Cap. 21

Desde pequena, Minerva McGonnagal sabia que por onde quer que seu destino a leve, ela ensinaria outras pessoas. Filha de bruxos, que também

foram professores, ela tinha isso no sangue, juntamente da magia. Seu maior orgulho pessoal foi ver a cara de felicidade de seus pais, quando

anunciou que conseguira uma vaga em Hogwarts como, então, professora assistente. Ela pôde ler nos semblantes de seus pais, o orgulho e a

sensação de dever cumprido em ter criado uma filha brilhante e de sucesso.

Mas nem tudo eram flores na vida da diretora. Nesse momento, ela maldizia até mesmo sua capacidade de escrita, por dar-lhe tão duro. Isso

acontecia porque ela estava escrevendo uma das muitas cartas de condolências a alguns pais que mantiveram seus filhos no expresso,

contrariando as medidas de segurança.

No começo da guerra, as coisas não mudaram muito para os alunos e Hogwarts tornou-se um porto seguro para os jovens. Esse quadro mudou

quando os ataques se intensificaram. Com o auxilio de Boubbatounx, criou-se uma opção, um portal mágico ligando as escolas, aonde alguns

alunos iam para pega-los em determinados pontos da Inglaterra, eram levados para uma parte remota das terras da escola francesa e pegavam

um portal clandestino direto para os terrenos de Hogwarts. Durmstang aceitou liberar um segundo portal em cada salão comunal das casas, para retirar o máximo de alunos, em caso de ataque. A condição era de que uma vez ativado, o portal duraria apenas 5 minutos. Não importa quantos

tinham passado por ele.

Mas, mesmo assim tinham alguns pais mais tradicionalistas que decidiram que seus filhos iriam para a escola como eles foram pela estação 9 ¾.

Eles jamais imaginaram que um dia, esse mesmo trem seria alvo de um ataque surpresa que matou 4 crianças e hospitalizou 23, apenas porque

os membros da Operação Cimitarra estavam escondidos como alunos.

Mortes não eram algo alheio à Hogwarts. Em um ambiente onde todos têm poderes mágicos, alguns acidentes fatais aconteceram, mas nunca

desta forma. Mesmo na primeira guerra, Voldemort sempre procurou respeitar os alunos que estavam na escola ou a caminho dela. Albus disse

uma vez que era algo relacionado com o lado dele que queria ser professor e moldar a cabeça de outras gerações. De certa forma, ele conseguiu,

visto que boa parte dos comensais atuais são mais novos do que a cúpula principal. Essa bucha de canhão fora criada por anos de pretensa

superioridade dos Malfoys e outros velhos comparsas de outros tempos que alegaram estar sob influencia da maldição Império. Agora essa nova

geração colhe o fruto amargo da guerra.

- Às vezes eu queria que esse trabalho ficasse mais fácil – meditou para si.

- É o fardo da guerra, Minerva. Sempre é duro para os vão. Sempre é duro para os que ficam – disse o quadro de um ex-diretor.

- Ah... Decidiu dar-nos o ar da graça, Alvo.

O quadro não respondeu. Ele havia ficado impassível desde a conversa com a ruiva Weasley e a própria diretora. Ela estava dividida com esse

comportamento. Embora ela ainda tivesse apreço por ele e atesourasse todos os anos de convivência que tivera com o antigo dono da cadeira

que hoje ela ocupa, também não podia deixar de sentir-se traída, junto com os Weasleys. Havia algo naquela família que acaba pegando as

pessoas desprevenidas e, quando se dá aulas a tantos deles, é impossível ficar impune aos seus modos, ou, no caso dos gêmeos, a falta deles.

- Senti que não seria querido por um tempo – respondeu o quadro.

- Suas ações têm consequências, Alvo. A hostilidade é fruto de suas atitudes.

- E como foi com os Weasleys? – perguntou Dumbledore.

- Por que você na aparece na Toca para conversar com eles? – retorquiu a diretora com sarcasmo.

- Eu faria se pudesse, mas Fabian e Gildeon negaram que eu utilizasse seus quadros – respondeu de forma neutra, chamando a atenção de

Minerva e dos outros quadros.

Era sabido que todos os quadros de Hogwarts e em suas dependências deveriam ceder passagem, caso um diretor o pedisse. De fato, essa

honraria, entre as pinturas eram coisas muito difíceis de acontecer. Mas no caso destes dois quadros em especial, havia um história mais

profunda. Gildeon e Fabian eram os irmãos de Molly que lutaram e morreram na primeira guerra contra Voldemort. Sua irmã trabalhou durante um

ano de graça ao pintor, como pagamento pelos quadros, isso atrasou seu casamento com Arthur e, até pouco tempo, pensava-se que fora uma

das maneiras de compensar a perda dos irmãos, que Alvo havia impedido o então solteiro Arthur Weasley de lutar na guerra. Como esses dois

quadros vieram quando eles construíram a nova Toca, eles podiam negar o acesso à qualquer um dos outros quadros. E o fato deles negarem

passagem para Dumbledore abertamente falava volumes sobre a opinião dos donos da casa sobre o ex-diretor.

- Bem, eles viram seus sobrinhos crescerem e, desde que Molly passa muito tempo naquela casa, desde o "acidente" de Rony, não é de se

admirar que eles saibam como sua irmã se sente em relação ao seu caçula e, principalmente, sua traição.

- Imagino que eles levaram um duro golpe – considerou o ex-diretor.

- Duro golpe? Você não imagina o quão duro foi o golpe! – urrou Phineas Black.

- Phineas! – admoestou a diretora.

- Não me venho com isso McGonnagal. Se ele traiu os Weasleys, quem pode dizer que ele não traiu outras pessoas? Que ele não empurrou

outras pessoas à própria morte? Que ele não traiu...?

- Seu sobrinho? – completou Alvo, sombriamente – Escute aqui, Phineas... Qualquer problema que você tenha em aceitar a morte de Sirius, isso

não quer dizer, em nenhum momento que eu o traí. Seu sobrinho lutou e morreu fazendo o que ele aceitou fazer, cuidar do filho de seu melhor

amigo. Esse era o dever do padrinho, algo que ele não pôde fazer, uma vez que foi injustamente condenado e preso em Askaban. E, pelo que me

lembro, você vociferou sobre o quanto ele era patético, diversas vezes neste escritório. Apenas porque sua família chegou ao fim, isso não é

motivo para descontar em outras pessoas.

- Suficiente vocês dois! Phineas, Alvo está certo. Sirius decidiu por livre e espontânea vontade salvar seu afilhado. Ele é uma triste perda desta

guerra. Alvo, o quê Phineas falou é como todos que sabem a verdade pensam. E, de certo modo, ele pode perguntar isso para você, porque ainda

é preciso determinar o quanto de sugestão você deu à Harry, Rony e Hermione para que eles colocassem suas vidas, e a de outros alunos, em

risco naquela invasão do Ministério. Suas ações têm consequência, eu lhe disse.

Todos se calaram por um momento, até que a diretora retomou a conversa.

- Quanto à sua pergunta, não haverá mais Weasleys em Hogwarts – suspirou Minerva – Bill e Fleur afirmaram categoricamente que não enviariam

sua filha recém-nascida à Hogwarts, quando ela tiver idade. Charlie ainda não tem filhos, mas falou que seus filhos irão, provavelmente para

Durmstrang... E como ele vive e trabalha na Romênia faz sentido. Os gêmeos Weasleys, prometeram que, assim que acabar a guerra, eles farão

uma grande promoção de brincadeiras, para que todos os estudantes de Hogwarts tenham sua diversão em nós. Quanto maior for a

periculosidade do artigo, menor será o preço. Convidei Gina para lecionar aqui depois da guerra, mas ela não respondeu meu convite.

- E Rony? – questionou Dumbledore.

- Você esta de brincadeira, não? Eu ainda não falei com ele, mas se qualquer coisa que você pense sobre ele, eu espero que ele apenas acredite

que não temos nada a ver com isso. Você tem uma noção em como sua capacidade mental é útil para criação de novos feitiços? Por Merlin, se

apenas considerarmos o Ouroborus e a Sanctum Santorum, ele apenas é o maior gênio em criação de feitiços da última década. Com o patrono

combinado com Hermione, ele poderia ser eleito o melhor da década, se estudasse em Hogwarts.

- Eu acho que se alguém puder colocar uma nova geração de Weasley nas paredes da escola é justamente Ronald.

- Como assim? – perguntou a diretora.

- Ele encontrou sua futura esposa aqui – disse o quadro.

