Dei um longo gole na minha cerveja e analisei a planta da cidade em 3D enquanto meus homens renovavam os códigos de monitoramento de cada estabelecimento da família, recuperando o estrago que a traição de James me causou. A confiança ficou por um fio, mas sou muito bom em guardar segredos aleatórios e depois do que fiz com o Senador Denali, ninguém quis me desafiar desta vez, porém, se o meu maldito conselheiro conseguiu enganar o sinal de localização, vai saber o que mais ele pode ter feito então decidi trocar tudo. Alec fez uma varredura e ainda não encontramos outra pessoa que possa estar envolvida além de alguns homens da família de Chicago. Bebi mais um pouco da minha cerveja e olhei pela janela.
Bella estava sentada em uma espreguiçadeira com uma bebida na mão. Está quente porque finalmente estamos no verão e decidimos passar uma longa temporada aqui em Hampton, porém, nunca estamos sozinhos. Emmett veio e trouxe Rosalie. Alice, que ainda se recusa a ficar sozinha com Jasper após o rápido casamento deles, veio atrás e obviamente meu cunhado seguiu sua relutante esposa. Ela é louca. Estava infernizando que queria conquistá-lo, agora está grávida, para o meu completo desalento, casada e se recusa a viver com ele. É impossível entender.
Com o casamento, Emmett mudou-se para minha casa, confesso que é muito perigoso deixá-lo vivendo sozinho, então, enquanto o apartamento que cedi a Rosalie ainda está em reformas, ele está comigo. Com essa mudança e o hiato que é o relacionamento deles, a melhor amiga da minha esposa ainda continuará conosco por mais um tempo. Não que Bella tenha reclamado. Ela adorou ficar vivendo com Rosalie por alguns meses, porém, irei resolver a logística dos apartamentos depois que colocar o meu comando em ordem.
Joguei minha garrafa de cerveja fora e voltei a olhar minha esposa pela janela. O cachorro do vizinho está novamente no meu quintal e ela o adora. O babaca do dono pensa que eu não sei que ele permite que o cachorro venha só para conversar com ela.
Três pontos na cidade apagaram, enquanto outros vermelhos finalmente ficaram verdes. Peguei meu telefone.
- Que porra está acontecendo?
- Estou indo resolver. – Alec respondeu friamente. – Estão se recusando a receber o dispositivo. Alegam que fecharam lealdade com outra pessoa.
- Limpe a porra toda. Se não voltarem atrás, destrua tudo.
Encerrei a chamada observando Bella alisar sua barriga distraidamente e meu coração doeu. Ela está sofrendo, mas fingindo que está tudo bem, tentando superar a cada dia. Meses se passaram e decidirmos não tentar novamente agora e voltamos ao anticoncepcional. Dessa vez todas as consultas já estão bem agendadas e sabemos que podemos tentar mais a frente. A gravidez de Alice é um peso que ela não consegue suportar e está bem óbvio até para mim que elas estão afastadas. Bella passa a maior parte do tempo no quarto quando não tem um compromisso. Quando Alice compra algo para o bebê, seu sorriso não é real.
Meu telefone tocando quebrou minha visão do seu sorriso para o cachorro. Vou comprar um cachorro.
- Emmett! – gritei no corredor. Alec que esperasse um minuto.
- Fala ai, cara. – meu irmão saiu da sala de cinema comendo pipoca.
- Tenho uma missão para você. Pesquise uma raça de cachorro de porte pequeno, fêmea, que possamos castrar para não ter filhotes, bonitinha e agradável. Se encontrar, compre e me avise.
- Fechado. Vou levar Rosalie comigo.
Revirei os olhos e voltei para meu escritório.
- O que foi, Alec? – atendi o telefonema.
- Eles juraram fidelidade a James... Disseram que ele veio aqui com novas regras e que você estava caído, que em breve todos iriam saber.
- Ah filho da puta... Tinha que ser possível matar a mesma pessoa mais de uma vez. Faça, Alec. Não estou com paciência para quem deseja a minha queda. Mostre aos demais o que acontece quando me desafiam.
- Com prazer, Chefe.
- Tome cuidado.
- Sempre.
Encerrei a ligação e Jane logo estava me ligando.
- Me deixe matá-lo?
