Tempos de Mudança - Capítulo 21
- Olá. Para todos que tiveram paciência até aqui, minhas desculpas. O Capítulo 21 saiu do forno e já está aqui
- Sei que estão curiosos para saber o desfecho. Estou aqui para acabar com todas as dúvidas (Ou não).
- Pra quem tiver curiosidade. Eu criei a Elena baseada fisicamente na personagem Sumeragi Lee Noriega, de Gundam 00. Quem quiser ter uma noção melhor de como ela é, basta dar um Google.
Boa leitura a todos.
Elena terminava de preparar o almoço, e estranhou quando ouviu o barulho do portão abrindo de forma mais violenta o que o normal.
- Ioannis?
Parou o que fazia, e com algum receio foi atrás da fonte do som, ao chegar na porta da cozinha, deu de encontro com Saga, que estava com uma expressão transtornada na face.
- Por que, Elena? Por que?
Saga disse, aproximando-se com o rosto sério. Ela assustou ao vê-lo daquela forma. A única teoria que passou por sua mente era que ele havia decidido não aceitar um "não" como resposta, fazendo de tudo para tê-la. E ela temia do que ele era capaz. Conforme ele aproximava, ela dava passos pra trás, até não ter mais pra onde fugir, ficando contra a parede. Saga voltou a falar.
- Era esse o seu castigo? Deixar-me ir embora sem dizer a verdade?
A mulher franziu o cenho. Sua mente pensava rápido, tentando imaginar do que ele falava. Ao se dar conta do que poderia ser não conseguiu esconder o desespero.
- N... Não sei do que você está falando.
Assim que Elena falou aquilo, sentiu a mão do geminiano segurando seu pulso com alguma força.
- Como não?! Você sabe muito bem que o Ioannis é meu filho e não disse nada!
A única coisa que passava pela mente dela era como ele chegara nessa conclusão. Resolveu parar de ficar na defensiva, usando toda sua força para soltar o membro enquanto falava.
- Me solte!
Assim que estava livre, ela voltou a falar. Agora com o dedo em riste, apontado para o rosto dele.
- Em primeiro lugar, corrija o que falou. O Ioannis não "é" seu filho, ele "pode ser" seu filho, e só Deus sabe o quanto eu peço para que não seja.
Aquilo pareceu ter acalmado um pouco cavaleiro, que voltou a falar.
- O Nikos me disse que ele nasceu menos de oito meses depois do seu casamento.
Elena desceu a mão e deu um suspiro pesado. Nunca imaginou que teria que passar por aquilo, mas já que ele havia descoberto, resolveu falar.
- Sim, Saga. Ele nasceu exatamente oito meses depois de termos... Nos encontrado pela última vez, mas uma mulher sabe quando a chance de ficar grávida é maior, e é mais provável que o Theo seja o pai.
- Mas mesmo assim, você tinha que ter me falado que existe a possibilidade.
- Imagine minha situação. Eu me entreguei a você naquela noite, e você nunca mais apareceu. Eu me senti usada, como um troféu que você desprezou depois de conquistar. Agora imagine se ele nasce antes de nove meses completos do casamento e o médico diz que ele havia sido gerado antes da cerimônia. Como eu ficaria? Eu passei minha gravidez toda desesperada, rezando para que as contas batessem e o Theo fosse o pai.
Saga ouviu atentamente. Em sua mente, vieram as lembranças daquela última noite...
Flashback
Saga a esperava no lugar de sempre. Um pequeno bosque afastado da cidade. Era noite alta. Estava hospedado em um vilarejo próximo, indo para lá apenas no horário combinado. Relembrava os momentos que tiveram juntos. A cara de espanto dela ao revê-lo depois de anos. Os encontros, secretos a pedido dele por paranoia de que o Santuário descobrisse. Ao fim, até ela gostava que fosse assim. Dava um ar de mistério ao romance. Havia também o fato de ela estar namorando. Se dependesse dele, depois daquele encontro, viria apenas para buscá-la. Quando ela chegou, iluminada apenas pelo luar, Saga teve certeza que ela era a mulher de sua vida. Abraçaram-se e beijaram-se. Saga foi o primeiro a falar
- Elena, meu amor. Eu estava com saudades.
