The Tracker II

Demetri corria entre as árvores densas de Forks, sentindo o cheiro característico daquela maldita cidade invadir os seus sentidos depois de tanto tempo. E o cheiro de sangue. Aquela vampira recém-criada estava deixando mais corpos e sangue pela grama úmida do que qualquer vampiro recém-criado que ele já havia visto.

Aro não aprovaria aquilo de jeito nenhum. Precisava fazê-la parar de matar de qualquer forma, nem que para isso tivesse que trancá-la em uma jaula de aço. Mas aço não era resistente o bastante para um recém-criado.

Parou por um pequeno momento, fechando os olhos e farejando tudo ali. A mata estava calma. Apenas alguns animais silvestres noturnos andavam pelas árvores, mas nunca se aproximando do pior predador. Animais tinham um sentido mais aguçado do que os humanos. Uma brisa leve bateu em seu rosto, trazendo consigo o aroma dela. Era quase o mesmo. Não era apetitoso como sangue humano, mas lhe deixava excitado da mesma forma. Doce... diferente...

Respirou fundo, sentindo-se endurecer, a calça jeans suja de barro ficando apertada. Concentrou-se em outra coisa para não deixar pensamentos impróprios lhe atrapalharem a missão. Seu dom foi posto à prova. E com uma facilidade absurda, ele a sentiu. Era o mesmo fluxo de pensamentos. Dor emocional, confusão... raiva. A raiva estava mais sobressalente do que todos, mas Demetri já estava preparado para isso. Ela estava quebrada emocionalmente, para ser mais preciso. Pela segunda vez.

Demetri sentiu uma fúria fora do normal. Sabia que tinha feito parte disso, mas a família Cullen também havia interferido em sua missão, pedindo para Aro que estivesse próxima no dia da transformação dela. Se aquele malditos vampiros vegetarianos não tivessem se metido no meio daquilo tudo, nada disso estaria acontecendo. Ela não estaria quebrada e ele estaria a ajudando a caçar.

Sentiu-se mal. Sabia que era o lado companheiro falando. Não queria magoá-la. De forma nenhuma. Sabia que nunca ia querê-la machucada. Tinha certeza de que Bella era dele, e sempre seria dele, e isso fez com que Demetri sentisse ainda mais a atração que ela exercia sobre ele. Fechou os olhos, perguntando-se como aquilo tudo era possível.

O cheiro estava mais forte, e ele sentiu a presença dela por perto. O fluxo ficou mais claro. Ele deu alguns passos em direção à presença sobrenatural que o invadia. E apenas a alguns metros, ela estava parada, em cima de uma rocha, olhando com atenção tudo que estava a sua frente.

Começou a chover. As gotas grossas caíam com rapidez e força, molhando o corpo belo, torneado e ameaçador. Ela estava vestida com roupas mínimas. E o tecido grudava na pele clara do seu corpo, fazendo as curvas ficarem ainda mais visíveis. Demetri engoliu em seco, sentindo o veneno lhe invadir a boca. Ela estava ainda mais linda e apetitosa. Nunca havia a visto como vampira. Ela era uma bela cria. Sua cria.

Perguntou-se até onde aquele maldito escudo invisível iria, e se poderia se aproximar mais um pouco. Parecia que o corpo dela era um imã para o seu.

Bella sentiu uma presença atrás de si, de repente. Virou-se com rapidez, mas não viu ninguém. Estranhamente sabia que não estava só. Um rosnado ameaçador saiu de sua garganta. Não conseguia farejar ninguém, o vento não estava a seu favor. Temia que fosse um dos Cullen, tentando impedi-la de fazer tudo o que ela sabia fazer. Ela franziu o cenho e voltou a olhar para frente, levantando o rosto e deixando as gotas de água caírem em sua pele.

Automaticamente, Demetri se aproximou. E quando fez isso, percebeu o corpo da vampira se enrijecer.

Ela rosnou novamente, mas não se virou. De repente havia sumido, correndo na direção norte e deixando-o sozinho ali. Ele conseguia sentir o fluxo de pensamentos dela com mais clareza do nunca. Cólera. Cólera direcionada a ele.

Ele havia passado pelo maldito escudo, e agora ela sabia que era ele que estava atrás dela. Correu pela mata, sentindo o aroma doce e seguindo-o como se fosse um animal com fome.


Bella corria com toda a sua velocidade, sentindo os galhos finos das árvores baterem em seu rosto de mármore e quebrarem-se com facilidade por causa do impacto. Um pedaço da blusa já rasgada havia ficado para trás, expondo ainda mais a barriga branca e lisa.

Era ele. Tinha certeza que era ele que estava a seguindo. Estranhamente sabia disso. Havia desconfiado desde o momento em que sentiu a presença atrás de si, mas duvidou de si mesma. Não poderia ser ele... não depois de quatro meses...

Agora o sentia a todo o momento. Como se suas mentes estivessem interligadas. Sentia seu fluxo de pensamentos. Raiva, desespero, saudade, desejo... e determinação. Ficou com um pouco de medo desse último. Conhecia o Volturi o suficiente, e sabia que quando o vampiro queria algo, não parava enquanto não estivesse satisfeito.