- Não.
- Edward, por favor.
- Não. Quero que ele sofra.
Jane respirou fundo e pelo som de gemido ao fundo, ela o acertou novamente.
- Já tem um novo candidato a presidente do congresso?
- Ele terá a sua cerimônia solene amanhã, se eu fosse você, colocava o nosso amiguinho para assistir outro tomando o seu lugar. Já tem o vídeo da esposa dele?
- Ah, ele adorou. Ela é uma vadia que geme muito.
- Com certeza Eric adorou cada momento.
- Ele não vai falar.
- Então ele vai sofrer.
Joguei meu celular bruscamente na mesa de controle e a projeção tremeu. Com raiva, empurrei a mesa e ela bateu na parede do outro lado, derrubei todas as coisas ao meu redor, jogando quadros e fotografias na parede, virando cadeiras, desejando aplacar um pouco da fúria que borbulhava dentro de mim. A raiva da intenção de me derrubar não se comparava em ter perdido meu bebê. Eu nunca me senti tão feliz como naqueles dias. Eu nunca planejei tanto meu futuro e até considerei a hipótese de mudar de casa, criar um perfeito lar seguro para meu bebê como naqueles dois dias. E nós perdemos a nossa criança por culpa de James, já que eu não pude evitar seus extremos, eu não podia matá-lo antes de limpar sua bagunça ou seria tarde demais para controlar os danos.
O presidente do congresso ficou no meu pé e a única forma que encontrei foi substituí-lo antes de tudo ficasse perdido.
- O que está acontecendo aqui? – ouvi minha esposa perguntar e respirei fundo. – Você quebrou meu relógio favorito? Sabia que o Vovô trouxe da Alemanha?
- Foda-se!
Bella simplesmente deu as costas e saiu, em parte agradeci por não ter ficado e me enchido o saco, por outro lado sei que ela não irá deixar barato. Olhei ao redor e vi a minha bagunça, sabendo que havia exagerado, mas no meu íntimo, ainda queria destruir mais para me sentir melhor. Precisava mesmo lutar, porém, com Emmett fora de casa, estava fora de cogitação. Sexo era a minha melhor opção e decidi ir atrás da minha mulher. É provável que ganhe um chute nas bolas, mas tenho que tentar aplacar a fúria dentro de mim e não existe remédio melhor que a minha esposa. Bella é tudo que um homem pode pedir a Deus como marido, exceto quando reclama sem parar na minha cabeça e fala até me deixar tonto. Ela me exaspera. Sexualmente falando, me deixa louco e apaixonado.
Embry estava em pé no corredor e Bella vinha andando com Malena.
- Aqui, amor. Presentes. – sorriu e apontou para pá e vassoura. – Limpe essa bagunça. Malena está proibida de consertar sua bagunça. – completou e deu as costas com a minha governanta que não se dignou tirar o olhar do chão. Embry limpou a garganta como se estivesse rindo. – É melhor ajudá-lo, nós temos que sair hoje à noite e ele não pode se atrasar. – murmurou petulante e foi rebolando.
- Limpa isso aí. – falei para Embry e fui atrás dela. – Isabella.
- Não venha atrás de mim. – disse sem parar de andar e subiu a escada que dava ao nosso quarto. Pulei alguns degraus e parei na sua frente. – Qual o excelente motivo que você destruiu a sala que eu acabei de terminar de decorar? Sabe o trabalho que eu tive em colocar essa casa apresentável? Tinha mancha de sangue no teto! Buraco de bala nos quadros. Encontramos pedaços de coisas que não posso nem descrever nos tapetes e você destrói em menos de vinte minutos uma sala que eu encomendei toda decoração na Alemanha? Puxa vida, Edward!
Não. Ela não vai topar uma rapidinha agora.
- Compraremos tudo novamente. – disse e ela quase me jogou da escada.
- Essa é a sua maneira de pedir desculpas? Diz pra mim que essa não é a sua maneira de pedir desculpas. – murmurou como se estivesse rezando.
- Por que eu tenho que pedir desculpas? A sala é minha, a casa é minha e o dinheiro é meu também.
Bella me empurrou bruscamente.
