um clone de Nasasu e não ele próprio. Como é que não tinha visto isso? Como é que não tinha sentido aquilo?

Ouviu-se um estrondo maior. E logo a seguir a terra foi abanada. Um pequeno tremor de terra, que fez muitas pessoas caírem ao chão, veio em conjunto com uma explosão de energia. Um enorme remoinho alaranjado subia desde um ponto da floresta até ao céu. As pessoas no recinto do casamento começaram a gritar em pânico. O remoinho desapareceu e logo a seguir uma rajada de vento trouxe uma emoção familiar a quase todos os ninjas. Era o chakra de um bijuu. Os olhos foram todos postos em Naruto, afinal, ele era o único Jinchuuriki que ainda vivia, uma vez que os outros bijuus estavam selados sobre a alçada dos países ninjas, mas este não estava na forma da Kyuubi nem nada do género. Então de onde vinha aquele chakra poderoso de um demónio?

Um novo estrondo. Um novo chakra cresceu no ar. Mas em vez de ser laranja, como o anterior, este tinha uma tonalidade arroxeada quase negra. Naruto e Sasuke reconheceram imediatamente aquele chakra. Só não sabiam como era possível voltar a senti-lo, uma vez que pertencia a uma pessoa que eles achavam que estava morta há anos. Sasuke e Naruto olharam um para o outro concordando muda e silenciosamente que tinham que se mexer depressa. A terra tremeu, fazendo acordar os ninjas que começaram mover-se para os seus postos e locais de trabalho.

- Sakura! – Chamou Sasuke dirigindo-se para a amiga, que tinha sido agarrada pelo noivo para não cair. – Por favor, toma conta da Oshi!

- C…Claro. – Disse Sakura aproximando de Sasuke e pegando na menina assustada.

- O Papá já volta. – Prometeu Sasuke beijando os cabelos louros da menina, que apenas maneou a cabeça dizendo que tinha compreendido o que ele lhe dissera, enquanto se agarrava fortemente ao corpo da madrinha com medo.

Atrás deles, Naruto colocava a sua forma de Kyuubi, pois grávido não podia usar os seus jutsus. Após tentar tranquilizar Oshi, o moreno saltou para o torso de Naruto, e logo depois os dois desaparecerem. O louro em forma de Kyuubi saltou por cima dos muros de Konoha e com mais um salto chegaram ao local onde se tinham dado as explosões.

Era uma clareira, mas não teria sido uma até há pouco tempo. À volta do local as árvores estavam caídas, com raízes arrancadas da terra, algumas completamente desfeitas, fazendo um novo espaço aberto – aquela clareira. Sasuke desceu até ao chão e começou a procurar sinais de Nasasu. Ao seu lado postou-se Naruto na sua forma humana.

- Aquele remoinho… Aquilo era o Inferno da Raposa? – Perguntou ao marido, enquanto apurava os sentidos e tentava encontrar Nasasu, mas só reparou em duas formas poderosas que se distanciavam para oeste.

- Sim, era. – Confirmou Naruto.

Nesse momento, Sasuke moveu-se rapidamente até um local coberto de serradura de árvore. Notara ali uma presença. Ai começou a cavar até que deu pelo corpo de uma criança. A criança tinha uns cabelos prateados, um pouco compridos, e a pele encontrava-se cheia de arranhões, alguns cicatrizados e alguns mais recentes que ainda sangravam, assim como grandes nódoas negras. Sasuke viu que ele estava vivo, mas que a sua respiração era fraca e difícil. O rapaz precisava de tratamento urgente.

- É o filho do Shidou. – Reconheceu Naruto.

- Deve ser por causa dele que Nasasu veio até aqui. – Concluiu Sasuke, que sentia o chakra do seu filho presente naquele sítio. – Naruto, ele está em estado grave, tens que levá-lo para o hospital. – Sasuke ergueu-se do chão com o menino no colo.

- Mas e o Nasasu?

- Eu vou à procura dele.

- Não, eu também vou. – Sasuke colocou Kagure no colo de Naruto.

- Lembra-te que estás grávido. Não te quero em perigo. E o filho do Shidou precisa de médico urgente. – Fê-lo ver Sasuke.

- Eu deixarei Kagure ao cuidado dos médicos e irei logo atrás de ti.