- Acha mesmo que isso vale mais que uma traição? E além disso, não há nada mais que uma amizade entre os dois agora.

- Ah... Mas você e eu já vimos muitos casais assim. Começam como colegas, amigos, e por fim, amantes. Eu acredito que você verá os filhos de

Ronald e Hermione correndo pelos corredores e, eventualmente, pegando detenções.

A discussão ia continuar, mas a entrada repentina de Rubeo Hagrid esbaforido impediu-os de alongar-se.

- Hagrid! – disse Dumbledore, com voz de comando – recomponha-se, homem, e diga-nos onde é o incêndio.

Em sua defesa, Hagrid olhou culpado para o quadro, mas voltou-se para a nova diretora e soltou a bomba.

- Diretora McGonnagal! Comensais da Morte. Eles estão em Hogsmeade e se aproximando.

- Hagrid, de quantos estamos falando? – inquiriu Phineas.

- As informações são desencontradas, mas calculo que deve haver pelo menos entre 100 e 200.

Minerva empalideceu.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, um portal rosa era criado em frente à uma casa no bairro de Greenwich Village e de repente, um corpo

sai dele arremessado, chamando a atenção de todo mundo que passava pela rua (quem já assistiu Fresh Prince of Bell-Ayr sabe do que estou

falando).

- Wow! – gritou o homem ao encontrar o concreto. Em seguida, uma jovem mulher de cabelo castanho aparentemente embaraçado saiu pelo

mesmo portal. Alguns moradores assistiram a cena com interesse, mas logo se lembraram que já viram coisas muito mais estranhas acontecendo.

E mesmo com a eliminação dos seqüestradores que atuaram no bairro nos últimos meses, ainda não era seguro se meter na vida alheia... Nem

ficar muito tempo em local aberto.

- Ronald, você está bem? – perguntou a castanha.

- Thor... Maldito. Ele fez isso de propósito – disse o ruivo, enquanto se levantava e tirava o pó da calça.

- Isso é o que você ganha por ofender o Deus do Trovão, lembra? – disse a jovem, em seu estilo sabe tudo.

- Ei, não tenho culpa que ele falou que meus antepassados fedem! – retorquiu seu companheiro, em tom zombeteiro – Eu apenas lhe disse que

os meus antepassados cheiravam melhor que os dele.

- Apenas esqueceu de mencionar que os antepassados dele são todo o maldito panteão de Asgard – disse ela, franzindo a testa. Ela sabia que

era uma discussão inútil, mas ainda queria fazer seu papel nela. Era, de certa maneira, reconfortante.

- Ei... Não é culpa minha que todo panteão vive de incesto, em diferentes graus. Nesse quesito, os Asgardianos são melhores que os Deuses do

Olimpo. Sério... Não me admira que os romanos tivessem Calígula como governante. Quando seus deuses vivem se casando com seus irmãos,

primos e pais, dá nisso!

- Seres altamente poderosos?

- Seres altamente voláteis!

Olhos se encontraram e em seguida, ambos sorriram com a ideia desta discussão. Havia um acordo tácito entre eles, relativo ao acontecido

durante sua jornada à Asgard e, posteriormente à Encruzilhada da Fé, como apelidou com todas as palavras entre eles, a relação sexual ainda

precisava ser conceituada e consertada na mente de ambos. Para Hermione, havia dúvidas à respeito de tipo de mulher era ela, no quesito

sexual. Ambas as relações que tivera, com Victor Krumm e agora com Ronald, foram de certa maneira, aconteceram com ela como parceiro

dominante. Em seu íntimo, perguntava-se sobre a possibilidade de ser ela uma parceira agressiva, coisa jamais imaginada pela jovem.

Já Ronald, estava em um barco semelhante, de certa forma. Tivera sua primeira relação com a jovem bruxa, por quem nutria sentimentos há

muito, mas ela ocorreu sem seu consentimento. E estupro é estupro, não importa quem o pratica, na opinião do ruivo. Em contrapartida, teve uma

experiência intensa e sublime com Sif e, embora soubesse que era uma questão que não voltaria a acontecer (ambos sabiam que não eram os

respectivos pares. Sif amava Thor, mesmo com sua notada falta de sutileza), puderam aceitar que o que acontecera entre os dois era algo que

pertencera ao momento e não se repetiria.

Desse modo, ambos estavam empatados em uma ideia simples. Eles sabiam que deveriam aceitar o que aconteceu e não se prender ao passado.

Enquanto era fácil para o ruivo, ainda era um conceito que deveria ser trabalhado para a jovem castanha. Livrar-se de hábitos arraigados pode

ser mais difícil que se imagina.

Foi nesse armistício parcial que ambos chegaram à antiga residência do ruivo, em Greenwich Village. Um leve choque da maçaneta era o sinal que

a casa reconhecia o ruivo como um morador e, por consequência, não ativou o feitiço de camuflagem.

- Olá... Alguém em casa? – diz o ruivo, ao adentrar na sala principal. A casa parecia deserta, mas ele sabia que, pela quantidade de pessoas que

atualmente habitavam na casa, estar sozinho era impossível. O que significava uma coisa extremamente ruim se a casa estivesse vazia.

Felizmente não foi esse o caso e, logo foi assolado por um turbilhão de cabelos vermelhos, que abraçou seu peito fortemente, tirando o ar.

- Porra, Ronald! Quando vai parar de me preocupar? – disse Gina. Não obtendo resposta, ela puxa a amiga junto no abraço – E você, Herms...

Quando vai parar de seguir esse idiota que tenho como irmão?

- Também... Te amo... Irmãzinha – ofegou o mais velho, enquanto lutava por retomar o fôlego, sem nunca esconder o sorriso.

Em seguida, Wong e Piotr chegaram à sala, viram que ambos chegaram com todos os membros e assentiram aos viajantes, que retornaram o

cumprimento.

Foi então que a caçula deu uma boa olhada nos recém-chegados e, seus olhos alargaram-se.

- O quê, em nome de Merlin aconteceu com vocês?

- Como assim, Gina? – perguntou a castanha com humor. O ruivo apenas sorriu.

- Vocês já se olharam no espelho?

- Não, por quê? – disse o ruivo, em clara diversão.

- Argh! Vocês querem explicar por que estão diferentes? – exasperou-se a ruiva.

Início do flashback.

- Ronald, está são, bom amigo? – disse a voz do Deus do Trovão, enquanto amparava o jovem.

- Woah... a... agu... – começou a dizer e fazer gestos com a mão, apontando para a garganta. Isto trouxe diversão a quem assistia, enquanto Sif

entendia o pedido e lhe entregava um cantil com água.

Mais reposto, ele pôde observar que vários dos anões estavam observando-o com interesse. Afinal, não era todo dia que alguém levava uma

espada incandescente e recém-forjada no coração, em uma cerimônia que alguns deles achavam que era conto para crianças. Isso obviamente

faria com que alguns deles estivessem bastante curiosos a respeito.

- Tememos o pior quando vimos a espada entrar mais em teu coração – confessou Iduna, agarrando seu peito em um agradecimento aos deuses.

- Isso acontece muito na minha vida. As pessoas tendem a dizer que sou perigoso. Onde está Hermione?

- Não se preocupe – falou Eitri – Ela dorme em um de nossos quartos. Não é a toa que ela desmaiou de exaustão no terceiro dia.

- Terceiro dia? Isso significa que se passaram quantos dias? – quis saber o jovem.

- Cindo dias se passaram antes que tu despertes. – concluiu Thjazi – Pensamos que não sobreviverias à provação.

- Mas os resultados... Foram satisfatórios – falou o jovem, enquanto metia sua mão no peito e retirava a espada recentemente transformada.

Todos engasgaram ao ver o que o ruivo fazia, mas Eitri franziu o cenho.

- O quê você fez com minha obra de arte?

- Nada... Ela se adequou ao dono... Apenas isso.

- Ela era perfeita como era! – combateu o anão.

- Ela era para alguém mais forte do que eu. Ela se adaptou para alguém mais veloz. Além disso, esse é o estilo de espada com o qual fui treinado.

- Se soubesse que você destruiria uma obra de arte na primeira oportunidade, jamais teria concordado com isso.

- Ah... Irmão. Não seja tão chorão a respeito. – falou Thjazi, causando o riso de todos.

- E agora, Ronald. O que farás? – perguntou Sif.

- Voltar para meu tempo, usar a espada espiritual para liberar a alma de meu amigo e libertar meu mundo. Nada demais

- Devo avisar-te, houve mudanças em ti e tua companheira – informou Thjazi – Ao que aparenta, não se faz um ritual dessa importância, sem que

haja um sacrifício a ser pago.

