CAPÍTULO 21

NARRADO POR DRACO MALFOY

Alguns segundos depois quando, consegui encontrar forças pra me colocar de pé novamente, olhei para o lado. Marcus, Blaise, Kim e John nos olhavam de queixo caído.

- Isso foi bem intenso. – John deixou escapar.

- Se eu não tivesse acabado de gozar, poderia fazer isso só olhando pra vocês. – Blaise comentou.

Quando olhei para Harry, percebi que ele estava um pouco envergonhado, ele olhava para o outro lado, sem querer encarar meus amigos. Conclui que aquela noite já tinha sido o suficiente pra ele. Eu o desamarrei, assim como fizeram Marcus e Blaise com seus submissos.

- Kim, você pode leva-lo até um banheiro onde ele possa se lavar e se vestir? – eu pedi.

Kim assentiu com a cabeça. Harry me olhou claramente agradecido e seguiu andando atrás de Kim, não sem antes parar no canto da sala e pegar suas roupas. John quis ir junto, de modo que ficamos apenas Marcus, Blaise e eu.

Nós três nos vestimos, limpamos e guardamos nossos objetos pessoais, relativamente em silêncio. Eu podia ver que tinha algo no ar. Marcus e Blaise a todo tempo trocavam olhares divertidos, carregados de significado.

- O que foi? – eu perguntei.

- O que foi o que? – Marcus devolveu a pergunta.

- Porque estão trocando olhares e dando risadinhas? – eu quis saber.

- Não é nada. – Blaise falou. – É só que, achamos que a noite foi bastante surpreendente.

- Não esperávamos que Harry Potter fosse assim. – Marcus concordou.

- Assim como? – eu estava começando a me irritar com o rumo daquela conversa.

- Ele anda por aí com toda aquela pose de machão. – Blaise riu. – O Eleito, Herói do mundo mágico, derrotou o Lorde das Trevas...

- E ele literalmente implorou pra que você comesse ele. – Marcus completou, rindo também. – Em alto e bom som, pra quem quisesse ouvir.

- Ninguém nunca disse que eu precisava comer um cu pra derrotar Voldemort. – ouviu-se a voz de Harry Potter, vinda da porta.

Marcus, Blaise e eu nos viramos imediatamente, encarando Harry, que estava em pé com Kim e John ao seu lado. Ele caminhou em nossa direção com o rosto cheio de ressentimento.

- A prova de que uma coisa não tem nada a ver com a outra são vocês, que se acham o máximo por serem dominadores, mas chamam Voldemort de Lorde das Trevas, porque não têm coragem de dizer o nome de um homem que já está morto há mais de cinco anos.

Harry não esperou resposta. Ele se virou e saiu andando na direção da porta.

- Harry. – eu o chamei.

Dei alguns passos para ir atrás dele, mas ele moveu a varinha com tamanha rapidez e precisão que, mesmo de costas, me acertou em cheio, atirando meu corpo pra trás, fazendo com que eu caísse sentado no chão. Quando olhei novamente para porta, ele já tinha ido.

Kim foi atrás dele na sala.

Um silêncio desconfortável tomou conta do cômodo até que Kim retornasse para o quebrar. Eu me sentia atordoado. O que tinha acontecido ali? Em um minuto tudo estava bem. Agora Harry tinha me lançado uma azaração e ido embora?

- Ele foi embora pela rede de Flu. Mandou avisá-lo que não foi pra Mansão e nem pro apartamento. – Kim disse, olhando pra mim. Depois, voltou-se pra Marcus. – Senhor, eu quero ir embora.

Marcus olhou pra Kim, visivelmente incomodado.

- Combinamos que você permaneceria aqui, até que a situação com Kinoss fosse resolvida. – Marcus disse, em tom de quem encerra a questão. – A casa dos seus pais não é totalmente segura, é um bairro trouxa.

- Harry disse que posso ficar com ele. Tenho certeza de que é seguro. – Kim falou.

- Você disse que não sabia onde Harry estava. – Eu acusei.

- Não, eu disse que ele não está na Mansão Malfoy nem no apartamento dele. – Kim sibilou, perdendo a paciência. – Na verdade, eu disse isso porque estava tentando ser gentil. Porque o que Harry de fato falou é que não é para você perder seu tempo procurando por ele nesses lugares porque ele não quer te ver. E ele tem toda razão, depois que você o trouxe aqui para ser humilhado.