- Você é maior babaca de todos, idiota. – rosnou e passou direto. Corri atrás. – Sai de perto de mim! – gritou tentando abrir a porta do quarto. – Só para constar, essa aliança aqui garante que tudo isso seja meu, incluindo você! Palhaço!
- Bella, amor, por que está tão irritada? Você é minha, então...
- Na sua cabeça sem sentido eu sou como uma casa, não é mesmo? Sei que nosso casamento foi um investimento de ambas as partes, mas não queira que eu te trate como aquele relógio alemão, porque nesse momento, eu gosto muito mais dele! – abriu a porta do quarto bruscamente.
- Merda, Bella. – resmunguei entrando atrás dela. – Eu só quis dizer que essas coisas são substituíveis.
- Não quis não. Você quis dizer que tudo isso é seu e você faz o que quiser. – gritou do banheiro.
- Mas é verdade! – gritei de volta.
- Babaca! – bateu a porta com força e trancou.
- Para de me xingar, cacete! E abre a porra dessa porta! – soquei a porta, mas é obvio que ela nem saiu do lugar.
- Estou fazendo xixi, me deixa em paz. – disse mais baixo.
- Tô cansado de te ver fazendo xixi, cacete! Abre a porta! – retruquei irritado com a barreira entre nós. Ouvi o som da descarga.
- Não! Vai embora! – disse e ouvi o barulho da água da pia. – Eu vou tomar banho.
- Quero tomar banho com você. – murmurei encostando minha cabeça na porta.
- Não. – disse e eu bufei - Peça desculpas.
- Por que eu tenho que pedir desculpas se não estou errado? – perguntei realmente perdido.
Bella abriu a porta e quase caí dentro do banheiro.
- A casa? Nossa. O dinheiro? Nosso. Tudo isso? Nosso. Casamento, Edward. Casamento é dividir e acima de tudo, compreender. Eu tento compreender seus rompantes e acredito firmemente que precisa de terapia para controlar sua raiva. Você não cresceu em um ambiente familiar hostil, mas foi programado e treinado para isso e às vezes não consegue controlar seu temperado em eclosão com seu gênio que não aceita que algumas coisas são impossíveis de dominar. – disse rapidamente e colocou as mãos na cintura. – Você não é Deus. E também é muito tapado em não perceber as merdas que fala, não é humilde para pedir desculpas e é insistente no erro.
Minha esposa iria virar um dragão cuspidor de fogo em breve. Eu percebi meu erro, é claro que depois que sinalizou. Legalmente, o dinheiro, casa e a porra toda são nossos por igual, mas ela é minha também e que diferença isso faz no final. Decidi continuar irritando-a.
- Puxa vida, que merda que eu sou. – debochei e ela ficou vermelha, não do jeito adorável que normalmente fica quando está tímida.
- Edward? Isso é sério? – disse em um sussurro muito irritado. Seu pescoço assumiu uma coloração muito interessante de vermelho. – Eu vou tomar banho e você me deixe em paz. Egoísta. Louco.
Sorri e ela ficou parada, respirando, me analisando.
- Você está curtindo com a minha cara, não é? Querendo me irritar de proposito.
- Em parte... Parece que deu certo. – encolhi os ombros e ganhei um soco no peito.
Franziu o olhar na minha direção e começou a se despir na minha frente. Começou com seu short, calcinha, subiu a blusa pela cabeça, tirou o sutiã e deu as costas. Observei sua bunda com a marca do biquíni e comecei a tirar a minha roupa bem rápido.
- Eu disse que você não vai tomar banho comigo.
- Tudo bem, eu fico parado olhando.
- Seu pervertido. – ela me deu um olhar quente e um sorriso que me deixava louco. Seu queixo tinha uma covinha bem sutil que aparecia somente quando ela dava esse sorriso.
Adoro lamber ali quando estou metendo repetidas vezes dentro dela. Ligando o chuveiro e testando a temperatura da água que lhe agradava, ainda do lado do de fora, conectei o som do ambiente na playlist que montamos chamada "músicas para nós dois", que consistia em todo tipo de música boa para foder. Com uma risadinha, continuou negando minhas investidas, mas quando minha mão ensaboada finalmente escorregou para entre suas pernas, descobri que ela estava excitada demais para quem alegava que só queria tomar um banho rápido.