- De que falas? – perguntou o ruivo.

- Tu e tua feiticeira estão mais fortes, tuas carnes estão rijos e teus corpos ganharam algo de músculos.

- Em sua, estamos mais velhos – considerou o ruivo.

- O que estais dizendo?

- Na Encruzilhada, encontramos Hella. Ao que parece, devemos ter chegado mais próximo de morrer do que imaginamos. Se estiver correto,

podemos ter perdido alguns anos de vida.

- E o que vai fazer agora? – perguntou Eitri.

- Eu vou odiar contar isso para Hermione. Não há fúria no inferno como uma mulher irritada – sorriu o ruivo para os amigos.

De repente, um som estridente faz com que todos os homens tremam.

- AAAAAAAHHHHHHHHHHH!

- Calai Mulher! Tenciona ensurdar-nos à todos! – gritou Sif.

- Bem – sorriu Thor – Acho que Sif já contou por você.

Fim do Flashback

- E então...? – coagiu Gina Weasley no seu melhor estilo "Olhar Weasley", que é passado de mãe para filha entre as gerações e era quase

impossível de ser evitado. Infelizmente para ela, Ronald e os gêmeos haviam inventado um olhar "Anti-olhar Weasley" que era parecido com um

sarcasmo leve e parecia dizer:" A linha entre verdade e mentira é tênue e... adivinha? Você não tem como saber se eu estou mentindo para

você!"

E foi com essa atitude que o ruivo respondeu.

- É alguma coisa na água!

Como esperado, sua irmã começa a ficar vermelha de raiva e frustração com a resposta. Mas, antes que ela estoure, a jovem bruxa resolve

intervir.

- Em termos simples, Gina, a Morte é uma pessoa muito ocupada e para nos conceder uma audiência, ela exigiu alguns anos como taxa de serviço.

Sem esperar, Hermione olha para o ruivo que levanta 3 dedos em contagem regressiva. 3... 2... 1...

- O QUÊ?

Contrariamente ao esperado, o grito não veio de sua irmã, mas de seu cunhado que havia acabado de descer as escadas para descobrir o

porquê de tanta agitação e pode divisar parte da conversa. Anna veio com ele e resolveu fazer uma pergunta inusitada.

- A morte? Como em "ela"; artigo feminino?

- A morte é uma entidade universal. Uma das poucas coisas que não se pode burlar. Ela é capaz de aparecer de diversas maneiras para pessoas

e raças diferentes. E não acho que ela conta para uma possível propaganda de igualdade de gênero, Anna – cutucou o ruivo. Em resposta, sua

amiga lhe mostra o dedo médio.

- Então... Vocês abdicaram em alguns anos de vida.. Isso significa que vocês viverão pelo menos os próximos anos? – perguntou Harry, chocado

com a naturalidade que seus amigos encaravam a questão.

- Não necessariamente. Ela não nos deu nenhum privilégio; não sabemos o dia de nossa morte. Podemos morrer à qualquer momento, como

todos no universo.

- E valeu a pena? – perguntou Anna.

Com um sorriso, o ruivo soca o peito e retira uma espada prateada, na forma de uma katana japonesa.

- Isso responde sua pergunta?

Wong e Piotr se aproximam para analisar a espada, juntamente com Harry, Gina e Anna. Eles vem uma arma bela e ornamentada por por

símbolos diferentes de qualquer coisa que tenham visto. Para o jovem russo, isso traz más recordações sobre a incapacidade de salvar sua irmã,

mas ele balança a cabeça em negação por aquele momento, devia se concentrar no presente. Nem Ylliana, nem Katya aprovariam isso.

- É diferente da versão de minha irmã – comenta solenemente.

- Eu desconfio que ela se adaptou a minha mente, uma vez que essa não é a forma original da espada, que foi forjada como uma espada mais

parecida com as saxônias da Idade Média.

- Creio que seu tempo de convivência com James pode ter algo a ver com isso – afirma Wong.

- É o tipo de espada com que treinei. Piotr pode contar-nos mais alguma coisa da utilização da espada por sua irmã?

Suspirando, o homem começou:

- Ela utilizava para desfazer possessões, podendo tanto utiliza-las em pessoas dessa e de outras dimensões. Desde que estivesse vivo e fosse

uma forma de vida baseada em carbono, era afetado tudo que eu me lembro é que ela costumava esfaquear suas vítimas e elas eram liberadas

de toda e qualquer possessão. Mas havia casos em que ela precisaria entrar nos domínios da alma e lutar lá.

Todos ficaram calados até o final da explicação. Nisso, o ruivo pegou sua espada e encaminhou-se para seu amigo.

- Bom... Quanto mais cedo livrarmos você dele, melhor para todos.

- Espera, Rony, você não pode estar falando sério... Você mesmo disse que a espada é diferente... Pode não funcionar do mesmo jeito – falou

Harry, enquanto dava alguns passos para trás, mantendo uma distância que acreditava ser segura de seu cunhado.

- Bom... É verdade, mas eu creio que é hora de uma demonstração prática – disse isso e a espada começou a emitir um brilho azulado, ficando

com uma aparência translúcida. Sem perder tempo ele diminuiu a distância e empalou Harry, chocando todos.

Gina não teve tempo de gritar, enquanto Hermione entrava a postos no caso de algo dar errado. Wong e Piotr só olhavam a cena, enquanto Anna

fechou os olhos. O que aconteceu surpreendeu a todos.

Harry abriu os olhos e se arrependeu ao ver uma espada em seu peito, mas contrariamente, ele não sentia dor e não havia sangue. Ao contrário,

o sangue começou a sair dos lábios de Rony, enquanto ele cai no chão e começa a convulsionar.

Gina vai até ele, mas o tibetano a segura.

- Ele está em transe, não podemos tocá-lo agora.

Logo, os ossos do jovem começaram a emitir um som horrível. E seu braço esquerdo estalou e foi para um ângulo antinatural.

- Wong, o que está acontecendo? – gritou Harry, que estava dividido entre acudir seu amigo e retirar a espada de seu peito.

- Ele está lutando com a alma invasora e... Ao que parece, está perdendo. Essa é sua luta, não podemos ajudá-lo.

- Por quê? – perguntou Anna.

- Porque poderíamos apenas piorar a situação dele ou perder-nos em qualquer outro lugar. Não podemos saber o que acontece.

- Vocês não podem! Eu Posso! – disse Hermione e correu para o ruivo. Quando ela foi para tocá-lo, teve uma inspiração e decidiu tocar a espada

no peito de seu melhor amigo. Logo depois, todos viram-na congelar na mesma posição.

- Ela entrou em transe – disse Wong – Só podemos esperar que ela consiga ajuda-lo a tempo.

- Por que ela podia tocá-lo? – perguntou Anna.

- Suas almas já estão vinculadas. Ele pode usar a espada e ela, por procuração desse vinculo, também consegue.

A representação etérea da castanha, parecia diferente, foi a primeira coisa que Hermione notou. Ela parecia poderosa, quase invencível. Uma

sensação de euforia se abateu nela. Ela parecia estar vestindo uma armadura que abraçava suas curvas, mas que poderia dar proteção suficiente

ao que ela encontrasse pela frente. Logo, ela notou seu entorno. Estava escuro, quase como breu puro. Isso a fez notar que a horcrux estava

agindo com maior celeridade do que imaginara à principio. Esse não era o plano astral que conhecera, anteriormente. Foi quando a ficha caiu para

a jovem. Essa era a alma de Harry. Eles tinham que salvá-lo e rápido. Seguindo a linha astral de seu amado ela chegou próxima do farol negro

que representava a horcrux que foi posta em seu amigo e viu uma imagem que a encheu de terror.

Em uma faixa de terra que mais se assemelha à um asteróide a frente dela, havia uma clareira baixa e a forma astral de Rony estava crucificada

em um grande plataforma vertical em forma de X, na qual ele estava servindo de comida para corvos negros, enquanto a imagem de Voldemort,

semelhante ao que tinham nos dias atuais estava em um trono feito de ossos e, observava com diversão.

- É uma pena que tudo tenha que acabar desse modo, mas sua alma se mostrou pura demais para ser infectada. Com o conhecimento que você

possui, você seria meu lugar tenente, nos exércitos, desse plano e de outros. E quando eu pude ver suas lembranças, sei que você possui acesso

ao bastão de Watoomb. Com isso, esse mundo é pouco para minha ambição. Eu poderia conquistar todo o multiverso, colocando minhas

contrapartes como tenentes de meus exércitos. Marchando, destruindo toda e qualquer oposição que surgisse em meu caminho! Mas você

escolheu o lado errado! Contudo, isso é apenas um revés temporário. Como pode ver, estou lentamente assumido o controle dessa casca onde

estou preso. E quando o fizer, eu só tenho que me aproveitar da sua aparência, pegar o bastão de Watoomb e dominar o multiverso. Mas antes,

vou fazê-lo sofrer por sua insolência.