- Naruto… - Sasuke ia censurar aquela decisão do marido, afinal, Naruto estava grávido e poderia meter a sua vida e a do bebé em perigo.

- Não me demoves. Eu vou ter contigo depois. – Os olhos de Naruto não mostravam margens para dúvidas. Quando já tinha decidido uma coisa, não havia nada que lhe fizesse mudar de decisão. – Agora vai buscar Nasasu.

Sasuke viu Naruto usar um pouco do seu chakra para saltar por cima das árvores para chegar mais depressa a Konoha, onde entregaria Kagure aos cuidados médicos de que necessitava. Quanto ao moreno, despertando os sentidos, seguiu o chakra do filho, que se confundia com uma força idêntica à da Kyuubi.

As duas forças que sentira quando chegara à clareira debatiam-se e de tempo em tempo, Sasuke, enquanto corria por entre as densas copas das árvores gigantes de Konoha, era fustigado por rajadas de vento carregadas de energia que previam uma luta horrível entre duas criaturas.

A cada passo corria mais depressa. E com isso aproximava-se rapidamente da batalha. O seu sharingan detectou que algo grande embateria contra si se ele não se desviasse a tempo. Dando um enorme salto para o lado esquerdo, Sasuke evitou que uma enorme cobra branca batesse contra o seu corpo e que provavelmente o esmagasse. A cobra derrubou, num raio de 100 metros, todas as árvores em que embatia, até parar.

Parado num dos largos ramos de uma árvore o Uchiha reparou que a cobra branca era semelhante àquela em que Orochimaru se tinha transformado quando resolvera absorvê-lo, só que em vez de ter a cara de Orochimaru, esta tinha mais a cara de Kabuto. A cobra branca tentava elevar o seu pescoço como uma cascavel, mas parecia fraca, notava-se três enormes golpes no seu corpo, um pouco mais abaixo da cabeça.

Então um enorme rugido fez Sasuke voltar-se para o lado oposto e arrepiar-se com o que viu. Uma raposa que teria cerca de cinco metros de altura, muito idêntica à Kyuubi, não fosse o caso da sua pelagem ser avermelhada e possuir apenas uma única cauda. Mas o que verdadeiramente arrepiou Sasuke foi pressentir a essência do seu filho no interior da criatura. Seria aquela pequena raposa, pequena porque não se comparava em nada ao tamanho da Kyuubi, que rugia furiosamente, o seu filho transformado? Se sim, como é que tal coisa tinha acontecido? Só havia uma forma de descobrir. Teria que entrar na mente daquela raposa com o seu sharingan.

Usando a distracção da raposa com a cobra branca pulou directo para o focinho da mesma que parou de rugir focado os seus olhos em Sasuke. Este não perdeu tempo e com o sharingan entrou na mente da raposa. No interior, Sasuke encontrou-se a andar em plena escuridão. Via apenas algo branco, um ponto lá ao fundo. Correu para lá. Quando se aproximou, reparou que era o corpo de Nasasu que se encontrava suspenso naquela escuridão, e ele estava inconsciente, como se tivesse a dormir. O corpo do filho parecia um farol, pois emitia uma ténue luz branca, como se fosse uma lâmpada.

Com cuidado Sasuke aproximou-se do pequeno e antes de lhe tocar chamou-o. Não teve resposta e quando ia tentar pegar no filho ao colo, os olhos de Nasasu abriram-se, como num filme de terror. Sasuke ficou petrificado. Os olhos do filho estavam vermelhos, mas não era o vermelho do sharingan, era o vermelho dos olhos da raposa.

- Pai! - Por momentos, os olhos tornaram-se azuis e Sasuke viu as lágrimas escorrerem pelas bochechas do filho. Em pânico com o chamado suplício do filho o Maou gritou pelo filho abraçando-o. Nasasu parecia estar a lutar contra a consciência da raposa, só que sem grande sucesso. Então os olhos do pequeno voltaram a ficar escarlate e Sasuke sentiu uma dor intensa que o fez sair de repente da mente do filho.

