Aviso: Este capítulo contém cenas que podem ser consideradas inapropriadas para a classificação do fic... Não acho que seja grande coisa, mas considerei melhor avisar... hehe...
Boa leitura!
Suteki da ne
Capítulo Vinte e Um
"Estou satisfeita!" – Sakura suspirou alegremente, repousando a xícara na mesa e observando Tomoyo encará-la com estranhamento. – "O que foi?".
"É que você acordou tão bem humorada hoje..." – comentou, ouvindo a outra dar uma risadinha, olhando para a porta por onde Shaoran e Eriol acabavam de passar. – "Aconteceu alguma coisa com Shaoran?" – a morena perguntou, notando um leve constrangimento da amiga à visão do rapaz.
"Por quê? O que você acha que poderia acontecer entre eu e o Shaoran, hein... Tomoyo?" – indagou em voz baixa e ergueu uma sobrancelha, deixando a morena um tanto confusa. – "Será que você sabe de algo que eu não sei?".
"Isso depende do quanto você está sabendo..." – Tomoyo sorriu de lado, vendo Sakura rir mais um pouco.
"Eu sei o suficiente..." – afirmou, enfática. – "E, apesar de ter descoberto que você esteve escondendo algumas coisas, estou tão feliz que nem me importo...".
"Como foi isso? Ele finalmente lhe disse como se sente?" – mordeu os lábios ao ver a amiga menear negativamente a cabeça.
"Não foi exatamente para mim que ele disse..." – Sakura olhou na direção do chinês, aumentando o sorriso ao notar que ele a observava. – "Eu não consegui dormir quando chegamos e fui para o salão, não querendo acordar você, quando ele e Yamazato chegaram discutindo...".
"Então você... ouviu a conversa dos dois?" – arregalou os olhos ametista, rindo suavemente.
"Eu sei que foi indiscrição de minha parte, mas foi para o melhor. Porque, além de saber que aquele baka também gosta de mim, fiquei sabendo que você, Eriol e, surpreenda-se, papai já sabiam de tudo e não foram capazes de me contar...".
"Não é bem assim!" – Tomoyo se defendeu. – "O que você pensaria, se ao invés de contar a você o que ele sente, eu dissesse a ele como você se sente?" – questionou, fazendo-a suspirar pesadamente.
"Você tem razão... E eu sei que não me contou nada antes porque, na verdade, cabe apenas a nós dois resolvermos isso..." – pegou a mão da corista sorrindo. – "Eu vou contar tudo a ele hoje..." – revelou, surpreendendo a amiga.
"Sakura! Isso é...!" – exclamou, elevando a voz.
"Tomoyo!" – Sakura gritou, fazendo-a calar-se enquanto ambas caiam na risada.
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Shaoran voltara para seu quarto logo após o desjejum, precisando fazer uma ligação e, agora, quase uma hora depois, ainda andava de um lado para o outro com o telefone colado ao ouvido. Suspirou pesadamente, observando as nuvens se acumularem lentamente sobre os picos das montanhas, e se perguntou quando o velho caduco no outro lado da linha pararia de tagarelar números e cifras que ele simplesmente não conseguia visualizar.
"...como pode ver, está tudo certo, então só precisamos que você assine o contrato para fechar o negócio..." – concluiu o homem, autoritariamente. – "A reunião está marcada para o dia vinte e oito, estou lhe enviando um e-mail com todos os dados, inclusive os pontos do contrato que serão modificados seguindo as sugestões de nossos sócios, e um advogado da Empresa irá acompanhá-lo para garantir que tudo esteja de acordo com o combinado...".
"Entendi. Verificarei os e-mails assim que puder..." - Shaoran olhou para a porta, vendo Eriol parar casualmente, cruzando os braços. – "Agora, se me der licença, eu preciso ir..." – e sem esperar por uma resposta, desligou o aparelho.
"Pela sua cara, acho que já sei do que se tratava..." – Eriol comentou, entrando e sendo seguido pelo amigo.
"Pior que ouvir o velho falar, por mais de meia hora, dando instruções sobre o que fazer e não fazer, o que observar no contrato, sobre mudanças de cláusulas e parágrafos, é ouvi-lo dizer que um advogado estará comigo quando eu for assinar o maldito contrato..." – comentou irritado. – "Por que, então, desperdiça o meu tempo? Eu nem concordo em estar indo fechar esse negócio uma vez que ainda não sou oficialmente um membro da empresa...".
"Mas eles disseram que você ganhou poder de decisão ao completar 18 anos, não é?" – o inglês indagou, recebendo assentimento. Ficaram em silêncio por alguns instantes. – "Falando em poder de decisão, quanto das ações dos Yamazato nós estaremos controlando quando vocês assinarem o contrato?".
"Fechamos a compra de dezoito por cento da companhia, com os trinta e dois que vocês adquiriram temos metade da empresa..." – Shaoran respondeu, pressionando levemente a têmpora. – "Se não se importa, Eriol, eu não quero falar sobre isso agora..." – alongou-se demoradamente. – "Acho que vou dar uma volta porque ainda não consegui aproveitar muito de nosso passeio..." – acenou levemente antes de se retirar.
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Sakura deixou seu livro de lado, olhando, entediada, pela janela e vendo o céu se tornar cada vez mais cinzento. Notou que, apesar de ainda não passar das quatro da tarde, já começava a escurecer lá fora. Ela suspirou olhando seus amigos espalhados pela sala da lareira, alguns sentados nas mesas de jogos e outros nos sofás conversando animadamente, uma vez que a gerência do hotel desaconselhara a saída e as atividades externas naquela tarde. Mas, apesar do clima leve do ambiente, ela começava a ficar incomodada com alguma coisa. Levantou-se e atravessou a sala, aproximando-se da mesa onde Tomoyo e as outras meninas conversavam.