Uma nova revoada de corvos se aproximou do ruivo e passou a bicá-lo, arrancando pedaços de carne que logo cresciam para tornarem a ser

arrancadas, tal como no conto de Prometeu e o fogo. Hermione viu aquilo estarrecida. Essa horcrux era a representação exata do real Voldemort,

logo ela podia acreditar que esse era o plano dele, se colocasse os dedos no bastão. Ele poderia fazer isso. Estar em todos os lugares, do

espaço-tempo, simultaneamente. E com acesso aos poderes de Rony, ele poderia fazer o mesmo para todo e qualquer universo presente no

multiverso. Ele devia ser parado e dependia dela. Mas o que ela poderia fazer? Ela não fora treinada para isso. Ela não pertencia aquele dilema.

Ela não tinha experiência prévia nesse tipo de situação. O que fazer?

Foi quando seus olhos se encontraram com o de Rony. Seu cabelo despenteado do lado de seus olhos podia ajudar a disfarçar para onde estava

olhando, mas ela viu seus olhos azuis e percebeu neles, apenas determinação férrea. Ela sabia que ele não desistiria sem lutar e, mesmo

capturado, ele ainda iria fazer frente à Voldemort, até o amargo fim. Nisso, algo estalou dentro dela. Não era apenas determinação. Confiança. Ele

confiava nela. Quando ela apareceu, ele soube que ela faria a coisa certa. Ele contava com ela... Não apenas isso... Ele dependia dela. E ela não

iria falhar com ele.

E nisso sua mente clareou e ela pôde ver a situação com clareza. Agora ela percebeu que estava em uma posição contrária à horcrux e podia

atacá-lo pelas costas. Mas ela tinha a agilidade para isso? Algo que o ruivo disse à ela, voltou quando ela lembrou-se que era uma questão de

mente sobre a matéria. Esse não era seu corpo físico, de modo que ela poderia fazer o que quisesse, voar sem auxílio de vassouras, correr mais

rápido que suas pernas poderiam, ou simplesmente...?

Sorrindo em sua ideia, ela resolveu testar colocando a espada espiritual no solo e concentrando-se um pouco, ela conseguiu fazer com que a

espada levitasse e, com um comando, ela fez um giro sobre seu eixo, quase acertando-a. Com um pouco de cuidado, ela mandou que ela se

movesse para frente cinco metros depois fizesse uma curva à direita depois uma curva leve à esquerda, e por fim voltasse à sua posição original.

Como desejado a espada fez isso prontamente.

Assentindo para os olhos do ruivo, Hermione foi até o ponto mais próximo de Voldemort sem fazer barulho e, apontando, estava quase

comandando a espada quando percebeu que mandaria algo mortal para um ser senciente, com um arrepio, ela se repreendeu e pensou em todas

as pessoas que sofreram e perderam a vida enfrentando Voldemort e, em todas que morreriam se ele conseguisse tomar conta da alma de Harry.

Com decisão, ela assentiu e apontou para o trono. A espada não se demorou e cortou o ar com rapidez e perfurou o trono, no ponto onde o

pescoço da horcrux estava, dando-lhe um grave ferimento. Em seguida, Hermione fechou os olhos e apontou para cima. A espada obedeceu e

passou a cortar o trono em direção aos céus e, com isso, dividir a cabeça daquela parte da alma de Tom Riddle, em duas metade iguais.

Quando ela o fez, tanto os corvos, quanto a plataforma desapareceram e, o corpo do jovem colapsou no solo. Hermione, não perdeu tempo e

voou até ele.

- Ronald... Você vai ficar bem.

- Com... Você... Aqui... Sempre... – sussurrou fracamente o ruivo.

- Acha que pode voltar para seu corpo? – perguntou, recebendo um aceno fraco de volta.

- Sim... Mas antes... – ele fez um comando mental para a espada que cortou novamente o que restava do pescoço da horcrux, dessa vez

separando as duas partes da cabeça de seu corpo. Logo uma tênue luminosidade começou a aparecer, enquanto o ruivo desaparecia junto.

No plano real, Ronald parou de se debater e soltou um gemido de dor. Isso foi o suficiente para Wong entrar em modo de alerta, mas Gina

compreendeu e resolveu tirar-lhe do torpor.

- Piotr, me ajude com Rony, leve-o para seu quarto, com cuidado, para não quebrar alguns ossos. Anna, você fica com Hermione, para qualquer

eventualidade. Wong, você vem comigo, para o caso.

- Gina... E eu... O que eu faço? – perguntou Harry.

- Você não se mexe, até Rony, Mine, Wong, Piotr ou eu conseguir tirar essa espada. Não sabemos o que pode acontecer.

Nesse momento, a castanha e a espada foram arremessadas do corpo de Harry, que estava tão surpreso quanto todos.

- Eu não fiz isso!

Gina se voltou para o namorado e levantou a blusa. Não havia marca de agressão, além de uma cicatriz onde a espada fora inserida. Com um

suspiro de alívio, ela correu para o quarto do irmão, passando no seu e pegando uma poção Colossos. Chegando lá, Kate já estava fazendo um

diagnóstico do ruivo.

- Como ele está?

- Preciso de ajuda com o fígado dele. Ele teve diversos órgãos impalados pelos próprios ossos, incluindo pulmões, fígado, rins e o baço. Ao que

parece, uma das costelas errou sua aorta por dois milímetros.

Em seguida, Wong começa a entoar cânticos em uma língua estranha até que uma esfera alaranjada o coloca em uma posição fetal lá dentro.

Para Anna e Piotr, era a primeira vez que viam isso. Já para Gina, ela tinha visto Stephen faze-lo quando veio buscar o ruivo da primeira vez. Ela

sabia que era uma esfera de cura. E parte dela sorriu, sabendo que seu irmão tinha voltado para ela, de certa maneira.

- Isso é uma esfera de cura. Ela coloca o paciente em êxtase, momentâneo, e começa a tratar as doenças e feridas que o paciente possui. O

motivo de eu escolhê-la é que Ronald, teve uma boa interação com ela no passado e pode ser que funcione novamente.

Demoraria quase uma semana para que o jovem ruivo saísse da esfera sem seqüelas. Embora ele tivesse voltado à consciência dois dias depois

da provação, nem Gina, nem Wong foram convencidos para encerrar a esfera de êxtase, antes dos 7 dias. Isso deu bastante tempo para que

Hermione o chamasse de estúpido, temerário e suicida.

Depois de se acalmarem, no sexto dia, Harry e Piotr estavam mais interessados em saber exatamente o que acontecera e por que dera errado?

O ruivo apenas respirou fundo e pensou em tudo o que havia acontecido no interior da alma do seu amigo.

Início do Flashback

Como esperado pelo ruivo, a espada conectou as almas dele e de seu cunhado e amigo. Agora, dentro da alma do moreno, ele pôde ver o efeito

que a horcrux teve em longo prazo, infectando tudo à sua volta. Metade do horizonte era negro como a noite e isso se estendia por onde

olhasse.

"Isso não é bom" pensou o ruivo, enquanto ia à esmo, procurando a horcrux. Foi quando uma voz o parou.

- Saudações, Ronald. Estive esperando você.

Olhando em volta, o ruivo pôde perceber que a voz parecia vir de todo o lugar. "Definitivamente não é bom!", continuou o pensamento. Sem o

elemento surpresa, ele já poderia contar com uma batalha. Foi quando a horcrux apareceu para ele.

Embora sua forma parecesse com a de Tom Riddle de nossos dias até o último detalhe, havia nele uma injeção de poder que faltava em sua

contraparte terrena. Ele notou os olhos críticos do ruivo.

- Vejo que já percebeu que sou diferente do homem que fui, quando "vivo", não? Esse é o efeito de estar exilado contra a sua vontade, por duas

décadas. Lá fora, Voldemort era um conquistador. Aqui, eu sou Deus! – disse, gargalhando sombriamente.

- Já conheci deuses melhores! – lançou a isca, o ruivo.

- Pode ser, mas jamais conheceu um que pode moldar toda a realidade à sua volta.

- Isso pode ser verdade, mas todos eles eram almas inteiras. Não vejo como um fragmento de uma pode ser um problema.