- Eu também estava. Está tudo bem? Está tudo certo para irmos embora mesmo?
- Sim, praticamente tudo. Eu só preciso acertar onde vamos morar, mas é apenas formalidades. Está tudo combinado para irmos no dia que havia falado.
- Que bom. Não vejo a hora de podermos estar finalmente juntos.
Faltava apenas uma palavra com o dono para alugar uma casa em Rodorio onde ela ficaria. Claro que havia o fato de Saga ser o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos, mas revelaria a ela depois que ela estivesse com ele, em Atenas. Também confiava herdar o título de Mestre do Santuário, o que lhe permitiria mais liberdade. A saudade que sentiam levou a mais um beijo, e antes que pudessem dar conta, estavam se amando sob a árvore que marcava o ponto de encontro. Nada havia sido forçado, apenas aconteceu. Aproveitaram os últimos momentos deitados um ao lado do outro olhando para o céu parcialmente coberto pelas copas das árvores. Combinaram encontrar-se no dia marcado, para irem embora juntos. Mas esse dia nunca chegou.
Foi Saga quem quebrou silêncio
- O que quer que eu diga Elena? Que eu sinto muito pelo que aconteceu? Que nunca foi minha intenção fazer o que fiz? Que você tem todo o direito de sentir ódio, mágoa, desprezo por mim? Você já sabe de tudo isso. Mas esse é o tipo de informação que você não poderia ter escondido de mim. Se ele for meu filho eu...
O Cavaleiro parou de falar. Não conseguia expressar em palavras o que sentia ao imaginar que a possibilidade fosse verdadeira.
-... Eu seria capaz de tudo por ele.
- Mesmo que você seja o pai biológico, você não tem o direito de chegar aqui dessa forma e exigir algum direito. Não agora. Pra mim, o Theo é o pai do Ioannis, e assim que vai continuar sendo.
Elena continuava dura com as palavras. Isso demonstrava a intensidade da mágoa que sentia.
- Elena, por favor, seja racional. Pense no Ioannis também. Você não acha que ele merece saber a verdade?
- Está louco?! Quer que eu diga pra ele que traí o pai dele dias antes do casamento? Preste atenção, Saga. Se você ousar se aproximar do meu filho, eu juro, esqueço tudo o que passamos juntos e acabo com você. Entendido?
Novamente ela ergueu o dedo em riste na direção do rosto o Cavaleiro. O tom da voz deixava clara a ameaça. Ela parecia uma leoa pronta para defender sua cria.
- E você quer que eu faça o que? Que eu passe uma borracha em minha memória e esqueça isso? Que eu simplesmente ignore o fato que eu posso ter um filho?
Saga também começava a perder a paciência
- Sim, exatamente isso. Esqueça-o, ignore-o. Assim como você fez por esses 16 anos.
O geminiano travou ao ouvir aquilo. A raiva o rancor naquelas palavras o atravessaram de tal forma que ele não teve reação. Deu conta de que nenhuma palavra que dissesse mudaria o que ela pensava. Fechou os olhos e suspirou pesado. Aquela era uma batalha perdida. Abriu os lábios algumas vezes, como se procurasse as palavras certas.
- Não posso ignorar isso, mas eu ainda vou apelar para seu bom-senso, Elena. Eu prometo que não irei insistir mais, e nem procurarei o Ioannis por conta própria, mas, por favor, pense em acabar com essa dúvida. Dê-me a chance de corrigir o meu erro se ele for mesmo meu filho. Jogue toda a culpa em cima de mim pelo ocorrido, eu não me importo. Mas eu prometo que, se for verdade, ele será mais importante pra mim que minha própria vida.
Elena não demonstrou reação. Já estava "vacinada" contra as promessas que Saga lhe fazia, e aquela seria apenas mais uma. Foi Saga quem quebrou o silêncio.
- Poderia me dar uma caneta e um pedaço de papel?
- Pra que?
- Sem mais mistérios dessa vez. Eu vou lhe dar meu endereço e meu telefone em Atenas
- Eu não quero. Não preciso
Saga estava sem paciência. Olhou em volta e viu o bloco de recados ao lado do telefone. Sem pedir permissão pegou a caneta e escreveu na primeira folha em branco que viu, sob reclamações da mulher.
