Ok, eu queria algo bem fluff, e eu estou numa semana louca e mal tive tempo para postar... meus planos eram terminar essa FIC antes do final season da série. Alguém viu aquilo? Eu simplesmente adorei o cliff-hanger :D
Pelo menos não tivemos a loucura de Arrow e seus malditos finais ...
enfim... :)

Marcy: Ah q isso, pelo menos tem mortes :D... eu precisava acabar de um jeito com cada um desses "demônios" e pá... fácil 8). Kara é muito mole :D
Na temp 3... pq antes ela ñ tinha rancor não. u-u
agora virou essa coisa fresca patricinha do krl... enfim T-T... Eu tô apaixonada com a Kara-baby. Acho que todo mundo está... sinceramente kkk... ela é muito fofa. :3... Mas aqui tem o que você vem me pedindo desde o começo... embora ñ seja para os protagonistas da Terra-38, temos Supercorp :)
E...

bora pra fic :D


LENA ESTAVA INQUIETA.

Colin estava de pé, ao seu lado, Winn digitava distraído no teclado.

Ele tinha a impressão que a nova calmaria não seria muito bem recebida... primeiro porque as coisas que já tinham acontecido ainda estavam em vigor, os problemas sequer foram resolvidos pela metade ou um terço e permaneciam frescos para todos eles quando agora aparentemente tinham tempo para respirar, e literalmente "processar" tudo, havia o novo problema das irmãs Danvers e J'onn ainda convertidos em crianças.

Sem falar em Conner de volta.
Não que isso fosse um problema, era só... bem, Lena inquieta não era sem razão...

Faziam dez minutos que Conner tinha saído... e Lena continuava andando vez ou outra de um lado para o outro, ela parava pensativa, observava ou fazia algo aleatório, sua atenção nunca inteiramente naquilo... e repetia. De alguma forma, pelo menos, se distraíra com Alex e a bebê Kara que chamavam sua atenção para algo trivial ou não. Até mesmo M'gann, Winn ou J'onn a tiravam daquele breve olhar perdido, do estupor qual ela estava fingindo se concentrar em algo específico, então tinha também a equipe do DEO que continuava carregando caixas e mais caixas para o laboratório da L-Corp e ainda ajudando-os a organizar a bagunça recente.

Colin podia ter a impressão que Lena acabaria fazendo um quarto do pânico para ela mesma ali apenas para não perder tempo indo para casa se trocar... se este já não existisse. As únicas vezes em que iam para casa, era no fim do dia, e ele realmente precisava de férias. Oh, essas seriam bem-vindas, e mesmo que tivesse que arrastar sua namorada eles tirariam umas... bem, ele não se importava.

Ao contrário, até pediria um bracelete de contenção assim que J'onn J'onnzz voltasse ao normal para bloquear seus poderes e os dela e então sequestrá-la se preciso... talvez Alex o ajudasse. Ela definitivamente não veria problema em fazer Lena descansar, talvez transformasse isso em solução.

-Ei... - Ele segurou seu antebraço não conseguindo mais se concentrar em nada além dela, zanzando pelo espaço aparentemente perdida em pensamentos. Colin a observou respirar fundo e levantar o olhar apertado para fitá-lo, seus verdes brilhando de impaciência. Ainda assim, ele perguntou tranquilamente - Você está bem?

-O que?

-Perguntei se está bem... - pelo menos quando desceu o toque por seus ombros, de alguma forma ela relaxou e desviou o olhar do dele prendendo-se em Kara e Alex a distância. Elas tinham se sentado para prestar atenção em uma narrativa de M'gann. Parecia que ela estava contando uma história, eram os únicos momentos que Kara realmente parava. - Você está?

-Eu não sei... - Quando ela disse isso, Colin viu a careta que Lena fez, e finalmente a maneira como o fitou sorrindo sem nenhum humor - Eu não... estou... conseguindo pensar muito bem...

-Tente parar um pouco - Sugeriu.

Lena riu agora. Breve e um pouco eufórico.
Ele viu Alex pela visão periférica observando-os, então sua atenção de volta a Marciana.

-Isso seria bom... infelizmente não-possível.

-Apenas tente... sim? - Ele apanhou suas mãos nas dele e ela abaixou a cabeça, a tensão não tinha sumido e Lena franziu o cenho.

-Eu não... - Ela olhou para a sala vazia onde era o quarto improvisado de Conner, ele mantinha a maior parte de seus brinquedos ali, já que nos últimos meses em que estivera com Lena, o DEO era onde passavam o maior tempo de suas vidas, fazendo todos os testes e verificações no pequeno, e acabou se transformando em um espaço para ele... os LEGOS espalhados, os brinquedos, as risadas... era tudo ali.

Agora... desde a batalha, era apenas a mesma sala vazia, os vidros e a mesa e poltrona abandonadas.

-Tudo bem... - Colin soltou suas mãos levando-as em seus ombros e direcionando-a para longe - Venha...

-Colin-

Ele abraçou sua cintura e a puxou de lado virando-se para Winn brevemente, o TI estava sentado diante do teclado em sua mesa.

-Winn, Lena e eu estamos saindo por um momento...!

-O que... - o agente perguntou surpreso e confuso - Agora!?

-Agora. - Respondeu prontamente, Winn arqueou as sobrancelhas e ele continuou direcionando-a em direção a sacada ignorando qualquer sugestão de que não seria uma boa ideia. Lena estava prestes a discutir, só que ele a cortou - Um momento. Sem discussões, Lena.

-Keith...

-Não, Luthor. Vamos... - Colin viu Maggie na entrada que estava de costas para eles, Ruby no telefone no corredor aparentemente aguardando-a, a detetive lhes deu um aceno de cabeça, ela carregava algumas sacolas provavelmente de comida, pois Ruby acenou-lhe freneticamente e sorriu, o mesmo olhar faminto que Kara normalmente tinha e quando passaram, ele continuou andando com Lena para longe.

-Colin isso apenas vai atrasar meu trabalho... Conner disse que estaria de volta em breve...

Eles chegaram no segundo andar, tomando uma sala da direita, e fechando a porta.
Era o laboratório de Alex. Normalmente não tinha ninguém ali, a não ser que um teste fosse necessário, e como era o espaço de Alex, realmente ninguém ia para lá. Colin fechou a porta por um momento desejando que fosse uma parede sólida e não vidro, pelo menos ninguém podia ouvir o que falavam, e ele se virou escorando na mesa e puxando uma cadeira para ela na ponta e indicando para que se sentasse.

Lena não o fez, teimosamente, ela bufou e cruzou os braços diante do corpo.

-Conner. Vamos falar sobre ele. - ele ofereceu.

-Falar o que?

-Não sei, o que você quer falar? - Foi rápido, em um momento, a confusão cruzou seu rosto bonito, depois a descrença que fora substituída pela raiva. Em cada piscar, um humor diferente. Colin esperou - Pode começar quando quiser.

-Isso não tem graça. - Ela bufou - Estamos correndo contra o tempo, ok...? Isso-

-Não. Não há mais corridas contra o tempo - Colin disse calmamente embora sentisse uma raiva em seu peito também, mas era um reflexo da dela, ele sentia-se irritado também... por ela. Não precisava ser expert para ver o quanto as coisas aconteciam injustamente com Lena, rápido demais para processar nos últimos dias, e ele não gostaria de mais nada além de literalmente teletransportá-los para longe... Paris, Irlanda... Inglaterra. Qualquer lugar, e não pensar em nada... além de estar com ela, em nada além de realmente fazê-la esquecer todos os problemas... de vê-la plenamente feliz - A pedra está em nossa posse, Darkseid permanece preso na Zona Fantasma, Reign e Conner escaparam... esta última está morta agora, ela não é mais um problema.

-Bem, e o que você quer ouvir? O que você quer que eu diga, Colin? Eu ainda perdi toda a vida dele... Eu prometi que estaria sempre lá, eu jurei para ele todos os dias que não o abandonaria, Conner é minha família. E eu tenho que concordar com esse buraco na nossa história, aceitar que ele vá parar na Zona Fantasma com quatro anos e agora volte doze anos depois...? Isso não... É justo.

Colin a observou, ele viu seu queixo estremecer, seus olhos brilharem e como se percebesse que realmente desabafara em voz alta em dor e sofrimento que estava mantendo guardado, a preocupação que a corroera tanto e ainda o fazia mesmo agora que seu filho voltara, e ela tomou uma respiração longa e fechou os olhos.

Ele suspirou abraçando-a.

Lena afundou o rosto em seu ombro e ficou ali algum tempo. Colin não disse nada, nem ela. Ele apenas ofereceu aquele abraço aquele carinho que esperava que a consolasse. Que desejava que a permitisse aceitar a realidade e ver o que ela significava... especialmente sobre Conner.
Mesmo que ele quisesse também mudar o que houve, mesmo que tudo ainda continuasse uma bagunça... ele sabia o quanto ela estava grata em tê-lo de volta, mas perder o tempo que prometera jamais estar longe dele...
... isso a feria tanto... que talvez nem mesmo ela compartilhasse metade desse sentimento com ele.

-Está tudo bem ficar com raiva, Lee... - ele disse suavemente contra seu cabelo sentindo-a apertá-lo um pouco mais.

Foram pelo menos dez segundos calada até que ela disse.

-Eu não estou com raiva, Colin... estou furiosa. Isso... está acontecendo de novo, e eu tenho que aceitar as consequências - ela desabafou fazendo-o simpatizar com isso, era como Lex e até mesmo Lillian outra vez, era como Lena se sentia, incapaz... e isso doía, ao menos com Conner, o Loki lhe dissera que ela tinha que aceitar as consequências, e o quanto seria penoso para ela... só que isso também não tornava menos, ao contrário - De novo e de novo, é colocado diante de mim algo que eu simplesmente tenho que concordar com... quando eu devia poder escolher... quando eu também tinha o direito de opinar e não... - Ele a apertou um pouco mais sabendo o que isso significava, mesmo que ela não falasse para ele, Lena nunca faria isso, mas ela não precisava. - Não é justo...

-Me desculpe...

-Não é culpa sua.

-Na minha escolha... é sim. - Lena se afastou para fitá-lo confusa por um momento e Colin suspirou - Eu nunca quis colocá-la de lado antes, Lena... eu queria apenas me adaptar a viver sem você como antes tinha acontecido... porque mesmo não tendo-a comigo, você estava viva... e aceitar que é assim que devia ser, só que eu não podia... eu nunca pude realmente me distanciar como eu deveria, e eu sinto muito por isso.

-Você sabia que eu repetiria aquele mesmo erro, Colin... Como Morrigan...

-Não é verdade. Nem você nem eu, poderíamos saber disso... - ele a viu assentir incerta e a abraçou de novo - Só que vamos fazer diferente dessa vez, eu prometo...

Lena não respondeu, mas ele a sentiu concordar com a cabeça. O som de passos, o fez levantar a cabeça ainda sem soltá-la. Alex olhou para os dois, apertou as sobrancelhas e apenas quando falou o nome de Lena, que colocou aquela familiar máscara de despreocupação e se virou para ela, o sorriso e o olhar firme.

-Oi querida... - Lena cumprimentou só agora notando que ela não estava sozinha. - Clark?

-Oi... Lena. Sr. Keith... - O Superman sorriu vergonhosamente, ele parecia calmo, e também um pouco com o tímido jornalista do Planeta Diário. - Desculpem a interrupção... Está tudo bem?

-Sim. - Disse Colin. - Conner já voltou?

-Ainda não - não era surpresa que ele já soubesse que o garoto regressara afinal, Lena explicou-lhe isso há alguns minutos pelo telefone, e olhou para a mesma - você... Podemos conversar?

-Claro - Ela respondeu olhando-o e virou-se para Alex - Kara e J'onn estão bem?

-Sim... Uh...

-Você pode falar... - Ela ofereceu, e Colin também não fez menção de sair, nem mesmo Alex - está tudo bem.

-Tudo bem... acho que Cat sabe...