Quando abriu os olhos, o sharingan tinha desaparecido e ele arfava como se algo lhe tivesse sugado a energia toda do corpo. Ainda estava sobre o focinho da raposa e era envolvido completamente por umas chamas de chakra vermelhas, que lhe queimavam o corpo, era dali que vinha a sua dor. Num esforço tentou reactivar o sharingan para voltar a entrar na mente de Nasasu, mas estava sem chakra. Tentou mover-se para fugir das chamas, pensando que teria de usar outro tipo de força para trazer o seu filho ao estado normal, mas as chamas não o deixavam mexer. Toda a sua energia tinha desaparecido. Tudo ali se tornou extremamente quente e ele caiu na inconsciência.

O corpo do Uchiha caiu na terra perto das patas da raposa e não se mexeu mais. Perdeu a consciência rapidamente, sendo que a última coisa que lhe passou pela cabeça foi a imagem dos seus filhos e de Naruto. A raposa rugiu. E uma sombra enorme passou por cima dela. Uma outra raposa com nove caudas chegou nesse momento. A pequena criatura foi agarrada pelas caudas da Kyuubi. A raposa de apenas uma cauda começou a debater-se descontroladamente, tentando soltar-se. Mas ela parecia impotente ao poder da Kyuubi, e nem mesmo o chakra vermelho que libertava, que Naruto nominara de Inferno da Raposa, surgia efeito sobre a grande raposa.

Naruto reparou na cobra que ficara inanimada entre as árvores e em Sasuke inconsciente no chão, completamente queimado. Olhou para a raposa que tinha entre as suas caudas, e não precisou de pensar muito para saber que aquele era o seu filho. Rosnou alto e a raposa pequena parou de se debater.

A sua consciência foi puxada para o interior da sua mente. À porta daquela que tinha sido a sua cela durante anos, até que Naruto fizera um pacto com ela, Kyuubi, deitada calmamente rosnava chamando alguém. Pelos corredores da mente do louro a figura de uma pequena raposa chegou postando-se em frente da Kyuubi, a mesma pequena raposa que ele agarrara entre as suas caudas.

- O que é isto? – Questionou Naruto a Kyuubi.

- Esta é a razão do teu filho ainda estar vivo! – Respondeu a Kyuubi.

- Como assim?

- Se não fosse eu, no momento em que fugiste de Konoha para ir ter com o teu maridinho… - Havia ironia na maneira como a raposa falava. – Tu terias morto o filho que ainda carregavas no ventre. Se eu não tivesse unido um pouco de mim ao feto, o teu precioso filho teria desaparecido. Usares os meus poderes de maneira irracional, e ficares horas fugindo de ninjas sobre qualquer tipo de ambiente, não é algo que seja saudável para uma pessoa grávida. Se não fosse eu, e as minhas capacidades, tu não terias o teu filho.

Naruto estremeceu com as palavras da Kyuubi. E olhou para a pequena raposa ali presente, ela tinha uma pequena linha laranja que lhe saia do corpo e que percorria os corredores da mente da Naruto, era a ligação da mente dela com o corpo original, queria dizer que ela não poderia ficar ali muito tempo.

- Dando um bom bocado do meu chakra ao teu filho de certa maneira, eu mesmo criei descendência para mim. – O louro arrepiou-se. – Nunca imaginei que o meu chakra criaria outra consciência independente de mim…

A pequena raposa ronronou olhando para a Kyuubi. Realmente parecia que a Kyuubi tinha tido uma cria.

- O teu objectivo era outro. – Compreendeu Naruto. – Tu querias usar o meu filho para saíres para o mundo e livrares-te das amarras que tens comigo.

- A idade tornou-te mais sábio. – Riu-se a Kyuubi perscrutando com os seus grandes olhos o homem louro.

- Maldita raposa matreira! – Reagiu Naruto furioso. – Querias uma maneira mais rápida para regressar ao teu mundo? Ou já nem queres voltar ao teu mundo? Libertando um pouco de chakra para o exterior tu querias descontrolar o meu chakra e assim sair. Por ti, tu não cumpririas promessas, mas como és um ser sagrado és obrigado a isso. Pois bem, como eu tenho feito tudo para cumprir a promessa tu não tens poder sobre mim, pois se eu não cumprisse a promessa serias tu que terias o poder sobre mim. Muito inteligente, mas mais uma vez sobrestimaste-me. Podes ter a certeza que eu te farei voltar ao teu mundo, pois eu quero realmente livrar-me de ti. Mas por enquanto fica aqui nos corredores da minha mente.

