O que não podemos deixar para trás

Resumo: Eu o amava até confessar meus sentimentos e ele rejeitá-los, ficar com outra e ainda ir embora. Agora, quatro anos depois, ele volta e quer que eu ainda sinta o mesmo de antes?

Disclaimer: "Twilight" pertence a SM. Acham que eu estaria aqui escrevendo fanfictions se fosse meu? Eu estaria no Caribe num horário desses!

Capítulo 21

27 chamadas não atendidas.

Aí, quando eu vi, eram todas de Edward.

E, de novo, minha caixa postal estava cheia.

-Algum problema, Bella? – Liam perguntou enquanto ele, nervoso, dirigia até o parque mais conhecido de Port Angeles.

Era sábado, dia que combinamos de conhecer a filhinha dele, Sophia. Ele estava nervoso, eu estava entrando no mesmo estado. E essa insistência de Edward não estava me fazendo bem.

-Está tudo ótimo. – menti, porque eu estava aterrorizada com o poderia acontecer a partir daquele encontro.

Contei a Rose o que aconteceu, e ela achou que era bobagem eu me preocupar com questões como ele ter sido casado e ter uma filha. Problema existiria se por acaso ele ainda fosse casado.

Mesma opinião que eu tinha.

Desde que conversamos, decidimos ser mais devagar no relacionamento e também não chamar tanto a atenção na escola. Não que nós nos tratássemos como se não nos conhecêssemos, mas não havia tanto contato quando estávamos fora do local de trabalho. Ele ainda abria as portas, convidava para almoçar, perguntava se tudo havia ocorrido bem e se eu precisava de alguma coisa... e mandava mensagens quando ninguém estava olhando.

Não que fosse proibido ter relacionamento entre colegas, mas... era sempre bom manter o respeito em local público.

Não falava com Edward desde esse dia que decidimos tentar continuar com o que estivesse acontecendo entre nós. Por conta disso, celular não parava de tocar. Pelo menos uma vez por dia ele ligava e deixava uma mensagem na caixa postal, e sempre nos piores momentos.

Como agora.

-Não me parece ótimo. – ele me contrariou, pegando minha mão e apertando meus dedos – Sua mão está gelada.

Dei um sorriso forçado e tirei imediatamente a mão do alcance dele.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Claro que ele sabia o motivo.

-Está nervosa em encontrar Sophia?

-Eu... – deu um suspiro. Soltei todo o ar preso nos pulmões e olhei o rosto dele, concentrado em dirigir e não perder o controle da direção – Eu fico com medo do que ela pode achar de mim.

-Ah. – foi só o que ele disse, provavelmente para me ajudar a falar mais.

-Eu quero que Sophia goste de mim. Por isso vou me esforçar ao máximo para que ela goste de mim.

-Não acho que precisa se esforçar, Bella. – ele franziu a testa enquanto falava – Acho que as pessoas já gostam naturalmente de você.

Esme Cullen também me disse isso nesta mesma semana, e mal ela sabe que o filho dela me rejeitou como namorada.

-Eu não sinto que isso seja verdade. – falei com toda a sinceridade. Não gostava de ser ignorada. Não gostava de ser rejeitada.

Será que era hora de fazer terapia e deixar tudo de ruim para trás?

~o~

Chegamos dez minutos depois ao parque. O sol estava incrivelmente forte para quem mora em Forks. Possivelmente choveria mais tarde, o que acabaria com a festa de quem gosta de calor.

Liam saiu do carro e me deu a mão, guiando-me até um dos bancos próximos ao balanço.

Nem precisei perguntar quem era Sophia. A menina que estava brincando num dos balancinhos era a cara e o focinho do pai. Ao vê-lo, ela deu um adorável grito de surpresa e correu na direção dele.

Foi nessa hora que ele largou a minha mão e ajoelhou-se para acolher a menina nos braços dele.

-Papai, papai! – ela o abraçava com igual força, tal como eu fazia quando ia visitar meu pai em Forks durante as férias.

-Minha bonequinha... – ele cheirou o cabelo dela, um ruivo/loiro que só era definido pelo sol incidindo nos fios, igual ao pai – Saudades de mim?

Sophia afastou o rosto e olhou para ele, confirmando com a cabeça. Depois olhou para mim e sorriu.