- Posso ser um fragmento, mas nada me impediu de controlar esta alma e molda-la à minha vontade – disse ele, desaparecendo e moldando-se

com o ambiente.

"Isso é muito, muito ruim!" pensou o ruivo, sacando a espada espiritual e preparando-se para a batalha.

Fim do flashback

- Fui arrogante e paguei o preço – respondeu simplesmente. Harry pareceu aliviado e saiu após pouco tempo, enquanto Piotr ficou à sós com

Rony e soltou o comentário.

- Foi um belo gesto o que fez hoje.

- Do quê está falando? – perguntou o ruivo.

- Você não é arrogante, Ronald. Se resolveu falar isso, foi para aliviar Harry, isso quer dizer que a situação era ainda mais dura do que imaginou,

certo?

- Sim, mas Harry não precisa saber disso. Ele já tem problemas demais com tudo o que Voldemort fez para sua família... – ia continuar a falar, mas

algo chamou sua atenção pela ausência. Nenhum som de aparatação. O feitiço estava presente e iria impedi-los, mas o feitiço deveria mandá-los

até aqui, a não ser que eles estivessem fora de alcance. Mas não havia como saber o alcance desse feitiço. Com tudo acontecendo poderia ser

que ele durasse apenas alguns milhares de quilômetros. Podia ser que após o show que Frank Rook deu, explodindo os comensais locais tenha

dissuadidos à voltarem. Ou poderia ser que eles simplesmente não estavam no raio de alcance. Isso queria dizer que eles podem ter se agrupado

em algum lugar.

Nisso, uma ideia bateu no ruivo e ele empalideceu.

- Piotr, chame Hermione e rápido. Estou com um mau pressentimento.

Assentindo ele foi até o quarto da jovem, que não se encontrava. Gina, contudo, foi informada da preocupação do ruivo, falou ao russo o

paradeiro de sua melhor amiga e foi até o quarto de seu irmão.

- Ronald, o quê foi? – perguntou séria.

- Pode não ser nada, mas tenho um mau pressentimento sobre uma coisa. Não há comensais em Nova York.

- Como assim? – perguntou a castanha, junto de Piotr.

- Voldemort! – gritou o ruivo, para surpresa das jovens. Em resposta, nada aconteceu.

- Nenhum sinal de aparatação – concluiu Gina.

- O feitiço protetor da casa pode impedi-los, mas não ter nenhuma tentativa pode ser interpretado como se eles não estão no alcance do feitiço –

comentou Hermione.

- Correto, Herms. Ou eles estão aquartelados em um lugar, ou se reuniram para um ataque. Por isso, preciso que você vá até a sede e confirme

se as coisas estão bem.

- E se mandarem um patrono? – perguntou Piotr, que já fora informado de algumas das magias que eles podiam fazer.

- Demoraria demais. Se algo estiver acontecendo, pode ser tarde demais – considerou a morena. Enquanto abria o portal e entrava por ele. Gina

olhou para seu irmão e disse.

- Nunca imaginei que você a mandaria sozinha para lá.

- É apenas uma missão de reconhecimento, ela vai aparecer na sede da O.C. e verificar a situação. Além disso, Herms é uma menina grande e

pode tomar suas decisões sozinha. Eu confio minha vida nela e ela já provou ser capaz de tirar meu rabo de problemas – completou o ruivo.

Do outro lado do Atlântico, a primeira coisa que a jovem bruxa notou foi o silencio na sede da Operação Cimitarra. O silencio, ou mais

precisamente a falta do caos que Jorge e Fred são capazes de criar, no exato momento que você acredita que eles são capazes de tomar conta

de si pelos próximos cinco minutos. Esse pensamento lembrou-a das palavras na carta de despedida do ruivo, chamando-os de "Maníacos

homicidas sádicos com predileção em fazer a minha vida um inferno". Essa é a melhor maneira de mensurar a solidão que o prédio vazio

demonstra.

Andando pela cozinha, ela vê pratos sujos e muitos com sua refeição ainda neles. Aproximando, ela nota que uma capa de bolor começa a tomar

conta da comida. Isso significa que não há ninguém há pelo menos alguns dias ou que os homens foram soltos à sua própria sorte. Resolvida a

investigar ela começa a se concentrar em um local de Hogwarts para abrir o portal, mas uma dúvida emerge onde aparecer? Se algo está

acontecendo no castelo, qual lugar seria seguro para transportar-se? Imaginando um pouco, ela resolveu aparecer inicialmente no quarto de

Rony, na Nova Toca. Ali, ela poderia ter uma visão parcial do campo e verificar se havia sinais de luta. Além disso, ela conhecia aquele lugar com

perfeição, já que memorizara o local de cada objeto, durante as passagens pela casa. E apesar da nova ordem que o jovem colocara após seu

retorno à Inglaterra, Molly costumava arrumar o quarto exatamente como antes.

Saindo do portal, ela viu uma confusão de corpos jogados no gramado, quando chegou à janela. Em alguns deles, ela pôde ver as cores que

diferenciavam os estudantes das 4 casas de Hogwarts. Também pôde ver que ouros possuíam os mantos clássicos de Comensais da Morte e no

horizonte uma enorme nuvem escura se aproximando do castelo. Dementadores. Nisso ela pensou em qual seria o melhor lugar para o novo

teleporte, para avisá-los da chegada de Dementadores. Decidiu que um lugar que seria defendido à todo custo seria o escritório do Diretor. Logo

teleportar-se para o corredor seria a melhor opção. Decidida, ela abriu seu portal e do outro lado, tropeçou em um corpo de um jovem estudante

Corvinal, que aparentava 14 anos. Seus olhos estavam arregalados de terror, provavelmente de ver uma maldição imperdoável em sua direção.

Após uma prece silenciosa pelo jovem, ela se levantou e seguiu o corredor até virar uma esquina e dar de cara com um conjunto de 6 varinhas

apontadas em direção à ela. Seus portadores eram Kate, Angelina, Kingsley, Molly, Fred e Jorge. Cada um atento às reações dela.

- Identifique-se! – ladrou Kingsley.

- Hermione Jane Granger, filha de Jane e Robert Granger, atualmente Jenkins, moradores de Blackall na Austrália.

- Tudo isso pode ser aprendido. Diga-nos algo que só você saberia? – exigiu Fred. Em seguida aconteceu algo que assustou-os em seu núcleo.

Hermione sorriu. Não apenas um sorriso, mas um sorriso doentiamente doce e bastante predatório. Para os gêmeos, parecia que algo estava

andando em suas covas.

- Fred e Jorge saíram com duas mulheres enquanto estivemos na Austrália.

Ambos os jovens adultos se tencionaram ao sentir o olhar de suas namoradas e sua mãe em cima deles. Jorge tentou, em vão, criar uma

distração.

- É uma... Mentira? – perguntou, olhando para a namorada.

- Fizemos isso pela missão. O que ela esqueceu de falar que fizemos isso para conseguir o endereço da família dela – acrescentou Jorge.

- Mas não muda o fato que vocês o fizeram – apontou Molly.

- Quando acabarmos com isso... – disse Katie, com um olhar que prometia dor. Angelina apenas deu-lhe as costas, enquanto saia com uma aura

negra do local. Ambos os gêmeos sabiam que estavam em grandes problemas com suas namoradas.

- Droga, Mione. Você e Gina prometeram que não contariam nada para elas – acusou Fred.

- Gina fez a promessa, não eu. Vingança é uma cadela, não? Especialmente quando você é a parte lesada.

Todos olharam chocados, pois a jovem bruxa que conheciam jamais tivera coragem para se levantar contra os gêmeos de tal modo. Eles

passavam dos limites com todos, mas exceto sua família, apenas alguns retornavam as brincadeiras.

Isso chamou a atenção dos ruivos. Se sua pretensa cunhada estava mostrando as garras poderia significar que ela já se considerava família?

Caso isso seja verdade, isso quer dizer que explicaria o relógio que eles fizeram ter ficado 7 horas em "Tendo um tempo de qualidade com

Hermione". A vingança seria doce.

- então, Herms, como foi sua primeira noite de amor com nosso irmãozinho? – disseram em uníssono.

Como esperado, toda a cor se esvaiu do rosto da jovem que olhou para Molly. A mulher mais velha estava impassível, olhando-a como um falcão

estuda uma presa. Isso fez seu sangue fazer todo o caminho em contrário, tornando a antes pálida, extremamente corada jovem.

- Isso é resposta suficiente! – disse Jorge, com um sorriso.

- Mas... Eu pensei que... – balbuciou a jovem.