- Estou com as pernas bambas. – disse baixinho quando enrolei a toalha no seu corpo.
- Amo você. – beijei seu ombro e pescoço, abracei-a por trás e nos encaramos no espelho. Ela estava sorrindo. – Sua baixinha enfezada e irritante.
- Babaca arrogante. – retrucou encostando a cabeça no meu peito. – Peça desculpas.
- Amor, eu te comi contra parede do chuveiro. Foi uma performance e tanto.
- Você só queria olhar a minha bunda, seu cara de pau. Peça desculpas.
- Sinto muito, amore mio. E eu irei repor cada item que quebrei dentro da sala.
- Obrigada. – ela virou e beijou minha boca. Ela olhou para um ponto acima do meu ombro. – Ops! Olha a hora! Precisamos almoçar e eu irei começar a me arrumar para hoje à noite.
Ri e apertei seu seio. O almoço poderia esperar. Joguei sua toalha no chão.
- Não! Rose contratou um salão e eles virão aqui me arrumar, estou com a hora contada. – disse se desvencilhando de mim e indo para o quarto. Joguei a minha própria toalha no chão. – Abaixa esse pênis! – riu arremessando uma almofada da cama em mim. Continuei atrás dela. – Edward, hoje é uma noite importante. Pare agora mesmo.
- Amor? – chamei casualmente e segurei sua cintura, empurrando-a para cama. – Foda-se o evento.
Rindo, beijei sua boca.
Mais tarde, ela saiu correndo do quarto para receber a equipe de beleza. Fiquei deitado na cama por um tempo e meu estômago roncou. Sabendo que ela também estava faminta, desci até a cozinha e preparei um prato de comida, ouvindo Malena dizer que acomodou todos em um dos quartos do segundo andar e que ela já havia começado a fazer escova. Tampei a comida e subi. Entrei sem bater e percebi que todas as mulheres pararam para olhar. Bella virou sua cadeira e me deu um olhar desconfiado. Eu estava sem camisa, apenas com uma calça de linho fino.
- Comida. – entreguei o prato e um garfo. – Ela só continua depois de comer.
Destampando o prato, a menina que estava fazendo sua mão, arrumou as coisas para fazer seus pés. A mulher que mexia no cabelo passou a arrumar algumas coisas enquanto esperava minha esposa comer seu prato inteiro. Fiquei de pé, de braços cruzados, ganhando olhares furtivos, que a deixava ainda mais furiosa. Terminado o almoço, esticou o prato, peguei e saí do quarto ouvindo risadinhas. Voltei para cozinha e Malena colocou um prato de comida.
- Ei mano. – Emmett entrou em casa segurando uma caixa.
- Está aí dentro? – perguntei curioso e mergulhei meu pão de alho no molho de tomate. – Achou algo que ela vai gostar?
- Está com Rosalie.
Na deixa, a loira entrou segurando uma coisa pequena e peluda. Parecia um urso de pelúcia. Bella ficará louca.
- Não se anime, é da minha esposa. – disse e ela me deu a língua, rindo e acariciando o bichinho.
- É muito fofinha. – disse e continuei brincando enquanto terminava de comer. Limpei minhas mãos e analisei a coisa minúscula.
- Qual a raça dessa coisa? – perguntei olhando para o pelo bem clarinho.
- Spitzs alemão de porte pequeno. Não cresce muito, brincalhão, sem muitas doenças conhecidas e já está vacinada e a castração só a partir dos seis meses. – Emmett respondeu comendo uma maça. – E te custou setecentos dólares.
- Coisinha cara. – murmurei e acariciei o pelo. Levantei e saí da cozinha.
- Ele nunca agradece? – Rosalie perguntou. Eu e Emmett rimos.
Coloquei a coisinha peluda no meio da cama e deitei do lado, coloquei meus óculos de leitura e peguei uma pilha de contratos para analisar. Passei horas esperando que Alec me desse notícia, mas ele parecia muito ocupado no momento. Liguei a televisão no canal de noticiários para monitorar alguma movimentação estranha na cidade, alguma notícia que não deveria ser exposta e Bella entrou no quarto, cabelo escovado e parecendo radiante.
- Demorei porque meu cabelo está muito grande. Vou tirar meu vestido do armário e ver se precisa de algum ajuste. Iremos de helicóptero ou carro?
