NOVO CAP ON!
E desta vez mais rápido que o normal, Boa Páscoa para todos!
E não se esqueçam, o facto de eu não conseguir postar não significa que eu não continue escrevendo! - talvez seja melhor colocar um alerta para estar a par das actualizações mais facilmente.
Agradecimentos: Principalmente a todas as pessoas que, apesar da demora em actualizar, deixam feedback - espero que continuem a seguir, a gostar e a deixar a vossa opinião, encoraja-me e motiva-me bastante!
Bom, acho que é tudo e que não me escapou nenhum erro chato, mas já se sabe como é, apanhá-los a todos é uma grande proeza.
Disclaimer: Harry Potter não me pertence, não lucro com nada disto, a ideia é minha e esta fic também and so on. (Se eu pudesse roubava Malfoy e o vestido de Bellatrix, MAS NÃO VOU ROUBAR, portanto escusam de me acusar disso se acontecer)
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You Shall Overcome
Feitiços de Memória
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Folheava freneticamente todos os livros que tinham explicita ou implicitamente as palavras "Feitiço de Memória" cravadas nas capas ou escritas no índice com a perícia que só ela possuía. Aqueles livros não eram segredo para si, praticamente nenhum era. Pesquisar algo por sítios conhecidos e mesmo assim não o encontrar só podia significar uma de duas coisas: ou não estava a procurar correctamente ou faltava a fonte de informação, o livro em questão.
Neville ao fim de um tempo começou a instigá-la a desistir mas Hermione teimosamente o ignorou, para em seguida discutir com o amigo e dispensá-lo. Não entendia como é que alguém tão determinado e empenhado com o colega ousara sequer falar-lhe em desistir, era óbvio que não tinha a mínima noção do que estava em jogo. E era bom que continuasse sem a ter, pensou, aproveitando o facto de agora apenas possuir sobre si a pressão que era autoinfligida, uma vez que se encontrava sozinha.
A pilha de livros que levitava ao seu lado devido a um feitiço que ela lançara, e para a qual atirava mais livros que não continham o que lhe interessava, aumentava drasticamente.
Nada.
Não encontrava nada de nada.
Contudo, tinha a excruciante certeza de que algo de errado se passava consigo e que o seu método de pesquisa não lhe estava a falhar. Tinha que ser um feitiço de memória, tinha que ser… recusava-se a sair dali sem avançar, nem que fosse insignificantemente, na sua pesquisa. As horas passavam sem ela dar por isso, prestando mais atenção ao galopante crescente da sua frustração. "Raios partam isto tudo!", pensava, irritada.
Os seus olhos já não focavam as incontáveis páginas por que passava e ela lutava contra a urgência de atirar descuidadamente o livro que findava de avaliar, para o colocar amargamente em cima do grande monte de outros que já vira, partindo para o próximo.
Apesar do desgaste por ter saído naquele preciso dia da Ala Hospitalar, ela não ia desistir. Iria até onde fosse preciso, até onde aguentasse. E não faltava assim tanto, já faltara muito mais. Era só mais um esforço. Apenas precisava controlar a sua acelerada respiração e libertar-se do desespero que a absorvia. O sangue fervilhava e as bochechas aqueciam. Ela ia encontrar a porcaria do feitiço, não ia desistir. Sabia que algo de errado se passava mas não estava a ficar louca. Não, ainda não estava. Não estava. Não estava.
Não estava.
Não estava.
Não estava.
- Pára.
Estremeceu, levantando instantaneamente a cabeça para o local de onde viera o som. Do seu lado esquerdo, no final da estante, ele encostara-se, de braços cruzados, e encarava-a colérico, franzindo ainda mais o cenho ao cruzar o seu olhar com o dela.
Não o ouvira aproximar-se.
A Biblioteca, que estivera sempre em silêncio, emudecera de forma gélida. Já não conseguia ouvir o seu batimento cardíaco ou sentir as bochechas esquentadas.
Tudo recuara com a sua chegada.
- Draco… - conseguiu por fim murmurar baixinho, descaindo o queixo.
O rosto ferido estava parcialmente escondido pelos despenteados cabelos, ainda apanhados. Ver aquela delicada pele recuperando da destruição que ele lhe infligira com as próprias mãos doía, doía de forma excruciante. No entanto, esta era uma dor merecida, como todas as outras que tantas vezes o haviam chicoteado. Era merecida para que jamais esquecesse da devastação que seguia consigo, enrolada aos seus tornozelos e arrastando-se languidamente pelo caminho que percorria, enegrecendo os locais após a sua passagem e destruindo todas as boas recordações que dele pudesse haver.
- Pára com isso – respondeu, ainda mais baixo.
Ela fechou o livro, marcando-o com os dedos, e aproximou-se dele. Podia dificilmente ver as cinzas, queimadas de remorsos e masoquismo, que teimavam em fugir do seu contacto visual. Sentia o característico desejo que ele possuía de fugir, de desistir tudo e aceitar a dor, distorcendo a realidade ao apelidar a sua cobardia como uma forma de ultrapassar o Passado e encarar o Presente de frente. A sua postura demonstrava isso mesmo, mas a forma com que cravava as mãos nas negras vestes que lhe cobriam os braços dava a entender que temia realizar qualquer tipo de movimento. Que temia não conseguir soltar-se do Passado que insistia em suga-lo e enclausura-lo com frequência.