"Com licença, mas alguma de vocês viu Shaoran essa tarde?" – indagou, vendo-as negar.
"Talvez ele esteja com Eriol por aí..." – Naoko sugeriu.
"Não... Eriol esteve jogando xadrez com Yamazaki pela última hora..." – Tomoyo respondeu, apontando para a mesa onde o namorado se encontrava.
"Não o vejo desde o café da manhã..." – Sakura voltou a olhar pela janela. – "Eu estou ficando preocupada..." – murmurou, sem perceber que era observada por um par de olhos azuis na mesa ao lado.
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Akio rolou os olhos, estranhando o estado de aflição que Kinomoto aparentava; não conseguia entender muito bem o motivo para tanta ansiedade.
'O Shaoran não está por aqui, qual o problema?' – indagou-se, percebendo a freqüência com que o olhar da garota se voltava para a janela.
Foi então que compreendeu o porquê de a outra estar apreensiva. O tempo havia mudado repentinamente: até o horário do almoço o céu era de um azul límpido, mas, agora, nuvens carregadas cobriam cada pedacinho do firmamento.
'E se Shaoran estiver lá fora?' – pensou, olhando na mesma direção que a garota. Mas logo dispensou a idéia. Shaoran era sensato e não ficaria lá fora com o tempo daquele jeito. Mesmo que tivesse saído, com certeza, já haveria de ter retornado à uma hora dessas. Voltou a observar Sakura, com um sorriso travesso surgindo nos lábios enquanto uma idéia se iluminava em sua mente. Já que a Kinomoto lhe roubara o namorado, deveria, pelo menos, diverti-la um pouco durante aquela viagem.
"Ele saiu..." – disse, seriamente, assustando tanto Sakura quanto as outras garotas que estavam na mesa. Sakura virou o rosto, evitando encará-la, parecendo, de certa forma, constrangida.
"Como assim 'saiu'?" – Tomoyo perguntou.
"Acho que foi até as pistas de esqui antes de o gerente avisar sobre a tempestade que está vindo; eu o vi indo em direção ao teleférico..." – explicou, notando que Sakura se agitava sem saber o que fazer.
"Mas já faz tempo que foi dado o aviso..." – Rika comentou, tentando tranqüilizar Sakura. – "Há essa hora ele já deve ter voltado...".
"Não acho..." – Yamazato deu um tom pensativo à própria voz, atraindo a atenção de Sakura. – "Se ele tivesse voltado, estaria aqui... Afinal, todos os amigos dele estão aqui..." – afirmou, olhando no fundo dos olhos da Kinomoto, deixando-a pálida e desconfortável.
"Acho que devíamos perguntar ao Eriol se o Li não estava no quarto..." – Tomoyo sugeriu, fazendo Sakura recuperar parte da cor nas bochechas.
"Tem razão..." – Naoko concordou, levantando-se enquanto via a amiga encaminhar-se até a mesa onde os rapazes jogavam.
"Eriol, você viu Shaoran?" – indagou, nervosa, interrompendo-os.
"Só o vi de manhã, quando ele saiu para dar uma volta..." – deu de ombros, vendo Sakura sobressaltar-se e arregalar os olhos como que tomando uma decisão. Virou-se e ia se afastando dos amigos quando sentiu que alguém a segurava pelo braço.
"Solte-me, Tomoyo! Eu preciso ir..." – disse, encarando firmemente os olhos ametista da garota. – "Eu não posso ficar aqui parada enquanto algo ruim pode estar acontecendo a ele, você sabe... Principalmente, não agora..." – soltou-se das mãos da morena, saindo da sala em disparada.
"O que foi que houve?" – Eriol indagou estranhando a situação.
Yamazato se ergueu em silêncio, vendo a garota se afastar em um piscar de olhos.
'Ela acreditou...' - sentiu uma pontada no peito pensando que aquela era a medida do quanto a garota amava Shaoran. Não saberia dizer se chegaria ao ponto de se arriscar dessa forma pelo rapaz, mesmo tendo certeza de estar apaixonada. Provavelmente, não. Ficaria inquieta e ansiosa, mas não sairia atrás dele. Lentamente, caminhou até onde os amigos de Kinomoto estavam.
"Vocês não vão impedi-la? Vão deixá-la sair com esse tempo?" – indagou, espantada.
Tomoyo arqueou as sobrancelhas, inquiridora. Seria possível que a ruiva estivesse preocupada com Sakura?
"Por kami! Tomoyo..." – Rika a chamou, apontando para a porta, por onde Shaoran entrava. O rapaz parecia ter acabado de sair de um banho, com os cabelos ainda úmidos.
"Ele estava no hotel...!" – exclamou com um pulo, correndo até o chinês. – "Ande! Rápido! Se você se apressar pode alcançá-la antes que ela pegue o teleférico!" – gritou, puxando-o em direção à saída e atraindo a atenção de todos na sala.
"Tomoyo, você vai arrancar meu braço desse jeito!" – Shaoran se assustou. – "Além disso, de quem você está falando? Quem está indo para o teleférico com um tempo desses?" – mal terminara de fazer a pergunta quando se dera conta da resposta. - "Onde está Sakura?" – indagou com a expressão assustada.