-Filha, lembra que eu falei ontem pelo telefone que traria uma amiga? – ele voltou a olhar para mim, sorrindo – Esta aqui é Bella.

Hmm... nada de comprometimento ainda. Eu sou amiga dele. Consigo lidar sendo amiga.

Com certeza vamos conversar muito depois a respeito disso.

-Oi. – ela falou mostrando todos os dentes – Meu nome é Sophia.

-Olá, Sophia. Eu sou a Bella.

-Beiaaaaa... – ela pronunciou o nome como se testasse o som.

-Ela tem um... problema para pronunciar o "l". – Liam me assegurou – Um fonoaudiólogo me garantiu que é normal.

-É normal. – eu o reassegurei – A voz dela é linda.

-Olá, Liam... – alguém falou atrás de nós e ele e eu nos viramos, parando a conversa. A menina nos braços do pai só fez olhar por cima do ombro dele.

Uma moça, provavelmente um pouco mais velha que eu, estava em pé, segurando a bolsa junto ao corpo. Usava roupas elegantes e tinha um sorriso forçado.

E era bonita. Alta, olhos verdes e cabelo bem louro, tão louro quanto o de Rosalie.

O que Liam havia visto em mim? Aquela mulher era linda.

Deixa de ser besta, Bella, a voz de Rosalie soou na minha mente, implicando.

-Margareth. – ele falou num tom educado – Bom dia.

-Bom dia, Liam. – ela falou, olhando curiosamente para mim – Você deve ser Isabella. Liam me contou ontem a seu respeito.

-Olá. – estendi minha mão e ela a aceitou com outro sorriso forçado – ... Margareth.

-Pode me chamar de Maggie. Só ele me chama de chama de Margareth. – ela falou, revirando os olhos como se chamá-la pelo próprio nome a irritasse.

Depois me ignorou completamente e olhou o ex-marido, que segurava a mão de Sophia.

-Eu a pego mais tarde... certo?

-Sim. – ele confirmou, dando outro sorriso forçado – Estaremos na cidade mesmo.

-Aqui na bolsa estão as coisas dela. – ela entregou uma enorme bolsa cheia de marcas e manchas, sinais de que já a possuíam há bastante tempo – Espero não ter esquecido nada.

Ficamos em silêncio por alguns minutos até Maggie quebrá-lo.

-Vou indo. – ela abaixou-se para falar com a filha – Comporte-se e seja boazinha com o papai.

-Tá bom, mamãe. – a menina respondeu, assentindo ao mesmo tempo.

Sophia recebeu um beijo na testa da mãe e depois nós três a vimos se afastar e ir embora.

-Bem... – Liam deu um sorriso e estendeu a outra mão para mim – Vamos?

-Vamos. – concordei logo, aceitando a mão.

~o~

Uma semana havia se passado desde que Sophia, Liam e eu saímos pela primeira vez.

Fizemos um passeio normal. Liam conhecia um parque infantil, para onde fomos para brincar até chegar o horário de vermos um filme infantil num dos poucos cinemas de Port Angeles. Sophia adorou o filme e conversou comigo o tempo todo, sempre me chamando pelo nome de Bella e fazendo falando sobre o que gosta de fazer ou de ver na tevê. Num único dia eu já sabia que ela gostava do Patrick do Bob Esponja, de desenhar o Botas da Dora, a Aventureira, e que a cor favorita dela era verde, porque era a cor dos olhos da mãe dela.

Vimos Frozen e ela não parou de falar com o pai ou comigo o filme todo. A mocinha era uma tagarela.

Quando reencontramos a mãe dela e nos despedimos, ela chegou a me dar um beijo no rosto.

Considerei uma vitória pessoal esse primeiro encontro. Eu estava bem nervosa com a possibilidade de Sophia não gostar de mim, mas tudo correu bem. Apenas no final ela continuou abraçada ao pai e choramingou que não queria ir embora.

Tirando isso, ela era uma adorável menina de quatro anos.

Hoje iríamos sair de novo. Desta vez para visitarmos um dos programas de leitura para crianças na biblioteca pública da cidade e depois lancharmos.

Enquanto eu me arrumava, o celular tocou. Achei que era Liam avisando que horas iria passar, mas depois vi que era Edward.

Edward Cullen estava me ligando.