- Eu não o trouxe aqui para... – eu comecei a falar.

- Você não vai ficar com Potter. – Marcus disse com raiva, aproximando-se ameaçadoramente de seu submisso.

- Então, senhor, peço encarecidamente que o senhor encontre algum outro lugar seguro para onde eu possa ir ainda hoje. Porque, nesse momento, sinto como se tivesse ultrapassando todos os meus limites emocionais se for obrigado a permanecer na mesma casa que o senhor. – Kim disse, olhando pra baixo, uma lágrima teimando em cair pelo rosto.

- O que tudo isso tem a ver conosco? – Marcus perguntou, mais gentil.

- O senhor e Blaise fizeram questão de humilhar Harry, de se sentir superiores a ele, rir dele porque ele implorou, porque ele se expressou livremente em um momento de entrega com Draco. – Kim disse, com indignação. – Vocês o chamaram aqui, disseram que ele era um amigo, pediram que ele se sentisse a vontade. Harry confiou em vocês e é assim que o tratam?

- Nós não sabíamos que ele estava ouvindo. – Blaise se defendeu.

- E daí? Talvez essa seja a diferença entre sonserinos e grifinórios. É isso que importa pra vocês? Se Harry estava ouvindo? Mesmo que ele jamais ouvisse, nada dava a vocês o direito de dizer essas coisas, porque é horrível. O que alguém gosta ou não, na hora do sexo, não dita as qualidades da pessoa. – a voz de Kim subiu duas oitavas, eu nunca tinha o visto tão alterado. – Harry Potter fez mais pelo mundo mágico do que todo mundo nessa sala junto, e vocês falando dele como se ele fosse uma fraude.

- Vá de uma vez Kim, fique com ele. – Marcus se irritou. – Você fala como se ele fosse uma espécie de Deus.

- E você fala como um ingrato. – Kim respondeu, de cabeça erguida, no mesmo tom, quebrando a relação de dominação e chocando a todos nós, sobretudo Marcus. – Ele me salvou a vida. Você se esqueceu rápido demais... deve ser porque não tem importância.

Kim se foi como Harry, sem olhar pra trás.

Quando só sobramos Blaise, Marcus, eu e John. Blaise se virou para o seu noivo e perguntou:

- Você também vai embora?

- Não, senhor. – John respondeu, em voz baixa. – Mas não se deixe enganar pela minha passividade, eu não gostei nada do que houve. Quando está a sós com seu dominador, todo submisso implora. Ao invés de zombar de Harry por ter tido a coragem de fazer isso na nossa frente, talvez deva se perguntar porque eu nunca confiei o suficiente no senhor para fazer isso em uma cena em grupo. Mesmo depois de tantos anos juntos.

- John... – Zabini estava claramente chateado por ter magoado John.

- Eu vou esperar o senhor na sala de estar. – John avisou. – Gostaria muito que pudéssemos ir pra casa dormir. Estou com dor de cabeça.

- Claro. – Blaise respondeu. – Me dê só um minuto.

Quando John saiu, nós três nos encaramos em clima de derrota.

- Foi três a zero pra eles essa noite. – Blaise disse, abrindo um sorriso triste.

- Até agora eu não entendi o que eu fiz. – eu olhei confuso para meus amigos. – Vocês foram dois babacas, mas eu não disse absolutamente nada. Por que Harry não quer me ver?

- Bom, nós fomos dois babacas. – Blaise respondeu, referindo-se a Marcus e ele próprio. – Ele pode estar chateado porque acha que você o expôs, que o trouxe até aqui para fazer sexo na frente de idiotas imaturos, curiosos com a performance do Menino-Que-Sobreviveu.

- Kim o defendeu como se fosse o namorado dele. – Marcus disse, com certo amargor na voz. – Talvez Potter achasse que você deveria ter feito isso. Quando ele avançou pra nós, nos chamando de covardes e falando sobre Voldemort, talvez ele esperasse que você o apoiasse.

Eu não tinha tido nem reação. Tudo aquilo tinha acontecido rápido demais. Eu só sabia que eu precisava encontrar Harry, mas Harry não queria me encontrar. Eu queria vê-lo, abraça-lo, conversar com ele, esclarecer aquilo. Por Merlin, eu não podia perder Harry por causa de uma palhaçada daquelas, não podia.

