Capítulo 21: Ambição
Eu não estava em casa quando Edward retornou da escola na segunda-feira. Eu estava no meu caminho para a casa de Alice - Masen no banco de trás, experimentando com toda a sua graça de bebê as diferentes oitavas de sua voz. Seus rosnados baixos me colocaram rindo, enquanto os tons agudos me faziam cobrir meus ouvidos e rangendo os dentes, sorrindo o tempo todo. O sinal tinha acabado de tocar, e eu estava presa atrás da faixa de pedestres enquanto um guarda postava-se no meio da rua, seu sinal de parada sobre a cabeça, enquanto um fluxo aparentemente interminável de crianças atravessava o cruzamento. Havia uma tonelada delas, marchando como formigas operárias, de todos os tamanhos e idades diferentes. Um pequeno menino e uma menina se destacaram, seus gorros de tricô saltando em suas cabeças enquanto eles galopavam através da rua de mãos enluvadas dadas. Eles não poderiam estar além do jardim de infância e eu me perguntava como os seus pais se sentiam confortáveis permitindo-lhes ir para casa sem a supervisão de um adulto. Será que algum dia eu me tornaria indulgente?
Agora, eu planejava nunca deixar Masen fora da minha vista em público. Eu me virei para olhá-lo no banco de trás. Ele estava com os olhos arregalados, agarrando seus pés, ainda misturando seus arrulhos com seus gritos. Quantas piscares de olhos levaria antes que ele estivesse em idade escolar e andando de mãos dadas com um amigo? Eu estaria com vinte e poucos anos até então, mas onde estaríamos vivendo era um mistério. Edward teria se formado na faculdade, por isso não necessariamente estaríamos ainda na Califórnia. Era mais do que provável que Edward e eu estivéssemos casados, porém, e com isso eu sorri. Felizmente, minha mãe teria conhecido o meu filho até então, e talvez a nossa relação voltasse a ser tão forte como era antes. Eu zombei da improbabilidade disso. Nenhuma de nós tinha feito qualquer esforço para entrar em contato com a outra desde que Masen nasceu. Se o meu pai tinha estado em contato com ela, ele não tinha falado comigo sobre isso.
Finalmente, as crianças estavam em segurança na calçada, e o guarda de trânsito retomou seu assento em sua cadeira dobrável no canto oposto da rua, permitindo-me passar.
Alice estacionou na garagem segundos depois de eu ter estacionado ao lado de sua calçada.
Não havia nevado ontem à noite, de modo que havia neve ainda fosca no chão e agarrada aos topos dos galhos das árvores, mas a quantidade havia diminuído. Eu me deixei imaginar como seria bom se a neve continuasse a sua retirada junto com o inverno, o sol aquecendo-nos pela primeira vez, secando o chão completamente. Talvez casacos pesados não seriam nem mesmo necessários. Eles seriam um incômodo mais do que qualquer coisa, algo que acabaríamos carregando ao invés de usar. Mas, então, eu não estaria em Forks, estaria? Eu peguei o meu pacotinho barulhento e saímos do calor do carro.
"Bella!" ela disse, fechando a porta, jogando a mochila sobre o ombro. "O que você está fazendo aqui?"
"Eu vim falar com você", eu disse, envolvendo o cobertor de Masen confortavelmente em torno dele.
"Olá, Masen." Seus lábios deixaram uma mancha vermelha na bochecha rosada dele, e ele deu um sorriso cheio de baba para ela. Eu limpei a mancha de batom com a ponta do cobertor. "Sim, sim, eu posso adivinhar o que você quer falar. Acho que o gato bêbado foi colocado para fora do saco na minha festa. Entre."
Eu a segui até o quarto dela. Desta vez não houve cocktail abandonado para que ela tomasse um gole para acalmar seus nervos. Eu poderia apreciar um calmante, eu mesma. Eu não sabia como trazer o assunto à tona, e você pode ter notado até agora que sempre que isso acontece, eu simplesmente acabar deixando escapar de forma abrupta.
"Você não vai para a faculdade."
Ela respirou fundo. "Não é que eu não vá nunca. Nós apenas decidimos passar o ano viajando". Ela assentiu com a cabeça, como se estivesse concordando com ela mesma. Ou talvez ela quisesse que eu concordasse.
"Viajando como? Com uma mochila nas costas pela Europa?" Eu tinha ouvido falar de pessoas fazendo isso depois do colégio - ficar em albergues, partilhando banheiros. Eu estremeci com o pensamento.