-O que? - a postura de Lena mudou, ela olhou de novo para Clark que respirou fundo assentindo, ele levou as mãos aos bolsos e relaxou os ombros um pouco parecendo ainda preocupado.

-Eu estava falando com ela antes e decidi vir aqui, pedi que Alex me trouxesse aqui para conversarmos... precisamos falar com Cat.

-E... onde Cat está agora?

-Lá em cima no seu escritório com James... ele e Winn estão tentando... enrolá-la.

-Winn Schoott e James Olsen são a definição de como-não-enrolar-Cat-Grant - Disse Colin vendo o olhar apreciativo de Lena e até mesmo Alex concordou com a cabeça efusivamente. Clark suspirou, eles falaram com Lois Lane sobre o retorno de Conner antes dele, pois Clark estava com um amigo em Gotham resolvendo problemas até que ao chegar, sua noiva pediu que conversasse com a Luthor pessoalmente e... foi estranho, Colin podia sentir a tensão que Lena emanou durante toda a conversa com a jornalista no telefone e então o jornalista ao vivo no DEO como Superman, e sabia por alto que todos eles se conheceram quando mais jovens, ainda quando Lex era menos "complicado" que agora.

E quando o único problema "vilanesco" deles que Alex se referiu seria Darkseid atualmente - e ainda preso na Zona Fantasma - e um Conner adolescente solto por aí, parece que agora também tinha Cat Grant...

-Tudo bem... - Lena tomou uma breve respiração virando-se para Colin - mantenha Alexandra aqui, você pode explicar para Clark sobre Karen e sua... Amiga? - ela apertou o olhar para a própria constatação e depois sorriu - Eu vou subir e falar com Cat Grant.

-Posso falar com Cat... - Disse Clark - nos conhecemos.

Lena sorriu suavemente.

-Melhor não - Disse ela sem rodeios. Colin conhecia muito bem Cat. Realmente seria ruim falar com ela se soubesse a identidade real de Kara... Além do que, era um passo até Clark e pelos deuses, a mulher era a "rainha da mídia" então era melhor uma CEO falar com a outra e ele sabia que a abordagem de Lena era bem mais sutil que James, Winn e principalmente Clark. - Não queremos um ataque de pânico, apenas uma conversa. Preciso saber o que ela quer com isso e por que agora. Colin se ele voltar, você pode me chamar?

Conner.

-Claro - Ele respondeu vendo-a agradecer com um olhar.

-Espera... do que está falando sobre por que agora? - Clark perguntou.

Lena o fitou.

-Você realmente acreditou que durante todo esse tempo que Kara trabalhou para Cat, ela nunca soubesse...? Sequer suspeitasse que ela é a Supergirl?!

-Uh... você está falando sério? - Lena lhe deu o olhar, ele parecia realmente pensativo sobre isso, e incerto - Olha, Lena... eu não sei - E franziu o cenho - Kara foi bem escondendo sua identidade por muito tempo... você realmente acha que Cat sabe...?

Colin riu baixo, e Lena arqueou a sobrancelha.
Ponto crítico... ok.

-Infelizmente eu não duvido... - ela suspirou - Principalmente desde quando Kara salvou a mim e Mon-El da nave daxamita com minha mãe... Cat foi bem específica, além do mais, Kara disse a ela que tinha o namorado e a melhor amiga lá em cima.

-Oh...

-Pois é.

-Lena? - Alex a chamou - Acho que Cat está brava por causa do Adam...

Lena assentiu não era surpresa que ela tenha visto Alex também, e provavelmente estava literalmente depenando Winn e James em seu escritório agora.
Alex sorriu suavemente.

-Eu vou falar com ela, ok? - Lena disse suavemente.

-E vai ficar tudo bem? - Alex entoou incerta.

-Sim. - Lena ofereceu séria e segura.

-Ok... - era bom ter essa versão crente de Alex agora, Lena tocou seu rosto infantil e ela lhe deu um sorriso suave, ela segurou sua mão lhe dando um breve abraço e parecendo realmente contente.

-Mas Lena... o que a gente faz depois...? Com... o filho dela... o você-sabe-quem - Colin sorriu.

Elas estavam falando de novo sobre Adam.

-Como assim? - Perguntou Clark para Alex, e Colin a viu levantar as sobrancelhas para a pequena significativamente.

Lena assentiu pensativa.
Ela parecia relaxada e ao mesmo tempo preocupada.
Mil pensamentos rondando sua mente agora.

-Podemos ver isso depois, eu e você... talvez usar algumas cordas de Kriptonita, colocá-los em um elevador e desligar a energia...

Alexandra sorriu lentamente.

-Eu gostei.

-Lena? - Clark perguntou confuso e preocupado, e ela pareceu se lembrar que ele estava ali.

Colin segurou o sorriso enquanto Alex explicava:

-Adam e Kara estão saindo, na verdade ele chama ela para sair, eles fazem isso, só que os dois ainda não... uh... b-e-i-j-o...

-Beijaram, querida... - Lena disse soletrando.

-É uma palavra grande - Alex lamentou fazendo-os rir.

-Ok, eu prometo que assim que tivermos sua irmã e você e J'onn de volta ao normal, vamos arrastá-la para um encontro real com Adam, e além. Ok?

-Bem além?

-Sim.

-Promete mesmo?

-Sim. Te dou minha palavra.

-Ok.

-Lena - Clark fez uma careta provavelmente ao duplo sentido e ela o fitou.

-Eca... - Lamentou Alex finalmente fazendo a conta - Lee... isso é nojento.

Colin sorriu.

-Lena - Clark repetiu consternado e ela lhe arqueou a sobrancelha.

-O que? Um encontro, Sr. Kent. Você por acaso não sabe o que acontece ao fim de um encontro...? - Ele franziu o cenho e Lena se virou para Alex. - Alex você poderia soletrar isso por favor? Diga a Clark o que acontece ao fim de um encontro. O casal...

-Ah... uh... B-e-i-j-o - ela esclareceu como se fosse um segredo então fez uma careta engraçada - Eca. Nojento. N-o... jento.

Lena riu balançando a cabeça Colin a acompanhou.

-Vê? - Lena disse a Clark que sorria e virando-se para Colin uma vez mais e ele sorriu quando sentiu seus lábios nos dele - Beijo - ela sussurrou fitando-o, mas ele viu a promessa pessoal no brilho em seu olhar - Certo Alex?

-Nojento, Lena... namorar é nojento - entoou Alex olhando-os com uma careta.

Clark arqueou a sobrancelha parecendo incrédulo e dramaticamente, mas riu levantando as mãos para o alto em sinal de rendição.
Lena deu outro selinho em Colin e Alex lamentou de novo. Sem nenhuma convicção ela entoou junto com Clark:

-Parem com isso...

-É... é nojento - Disse o Superman.

-Ok, estou saindo agora... - Disse ela se afastando e sorrindo para Alexandra que lhe mostrou a língua recebendo infantilmente o mesmo gesto da Luthor de volta.


Uma hora antes...
Lena-15

LENA APERTOU O OLHAR PARA OBSERVÁ-LA.

Era como uma sensação de dejá-vú.

Ela ainda se lembrava da forma abrupta que elas foram interrompidas há duas semanas por Reign, se não fosse Conner... ela não estaria viva agora, também se não fosse seu pai... ela não estaria viva agora. Reign conseguiu matá-lo e ele a impediu de alcançá-la usando sua armadura em Lena e enviando-a para outra dimensão... a Terra-38. Lembrar-se de seu corpo caindo para o chão frio e sem vida a fazia se arrepiar... Karen lhe explicou o que acontecera, ela chorara pelo pai que sequer teve a chance de ter de novo em sua vida, mas ele disse que morrera feliz por conseguir protegê-la, e não soube quanto tempo ficou abraçada a Karen quando ela a encontrou, apenas perguntando-lhe sobre o viajante, a mesma lhe disse que ele era Conner Luthor. Filho adotivo de Lena... e Colin Keith seu namorado da Lua Cinzenta que morrera com Krypton no dia da explosão... ela soube tudo o que eles e seu pai fizeram nos últimos meses por Lena nessa terra e sua irmã, protegendo-a de Bondade e ajudando seu namorado... namorado.

Era tão estranho saber que uma outra versão de si mesma conhecera um cara de outro planeta...
... quando tinha uma garota... como Kara Zor-El.

...

E ver a mesma sentada na areia observando a água, Lena encarando-a e esperando que ela respondesse ou ao menos se mexesse, ainda usando o traje da Supergirl, sua expressão era fria e concentrada... e apenas por reflexo, Lena virou o rosto para acompanhar o que ela via, procurar o que tinha tanto sua atenção, mas falhou em encontrar. Talvez ela estivesse focada em alguma vida marinha... ou talvez apenas o bater das ondas, ou simplesmente nada...

Voltando-se então a se concentrar nela... Lena respirou.

A mesma imagem de Conner no dia em que o conheceu, voltou a sua mente. Reign tinha acabado de encontrá-la, e não era eufemismo quando Lena diria que seus olhos brilharam, embora ela pudesse ouvir a voz de Karen de algum lugar, e pedir silenciosamente que ela conseguisse chegar em tempo, Lena nem teve tempo de piscar, quando alguma coisa voou na direção da sua atacante, o impacto lançando-se com ela para longe, para que mãos a pegassem no ar e colocassem-na no chão e as costas dele se fizessem a sua frente, e ela estava prestes a agradecer a Powergirl quando finalmente um par de olhos verdes encontraram os seus, o cabelo desgrenhado, ele usava traje todo negro colado ao corpo que definiam seus músculos, aparentemente parecia ter entre uns dezessete a vinte anos, as marcações no traje eram como as do novo Superman, ele não tinha uma capa, e as linhas da costura vermelhas com o S envolto no escudo em seu centro a confundiram um pouco, ela estava familiarizada com o kriptoniano, mas não seu significado daquilo e ele sorriu para ela claramente ciente de que o perímetro estava seguro e sussurrou em bom inglês:

"Oh Rao... você... você é real..." - Lena notou que ele não a tinha apenas os afastado de Reign, ele parecia tê-los teletransportado para longe e ela notou que estava no DEO agora de frente para ela, prestes a dar um passo em sua direção e provavelmente tocá-la, mas Karen tinha voado até ali em uma velocidade surpreendente, já atingindo-o ou tentando com um soco em seu rosto, pois ele a segurou, o olhar apertado em concentração e a postura vacilando um pouco para trás, o estrondo audível criando uma pequena onda em torno deles que bagunçou os cabelos de Lena e antes já tendo alertado os agentes, agora até mesmo o capitão e a diretora que vinha com o olhar para a comoção ali, e ela só podia ver a capa de Karen ondulando diante de si... mas o garoto apertou um pouco o olhar e sorriu suavemente para a mesma soltando sua mão com cuidado até que ela pareceu se acalmar, ainda que não tenha se movido um centímetro sequer permitindo a ele a visão de Lena em seu campo "Olá Kara Zor-El" Depois daí... era tudo um borrão.

"Quem é você?" Karen perguntou, a mão para trás que Lena apanhou apertando a palma e correndo o dedo pelas costas da mesma em um toque tranquilizante e sentindo-a relaxar um pouco.

"Como você um filho de Krypton... um herdeiro de Krypton" Disse ele angulando a cabeça suavemente, um sorriso maroto que de alguma forma, fez a mente de Lena clicar, infelizmente ela não reconheceu aquilo, embora sentisse a familiaridade do mesmo "Eu sou Kon..."

...

Ela se sentiu presa em um inferno particular... o mundo girando estranhamente a sua volta, quando foram para aquele novo universo até finalmente ver duas versões de Kara Zor-El que já estava familiarizada com diante de si, a que já conhecia em seu traje branco e a outra em seu traje azul e vermelho, o mesmo símbolo do viajante Kon em seu peito... e a mesma pessoa que tentou matá-la antes tirando-lhe seu pai, Reign quase finalmente.

Foi um sufoco...

... mas elas estavam a salvo.
Não estavam?

