Peço desde já a todos desculpa pela demora.
Eu sei que ás vezes com o espaço de tempo que medeia entre um capitulo e o outro se torna dificil lembrar o rumo da história, no entanto, com o trabalho e com a faculdade é dificil encontrar tempo para escrever... Quando o quero fazer não posso, e quando por veze consigo ter uns minutos, não há inspiração... Eu entendo a vossa posição, pois quando é ao contrário e algum autor de uma história que eu gosto demora a postar eu tambem fico "desesperada". Mas peço paciência o facto é que eu não gosto de escrever por escrever, ou só para cumprir prazos.
Parte deste capítulo já estava escrito há algum tempo, mas, não o achava suficientemente completo para publicar... E continuo a não achar... No entanto, aqui vai.

Beijo
Jou chan

Capitulo 21 – O Segredo Revelado / A decisão

A desilusão era visível nos olhos dos membros do grupo do Kenshin… Tudo parecia adiar aquela viagem… Eram só paragens… Agora, o barco tinha tido problemas nos motores e eles teriam que esperar mais um tempo até conseguirem arranjá-lo… Só depois disso é que podiam fazer-se ao mar de novo.

"Quanto tempo vão eles demorar até tudo estar pronto?" – o Yahiko perguntou impaciente
"Deve depender dos estragos." – o Aoshi respondeu – "Mas esta avaria é estranha."
"Porquê?" – a Misao perguntou
Ele não respondeu. Era preferível ele guardar para si aquilo que tinha visto acontecer na noite passada… "Não sei…"
"Bem… Vamos aproveitar para comer qualquer coisa." - Tinha de ser o Sano a propor isso… Mas os outros aceitaram.
Vaguearam pelas ruas da cidade á procura de um restaurante barato… mas, apesar de aquela cidade ser pobre, todo o tipo de restaurantes pareciam ser caros… Talvez fosse por isso que estavam quase todos vazios…

Finalmente se decidiram a entrar num deles.
"Não admira que seja tudo caro aqui… Já viste o luxo que isto é por dentro?" – A Megumi estava impressionada, parecia uma parte de um palácio.
"Tu não pagas só a comida, também pagas o cenário." – a Misao também estava encantada com aquilo… Não era todos os dias que iam a sítios daqueles.
O Sano resmungou: "Até podia ser uma pocilga, desde que se coma bem."

"Kenshin." – ela apanhou-o um pouco á parte do grupo e decidiu falar-lhe.
Obviamente ele estava desiludido, mais do que os outros, com toda aquela situação…
"Não te preocupes… Nada se vai alterar. É só um pequeno atraso." – a Brandi tentou confortá-lo.
"Eu sei." – ele deu um breve sorriso e sentou-se ao lado do Aoshi.

Apesar de tudo, o grupo manteve-se alegre durante o almoço….
As habituais lutas de comida entre o Sano e o Yahiko. A Megumi a reclamar da infantilidade deles…. Foi então que do outro lado do restaurante se ouviu um barulho que fez com que todos se silenciassem:

"IDIOTA! ÉS MESMO UM INUTIL!" – uma voz masculina berrou. Não era possível ver a cara dele, porque havia uma cortina lateral que o tapava, mas, Um outro homem de joelhos respondeu: "Desculpe senhor, eu percebi mal o que me pediu." – era um dos empregados do restaurante.
"CHAMA O TEU PATRÃO JÁ! Quero que ele saiba que tem um empregado incompetente!"
O empregado ficou em pânico. "Desculpe, eu percebi que me tinha pedido champanhe francês…"
"NÃO! Não foi isso que eu pedi! EU PEDI SAKê!" – o homem levantou-se e estava prestes a maltratar o empregado quando alguém lhe segurou no braço.

"Não é necessário isso." – este olhou para a jovem que lhe segurava a mão. – "Ele já vai buscar-lhe sakÊ, não é?" – a Brandi olhou para o empregado que de imediato se levantou e com um olhar de agradecimento, foi tratar do sakê.