"Ela ficou preocupada por não tê-lo visto aqui a tarde inteira e foi procurá-lo lá fora..." – disse nervosamente, vendo o rapaz correr para a janela. Havia alguém se encaminhando ao teleférico.
"Eu não estou com um bom pressentimento..." – Li murmurou, encaminhando-se à saída. – "Mas o que ela tem na cabeça para sair com uma nevasca prestes a cair?" – indagou em voz alta, exaltado.
"Eu já disse. Ela foi atrás de você!" – Tomoyo respondeu, fazendo-o parar por um instante, confuso.
"Por quê? Não faz sentido..." – seu rosto todo transmitia a preocupação que estava sentindo, mas Tomoyo notou um pequeno brilho de esperança no fundo dos olhos do rapaz quando ele fez aquela pergunta.
"Também não faz sentido você ir atrás dela..." – a garota respondeu erguendo uma sobrancelha. – "Por que vai, então?".
"É... é diferente..." – meneou a cabeça.
"Será mesmo?" – Tomoyo sorriu confiante, fazendo-o arregalar os olhos.
"O-o que eu ainda estou fazendo aqui?" - ele se perguntou, saindo da sala, sendo seguido de perto por Tomoyo e Eriol. O resto da turma apenas o observava de longe.
"Vocês podem não conseguir voltar antes da nevasca começar..." – Eriol se pronunciou preocupado. – "Mas acho que já sabe disso..." – viu Shaoran concordar, levemente com a cabeça. – "Vai arriscar, assim mesmo?" – questionou erguendo, levemente, uma sobrancelha.
"Eu, sinceramente, não entendo porque motivo você insiste em fazer as perguntas quando já sabe a reposta..." – sorriu de lado, virando-se de costas para o casal.
Os dois o viram sumir aos poucos na distância, em silêncio. Os pinheiros se agitavam e o vento fazia um zunido incômodo.
"Isso está me soando como um mau agouro, Eriol..." – Tomoyo falou, sentindo o namorado abraçar-lhe a cintura.
O britânico ficou em silêncio olhando para o chinês, enquanto um sorriso se formava em seu rosto, algo dentro dele dizia que não era necessário se preocupar.
"Tenho certeza que eles estarão bem. Mas, por precaução, vamos esperar quinze minutos e depois avisaremos ao responsável pelas pistas que os dois não estão no hotel..." – falou, conduzindo-a novamente para dentro. Não perceberam que os primeiros flocos de neve começavam a cair sobre a montanha.
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Shaoran descia por uma pequena inclinação, lutando contra o vento que lhe dificultava a visibilidade. Suspirou profundamente, a locomoção estava longe de ser uma preocupação naquele momento. Havia certa dor em seu peito que parecia aumentar na mesma intensidade da neve que caía. E se alguma coisa acontecesse a ela? Ele nunca conseguiria se perdoar.
Chegou a uma elevação e parou, olhando em volta; ainda não conseguia ver o hotel, em parte por causa da distância, mas principalmente por causa da nevasca. Ao voltar sua atenção para o caminho, teve a impressão de ver alguém correndo desaparecer na próxima curva.
"Sakura!" – sussurrou, reiniciando a descida. Tinha que tomar cuidado para não escorregar e cair ou acabaria rolando montanha abaixo. Repreendeu-se por não ter lembrado de pegar um esqui, mas estava com tanta pressa que isso nem lhe passou pela cabeça na hora. Além disso, havia a possibilidade de não lhe deixarem subir a montanha atrás de Sakura. Parou assim que alcançou outra inclinação. Embora estivesse angustiado, estranhava e se sentia culpado por estar um pouco feliz com o fato de Sakura ter saído sob aquelas condições.
Ela foi atrás de você!...
Talvez estivesse confundindo o significado das palavras de Tomoyo, mas a verdade era que estava esperançoso... Se a garota saíra a sua procura, arriscando-se de forma tão irresponsável, havia uma grande possibilidade de, talvez, retribuir aos seus sentimentos. Quando a encontrasse ele precisava dizer a Sakura o que sentia... ou nunca iria se perdoar por tamanha covardia.
Levou um dos braços a frente do rosto, protegendo-o da neve que o atingia com certa violência. A tempestade estava armada, o vento uivava e sua visibilidade diminuía a cada segundo. Estava chegando à última curva daquele trecho da rampa quando, novamente, viu a pessoa a quem estava perseguindo. Não mais descia a montanha, mas se afastava da pista, indo em direção às árvores.
"Sakura! Espere!" – gritou, precipitando-se na descida. Ao vê-la voltar-se para trás, diminuiu a velocidade enquanto se aproximava.
"Shaoran?" – ela o olhou, parecendo confusa por um instante, mas então começou a correr em direção ao rapaz, jogando-se sobre ele e fazendo-o cair com tudo no chão. – "Shaoran! Eu fiquei tão preocupada... Tive tanto medo..." – disse contra o peito do rapaz, que a abraçava, aliviado.
"Está tudo bem, agora. Eu estou aqui, não precisa mais se preocupar..." – afagava-lhe os cabelos, emocionado. – "Mas você me deu um susto tremendo, sabia? Saindo do hotel com uma nevasca se armando...".
"Você estava no hotel?" – ela o encarou arregalando os olhos. – "Mas eles disseram que você estava aqui fora, que havia saído..." – ajoelhou-se ao lado dele, permitindo que se sentasse.
"Eu saí, mas foi antes do almoço... e, mesmo que eu estivesse aqui fora, como pôde sair numa situação assim tão perigosa? Em que estava pensando?" – repreendeu-a levemente, fazendo-a erguer o rosto e encará-lo seriamente. A intensidade dos olhos verdes que o encaravam fez com que a neve e tudo mais ao seu redor, subitamente, desaparecesse.