Ela balançou a cabeça. "Nós vamos começar por aqui, viajar pelo país e trabalhar como voluntários em abrigos. Você sabe, para mulheres e crianças desabrigadas ou agredidas. Jasper quer fazer isso, e eu acho que será bom para mim também. Ele irá abrir seu próprio abrigo, algum dia, mas ele quer visitá-los em primeiro lugar, ver como funciona, o que não, o que pode ser melhorado. Você pode acreditar nele? Quero dizer, isso é o sonho dele. Seu coração é maior do que todos os nossos combinados".
"Ele tem o melhor coração", eu disse, beijando Masen, e em seguida, o coloquei no meio do edredom rosa de Alice. Ele tentou colocar o material na boca, mas eu peguei da mão dele, deixando apenas o punho para mastigar. Ele parecia feliz com isso.
"Você acha que eu estou desperdiçando o meu ano", disse Alice. "Que eu não deveria passar o ano com Jasper."
"Primeiro de tudo, não importa o que eu pense. É a sua vida. Mas não. Eu acho que o que você está fazendo é muito corajoso. É admirável."
"Obrigada." Seus lábios se ergueram em um sorriso satisfeito. Ela pegou Masen, levantando-o acima de sua cabeça. "Você é o bebê mais doce, Masen."
"Ele sabe disso", eu disse. "Ele usa isso para tirar vantagem já."
"Bella", disse ela, Masen em seu quadril. "Quando eu comecei a dizer isso na minha festa, você pareceu com raiva. Você parecia enojada comigo." Ela ilustrou o meu desagrado com um triturar de nariz.
Eu balancei minha cabeça. "Como eu disse, eu fui pega de surpresa. Não era algo que eu esperava. Eu não tinha idéia do quais eram os seus planos. Nós nunca conversamos sobre isso. Eu sempre assumi que iriam incluir a faculdade."
"Porque ir para a faculdade é algo que você faria."
Eu fui até a janela. Olhei lá para fora o jardim adormecido coberto de neve, salvo algumas flores de inverno que eu sabia que haviam surgindo através da neve lá embaixo, mas daqui de cima eles eram invisíveis. Nos dias em que não estava chovendo, a mãe de Alice levava uma lâmpada de aquecimento lá para fora para pendurar sobre a sua cama de flores de inverno, apenas para ajudá-las a florescer através da neve. Eu a vi uma vez da janela da cozinha, e enquanto Alice ria com os esforços de sua mãe, eu estava fascinada por eles. Nenhuma das flores que eu tinha plantado no jardim dos Cullen na primavera passada havia sobrevivido ao inverno. Eu esperava que eles estivessem de volta na próxima temporada.
"Estou certa? Será que você tinha um plano para a faculdade antes de..."
Eu mantive meus olhos lá fora, forçando-os para ver os pontos de azul e amarelo sobre o cobertor de neve. Esta não era uma conversa que eu queria ter. Eu preferia discutir flores de inverno, ou qualquer outra coisa, na verdade. "As flores da sua mãe ainda estão vivas, certo?"
"Bella, fale comigo. Pare de evitar o assunto."
Eu a encarei, ainda relutante em liberar minhas velhas ambições universitárias da segurança de minha mente. "Eu nunca falei sobre isso antes com ninguém, exceto a minha mãe. Se eu fizer isso agora, será entre você e eu. Você ficará confortável em esconder algo de Jasper? Eu não quero que essa conversa chegue até Edward."
"Não é da conta de Jasper, mas por que Edward não pode saber?"
"Porque é inútil e só irá fazê-lo se sentir mal."
"Eu prometo. Ninguém vai ouvir nada de mim." Ela beijou dois dedos e ergueu, como se eu não pudesse confiar nela sem o gesto.
"Eu sempre evitado considerar uma faculdade ideal, porque eu nunca poderia pagar de qualquer jeito, mas eu sabia que queria estudar literatura, e um dia, quem sabe, ensinar. Não ria."
"Por que eu iria rir? Isso é perfeito para você. Mas não é inútil. Você pode fazê-lo."
"Eu vou fazer, mas depois Edward terminar."
"Então, é por isso que Edward não sabe? Porque você o está deixando ir primeiro?"