O homem estava prestes a responder, mas, ao se aperceber da beleza da jovem mudou de ideias… "Incompetentes estes empregados, hã…"

::::::

"Mas porquê que a Brandi está a dar conversa aquele tipo?" – o Sano perguntou irritado com a atitude da jovem.
"Não sei, ele até nem é nada bonito…" – a Misao respondeu também um pouco surpresa.
O Aoshi limitou-se a guardar mais uma vez os seus pensamentos para si, na tentativa de perceber como se juntavam as peças daquele estranho puzzle.
Já fazia mais de uma hora, que ela estava a conversar com eles, e, aquilo não parecia ter fim.

"Menina… Brandi... Onde está hospedada?" – o homem perguntou-lhe de forma interessada
Ela sorriu: "Em lado nenhum, eu estou à espera que o barco fique arranjado para sair deste lugar."

"Não gosta daqui?" – ele deu mais um gole no vinho
Ela extravasou: "Claro que não… Detesto viagens, detesto ter que andar sem as minhas joias, sem as minhas roupas, sem as coisas que eu valorizo…."
O comentário dela pareceu chamar a atenção do velhaco: "Gosta de joias, uh?"

"As joias são os melhores amigos da mulher, certo?"- ela deu um sorriso leve – "Bem… Tenho que ir, os meus amigos estão à minha espera."
"Espere" – ele segurou-a pela mão impedindo-a de se levantar – "Porque não passa mais logo por minha casa? Tenho algo para lhe mostrar… Uma recordação desta viagem."
"A sério?" – ela levou a mão ao peito surpresa
"Claro."
"Muito bem, dê-me então a morada!"

:::::

A Kaoru estava completamente despreparada para aquilo…. O bebé acordava imensas vezes durante a noite a chorar, e ela não conseguia pôr os sonos em ordem, por isso, andava um pouco desorientada…

"Estás acordada?" – ele abriu um pouco a porta do quarto dela
"Sim, entra." – ela estava cansada de estar sozinha, ter alguma companhia ia ser bom.
O Enishi entrou e sentou-se na cadeira ao lado da cama: "Como te sentes?"
"Confusa…. Acho que ainda não me habituei à rotina…"
Ele olhou para o bebé por momentos, e depois perguntou: "O que lhe vais contar?"

A Kaoru não entendeu a pergunta: "O quÊ?"
"Acerca da família dele." – o Enishi evitou olhá-la nos olhos quando falou.
A Kaoru suspirou: "Não sei. Mas também é muito cedo para isso."
Ele acenou e mudou rapidamente de assunto: "Os ventos tem estado muito favoráveis, acho que vamos chegar a Macau antes do tempo previsto."
Ela sorriu: "Óptimo! Já não aguento andar de barco!"
Por outro lado, ele manteve-se sério: "Em Macau as coisas são diferentes… Vais ter que te habituar a muita coisa."
A Kaoru olhou-o na tentativa de perceber a que é que ele se referia.
"As mulheres…"
"O que é que tem as mulheres de Macau?"
Ele recostou-se para trás no assento: "Elas são… submissas."
"A sério? E qual é o problema? Isso são elas, não eu! Eu sou Japonesa, não tenho que obedecer a esse tipo de cultura." – mesmo que não tivesse tido aquela conversa com ela, o Enishi sabia exatamente que esta era a resposta que ela ia dar.
"Eles não respeitam as mulheres. Por isso, o melhor é fingires por uns tempos, que és submissa, não te armes em defensora das pobres e oprimidas se vires alguma coisa com a qual não concordes." – ele avisou
"Enishi, estás a falar de quÊ?" - A Kaoru olhou-o fundo nos olhos tentando perceber o que é que de tão sério ele estava a falar – "Oh Meu Deus…. Enishi, Tu estás a falar de maus tratos físicos a mulheres?"
Ele abanou a cabeça: "Eu só te estou a preparar para aquilo que tu vais encontrar lá."
A Kaoru engoliu em seco… "É horrível… E tu conheces-me, sabes que eu não vou tolerar isso. Se eu vir alguém a ser mal-tratado, eu não vou tolerar."
"Tu não te vais afastar de mim!" – ele levantou-se violentamente da cadeira.
"Como se tu fosses estar comigo o tempo todo!" – ela resmungou - "Para além disso, eu não quero fazer parte dos teus negócios sujos!"
"Eu vou arranjar alguém de confiança para estar contigo quando eu não estiver." – ele caminhava pelo quarto enquanto falava, aparentemente ele já tinha tudo planeado para quando chegassem a Macau – "Mas, para te respeitarem, para garantir que ninguém te toca, nós vamos ter que fazer um pacto."
A Kaoru olhou-o mais uma vez sem perceber o que se passava. Porquê que ele parecai tão controlador?
"Que pacto?"