"Pra ser sincera, eu só conseguia pensar que você estava correndo perigo aqui fora e que se algo acontecesse a você eu nunca me perdoaria por..." – ofegou, com olhos se enchendo de lágrimas.
"Hei, não precisa chorar. Eu...".
"Não me interrompa!" – ela se aborreceu, espantando-o. – "É isso que sempre acontece quando eu tento falar desse assunto. Sempre tem alguém interrompendo. Isso me deixa tão frustrada..." – suspirou, vendo-o piscar confuso. – "Eu sei que já deveria ter lhe contado sobre isso, mas você também não colabora. Toda vez que eu crio coragem para conversar a esse respeito você mexe com a minha cabeça e fica mandando sinais confusos. Eu nunca sei o que pensar..." – suspirou resignada. Shaoran franziu a sobrancelha e abriu a boca para falar alguma coisa, mas ela recomeçou. – "E eu sei que é um pensamento egoísta, mas a verdade é que eu não conseguiria me perdoar se algo acontecesse a você. Não depois de todo esse tempo de indecisão..." – sussurrou, encarando-o de uma maneira que causou um arrepio por todo o corpo do rapaz. – "Depois de ter demorado tanto para conseguir coragem de dizer que..." - fez uma breve pausa: o jeito que Shaoran a encarava fazia com que ela esquecesse de respirar.
"Dizer o quê?" – indagou impacientemente, vendo-a começar a rir e menear a cabeça levemente. Sakura levou a mão ao rosto dele, mergulhando nos olhos castanhos que conhecia tão bem.
Shaoran sentiu o toque delicado e não pôde mais se controlar: tomou os lábios dela entre os seus. O toque era tão doce quanto ele se lembrava; ficou impressionado em como um gesto tão sutil lhe causava tamanho turbilhão. Afastaram-se apenas o suficiente para que pudessem olhar nos olhos um do outro. Ela sorriu enquanto as lágrimas de felicidade escorriam pelo seu queixo, um sorriso de limpidez tão intensa que o deixou com vontade de chorar.
"Hei... o que foi?" – ele perguntou, secando gentilmente o rosto dela.
"Você... me interrompeu... de volta..." – ela riu, aproximando-se lentamente e encostando a fronte na dele, encarando-o com os olhos marejados. - "Eu nem ao menos consigo dizer que eu te amo..." – concluiu, sentindo o coração bater fora de ritmo, descompassado.
Um sorriso se abriu lentamente nos lábios do rapaz, conforme aquela revelação se fixava em sua mente e coração, mas ele nada disse. Durante vários segundos ele permaneceu estático, apenas vendo o brilho dos olhos verdes.
"Então, você me ama..." – ele disse devagar acariciando de leve o rosto da moça. Sakura apenas confirmou com a cabeça, fazendo-o abrir ainda mais o sorriso. – "Eu desconfiava que sim..." – gracejou, fazendo-a sorrir levemente e dar um soco no braço dele, murmurando que ele era um mentiroso.
"Isso é tudo o que você tem a dizer?" – ela indagou tentando mostrar-se séria, mas simplesmente não parecia capaz de esconder o sorriso ou o brilho no olhar. Já sabia qual seria a resposta dele, mas queria ouvi-lo dizendo aquelas palavras olhando-a nos olhos.
"Não..." – abraçou-a fortemente e segurou-a bem perto de si, sussurrando em seu ouvido as palavras que ela tanto havia esperado.
Sakura riu, com o coração leve. Seria capaz de sair flutuando, não fosse o rapaz mantendo-a entre seus braços. Encarou-o apaixonadamente e passou os braços pelo pescoço do chinês, afagando-lhe os cabelos rebeldes.
O coração de Shaoran batia disparado no peito, ter a garota de seus sonhos entre seus braços e saber que ela correspondia ao que ele sentia era mais do que ele imaginava possível, então, ele a beijou, abraçando-a pela cintura e trazendo-a para mais perto de si; aprofundou o beijo, enquanto sua alma mergulhava em uma miríade de sensações.
Sakura deixou-se mergulhar, aproveitando cada uma das novas sensações que descobria. Há quanto tempo sonhava com aquele momento? Nem sabia mais. A única coisa que importava era o que estava sentindo naquele momento, e ela se sentia no paraíso: nada existia no mundo a não ser aquele instante.
Quando se afastaram, estavam ofegantes e encaravam, apaixonados, um ao outro com sorrisos em ambos os lábios. E então, subitamente, Shaoran despertou para o que acontecia ao seu redor.
"Nós temos que voltar ao hotel..." – disse, segurando-a pela mão. – "Está perigoso aqui fora...".
"Não acho que conseguiremos chegar lá com esse tempo..." – ela apontou para uma pequena casa há alguns metros de distância, próxima a algumas árvores, que até então havia passada desapercebida pelo rapaz. – "É melhor entrarmos ali até a tempestade passar...".
"Espero que seja uma das cabanas de primeiros-socorros da estação..." – falou, ao parar em frente à porta. – "Ou corremos o risco de estarmos invadindo propriedade privada..." – abriu a porta, para olhar o interior.
Havia um pequeno sofá de dois lugares em frente a um tapete de pêlo de carneiro, no centro do aposento, a poucos passos da entrada. No canto oposto à porta, próxima a três janelas basculantes dispostas lado a lado, via-se uma mesa médica e um armário médio de vidro, onde se viam vários vidros de remédio. Na parede lateral, havia uma lareira, apagada, e uma porta entreaberta que dava passagem a um banheiro.
