Boot Camp
Autora: Snowdragonct
Tradução: Aryam
Nota da tradutora: Sim, acreditem, atualização DUPLA! Queria ter postado esses dois capítulos (18 e 19) durante o Carnaval, para quem não curtisse muito a badalação das festas tivesse um pouco de yaio GW em suas vidas para distrair... mas estou sem acesso a internet. Está aí um dos motivo dos atrasos. Por isso, desculpem, mas mesmo o capítulo 20 já estando pronto, precisa de revisão, então vou precisar da boa vontade dos deuses para postá-lo quando estiver pronto. Abraços e divirtam-se!
Nota da autora: Não sou fã de esculachar a Relena, mas sinceramente, é divertido... e não resisti um pouco de interação DuoXHeero... espero que gostem!
Campo de Treinamento
Capítulo 19: Dia de Visita Revisitado
Antes de Quatre e Trowa se dirigirem para o centro de visitas, escoltaram Duo, seguramente para o alojamento, como prometido. Este agradeceu com uma brincadeira sobre "acompanhá-lo até o portão" e saltitou para dentro, encontrando Heero com o familiar laptop.
"Já está com o seu docinho de coco, heim, Yuy?" suspirou o rapaz de trança, balançando a cabeça e indo até seu baú para pegar uma ou duas histórias em quadrinho.
Heero assentiu para as revistas sendo retiradas por Duo. "Igualmente," respondeu, dando de ombros.
O rapaz de cabelos compridos olhou para sua leitura leve. "Isso? Apenas uma distração, Yuy." Subiu em seu beliche, ajeitando-se para ver o líder. "Um dia desses, te conto sobre o meu verdadeiro docinho de coco," sorriu com malícia.
"Não quero saber," Heero afirmou com firmeza, olhos fixos na tela. Ele não se incomodou em contar para Duo que, desde o momento no qual chegou, encarava aquela mesma página no monitor, incapaz de parar de sonhar acordado com o que poderia ter acontecido mais cedo.
Duo fez um som descrente, deitando de costas. "Claro que quer. Confesse. Você é do tipo curioso, Yuy. Não importa o quão indiferente você se comporta, quer saber das coisas."
"Não dessas coisas," Heero murmurou, perguntando-se porque deixava a ameaça de trança fisgá-lo numa conversa sem rumo.
Então, assim como na semana passada, houve uma batida precisa na porta e Capitão Chang colocou a cabeça para dentro. "Yuy... visita!"
"Impossível!" Heero contestou, o tom frio de repente.
"Não para a senhorita Peacecraft," Wufei sorriu com sarcasmo.
"'Tá me tirando, Chang?" Heero soltou em um momento de choque.
Duo gargalhou. "Deve odiar mesmo a Senhorinha Papel Rosa Chiclete, Yuy!"
O líder o encarou com o cenho franzido. "Maxwell…"
"Apresse-se, Yuy," o Capitão avisou.
"Oh, está bem!" rosnou em resposta.
Wufei estava prestes a fechar a posta quando Heero o chamou.
"Hei, Chang! Maxwell pode vir comigo?"
O Capitão se voltou surpreso para o rapaz de trança, depois para o rosto tenso do líder. "Não tem porque não," deu de ombros. "Agiliza, vocês dois."
A porta se fechou antes de Duo se jogar de sua cama, boca aberta em protesto.
"Chang! Espera!"
"Tarde demais, Maxwell," Heero falou. "Vamos indo."
"Como é? Não!" Duo colocou as mãos na cintura, bateu os pés e parou, teimosamente plantado no lugar. "Eu nem sequer conheço a Vossa Patricinha Real. Porque diabos você quer que eu vá junto?"
Heero o favoreceu com um longo olhar. "Para que você não fique sozinho novamente... com o meu baú."
Duo corou levemente. "Acha que não aprendi minha lição?"
"Acho," o líder aproximou-se, "que você pode ter aprendido a não ser pego, Maxwell."
O jovem de L2 abriu um fraco sorriso. "Bem, é... mas... e se eu prometer me comportar?"
Eles estavam cara a cara agora, olhos azuis intensos presos nos índigo. "Não quer ficar com dívida comigo de novo, quer?"