Naruto activou o sharingan e as três consciências ali reunidas separaram-se. Com o seu sharingan e com a sua raiva ele penetrou na mente do seu filho e tal como Sasuke encontrou o pequeno envolto naquela escuridão. Com todo o amor no seu coração ele pegou no filho ao colo e embalou-o nos seus braços, despertando-o suavemente, como fazia quando o acordava de manhã.

Nasasu despertou e aos poucos o corpo quente que sentia e o sangue incandescente e fervente nas veias desapareceram. Quando recuperou completamente a consciência, ele estava deitado nos braços do pai louro, no meio de um campo de batalha, ou pelo menos era o que parecia com toda aquela destruição à sua volta. Havia uma enorme pele de cobra no meio de árvores tombadas e o seu pai Sasuke estava ali perto deitado no chão. Não sabia o que se passava, mas já estava assustado, principalmente porque não se lembrava de nada.

- Querido, ouve-me bem. – Pediu Naruto, chamando a atenção de Nasasu, que mostrou o seu semblante assustado. – Volta para Konoha e chama a Sakura…

- Lamento, mas não deixarei ninguém sair daqui. – A voz vinha das costas de Naruto que rapidamente se levantou e com o corpo protegeu Nasasu, colocando-o atrás de si.

- Kabuto… - Reconheceu o louro falando como se tivesse alguma coisa ácida na boca.

- Naruto…

- Eu não deixarei que toques novamente no meu filho. – Brandiu o pai protector.

- Pois é, agora és Uchiha Naruto de 29 anos, pai materno de Uchiha Nasasu de 10 anos e pai paterno de Uchiha Oshi de 4 e, brevemente, pai de um outro Uchiha pelo que posso ver. – Os olhos de Kabuto pousaram rapidamente na barriga de Naruto.

- Estás muito bem informado sobre a minha família!

- O pequeno Kagure foi uma fonte valiosa de informações. As crianças puras e inocentes só precisam de um pouco de persuasão e carinho para confiarem numa pessoa. – Riu-se como um lunático. – Afinal, quem é que não confiaria num velho?

- Tu és horrível! – Gritou Nasasu. Naruto agarrou-o no momento em que o pequeno Uchiha quis saltar para cima de Kabuto.

- Sempre gostaste muito de brincar com as crianças e usá-las nos teus devaneios médicos. – Acusou Naruto.

- Realmente. E sabes que neste momento estou especialmente interessado em Nasasu. Quem diria que havia um espécime como ele na terra. Um filho de um bijuu. Já para não falar que ele é a ligação do clã Uchiha com o Clã Senju. Talvez ele seja mesmo a reencarnação do Rikkudo.

- O quê? – Gemeu Nasasu nos braços protectores do pai, que o agarraram ainda com força.

- Como sabes dessa história?

- AHAHAHAH. Estava no livro que eu te dei Naruto. Não dás uso àquilo que os outros te dão?

O louro surpreendeu-se. Havia muito tempo que tinha esquecido desse episódio, mas agora que ele referia o sucedido, Naruto recordou que uma das vezes em que fora atrás de Sasuke, Kabuto lhe tinha aparecido pela frente. E que nesse encontro ele tinha dado a Naruto um livro. Mas ele simplesmente entregara o livro às mãos da Hokage e nunca mais pensara nele.

- Ele teria te dado muitas das respostas que se calhar agora procuras. – Falou Kabuto.

E se aquilo que ele dizia fosse verdade? Mas naquele momento ele não se podia distrair com as palavras do inimigo, pois sabia que, se calhar, eram apenas uma ilusão.

Pousou o filho no chão e continuando a olhar Kabuto reparou que ele estava fraco, provavelmente a luta contra a forma de raposa de Nasasu não lhe tinha sido favorável. Ele ajeitava os óculos sobre a cara como se esperasse pacientemente que Naruto falasse com o filho e fizesse aquilo que queria. Mas havia coisas notórias aos olhos de Naruto que lhe indicavam a fraqueza do inimigo, como era o caso de ele estar coberto por uma camada de suor e de tremer. Tremia quase de maneira imperceptível, mas Naruto era um ninja já com muitos anos de treino e detectava as mais pequenas coisas.