"Parece que o aquecimento elétrico está funcionando. Vamos entrar..." – Shaoran sugeriu, vendo-a assentir.
"Nossa, meu agasalho está encharcado..." – Sakura suspirou, abrindo o zíper da jaqueta e o pendurando em um cabide preso à parede. O chinês entrou e fechou a porta, encostando-se a ela. – "É melhor tirar o seu casaco também para não ficar doente..." – ela disse, apontando para o cabide.
Shaoran retirou silenciosamente seu casaco e colocou-o no lugar que Sakura indicara. Enquanto isso, a garota seguiu até a janela, passando a observar a tempestade que se intensificava lá fora.
Ele se aproximou lentamente, abraçando-a pelas costas, e repousou o queixou no ombro dela, aspirando seu perfume. A neve continuava caindo com cada vez mais força, mas isso era algo sem conseqüência para os dois. Tudo o que importava era que podiam desfrutar a companhia um do outro e que se sentiam, pela primeira vez em muito tempo, tranqüilos, completos.
Sakura girou, dentro do abraço do rapaz, encarando-o e passando o braço por sua cintura, aninhando-se a ele, sem notar o som semelhante a um trovão, que se aproximava deles.
"O... o que é isso?" – Shaoran perguntou desviando o olhar para as paredes e reparando que o armário de remédios chacoalhava furiosamente. Sakura se encolheu ao ouvir um estrondo ensurdecedor que fez tremer toda a cabana.
"O que está acontecendo?" – agarrou-se à roupa de Shaoran, assustada, sentindo-o abraçá-la com mais força.
"Não sei!" – ele respondeu, tentando manter-se calmo. O mundo parecia estar desabando do lado de fora. – "Droga!" – ele murmurou, quando as luzes da cabana se apagaram e as lâmpadas de emergência se acenderam.
Após alguns minutos, o som esvaeceu e eles se separaram devagar; o chinês caminhou hesitantemente até a porta, sendo seguido de perto pela garota.
"Sakura, vá um pouco para trás..." – ele pediu, segurando a maçaneta com a respiração um pouco alterada. Afastou levemente a porta e viu um pouco de neve entrar na cabana pelo espaço. – "Ah! Era só o que me faltava!" – resmungou, abrindo-a totalmente, fazendo outros montinhos de neve caírem.
"Por Kami..." – Sakura exclamou, ao ver a barreira de neve que cobria totalmente a entrada. A única entrada da casa. – "Estamos... presos!" – ela sussurrou pausadamente, vendo-o fechar a porta e encostar-se a ela, preocupado.
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A preocupação era palpável na sala da lareira. Todos os alunos da turma se encontravam apreensivos, observando a garota de cabelos negros conversar com o responsável pelo hotel.
"Mas o senhor tem que fazer alguma coisa!" – ela insistia, tentando manter a calma.
"Sinto muito, Srta. Daidouji, mas não há nada que eu possa fazer..." – o homem falou tão ou mais angustiado que a garota. – "Eu já alertei a equipe de resgate, assim que houver uma brecha na tempestade, eles percorrerão a estação atrás do Sr. Li e da Srta. Kinomoto..." – viu-a abrir a boca para retrucar, novamente, e respirou profundamente, pedindo por paciência.
"Tomoyo, por favor, acalme-se..." – Eriol a interrompeu, colocando uma mão sobre seu ombro. – "O Sr. Tadashi fez tudo o que estava ao seu alcance, agora temos que esperar e rezar para que eles tenham encontrado algum lugar para se proteger da tempestade..." – pegou-a pela mão, afastando-se do senhor que o agradeceu com um leve aceno.
"Tadashi!" – a recepcionista o chamou da porta da sala, sendo prontamente atendida. – "Eles disseram que a nevasca está parando, vão sair para dar uma busca agora..." – disse, fazendo-o respirar um pouco aliviado.
"Obrigado por avisar..." – sorriu levemente, vendo-a se afastar e voltou para o centro da sala. – "Uma boa notícia, mas não criem alarde..." – pediu, tendo a atenção de todos. – "A equipe de busca está saindo à procura de seus amigos nesse momento..." – disse, olhando para Eriol e chamando-o com um gesto da mão, vendo-o falar alguma coisa com a morena que segurava contra seu peito.
"Já volto, meu amor! Cuidem dela para mim..." - o inglês deixou Tomoyo aos cuidados de Rika e as outras garotas, indo até onde o homem se encontrava.
"O senhor é amigo próximo dos jovens que estão lá fora, certo?" – viu-o assentir. – "Venha comigo..." – pediu, deixando o recinto. – "Eu preciso alertar as famílias de ambos..." – disse, seguindo para seu escritório com o rapaz logo atrás.
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Sakura estava sentada no sofá, observando Shaoran acender a lareira. Esfregava os braços, tentando aquecer-se, uma vez que, com o aquecimento elétrico fora de funcionamento, a temperatura da casa caiu rapidamente.
"Acho que isso resolve um pouco..." – ele se ergueu, observando brevemente o fogo e voltando-se para ela com um sorriso encorajador. – "Logo, logo esquenta..." – disse, sentando-se ao lado dela e passando o braço por seu ombro. Ela se acomodou nos braços do rapaz, tremendo levemente e ele percebeu o quanto ela estava tensa. – "Você está preocupada, não é?" – acariciou levemente o rosto dela, vendo-a assentir.
"Quanto tempo acha que ficaremos presos aqui?" – Sakura indagou.