Depende... dever o que exatamente?
Duo voltou do mundo da lua, lembrando-se como esse tipo de pensamento já o colocara em enrascadas antes. "Uh, acho que não," concordou abobado, desejando que Heero não ficasse perto o bastante para deturpar seu processo mental.
"Ótimo," Heero se animou. "Então vamos andando. Você conhecerá a senhorita Relena Peacecraft hoje." ele pegou o braço de Duo, puxando-o sem resistência até a porta e a abrindo. "Você primeiro."
"Sim senhor, senhor," Duo aceitou debilmente, indo para o centro de visitas.
Recuperou seu equilíbrio no caminho, virando-se para ver a expressão sombria do líder, ergueu uma sobrancelha com curiosidade. "Como conhece Relena Peacecraft?"
Heero suspirou. "Frequentamos a mesma escola."
"Ah," Duo respondeu. "Por quanto tempo conhece ela?"
Os olhos azuis lhe lançaram irritação. "Que diferença faz?"
"Muita, Yuy." Duo ergueu as mãos num gesto apaziguador. "'Tá certo. Não responda. Posso adivinhar. Julgando pela quantidade de cartas que você joga fora a cada semana, diria que se conhecem há pelo menos dez anos."
Heero quase grunhiu. "Desde a segunda série," admitiu.
O rapaz de trança sorriu triunfante. "Sabia." Olhou para o chão enquanto andava, agora perdido em pensamentos. "Suponho que ela seja sua namorada?" arriscou o chute.
Heero parou de supetão, esperando Duo se deter também e se virar para encará-lo. "Maxwell, o fato de eu jogar as cartas dela no lixo não diz nada sobre o nosso pseudo-relacionamento?"
O jovem de L2 piscou, um pouco confuso pelas palavras obtusas. "Uh… talvez?"
"Não, ela não é minha namorada."
"Que bom," Duo comentou por reflexo, mordendo o lábio no segundo seguinte. "Quero dizer, aposto como consegue coisa melhor," emendou apressadamente. Claaaaaro... melhor do que a herdeira do imensurável legado Peacecraft... Duo franziu confuso. "Por que ela não é sua namorada?" questionou abruptamente.
Heero lhe lançou um olhar que quase o fez estremecer. "Maxwell… não que seja da sua conta, mas eu não gosto dela."
"Mas ela gosta de você..." Duo concluiu.
"Pelo jeito, sim," Heero concedeu. "Podemos continuar, Maxwell? Gostaria de acabar logo com isso."
"Oh, claro." Retomaram a caminhada. Contudo, dessa vez Duo estava silencioso.
Enquanto por um lado começava a pensar que Heero poderia estar atraído por ele, nem mesmo tinha certeza se o líder do time era gay... ou mesmo bissexual. Afinal, estavam na cadeia, e não era incomum homens perfeitamente heteros procurar sexo, como e onde pudessem encontrar. Novamente, essa era uma das maiores razões de Duo temer o sistema da verdadeira prisão. Não é como se ele só tivesse internos gays para se esquivar... ainda mais com o cabelo comprido.
Mas pensando bem, Heero Yuy não parecia o tipo de cara desesperado a tal ponto. Sabendo o quão focado e disciplinado ele era, Duo suspeitava que Heero aguentaria indefinidamente sem relações íntimas.
Mas ainda assim, quando perguntara provocativamente se eram as cartas rosas que Heero não gostava ou se eram garotas em geral, ele não respondera.
Por outra perspectiva, quando Duo oferecera sexo sem rodeios, ele recusara inflexivelmente, certamente sugerindo a orientação sexual dele.
Todavia, ele admitira flertar, levando a conclusão de que seria pelo menos bi.
O rapaz de olhos índigo grunhiu, esfregando a testa frustrado. Esclareceria toda a questão se tivesse culhões para perguntar. Suspendeu o passo e ficou onde estava.
"Heero?"
"Quê?" veio a pergunta impaciente, enquanto Heero se virava para olhá-lo exasperado.
"Por que você não-?" Duo hesitou, mexeu inquieto com a ponta da trança. "Quando te ofereci - você sabe - por que não... aceitou o que era oferecido?"