Então Kabuto devagar começou a fazer selos com as mãos.

Tigre!

Cobra!

Naruto arregalou os olhos. Nasasu percebeu o alarme imediato do pai ao ver os selos que Kabuto formava com as mãos. Kabuto estava a preparar-se para fazer um jutsu proibido

- Nasasu! Sai imediatamente daqui. – Ordenou Naruto de maneira um tanto brusca para o filho, empurrando-o na direcção que o faria voltar a Konoha.

- Mas e tu e o pai?

Cão!

O Rokudaime viu o marido estendido no chão sem qualquer defesa. Nem sequer sabia se ele estava vivo. Só o pensamento começou a deixá-lo assombrado. Mas não, Sasuke estava vivo, porque ele acima de todos os outros, o Maou era um excelente ninja. Não se deixaria matar assim tão facilmente, apenas por causa do Inferno da raposa. Só que naquele momento, a prioridade era tirar o pequeno príncipe dali. Mais tarde Naruto levaria Sasuke para ser hospitalizado e ser tratado como devia ser, e sabia que Sasuke pensaria da mesma forma. Primeiro estava a segurança dos seus filhos.

Dragão!

- Não te preocupes com o pai! Vai! – Nasasu foi empurrado e obrigado a correr para o interior da floresta a caminho de Konoha. Mas ele deu apenas cinco passos e depois parou. E do nada caiu na terra.

- NASASU! – Alarmou-se Naruto correndo para observar o filho. O pequeno tinha simplesmente adormecido. Naruto compreendeu o que se tinha passado. Acontecera a mesma coisa a Naruto quando era adolescente e usara o chakra da Kyuubi. Após o uso desse chakra ele esgotava o seu próprio chakra, indo até ao limite do cansaço, caindo depois adormecido.

Nono Macaco!

- Kuchiyose: Edo Tensei (Jutsu Proibido: Ressurreição). – Pronunciou Kabuto, claramente com uma nota de satisfação na voz.

A terra em frente do inimigo revolveu-se e um enorme caixão ergueu-se do chão. Como se tivesse a ser içado por um elevador. O Hokage sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha enquanto observava estático o desenrolar dos acontecimentos, quase sem conseguir respirar. O seu único pensamento era tirar o filho dali, nem que para isso tivesse que fugir. Mas não podia. Não deixaria ali Sasuke indefeso. Ele sabia que tinha que se acalmar, pois estava a entrar em pânico. Sabia agora que não podia usar o chakra da Kyuubi ou ela poderia infectar o bebé que tinha no ventre com o seu chakra e criar mais um novo demónio, mas também não podia usar os seus jutsus ou mataria o bebé. E como estivera num casamento e nunca imaginara que iria ter uma luta daquela envergadura, logo nesse dia ele não tinha quaisquer armas ninjas consigo. No seu estado e naquelas circunstâncias ele estava muito limitado. O que poderia fazer então?

A tampa do caixão caiu pesadamente no chão. No seu interior estava uma figura apodrecida, que deu um passo em frente e saiu da caixa em que se encontrara. As cinzas e a terra envolviam a figura e aos poucos o corpo decomposto ia-se regenerando. Ao mesmo tempo que o assombro de Naruto crescia ao reconhecer diante os seus olhos o Youndaime.

- Otou-san! – Murmurou levantando-se do chão, com o pequeno Nasasu nos braços.

À sua frente o quarto Hokage, Namikaze Minato, abriu os seus olhos azuis celestes e encarou Naruto. Nos seus traços da cara de Minato cresceu o espanto e depois o choque. Ele fora chamado ao mundo dos vivos da maneira mais nefasta que o mundo ninja conhecia.

O Edo Tensei era uma técnica proibida porque era necessário o sacrifício de uma pessoa viva para se poder trazer do mundo espiritual a alma de uma pessoa morta. Depois as cinzas e a terra em que o corpo original tinha sido enterrado agregavam-se ao corpo do sacrificado e davam-lhe o aspecto da alma que tinha saído do mundo dos mortos. Apenas as pessoas mais imorais usavam esta técnica, por isso não era de estranhar que Kabuto a estivesse a usar.