Ela diminuiu a velocidade da corrida, respirando fundo e procurando o aroma doce de sangue. Estava com sede, muita.

De repente, como uma onda quase física lhe atingindo, sentiu diversos fluxos de pensamentos lhe engolfar. Cada fluxo ali pensava e sentia algo. Mas estava tudo embaralhado. Eram muitos, como se Bella estivesse captando a essência de todas as pessoas que viviam em Forks. Sorriu maliciosamente, percebendo que havia adquirido o dom peculiar de Demetri. Por um lado, aquelas ondas lhe atingindo eram maçantes e diversas, por outro, poderia lhe ser útil.

Por mais que sua curiosidade estivesse no ápice, Bella sentia uma raiva anormal aflorar em seu corpo. Não queria vê-lo, queria matá-lo. Demetri havia dado a mordida que a transformaria e mudaria o rumo de sua vida para sempre. E havia a abandonado. No momento mais crucial para ela, ele havia a abandonado. Ela era uma recém-criada deixada para trás, como fora uma humana deixada para trás. Uma cria sem dono. Sem tutor.

Por mais que Carlisle tivesse tentado explicar a ela sobre seu poder, depois de semanas a observando e tentando descobrir o motivo de sua sede, Bella não conseguia se controlar. Sentia desejo de sangue a todo o momento. E depois de matar sem pudor tantas vezes e tão frequentemente, não estava dando muita importância à sua falta de controle. Já não queria mais se controlar igual sempre se controlou em sua vida humana. Sua raiva por ser incompreendida e abandonada foi recompensada com diversas mortes de humanos inocentes, e ela não se importava.

Tentou se concentrar, lembrando-se de que não sabia a maneira correta de manipular aquele dom estranho. Começou a observar à sua volta. Havia alguns fluxos de pensamentos bem próximos um do outro. Um grupo fazendo trilha? Um acampamento?

Não pensou muito, logo retornou a sua corrida, seguindo aquele fluxo estranho. Aproximou-se de um lugar onde as árvores eram mais espaçadas, dando vista para uma minúscula clareira. Uma barraca de lona escura estava montada, protegendo da chuva forte os humanos que estavam lá dentro, mais precisamente três. Bella sorriu e se aproximou com cautela, não fazendo nenhum barulho adicional.

A chuva deixava o cheiro do sangue mais intenso, o que não a ajudava. Bella começava a se descontrolar. Chegou à barraca e com um movimento de mãos, rasgou a lona de aparência firme. Uma mulher gritou, mas antes que os dois homens pudessem acordar, ela enfiou os dentes afiados na carne trêmula da humana, sugando o sangue tão desejado com fome. A secou em apenas minutos, e nesse mesmo momento, os homens acordaram, confusos com a cena.

Um fitou a sua mulher, os olhos passando o horror que sentiu ao ver o pescoço dilacerado. O queixo de Bella pingava sangue, e ele a olhou com fúria. Mas antes que pudesse tentar uma possível violência física, ela o puxou, abrindo a sua carne também, e sugando-o.

O outro fugiu. Inutilmente. Bella conseguia escutá-lo, os passos pesados e trêmulos fazendo barulho pela grama encharcada da floresta. Não se importou muito com a tentativa de fuga, sabia que com apenas quatro segundos o alcançaria. Terminou o humano que estava drenando e o jogou em cima da mulher, correndo em direção ao outro.

Não demorou muito a alcançá-lo, e quando enfiou os dentes no pescoço dele, sentiu que sua sede estava começando a diminuir. Ele era mais adocicado, como se não tivesse bebido álcool nem fumado nada durante horas. Limpo.

Bella fechou os olhos apreciando o humano peculiar, já estava morto, a ausência de batimentos cardíacos gritava para ela isso. Mas antes que ela pudesse terminá-lo, sentiu uma mão forte lhe puxar pelo pouco de roupa que ainda vestia. A carne do humano foi solta de suas presas facilmente, e ela foi arrastada para longe.

O humano saiu de seu campo de visão rapidamente, a chuva apagando o rastro do seu sangue adocicado. Provavelmente aquele líquido divino estava agora entrando pela terra, sendo desperdiçado. E isso a fez sentir ainda mais raiva da pessoa que estava a puxando para o meio da floresta.

Um rosnado severo saiu de sua garganta, um rosnado de advertência. Ele não deu importância a isso e a jogou com força e violência em um tronco de árvore. Se Bella fosse humana, já estaria morta com a força do impacto. Mas agora ela não era, e o Volturi estava abusando do corpo imortal dela.

Os olhos se encontraram pela primeira vez depois de meses. Bella se sentiu estranha. Aqueles olhos vermelhos, agora da mesma cor dos olhos dela, pareciam cavar um buraco em seu peito. Demetri não estava diferente, pela primeira a olhava sabendo que a garota era sua companheira. E cria. Cria desobediente e que no momento estava lhe dando muito trabalho.