"Provavelmente até amanhã de manhã, já que são poucas as possibilidades de a tempestade passar antes de escurecer..." – suspirou, vendo-a abaixar a cabeça. – "Mas, hei... não precisa se preocupar, nós ficaremos bem! Acredite!" – beijou-a levemente na fronte. – "Além disso, tivemos sorte por estarmos aqui dentro no momento da avalanche...".
"Tem razão..." – Sakura respondeu mais calma. Foi realmente muita sorte e ela não estava ali sozinha. Tinha Shaoran ao seu lado. - "O que faremos?".
"Acho que não há muito que fazer. Só podemos esperar, agora..." – comentou, sentindo-a tremer novamente. – "Que tal sentarmos mais perto do fogo?" – sugeriu, puxando-a pela mão até o tapete, onde se sentaram, abraçados.
"Bem melhor..." – ela sorriu, suspirando. Ficaram em silêncio por algum tempo, observando as chamas e ouvindo o crepitar da madeira.
"Uhm... Sabe, tem uma coisa que eu ainda não entendi muito bem..." – Shaoran começou atraindo a atenção dela. – "Por que você achou que eu estava aqui fora?".
"Ah, isso é..." – ela suspirou pesadamente. – "Creio que tenha sido uma conclusão precipitada de minha parte..." – sorriu um pouco constrangida. – "Eu estava preocupada com você e a Yamazato disse que...".
"O quê? Ela enviou você para uma situação perigosa dessas?" – interrompeu-a, irritado. – "E como você acredita no que ela fala?".
"Como eu falei, eu me precipitei..." - tentou amenizar um pouco a situação. Realmente não acreditava que Yamazato seria assim tão má. - "Acho que Yamazato não pensou que eu fosse sair atrás de você quando falou que o viu na pista de esqui...".
"Isso não importa! Não se brinca com esse tipo de situação... Quando eu pôr minhas mãos nela...".
"Dê um desconto a ela!" – pediu firmemente. – "Afinal, não é fácil aceitar que a pessoa de quem você gosta está apaixonada por outra..." – disse com tristeza. Shaoran desviou o olhar, chateado.
"Você está falando por experiência própria, não é?" – comentou, espantando-a. Ela concordou, encarando-o diretamente.
'Parece que agora que nos declaramos ele percebe um pouco melhor como me senti todo esse tempo...' – ela considerou abrindo um tímido sorriso.
"Então era verdade que você estava gostando do Eriol, não é?" – indagou, fazendo-a se afastar, assombrada.
"O Eriol, o quê? Como assim 'gostando do...'? Do que você...? De onde você tirou essa idéia?" – quis saber. A reação dela o deixou um pouco confuso.
"Bem... ele me disse que...".
"Ele quem? Ele, Eriol?" – questionou, incrédula. – "Ele... ele realmente lhe falou que eu..." – interrompeu a frase, suspirando exasperadamente.
"Bem, na verdade não... fui eu que deduzi..." – interrompeu-se, ao ouvi-la começar a rir, murmurando o nome do britânico.
'Acho que a existência dessa percepção extra-sensorial a respeito da pessoa que você ama é algo que só existe em livros de romance, afinal...' – ela concluiu, respirando profundamente. Já devia ter aprendido a lição àquela altura. Se queria que ele soubesse de alguma coisa, precisaria contar a ele e não esperar que ele adivinhasse o que ou como estava se sentindo.
"Eu quero que você preste muita atenção no que eu vou dizer, agora..." – balançando negativamente a cabeça. - "Eu não sinto nada pelo Eriol, além de uma grande amizade. Nunca senti..." – sorriu levemente. – "Não que ele não seja atraente, muito pelo contrário. Eu consigo entender muito bem porque Tomoyo se apaixonou por ele..." – adicionou, vendo-o torcer o nariz. – "O fato é que, desde muito antes de ele entrar em minha vida, eu já havia entregado completamente meu coração para outra pessoa, mesmo que ele não soubesse disso, na época..." – pegou a mão dele e segurou-a junto ao seu peito, olhando-o diretamente nos olhos. – "E, se agora tem um coração batendo em meu peito, é porque você finalmente me entregou o seu, em retorno...".
"Você fala sério?" – indagou, emocionado.
"E você, realmente, pensou que eu gostasse de Hiiragizawa, Shaoran?" – ela perguntou, com um sorriso brincalhão no rosto.
"Quase cheguei a dar um soco nele por causa disso..." – respondeu, fazendo-a rir, descrente.
"Bobinho..." – respondeu, abraçando-o e encostando a cabeça no peito daquele que sempre possuíra seu coração, sentindo seus cabelos serem suavemente acarinhados.
Ele a acariciava na face, sentindo a pele macia e deslizou as mãos pelos cabelos, completamente encantado com tamanha perfeição. Ele não conseguiu resistir e tocou suavemente os lábios doces dela. Estava se tornando difícil permanecer perto dela sem tocá-la nem por um instante. Afastou-se e ficou olhando quase que hipnotizado para as duas belas esmeraldas cintilantes que possuía. Sua boca ganhou vida própria e percorreu o rosto alvo, com delicadeza, mas, insatisfeito, mergulhou pelo pescoço, afastando-lhe a blusa de gola alta. Descobriu-se dono de um desejo muito forte por ela. Um desejo incontrolável como nunca sentira antes, por ninguém.