-Kara? - Karen normalmente não gostava de ser chamada por seu nome Kriptoniano. Ela disse que tinha "morrido" junto com os seus em seu planeta há um éon atrás, e quando Cat Grant a adotou como filha, assumindo-a como Karen Grant, ela passou a aceitar que poderia ser Karen em tempo integral... e que gostava mais assim, exceto quando estava em seu traje para se apresentar com um nome diferente, e embora ela não usasse a Powergirl agora... ela ainda estava... "super".

Andando até parar ao seu lado, Lena agachou ficando diante dela.
Karen piscou encontrando seu olhar.

-Eu sinto muito eu... - Karen tomou uma respiração profunda levantando a mão e apertando o olhar, Lena percebeu que ela estava evitando encará-la, e com o próprio cenho franzido, ela segurou suas mãos assustando-se com a maneira qual ela se afastou, ficando de pé e andando alguns passos para trás alarmada. Para longe... dela. - Lena... você... você não devia...

-Está tudo bem...

-Eu a matei, sem nem mesmo piscar... você não... pare.

Ela obedeceu não querendo mandá-la para longe, desejando que ela não fugisse e a largasse ali. Lena respirou fundo as mãos para cima acalmando-a, e Karen a olhava intensamente, como se o mínimo movimento fosse obrigá-la a fugir... dela.

-Reign foi separada de seu alter ego, o que você destruiu... foi algo que sequer tinha mais uma alma...

Mas Kara a olhou como se nela tivesse crescido uma segunda cabeça, balançando a própria em uma negativa.
Não era como se ela não precisasse matar antes, só que agora... foi a sangue frio, e Lena sabia... Lena entendia.
Infelizmente para uma kriptoniana, Kara parecia estar tendo algum tipo de ataque de pânico...

-Você devia ficar longe... - Lena sabia que nunca poderia ser rápida o suficiente, e na verdade, ela mesma não entendia como, mas conseguiu alcançá-la, era incômodo andar na areia usando coturnos, e ela fez isso em um passo ainda mais lento do que gostaria, até finalmente parar diante de Karen e tomá-la em um abraço circulando seus ombros e sentindo-a ainda mais ereta e surpresa para o gesto... assustada, pois Karen estremeceu.

-Não se atreva... a ir embora - Lena a apertou contra si mantendo-a ali.

-Lena... - ela se afastou para fitá-la, ciente de que talvez esse fosse um movimento errático. Definitivamente, tocar em alguém que estava tendo um ataque de pânico, era algo muito errado, e mantendo a mão no pulso de Karen, ela ofereceu apontando ao redor.

-Quero que olhe a sua volta, e me diga cinco coisas que você consegue nomear. Cinco coisas diferentes... - Ela citou sua própria maneira de abrandar seus ataques de pânico, lembrando-se de quando sentira-se assim a última vez, estava próxima a tantas pessoas, foi Karen quem a acalmou, pedindo-lhe para concentrar-se em sua voz, a mão dela presa na sua, a maneira como ela a tirou daquele lugar com calma levando-a para a sacada e Lena começou a nomear prédios, o céu, o encosto de metal da sacada, o vestido e por fim... os olhos de Karen. - Vamos... faça isso.

-Areia... - disse ela escorando para sua surpresa puxando-a de volta para um abraço e escorando a cabeça em seu pescoço, Lena esperou - Uh... mar, conchas... espuma...

-A espuma e o mar meio que são a mesma coisa...

-Não é verdade, a espuma é branca, a água não... - Lena riu.

-Estão no mesmo estado, Karen.

-Você disse para nomear... e não - ela a sentiu se afastar, sua expressão era mais calma agora - e por último... Verde-mar...

-Você já falou sobre a água... - Ela disse sorrindo e apertando a mão em punho para não tocar seu rosto.

-Estou falando dos seus olhos agora... posso te abraçar de novo? - Lena sorriu abrindo os braços e esperando que ela viesse até ela. Karen colidiu contra seu corpo em um baixo exercimento de força levando-a para trás uns dois passos, e tomou uma longa respiração e escondeu o rosto em sua clavícula - Eu a matei... sem nem mesmo pensar. Nem hesitar... as vezes saber o que eu posso fazer, imaginar fazendo... e realmente ter esse poder... é assustador. - Confessou ela.

-Eu sei... - Lena a apertou de volta contra si, a mão em seu cabelo brincando com uma mecha loira - Eu sinto muito...

-Eu não... - Finalmente estava lá, e com essa declaração, a voz em um tremor, Karen a apertou um pouco mais - Eu não sinto, porque se eu não tivesse feito... ela teria matado você... Kon te protegeu antes, Lex te protegeu antes, mas... eu não... eu não posso perder você.

-Karen eu estou aqui.

-Você está...

-Está tudo bem.

-Não... eu não... - Ela a sentiu pressionar um pouco as mãos em suas costas e a testa em seu ombro e respirando ali. Lena tentou em vão ignorar as sensações e o arrepio que se espalhou por sua coluna. Isso era muito errado... - Não está... - Ela finalmente a olhou, e por um momento, seus olhos se suavizaram um pouco - Você sabe por que, não é...? Você sente também...

Lena hesitou.

-Eu não posso dizer o que sinto e basear que é o mesmo que você... - disse ela sinceramente e sua mão tinha vida própria, pois subiu para o rosto de Karen deslizando por seu queixo definido e parando em sua mandíbula - Eu estive sozinha praticamente toda a minha vida... Krypto apareceu para me fazer companhia quando pensei que nunca mais veria ninguém no mundo em que estava... e então... eu vim para cá... e conheci você... - Lena admitiu novamente, pois antes elas tinham sido interrompidas por Reign e agora, esperava que pudesse falar tudo o que precisava. Esclarecesse tudo, pois se sentia como uma colegial com Karen, a proximidade que veio aos poucos, então os abraços que ela acabou se acostumando, a maneira como ela sempre tinha uma desculpa para tocá-la, fosse para chamar sua atenção, fosse para direcioná-la para algum lugar, fosse para apenas... tocar. E ela respirou fundo, podia sentir seu coração martelando em seu peito - E às vezes eu tenho medo de apenas estar sendo uma idiota porque... é tão fácil apaixonar por você Karen Grant... só que eu nunca entenderia como você... poderia se apaixonar por mim.

Ela viu aqueles olhos azuis brilharem, uma reação que de alguma forma, Lena esperava... e isso a fez sentir-se quente, ao mesmo tempo em que as borboletas em seu estômago enlouqueciam. Mas ela já tinha dito... e não iria parar agora. Não mais.

-Você já se olhou no espelho ultimamente...? - Devolveu Karen com simplicidade, mas Lena sorriu ignorando o rubor em seu rosto.

-Tecnicamente eu já... e hoje por vários ângulos possíveis e sem espelho, e foi esquisito pra caramba... - Ela disse isso em tom de brincadeira, e viu o olhar de Karen se suavizar um pouco - Karen eu... eu não sou ela. - Disse vendo primeiro uma pequena confusão e então compreensão em seu rosto, antes que ela a cortasse, Lena continuou - Eu não sou a Lena dessa terra, podemos ter o mesmo rosto, a mesma mania impassiva, mas eu... eu não sou-

-Eu não quero que você seja ninguém - Karen a parou antes que Lena pudesse continuar -... além de você mesma. Embora eu pudesse me apaixonar por todas as suas versões em todos os multiversos... você... é a única que eu vou amar, Lena... você.

Ela não conseguiu mais esperar. Puxando-a para si agarrando as bordas de seu traje de Supergirl, Lena respirou fundo e pressionou os lábios nos dela, os de Karen lógico que eram quentes, ela entreabriu os próprios fechando os olhos e saboreando seu gosto, finalmente sentindo as mãos de Karen ainda que hesitantes em sua cintura, pedindo permissão com a língua, Lena vibrou quando esta lhe foi concedida, e o beijo se transformou em algo quente tirando seu fôlego, elas se separaram apenas quando o ar foi necessário, Lena estava sorrindo até finalmente encontrar os olhos azuis de Karen ainda sérios encarando-a.

-Você é o meu mundo, Lena... e eu não sei como pude viver nele sem você...

Ela segurou os dois lados de seu rosto, tocando sua testa na dela e respirou fundo.

-Você não tem que fazer isso sozinha mais, e nem eu... - apanhando sua mão, mesmo que ela soubesse que Karen não precisava, Lena a colocou sob seu peito em seu coração fazendo-a registrar as batidas erráticas do mesmo. Ela queria que ela ouvisse-a de todas as maneiras possíveis - Karen Grant... Kara Zor-El... Powergirl. Quando vim para esse mundo, você me ensinou que eu poderia encontrar um motivo para viver... é você. Eu sei que não sou invencível, que não posso controlar o que acontece, quando ou o que... mas... eu prometo que vou tentar com tudo o que tenho para isso... para continuar sempre voltando para você... porque eu te amo... tanto.

Seus olhos brilharam, e ela respirou fundo sentindo-a abraçá-la de novo, mais calma e mais suave, e não menos significativo.
Karen se afastou olhando em seus olhos.

-Eu amo você também... - disse ela baixinho e a beijou de novo, Lena a sentiu sorrir contra sua boca, e a abraçou pelo pescoço fechando os olhos quando Karen aprofundou o beijo vendo-a enrijecer e angular a cabeça para a esquerda.

-O que foi...?

-Pessoas, acho que alguém nos viu aqui...

Talvez não tenha sido muito boa ideia virem para a praia mais próxima... e vendo dali, ela reconheceu Michigan.
Pelo menos era bom não ter que redecorar o mapa mundi... ao menos... não completamente.

-Eu conheço um lugar que podemos ficar mais tranquilas e sozinhas... - Lena sugeriu vendo-a se virar para fitá-la agora, as mãos presas nas suas que apertara. Ela arqueou a sobrancelha - Entretanto, devíamos te arrumar alguma roupa, eu acho que eles poderiam reconhecer o traje da Supergirl de longe, e uma praia, embora romântico para nosso primeiro beijo... não é realmente deserta.

-Eu não me importo... - Disse Karen puxando-a para si em outro beijo e foi a vez de Lena rir.

.

Ela estava assistindo a televisão em um café, o cabelo mesmo solto usando óculos escuros e um moletom de capuz. Karen acabava de entrar, ela usava um par de óculos de grau e uma blusa social cinzenta e saia. Sorrindo-lhe, ela sentou ao seu lado e Lena escorou a cabeça em seu ombro. Sua versão da Terra-38 estava prestes a começar um discurso, havia todo uma multidão reunida na sede da L-Corp, e pela milésima vez, Lena se perguntou como seria estar no lugar dela... era uma versão de si mesma que tinha tido uma história e vida diferentes, uma visão diferente, e agora abraçada a Karen, em um restaurante de outra terra, finalmente tendo-lhe assumido seus sentimentos, ela nunca quis tanto ser ninguém... além de si mesma.

-Você quer alguma coisa...? - Karen sussurrou contra seu cabelo.

-Eu adoraria um chocolate quente... - disse ela.

Com um sorriso, Karen ficou de pé e foi para o balcão preparar os pedidos, ela observou a outra Lena confiante preparar-se para a declaração, seus olhos atentos a todos os presentes, a maneira como ela aparentava estar relaxada diante dos holofotes, mas podia ver seu nervosismo... reconhecê-lo. Kara desta terra tinha sido transformada em um bebê, enquanto a luta contra Reign acontecera, e eles ainda buscavam uma solução, ela e Karen precisavam de um tempo, e Lena começou seu discurso fazendo uma piada sobre o tempo em que o jornalista levou para começar a atacá-la sobre o desaparecimento de Supergirl depois de matar Reign, ou quem quer que fosse. Lena a defendeu, dizendo que ela salvou a cidade, e que Reign era uma ameaça sem coração e alma notando a figura distante de Karen no balcão que mesmo de costas, ela podia ver sua postura, ela sorriu para si mesma contente que embora tão diferentes nessa e sua própria persona, ela e Lena tinham personalidades e sentimentos idênticos... e esperou a narrativa sobre o desaparecimento da Supergirl uma discussão, até mesmo a realidade de que ela estava com maiores problemas, mas isso não veio...