- Está aqui.
- Você não ouviu o que eu disse?
- Ouvi, e estou ignorando. Por favor, Elena. Pense bem nesse assunto, é tudo o que lhe peço. Até mais... Eu espero
Disse o final mais para si. Observou-a bem uma última vez antes de sair. Se aquela fosse a última vez, queria lembrar-se bem de como ela era. Passou pelo portão, que havia deixado aberto depois de entrar de forma intempestiva mais cedo. Voltou a caminhar pelas ruas, agora com a mente trabalhando ao máximo depois das novas descobertas. Como não bastasse, na direção oposta viu Ioannis, provavelmente voltando da Escola. Agora que sabia que ele poderia ser seu filho, o observou melhor, procurando alguma semelhança física entre ele e sua família.
- Olá, senhor Saga.
- Olá, Ioannis.
Falou tentando demonstrar naturalidade.
- Está relembrando como é a cidade? Minha casa fica aqui perto. Gostaria de ir?
- Sim, sim. Na verdade, eu acabei de sair de lá. Estive conversando com sua mãe por um tempo. Colocando a conversa em dia, nos lembrando de histórias da nossa infância...
- Eu gostaria de ouvir algumas dessas histórias
- Quem sabe outro dia. Infelizmente não tenho mais tempo para ficar aqui. Preciso voltar para Atenas.
- Que pena. Espero que possamos nos encontrar de novo. Até mais, senhor Saga.
- Eu também. Cuide-se, e cuide de sua mãe. Até mais... Ioannis.
Segurou-se para não acabar o chamando de "filho", mesmo que não tivesse nenhum sentido naquele momento. Começou a afastar-se, voltando aos seus pensamentos de antes. Toda uma vida passou por sua mente. Se ele não tivesse saído de Lakka. Elena e ele casariam, e eles teriam um, dois filhos. Ele provavelmente seria pescador. Seria uma vida pacata, com certeza. Seria melhor que sua vida como Cavaleiro? Começava a pensar que sim. Logo Ioannis estava em casa. Assim que entrou em casa, anunciou sua chegada. Enquanto isso Ioannis anunciava sua chegada em casa.
- Mãe, cheguei. Mãe?
Viu Elena na sala, olhando para um pedaço de papel na mão, com os olhos levemente marejados.
- Mãe?
- Ah, oi Ioannis. Como foi na Escola?
Ela falou enquanto escondia o pedaço de papel na mão
- Tudo bem. Você está chorando, mãe?
- Ah, isso. Não é nada. Eu só fiquei um pouco emocionada.
Ela falou secando com o dedo as lágrimas que não haviam escorrido ainda
- Eu encontrei o senhor Saga no caminho. Ele me disse que vocês lembraram algumas histórias.
Elena logo raciocinou que essa foi a desculpa que Saga usou para justificar sua visita, e resolveu seguir com a mentira.
- Sim. Nos lembramos de algumas coisas, e bateu uma saudade forte do seu pai.
Ioannis a abraçou de forma carinhosa. Ficaram em silêncio por algum tempo, Elena silenciosamente agradecia por Ioannis não ter presenciado a discussão. Ela desfez o abraço e deu um beijo na testa dele.
- O almoço está quase pronto. Eu fiz a spanakopita que você adora.
O rapaz saiu animado para seu quarto, deixando o material escolar antes de retornar para a cozinha. Por sua vez, Elena pensava como o reaparecimento de Saga poderia tumultuar sua vida. Apertou o papel em sua mão. O endereço dele em Atenas. Um lado seu falava que ela tinha, não, devia jogar aquilo fora, mas uma parte de si não conseguia. Decidiu esconder bem aquilo, em uma gaveta que pouco usava em seu quarto, esperando não precisar usar. Ao voltar para a Pousada, Saga teve que lidar com Nikos, que esperava uma resposta para seu comportamento. O cavaleiro manteve o segredo, desviando e até mesmo ignorando o amigo. Nikos percebeu, e decidiu que já que não conseguiria nada com ele, iria descobrir por conta própria. Como Saga havia decidido mais cedo, partiu logo em seguida, chegando a Atenas no início da noite.