Heero suspirou frustrado. "Achei que tinha explicado, Maxwell. Eu estaria me aproveitando de você... usando seu medo da prisão para extorquir sexo. Não é como se trata um companheiro de time."
"Então, não era porque você... não queria..." Duo se calou, percebendo ter falado demais. "Oh, merda... esquece," queixou-se, passando pelo outro moreno e subindo os degraus do centro de visitas.
Segurou a porta para Heero entrar, e este o fez lentamente, pausando ao chegar no rapaz de trança. "Não é que você não seja - atraente," revelou baixinho, procedendo para o interior ante de Duo conseguir responder.
O jovem de L2 esperou apenas o suficiente para recuperar o fôlego perdido toda vez que Heero falava com ele naquela voz sexy sussurrada. Em seguida, um sorriso alargou seu rosto, e segui o líder.
É, atraente é bom. E ele flertou de novo ou foi só impressão?
Do outro lado do vidro divisor, estava uma jovem aprumada com cabelos loiros lisos e olhos azuis pálidos. Ela encontrou Heero e sorriu, mas congelou quando viu o outro rapaz sendo arrastado para a cabine ao seu lado.
"Heero?"
"Relena," cumprimentou friamente. "Vejo que ignorou meu pedido para parar de me visitar."
Ela piscou confusa, ainda com o olhar perdido entre ele e o rapaz de trança. "Uh… quem é ele?" ela perguntou.
O líder observou o companheiro de soslaio. Este lhe lançou um olhar semicerrado. "Ah… Duo Maxwell, conheça Relena Peacecraft."
"Encantado," Duo educadamente sorriu na direção da garota.
"Uh… claro… é um prazer..." Ela voltou-se para Heero. "Por que ele está aqui?" ela exigiu secamente.
"Já que você está aqui para chamar a atenção da mídia, achei que deveria conhecer outro recruta atendendo o campo de treinamento."
"Oh?" soltou vagamente. "Mas não estou aqui por causa da imprensa." ela insistiu. "Fugi da atenção dos repórteres especificamente para esta visita."
"Por quê?" Heero quis saber.
"Bem, a razão deveria ser óbvia," ela bufou. "Você parecia bem incomodado pelo fato de minha última visita ter chamado tanta atenção. Portanto, fiz questão de não deixar o mesmo acontecer."
Heero suspirou, esfregando a ponta do nariz para esconder a careta irritada.
Duo sorriu de canto, dando a bela garota um olhar dissimulado. "Ou seja, você deve estar aqui por motivos pessoais."
Ela se voltou para ele cautelosa. "Muito pessoais."
"Ah…" Duo ignorou o olhar mortal dos olhos azuis de Heero apontados para ele. "Namorada?" ele arriscou.
"Sim," ela respondeu.
Ao mesmo tempo em que Heero contestou: "Não!"
Ambos se encararam através do vidro.
O sorriso do jovem de trança aumentou, e ele se aproximando de Heero. "Quer que eu me livre dela, Yuy?"
Seu parceiro de time dardejou-lhe um olhar desconfiado, mas, em seguida, um sorriso malicioso quase invisível. "Com certeza."
Duo focou-se em Relena, olhos índigo acesos com astúcia. "Temo ter uma má notícia para você, Princesa." Sentou-se no colo de Heero, jogando um braço preguiçosamente ao redor de seu pescoço. "Veja bem... estar aqui, no Acampamento Peacecraft, fez Heero ter - hum - descobertas surpreendentes sobre si mesmo."
Heero se remexeu desconfortavelmente sob o peso de Duo, esperando que o rapaz não notasse sua reação involuntária. Estremeceu, tentando se refrear de gemer alto quando o rapaz se balançou, inclinando-se para o divisor.
"Hum… o que estou tentando dizer," o jovem de L2 elaborou, piscando conspiratoriamente para a garota. "Heero e eu estamos... juntos... se é que me entende."
Os olhos de Relena se arregalaram do tamanho de pratos. "Não acredito... Não pode ser-."
"Está com dificuldades em terminar as frases, querida?" Duo falou sarcasticamente gentil.
Os olhos azuis dela se estreitaram. "Quem é você?" ela reivindicou. "E por que diz essas coisas sobre Heero?" esperou pela intervenção do mencionado. "Então?"