... a conferência foi interrompida de forma abrupta, Lena tirada do palco por algum tipo de borrão, os fotógrafos e jornalistas falando todos ao mesmo tempo enlouquecidos com a falta de informação, e então a imagem da câmera foi cortada, ela levantou a cabeça ouvindo os murmúrios a sua volta e encontrando o olhar preocupado de Karen que encarava a tela confusa, os copos em mãos.

-Vai - Lena sussurrou e ela piscou sentindo algo quente tocar sua bochecha e os copos sendo depositados diante de si na mesma, um deles vazio. Levantando de novo o olhar para a TV enquanto pegava seu chocolate quente, a única coisa que Lena poderia fazer era esperar.

Então alguém no café chamou sua atenção dizendo:

-Ei, está ao vivo... olha lá em cima...

E lá estava, no mesmo canal, uma imagem exibida por celular, a figura masculina usando um traje negro e carregando Lena Luthor desta terra sob o terraço da L-Corp. Ela sentiu seu coração falhar uma batida. Ele estava vivo. Era ele, só podia ser, mesmo que aparentemente com as roupas tão maltratadas, o cabelo desgrenhado, ela nunca esquecia um rosto.

A imagem dos dois estava um pouco embaçada e fora de foco, e lentamente, ele desceu para o chão do terraço com ela...

"Oh Rao... é realmente você" A voz de Kon ecoou em sua cabeça, a declaração aberta, a maneira como ele a olhara... quase em adoração, a forma como ela o pegava espiando-a e então ele abaixava a cabeça desviando o olhar e até mesmo se desculpando. Quando Lena finalmente o confrontou, ele lhe confessou que eles eram próximos, e que ele pertencia a outro tempo... outra terra.

Ela só não sabia que a mesma terra que conhecera Karen meses antes dela própria...

-Um kriptoniano, não parece o Superman, aparenta ser mais jovem e usa roupas diferentes, mas não acho que seria surpresa que eles revelem alguma pendência com um Luthor - Disse uma mulher a sua esquerda como se cuspisse seu sobrenome, Lena pensou em protestar e talvez até socá-la na melhor das hipóteses, mas provavelmente fosse estranho ter alguém olhando para ela atentamente, pois poderiam compará-la com a Lena daqui... e isso não era um adicional que a mesma precisasse.

Em nenhum mundo.

-Não é o que parece, ou ele a teria machucado ou ameaçado... mas vejam... - Falou uma outra garota mais jovem, ela tinha cabelo ruivo e apertava os olhos claros para a tela - Ele está ali, apenas segurando-a... só... olhando para ela.

-Sim... - Disse uma mais velha a seu lado, ela tinha cabelos castanhos, mas olhos iguais aos da outra.

Pareciam mãe e filha.

E era verdade, quando o garoto finalmente desceu com ela para o terraço devagar, a imagem foi cortada, e ela podia ouvir os aparelhos eletrônicos a sua volta vibrando e a noticia ao vivo sobre o evento uma pobre narrativa do jornalista sobre o que eles tinham de visual da conversa, então os agentes do DEO entraram em ação e qualquer comunicação próxima dos dois fora interrompida.

Lena não precisou de um último vislumbre, também em qualquer terra, ela poderia reconhecê-lo...
... o viajante. Seu herói adolescente e kritponiano...

Kon-El, o Superboy.

"É importante para você...? Essa outra... versão de mim?"

Ele apenas lhe deu um olhar carregado, e respirou fundo.

"Eu não quis deixar você desconfortável... desculpe por isso" Kon ofereceu sinceramente "É só que... eu esperei tanto para vê-la de novo, mesmo que eu não te conheça aqui, você não tem ideia do quanto..." ele se calou por um momento considerando o que viria a seguir "... eu só... eu... estou contente em conhecer você aqui... principalmente com Karen. Muito mesmo" Ele parecia genuíno e talvez um pouco infeliz, mas ouvir que apenas olhar para ela o acalmava foi estranhamente tranquilizante para si mesma...

E Lena se viu rapidamente se encantando por Kon.
Ainda que ele fosse mais familiar do que admitia, ela estava grata por também tê-lo em sua vida... por fazer parte dela.

E se lembrava das primeiras palavras dele quando a vira... então era essa Lena desta terra quem ele esperava reencontrar...?
Quem ele ansiava por anos rever... e ela se perguntou realmente o que eles significavam um para o outro, quem ele era exatamente e porque seu próprio coração acelerava ao vê-lo, aquele olhar, aqueles olhos... idênticos aos seus.

Lena perdeu o filho.

-Oh - ela disse atraindo alguma atenção para si, seu coração se acelerou e tarde demais, ela tinha finalmente feito a soma.


... Agora.
CATCO. Lena-38

-ENTÃO SE MAOMÉ NÃO VAI A MONTANHA...

-Oh, você não está usando esse velho ditado comigo Lena Kieran Luthor - ela manteve o sorriso escondido quando a voz de Cat a cortou imediatamente em sua ridícula frase, Lena admitia e agora escorada no batente da porta do escritório principal, mal ela saberia que há quase um ano, quando pediu a Cat Grant para assumir de novo seu lugar na CATCO quando toda a coisa com Sam e a identidade de Kara vieram a tona, só podia agradecer a loira, que lhe sorriu respirando fundo e observando-a sentada em sua cadeira na escrivaninha ainda com os óculos no rosto, alguns documentos que tinham sua atenção anteriormente, os cabelos loiros soltos em cachos perfeitos, ela apoiou os cotovelos na mesa abandonando sua caneta tinteiro e a encarou - Embora eu esteja contente em vê-la... o que posso fazer por você, Lena?

-Acho que a vantagem em possuir o prédio e a revista é que não preciso me preocupar em marcar uma entrevista com a Rainha da Mídia... - disse ela apontando para Eve sentada em sua cadeira qual a deixou passar sem preâmbulos, Lena finalmente se aproximou da sala, ponderando pela porta sempre aberta e andou até Cat puxando a cadeira diante da loira ocupando-a sem cerimônias - E você já sabe porque estou aqui. Onde estão James e Winn?

-Eu os mandei embora para serem úteis em outro lugar...

-Bom, acho que Winn seria realmente útil nesse momento... enquanto conversamos.

-Tudo bem... Supergirl - Disse Cat como sempre direta ao ponto - Devo assumir que você está realmente ciente de sua ausência... porque sabe onde ela está, o porque e o motivo de seu desaparecimento repentino...

-Precisa como sempre - Disse Lena em um aceno de cabeça, ela se fez à vontade, apoiando as costas na cadeira e cruzando a perna e os braços observando Cat que a fitava analítica - Então... você vai começar a fazer as perguntas?

-Se importa se eu gravar isso?

-Vá em frente. - Lena a observou apanhar o aparelho na primeira gaveta de sua mesa apertar o play e depositá-lo ao lado dos papéis agora ignorados.

Ela continuou sentada, enquanto Cat se levantou, Lena não a olhou, apenas esperou.
Com o bloco de notas em mãos, ela pigarreou suavemente e começou:

-Quem é a mulher que batalhou com Reign na avenida principal? E aquela é mesmo Reign?

-Sim... e digamos que uma outra Supergirl... ela pertence a um universo alternativo - Disse ela - Conhecida lá por Powergirl. Ela estava fazendo um favor... para proteger nossa Supergirl que não poderia estar lá nesse momento. Para não espalhar a confusão, Powergirl foi ajudar...

-Powergirl? - Cat franziu o cenho, pelo conhecimento de Lena, ela quem designara o nome a Kara de Supergirl - Isso soa arrogante...

-Uma kriptoniana em um mundo evoluído, em um tempo mil anos depois em que ela ficou em coma na Zona Fantasma diferente daqui... acredito que essa história você está familiarizada já que em sua primeira entrevista, a Supergirl lhe disse que ficou alguns anos em órbita, diferente de seu primo... e quando chegou à Terra, não agiu como uma protetora da mesma até que estivesse preparada. Ela é mais velha que Kal-El, não o contrário... entretanto nesse universo, não foram doze anos... foram mil anos.

-Sim... - Cat assentiu o olhar apertado e um leve arrepio - Fale-me mais sobre o Universo alternativo...?

-... é um pouco complicado de explicar - ela admitiu sinceramente - Talvez seja um assunto complicado para abordar a população, ainda não sei o quanto o mundo está preparado para saber sobre ele... ouvir ou aceitar sobre ele.

-Alienígenas desceram à terra há quase trinta anos atrás, o Superman foi apenas o primeiro a se mostrar, Lena... eu diria que estamos indo bem.

-Ok... o que você acha, Cat?

-Que muitos de nós podemos lidar com isso... e posso apostar que não é algo qual se deva brincar. A ideia de outro universo são histórias diferentes pelo que vejo, não apenas da Supergirl como de todos nós... caminhos diferentes suponho.

-De novo correta.

-Muito bem... - Cat tinha se virado e levado uma das mãos ao bolso do casaco a outra mantinha o gravador e o pequeno bloco de notas, e angulado a cabeça para Lena daquela maneira analítica - E por que ela está aqui...? Em nossa Terra.

-Para ajudar... - Disse ela - Tivemos problemas nas últimas semanas que sei que está familiarizada, Darkseid enviou sua mais fiel General em busca de Sangue e vingança...

-Bem, todos ouvimos o misterioso nome qual a velha chamou... Bondade se não me engano. Como era mesmo... Miran... Morgan...

-Morrigan - ofereceu Lena.

-Tem um estranho significado para nós... meros mortais - Ofereceu Cat mostrando a Lena que ela realmente sabia o que aquele apelido significava. O que o nome em uma simples pesquisa representava - Morrigan, a rainha fantasma... é bem mórbido para dizer o mínimo na mitologia Irlandesa... uma bruxa que vem para mudar a história, com vingança, guerra e morte, mas também novos começos... transformar a história que temos em um novo... ciclo que pode ser tratado como uma faca de dois gumes... estou certa?

-Parcialmente... e tendo sangue irlandês e crescido em um internato eu não ouso discordar nem refutar o significado desse nome para nós... - Lena disse ainda sentada, ela angulou levemente a cabeça e se firmou um pouco para trás na cadeira de repente sentindo-se nervosa agindo como uma criança sem postura nenhuma. A presença de Cat Grant poderia ser irritantemente dominante, e ela não queria e nem poderia vacilar. Nada. Então lembrando-se dos ensinamentos de Lex sobre o Poker, Lena manteve sua face neutra, acalmou seus pés e relaxou sua postura, ela se concentrou em suas boas memórias para não vacilar... em seus amigos e família, e sentiu-se relaxar um pouco - Ainda que no mesmo contexto mórbido... Morrigan é recomeço... porque nem mesmo a morte é um fim... é um recomeço.

-Interessante... - Cat assentiu e estendeu a mão para o gravador surpreendendo-a por apertar o pause - Então em seu próprio contexto e significado de que está aqui me dizendo tudo isso, Lena... é um recomeço? E o que isso representa para nós... os humanos?

Lena não soube se sua postura vacilou, mas a tranquilidade veio no instante em que soube que Cat sabia de quem se tratava aquela que Bondade queria a cabeça em uma bandeja de prata... a dela.

-E ainda nesse contexto, eu gostaria que me dissesse porquê...

-Estamos sendo honestas uma com a outra... então sim. Eu não vim para destruir nada, nem para alterar nenhum equilibrio ou trazer vingança e muito menos morte... não quando eu sou uma continuação de alguma forma...

-Porque você é Morrigan.

-Eu fui Morrigan - Lena ofereceu vendo seus olhos atentos a ela, como se Cat realmente não precisasse piscar, e igualmente sua postura era firme e desinibida. A mulher que Kara tanto admirava, a mulher que em outro universo, era a mãe de sua melhor amiga - Há quanto tempo você sabe...?

-Desde o anúncio de Bondade.