- Que nós veríamos como é ser a vítima? Você já devia nos conhecer melhor do que isso... Cunhada – gracejou Fred.

- Meninos! – disse a mãe, em tom de comando. Isso foi sinal para ambos pararem com os gracejos imediatamente ou a promessa de dor seria

imediatamente cumprida e, ninguém em sã consciência gostava de ver Molly Weasley furiosa.

Kingsley via a cena entre chocado e divertido. Embora não a conhecesse como os outros, quando ela deu a informação da traição dos jovens

Weasley, todos pareciam relaxar diante de sua presença. Além disso, ela sabia como fazer o portal e, a menos que um comensal conseguisse

acesso ao conhecimento e um fio de cabelo da jovem, ela merecia o benefício da dúvida. Mas os instintos de auror ainda a manteriam na linha de

tiro, por via das dúvidas.

- Gostaria de compartilhar algo comigo, Hermione? – disse a mulher, com uma voz doentiamente suave. Do tipo que só uma mulher sabe fazer

quando está em um mundo de raiva.

- Desculpe Molly, mas não temos tempo para isso. Gostaria de saber qual é a situação. Também aviso que temos um alto número de

dementadores no horizonte.

O experiente auror entrou na conversa quando ela falou sobre os espectros, velhos conhecidos das guardas de Askaban.

- Qual é a situação de vocês, Hermione. Não recebemos relatórios de vocês há semanas. A única coisa que soubemos é que você e Rony haviam

partido para encontrar um item capaz de matar uma horcrux.

- Tivemos sucesso em nossa missão, mas Ronald teve alguns ferimentos. Ele está agora esperando alta médica, mas achou estranho nenhuma

atividade comensal e pediu-me para checar a situação. Quando cheguei à sede, vi a comida semi-tocada e desconfiei que havia algo estranho,

logo abri um portal para a Nova Toca, onde percebi a presença de Comensais no castelo. Em seguida vi os dementadores e me teleportei até

aqui, imaginando que vocês provavelmente armariam uma frente de defesa, pela quantidade de informações sensíveis que os diretores de

Hogwarts recolheram através dos anos. Principalmente, o Professor Dumbledore, que pela a história que Harry nos contou, pode ser classificado

como elo de paternidade entre ele e Vold... Riddle.

Ao ouvir o nome do antigo diretor, Molly franziu a testa, em clara irritação e Kingsley não pôde fazer nada do que concordar com ela. Depois que

souberam, não podia negá-los compreensão. Também era pai e, mesmo que seu filho estivesse em Beaubbatonx, sabia que se não o detivessem

aqui, logo o Canal da Mancha estaria repleto de dementadores, fazendo vítimas em solo francês.

- Estamos com um baita problemão em mãos. A situação que temos é a seguinte: estamos combatendo Comensais aqui em Hogwarts à 6 dias.

Sofremos algumas baixas importantes, mas na sua maioria foram os estudantes, menos treinados que lotam nossas enfermarias. Evacuamos os

menores para Durmstrang. Infelizmente agora temos relatos de que Tritões, Lobisomens e Gigantes estão vindo para cá. Aliado aos

dementadores, podemos dizer que eles pretendem esmagar-nos na próxima noite. Isso porque seus ataques começam ao cair da noite. Temos

apenas algumas horas para preparar algum plano e, estamos sem opções nesse quesito.

- Certo. Vou buscar Rony e os outros.

- Mione, você quer trazer eles para esse matadouro. Não temos chances contra todos eles – sussurrou nervosamente Molly. Ela mesmo não

queria ter que admitir, mas era melhor ter seus filhos caçulas protegidos do que expostos aos perigos dessa batalha.

Respirando fundo, a jovem apenas olhou sua sogra futura (pelo menos era o que se revelava) e disse:

- Molly, existem dois modos de fazer a coisa que seu filho conhece. Um deles é o caminho seguro. O outro é o que ele fará. Você realmente espera

que eu volte para lá e não diga nada para seus filhos e para Harry, que a família que o aceitou, a família do homem que eu amo, que é também de

minha melhor amiga e a família que eu amo vai enfrentar sua hora mais negra, sem eles? Eu adoro você e respeito seus motivos, mas amo seu

filho e não vou ferí-lo dessa maneira. Nem à Gina, Harry ou a mim mesma. Vocês precisam de toda a ajuda que puderem e, Deus me perdoe pela

franqueza, mas Ronald é a mente mais torcida que eu conheço, quando o assunto é tirar-nos de uma enrascada.

Molly apenas olhou para a jovem bruxa que conheceu à mais de 10 anos, quando foi pegar seus filhos no Expresso Hogwarts e, se perguntou

quando é que ela virou essa mulher determinada, que faria-a ficar sem opções e sem voz de comando. Sim, ela seria uma excelente esposa para

sua mais problemática prole.

- Você vai ser um inferno de uma esposa, Hermione. Conto com você para manter meu filho longe de problemas.

Corando com o elogio, ela respondeu.

- Ele não quer isso. Ele é Ronald e o problema vai encontrá-lo, mesmo em uma multidão. O que ele necessita é de alguém que o apóie e esteja lá

para ele, todo o caminho. Uma parceira, não uma enfermeira. Ou alguém que corte suas asas.

Em seguida, ela retornou para a América, através de um novo portal. Após ver isso, Kingsley olhou para Molly que sorria abertamente.

- Ela já sabe até mesmo o segredo de como manter uma relação estável. Ela é mesmo a bruxa mais promissora de sua geração.

- Ela vai ser uma esposa incrível, não é mesmo Molly? – perguntou o auror.

- Não, meu amigo. Ela já é. Estou feliz que meu filho seja merecedor de tamanho sentimento.

Do outro lado do Atlântico, a jovem aparece para a pequena multidão de moradores da casa e relata a situação em sua terra natal.

- Você estava certo. Uma grande quantidade de Comensais está atacando Hogwarts há dias, minando assim as defesas da escola, da Ordem da

Fênix e da Operação Cimitarra. Kingsley não acredita que serão capazes de sobreviver à mais um ataque.

Todos na sala ouviram em silencio, até que o ruivo decidiu agir.

- Harry, Gina, Herms. Preparem-se! Partiremos em 10 minutos.

- Rony, você acha que pode lutar nessas condições? – questionou a castanha.

- Por que diz isto? – perguntou o bruxo.

- Você está em uma esfera de cura, lembra-se? – retorquiu a jovem.

Como reposta, o jovem apenas fechou os olhos e concentrou-se. Como resultado, a esfera começou a rachar e estilhaçou-se em milhares de

fragmentos. Todos olharam abismados o jovem, com exceção do tibetano que apenas sorria.

- Como você...? – perguntou sua irmã.

- Não se aprende com magos da grandeza de Steve e da perícia de Wong sem entender como funcionam as coisas. Basicamente, uma esfera de

cura pode ser destruída, simplesmente com a vontade de fazê-lo, porque você não pode ajudar quem não quer ser ajudado.

- Então você...?

- Poderia sair daí à qualquer hora que quisesse? Sim! Agora, se aprontem! – disse substituindo a feição alegre por uma determinada.

Foi então que outros resolveram intervir na conversa.

- Vou preparar minhas coisas – disse Piotr.

- Não Russo. Você fica.

- Com medo que não possa me defender? – disse o homem. De repente, seu corpo começou a emitir um brilho suave, enquanto ele crescia e sua

pele tomava uma aparência metálica.

Todos com exceção dos bruxos moradores anteriores da casa estavam chocados com a transformação. Rony apenas balançou a cabeça e disse.

- Você sabe se defender e é por isso que você fica. Você e Wong são os únicos que sabem de todos os nossos passos e, se cairmos, você pode

montar uma linha de defesa aqui. Você é o único aqui que pode lutar e proteger as meninas.

Anna, Kate, Samantha e várias meninas se apresentaram para acompanhá-los, mas o jovem apenas balançou a cabeça negativamente.

- Vocês não possuem treinamento, estão sem varinhas e, se não conseguirmos, vocês serão as próximas pessoas que, com o treinamento de

Wong e Piotr irão lutar contra os Comensais.

- Você não precisa ser condescendente com a gente. Estamos prontas para dar nossas vidas – disse Kate, com as outras assentindo.

- Vocês estão sendo confiada com as próximas gerações e acham que estou sendo condescendente com vocês? Eu não acredito nisso. Acho que

vocês poderão não só, fazer isso, mas também criar um santuário capaz de dar às vítimas, uma vida normal ou, tão normal como a que demos

para vocês, aqui – completou, com um sorriso.