A desconfiança abraçou-lhe o âmago:
- Tu… o que é que me fizeste?
- Nada. Não aconteceu nada, mete isso na tua cabeça.
- Não, eu sei que há algo que me escapa, eu…
- Granger. – falou com voz de comando, reunindo todas as necessárias forças para a encarar e manter os seus braços cruzados – Não mudou nada, eu não mudei, nunca o fiz. Deixa de ser ridiculamente egocêntrica, pára de fazer filmes. Não gira nada à tua volta.
- Mas eu sinto…
- Ah, é? – inquiriu com um sorriso de escárnio – Parabéns então.
Hermione ia responder mas mordeu o lábio, sendo pela primeira vez naquele dia vencida pelo cansaço enquanto supria com sucesso uma pequena tontura. Aproximou-se mais dele, ligeiramente vacilante mas definitivamente determinada. Tremia de nervos incompreendidos, contrastando com Malfoy, que não se mexeu. Antes de passar por ele, bateu com o livro que carregava no seu peito e não o fez de forma gentil. O gesto obrigou-o a agarrar por instinto no dito livro.
- Eu vou descobrir. – informou, determinada e fazendo ainda mais pressão no livro com as poucas forças que lhe restavam. Ele haveria de sentir a mesma pressão que ela sentia diariamente sob o peito, nem que fosse apenas naquele momento e nem que fosse provocada por um simples livro, já que ela não era importante o suficiente na vida do Slytherin para o conseguir fazer por si só.
De seguida deu-lhe um fraco encontrão para em seguida desaparecer ao fundo do corredor. Cinco segundos após ela ter ido, respirou fundo e deixou o seu corpo finalmente relaxar, repousando a sua cabeça repousasse. Hermione não iria descobrir nada, ele certificara-se disso. A ingenuidade dela às vezes chegava ao limiar do engraçado. Perguntava-se quantas vezes não se teria sido subestimado, uma vez que ela havia esquecido que, afinal de contas, para além de lidar com um escorregadio Slytherin, lidava com um Devorador da Morte.
Com um assassino.
-w-
Ao afastar-se da Biblioteca, apercebia-se de que não descobrira nada palpável ou minimamente útil. Na verdade, até se esquecera de perguntar à bibliotecária se existia algum livro sobre feitiços de memória na Zona Interdita. Suspirou, ligeiramente desapontada. Não obtivera nenhuma prova nem alcançara algo físico, mas obtivera a certeza, a certeza que lhe estalara ao ouvido não enquanto folheava acidamente velhos livros gigantes, mas sim quando mergulhara novamente naquele mar de cinzas.
Ela tivera a certeza.
O seu ritmo cardíaco não lhe permitia andar calmamente pelos corredores à medida que tomava consciência disso. Pelo contrário, voava sob o chão de pedra, batendo em alguns alunos durante o caminho, tratando-os como meros obstáculos. Não se voltara para pedir desculpa ou sequer dera um passo vacilante para o lado. Não, não ia deixar que pequenas pedrinhas se intrometessem no seu caminho. Não agora.
Agora, que se sentia finalmente apta a iniciar a reconstrução do enorme quebra-cabeças que a atormentava há semanas. Ela não estava louca, sabia-o e tinha a sensação de que estivera bem mais longe de o provar a si própria. E nada, nada a impediria de o fazer.
Ela teria paz.
Tal pensamento devolvia-lhe a energia que lhe fora roubada. O calor que a inundava não era algo explicável. Era o tipo de coisa que apenas uma mente torturada perceberia quando confrontada com a possibilidade de ver chegar ao fim o pesadelo em que vivia para, por fim, poder descansar.
Desceu os lances de escadas que a levavam do terceiro para o primeiro andar num frenesim quase incontrolável. Dirigia-se o mais depressa que o seu corpo lhe permitia para a torre onde tinha aulas de Defesa Contra as Artes Negras. Chegada ao seu destino e permitida a sua entrada, Hermione não se fez de rogada, escancarando, ofegante, a porta do escritório de Minerva McGonagall.
A professora lia, por detrás da pesada secretária de madeira de carvalho polida, descontraidamente um livro. Encontrava-se na diagonal, virada mais para a janela que havia por detrás de si do que para a sua secretária e a entrada do seu escritório. Junto da janela, que conferia uma magnifica vista para os campos e o Estádio de Quidditch, encontrava-se uma mesinha de apoio onde se situava uma delicada jarra, sob um pequeno pano de seda bordado, onde uma bela flor do campo repousava. A jovem não precisava olhar em volta para constatar que toda a divisão, apesar de bastante simples, era acolhedora e estava bem decorada.
- Miss Granger, – proferiu, marcando o livro e cerrando-o. Fez sinal para que a sua aluna se sentasse na cadeira posicionada em frente do local onde devia estar a sua, separada da outra pela secretária – sente-se.