-Não sobre mim. Sobre a Supergirl - Cat ainda não vacilou, Lena finalmente ficou de pé, a cadeira sendo arrastada para trás, ela deu alguns passos adiante parando de frente para a outra mulher. Lena nunca desgostou de Cat. Nunca em sua vida... e teve até mesmo o oferecimento e condolências sobre o que acontecera com Conner ainda sobre medida em sua vida da mulher loira, e ela apreciava o respeito, mas agora... nesse momento, ciente de que Cat Grant poderia ter a notícia que valeria mais do que apenas a sua carreira... ela sentiu medo. Medo por Kara e todos os outros próximos a ela. Conner lhe disse o quanto Kara seria extraordinária no futuro, o quanto ela não apenas o apoiaria, mas também nunca o afastou já que ele era sua família... e Kara tinha muito a oferecer ao mundo como Supergirl, se preciso Lena daria tudo para manter assim, mas hoje, ela estava disposta a encarnar tudo o que lhe foi ensinado e sempre ignorou... aquele lado Luthor, que ofereceria até o mundo em troca... do silêncio de Catherine Grant - Há quanto tempo você sabe que ela é Kara?

A sobrancelha de Cat se ergueu, e o dia em que a conheceu veio em sua mente, Lena tinha apenas quatorze anos.

...

Ela se lembra, era uma festa de gala, ela tinha se sentado no balcão do bar com um livro em mãos, felizmente o mesmo tinha deixado de tentar dissuadi-la a uma bebida há horas, e não foi chutado para fora por Lex a seu pedido, sossegada, ela enfim podia sair do capítulo sete quando uma sombra atraiu sua atenção. Cat usava o cabelo longo naquela época, preso em um rabo-de-cavalo e ela tinha acabado de começar sua carreira no mundo jornalístico e acompanhava Perry White do Planeta Diário, e Lena tinha arqueado uma sobrancelha quando nada foi dito e a mulher apenas a olhou com curiosidade.

-Você não vai beber nada? - Cat perguntou, e Lena franziu o cenho olhando para seu crachá da empresa em sua camisa branca. C. GRANT.

-Sou menor de idade... tenho quatorze.

-Não acho que isso já tenha impedido alguém antes - forneceu Cat puxando um banco alto para se sentar, ela tinha exalado profundamente, e parecia bem pálida, então ergueu a mão para o barman - Por favor, você teria um copo de água... - e olhou para Lena - Dois?

-Estou bem.

Cat não tomou isso.

-Imagino que ser sutilmente arrastada para uma festa com sua mãe semanas depois de perder seu pai e seu irmão viajando tanto não seja algo agradável... embora sua leitura sim... - Lena arqueou a sobrancelha para isso. Ela estava lendo Tolkien. E amava a narrativa caprichada do autor. Pura e simples... - Não se preocupe, isso é extraoficial, visto que eu estou apenas com sede...

-Você parece pálida... - Lena ofereceu abaixando o livro e depositando-o no balcão.

-Obrigada querida, mas isso definitivamente são consequências... - Como se para enfatizar, Cat respirou fundo.

-Você está grávida... - Lena disse observando o barman finalmente entregar dois grandes copos com água, Cat bebeu metade do seu avidamente e escorou o braço no balcão e a cabeça na mão deste enfatizando um olhar nada sutil para sua óbvia observação.

-Sim... - Cat sorriu para ela e apertou a mão em seu próprio peito como se fosse vomitar.

-Você está bem?

-Sim, obrigada... eu tinha esquecido o quanto é irritante o primeiro trimestre... - ela sussurrou e Lena se viu um pouco preocupada - Você sabe... às vezes os pais podem ser irritantes... - ela começou redirecionando aquilo de novo, a mão rondando a borda de seu copo e Lena sequer tinha tocado no seu - Mas eles sempre fazem as coisas pelos filhos...

Lena riu sem humor algum.

-É... eu acho que você pode dizer isso...

-Minha mãe sempre foi muito dura comigo também... - disse ela - Eu era um problema desde sempre de acordo com seus padrões... - e suspirou pesadamente - entretanto, ela me fez chegar em um caminho que eu jamais pensei ser capaz por mim mesma... eu sou grata a ela por isso. Ainda que às vezes, tudo o que eu realmente quisesse dela... fosse apenas um abraço. Ou enforcá-la.

Com isso, Lena podia se familiarizar, e Cat lhe deu aquele olhar. Foi a primeira vez que ela o fez... endireitando sua postura, ela mordeu a bochecha como se considerasse o que diria a seguir, seus olhos se estreitaram um pouco e por fim ela concordou em manter a expressão neutra e calma.

-Um de seus conselhos preferidos e que eu tomei para a vida... é que nada acontece sem motivo... - Lena deixou que aquelas palavras fossem ditas, ela apertou seu livro com os dedos um pouco esperando uma conclusão, visto que Cat tinha olhado para sua própria direita, em nada especificamente apenas como que para pescar aquelas palavras com exatidão - E que nada que não podemos lidar, é colocado em nossas mãos.

Foi quase um grave minuto inteiro de silêncio, até que Lena se ouviu falando:

-Por que está me dizendo isso...?

-Porque vendo você aqui sentada, longe da celebração, a bebida alcoólica e a farra, longe de todos, e concentrada em um mundo enquanto tudo a sua volta é barulhento, irritante... e provocante - em um último aceno ela indicou o bar - Só que você não se preocupa com nada disso... não quando tem sua própria distração... não quando está concentrada em seu próprio mundo.

-Ainda não entendi o ponto.

-Você é uma Luthor, Lena... e um dia, quem sabe eu poderei vê-la como a presença ainda mais poderosa de sua família... um nome ainda maior que o de seu irmão...? Diferente - aquela palavra estava cheia de significados, um significado que Lena nunca quis admitir por si mesma e ela apertou o olhar para isso de novo.

-Como jornalista... você devia estar por dentro dos tabloides Srta. Grant... - ela ofereceu puxando a capa para abrir o livro, uma indicação que finalmente estava prestes a ignorá-la e voltar para ele - Eu não sou uma Luthor de verdade. Fui adotada.

-Bem, isso não é exatamente um ponto a ser considerado é? - Aquilo a pegou de surpresa - Sendo ou não uma Luthor, você ainda tem seu sobrenome... e você ainda é Lena. - Ela disse com desdém que a confundiu - E eu posso realmente estar errada, mas a escolha é apenas sua... outro ditado de minha mãe, que nenhuma mulher tem a vida que não deseja em suas mãos.

Lena estava prestes a falar de novo perguntando lhe se ela realmente não queria uma ajuda ou alguma coisa para comer ou algo para acalmar o estômago talvez, quando Cat finalizou sua água deixando o copo no balcão, ela bebeu tudo em um gole, ainda que parecendo muito pálida.

-Não deixe ninguém dizer a você o que fazer... nunca - Cat levou uma das mãos aos bolsos da calça de brim, seu olhar queimou na direção de Lex, o que Lena achou realmente insultante, ela notou o olhar apertado de Cat a seu irmão e relaxar um pouco ao avistar Lois Lane e Clark Kent - Não deixe as pessoas olharem para você por cima, quando você tiver sua consciência tranquila... e nunca, jamais permita que algo como um nome... faça a sua história. Você faz isso, você escolhe. E é a única que deve se responsabilizar por...

-Por que... está me dizendo tudo isso?

-Tolkien tem o dom de encantar almas, Lena... - disse Cat, e lembrando-se disso agora, era uma escolha estranha de palavras... tão... precisa, que ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha - E você... qual é o seu dom... qual a sua escolha?

...

-Eu gostaria de dizer que desde o primeiro momento em que a vi em minha sala... toda a pele perfeita, as roupas estranhas e os óculos de armação... era só observar um pouco mais... para quem perdeu um planeta inteiro... um mundo todo... Kara tinha um sorriso tão lindo, um olhar tão gentil... que jamais demonstrava ou fraquejava, que nunca renunciava ou desistia... um olhar que me lembrou você quando nos conhecemos, Lena.

-Há quanto tempo exatamente você sabia sobre mim...? - Ela repetiu. Era Cat Grant, afinal. De alguma forma, a voz de Alexandra ecoou em seus ouvidos e mesmo sendo confrontada, a postura de Cat era relaxada e calma, quase como se tivesse sido removido um peso de seus ombros.

-Quando você se machucou, Lex... acho que nunca o vi tão descontrolado... bem, quando era mais novo. Se há algo que ele se importe... é e sempre seria... isso é você.

Lena soltou uma risada cínica.

-Lex desapareceu desde que Bondade foi confrontada... eu sequer o vi durante o ataque há cinco meses... e por várias vezes, ele mandou me matar.

-Lex aproveitou para verificar por si mesmo... protegê-la provavelmente. E continua fazendo isso, embora que seu ódio contra o Superman não tenha mudado, o amor dele por você tampouco.

-Como você saberia disso?

-É só um palpite.

-Parece um palpite muito preciso, Cat. Muito mesmo...

-Você tinha se curado.

-O que?

-Você ainda tem uma cicatriz... bem aqui? - Cat apontou para si mesma nas costelas, e Lena sentiu-se ficar pálida - Estávamos no hospital... meu pai atendeu você, eu estava auxiliando-o... então você tinha esse machucado... quando fizemos os testes, quando chegou o raio-x, seus ossos estavam apenas trincados... inclusive esse lugar específico... e o mais preocupante: sua espinha. A base de sua coluna... Lex não te disse nada, ele mesmo não podia estar mais grato porque a irmãzinha dele estava viva e escapou por um triz sobre você ter sido ferida tão gravemente que quebrar a perna e torcer o pulso foi o menor dos problemas... e meu pai manteve isso. Nunca falamos sobre, nunca discutimos...

-Eu... quebrei a espinha? - A voz de Lena falhou e ela foi levada gentilmente de volta a cadeira para se sentar - Eu devia...? Eu não devia andar?!

-Eu não sabia o que isso significava... você tinha doze anos. Três meses hospitalizada... seu pai ficou lívido... seu irmão se castigaria pelo resto da vida... Lillian tentava abrandar a situação, os melhores médicos, mas meu pai já estava no caso...

-Não foi culpa do Lex, eu fui imprudente... foi... foi um acidente.

-Sim...

-Paralítica...?

Cat a observou e continuou sua narrativa pessoal:

-Bem, obviamente eu deixei a carreira de enfermeira, não estava disposta a enfiar os livros na cara e decorá-los, eu queria fazer notícia... queria ficar em Metrópolis e trabalhar com Perry White, fazer minha própria carreira - Cat mudou de assunto como quem fala dos efeitos climáticos e o aquecimento global - e dois anos depois... lá estava você. Sentada em um bar de uma festa para toda a socialite de Metrópolis... a filial francesa e espanhola, e os irmãos em alma que se tornaram inimigos... seu irmão. E o primo de Kara.

Ok. Ela definitivamente sabia sobre Clark também.
Lena pensou que não poderia ficar mais chocada... mas yay. Ela estava.

-... e alheia a tudo isso - Cat finalizou. Ela deu um olhar a Lena - Eu não estou fazendo isso para entregar a identidade de Kara... ou a do Superman - Cat sorriu, um sorriso travesso - Mas eu adoraria algum podre com Lois se você tiver... - Obviamente, Lena ainda não se via capaz de falar - Entretanto há também... você... E Kara. É um pouco irônico ver que você, a irmã de Lex, e Kara, de Clark... se tornaram amigas. Verdadeiras amigas... quase irmãs. Pelo menos nesse universo, eu não sei se ainda me atrevo a perguntar sobre o outro...

Talvez ela realmente não devesse estar pensando em Powergirl agora, mas foi mais forte do que gostaria.

-Isso significa que você ainda não está entregando a Kara... ou a mim. - ela definitivamente não se importava com o que podia lhe acontecer. Provavelmente fosse a sua personalidade ou a de Morrigan, não importa... até porque era como Kara e seu alter ego e a mesma pessoa, assim como Lena e Morrigan... eram as mesmas - Por que?

-Porque vocês nos protegeram... nós, os meros mortais.

-Eu não sou-

-Oh, eu sei...

-Você sabe o que... eu sou?

-Oh, não - Cat entoou com um suspiro - Mas eu adoraria ouvir essa história, Lena.