Sakura fechou os olhos e deixou-se levar pelas sensações que ele despertava. Ela sentia-se deliciada com todo o carinho que via nos olhos dele. Ergueu a mão, passando-a pelos cabelos desalinhados e pelo rosto. Sorriu para si mesma e, num gesto mais ousado, beijou longamente o pescoço dele, sentindo-o suspirar de puro prazer. Sorriu ao vê-lo se aproximar ainda mais e sentiu seu corpo pegar fogo quando ele a beijou. A garota ergueu o rosto e seus olhos se encontraram. No lindo olhar âmbar dele, ela viu toda a paixão há tanto tempo reprimida.
A maneira como ela respondia a suas carícias pareceu atiçá-lo ainda mais e ele voltou a tomar sua boca, com renovada paixão. Aquelas sensações eram fantásticas, mágicas...
Quase sem perceber, eles foram se inclinando sobre o tapete felpudo, até se deitarem. O tecido estava frio, mas eles mal sentiram. Tudo o que havia, naquele momento, eram eles e a concretização daquele amor que, durante tanto tempo, sufocaram dentro de si, causando-lhes tamanha dor.
Lentamente, ele retirou cada peça de roupa de sua amada, enquanto Sakura também o despia devagar. Ela aproveitava cada momento, devorando com o olhar cada parte do corpo dele que aparecia e, não contente apenas em olhar, deslizava as mãos por cada pedacinho dele. Ele era, sem dúvida, o homem mais lindo do mundo... E era todo seu!
Li percorreu com as mãos cada nuance do corpo delicado de mulher, apreciando-o, sentindo-o, ouvindo-a suspirar entre seus beijos. Estava subjugado pelo prazer. Tinha que amá-la e fazê-la sua! Nada parecia ser tão certo.
Sakura se sentia no céu. Ele a tocava como se não fosse a primeira vez que se encontrassem naquela situação. Pareciam compartilhar a mesma alma e seus corpos haviam se tornado um. O rapaz beijava cada pedaço de seu corpo, deixando um rastro quente de paixão e ela tentava retribuir, queria que ele sentisse o mesmo que ela; acariciava a pele quente dele, passeando as mãos pelas costas e pelos músculos rijos, úmidos de suor...
Ele intensificou seus beijos, enquanto suas mãos procuravam o corpo dela, acariciando-a de forma íntima... Até que ela, finalmente, entregou-se a ele...
...Amaram-se, não porque eram dois jovens em busca do prazer ou da satisfação, mas para concretizar todo o amor que sentiam um pelo outro...
Após alcançarem o ápice do prazer, ele rolou para o lado e abraçou-a fortemente, beijando-lhe carinhosamente a testa.
Dizer que ele a havia levado aos céus ou ter mergulhado no mais profundo oceano não era nada comparado ao que a moça sentira. Os livros de romance que já lera onde os protagonistas tinham noites calientes de amor, não passavam nem a metade da magia que ela experimentara. Nenhuma música badalada pelos melhores cantores tinha aquela melodia, aquele ritmo. Era algo indescritível, único... Algo que pertencia somente aos dois...
"Eu te amo tanto, Shaoran,... tanto..." – ela falou, escondendo seu rosto no pescoço dele.
"Eu também te amo, Sakura..." – disse, beijando-lhe a fronte. – "Minha Sakura..." – murmurou, aconchegando-a um pouco melhor entre seus braços.
O sono logo veio, embalando-os em uma onda doce e terna, enquanto a neve lá fora voltava a cair, de forma mais suave.
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Tomoyo estava sentada ao lado da janela na sala da lareira, estava ali desde que a equipe de resgate dera as buscas pelos amigos encerradas naquele dia. Olhava para o céu da noite, nuvens estavam espalhadas e a lua cheia se encontrava encoberta enquanto apenas uma ou outra estrela conseguia reluzir. Olhou para a lareira acesa sentindo toda a preocupação que a atormentava.
"Acalme-se, anjo!" – Eriol falou suavemente, sentando-se ao lado dela. – "Eles estão bem. Eu sinto isso..." – sorriu tentando passar-lhe alguma tranqüilidade.
"Como você pode ter certeza?" – ela o encarou com lágrimas nos olhos. – "Se eles estivessem realmente bem, já teríamos alguma notícia...".
Eriol sentiu-se terrivelmente mal por vê-la chorando. Aquela garota doce e delicada tornara-se a razão de sua felicidade e ele sabia o quão exagerado isso soava, mas era a verdade. Ele a amava com todas as suas forças. Aproximou-a de si abraçando-a ternamente.
"Conhecendo Shaoran, acredito que devam estar bem melhor do que nós..." – a garota o interrompeu, antes que pudesse completar a frase.
"Nós nem ao menos sabemos se eles estão juntos, Eriol!" – ela exclamou, aflita. – "E se Shaoran não a encontrou antes da tempestade? E se eles estiverem congelando embaixo de..." – parou de falar, sendo calada pelos lábios do namorado.
"Tomoyo, você devia conhecê-los melhor..." - afagou carinhosamente os cabelos negros da japonesa. – "Nenhum dos dois são amadores em montanhas, você sabe disso..." – disse, animador. - "E, também, Shaoran nunca permitiria que Sakura se machucasse..." – beijou a testa da garota em seus braços, sentindo que ela se agarrava a ele em busca de forças. – "Tenha um pouco mais de fé..." – pediu, vendo-a balançar lentamente a cabeça em concordância.
O relógio suíço da parede anunciava graciosamente que eram onze com seu pequeno e alegre cuco, indiferente aos sentimentos dos dois jovens que ali se encontravam.
O jovem inglês voltou seu olhar sobre o manto noturno, vendo que as nuvens se afastavam da lua, permitindo que ela brilhasse absoluta no firmamento. Um sorriso se formou em seu rosto.