Estava já cansada do que estava (ou não estava) acontecendo entre nós e decidi dar uma chance de conversa. Só esperava que ele não falasse nada contra Liam novamente, porque senão...

-Sim? – falei ao atender.

-Bella... – ele parecia aliviado – Finalmente.

Fiquei em silêncio, mordendo meu lábio inferior com força.

-Bella? – ele perguntou de novo.

Limpei a garganta, percebendo que não havia falado nada.

-Hmm... desculpe. – falei depressa para quebrar meu silêncio – Tudo bem, Edward?

-Você está ocupada? – ele perguntou.

-Estou me arrumando pra sair com Liam. – falei com cuidado, temendo com o rumo da conversa – E com a filha dele.

Desta vez, quem ficou em silêncio foi Edward.

-Por que está me ligando? – decidi perguntar, cortando logo os rodeios.

-Eu gostaria de pedir desculpas... pessoalmente.

-Oh... – murmurei. Eu realmente não esperava isso.

-Você está... ocupada demais, ou podemos marcar um dia para nos vermos?

-Você está em Port Angeles ou voltou para Seattle?

Edward ficou por um instante calado.

-Eu moro agora em Port Angeles... Minha família voltou para Seattle. – ele falou num tom de como eu já deveria saber por motivos óbvios.

-Ah, sim. Claro. – fazia muito tempo que eu não falava com ele, mas não fiquei surpresa de não saber essas coisas que pareciam realmente óbvias. Eu não entendia como Edward podia morar em Port Angeles se até há algumas semanas ele tinha emprego e um apartamento em Seattle.

-A gente pode sair... como amigos. Como antes. – ele falou num tom casual, mas dava para notar o nervosismo – Nós estávamos nos dando tão bem, Bella. Eu não quero voltar ao que era antes.

Ele tinha razão.

Edward tinha razão de falar que estávamos voltando a sermos amigos depois de tantos anos, mas que novamente deixamos as coisas entrarem em nosso caminho.

-Tudo bem... – dei um suspiro – O que você sugere?

-Um filme e jantar amanhã na minha casa?

-Amanhã...? – eu repeti. Amanhã era domingo. Liam não havia combinado nada ainda.

Mas não ficaria bem eu deixar Edward sem uma resposta logo.

-Sim. – falei com firmeza – Que horas amanhã?

Escutei uma risada de alívio dele. Ele parecia bem feliz com minha resposta.

-Eu posso buscá-la em casa às quatro?

-Claro. Vou chegar depois disso à sua casa se eu depender do transporte público daqui.

Escutei outra risada dele, mais espontânea, mais natural.

-Ok, Bella. – ele continuou, ainda rindo – Vai escolher o filme também?

-Nada de musical com o Russel Crowe como cantor.

-Vou filtrar as buscas, então. – ele disse, e quase deu para imaginá-lo dando aquele sorriso torto – Vocês vão aonde?

-"Vão"? – repeti sem entender.

-Você e... – escutei uma tossida – Liam e a filha dele não vão sair?

-Ah, sim. – falei com um sorriso – Vamos ver um programa para crianças na biblioteca da cidade e depois comer juntos.

-Ah... certo. – ele falou secamente – Bem... então... bom programa para vocês.

-Obrigada. – falei com sinceridade.

Escutei a campainha tocar e depois ouvi outra pergunta de Edward.

-É ele?

-Acho que sim. – falei olhando pela janela mais próxima, mas não era possível ver quem estava na porta. De onde eu estava dava para ver apenas uma parte do Audi R8 de Liam – Sim, é ele mesmo.

-Então... boa diversão. Nós nos vemos amanhã.

-Até amanhã, Edward. – falei, e desliguei.

No outro segundo, a campainha tocou de novo e eu corri para atender.

Ao abrir a porta, vi Sophia e Liam parados. Mas eu fingi que não vi a menina ao evitar olhar para baixo.

-Onde está Sophia?

-Aqui! Aqui, Beia! – alguém gritou pulando do chão, e continuei fingindo.

-Mas onde? – olhei para os lados e até para cima, mas não para baixo.

Imediatamente senti dois bracinhos envolverem minhas pernas e alguém quase implorando minha atenção.

-Aqui, aqui! – continuou me segurando.