Ela se sentiu tentada. Provavelmente por aquele mesmo sorriso suave da mulher que conhecera há dez anos atrás, talvez pela segurança que ela lhe trasmitia... Lena perguntou a si mesma se sua versão da Terra-15 tinha convivência com Cat, a mãe de Kara por lá... e esse pensamento, lhe trouxe de volta a calmaria.

-Talvez... um outro dia.

Cat deu de ombros suavemente.

-Entretanto eu ainda quero matar Kara por deixar Adam tão preocupado e esperando... - disse ela com uma pitada de irritação.

-Oh isso... - Lena ponderou - Kara fará sua... presença em breve não se preocupe. - Com relação a Adam, mesmo que tivesse que arrastá-la, mas preferiu manter o comentário. Cat já tinha muita munição para usar contra ela, Lena queria pelo menos sair dali com a ideia de que fora furada como uma peneira, e não dizimada com uma bomba.

Ótimo... as comparações homicidas voltaram.

-O quão... encrencada em um nível de 0 a 10 ela está? - Cat perguntou suavemente.

Era quase como se quisesse pesar por si mesma.
Estatisticamente...? E Lena sempre foi muito boa em matemática... Kara estava nos 100. Aparentemente?

-Bem... encrencada, mas estamos resolvendo. - Cat assentiu, não houveram perguntas adicionais.

E para sua surpresa, ela estava acionando o gravador de novo.

-Supergirl está bem? - Lena olhou do aparelho para a mulher que puxou os papéis sob sua mesa até ter uma folha branca.

Ela escreveu a data no canto de seu rascunho.

-Fisicamente sim - Lena ofereceu com sinceridade - Digamos que psicologicamente também... embora ela não possa responder por si mesma... nesse momento.

-Ela está nessa terra?

-Sim.

-Quem a está monitorando?

-Eu... e tenho também a melhor assistência a meu lado... com vasta experiência em kriptonianos e sua genética... - Cat lhe deu um olhar.

-O que aconteceu a Supergirl...?

-Um acidente em meu laboratório, protegendo a mim e alguns amigos eles acabaram sendo contaminada por um líquido... radioativo. Mas... estão sendo cuidados. E como eu disse, eles estão bem fisicamente, só que ainda não em condições de sair.

-Então ela não é a única no mesmo estado?

-Não, uma das agentes de alto nível que auxilia a Supergirl se encontra na mesma situação...

-Então ela está em algum tipo de quarentena...? - Cat perguntou incerta.

Lena assentiu lembrando-se do aparelho que apenas captava suas vozes.

-Você pode pensar assim... - ofereceu - Ela está lúcida como os outros, e eles estão sendo mantidos em segurança até que estejam em condições de voltar a rotina normal...

Ela estava ciente de suas respostas vagas, no fim das contas, talvez ter Cat falando com Clark Kent tivesse sido mais promissor.

-Quem é o rapaz que a tirou da entrevista nessa manhã?

Lena respirou fundo, ela afastou o olhar do avaliativo de Cat para essa resposta. Ainda não podendo acreditar por si mesma, em seu sorriso maroto sem dentes, seus olhos iguais aos dela, e o cabelo levemente arrepiado como Lex usava na adolescência... e principalmente a maneira que seu olhar pegou o dela e seu coração se acelerava ao simples pensamento de que Conner estava vivo... e de volta. Finalmente de volta.

-Superboy... ele veio... também para ajudar.

-Superboy? O Superman usou esse nome antes se não me engano...

-Sim... ele usou.

-Outro kriptoniano suponho... - Lena assentiu de novo - há uma ligação com o Superman e a Supergirl?

Lena ponderou aquilo, e sorriu.
O olhar de Cat se estreitou um pouco.

-Acho que você pode dizer isso... - Cat bufou suavemente para a falta de informação direta.

-E o que é exatamente essa ajuda Lena? Tem algo a ver com o ataque de cinco meses atrás da senhora sem estilo e seus robõs estranhos...? Ou a ameaça que National City pensou que nunca mais voltaria na cidade? Reign.

Lena ponderou de novo para essa explicação, perguntando-se o quanto Colin aguentaria em sua conexão empática para os sentimentos conturbados que ela carregava até lhe mandar uma mensagem ou ligar para checar o que estava de errado... ou simplesmente se teleportar até ali. Então fez a pergunta por si mesma... mas maneou a cabeça em uma negativa afastando a ideia.

-Sim... - ela ofereceu respirando fundo - Bondade formou uma aliança contra o mundo há anos... para tirar seu líder da jaula que ele dividia com Reign... - ela respirou fundo alcançando o gravador por si mesma e pressionando o botão de pause que surpreendeu Cat, mas a loira nada disse para isso - E o Superboy... ele é...

-Seu filho. - Lena a olhou, ela sequer tentava manter a fachada inabalável diante de Cat que sorriu e tomou uma longa respiração - Eu reconheço a alegria de se reencontrar um filho e tê-lo consigo depois de anos de distância, Lena... graças a Kara, tenho meu mais velho junto comigo. Adam... ficamos afastados por muitos anos, eu fui ausente - Lena franziu o cenho e como se lesse seus pensamentos, Cat concluiu - É... eu fui uma mãe ausente... e aquele garoto que a tirou da multidão é a imagem escrita de Lex,... mas ele tem seu olhar.

-Conner é fruto de um experimento do CADMUS... Lillian... minha mãe tentou resgatá-lo, Kara conseguiu quando ele foi enviado a Krypton para testes... e o trouxe para mim - Cat assentiu.

-Ele também tem um pouco da imprudência de Kara... mas me diga...

Ela riu da perceptiva que além de ser um clone de Lex e Clark, tecnicamente ter dois pais, Conner fora acolhido por duas mães... ela e Kara.
E se viu sorrindo genuinamente para essa constatação. Se perguntando como seria em outra vida... a vida de Karen-14 e Lena-15...
Lena ainda permaneceu com o gravador parado, e levantou o olhar para Cat sinceramente.

-Isso ainda... não acabou... toda essa bagunça... não é apenas o que aconteceu atualmente com Supergirl, embora ainda não tenhamos como resolver, há outro problema, o maior deles. Que continua vindo. Darkseid. Ainda preso, ele está vivo, e é uma ameaça.

Cat assentiu mecanicamente.

-Do que você precisa?

Aquilo que lhe fora poupado nos últimos anos...

-Tempo.

... e o pedido veio quase como em súplica, e ela sentiu a presença de Colin por trás das portas de vidro de Cat, ela podia sentir seu olhar em suas costas, e um vulto na janela do escritório do lado de fora... Colin e Conner. Seus dois garotos olhando por ela. Por fim, levando mais tempo do que gostava de admitir, Lena finalmente entendeu a admiração de Kara por essa mulher... essa jornalista que a abordou anos atrás com a dúvida sobre ela ser uma adolescente que poderia cair na tentação, ainda que sua própria vida e escolhas fossem uma decisão sua, então lhe oferecera conselhos aleatórios enquanto tentava afastar a náusea de uma gravidez... gesto que ela nunca esqueceu.

-Você tem o que precisa... - Cat então sorriu, aquele sorriso que ainda deixava muitos de seus patrocinadores e acionistas preocupados, o mesmo olhar e sorriso que a fez trazê-la de volta pessoalmente ao seu lugar de direito há dez meses, e ela nunca se arrependera disso -... mas a exclusiva é minha, Luthor.

Lena estendeu a mão.
Além de Kara, ela nunca tinha apreciado negociar com um jornalista antes.
Cat a apanhou e apertou balançando-a.

-De acordo.


COLIN ESTACOU NO QUE PROVAVELMENTE ERA A DÉCIMA OU VIGÉSIMA VEZ.

Ele tinha perdido a conta sobre os conflitantes sentimentos de Lena, e pelo menos podia usar a desculpa de estar próximo o suficiente para tocar seu braço, sua mão ou suas costas na base de sua coluna, fosse para atrair sua atenção ou senti-la relaxar um pouco sem dizerem nenhuma palavra um ao outro e ser inundado por todas aquelas emoções para a conversa dela com Cat Grant tirou qualquer possibilidade dele se atentar a outra coisa.

Alex estava em uma corrida pelo espaço com Kara, pelo menos do lado de fora, elas não corriam o risco de complicar o que já estava ruim, enquanto J'onn flutuava alguns centímetros longe do chão em uma pose meditativa, ele duvidava que o próximo fosse aguentar muito tempo concentrado, e não foi outra quando Alex praticamente trombou nele com Kara perseguindo-a e as três crianças se viram em um emaranhado no chão.

E quando ele pensou jamais ser capaz de ver Alexandra Danvers chorar... lá estava.

Ruby tinha se abaixado para falar com a mesma e verificá-la, enquanto Kara olhava confusa para a irmã e J'onn esfregava a nuca e tinha um olhar igualmente tristonho, Lena tinha chegado há cinco minutos e apertando sua mão, ela se virou saindo da sala de vidro e indo até eles.

Colin sorriu para si mesmo... ela era natural.

Foi assim sempre, Lena era um imã para crianças, ela conversava abertamente com elas, pois as crianças jamais a viam como a Luthor capaz de repetir os erros do irmão, ela era apenas ela... Lena. Foi assim no hospital infantil nos últimos anos, foi assim com Conner, era com a bebê Kara e Alex... apenas Lena.

Que estava agora agachada na mesma posição que Ruby diante de Alexandra, esfregando seu joelho, ela balançou a cabeça ouvindo Lena e Ruby falarem, esta última fazendo uma brincadeira que fez Kara rir e até mesmo J'onn esboçar um sorriso.

Era a primeira vez, que ela parecia relaxada desde o ocorrido. O incidente no laboratório transformando a todos em versões infantis de si mesmos trouxe um novo patamar de culpa para Lena que passara os últimos dias mal dormindo, os únicos momentos que ela parecia despreocupada, era quando tinha os três sob seu olhar, principalmente Kara que provavelmente nunca tivera umas tão merecidas férias e descanso... mesmo que ela não fosse se lembrar disso.

E foi na noite passada, que Lena lhe disse que tinha reservado a cabana de sua família para Maggie e Alex passarem o fim de semana.

Então ele sentiu-a rígida... Lena era boa em bloquear seus pensamentos, e até mesmo suas emoções, Deuses ela era irritantemente ótima... e Colin estava grato por ela não fazer isso tanto agora... permitindo-lhe conhecê-la mais desde que ela pedira para ele ficar após Conner ir para a Zona Fantasma.

As vezes suas emoções eram uma confusão de sentimentos... pensamentos e memórias que ela tinha. Colin era bom em controlar os seus próprios, diferente de Lena ele não tinha tantas pessoas cercando-o, tanta história recente para colocá-lo em lembranças e situações para, e por isso era mais fácil nesse ponto, e agora que Lena deixava suas emoções livre para ele sentir e compartilharem, embora precisasse apenas olhar em seus olhos para ver o que ela conflitava sobre, agora de costas, ele angulou a cabeça para a impressão que ela emanava, e estava quase saindo da sala por si mesmo quando viu o motivo da distração de Lena...

Conner.

Um Conner Luthor de 16 anos acabando de chegar a sede do DEO, usando sua camisa cinzenta, calças negras e sapatos da mesma cor, ele parecia uma versão bem social, o cabelo agora aparado e penteado para trás perfeitamente. Os olhos verdes olhando de Lena para Kara, Alex, J'onn e finalmente nele que acabava de fechar a porta atrás de si.

E como se possível, a sensação de nervosismo dela se dissipou, com as simples duas palavras que vieram a seguir do garoto:

-Oi mãe.

.

"Eu não quero ficar sozinha também..." Disse ela fazendo-o fitá-la.

Evitando seu olhar, Lena estava usando um jeans e uma camiseta branca grande demais para seu fino corpo, descalça na porta de seu próprio apartamento enquanto ele tinha levado comida e um extra em sorvete que Kara o fez adicionar a lista, ela jamais poderia estar tão bonita. Na verdade, Colin sabia que essa mulher poderia usar um saco de batatas como um vestido, que ainda seria a mais linda... sempre.