'Com certeza estão melhor que nós...' – pensou ouvindo a voz de sua intuição. Sabia que dificilmente estaria enganado.
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Shaoran remexeu-se um pouco antes de despertar e viu Sakura encolhida em seus braços. Estava muito frio ali. Percebeu que o fogo havia se apagado e por isso o casebre esfriava cada vez mais.
O sofá havia sido encostado na porta algumas horas atrás, bloqueando o ar gelado que entrava na casa por causa da neve e o tapete de pêlos de carneiro que cobria o chão de madeira do pequeno consultório lhes proporcionava alguma proteção, mas, apesar disso, o frio estava se tornando insuportável.
Levantou-se cuidadosamente e pegou mais algumas peças de lenha para reacender a lareira. Depois da missão cumprida, voltou-se para o tapete e viu Sakura acordada.
"Desculpe, eu lhe acordei?" – perguntou sem graça.
"Não..." – sorriu, balançando a cabeça. – "Nossa, como está frio..." – comentou esfregando os braços por cima do agasalho.
"Tem razão!" – suspirou, sentando-se ao lado dela. – "Temos que tomar cuidado para que o fogo não se apague novamente...".
Ficaram em silêncio durante algum tempo. Ela se aconchegou ao peito dele com um sorriso e um suspiro de satisfação.
Shaoran se sentia livre e completo, tendo aquela flor em seus braços. Aspirou o perfume que exalava de seu corpo e suspirou apaixonadamente. Deitaram-se abraçados, com Shaoran mantendo-a presa em seus braços de forma a aquecê-la. Ficaram encarando o fogo e Sakura começou a sentir os olhos pesados quando ele se pronunciou.
"Sabe, eu estava me perguntando..." – ele sussurrou suavemente. – "Por que você nunca me disse o que sentia?" – viu-a erguer o rosto.
"Não pensei que pudesse retribuir e..." – desviou o olhar fitando um ponto qualquer na parede. – "Estava sempre falando de Yamazato, eu..." – sentiu os lábios dele tocarem rapidamente os seus, impedindo-a de continuar.
"Quanto a isso, você poderia me perdoar?" – perguntou fazendo-a arregalar ligeiramente os olhos. – "Você deve ter sofrido tanto e eu nunca percebi o que se passava. Fui um grande egoísta..." – disse passando a mão sobre a face corada da jovem como se isso o acalmasse. – "Deve ter sido tão difícil..." – não sabia o que dizer. Se apenas pensar que Sakura gostava de outra pessoa o martirizava, não conseguiria suportar ouvi-la falar sobre essa pessoa quase em tempo integral da maneira que ela suportara.
"Foi muito mais que difícil..." – ela confessou olhando-o nos olhos com um terno sorriso. – "Mas, você me conhece, eu não agiria de forma diferente..." – suspirou. – "Contanto que você estivesse feliz, Shaoran, eu entregaria minha felicidade, mesmo que acabasse sofrendo...".
Ele abriu um belo sorriso cheio de amor por aquela bela mulher.
"Eu gostaria, então, de..." – murmurou aproximando seus rostos. – "...mostrar o lugar onde encontrei..." – tocou brevemente os lábios dela. – "...a verdadeira felicidade..." – completou beijando-a, de forma gentil e apaixonada.
Continua...
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N/A - Aiya, minna!!
Dessa vez não podem reclamar... esse capítulo veio na velocidade da luz... (Não exagera, também, nee, Yoru...).
Como foi avisado no início do capítulo, as coisas ficaram um pouco intensas ali em cima, mas acho que nem foi tanto assim, né?... Espero que não pelo menos... Teve muita coisa nesse capítulo que foi novidade e não estava no texto original. Nem eu consigo mais dizer o que e onde... mas que tem, a isso tem...
Esse capítulo 21 é, na realidade, a segunda metade da primeira versão do capítulo 20 original... que era um capítulo medonho e enooooorme, apesar de ser um capítulo importante... Sinto-me envergonhada por ter escrito aquilo...
Então tenho que agradecer a Cherry, okaa-san, Dani-chan e Mary, Rô por toda ajuda e apoio...
E aos Reviewers (da versão original): Amanda, Bruninha-chan, Lil-chan, Rafinha Himura Li, Linny, Nelly, Marjarie, AnGeL nAnDa, Hime Hayashi, Cherry-Hi, Sakura Mars, Aninha, Kaf-chan, Violet, Yoko, Andréia, Nina, Julia Yuri, Danizinha, Rô, Analu, Rubby, Ana Clara, killera, Merry, Pequena Dama, Kagome-Lilye, Anaisa, Pety.
Aos reviewers (da repostagem)...
Bruna cm Yamashina,
Midori Gi-chan,
HiddenStoryteller,
Musette Fujiwara,
Lara,
Jump27,
Ma Ling Chan,
CeciliaBR,
Maríllya,
MeRRyaNNe,
Aninha,
Ana Pri-chan.
Meu MUITO OBRIGADA por tudo!!...
É,... parece que finalmente estamos chegando a uma conclusão na história... Estou começando a sentir meu peito apertar ao mesmo tempo em que ele também parece ficar mais leve... é uma sensação complexa essa de que o dever está quase cumprido.
Então, vejo vocês no próximo capítulo, que provavelmente, também não demorará para sair... (ah, sim... pretendo finalizar o sdn-original, antes de voltar a postar os capítulos de SDNEE...).
Hoje é dia 18 de setembro de 2008...
Yoru.