:::

"Onde é que ela vai?" – o Sano enquanto a via caminhar uns vinte metros à frente
"Sano, eu não acho certo estares a segui-la." – o Kenshin tentou chamá-lo à razão.
"Não me perguntes o porquê, mas eu sei que tenho de fazer isto. E tu vais ajudar-me!"

"Ok…" – o Kenshin suspirou. Apesar de ter vontade de estar sozinho, era simplesmente justo ajudar o Sano a perceber o que se passava com a mulher que ele secretamente amava, apesar de ele ainda não o saber… Até porque, o Sano estava a fazer o mesmo com ele em relação à Kaoru.

::
A Brandi entrou pelo enorme portão da mansão.
O primeiro compartimento era a sala, excelentemente bem decorada… Carpetes das mais caras, artefactos valiosos… Provavelmente tudo comprado com o dinheiro que ele tinha feito ao vender informações ao governo. "Não vai durar muito." Ela repetia para si própria…
Ao longo dos anos, depois de ter sofrido a morte do pai, e após algum tempo a da mãe, ela tinha planeado esta vingança…
Tinha demorado cinco anos a pô-la em prática, homens infiltrados em posições de autoridade,
com o objectivo de ganhar a confiança do Chou. Desta forma, ela podia saber quais os esconderijos, os pontos fracos, as viagens, tudo aquilo que ele fazia, e onde ela o podia atacar… Ter reencontrado o Sano, foi algo muito bom, mas, só deveria ter acontecido mais tarde… Só depois disto… Mas as coisas não aconteceram assim, e, por isso ela teve de aproveitar aquele momento e improvisar.

Assim que a viu entrar ele desceu as escadas ao seu encontro com um ar galeanteador:
"Estava com medo que não viesse." – ele deu-lhe um leve beijo na mão.
Ela fingiu um sorriso: "Porque haveria eu de faltar?" – Era uma sensação horrível ter de fingir que se sentia atraída pelo responsável da morte do seu pai, mas era uma situação extrema.
Ele levou-a até à mesa de centro e a Brandi pode ver um pequeno cofre prateado.

Ele soltou a mão dela, abriu o cofre e tirou do seu interior um objeto brilhante.
Os olhos da jovem fixaram-se no colar. O fio era prateado e segurava uma pedra verde semipreciosa.
O Chou ficou radiante com a expressão dela. No seu entender, tinha acabado de a impressionar. Antagonicamente, a Brandi não se sentia minimamente impressionada, mas sim revoltada.

"Gostava imenso de o ver no seu pescoço." – ele gesticulou
"Uh…" – ela ficou confusa por uns segundos, mas depois recompôs-se - "Sim claro." – Segurou o cabelo para que ele conseguisse colocar-lhe o colar.
Ele circundou-a, e bateu palmas ao vê-la de frente: "Ah! Maravilhosa!"
Ela passou a mão pela pedra verde, e ficou pensativa: "Sim… É muito bonito…"
Ele estendeu-lhe o braço: "Vamos agora passar ao jantar?"
A Jovem aceitou a mão dele mas enquanto caminhavam para a sala de jantar ela parou de andar.
Os seus olhos demonstravam tristeza, mas havia neles uma chama, como se algo a estivesse a impelir a agir:
"Eu conheci uma mulher que tinha um colar exatamente igual a este." – ela comentou
Os olhos pretos dele fixavam-se na figura da bela jovem que tinha á sua frente, e, que numa questão de minutos o tinha conquistado."Aí sim?"
"Sim… Ela morreu há alguns anos atrás."
Ele ficou sério. "Era alguma parente sua?"
"Minha mãe." – ela sorriu
"Os meus pêsames."
"Mas, o colar… Não estava com ela na altura em que ela morreu… Nós tivemos que fugir de casa, e não levamos quase nada connosco… O colar ficou no pequeno cofre de madeira que ela tinha no quarto… Tinha sido um presente do meu pai."