- Tu conheces esta técnica, não conheces Rokudaime? – Questionou Kabuto enquanto tirava do seu traje uma kunai com um selo de papel pendurado. – Mas eu melhorei-a bastante. Eu descobri que retirar a personalidade original da alma que pedimos ao mundo dos mortos a deixa mais fraca, por isso, a personalidade nesta minha técnica fica intacta. Mas o que realmente é impressionante nesta nova forma do Edo Tensei, é que eu não preciso directamente do ADN do corpo de quem quero ressuscitar. – Riu. – Posso usar apenas a sua descendência directa. Neste caso, usei um pouco do ADN de Nasasu.

Naruto sabia que na técnica original a personalidade dos mortos ressuscitados era reprimida, eles tornavam-se apenas fantoches nas mãos do ninja que os invocava. Nesta técnica, pelos vistos, eles permaneciam fantoches, mas com as suas personalidades intactas, isso faria com que fossem fantoches ainda mais poderosos. Mas isso só tornava as coisas ainda mais horríveis. Queria dizer, que mesmo contra a sua vontade, contra os seus princípios, contra tudo o que tinha significado a sua vida, os mortos ressuscitados eram obrigados a lutar e ter consciência de que estavam a lutar, mesmo que isso significasse destruir a vida de alguém que eles amavam. Outra inovação era não necessário ADN directo da pessoa que se pretendia ressuscitar, bastava apenas o ADN de um familiar. Naquele caso, Kabuto tinha usado o ADN de Nasasu para fazer ressurgir o avô deste.

- Tu és um monstro. – Proferiu o Quarto, que não se conseguia mover, afinal, estava sobre o jutsu de Kabuto, e só se mexeria quando este lhe ordenasse.

- Algo parecido. – Concordou o Homem de cabelos prateados, enquanto depositava a kunai na parte detrás do pescoço de Minato, um pouco acima do início da espinha medula. – Estas são as tuas instruções. Mata Naruto e traz-me Nasasu. O Sasuke já se encontra inutilizado, não servirá para nada agora, por isso deixa-o a morrer ali. – Kabuto finalizou juntando as palmas nas mãos e concentrando-se no controlo do jutsu.

- NARUTO LEVA NASASU E SAI DAQUI! – Gritou Minato ao mesmo tempo que o seu corpo avançava, tão rápido como um flash. O pai de Naruto saltou no ar e espalhou pelo local várias kunais de três pontas, com o selo especial que o fazia teletransportar.

Com o gritou de Minato, Naruto activou o seu sharingan e tentou mover-se. Mas apenas conseguiu esquivar-se das kunais lançadas pelo outro Hokage. Então tentou várias vezes escapar, mas as kunais estavam em todos os locais à sua volta e para onde quer que tentasse fugir, por qualquer abertura que via, Minato aparecia-lhe à frente a bloquear-lhe a saída. Era como se tivesse numa gaiola. Só conseguia escapar aos golpes que Minato infligia porque tinha o sharingan activo.

Pousou por fim perto de Sasuke. Aquilo era demais. Ele não podia fugir. Tinha que fazer qualquer coisa. Colocou Nasasu junto do corpo do pai e com o sharingan tentou observar tudo à sua volta. Tentava descobrir uma abertura, mas não encontrava nenhuma. Havia kunais em todas as direcções, em todos os lados. Então como é que sairia dali?

- És um rato encurralado Naruto. E o melhor é que não podes usar as tuas técnicas para escapar, a não ser que queiras matar o filho que tens dentro de ti.

- Naruto tu estás… - Falou Minato.

- Sim. – Confirmou Naruto.

- Tu tens que me vencer Naruto. Tens que vencer este maldito.

- Eu não sei o que fazer… - Admitiu Naruto, mas obviamente não ia desistir.

- Ataca Youndaime! – Ordenou Kabuto. O Flash amarelo avançou. Naruto olhava para o pai, que tinha nos olhos tristes e profundas lágrimas. Ele pedia com elas para que Naruto o vencesse, para que o matasse de novo.