"Na noite em que dissemos aos nossos pais sobre a minha gravidez, minha mãe ficou totalmente contra..." Eu olhei para Masen nos braços de Alice. Ele continuou tentando alcançar as mechas de seu cabelo, enquanto ela continuava afastando-o com a mão livre. "... Bem, você sabe como ela se sentia. Ela disse que o meu futuro seria mais afetado que o de Edward, porque essa é a forma como a nossa sociedade é. Eu odiaria que Edward pensasse que o meu futuro foi afetado por causa dele. E você sabe que ele pensaria dessa forma. Ele já poderia estar se culpando. Mas com a inteligência e oportunidade dada a Edward, faz sentido ele ir primeiro. Não é sobre cujo futuro é mais importante. É uma escolha da família."
"É uma escolha da família, Edward não ter conhecimento dos seus planos? Se eu conheço bem Edward, ele não gostaria de ir para Stanford sem saber disso."
"Essa era a antiga eu. Meus desejos são diferentes agora. Além disso, neste momento, eu não poderia ficar longe de Masen. Ele é apenas um bebê." Eu o peguei de Alice e o beijei. "Ter um bebê não muda apenas o rumo da sua vida, muda também a sua perspectiva. Talvez não seja o ideal, mas esta é a maneira que eu quero."
"Faz-me perguntar se algum de nós realmente tem controle sobre nossas vidas. Ou será que o nosso destino apenas cai em torno de nós, onde e quando ele possa pousar?"
"Eu me perguntei isso, também, e vou lhe dizer uma coisa que Edward me ensinou. Nós fazemos nossas próprias escolhas. É assim que nós temos o controle. Não importa o que a vida jogue em nós, sempre temos uma escolha."
"Como você sabe se é a escolha certa?"
"Fé? Eu não sei", eu segurei Masen apertado, olhando para ele, com o punho na boca, seus olhos desfocados. "Você não pode realmente saber até que você tenha certeza." Eu peguei um retrato de Alice e Jasper da cômoda e mostrei para Masen. Ele pegou de mim, e a mão de Alice se estendeu, em um esforço para pegá-lo se caísse. Eu me agarrei a ele, para ter certeza de que não acontecesse, deixando que seus dedos o explorassem por um momento, antes de devolver para a cômoda. "Você está questionando a sua decisão?" Eu perguntei.
"Eu nunca questiono as minhas decisões. Eu me preocupo se as pessoas irão aceitá-las, mas eu nunca me questiono. Se eu mudasse de ideia amanhã, eu não iria me questionar também." Ela encolheu os ombros, como se uma súbita mudança de ideia, que afetaria seu ano, e possivelmente todo o seu futuro, não fizesse nenhuma diferença.
"Eu não posso acreditar que você e Rosalie se tornaram amigas. Ela provavelmente tinha a sua vida traçada desde que tinha cinco anos. Você e ela são como a noite e o dia."
"E ainda assim a noite não teria significado sem o dia." Ela sorriu.
"Você deveria discutir isso com Emmett", eu disse. "Tenho certeza de que ele poderia encontrar outro caminho."
"Uh, sim, não, obrigada. Eu posso imaginar a longa conversa de horas, que iria acabar com a gente de alguma forma sendo controlados pelo calendário. Mas... falando de escolhas, e a escolha de Edward na outra noite?" Seus punhos se colocaram nos quadris, assim como a Mulher-Maravilha - sua postura de 'Alice a durona'. "Espere até eu conseguir ficar sozinha com aquele rapaz. Eu tenho uma coisa ou oitenta para dizer a ele."
"Não faça isso. Por favor, não. Ele já se puniu o suficiente. Acredite em mim. Nós apenas queremos esquecer."
Alice riu. "Esquecer?"
"Por que é tão engraçado?"
"Você não acha que Rosalie está lá agora mesmo dando-lhe um pedaço da sua mente?"
"Não, você realmente acha que ela está?"
"Eu sei que está. Bella, eu achei que você entendia o relacionamento deles até agora. Ela não vai deixar Edward se safar."
"Por que ela simplesmente não falou com ele na escola?"
"De jeito nenhum. Todo mundo estava lhe incomodando o suficiente na escola."
"O quê?" Masen agarrou um pedaço do meu cabelo na minha nuca e puxou para ele, tentando colocar na boca. Eu estremeci, trabalhando com os dedos para soltar.