- Eu vou atrás dele. – eu me levantei.

- Espere ao menos até amanhã. – Blaise aconselhou. – Dê um tempo para que ele se acalme. Deixe que ele converse com Kim, desabafe sobre o que houve.

- Amanhã vou usar o colar que dei para Kim para ir até ele. – Marcus falou, parecendo estar sentindo dor. – Você pode ir comigo, Draco, afinal ele e Harry estão no mesmo lugar.

- Kim saiu daqui muito decepcionado. – Blaise comentou.

- Ele tomou as dores de Potter de uma forma muito intensa, pareceu pior do que se tivéssemos ofendido ele pessoalmente. – Marcus falou.

- Kim é um jovem da grifinória, que entrou pra Hogwarts quando Harry já era mais velho; ele e seus amigos grifinórios eram crianças quando Harry venceu o Lorde das Trevas. Kim provavelmente cresceu ouvindo histórias sobre Harry, os feitos dele, as aventuras dele. – eu falei. – Pise hoje em Hogwarts e fale com qualquer menino da grifinória, quem você acha que é o herói dele? Kim não é diferente.

- Draco tem razão. – Blaise concordou. – Kim acabou de se formar em Hogwarts, ainda é um menino. Foi salvo por Harry há algumas semanas...

- Além disso, Grifinórios são criados com um forte senso de justiça. – eu continuei. – Nós todos prometemos a Harry que o deixaríamos a vontade. Kim e Harry viram o que aconteceu como uma traição, como um tratamento injusto. E eles tem razão. Eu trouxe Harry hoje para que ele se sentisse bem e agora posso perde-lo por causa de vocês dois.

- Me desculpe, Draco, sinceramente. – Blaise disse, com franqueza. – Eu fui um imbecil. Você tem sido um bom amigo pra mim todos esses anos, certamente não merecia isso. E nem Harry, não tem nada de errado no comportamento dele, ele tem feito você muito feliz.

- Eu me arrependo muito de ter dito o que eu disse. – Marcus admitiu. – Mas aparentemente não é só Draco que corre o risco de perder o submisso hoje. Neste momento, não sei nem onde Kim está. Tudo que sei é que se enfiou em algum canto com Harry Potter.

- Você não está com ciúmes, está Marcus? – Blaise perguntou, perspicaz. – De Harry e Kim.

- É óbvio que estou. – Marcus disse. – Eu sei que eles não estão interessados um pelo outro no sentido amoroso ou sexual. Mas eles pensam parecido, e talvez Potter possa entender Kim de um jeito que eu nunca vou entender.

- Isso se chama amizade. – Blaise apontou. – Ao invés de ficar tão incomodado, você poderia ficar feliz de Kim ter encontrado um amigo em quem pode confiar, alguém que ofereceu abrigo em um momento difícil.

- Você é um herdeiro de uma longa linhagem bruxa, criado por uma família severa, educado nas artes das trevas, assim como eu. – eu disse a Marcus. – Isso deixa marcas numa pessoa. Existem coisas que eu e você entendemos, que Kim e Harry nunca poderão entender. Mas isso não significa que quero namorar você.

- Vocês tem razão. Eu sou um idiota. Afastei Kim, fiz com que ele quebrasse nossa relação, se recusasse a continuar a ser meu. – Marcus apontou. – Preciso reverter isso.

- Precisa também pedir desculpas a Harry. – eu avisei. – Caso você deseje continuar sendo meu amigo.

- Claro, Draco, eu vou fazer isso. – Marcus falou, constrangido.

- O mesmo serve pra você, Blaise. – eu disse.

- Eu faria mesmo que você não pedisse. – ele me garantiu.

Naquela noite eu fui pra casa sozinho, pensando em como um jantar que tinha começado tão bem podia ter dado tão errado, e nos momentos que eu tinha falhado com Harry.

Eu mal consegui dormir, esperando que o dia seguinte chegasse, para que eu pudesse procurar Harry e pedir para que ele me perdoasse. Mas enquanto eu revivia tudo o que Harry Potter já tinha feito por mim, todas as provas de lealdade que ele tinha me dado, eu comecei a pensar no que era preciso para que eu perdoasse a mim mesmo.