-Oh. – fingi surpresa, levando minhas mãos ao coração – Você estava aí o tempo todo, Sophia?

Ela deu um enorme sorriu antes de concordar, e senti meu coração derreter.

-Vamos? – Liam tocou hesitante minha mão, até envolvê-la completamente nos dedos – Temos que chegar antes do evento.

-Ok. – concordei e olhei para a pessoinha ainda agarrada às minhas pernas – Vamos, Sophia?

-Sim, Beia.

Entramos no carro de Liam e começamos a trafegar pelas ruas de Port Angeles em direção à biblioteca da cidade. Lembro-me vagamente do caminho das vezes que ia visitá-la quando ainda morava em Forks. Minha cidade natal não tinha muitas opções de livrarias e a única biblioteca era a da minha escola, então eu ia para Port Angeles para procurar e emprestar outros títulos. Isso, porém, foi há muito tempo.

-Você tem alguma coisa planejada para amanhã? – Liam perguntou de repente enquanto ouvíamos Sophia cantarolando alguma canção da escola.

-Só amanhã à noite. – falei, lembrando-me do que havia marcado com Edward.

-O que você tem amanhã à noite? – ele perguntou meio ríspido, e percebi logo pelo tom que ele não achava aquilo coisa boa.

Depois de um momento de silêncio, respondi:

-Jantar na casa de um amigo. – falei de uma vez, como se quisesse arrancar um band-aid na superfície da pele.

-O mesmo amigo que ficou ligando sem parar naquele dia e você precisou desligar o seu celular?

É claro que ele tinha que citar o dia seguinte à minha briga com Edward, quando ele não parou de me ligar e tive que desligar meu celular um dia inteiro. Liam teve que bater na porta de casa para saber se eu estava bem. Tive que explicar que um amigo e eu brigamos e que agora ele queria falar comigo.

Não era preciso dizer que Liam não gostou nem um pouco da história.

-Ele quer fazer as pazes, Liam. – falei, internamente me amaldiçoando por defender Edward – Foi uma briga feia.

-Hmm. – ele murmurou, mas não muito convencido.

Cruzei meus braços em frente ao peito e olhei pela janela durante o resto do caminho. Liam não tinha o direito de ficar com raiva por eu sair com meus amigos. Nem havíamos ainda discutido em que tipo de relação nós estávamos. "Colegas de trabalho" estava fora da lista, restando apenas "amigos" e "namorados".

-Beia, chegamos! – Sophia me chamou a atenção para o prédio ao nosso lado direito. Não era um prédio muito grande, mas era mais decente e maior que a biblioteca da principal escola de Forks.

Sophia quis imediatamente se soltar da cadeirinha, mas parou com um aviso do pai.

-Espere um momento, Sophia. Você tem sempre que esperar por uma pessoa grande.

Olhando para trás, vi Sophia tentando tirar o cinto da cadeirinha sozinha, mas parando com o aviso do pai. Ela fez um adorável beicinho, como se não quisesse ajuda de outra pessoa. Eu mesma me lembrava de ter feito isso com Charlie quando criança.

Saímos do carro e Liam tirou a filha do que parecia ser o confinamento dela dentro do carro. Continuamos sem nos falar, mas seguimos lado a lado em direção da entrada da biblioteca, ele segurando a mão de Sophia.

-Ei... – ele tocou meu braço – Desculpe, eu não quis aborrecê-la.

Preferi ficar calada, sem olhar para ele.

-Bella... – ele parou de andar e falou exasperado. Sophia notou a tensão e ficou em silêncio, olhando um para o outro.

Dei um suspiro e olhei para a menina entre nós.

-Vamos conversar sobre isso, certo?

Era a vez dele de dar o suspiro de cansaço.

-Ok. – ele concordou – Depois de deixar Sophia em casa.

Dito isso, continuamos seguindo caminho para passarmos a tarde com a menina.

~o~

Já era quase oito da noite quando finalmente deixamos Sophia na casa da mãe dela e Liam me levou de volta para casa.

Continuamos o tratamento silencioso e educado durante o resto do caminho até chegarmos à porta da minha casa. Parei na varanda e olhei para o mato que crescia no jardim. Estava na hora de cortá-lo. Talvez desse para fazer amanhã cedo, antes do almoço, antes do jantar, antes de encontrar Edward...