"Bella. Prepare-se. De acordo com os rumores na escola, Edward estava te traindo o tempo todo. E agora que você sabe..." Ela estendeu os dedos para cima, formando aspas no ar, "O papo é que você e Edward estão nas últimas. Alguns disseram que você já está vivendo com seu pai novamente. Eu não posso nem negar quando me perguntam sobre isso, porque então eles assumem que eu estou mentindo e protegendo você. Eu simplesmente os mandei se ferrar. E as meninas estão..."
"As meninas estão o quê?" Eu escovei todo o meu cabelo para frente do meu ombro oposto a Masen, segurando as mãos dele. Por que eu tinha deixado todos os seus brinquedos no carro?
"Dando em cima dele de novo."
Eu gemi. "Eu não posso esperar até o ensino médio acabar. Eu tenho que ir." Se Rosalie estava com Edward, eu tinha que fazê-la parar antes que ela trouxesse sua culpa para a vanguarda de sua mente mais uma vez.
Eu dei a Alice um abraço desajeitado, e com o final do ensino médio ainda persistente em meus pensamentos, eu encontrei-me segurando-a um pouco mais do que eu pretendia.
"Antes de ir, eu tenho um favor a pedir."
"O que?"
"Você pode contar a Rosalie sobre os meus planos de viagem? Ela vai ser mais aberta à ideia se souber que você aceitou."
"O que há com todo mundo pensando que é mais fácil para mim conversar com Rosalie do que para qualquer outra pessoa? Ela intimida todos nós da mesma forma."
"É fácil para você. Eu já vi isso. Eu não sei por que. Talvez seja porque vocês duas começaram como inimigas."
"Alice, eu sinto muito. Mas isso é algo que você tem que fazer. Eu estarei lá para apoiá-la, se você quiser, mas as palavras terão que vir de você."
"Tudo bem. Que seja assim." Ela cruzou os braços sobre o peito, fazendo beicinho para mim.
"Será que isso funciona com Jasper?"
"Vou me lembrar disso", disse ela, acenando com o dedo para mim. "Basta esperar até que você precise de uma babá." Apertando a mão de Masen, ela sussurrou em seu ouvido. "Eu só estou brincando. Tia Alice tomará conta de você a qualquer momento."
A resposta dele foi grito alto o suficiente para que ambas afastassem a cabeça dele. Parecia que ele mesmo tinha se surpreendido com aquele, e nós três rimos juntos.
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Edward estava estudando sozinho quando eu cheguei em casa. Masen, que estava tirando menos cochilos nos dias de hoje, não estava nem perto de estar com sono, então eu o levei comigo para o quarto de Edward. Edward virou-se para nós com um sorriso, e depois veio me abraçar e beijar Masen. "Eu senti falta dos dois." Ele tomou Masen dos meus braços e me deu um longo beijo. Eu fiquei instável na ponta dos pés, e tive que segurar seu decote V da camiseta para me equilibrar. Seu braço se moveu para apoiar as minhas costas enquanto ele continuou o beijo, e eu já não tinha que me concentrar em não cair - apenas senti seus lábios nos meus, a minha língua na dele. Edward era melhor em segurar Masen e eu ao mesmo tempo do que eu para me sustentar sozinha.
"Você parece feliz", eu disse em um suspiro, minha mão em seu rosto, enquanto eu esfregava levemente sobre os lábios que tinham acabado de tirar o meu fôlego.
"Você está aqui. Por que eu não estaria?" Ele me deu outro beijo rápido.
Seu quarto estava quente. O calor explodiu em cima de mim da ventilação do teto, e tirei meu casaco, para melhor sentir o calor através das minhas roupas.
"Rosalie não veio vê-lo?" Eu perguntei, soltando meu casaco sobre a cama.
Ele inclinou a cabeça e deu alguns passos. "Como você sabe disso?"
"Ela não fez você se sentir mal?"
"Ela tentou, mas eu disse a ela para ficar de fora. Está no passado. Isso é o que você quer, certo?"
"Você disse?" Eu ri. "O que ela disse?"
Ele deu de ombros. "Nada. Ela começou a dizer algo, mas depois mudou de ideia, eu acho. Estou feliz que ela te ame o suficiente para gritar comigo sobre isso, no entanto. Todos os nossos amigos te amam mais do que a mim, e essa é a maneira como deveria ser".
"Cale a boca. Eles não me amam mais."
"Sim, amam. Se eu te machucar, eles virão em busca de sangue. Jasper liderando."
"E se eu te machucar? Então, o que eles fariam?"
"Rir".