Seu cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo frouxo e ela suspirou aproximando-se e parando centímetros de beijá-lo.

"Eu também não..." disse ele.

Colin quase soltou as compras no chão quando a sentiu tencionar como se ponderasse o mesmo que ele... como se esperasse e ainda tivesse medo de avançar.

"Eu odeio esse vínculo idiota... essa coisa que fez você se aproximar de mim apenas esse motivo... eu odeio o quanto essa conexão nos marca não dando uma chance de fazermos isso por nós mesmos..." ele ainda se lembrava das marcas nos pulsos dela, marcas essas que tinham sumido depois da ida de Conner e suas feridas que pareciam ter levado uma eternidade para se curarem completamente, a quebra da magia que os conectava, os efeitos sobre o vínculo que ela não precisava bloquear mais, não quando não estavam ali... só que Colin percebeu que não precisava exatamente deles... nunca precisou, com Lena tudo o que ele queria... tudo o que ele necessitava, era ela. Olhar para ela, tocar sua mão, seu rosto... vê-la e entender como ela se sentia "Definindo nossas histórias por nós mesmos... e eu só queria..."

"O vínculo é uma consequência Lena..." ele se ouviu respirando, passando todas as sacolas de compras para uma mão, enquanto que com a livre, usou para tocar seu rosto. Ela prendeu a respiração, mas não se afastou "... uma resposta a nós mesmos, a nossa conexão... não apenas nos poderes, como a empatia e a magia, mas os sentimentos... eu sei que você não escolheu isso assim... e nem eu"

"Eu sei... me desculpe por fazer parecer que a culpa é sua, é só que" seu tom se suavizou um pouco, Colin sabia que ela estava cansada "Eu estou tão cansada de tudo isso..." ela admitiu.

"Eu sei..." disse ele suspirando "Eu sinto muito..."

"Não sinta..." ela respondeu sua própria mão segurando a dele ainda em seu rosto, enquanto que com a outra, Lena apanhou a frente de sua jaqueta puxando-o para um breve beijo qual ele foi de bom grado. E olhando em seus olhos, Colin sabia que era uma conexão que a magia deles não tinha mais, e aquela expressão, ele quase podia ouvir seus pensamentos de novo, sentir sua dor da perda do filho... seu medo... tudo. Apenas olhando de volta para aqueles olhos verde-mar "... apenas fique"

"Eu não vou a lugar algum..." ele prometeu e por um momento, um segundo, ele viu a dúvida naquele olhar... Colin não sabia se podia fazê-la acreditar nele de novo, só que iria tentar seu máximo... e nunca ia parar de tentar... então foi sua vez de lhe dar um beijo. Breve, mas não menos significativo "... nunca mais"

"Ok"

.

-Oi... - ela devolveu baixo.

Conner a fitou e de volta para Colin, que sorriu em resposta, e o viu concentrar-se em Kara e Alex.

-Espero que já estejam prontas para crescer de novo...

-Muito - Disse J'onn avidamente.

-Sim... - Alex ainda tinha a voz rouca, mas ela limpou a garganta e adquiriu uma pose irritada - Agora.

-Oh bem, ainda vai levar alguns minutos para preparar isso... - ele tinha levado a mão no bolso e Colin franziu o cenho para uma pasta condensada que mais parecia um daqueles estúpidos brinquedos de criança com nome de vírus... ou seria um parasita? Ameba...

... não. Amoeba.
E Lena apertou o olhar enquanto Alex angulou a cabeça deixando claro seu desgosto.

-Eca, o que é isso?

-O que vai trazer vocês de volta, é uma amostra gelatinosa... felizmente essa aqui está envolta em uma membrana protetora agora, e incapaz de causar algum mal... - ele levantou o olhar para Lena e sorriu - Podemos?

-Claro. - foi sua resposta rápida.

-Ah... - notando só agora que Conner trazia uma sacola, ele a ergueu para cima - Sorvete de creme para quem espera.

Os três pronunciaram felizes, Colin observou Ruby que estava olhando Conner no canto da sala com interesse, ele ainda não tinha visto Clark e Lena foi a única a dar um olhar em desaprovação para a sobremesa gelada, então sua atenção estava em Ruby que finalmente se aproximava. Colin se ofereceu para pegar o sorvete e distribuir as crianças, mas vinda da mesma direção que Ruby estava, Maggie já tinha estendido as mãos para Conner.

-Eu faço isso... vamos, mas quero os três comportados. - ela pegou Kara em seus braços e seguiram para outro cômodo, a cozinha improvisada na sala ao lado.

Colin olhou para Lena que estava atenta a Ruby.

Conner levou as mãos aos bolsos e ficou ereto, era uma postura familiar Luthor que ele via, seu cabelo fora penteado de lado, e repartido perfeitamente quase como em gel, e ele podia aprovar a versão nerd que ele passava, só faltava um par de óculos...

-Oi... - Mas Conner ainda sendo o Conner de quatro anos, ele ofereceu timidamente, enquanto Ruby apertou o olhar e cruzou os braços diante do corpo observando-o. Sua expressão se apertando cada vez mais. Ele não disse nada. Ruby suspirou em clara irritação.

-Você está alto... tipo, bem alto - e olhou para Lena consternada - Como ele pode estar tão alto?!

Lena sorriu, seu olhar relaxando, Conner por sua vez parecia mais surpreso que qualquer outra coisa.
E ele olhou incrédulo para a mãe, Colin não o culpava. Ruby tinha adotado tantas características de Alexandra que era surpreendente ela mesma não ser filha legítima da ruiva... ele não conheceu Samantha, mas Alex sim...

-E ainda os mesmos olhos...

-Verdes? - Conner ofereceu ainda tímido, mas suavemente.

Ruby gargalhou balançando a cabeça em negativa.

-Está mais para... o mesmo olhar. - Ela olhou para Lena e suspirou - Como se carregasse o peso do mundo aí... sozinho. Igual a alguém que eu conheço...

-Talvez... mas não... - disse Conner parecendo tímido e olhando de soslaio para Lena uma vez mais, Colin estava familiarizado... tanto tempo longe, tudo o que ele queria era jamais se afastar de novo - sozinho não... não mais. - Aquilo a alertou e ele entendeu a frase de Ruby sem esforço, Lena sorriu para a constatação.

-Bom - Ruby falou abrindo os braços para recebê-lo - Agora vem aqui.

Ele o fez de bom grado, abraçando-a e apertando-a contra si.
Ruby riu fazendo o mesmo, ambos relaxados.

-Senti sua falta...

-E eu a sua - disse ele - Poderíamos usar uma corda para voarmos de novo ao estilo balão ao avesso... eu posso ser rápido e forte para pegá-la agora...

Ruby riu e Lena arquejou.

-Nem se eu tiver que pessoalmente amarrar vocês dois! - Ela disse quase ofendida por ouvir isso, os dois a olharam assustados e depois riram - Estou falando sério!

-Desculpe - Ruby levantou as mãos em sinal de rendição, mas não havia nenhum pingo de arrependimento em seu olhar, enquanto os de Conner brilharam encarando Lena que sustentou seu olhar e finalmente desviou para o objeto que ele tinha depositado na mesa - Então... o que fazemos com isso?

-Eu provavelmente vou ter que buscar outro sorvete, mas... - de novo com as mãos nos bolsos, ele parecia relaxado e calmo - Vamos fazer um milk-shake.

Lena apenas lhe deu o olhar.

-O que? - Disseram ela e Ruby.


-EU NÃO ACHO QUE ISSO SERIA MUITO RECOMENDÁVEL VISTO QUE... ei, oi.

-Kon! - Lena observou sua versão ruiva sorrir como ela jamais tinha visto-a desde que a conhecera, e ignorando todos os presentes ela andou pela plataforma e abraçou Conner que a recebeu de bom grado, fechando os olhos e apreciando o carinho. Lena sentiu seu cenho se franzir, parecia que Lena conhecia e tinha um relacionamento com o "viajante" bem mais detalhado do que ela pensou. Arqueando as sobrancelhas, ela esperou que eles se afastassem, Conner sorriu ainda fitando-a e ela lhe deu um olhar finalmente virando sua atenção para os outros. - Bem... estamos todos aqui pelo que vejo.

Ela estava prestes a dizer que não quando viu Kara... não. Karen se aproximando com Clark. Eles pareciam entretidos em uma conversa, Karen riu e Clark levantou o olhar para Conner que devolveu no mesmo gesto, o corpo endurecido e a expressão carregada, embora não estivesse com um olhar zangado ou tristonho, Clark se aproximou dele, as mãos para baixo, ele usava uma camisa de flanela, jeans e os óculos no rosto do cabelo um pouco rebelde, exatamente como o de Conner.

-Oi - Conner ofereceu como fora com Ruby e Clark o examinou de cima a baixo.

-Você cresceu bastante...

-... obrigado.

-Como você está...? - Conner engoliu um pouco e o observou, Clark levou as mãos aos bolsos parecendo mais tímido que o normal, e ela reconheceu o gesto em seu pequeno que o imitou e deu de ombros. Para sua surpresa, ele virou o rosto para encontrar o olhar dela, e observando-o nas roupas de Colin, ela notou que tudo o que faltava para completar seu visual, eram um par de óculos de grau... Lena lembrou-se do seu presente a Ruby há dois meses, e se perguntou se Conner apreciaria também, então ele sorriu daquela maneira gentil e virou-se para Clark.

-Bem... obrigado. Foi uma longa viagem... mas é bom voltar para casa.

Ela notou a aproximação de Karen, ela parecia quase incerta em estar ali com o grupo, talvez se sentindo culpada pelo que foi obrigada a fazer com Reign.

Lena não a culpava, Reign era uma encarnação do mal, diferente de Sam, e ela fez o que fez para proteger Lena-15... que continuava relaxava na presença de seu filho, e ela se perguntou quando poderia fazer o mesmo... conhecê-lo como ela aparentemente o conhecia, quando poderia ter uma conversa com ele, perguntar-lhe realmente como ele estava, o que fazia da vida, seus gostos, romances... o que queria trabalhar... ela queria o pacote completo.

Levá-lo para dar uma volta na cidade, comer em um restaurante, rir de suas piadas ouvir sobre suas aventuras, Lena queria falar sobre o sonho que viera em sua mente antes de conhecê-lo aos quatro anos desde o dia que o reencontrara, ele estava chamando-a para voar um pouco e relaxar, ela queria contar a ele sobre seu relacionamento com Colin, perguntar a ele sobre Krypton e a Kara de lá... falar sobre tudo... e sobre nada.

Tempo... foi seu pedido a Cat Grant que prontamente assentiu para enrolar a imprensa e acalmar as especulações enquanto eles ajudavam a Supergirl.
E tempo... era o que por si mesma, Lena precisava urgentemente. E não tinha.

-Ei... - ela sentiu a mão de Colin em seu ombro e fechou os olhos momentaneamente bloqueando um pouco a loucura de emoções, era tão... natural para ela mostrar um rosto impassivo, enquanto um turbilhão acontecia dentro de si, e a presença de Colin por vezes ajudava, era estranho alguém além de Lex conseguir alcançá-la... vê-la, como Kara acabara fazendo também, enxergando a si mesma nela, como parecia que Alexandra aprendera... e como ele compartilhava com ela... Pelo vínculo. Essa coisa que no princípio, Lena não podia repudiar mais, mas agora também concordava que era uma extensão deles... uma parte deles como Morrigan era. Que literalmente os conectava mais.

-Eu quero explicar tudo o que preciso a vocês... juntos. Só que... podemos fazer isso todos presentes por favor?

-Eu não acho que esteja faltando alguém... - disse Clark avistando Maggie voltar com as crianças, felizmente eles pareciam bem felizes, inclusive J'onn que sorria de algo que Alex contava, Kara segurava sua mão direita e tentava acompanhar os passos largos da irmã.

-Na verdade sim... - Lena lhe dirigiu um olhar e ele se aproximou - Pronta?