Naquele momento o louro estava a sentir crescer dentro de si uma força obscura. Algo que lhe estava a cobrir completamente o coração. Não era algo novo que sentia. Mas era uma sensação que vinha com uma força como nunca viera antes. Sasuke estava inconsciente. Nasasu fora levado ao limite. A raposa tinha sido traiçoeira. O seu pai fora ressuscitado e agora era obrigado a matar o filho e a dar o neto a uma nova cobra. Todos aqueles acontecimentos juntos fazia rebentar dentro de Naruto uma força imensa que crescia da raiva, que crescia da frustração de não estar a conseguir fazer nada.

Mirou Sasuke e lembrou-se que no dia a seguir o moreno faria 30 anos. Olhou para Nasasu e lembrou-se que ele e a irmã tinham feito um bolo em conjunto para oferecer ao pai. Quando voltou a olhar para a frente, não foi para Minato que saltava e que tinha as shurikens entre os dedos para quem ele olhou, foi sim, para Kabuto. E era um olhar com um sharingan diferente. O seu sharingan tinha evoluído.

Naruto foi rodeado por um chakra azul-escuro. A sua cabeça doía, como se o sangue tivesse enchido a caixa craniana e agora quisesse sair para fora. Naruto estava a conhecer um novo poder. Um poder que ele mesmo lutara no passado. Aquele era o poder do ódio.

Postou-se muito direito. À sua volta uma enorme caveira humana feita daquele chakra azul-escuro rodeava o corpo de Naruto que não despegava os seus olhos de Kabuto.

- Apresento-te, Kabuto, o meu Susanoo. – Naruto não falava com satisfação, assim como também não falava com malícia, o seu tom de voz estava neutro, um tanto ou quanto fantasmagórico.

Entre os dedos do braço direito o Susanoo carregava um tridente. Com a ponta desse tridente ele espetou o corpo de Minato que tinha mandado as shurikens, inúteis naquela altura, em direcção de Naruto. Com a outra mão livre o Susanoo agarrou em Kabuto que já tentava fugir. Minato sorriu. O seu filho tinha ganho a batalha.

- Tenho muito orgulho em ti, Naruto. – Disse o Quarto Hokage antes do seu corpo se tornar em cinzas.

Naruto olhou para Kabuto e sem dizer nada fez o seu Susanoo fechar a mão esquerda. Um berro horripilante de dor percorreu o campo de batalha. O corpo de Kabuto foi cortado ao meio. E não satisfeito com isso, Naruto ainda fez com que o tridente espicaçasse o corpo dividido de Kabuto. Um sorriso retorcido nasceu nos lábios do louro. Aquela figura não voltaria a fazer mais mal à sua família. Estava, por fim, morto.

Sem mais chakra para ser sustentado o esqueleto humano desapareceu e Naruto caiu de joelhos no chão. Os seus olhos voltaram ao normal, mas havia efeitos secundários irreversíveis. Por momentos, os seus olhos não conseguiram focar nada, estava tudo enublado.

- Papá! – Chamou Nasasu aproximando-se dele. O filho tinha acordado. Um enorme alívio percorreu o corpo de Naruto, que se sentia à beira da exaustão.

- Nasasu tu viste… - O filho maneou a cabeça confirmando tudo. Ele acordara momentos antes do Susanoo de Naruto cortar Kabuto em dois. E depois vira a raiva do pai.

- Às vezes os ninjas fazem coisas de que não se devem orgulhar em nada. – Comentou Naruto ofegante.

- Papá não devias ter usado jutsus.

- Não aconteceu nada, pois não. Eu e o teu mano ainda estamos bem. – Disse Naruto sorrindo e pousando uma mão na barriga, sentido debaixo da pele um pequeno pontapé. Aquele bebé era muito vivo. Depois ganhando forças gatinhou a pouca distância que havia até Sasuke. Suspirou.

- O pai?

- Está bem. Ele respira. Vai ficar tudo bem. – Afirmou Naruto. Só precisava de descansar um pouco para depois poder carregar Sasuke de volta a Konoha. – Ah, e o teu amigo Kagure também…

Nasasu olhou para o pai, piscou os olhos, um rubor vermelho subiu-lhe às bochechas e deu um enorme sorriso. Quando Naruto ia a retribuir o seu sorriso foi-lhe roubado. Uma enorme e forte dor fê-lo soltar sangue pela própria boca num vómito.

- PAPÁ!

Continua…