"Não, eles não o fariam." Eu estendi a mão para empurrar contra o peito dele, mas ele pegou meu braço e me puxou para perto, beijando minha cabeça.
"Não vamos machucar um ao outro, de modo que não teremos que descobrir."
"Alice me contou sobre o que aconteceu hoje na escola."
"Ela lhe contou sobre os rumores?" Seus olhos se estreitaram enquanto seus dedos roçaram de leve no meu rosto.
"Se rumores fossem drogas, cada adolescente em Forks seria um viciado, pela maneira que vendem besteiras ao redor."
"Esqueça isso. Não é nada que não tenhamos visto já."
"Talvez eu devesse levá-lo para a escola amanhã. Mostrar a todos que ainda estamos juntos."
"Eu não acho que seja uma boa idéia."
"Eu acho. Faremos isso. Eu preciso observar o meu território."
Ele riu. "E Masen? Ninguém estará por perto para tomar conta dele. Você irá submetê-lo à loucura dos alunos na Forks High School?"
Fiz uma pausa para olhar para Masen, que batia no ombro de Edward com seu pequeno punho e o outro espremia um pouco da camiseta dele em seus dedos. Eu me perguntava por que ele não agarrava o cabelo de seu pai. Edward tinha o tipo de cabelo que seduzia para puxar. "Mas eu quero fazer algo para mostrar-lhes. Se apenas algumas pessoas virem, especialmente as pessoas certas, então todo mundo irá saber."
"Tudo bem, garota teimosa. Que tal no jogo de baseball quinta-feira à noite? É só um amistoso, mas todo mundo estará lá."
Eu me encolhi e sacudi automaticamente a minha cabeça.
"Vamos. Pode ser divertido. Ou... nós poderíamos dar uma festa aqui e convidar a todos."
"Jogo de beisebol", eu disse. As palavras saíram antes que meu cérebro tivesse um segundo para processar o pensamento de outra festa com o povo de Forks High.
Masen se mexeu, lembrando a Edward que ele tinha algo para mim. Ele foi até a sua escrivaninha e jogou um livro em mim que eu, é claro, deixei cair.
"Sinais para bebês?" Eu perguntei, pegando-o.
"É sobre o ensino da língua de sinais para bebês. Minha mãe comprou. Ela diz que é suposto ajudar Masen a se comunicar antes que ele possa falar. Ajuda a diminuir o choro. Mas você não chora muito de qualquer maneira, não é, rapazinho?" Edward perguntou, passando um dedo pelo queixo de Masen, sua agitação começou de novo, como se quisesse provar que Edward estava errado.
"Eu vou tentar. Qualquer coisa para diminuir o choro. Eu não suporto ouvi-lo chorar. Mesmo que seja por pouco tempo."
"Bella?" Edward perguntou, vindo até mim, deslizando os dedos na cintura da minha calça, e dando um puxão na direção dele. "Você quer começar a ler esse livro enquanto eu toco piano?" Ultimamente seus lábios formavam um sorriso automático sempre que ele dizia a palavra 'piano'. Era muito parecido com quando ele dizia o meu nome ou o nome de Masen. O canto dos lábios se levantou com um pequeno sorriso. Era natural e involuntário, e eu adorava.
"Agora? Mas não é no meio da noite."
"Eu não tenho nenhum controle sobre quando o piano me chama. Eu usava ignorá-lo quando as pessoas estavam acordadas, mas eu não faço mais isso. Por sua causa".
"O que eu fiz?"
"Você entrou na minha vida." Ele se inclinou para me beijar. "Mas, na verdade, você me mostrou que eu não tenho que me sentir pressionado a persegui-lo. Que eu só posso apreciá-lo como leitura, ou qualquer outra coisa. Durante toda a minha vida, toda vez que eu tocava para qualquer um, eles tentavam me convencer a seguir adiante, como uma profissão. Eu nunca tive essa ambição... ou quis transformar a arte de tocar piano em uma carreira - eu não quero tocar na frente de multidões. Foi demais, familiares, amigos, colocando essas ambições em mim como se fossem minhas. Essa pressão..." Sua mão livre subiu à sua cabeça, com os dedos em seu cabelo. "Eu tive que fingir por tanto tempo que eu não tinha interesse em tocar, que precisou você e sua vontade de me ouvir tocar apenas por uma questão de tocar - sem expectativas - por mim, para finalmente chegar ao lugar onde eu posso tocar sem peso. É bom pra caralho."
"Edward?"