- Depende de quanto tempo demorar a se arrumar. – respondi esperando que ela reparasse na cama.
- Amor, eu posso me arrumar rápido ou devagar, preciso que me dê um tempo.
- Iremos de helicóptero porque eu quero que fique aqui na cama comigo um pouco. – respondi e ela colocou a cabeça para fora do closet. – Tenho que conversar sobre uma coisa.
- Você está bem?
- Estou, por quê?
- Me propondo para conversar livremente quando eu tenho que arrancar informações à base do grito ou do sexo.
- Nada engraçado. Vem aqui, amor. – bati gentilmente na cama e a cachorrinha soltou um ganido baixo.
- O que foi isso? – perguntou curiosamente e veio em direção à cama, subindo em cima de mim e olhou a bolinha de pelo totalmente encolhida. – Edward? – levou a mão à boca. – Aí meu Deus! – gritou e pegou com cuidado. – Oi meu amor.
- É fêmea.
- Ah, lindinha. – murmurou esfregando o nariz no focinho. – Linda! Qual o nome?
- Você escolhe, amor. – respondi e ela estava profundamente emocionada.
- Nossa primeira filha.
- Essa coisa é qualquer coisa menos minha filha. – rebati rapidamente.
- Cala boca, é sim. É um bebê. Peludo e com quatro patinhas.
- É de estimação e não um filho. – disse e ela me deu um soco no estômago. – Não é meu filho.
- Não liga para ele não, docinho. Ele é insensível, coração de pedra, muito irritante. – murmurou me dando um olhar irritado.
- Eu comprei um cachorro porque você adora e sou isso tudo? – beijei seu pescoço e ela riu, me puxando pelo cabelo e beijando minha boca, aconchegando-se no meu colo, sabendo que estava roçando exatamente onde poderia ficar animado. – Agora eu posso dizer que ganhei um bom agradecimento. – sorri e mordi seu queixo.
Ela ficou deitada por horas brincando com seu novo amor, escolhendo nomes até que Rosalie bateu na porta perguntando que horas iriamos começar a nos arrumar e me dei conta que estávamos atrasados. Bella levantou correndo e meu quarto foi tomado pelas duas gritando. Tomei banho e me vesti no meu closet, deixando as duas lá dentro sozinhas. Emmett montou uma casinha para a cachorrinha ainda sem nome, dizendo que Malena iria esquentar o suplemento que ela deveria tomar em uma mamadeira. Quando Bella visse, tenho certeza que ficaria o dia inteiro com a cachorra no colo como um bebê de verdade.
Não consigo considerar aquilo como cachorro. Com meu copo de uísque em mãos, observei Embry alimentar meus cachorros. Aquilo era um cão de verdade. Músculos e dentes. Bella tem pavor deles e os chama de bestas do mal, porque são agressivos e nenhum pouco simpáticos. Foram treinados para atacar. Recebem sinais de comando. São protetores e leais a mim. Adoro brincar com eles.
Alec enviou uma mensagem. Tudo estava feito em sua tarefa do dia e pronto para a missão da noite.
- Estou pronta, amor. – Bella gritou da sala. – Esses brincos são lindos!
- Porque combina com o colar da minha avó. Esse aqui. – tirei do meu bolso o lindo colar com diamantes. – Está linda. Vermelho fica bem em você.
- Vermelho é sexy. – piscou e virou de costas.
- Você é sexy. – mordi o lóbulo da sua orelha e olhei seu decote por cima do seu ombro. – Que bom que ficaremos em um camarote exclusivo.
- Rose, tire um foto, por favor? – pediu e posamos para o celular dela. – Cuide do meu bebê.
Não demoramos muito para chegar ao grande teatro que aconteceria o evento. Posamos no tapete vermelho como todos os convidados da noite e entramos para sala de coquetel que já estava a todo vapor.
- Isabella, querida! – a primeira dama da cidade a abraçou. – Estávamos ansiosas para sua chegada! Eu e as meninas estamos decidindo um leilão para ajudar a ONG que Liana, esposa do Senador Red, está fundando.
- Parece ótimo, Diana. Em que posso ajudar?