Aquela história parecia-lhe familiar, mas, ele ainda não tinha atingido o ponto.
"O meu pai, Capitão Sagara, que foi morto porque, segundo as suas informações era um perigo para a nova era Meiji." – Apesar de aparentemente estar calma, quando mencionou o nome do pai a sua voz tremeu. Instintivamente o Chou recuou. Não pode ser…

"Como é que conseguiu? Como é que conseguiu passar estes anos todos a viver neste luxo, sabendo que tudo aquilo que tem foi tirado de outros?" – ela caminhou em direção a ele, enquanto ele continuava a recuar. Apesar de ser uma mulher, o seu espírito era tão forte que ele se sentiu intimidado. – "A minha mãe, teve de fugir do país, sabendo que o homem que amava ia ser assassinado por algo que não fez! E de quem foi a culpa?"

Ele abanou a cabeça: "O governo sabia que as tropas de Sekihou tinham o apoio do povo… Mas eles estavam a prometer coisas que no futuro os políticos não iam conseguir cumprir!"

"O meu pai prometeu aquilo que vocês disseram que iam fazer… O que vocês quiseram foi aproveitar-se da confiança que o povo depositava neles para ganharem o seu favor, e depois… quando já não eram mais necessários… tiveram que os silenciar… Tu deste a ordem!"

Ele deu uma gargalhada: "John! Kale!" – apesar de apenas só ter chamado dois homens, apareceram de imediato na sala seis. – "Achas que és esperta miúda? Talvez tivesses tido mais sorte se tivesses aceite o presente e passasses por cá a noite… Mas agora, apareces aqui para me ameaçar? A mim? Na minha casa? O que planeias fazer a seguir… Hã… deixa pensar… matar-me?"

"Não me dês ideias…" – ela sorriu – "Já estive mais longe…"

"Acorda!" – ele olhou em seu redor – "Como imaginas derrubar os meus seguranças? Com golpes de charme?"- ele começou a ridiculariza-la – "Bem… há uma coisa que eu tenho de confessar…" – aproximou-se dela e fez uma leve festa no seu rosto - "Assim como a tua mãe, tu és muito… charmosa… Mas… acho que isso não vai ser suficiente para te salvar esta noite…"

"Típico…" – ela suspirou – "Sabes… há uma diferença muito grande entre os planos de um homem e os de uma mulher…"

"Aí sim?" – ele cruzou os braços – "Ilumina-me…"

Ela começou a caminhar em volta dele: "Os homens como tu seguem os planos à risca… É quase impossível para eles ter umimprovisar… Porque se algo fora do planeado acontecer, eles acham mais difícil adapta-lo ao ambiente em mudança… As mulheres… Elas preveem diferentes tipos de cenários…" – ela sorriu – "Por exemplo… O meu plano, era encontrar-te em Kyoto e fazer-me passar por tua cliente, mas, aconteceram alguns percalços e eu tive que esperar… Depois, eu teria que adiar os meus planos por cerca de um mÊs devido a algumas questões pessoais… E foi quando me disseram que tu estavas na mesma ilha que eu…" – a Brandi parou mesmo na frente dele – "E eu tive que arranjar algumas "desculpas" para ficar por cá tempo suficiente para puder pôr o meu plano em ação… E foi tãaao fácil…"

Ele deu mais uma vez uma gargalhada: "Esse teu plano ridículo trouxe-te até minha casa, a uma sala cheia de homens a quem eu pago para me proteger e que estão prontos para disparar sobre ti a qualquer momento… Basta uma ordem minha…" – O Chou aproximou a sua cara da dela: "Bum… Era uma vez…"

"Dá a ordem." – ela desafiou-o
Ele abanou a cabeça - "Queres morrer?"
"Dá a ordem…" – ela repetiu
Ele abanou a cabeça em sentido negativo. "A minha noite não foi bem o que eu esperava… Que pena…" – ele colocou afastou-se dela e ao passar por um dos guardas ordenou: "Mata-a e depois livra-te do corpo, mas traz-me o colar que ela tem ao pescoço." – e continuou a andar em direção à porta, quando deu de caras com dois desconhecidos, um ruivo com uma cicatriz em forma de X na cara, um outro mais alto, com ar de rufia e uma fita vermelha no cabelo. "Mais visitas? Era este o teu plano? Fugires com a ajuda destes dois vadios?" – ele voltou-se para ela que o olhava no fundo da sala.