"Sim?"
"Estou contente com o piano, mas cuidado com a língua quando você estiver segurando Masen."
"Maldição!" Seus olhos se arregalaram e ele cobriu sua boca. "Eu estou trabalhando nisso. Prometo", ele disse, com a voz abafada pela mão. Então ele sorriu e pegou meus dedos com uma mão, balançando Masen em seu outro braço, tentando acalmar os resmungos do nosso bebê, que estavam ficando mais estridentes e nos guiou para o andar de baixo em direção ao piano.
Em vez de ler, eu fiquei atrás de Edward, embalando Masen, balançando-o em meus braços, como a música e o movimento o acalmaram. Masen começou a inclinar-se em direção ao piano, então eu me inclinei e o deixei bater nas teclas. Seus golpes não eram fortes o suficiente para obter um som de piano a cada vez, mas as teclas faziam algum ruído, e os seus pés chutavam contra mim enquanto suas mãos se agitavam um pouco mais, ganhando velocidade e força.
"Bella", Edward disse, "Eu não posso tocar quando você está permitindo-lhe fazer isso."
"É um dueto", eu disse, "E está fazendo ele feliz. Olhe".
"Ele tem o seu próprio piano para fazê-lo feliz."
"É verdade!" Eu coloquei Masen de bruços no chão, e em seguida, corri até seu quarto para pegar o seu piano. Quando eu voltei, Esme havia se juntado a Edward.
"Eu adoro quando você toca", ela estava dizendo, quando eu coloquei o piano de brinquedo na frente de Masen. "Eu não tinha ouvido essa, como se chama?"
"Pergunte a Bella."
Eu escutei e vi como seus dedos percorreram as teclas, mas eu não tinha a menor idéia do que se tratava. Eu deveria ter reconhecido? Eu levei um dedo aos lábios, ouvindo mais. "Sinto muito, eu não a reconheço."
"Quero dizer..." Edward disse, parando a música e virando-se para mim, "É sua. Você deve nomeá-la."
"Você escreveu isso? Para mim?"
"É para você, e eu compus, mas eu não a escrevi." Ele riu. "Eu não escrevo música. Eu só toco."
Eu o abracei apertado por trás, esmagando seu pescoço. "Obrigada, Edward!"
"B-Bella." Sua voz estava tensa. "Você está me sufocando".
Eu afrouxei o meu aperto. "Sinto muito. Toque de novo".
"Bem, é um dueto, então você terá que trazer Masen de volta para bater a parte dele".
Eu bati no ombro dele. "Basta tocar." Seus dedos se moveram sobre as teclas, tocando a minha música e eu me inclinei sobre ele, meus braços ainda soltos sobre os ombros, minha bochecha contra a dele. A melodia me lembrou da chuva sobre Forks. Começou suave e silencioso, em seguida, desceu mais e mais rápido, só para se acalmar e diminuir novamente, mas não parar completamente. Em outra nota, isso me fez lembrar da nossa relação. Eu virei o rosto para sussurrar no ouvido de Edward. "Esta é a coisa mais sexy que já ouvi." Eu quis dizer isso também. Se Esme não estivesse parada a poucos metros de mim, e Masen não estivesse ali, no chão, eu teria atacado Edward com meus lábios. Então, tudo o que eu podia fazer era maliciosamente lamber sua orelha, agradecida pelo escudo que o meu cabelo comprido oferecia. Um canto de seus lábios se contraiu em um sorriso, mas seus dedos não vacilaram sobre as teclas.
Masen começou a resmungar de novo, e eu sabia pelo sentimento em meus seios que ele estava com fome. Eu o trouxe comigo para o sofá e o amamentei enquanto Edward tocava. Esme se sentou ao nosso lado, pegando o livro que eu tinha deixado cair sobre a almofada antes, e brincou com ele. Masen mamou avidamente, dando respirações ofegantes de vez em quando, me fazendo rir. "Você está com tanta fome", eu disse. "Desculpe se eu esperei tanto tempo." Ele finalmente se acalmou em um ritmo constante, os dedos torcendo as pontas do meu cabelo. Eu fechei os olhos, deixando seu toque me relaxar, esperando que ele não se tornasse um puxão repentino. Ele deve ter ficado tão relaxado quanto eu, porque ele não puxou.
Morrendo de fofura aqui, imaginando Edward tocando e Masen faceiro batendo nas teclas do piano...
Beijo,
Nai.