- Seu fluxo... ele sumiu. Eu deixei de sentir...

Bella balbuciou. Demetri percebeu que ela estava confusa. Não tinha nem ao menos sentido sua presença, visto sua aproximação, e farejado seu cheiro. A resposta era óbvia.

- Um recém-criado com sede não dá muita atenção ao que se passa à sua volta. Erro seu, garota. Se tivesse sido treinada corretamente, teria me matado antes mesmo de eu ter impedido sua última refeição.

A raiva tomou o corpo de Bella, inflamando-o de um jeito perigoso. Demetri viu isso nos olhos dela, e preparou-se para o pior. Ela tentou fugir, usando toda a sua força para sair do aperto dele, mas a mão do vampiro fechou ainda mais fortemente em sua garganta. E algo a parou. Algo sobrenatural igual aos dois, a parou.

Não era segredo para os dois ali que Bella era muito mais forte do que ele. Mas Demetri sabia os pontos fracos de um recém-criado, e sabia imobilizar um quando queria. E estranhamente Bella se sentia fraca quando estava próxima a ele. E algo em seu subconsciente gritava que ela ainda estava ali, porque queria estar ali.

As respirações estavam pesadas, o hálito dele, agora na mesma temperatura do dela, estava quente e batendo em seu rosto. O cheiro de canela a inebriava. Demetri sentia o cheiro característico dela também.

Ela ignorou tudo o que seu corpo gritava para fazer, e com um rápido movimento, fugiu da mão dele, tentando correr. Mas ele a puxou pelo cabelo, fazendo-a rosnar em fúria. Aquilo o excitou mais do que o normal. Ele a jogou no chão, onde Bella enfiou as mãos no barro que havia virado o solo por causa da chuva.

Ela sentiu o corpo do vampiro lhe prensar, o peito forte bater em suas costas quando ele a forçou para baixo, a mão forte segurando o cabelo dela. Com a outra, ele rasgou as peças de roupa podres e ínfimas que cobriam o seu corpo esbelto e feminino. Bella mostrou os dentes em um sinal de perigo.

E então ele a penetrou.

Ela não conseguia discernir em que ponto o vampiro estava quase quebrando o seu pescoço, até o momento em que ele estava sem roupa. Mas agora o seu corpo quente batia contra o corpo dela com uma força brutal, mostrando quanto ele a desejava. O desejo era recíproco. Senti-lo dentro de si novamente depois de tanto tempo fez o corpo dela inflamar, como se um vulcão tivesse entrado em erupção, as mãos masculinas correndo pelo corpo perfeito dela pareciam lava, deixando tudo quente por onde passavam. Machucando-a.

Ele a puxou para cima pela cintura, fazendo Bella ficar em uma posição que era considerada de prostituta. Mas ela não se importava, conseguia se concentrar apenas nele, e no que seu corpo sentia por causa dele. Demetri começou a tocá-la com uma mão, enquanto a penetrava sem pudor, e no momento em que achou que não aguentaria mais, ela soltou um rosnado animalesco de satisfação sexual, amolecendo o corpo.

Ele derramou-se dentro dela, sentindo-se como um animal que marca território, sabendo que seria o único que entraria naquele corpo, o único que o tocaria. E que Deus lhe perdoasse, se ele realmente existisse, mas começaria até mesmo uma guerra com os Volturi caso algum vampiro por lá quisesse tocá-la. Ou algum vampiro no mundo.

Ele a virou, percebendo que o corpo dela estava ainda melhor. Mais bonito e maleável. Aguentava mais força. Agora Demetri poderia desejá-la e demonstrar isso sem se preocupar em machucá-la. Olhou em seus olhos. Tinha tanta coisa para falar a ela. Fazer o convite para se juntar aos Volturi, ensiná-la a se alimentar, explicar o seu dom, dizer que estava ali para parar a loucura que ela cometia de hora em hora. E principalmente, dizer por que havia a abandonado no momento em que prometera estar ao lado dela.

Mas esqueceu-se de tudo, e decidiu beijá-la. Palavras poderiam esperar, a necessidade do contato físico não. E por mais que Bella estivesse em fúria, por mais que ela quisesse matá-lo ali, ela retribuiu tudo com intensidade dobrada. Os corpos nus unidos em apenas um só, a língua dele a invadiu, assim como o gosto de canela, os lábios macios e sedosos movimentando-se com precisão. Bella havia sentido falta daquele beijo. A temperatura agora era a mesma, tornando tudo mais prazeroso.

O corpo dele a prensava, e ela o sentiu ficar excitado novamente. Rolou por cima dele, encaixando-se. Demetri já começava a correr as mãos novamente pelo corpo feminino, o toque a incitando a esquecer de fugir. Mas ela separou os lábios, olhando-o com uma intensidade anormal.

- Eu odeio você.

Disse sem rodeios, e sumiu. Desapareceu, deixando Demetri sozinho. O vampiro rosnou, sua impaciência começando a dar os primeiros sinais. Teria que caçá-la novamente? Ela estava ainda mais forte e rápida pelo sangue bebido. E pior, completamente nua.