Ao adentrar a Casa de Gêmeos, encontrou Kanon, que parecia estar curioso com os resultados obtidos por Saga naquela viagem, mas o cavaleiro disse que queria ficar sozinho e foi para seu quarto. Kanon estranhou o comportamento do irmão. Tentaria conversar com ele no dia seguinte, mas de uma coisa tinha certeza. Teria que insistir muito para descobrir o que havia acontecido, e aparentemente não eram boas notícias. Em seu quarto, Saga tomou um banho e atirou-se na cama. Sentia-se exausto, queria dormir, mas não conseguia. A agitação por causa das notícias que havia recebido não o deixava dormir. Decidiu levantar-se e sair. Ficou sentado no chão, refletindo sobre seu passado e seu futuro. No dia seguinte, o Santuário amanheceu preguiçoso. Kanon acordou em seu horário normal. Levantou-se e foi direto para o quarto de Saga. Quando não o viu lá, assustou-se. Procurou pela casa, o encontrando dormindo sentado, apoiado em um dos pilares da área externa. Apoiou-se, em um dos joelhos e com a mão começou a sacudi-lo.
- Saga? Saga, acorde.
Aquilo fez o cavaleiro despertar.
- Kanon? Bom dia. Nossa, acho que eu acabei dormindo aqui mesmo...
- Saga, por favor, vamos conversar. Eu estou preocupado com você.
Kanon não dizia abertamente, mas temia que o irmão novamente caísse a ponto de deixar que Ares tomasse conta de sua mente novamente.
- Está bem. Vamos entrar. Estou com fome, não como nada desde o café da manhã de ontem.
Kanon ajudou o irmão a levantar, e foram preparar o café da manhã para ambos. Depois de saciar sua fome, Saga voltou suas atenções para o irmão.
- Eu gostaria que escutasse tudo, depois me dissesse se o que fiz foi certo.
- Está bem, Saga.
O cavaleiro de Gêmeos contou tudo sobre sua relação com Elena depois que Kanon e ele saíram de Lakka, e sobre os acontecimentos do dia anterior. O gêmeo Marina não escondeu a surpresa quando Saga disse que podia ser pai.
-... E é isso Kanon. Eu posso ser o pai de um rapaz de 15 anos, mas a Elena não quer que eu me aproxime dele. Eu prometi deixar com ela a decisão de revelar isso ou não ao Ioannis, mas eu não sei se ela vai.
Um silêncio incômodo abateu sobre a cozinha. Kanon não sabia o que falar.
- Por Zeus, Saga. Um filho? Não, juro. Essa é a última coisa que eu imaginaria.
- Eu também. Essa possibilidade nunca passou pela minha cabeça.
- Mas, e agora? Você vai viver com essa dúvida pelo resto da vida? A Elena não pode fazer isso com você.
Saga pensou alguns instantes, parecendo resignado.
- Não pode, mas eu também não podia ter feito o que fiz com ela. Se ela decidir assim, será um fardo que eu vou ter que carregar.
- Não concordo com isso. Você fez o correto ao lidar com isso. Não adiantaria pressioná-la mais. Mas não concordo que ela deixe você nessa dúvida, e sobre algo tão importante.
Mais alguns instantes de silêncio, e Kanon volta a falar.
- E se ele for mesmo seu filho? O que você vai fazer?
Pela primeira vez no dia ele viu Saga esboçar um sorriso.
- Se eu falar que não me assusta ser pai, vou estar mentindo, mas eu me esforçaria. Daria tudo de mim por ele.
- Isso já é um primeiro passo. Eu vou te ajudar, Saga. Eu ainda não sei como, mas eu vou.
- Obrigado, Kanon. Bom, agora eu preciso ir me arrumar.
- Por que?
- Ora, eu estou de volta. Eu preciso ir para meu serviço.
- Mas Atena não lhe deu uma licença de dois dias?
- Se eu ficar ocioso em casa eu só vou ficar remoendo essa história. Preciso distrair a cabeça.
- Está bem. Eu também preciso me aprontar.