-Desculpe. – ele quebrou o silêncio, mas eu continuei com o meu.

Ouvi-o dar um suspiro exasperado antes de continuar.

-Escute... eu sinto muito, ok? Eu não queria dar uma de namorado ciumento quando você marca de sair com um amigo seu quando eu queria convidá-la para jantar comigo.

Ao ouvir a palavra "namorado", arregalei meus olhei e o encarei.

-Como disse?

-Quando? Antes ou depois de dizer que vai sair com seu amigo?

-Olha... – coloquei as mãos na cintura para controlar a ânsia de querer sacudi-lo pelos ombros – Nós nem definimos nosso "status de relacionamento"... – fiz aspas com os dedos – Pra você me dizer que não quer que eu saia com meu amigo.

-Eu achei que já tivesse percebido que é minha namorada.

Minha boca abriu e eu era capaz de jurar que minha boca caiu no chão.

Namorada.

Namorada de Liam.

Rose vai ter ataques de meninice por telefone.

-Mas eu não... eu... eu não entendo... – murmurei, gaguejando em confusão – Até semana passada você me apresentou como "amiga" para sua ex-mulher e sua filha.

-E nós passamos o resto da semana almoçando e jantando juntos e nos beijando fora do local de trabalho. – ele completou num tom meio irônico – Caso não tenha percebido, o "status do relacionamento"... – ele imitou minhas aspas com dedos – Mudou bastante nos últimos dias.

Eu fiquei sem palavras.

E aparentemente ele interpretou minha expressão de outra forma, porque ele ficou repentinamente horrorizado.

-Céus, Bella... – ele passou a mão pelos cabelos – Desculpe... Nós realmente não falamos nada sobre nosso compromisso um com o...

Interrompi aquela fala com meus dedos pressionados levemente nos lábios dele.

-Liam... tudo bem. – falei num murmúrio – Eu só estou... surpresa, só isso. Eu não tenho um namorado desde que era uma adolescente bobinha.

-Impossível. – ele beijou os meus dedos que ainda estavam em contato com os lábios dele – Os caras da sua idade eram cegos ou algo do tipo? Como eles não viam o quanto você é linda?

Senti meu rosto queimar e mordi o lábio para conter a risada.

E estranhamente o rosto de Edward apareceu na minha mente.

-Acho que eles sempre me viram como a irmã mais nova do que a filha bonita de um chefe de polícia. Era mais seguro.

Liam riu.

-Bem... – ele envolveu minha cintura com um braço – Então se amanhã está fora... Podemos jantar juntos na segunda?

-Claro. – dei um sorriso e fiquei na ponta dos pés para roçar meus lábios nos dele – Boa noite, namorad...

Antes que eu completasse, ouvimos pneus levantando poeira da rua e partindo na maior velocidade possível. Ao virarmos o rosto para o lado, só vimos um veículo mais escuro praticamente queimando o asfalto.

-Você já ligou para a polícia para falar sobre isso? – Liam franziu a testa – Acho que é a segunda vez que vejo esses arruaceiros por aqui.

-Eu sou filha de um chefe de polícia, lembra? – dei um sorriso – Vou ligar pra ele e falar sobre isso. Ele provavelmente tem amigos que jogam cartas com ele na delegacia daqui.

-Fabuloso. – ele resmungou e me deu um rápido beijo nos lábios – Você pode me ligar amanhã depois do seu jantar?

-Claro. – meu sorriso se alargou.

E ele me deu um beijo só para garantir que eu ligaria.

~o~

Depois do dia todo limpando a casa e preparando o material para trabalhar em mais uma semana de aulas, lá estava eu me arrumando para ir ao jantar na casa de Edward.

Às quatro horas, eu estava terminando de enxugar meu cabelo quando ouvi a campainha tocar.

Depois de enrolar meu cabelo numa toalha, corri novamente para a entrada, e nem precisei olhar pelo olho-mágico para saber quem era.

Abri a porta e dei de cara com um enorme buquê de tulipas vermelhas e íris brancas.

-Hugs and Kisses. – o rosto de Edward apareceu por cima das flores, todo sorridente e orgulhoso de si mesmo, estendendo-as para mim – De nada, minha Bella.

Ergui uma sobrancelha, confusa, mas aceitei assim mesmo as flores.