Nisso, Harry e os outros chegaram. Ronald olhou para seu professor e amigo e prostrou-se em sinal de respeito. Wong apenas retribuiu o gesto,

sorriu e disse:

- Dê-lhes o inferno, Ronald!

Assentindo, ele abriu o portal e teleportou-se para Hogwarts.

Enquanto os outros o seguiram pelo corredor, Harry apenas chamou a atenção para um fato.

- Por quê não deixá-las vir? Elas seriam de grande ajuda. Piotr também.

- Você chamariam algumas mulheres que foram brutalizadas, torturadas e estupradas, enfrentarem seus algozes sem meios de se defender?

Mesmo com varinhas e capacidades de combate, a probabilidade é de que elas congelem antes mesmo da batalha. Com isso, elas seriam alvos

fáceis para eles. Combinei com Wong que, caso não retornemos, eles devem não apenas treina-las, mas também trabalhar com sua autoestima,

para que, se necessário, elas possam se tornar combatentes da resistência e, se aquelas que não consigam segurar-se em batalha contra eles,

possam tomar conta de um santuário, para vítimas como elas.

- Entendo – disse o moreno. Realmente fazia sentido. Nisso Gina perguntou:

- E que tipo de sinal mandaremos caso percamos a batalha, para que eles saibam?

- Simples. Não apareceremos lá.

Virando a esquina eles viram uma multidão correndo de um lado para outro. Uma estudante da corvinal passou por eles, mas não notou-os,

deixando cair alguns kits de primeiros-socorros. Gina foi até ela e entregou-o.

- Isso está uma zorra. Precisamos de alguma organização ou não vamos nem conseguir uma frente de batalha unida – disse Harry.

- Concordo – disse o ruivo – SITUAÇÂO! – gritou. Como resultado, todos se voltaram para o ruivo. De um lado, Arthur e Molly sorriram. No centro

do salão, Kingsley, Tonks, Remo e Minerva observaram o quanto o jovem mudara desde que voltou da América pela primeira vez. Enquanto ele

parecia perdido e ansioso, agora ele estava resoluto e confiante. E seu grito fez efeito imediato, como todo mundo parecia mais concentrado.

O efeito mais interessante foi em Luna Lovegood. Ela se aproximou dele, enquadrou-se militarmente, bateu continência e gritou de volta.

- Senhor! Estamos na merda, Senhor! Atualmente temos uma situação na qual somos superados em 3 para 1. E com os reforços de

lobisomens, tritões e gigantes, a vantagem sobe para 6 contra 1. Uma boa parte de nossas tropas são de estudantes sem experiência em

combate. Temos, como uma vantagem a fortaleza sólida do castelo e o conhecimento do terreno, mas isso a maioria deles estudou aqui,

então não pode ser uma vantagem a ser explorada. Se vierem com força total, será um massacre! Senhor!

O ruivo olhou para todos os estudantes, que olharam para baixo, em vergonha. Para retificar a situação, ele disse:

- Atenção estudantes. Não olhem para si com vergonha por não terem experiência em combate. A verdade é que vocês estão em uma época

da vida, na qual isso não deveria ser exigido. Como resultado, vocês se levantaram e estão arriscando suas vidas. Não vou mentir dizendo

que sairemos todos vivos dessa, mas eu pretendo fazer o meu melhor para vencermos isso com o mínimo de baixas. Se todos vocês fizerem

o mesmo, podemos sair dessa juntos. Mesmo contra todas as possibilidades.

Como esperado, o discurso reacendeu a chama dos estudantes. Inclusive a Corvinal de tranças, que olhou para ele com estrelas nos olhos. Em

seguida, ele virou-se para sua amiga.

- Luna, por quê diabos você está falando assim?

- Senhor! Achei que deveria me dirigir assim à você, pela sua entrada, que parecia como um militar treinado. Senhor!

- E onde aprendeu isso?

- Vendo a edição especial de Platoon! Senhor! – respondeu a loira.

- A edição especial de Platoon? Como a minha edição especial de Platoon?

- Senhor! Sim Senhor!

- Aquela que está no meu quarto?

- Senhor! Sim Senhor!

- E o que estava fazendo no meu quarto, Lovegood?

- Senhor! Estava procurando um lugar tranquilo para dar uns amassos em Neville! Senhor!

Todos olharam para o aludido, que corou e parecia estar avaliando uma nova espécie de planta no chão de linóleo do castelo. Isso colocou um

sorriso no seu rosto dos outros.

- Luna, eu não sei se você é maluca, ou se está fazendo isso para constranger Neville – comentou divertido.

- Senhor! Um pouco das duas coisas! Senhor!

- Agora que todos já sabem da vida romântica de Neville e Luna, vamos aos negócios! Quanto tempo temos até os ataques?

- Geralmente atacam ao anoitecer. Creio que temos duas horas – disse Kingsley – algum plano?

- Sempre. Agora me escutem. Vou fazer perguntas e quero respostas honestas e sinceras. Quantos de vocês possuem problemas com patrono ou

não podem fazê-lo?

Diversos alunos e até alguns aurores levantaram as mãos, envergonhados.

- Não há motivo para vergonha. Agora eu gostaria que vocês acompanhassem Minerva McGonnagal, Hermione Granger e Luna Lovegood para

uma sala adjacente na qual podem treinar e aperfeiçoar o patrono. Aqueles que não conseguirem não poderão participar da batalha diretamente,

ficando assim em um esquadrão que combaterá de longo alcance, longe de dementadores.

Minerva olhou para seu aluno anterior e assentiu, levando-os para uma sala.

- Pelos olhos de Ishtar, que a ilusão tenha início! – recitou o ruivo, enquanto se dividia em 8 partes, para espanto de muitos alunos. – Gula,

preciso que você informe o plano para McGonnagal e treine quantos puder no patrono. Informe-os do plano. Ira, preciso que você atravesse o

portal e encontre Frank Rook. Consiga com ele, alguns fogos de artifícios.

Assentindo, ambos tomaram seus caminhos, enquanto os outros estavam chocados. Ele se comportavam como um general diante das tropas.

- Preciso de vinte voluntários – pediu, ao que Tonks, e um grupo próximo a ela, levantou o braço – vocês sigam Vaidade. Ele lhes ensinará a

beleza da bomba patrono, um feitiço que será de grande valia contra os dementadores, permitindo que nós enfrentemos os Comensais.

Vaidade acenou-os e eles seguiram com gosto.

- Kingsley, quantas capas da invisibilidade temos aqui? – perguntou ao auror negro, que respondeu.

- Apenas duas.

- Tudo bem. Neville, acompanhe Preguiça para obter a posição via satélite dos Comensais. Fleur, monte um grupo de 10 pessoas, incluindo Harry.

Vocês vão esperar, ira voltar e, ele e Avareza vão descer com vocês, até a entrada da Câmara Secreta. Eles impedirão que sejamos cercados

pelos Comensais, que quiserem entrar no castelo por lá.

- Eu vou! – comentou Cobiça, pensando em pegar algumas das esmeraldas da Câmara Secreta.

- Você e os gêmeos farão o mesmo com as passagens secretas conhecidas que levam para Hogsmeade.

- Ei Ronald, também podemos fazer fogos de artifício – Sussurraram Fred e Jorge ao irmão.

- Não posso perder vocês por um tempo, para preparar os fogos. Além disso, estou pensando em explosivos mais potentes – retorquiu no mesmo

tom.

Entendendo a questão seus irmão abriram um sorriso desonesto.

- Não somos dignos, sua malevolência! – ajoelharam-se em sinal de submissão.

- Ah! Calem-se! – comentou o ruivo com um pouco de humor – Bill, Charlie. Quero vocês e Luxúria no alto das torres, vigiando os comensais de

binóculos. Qualquer movimento pode ser importante e deve ser informado. Entenderam?

Seus irmãos assentiram e foram para seu posto.

Kingsley chegou e disse:

- Tudo bem, Rony. Que tal, contar-nos o plano?

- Antes disso, como foi a situação em batalha?

- Estivemos em desvantagem e acuados desde o início. Eles claramente não nos consideram ameaça e, todo plano que tentamos era

imediatamente perdido. Era como se eles soubessem de cara o quê fazíamos.

- Como imaginado. O plano, consiste em adaptar a batalha das Termópilas para Hogwarts. Se conduzirmos as batalhas para cá, este corredor.

Não importa seus números. Só um número exato de pessoas pode batalhar aqui nesse corredor estreito.

Shacklebolt assente em compreensão. Despercebido pela maioria, um aluno da Lufa-Lufa sai do recinto. Avareza o segue.