Diana levou minha esposa para longe e fitei o Senador Red porque nem por um decreto ele irá envolver meu dinheiro em sua lavagem e desvio através da ONG fajuta que sua esposa estava criando. Sem graça, bebeu toda sua bebida e desviou seu caminho para onde sua esposa se encontrava a poucos metros da minha mulher conversando com um grupo de mulheres animadas. Seja lá o que foi dito, ele assentiu na minha direção e sua esposa entrou no grupo. Entrei em uma conversa forçadamente animada com o prefeito.
Dez minutos mais tarde, senti a mãozinha de Bella tocar a minha.
- Como foi?
- Parecia legal no primeiro momento, mas acho que a esposa do Senador não parecia muito animada com a minha presença e um pouquinho com medo. Eu me senti aquela garota que tem o pai assustador e ninguém quer chamá-la para sair. Eu te culpo pelo circo com o Senador Denali e agora ninguém quer brincar comigo no parquinho. – sussurrou bem baixinho e bem rápido. Quase cuspi minha bebida. – Não tem graça.
- Vamos encontrar outro grupo de amiguinhas para brincar. – sorri e beijei sua bochecha. – Como a primeira dama.
- Eu estava com Diana agora mesmo.
- A primeira dama do país livre. – virei-nos em direção à entrada onde o Presidente dos Estados Unidos chegava com sua esposa.
- Por favor, me diga que ele não é um brinquedinho seu. – sussurrou nervosa.
- Não pergunte se não quer saber. – respondi e ensaiei um sorriso no rosto. – Sr. Presidente. É um prazer revê-lo.
- O prazer é meu, Edward. Vejo que essa é a sua bela esposa.
Apresentar Bella a primeira-dama foi como dar-lhe o doce que todas as crianças queriam e ninguém podia comprar. Elas andaram pela festa, conversando e rindo. No caminho para o nosso camarote, recebi em mãos do meu antigo cliente o seu próximo alvo. Antes de entrar, dei uma olhada no nome, era a confirmação de nossas suspeitas nos últimos meses. Entreguei à Bella um binóculo e o folhetim das letras. Ela entendia perfeitamente nossa língua antiga e estava acostumada a ouvi-lo na escola durante sua formação.
A nova ópera de Andrea Bocelli de Romeo e Julieta começou arrancando suspiros e lágrimas da maioria das damas do local. Bella ficou extremamente concentrada e não notou minha saída. Bati no ombro do homem do serviço secreto e acenei para Embry no corredor, então descemos juntos pelas escadas laterais até o banheiro masculino.
- Ligue o dispositivo. – disse e entrei no banheiro.
Esse dispositivo assegurava que qualquer aparelho de gravação ou celular não funcionasse. Entrei e esperei trinta segundos, conforme o combinado.
- Cullen. – entrou Senador Tyger. – Soube que tem uma encomenda pra mim.
- Volturi. – corrigi e ele perdeu o sorriso de merda. – Três infrações graves do nosso acordo, Sebastian. Falou demais. – ergui um dedo. – Ameaçou quem não devia. – ergui o segundo dedo. – E colocou em risco toda operação que foi cuidadosamente planejada por meses.
Sem tempo para conversa, Embry injetou a seringa em seu pescoço. Caído no chão, observei meu soldado espalhar os remédios prescritos que Tyger tomava em momentos para sua labirintite, que poderia ficar atacada em ambientes escuros, com luzes brilhantes e muito barulho. A ingestão do remédio em mais de três comprimidos no dia poderia causar um ataque cardíaco fatal. Foi triste o que aconteceu.
Alec enviou uma mensagem que era seguro sair. Ele estava apagando meu registro de passagem pelos corredores. Voltei para o camarote e sentei ao lado de Bella antes do primeiro ato acabar.
- Onde você estava? – sussurrou apertando a unha na minha coxa.
- Banheiro.
Assistimos à peça inteira de mãos dadas. Quando acabou, sequei suas lágrimas e aplaudimos. Uma comoção do lado de fora nos alertou e um homem do serviço secreto entrou e cochichou algo no ouvido do Presidente. Ele fez uma cara de pesar e me perguntei se foi ator em outra vida.