-Temos tudo preparado... - ela apontou para os objetos sobre a mesa e ele se virou para os mesmos - é com você agora.

-Ok... - Conner assentiu lhe dando um olhar e depois voltando para ela enquanto os presentes os encaravam confusos - Você confia em mim para isso?

-Eu nunca deixei de confiar em você, Kon... - ele a fitou por um longo tempo, Lena sabia que era a primeira vez que ela o chamava assim, e sentiu seus olhos se umedecerem um pouco.

Conner arqueara as sobrancelhas, sua expressão se suavizou e ele abaixou a cabeça sorrindo e fechando os olhos e então assentindo e virando o rosto para a bancada. Lena podia ter ouvido fungar um pouco, mas ele recuperou a compostura pigarreando e se concentrou em misturar todos os ingredientes que tinha, finalmente distribuindo a massa que tinha em mãos numa divisão diferenciada para cada em três copos separados oferecidos por Clark foi pelo menos mais uns dez minutos até ter tudo junto.

Nesse meio tempo, Winn e Mon-El finalmente voltaram para o laboratório, e Lena observou-os todos de pé e reunidos.
Conner tomou uma longa respiração.

-Pronto... - disse ele apanhando o primeiro copo, e ela franziu o cenho para o composto líquido. Era espesso e gosto, e mais lembrava um suco verde, com todos os ingredientes qual nenhum dos supers definitivamente aprovaria, e viu a careta de Alexandra para eles ao longe, qual não disse nada... ainda. - Isso é para J'onn... - Conner estendeu um dos dois e então o outro - E este outro para Alex.

-O que você... misturou aí? - Perguntou Mon-El curioso.

-Um composto do rosativa... - ele olhou para Lena - Você talvez queira registrar isso... é só congelá-la, ela será inofensiva em -3 graus... e usá-la para reverter o processo... com tudo o que você me conseguiu.

-O que exatamente... você misturou aí? - Entoou Clark e Conner coçou a cabeça incerto.

-É meio que uma coisa... Magi. Acho que minha mãe poderia explicar melhor do que qualquer um.

Lena arqueou a sobrancelha quando todas as cabeças se viraram para ela.
Ela não tinha ideia do que isso significava e disse isso para eles.

-Eu... não sei como fazer isso, Conner.

-Talvez não ainda, mas é a sua fórmula... uma delas. - por um momento, ele olhou dela para Alex, só que nada disse.

-Minha fórmula?! - Lena repetiu.

-Lembra do que eu disse sobre uh... - Conner dirigiu um olhar a Clark - Uns amigos passando pela mesma situação? Pois é... você ajudou. Revertendo o processo enquanto eles controlavam o problema que os levou a isso antes...

-Espera... - Ruby estava escorada na mesa ao lado de Alex e M'gann observando os pequenos - Eles viraram crianças e ainda assim combateram um vilão?

-Que também foi transformado... acho que foi um dia memorável na liga...

-Liga? - Perguntou Clark.

-Legião... eu acabei me confundindo... - ele suspirou e ela teve a impressão de ver Lena e Karen sorrirem para o rapaz que suspirou. Sutil. Todos os três, ela tinha que parabenizar por isso, principalmente a pressa que ele tinha em mudar de assunto - Podemos...?

-Por favor. - J'onn reclamou se aproximando, Alex soltou a pequena mão de Kara para fazer o mesmo. Eles estenderam para os copos e observaram o líquido com uma careta. Alex olhou para Lena consternada - tudo bem...

-Não cheire - Conner pediu prontamente - Só... bebam.

-Isso parece cocô... coco... eu quis dizer coco... podre. Eca. - Alex estremeceu, e Lena duvidava que alguém conseguia ficar sério com ela porque notou-os sorrir para a declaração infantil, os ombros caídos, ela olhou para Ruby e Lena - Precisamos beber mesmo?

-Oh, talvez antes seja melhor... tem alguns cobertores por aqui?

-Cobertores...? - Ruby perguntou.

-Eu não acho que as roupas vão continuar servindo depois que todo mundo... uh... crescer.

-Oh, certo.

Em uma irritante rajada de vento, Ruby sumiu.
E estava de volta cinco segundos depois carregando três montantes coloridos. Entregou o cinzento a Alex e o verde a J'onn.

-Obrigado, mas eu sou um metamorfo...

-Não custa prevenir... - ofereceu Winn - Eu não acho que ninguém vá superar Alex no quesito de sair correndo do jeitinho que veio ao mundo pelo DEO, mas definitivamente não queremos ter pesadelos tanto quanto vocês... especialmente com você papa Bear.

A contragosto, ele apanhou o objeto jogando-o sobre si e bebeu todo o conteúdo do copo de uma vez e sem fazer uma careta.
Alex não. Ela virou a metade e quase vomitou bufando.

-Eca... sua poção polissuco é horrível, Kon!

-Não é... minha.

-Sua poção polissuco é horrível, Lee. - Alex disse virando-se para Lena que cruzou os braços diante do corpo e suspirou tentando e falhando em esconder o sorriso do drama da pequena Alex - Que nojo...

-Beba.

-Tô bebendo...!

-Esse é para Kara? - Perguntou Mon-El e M'gann se aproximaram com a pequena, Lena a ajudou a sentar-se na beirada da mesa. Conner assentiu pegando o conteúdo do copo e olhando incerto - Ótimo... - disse Mon-El estendendo-o para Kara, como uma criança que esperava ser alimentada, ela apenas a bebeu... avidamente.

-Talvez devêssemos misturar em alguma coisa para ela não-

Lena se calou vendo todos arfarem quando Kara cuspiu tudo no rosto de Mon-El.
Ruby tentou e falhou em esconder uma risada. A garota gargalhou sem dó.

-Oh, me diga que há câmeras aqui...

Winn tinha um sorriso travesso no rosto e apenas assentiu para Ruby.
Maggie andou até a bancada e ofereceu um pano a Mon-El, que agradeceu ainda com o olhar carregado.
Kara olhou desconfiada para o mesmo e estendeu os braços para Lena que a pegou.

-Ok... acho que vou ter que... refazer isso... - Conner fez uma carranca - Era a conta para os três... precisamente.

-Você não tem mais no estoque?

-Esse era o único estoque...

-Não, tem uma amostra no... - Lena se interrompeu vendo o olhar dele e o sorriso denunciante - Você invadiu meu cofre?

-Eu não... invadi. Eu tenho a senha...

-Conner...

-Mãe sua senha para tudo é meu aniversário... até para os cartões de crédito e a segurança do apartamento... acho que até suas senhas de e-mails, e talvez... espera, tem senha para entrar no Laboratório?

-Conner Alexander Luthor!

-Oh, nome completo - ofereceu Ruby - Você está tão encrencado...

O próprio a encarou bufando.

E por algum motivo, Colin soltou o ar até transformá-lo em uma risada.
Lena o ignorou. Parecia que todos se divertiam com aquilo porque haviam sorrisos e risadas em toda a parte.
Até Kara ainda em seus braços e um pouco suja daquela estranha gosma sorria e gritava feliz. Traidora...

Ótimo, agora ela tinha que mudar as senhas de TUDO.

-Isso é ótimo, agora temos que encontrar outra merda dessa para dar a Kara... valeu mesmo Manel. - Todos se viraram para a familiar voz de Alexandra, que sequer notou que seu cobertor tinha caído, e os braços cruzados diante do corpo, ela tinha uma expressão carregada. Colin desviou o olhar assim como Clark, Lena tentou manter uma risada imitando seu namorado segundos atrás quando sua outra versão arqueou a sobrancelha e Karen tinha um olhar ultrajado para a situação. Ninguém disse nada naquele momento, além de Maggie.

-Amor... uh... talvez você devesse... olhar para si mesma?

Alex se virou para a namorada. Lena não manteve um rápido suspiro agora, que Alexandra a olhou.
J'onn estava de volta em sua forma marciana, contente e distraído em ver a si mesmo de volta ele ainda tinha o cobertor seguramente em volta de seu corpo. Bom, pelo menos Alex seria a única a oferecer tal trauma de estar completamente nua e de volta a forma adulta diante de todo mundo.

-É bom perceber que você realmente nunca esteve desconfortável com seu corpo Alexandra...

Winn soltou o ar, os olhos fechados com força e assentindo efusivamente.

-O que? - ela perguntou confusa e olhou para baixo soltando um grito. Dessa vez, provavelmente todos riram enquanto atrapalhada, Alex recuperava o manto e se cobria com ele, Maggie sorria minimamente auxiliando-a. Alex ralhou exasperada - Le-na!

-Oh não é como se todos nós não tivéssemos visto você assim antes... - ela disse e olhou para Conner que mantinha uma risada baixa, ele parecia tão relaxado... tão jovem e... feliz.

-LENA! - Alex dessa vez não manteve o rubor para longe, e bufou frustrada - Que merda do caralho... você sua... argh.

-Ei mãe... - Ruby atraiu a atenção de Alex que enrijeceu, ela lhe deu um olhar sorridente, sua vez de cruzar os braços diante do corpo - Pote. Você me deve dez para cada palavrão.

-Porra dos infernos...

-Oh, eu terei um bom fim de semana em Aspen mais cedo do que eu pensei...

Alex encarou-a ultrajada.
Ei, não era sua culpa, mas por precaução, Lena se viu afastando o máximo possível da ruiva.

-Já sei. Já sei... Eu vou acabar indo a falência... logo. - Alex murmurou.

-Talvez você devesse estar vestida para isso...

-Cala a boca, Lena!

Ela tentou em vão não rir, mas acabou gargalhando. Alex ficou tão vermelha como um pimentão xingando baixo, Maggie tentou disfarçar e J'onn lhes deu um olhar tendo ficado em silêncio durante todo o processo.

-Muito bem... - então sua expressão se apertou um pouco, e Kara estava gritando e chamando a atenção deles, sua forma ainda de bebê.

-Tudo bem, Kon... você sabe onde poderíamos conseguir uma nova amostra para usar em Kara?

-Eu sei - Disse J'onn.

-Acho que vou buscar um sorvete... - Mon-El se manifestou acabando de limpar o rosto, mas sua roupa... seu uniforme ainda estava todo sujo, e olhando para aquilo, o pensamento de que faria uma mancha cruzou sua mente.

Winn reclamou frustrado.

-Isso vai levar uma data para sair... - ele olhou para o amigo com uma expressão assassina.

-Desculpe...

Um alarme tocou atraindo a atenção de todos que se viraram para Winn, ele ativou as câmeras exibindo uma imagem do Banco Central.

-Assalto... - Clark disse tirando os óculos, mas Conner segurou seu braço parando-o.

-Deixe comigo... - disse ele sorrindo para o mesmo e puxando a camisa emprestada aberta, exibindo uma camiseta preta com o símbolo do S no centro - Tem uma loja de presentes aqui perto... achei bem legal. Além do mais... eu ainda posso usar os jeans - Ele sorriu daquele jeito maroto quando colocou a camisa sob a mesa de centro e bagunçou os próprios cabelos mostrando que o novo corte de cabelo era raspado dos lados e em cima ficava maior ao penteá-lo como ele fez perfeitamente alinhado parecia diferente. Ele parecia realmente um adolescente agora... menos um nerd riquinho como aparentava - Winn, você tem comunicadores?

-Claro... - o mesmo apanhou um par em uma gaveta e de novo Conner segurou o braço dele antes de ele colocá-lo em si mesmo - Que?

-Eu gostaria de uma outra... pessoa para me ajudar... se você não se importar... - Apanhando os objetos, Lena parou ao vê-lo lhe estender os mesmos - Ou ela... Você poderia?

Ela sentiu seus olhos umedecerem, e conseguiu um aceno de cabeça enquanto apanhava o objeto em sua mão e ele a fechava como se tivessem era apertando as mãos em um acordo. Ela olhou para seu filho em seus dezesseis anos, usando uma camisa com o S, o cabelo bagunçado, jeans e tênis... e ele angulou a cabeça para ela observando-a, e sorrindo daquele jeito puramente Clark e Kara...

-Sempre.