Enquanto isso, na ponte do Brooklin, um jovem ruivo aparece 20 metros à frente ao furgão de Frank Rook e manda-o parar. Nos primeiro 5

metros, o homem reconhece, mas nos outros 5 metros, o homem o ignora, mesmo tendo o reconhecido. Faltando 10 metros, ele inicia a freada,

percebendo que o ruivo não se moverá à tempo. No final, Frank Rook para exatos 30 centímetros das pernas do ruivo que não perde tempo e

entra no furgão, do lado do carona.

- É bom vê-lo, Frank – começou.

- Como me encontrou?

- Como você sempre é encontrado?

- Rastreador. Mas me livrei das roupas.

- Não do carro.

- E como sabia que este era meu carro.

- Cheirava à armas e pólvora. Antes de me teleportar para onde moro, parei próximo e calculei as possíveis rotas de fuga que você tivesse. Como resultado, encontrei seu furgão.

- Entendo. Você é esperto.

- Sou o melhor aluno de meus professores.

- Tá legal, você me achou. A questão é: por quê?

- Preciso de fogos de artifícios. Do tipo que você possuí.

- E por quê os daria para você?

- Para impressionar nossos amigos comuns, na prefeitura.

- Eles escaparam? – perguntou surpreso.

- Baratas estão em todo o canto. Infestaram uma comunidade local na fronteira da Inglaterra com a Escócia. É a melhor chance de pegá-los.

- Ainda não significa que eu os darei à você – retorquiu o soldado.

- Realmente. Mas a realidade é que eles estão mantendo uma escola sitiada. Todos os defensores da escola estão do lado de dentro

aquartelados. Os fogos de artifícios são para impedir que eles nos cerquem.

- E as crianças?

- Os menores foram evacuados. Alguns estão ajudando à defender o castelo, onde funciona a escola.

O homem pensa longamente. Ele não conhecia o ruivo pessoalmente, antes de seu trabalho conjunto, mas se havia algo que o Vietnã, e à guerra

contra o crime ensinara, era reconhecer sinais de mentiras. Sempre confiara em sua habilidade para isso e ela nunca o decepcionara. Olhando

para eles, suas pupilas estavam focadas, suas narinas não se dilatavam nem sua boca estava seca. Estes sinais foram um dos muitos que

denunciavam mentirosos.

- Se crianças forem feridas com esses armamentos... – começou.

- Encontre Luke. Ele saberá me encontrar. E logo após, você poderá me dar a lenta e dolorosa morte que achar necessária, viável ou divertida.

Mas, se acabou, não tenho todo o tempo do mundo agora.

Dirigindo para seu depósito, ele perguntou.

- O quê precisa?

- Claymores.

- Sabe usa-las?

- Pego um manual na internet – falou com sarcasmo. Como resultado o velho soldado, mostrou-lhe uma caixa com os explosivos. Em seguida,

mostrou como armá-los e, como conecta-los com os outros, causando um campo minado.

- Tem certeza que quer fazer isso? – inquiriu Rook.

- Como lhe disse, é apenas uma precaução. Se não quiserem emboscar-nos, não encontrarão o campo minado. Mas o castelo possui muitas

passagens secretas para deixá-las desprotegidas.

Com o assentimento do soldado, ele abriu um portal e transportou duas caixas. Saindo novamente em Hogwarts, ele integrou o grupo de Fleur,

enquanto Cobiça pegou outra caixa e sinalizou aos gêmeos, que o seguissem.

Antes de saírem, Ronald falou:

- E lembrem-se: estes não são explosivos mágicos. Se você não têm treinamento, não mexa neles.

Fred e Jorge pareciam crianças pegas em uma travessura. Avareza chega nesse momento, com o jovem Lufa-Lufa inconsciente nos braços.

- Drake. O que aconteceu com ele? – perguntou um estudante.

- Ele saiu assim que contei o plano. Avareza o seguiu e o colocou para dormir. De acordo com Kingsley, existe a possibilidade que haja um espião

entre nós. Desse modo, qualquer comportamento suspeito deve ser investigado.

- Está dizendo que Drake é um espião? – gritaram alguns estudantes da casa – Como sabemos que você não é um espião? Você só surgiu agora!

Molly ia defender seu filho, mas este apenas concordou com isso.

- Admito que, para aqueles que não me conhecem minha aparição é suspeita. Contudo, devo dizer que muitos aqui presentes me conhecem, de

modo que podem dizer se sou eu ou um impostor. Estes sabem que estava em missão importante e que mandei um emissário antes, avisando da

minha vinda. E como garantia, Kingsley, como um bom estrategista e auror, mentiu sobre o número de capas de invisibilidade, de modo que Cho

Chang está atrás de mim, para qualquer movimento suspeito que eu fizer, não estou certo, Cho?

Como resultado, a jovem chinesa surgiu debaixo da capa, com a varinha apontada para ele e cara triste.

- Você é a pior pessoa para surpreender! – disse com um muxoxo.

- Desculpa guria, mas era o que eu faria. Colocaria alguém que poderia dizer se era eu, à uma distância incapacitante. Alem disso, o melhor lugar

é exatamente fora de minha visão periférica para impedir que eu reaja quando você tirar a capa. Ou seja, só sobra minhas costas.

- Chato – retorquiu a jovem

- Kingsley. Bom plano – disse ao auror, com um sorriso – Agora que temos tudo resolvido e a retaguarda está sendo garantida, vou explicar o

plano. Blindamos o resto do castelo com um Sancto Santuárium, que Kingsley e eu sabemos. Isso os impedirá de aparatarem, funcionando como

um campo de força. Tenho alguns feitiços que podem impedir que a força bruta de gigantes quebrem as paredes do castelo para criarem novos

focos de ataques. Isso fará com que as coisas fiquem equilibradas um pouco. Ainda assim, um grupo irá circundar o inimigo e colocar dois

sinalizadores, nos perímetros das tropas.. Este interagirá por satélite, com este sinalizador aqui – diz o ruivo fincando um sinalizador no chão –

criando um perímetro por GPS. Em seguida eu vou poder isolar e teleportar os comensais para outro campo de batalha. Um do qual eles não

podem escapar. A sede da Operação Cimitarra. De lá, eles não podem aparatar para fugir, ficando confinados ao prédio. Onde, Kingsley preparou

uma surpresinha para eles, não é, Shacklebolt

- Então foi por isso que quando comprou o prédio, mandou instala-los? – perguntou o auror surpreso. Quase um ano antes, ele mandara instalar

uma série de explosivos nas fundações da base, caso fosse necessário. Apenas alguns aurores sabiam disto e, nenhum deles entendeu o plano... Até agora.

- Sempre programe movimentos à frente. Xadrez, Shogi e outros jogos de estratégia provam isto.

- E quanto àqueles que estiverem dentro do raio de teleporte? – perguntou Arthur.

- Atenção. É extremamente importante prestar atenção ao marcador. Se você estiver no meio de uma luta, quando o teleporte ocorrer, será

levado para um terreno hostil cercado de comensais, lobisomens, sabe-se-lá-o-que-mais e, possivelmente sem apoio. Para os aurores que

estiverem nessas condições, é uma situação limite. Para os estudantes, é uma sentença de morte antecipada. Sua única esperança reside em

ficar próximo à mim, Kingsley, Remo Lupin que podem fazer o tipo de teleporte aceito pela barreira. Hermione Granger, que chegou aqui junto à

mim, também é capaz de fazê-lo. Se não estiver em torno dessas pessoas, está dentro da barreira inexpugnável e é tão bom quanto um morto-

vivo.

- Preparem-se! Hoje, esse reinado de terror, que tomou conta da Inglaterra termina. Ou Hogwarts cairá. De qualquer modo, vocês farão

parte da história. Senão da trouxa, da Mágica. E enquanto houver luz nesse planeta, enquanto houver um grupo de pessoas resistindo,

haverá contos de nossa bravura! Sejam bruxos de verdade. Sejam homens e mulheres de verdade. E, se tombarem; caiam como homens

livres, que decidiram impedir que pessoas fossem massacradas apenas porque nasceram do lado errado da coluna de magia. Caiam como

Grifinórios, Corvinais, Lufa-Lufas, Sonserinos, Professores, aurores. Homens e mulheres de bem. E que Merlin tenha piedade das almas dos

Comensais. Porquê nós, certamente não teremos! – gritou Kingsley.


Notas do autor:

Sinto muito pela demora, mas estive sem internet durante o mês de festas. See serve de consolo, vai um feliz 2011 como sempre...

Nos lemos.

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