- Parece que o Senador Tyger teve um mal súbito. – informou e sua esposa ofegou. Bella apenas ficou parada olhando, com expressão de pesar. – Foi encontrado no chão do banheiro. Devemos descer e prestar socorro a sua esposa e filha.
Bella não falou nada, assentiu e seguiu atrás da primeira dama, bem ao meu lado.
- Banheiro. – limpou a garganta e me deu uma cotovelada na costela que me fez silvar. – No banheiro. – disfarçou e cravou o salto no meu sapato no meio da escada. – Na porra do banheiro! – sussurrou e seu punho fechado vinha em direção ao meu pênis, segurei sua mão.
- Controle-se.
- Estou perfeitamente controlada, amor. Espere até chegarmos em casa. – disse entredentes.
Não ficamos muito tempo. Conversamos com algumas pessoas com aquele ar de pesar tão falso quanto os seios da esposa do Senador Tyger. A hipócrita estava chorando, fazendo seu papel e era melhor que ela representasse bem porque desviar perguntas inconvenientes da polícia sobre o uso do medicamento me deixava irritado. O legista declarou a morte, descartou investigação e aos poucos quem ficou, foi se despedindo. No carro, Bella ficou extremamente distante, em um completo silêncio. Chegamos em casa no meio da madrugada, devido à distância da viagem e seguimos para o quarto.
- Como pode fazer aquilo? Matá-lo e abraçar a esposa, dizendo sinto muito? – perguntou e vi sua mágoa.
- Ela encomendou a morte dele, Bella. – falei a verdade. Sua boca ficou branca. – Senador Tyger e sua esposa fazem parte de um esquema de corrupção que envolve muitas pessoas, porém, há um grupo de cinco pessoas importantes que comandam este esquema. Tyger era uma das três pessoas vivas que sabia quem são essas pessoas. Ele andou falando demais, exibindo-se e possivelmente tentando criar a sua própria rede de afiliados corruptos. Sua esposa, com medo da óbvia exposição do estilo de vida ganancioso do marido, entrou em contato. Para proteger a identidade dessa... – procurei bem as palavras. – Comissão? Organização? Não sei dizer que tipo de grupo eles são, era preciso eliminar a boca grande. Ela encomendou a morte dele para fazer parte. Em breve, será eleita como senadora, uma mulher viúva, mãe, defensora do direito das mulheres e latina. É um prato cheio para votos.
Bella ainda estava de boca aberta, sem falar nada.
- Quem são as três pessoas? – sussurrou com as mãos juntas.
- Tudo que você precisa saber é que não deve sentir pena desse tipo de gente.
- Ela matou o marido. – murmurou e sentou na cama. – E eu a abracei morrendo de dó, pensando que eu morreria se você morresse e a vaca encomendou a morte dele. O que aconteceu com amor conjugal?
- Eu não sei, amor. Coisas precisam ser feitas, merdas acontecem, este é o mundo real. Cruel, cheio de pessoas falsas e maldosas. Com pessoas como eu, que sabem como jogar e pessoas como você, donas de corações generosos e bondosos. – murmurei contra seus lábios. – Não sinta raiva de mim. Fiz pela família também e acredite se quiser, por todos os americanos. Sou meio americano, tenho que ser meio patriota.
- Você é italiano, idiota. Nasceu na Itália.
- Minha mamma é americana, bonitinha. Uma Cullen. – sorri e ela revirou os olhos, tirando os brincos.
- E você, definitivamente é um Volturi. – disse antes de entrar no banheiro e começou a tirar sua maquiagem. – Totalmente um sangue puro como os Volturi.
- Isso é ruim? – perguntei da cama.
- Eu não sei, amor. Não sei quem somos. Não sei em o que mais devo acreditar. No fim das contas, que tipo de poder é esse que nós temos o direito de tirar a vida das pessoas?
- Não temos o direito de tirar a vida das pessoas até que elas, por livre e espontânea vontade, decidem se envolver conosco e fazer parte de um estilo de vida que o resultado de uma ação contraria a nossas ordens. Não cabe a nós decidir. Eles decidem quando nos procuram.
- Ou quando nascemos nessa família.
- Ou quando nascemos na família. – concordei.
Suspirando, passou o algodão com removedor nos olhos e não falou mais nada pelo restante do tempo que ficamos acordados.