"Não…" – ela respondeu um pouco surpreendida com o facto de o Kenshin e o Sano estarem ali. – "Eles não fazem parte do plano."

"Ah…" – ele fingiu estar pesaroso com o que ia dizer: "Que pena, agora os teus amigos aqui… vão ter de morrer por tua causa… Exatamente como o teu pai… Sabias que os amigos dele morreram por causa dos seus ideais? No fim de contas, ele foi o culpado pelas mortes deles… ele era… Uh…" – o Chou caiu desamparado, sem saber o que o tinha atingido

"Mas quem é que tu julgas que és para falares assim dele?" – o Sano tinha desferido um murro no cara do ex-Informador, e este agora estava a sangrar do nariz.

"Depois de matares essa cabra, Faz questão de matar também estes dois!" – ele gritou para um dos guardas.

"Só tens de me dizer quando disparar." – o guarda principal respondeu
"Agora." – o Chou ordenou
"Eu não estava a falar para ti." – o segurança informou-o – "Estava a falar para ela."
"O quÊ?" – a sua cara demonstrava bem a surpresa.

A Brandi caminhou em direcção a ele: "Pois… Eu esqueci-me de te mencionar como é que eu planeava sair da tua casa… Sabes… todos os teus seguranças… Trabalham para mim."

"Não pode ser… Eu… eu, contractei-os." – ele começou a sentir as pernas a falharem
"Pois foi… Porque eu quis que tu os contractasses… Dessa forma eu estava sempre informada… Como vês, eu não deixei escapar nada." – ela olhou-o fundo nos olhos – "Tu matas-te os meus pais… Tu foste o responsável por eu ter que deixar o meu país, por eu ter que deixar os meus amigos… Tu roubaste-me a minha vida, eu devia matar-te, mas isso faria de mim alguém com tu, e eu não quero isso para mim." – ela fez sinal a um dos homens para se aproximar: " Kale, faz com que ele assine um papel em como toda a sua fortuna nos pertence e que deixe uma carta de despedida como se de um suicídio se tratasse, e depois leva-o para o quartel em Tokyo."

"Sim senhora." – o homem agarrou o Chou pelo braço e arrastou-o para fora de casa, os restantes despediram-se dela e seguiram o primeiro.

Uma vez a sós com o Sano e o Kenshin ela começou a explicar:
"Kenshin, eu fui a responsável pela avaria do barco… Mas eu precisava de mais algum tempo aqui para puder concretizar o meu plano, desculpa… Mas eu prometo usar todos os meus meios para encontrar a Kaoru o mais depressa possível."
O Kenshin ficou pensativo por algum tempo e depois respondeu: "Se não fosse por ti eu não saberia onde encontrar a Kaoru… Não tens que pedir desculpa." – depois olhou para o Sano e acrescentou – "Vou deixar-vos a sós."

::::::

"Tua mulher?" – a Kaoru não podia acreditar nas palavras dele
"É só uma forma de te proteger." – ele acrescentou de imediato
Por momentos ela ficou sem saber o que dizer… Ele tinha sugerido que ela fingisse ser mulher dele de forma a que ninguém tivesse a ousadia de a desrespeitar em Macau.
"Eles são assim tão perigosos?" – ela perguntou
"Dentro da organização todos te vão fazer perguntas, sussurrar pelos cantos enquanto passas… Tu não irias aguentar muito tempo lá… Se eles pensarem que me pertences, ninguém vai ter coragem de te fazer mal."

Faltava cerca de uma semana para chegarem a Macau e tudo parecia estar a girar ao contrário, mas, por mais estranho que o pacto que ele estava a estabelecer com ela parecesse, se aquele lugar era mesmo assim, era então somente lógico eles agirem dessa forma. "Está bem."

Ele olhou-a fundo nos olhos: "Muito bem. Ainda bem que aceitas."
"Mas e quando ao Kenji? Eu não o vou conseguir esconder…" – ela perguntou

"Kenji?" – ele ficou confuso
Ela ainda não lhe tinha contado acerca do nome que tinha escolhido para o bebé.
"E o nome dele." – ela informou
Ele respirou fundo: "Não vais ter que o esconder."