"Te falei quem ele é," Heero respondeu com simplicidade.
"Espera que eu acredite que vocês estão - ele - os dois..."
"Gay," Duo supriu prestativo. "A palavra é 'gay', ou 'homossexual,' se quiser um termo mais politicamente correto, Princesa." Ele sabia que Heero provavelmente o espancaria até a morte depois, mas valia a pena pela expressão enojada na face perfeitamente empertigada na sua frente.
"Mas, não pode ser!" Relena insistiu.
"Por que não?" Heero perguntou.
"Porque você - você é... você!" ela lamuriou em desalento.
Duo ergueu uma sobrancelha. "Está ciente de que o que disse não fez sentido," ressaltou.
"Você, cale a boca!" ela rosnou, com um olhar enraivecido em sua direção. "E deixe meu namorado em paz!"
"Seu namorado?" Duo ecoou com falsa incredulidade. "Acho que entendeu tudo errado. Eu estou no colo dele." E o que eu não daria para ficar aqui o resto da vida...
A expressão de Relena poderia ter azedado leite, mas ela a transformou para suplicante quando se voltou para o líder. "Heero, por favor, diga a ele que está enganado."
Em resposta, Heero circundou os braços ao redor da cintura de Duo, dando de ombros. "Mas ele não está."
O rapaz de trança não precisou fingir se derreter no abraço. Deixou-se deitar contra o peito de Heero, deleitando-se com a sensação daquele calor o envolvendo. "Entendeu como as coisas são, senhorita Peacecraft?" perguntou sem fôlego. Mais uma vez, não precisou fingir. "E eu agradeceria se parasse de escrever para meu namorado, 'tá?" abriu um pequeno e insincero sorriso.
Ela se levantou, a boca abrindo e fechando por alguns momentos, oscilando o olhar entre os dois.
Duo a observou com divertimento, na expectativa de ela exigir mais prova do relacionamento, como um belo beijo caloroso... mas sendo assim, era muito possível que Heero o matasse. Não que não valesse a pena. Muuuuito a pena.
Ao invés disso, ela recolheu o resto de sua dignidade com um último olhar rancoroso para Duo. "Tudo bem." Sua face corou com emoção, e pegou sua bolsa na mesa. "Eu... vou esperar que volte ao seu juízo, Heero. Sei que isso é só por estar prezo neste terrível lugar... sem companhia feminina. Quando você sair, podemos... conversar sobre isso." Ela semicerrou os olhos, discretamente assistindo Duo fazer caracóis nos cabelos da nuca de Heero. "Vou continuar escrevendo, para saber que não desisti de você."
Enfim, ela apressadamente lhes deu as costas e se afastou. Duo se dobrou em risada silenciosa, enterrando o rosto na camisa de Heero. "Ah, impagável…" resfolegou entre risos abafados.
Heero manteve os braços na cintura do companheiro, acompanhando Relena deixar o recinto. Sabia que ela olharia para trás uma última vez, e ver Duo aninhado em seu peito a fez ficar ainda mais vermelha do que antes.
"Ela se foi," avisou calmamente, os lábios perto da orelha do outro.
"Mm-hmm," Duo murmurou, ainda rindo.
"Você precisa se levantar," Heero complementou, a voz levemente alterada por tentar controlar as reações naturais de seu corpo em ter um rapaz incrivelmente belo em suas pernas.
O jovem de trança endireitou, secando as lágrimas de hilaridade dos olhos. "Ah, é... claro. Só aproveitando o momento." comentou, recuperando o ar. "A cara dela foi tão..." balançando a cabeça, desenroscou-se do ombro do líder. "Hum… você precisa soltar..." avisou, referindo-se aos braços ainda o enlaçando.
"Oh, sim." Heero enrubesceu e libertou o rapaz.
Duo não teve pressa em se erguer e, antes de sair da cabine, inclinou até seus lábios quase roçarem na orelha de Heero. "Aposto como o laptop nunca causou esse efeito em você," sussurrou, insinuando significativamente o colo de Heero, e se retirou.
O rapaz de cabelos curtos grunhiu, escondendo o rosto na mão, tentando salvar alguma compostura. Levantou-se e seguiu a ameaça de trança.
Continua...