Os dois seguiram para suas rotinas. Atena não escondeu a surpresa ao ver Saga na empresa. Como desculpa, ele disse que o que precisava resolver foi mais rápido do que imaginava. Não iria revelar os segredos descobertos ainda. O resto do dia transcorreu normalmente para o geminiano.
Kamus estava colocando sua mesa em ordem. Havia sido um dia normal, não fosse pelo fato de ver Saga no serviço. Pensava que ele voltaria apenas no dia seguinte. O geminiano não pareceu estar com a melhor das aparências, mas não queria tocar no assunto. Na hora do almoço, conversou rapidamente com sua mãe por telefone. Havia feito daquilo um hábito. Já estava de saída quando ouviu o barulho de batidas na porta do seu escritório.
- Entre.
Ao ver quem adentrava, tomou a posição de respeito.
- Senhorita Kido.
Saori abriu um discreto sorriso.
- Que bom que ainda o encontrei aqui, Kamus. Preciso conversar com você.
- O que deseja?
- Bom... Na verdade eu tenho uma proposta a lhe fazer. Eu vou entender se quiser recusá-la.
O Francês estranhou, mas apenas esperou que a Deusa continuasse.
- Estamos tendo mais problemas com a Verger, e agora seu pai não quer negociações apenas por fax e representantes. Ele quer uma reunião formal entre as diretorias para revisão de contratos.
Kamus tentou evitar, mas Saori percebeu a alteração na feição dele. Atena continuou.
- Combinamos de fazer a reunião em Paris, daqui a duas semanas. Já que ele quer que seja assim, pretendo ir com o que eu tenho de melhor, e isso inclui você, Kamus.
- Eu?
- Você conhece o "terreno" melhor que ninguém. Seu conhecimento sobre a Verger, seu pai, e mesmo sobre Paris. Qualquer vantagem que pudermos ter vai ser ótima, porque prevejo uma negociação difícil.
- Pior. Ir até lá pode facilitar qualquer esquema mesquinho que ele possa estar tramando.
- Por isso que eu gostaria que você fosse. Saga também vai, e eu vou escolher mais um cavaleiro para ser meu segurança. Mas eu entendo sua questão pessoal com seu pai. Se você não quiser vê-lo, eu vou compreender. Gostaria que decidisse até amanhã, está bem? Eu não vou atrasá-lo mais, afinal você tem um lugar para ir ainda hoje, não é mesmo?
- Sim, eu tenho. Até amanhã, senhorita Saori.
- Até amanhã.
Depois da jovem Kido se retirar, Kamus introverteu-se para poder pensar naquela proposta. Na verdade não teve que pensar muito. Mesmo que não gostasse de seu pai, não ir seria como fracassar em uma missão, ou seja, falhar com sua Deusa. Foi com aquele pensamento que saiu do prédio. Não voltaria para o Santuário ainda. Tinha que cumprir com o dever que lhe foi dado como punição pelo incidente que causou anos atrás. Ele tinha que dar aulas de artes marciais para crianças e jovens dos bairros mais pobres de Atenas. Deslocava-se pela cidade por meio de transporte coletivo até chegar ao seu destino, a escola do bairro. Kamus não via aquilo como um tempo perdido. Acreditava que poderia ensinar àqueles jovens um pouco de disciplina, e também como defenderem-se. A noite começava, e aquele não era um bairro tranquilo. O Francês chegou ao Ginásio, começando a arrumar as coisas. Aquela noite era a aula para os jovens entre 15 e 20 anos. Quando deu o horário, ele juntou a todos, fazendo uma contagem rápida.
- Está faltando alguém.
- É a Lydia, professor.
- Por que ela faltou?
Os jovens ficaram em silêncio, o que fez Kamus ter que repetir a pergunta.
- Onde está a Lydia?
- Ela foi detida. Posse de droga.
Alguém respondeu. O Francês suspirou e então coçou a têmpora.
- OK, eu resolvo isso depois. Vamos começar a aula agora.
Mesmo que fosse algo temporário, sentia-se responsável. Lydia era uma jovem problemática, de acordo com a ficha que havia recebido da Diretoria, mas até agora não tivera problemas com ela. Pelo contrário, percebia que ela tinha interesse nas aulas. Iria conversar com ela na primeira oportunidade que tivesse. A aula transcorreu sem problemas, e logo em seguida Kamus voltou para o Santuário. No dia seguinte, confirmou com Atena que iria para Paris, e os dois começaram os preparativos especiais para aquela reunião.