"Não?" – ela perguntou surpresa
"Não. Eu não te podia pedir isso." – ele voltou as costas e estava pronto para sair sem dar explicações quando ela se colocou na frente dele.
Se para a proteger, ele ia dizer que ela era casada com ele, então o que faria ele com o Kenji? Ele nunca iria adoptar o filho do seu maior inimigo…
"Eu também não te posso pedir isso."
O Enishi ficou por instantes absorto no azul profundo dos olhos dela, e só voltou à realidade quando ela, perante o seu silêncio, falou de novo: "Seria muito duro para ti fingir que o Kenji é teu filho, e quanto a mim, é me impossível deixá-lo, porque é meu filh pessoa mais importante da minha vida. E se disseres que sou tua empregada? Não seria mais fácil? Achas que a minha vida continuaria a estar ameaçada?"

Ele mordeu o lábio inferior: "De que tens medo Kaoru?"
"Eu?.."
"Tens mais medo de alguma forma me pertencer do que morrer, sabendo que isso era desnecessário se apenas fingisses ser minha mulher?" – o tom de voz dele era de dor… Ela nunca o tinha ouvido falar assim, e, por alguma razão isso magoava-a.

"Não é isso Enishi. O que tu estás a fazer é maravilhoso, é… Mas… eu não sei mentir, eu não ia conseguir mentir ás pessoas… E também não quero que isso te faça sofrer… E depois tu tens a tua vida, tenho a certeza que deves ter alguém a tua espera, alguém que deixas-te para trás em Macau."

Ele acariciou-lhe o rosto: "E… se não tivesses que fingir?"
Ao mero toque ela sentiu um arrepio por todo corpo, mas não de medo, de desejo…
"E se, não tivesses que fingir que eras minha mulher? E se…" – ele aproximou os lábios à cara da Kaoru fazendo-o sentir-se ainda mais vulnerável.
"E…se?" – ela sussurrou inconscientemente querendo ouvir a continuação da frase dele.
Ele murmurou ao ouvido: "E se fosses mesmo minha mulher? E se o passado desaparecesse?"
Ela fechou os olhos. Seria ele mesmo capaz de esquecer o que tinha ficado para trás? "Eras capaz? Eras capaz de me amar, sabendo quem eu sou?" – ela perguntou
ele segurou no rosto dela com as duas mãos: "Seres quem és não foi impedimento até agora… Ele… Ele não me interessa. Tu e a criança são as únicas pessoas que eu quero que restem na minha vida depois de toda esta história. Só depende de ti. Depende de ti deixares o passado para trás…"
"Eu acho que tu não és capaz de me aturar..." – ela abanou a cabeça – "Nós somos como o cão e gato!"
"Ainda não respondes-te a minha pergunta." – ele ignorou o último comentário dela.

Mas quem era este homem? O que é que tinha feito ao Enishi que ela tinha conhecido há alguns meses atrás? Obviamente que ele era o mesmo… Aquela raiva, ódio sede de vingança, camuflavam a pessoa que ele era… A pessoa que ele queria ser… e, em todo aquele tempo em que passaram juntos a Kaoru sentia-se agarrada a ele… Como uma Bússola… Sim, ele era uma bússola, ela sabia que independentemente do caminho que ele tomasse, ela estava segura com ele…
"Sim." – ela respondeu
Sem esperar por mais nada ele beijou-a. Devagar… Era como se ele estivesse a tentar mostrar-lhe que nunca a iria magoar. O beijo foi longo, ele acariciava o rosto dela enquanto os seus lábios tocavam os dela lentamente, carinhosamente… Tentando sentir o que ela estava a sentir…Querendo perceber se ela tinha aceite pelos motivos que ele queria que ela aceitasse. Não por ser mais seguro, não por ser mais fácil, mas por gostar dele, por haver algo nele que lhe despertava a atenção. Ela colocou os braços em volta do pescoço dele , como se respondesse À sua inaudível pergunta.
Afinal de contas ela é a KAmyia Kaoru e ninguém a obriga a fazer nada que ela não queira…

Parou de a beijar e olhou-a: "Kamyia não…Yukishiro Kaoru."