-Um pedido de desculpas. – ele falou, balançando-se na ponta dos pés – Achei que ia gostar e me dar beijos e abraços, mas já vi que estava errado.

-Oh... – olhei para ele e depois para o arranjo em minhas mãos – Desculpe, eu só estou... atordoada. – dei uma risada – Obrigada, Edward. Não precisava.

-Oh, eu acredito que precisava sim. – ele tinha um brilho estranho nos olhos, e fiquei levemente inquieta com aquilo – Eu precisava muito sim, Bella.

Talvez eu estivesse imaginando coisas, então era melhor deixar a inquietação de lado. Dei passagem para ele e eu o vi ficar parado, meio desconfortável, no meio da sala.

-Você espera um pouco? – perguntei, indicando o meu quarto e o buquê ao mesmo tempo, mas com mãos apontadas em direções diferentes – Pode encher a jarra que está em cima da pia com água e pôr as flores nela enquanto eu termino de secar meu cabelo?

-Mas é claro, madame. – ele voltou a assumir a pose de empregado que fez na casa dos pais e eu não pude deixar de rir.

Voltei para o quarto e liguei o secador, separando bem as mechas úmidas para desembaraçar tudo. Meu cabelo estava tão longo, eu nem tinha reparado. Vou ter que tirar um dia para ir ao salão e mandar cortar alguns centímetros.

Curvei meu corpo para frente para secar os fios perto da nuca, gostando de sentir o vento quente em mim. Era um prazer secreto que não dividia com ninguém, porque todo mundo com certeza me olharia estranho se eu contasse que gosto do vento quente do secador na minha cara.

Depois que fiquei satisfeita com o resultado, fiquei com a coluna reta e olhei-me no espelho, dando um grito ao ver Edward parado atrás de mim.

-Calma... – ele ergueu as mãos para me acalmar quando me virei para encará-lo – Eu vim perguntar onde você queria que eu colocasse o vaso.

Dei um profundo suspiro de alívio e senti depois meu rosto queimar porque, afinal de contas, Edward Cullen estava no meu quarto.

-Oh... – recuperei-me rápido, virando-me novamente para o espelho, observando-o por ele – Pode deixar em cima da mesinha da sala, por favor.

-Hmm. – ele falou, mas não fez nada disso. Ele ficou me observando e observando, e aquilo me deixava inquieta e mais inquieta.

-Algum problema? – perguntei na curiosidade, arrumando as mechas. Peguei a escova e comecei a penteá-lo, tentando fortemente ignorar o olhar dele em mim.

Foi quando eu o senti.

Parado atrás de mim.

Os dedos deslizando suavemente nos meus antebraços, mas sem realmente tocá-los.

-Nenhum, Bella... – ele falou suavemente – Não há problema algum...

Continuamos nos encarando até ele baixar as mãos e afastar-se.

-Quando estiver pronta, eu estarei na sala. – ele falou, ainda se afastando com passos lentos – Podemos conversar depois do nosso jantar e filme?

-Você me disse que não tinha nenhum problema... – falei, piscando confusa e baixando a escova – Aconteceu alguma coisa?

-Vamos conversar sobre isso.

-Eu quero conversar agora. – até eu ouvi meu tom petulante.

Edward deu uma risada e piscou para mim.

-Mais tarde, Bella.

E saiu do quarto, deixando-me atordoada.

-Mas... mas...

Sabe o que me deu mais raiva?

O maldito sempre soube como me deixar morrendo de curiosidade.


Eu sei que prometi no início do mês, mas eu fiquei realmente ocupada... lendo fanfics :( e com as festas de final de ano :(

Ainda não mandei o outtake, eu sei. Mandarei neste domingo (06/01) a todos que comentaram no capítulo 20, não se preocupem. E quem comentar neste daqui, vai receber um outtake especial do PoV da Bella sobre a ida de Edward para NY.

O que acharam do capítulo? Não se esqueçam que tem final feliz e que a história é ExB. Vocês ainda gostam do Liam? Hahahaha. Ah, a história tem mais uns oito capítulos, se por acaso eu não me estender demais.

Próximo capítulo: dia 16/01.

Twitter: (estou usando bastante nos últimos dias. Férias, sabem como é): marierohan

Um beijo, Marie.