Japão
Os cavaleiros de bronze estavam em férias escolares. O verão Japonês era intenso. Seiya e Seika aproveitavam para ajudar Minu no Orfanato. Shiriyu e Hyoga viajaram para China e Sibéria respectivamente. Ikki estava em meio aos estudos para os exames de admissão na Universidade que faria no fim do ano. Shun sentia-se solitário por isso, mas era útil para que ele tivesse a tranquilidade que precisava para decidir pelo seu futuro. Havia tomado uma decisão e queria contá-la logo para alguém. As conversas por meio de telefone e computador com Sorento estavam cada vez mais comuns. Sentia-se até mesmo ansioso pela hora que costumam conversar, que era bem à noite devido ao fuso horário. Shun estava sentado na cama com seu note no colo, usando uma camiseta e um short de tecido leve. Pesquisava algumas partituras para o Violoncelo quando recebeu uma mensagem de Sorento, e logo os dois estavam com as webcam ligadas. Sorento estava em seu apartamento em Viena. Havia voltado de um dia de ensaio com a orquestra.
- Oi, Sorento. Tudo bem?
- Oi, Shun. Eu estou ótimo, e você.
- Entediado. Eu passei o dia em casa sem nada pra fazer. Acho que vou até Akihabara amanhã só pra poder ver um pouco de movimento.
O comentário fez o Austríaco rir.
- Está complicado mesmo. Eu, ao contrário, estou ocupadíssimo com os ensaios para a nova apresentação.
- É mesmo? E quais as peças que vocês vão apresentar?
- Primeiro Rimsky-Korsakov, depois a Sinfonia 104 de Haydn e então um concerto para piano de Bach.
- Legal. Bom, acho que vou aproveitar o momento pra te falar uma coisa.
- Diga. Sou todo ouvidos.
- Eu pensei bastante, e... Decidi seguir a carreira de músico.
- Que ótima notícia, Shun.
Sorento abriu um largo sorriso.
- E também aceitei a proposta que você me fez. Vou estudar e treinar esse ano para tentar entrar no Conservatório aí em Viena.
- Shun, você não sabe como eu fico feliz em ouvir isso. Eu vou lhe ajudar com tudo o que for possível.
- Obrigado.
O sorriso do Japonês o deixou sem jeito. "Por Poseidon, acho que estou apaixonado". Era o que repetia mentalmente para si. Precisava ter certeza dos seus sentimentos, e dos dele. E sabia como fazer isso.
- Er... Shun me diga uma coisa. Você está de férias até quando?
- Até 5 de setembro. Por que?
- É que a estreia da nova temporada é dia 31 de agosto, e eu gostaria que você viesse ver.
Shun não escondeu a surpresa, o que fez Sorento se arrepender da proposta.
- Eu ir pra Viena assistir sua apresentação?
- Bom... Como você disse que está sem ter o que fazer aí, eu pensei que você poderia vir pra cá. Mas se você não quiser ou não puder, eu entendo.
- Está brincando? Eu nunca recusaria um convite desses. Vou conversar com Ikki e a Saori antes, mas tenho certeza que não vai ter problema.
- Ótimo, então vou arrumar tudo por aqui também. Você vai ficar aqui, e eu vou lhe mostrar toda a cidade.
- Não vejo a hora.
Os dois ainda conversaram um tempo antes de se despedirem, mas ambos demoraram a pegar no sono, ansiosos pelo reencontro.
Continua...
- Deixem seus comentários dizendo se gostaram ou não.
- A Spanakopita é uma receita grega de massa folhada com recheio de espinafre. Geralmente é feita como uma torta, mas pode ser feita como pastel.
- Pra quem for comentar, quero fazer um pedido. Como puderam ver, várias peças de música clássica começarão a aparecer na fic. Quero saber o que vocês acham melhor. Deixar que as pessoas interessadas procurem, ou colocar um link aqui para o todo ou parte da peça.
Até a próxima.