Hermione respirou fundo, fechou a porta e tentou acomodar-se, grata por se sentar mas lutando simultaneamente contra o súbito desconforto que a invadia. E se, no final de contas, tudo não passasse de um grande disparate fantasioso da sua cabeça? Ela poderia perfeitamente estar a ver coisas onde elas não existiam, estava provado que mentes brilhantes por vezes sofriam de certo tipo de doenças, o tipo que era tratado em São Mungos…
McGonagall observava-a com alguma curiosidade. Era raro ela emanar tanta insegurança.
- Em que posso ajudá-la?
Tentou acalmar-se. Havia chegado até ali, não podia acobardar-se agora, não podia…
- P-professora eu… Bom, o assunto que me traz aqui é delicado…
- Pode confiar e contar com a minha discrição.
- Sim, eu sei… mas não sei por onde começar.
- Pelo princípio, Miss Granger – afirmou seguramente, olhando-a directamente nos olhos. A ideia era encorajá-la e, ao mesmo tempo, pedir-lhe implicitamente que "desembuchasse".
- Eu acho que fui vítima de um feitiço de memória, Professora.
McGonagall ergueu as sobrancelhas.
- Se foi, como é que sabe?
- Pois, eu não sei bem explicar, mas tenho praticamente a certeza. Estive a pesquisar vários feitiços que poderiam corresponder à minha situação mas nenhum parece enquadrar-se. Excluí obviamente à partida o feitiço Obliviate porque se desse se tratasse eu nunca teria dado por nada…
A mulher avaliou por momentos a sua aluna, que nervosamente mantinha firme o seu olhar. Ponderava a possibilidade e, se tal tivesse mesmo acontecido, então a situação poderia ser grave. Alguém podia ter sido apanhado enquanto tentava um acto terrível contra Hogwarts e apagara a memória de Miss Granger, que o apanhara em flagrante, por exemplo. Era uma sorte ela suspeitar de que algo de errado se passava e de ter ponderado a possibilidade de ter sido vítima de um feitiço de memória.
Valia a pena investigar.
Ergueu-se com elegância em direcção à janela, abrindo-a e assobiando para o exterior. Uma coruja apareceu instantes depois e pousou no seu braço. A professora abriu em seguida a gaveta da mesinha de apoio que continha a jarra solitária e dela retirou uma fita com as cores de Gryffindor. Atou-a à perna da coruja.
- É para o Professor Flitwick, com urgência. Sétimo andar, perto da Torre Oeste, décima terceira janela a contar da direita. Sabes o caminho.
A coruja pigarreou e saiu. McGonagall voltou-se para Hermione, sentando-se novamente.
- Se o que diz efectivamente aconteceu, então é melhor que seja um especialista a avaliar a situação. Não podemos correr riscos nem descartar hipóteses nos dias que correm.
A jovem não respondeu, limitando-se a encolher-se um pouco mais na cadeira. Tivera coragem para contar metade da história, mas simplesmente não conseguia entregar Malfoy como principal suspeito. Sabia o que a Professora deveria estar a pensar e, no entanto, preferia que ela o pensasse a ter que castigar ou envolver o loiro nesta confusão, quando tudo o que tinha eram suspeitas. Suspeitas que, se se tornassem em algo concreto, adquiririam um novo grau de gravidade. Contudo, nem mesmo aí ela entregaria Malfoy. Não, nada disso.
Ela iria ficar com ele só para si, resolvendo sem intermediários um problema que só a eles dizia respeito.
Perdera a noção do tempo que passara, mas as leves batidas na porta pareciam ter sido feitas meros segundos após McGonagall ter enviado a coruja.
Flitwick entrou apressadamente no escritório.
- Minerva, recebi a sua mensagem, de que se trata? – parecia preocupado. Enquanto se levantava em sinal de respeito, Hermione pensava para consigo que a pequena fita enviada era sem dúvida uma forma de comunicação segura e secreta entre os professores. Cada chefe de Casa deveria ter a sua, assim como os restantes professores.
- São penas suspeitas Filius, mas entre, entre.
Foi apenas nessa altura que ele notou a presença de Hermione.
- Oh, Miss Granger!
- Boa tarde Professor, por favor, sente-se – disse-lhe com amabilidade e afastando-se da cadeira. O pequeno homem não declinou a oferta devido ao cansaço que sentia.
- O que se passa é o seguinte – falou sem rodeios a chefe de Gryffindor, indo directa ao assunto – Miss Granger acha que foi vítima de um feitiço de memória. Como tal, esteve a pesquisar alguns na Biblioteca mas nenhum se ajusta ao caso concreto. Gostaria de tirar esta dúvida. O que acha?
Continua...
Notas da Autora: FINALMENTE começamos a obter respostas!
Os pormenores dos escritórios dos professores foram retirados de Harry Potter Wiki, está aqui o site caso alguém tenha curiosidade: h t t p : / / h a r r y p o t t e r . w i k i a . c o m / w i k i / M a i n _ P a g e
O que acharam? Sugestões? Já sabem, deixem a vossa opinião, já sabem como reviews são importantes para os autores *.*
E loli, que tal activar as suas PM's? Ficava muito mais fácil para conversar :D
