CAPÍTULO 21
Um capítulo com sangue, beijos e um plano maligno
Buddy abaixou-se e apanhou o colar de safiras, que caiu esparramado, próximo a mão de Patrick. Fitou as pedras coloridas por alguns segundos, depois as beijou. Finalmente, novamente, ali estava, em seu poder, o colar.
Ele beijou as pedras, enquanto seu olhar caía sobre o inconsciente Patrick Geller.
-Ora, ora... Olhe só... – ele riu. – Não posso acreditar que o ladrão do colar tenha sido esse saco de pancadas! Quanta ousadia... Será que o meu aviso daquele dia não foi muito claro?
Buddy balançou a cabeça, enquanto observava o jovem.
-Soltar aquele Snap Explosivo, provocar aquela confusão, tudo para roubar o colar... O que tanto te interessa? Queria esse colar para que? Para me ligar ao assassinato de Vanda, não é? – Buddy não se controlou e, ao levantar-se, chutou o rapaz. – Imprestável... Ficou calado em relação à surra, mas quis me ferrar de outro modo... Ah, esses animais estão muito ousados. Estão brincando com a paciência de Buddy Strogne – ele esmurrou a parede. – Estão querendo enlouquecer-me... Enlouquecer-me.
Ele respirou fundo.
-Calma, Buddy, relaxa... – disse, soltando o ar. – Você sempre vira o jogo. Sempre. Acaba de virar um agora mesmo.
Voltou a se aproximar de Patrick, que permanecia inconsciente.
-Sim, virei o jogo... E toda a vez que viro o jogo, o traidor merece ser castigado... Você já cruzou meu caminho uma vez, Geller. Só não o matei aquele dia por pura piedade. Deixei um aviso... Como era mesmo? Ah! Algo do tipo, "fique calado ou eu corto a sua garganta", não foi? Você não pode responder, mas foi sim. Um aviso que você considerou, mas, sabe, caro Geller, você tentou me atacar de outra forma. Então, merece um castigo, não acha?
Buddy puxou o canivete, apertando o botão e revelando a lâmina.
-Não se brinca com Buddy Strogne – ele abaixou-se ao lado do rapaz. – Não, não se brinca. Nem se tenta passar Buddy Strogne para trás. Agora você vai sentir isso na sua própria pele.
Ele aproximou o canivete do pescoço de Patrick. Encostou a lâmina num ponto próximo a garganta.
-Como não foi uma desobediência total ao meu aviso, será um castigo um pouco mais leve.
Buddy deslizou a lâmina do canivete. O sangue começou a sair no mesmo instante, formando uma trilha vermelha. Buddy afastou a lâmina e ficou contemplando o resultado.
-Um corte leve, próximo à garganta – seus olhos doentios fitavam a obra com prazer. – Será bom para você perceber que, da próxima, o aviso será totalmente cumprido. Agora...
Ele estendeu um dedo e pegou um pouco do sangue que escorria.
-Está na hora de deixar o meu recadinho.
Antes de abrir os olhos, Patrick sentiu o forte ardor no pescoço. Assim que a visão entrou em foco novamente, ele olhou apavorado ao redor.
O colar havia desaparecido.
Levou a mão para o pescoço, que latejava sem parar. Seu coração disparou e a dor aumentou assim que seus dedos tocaram num lugar úmido. Patrick examinou os dedos e as vestes. Era sangue.
Estava muito confuso... Caminhava pelo corredor, com o colar na mão, e, de repente, viu uma tora de madeira sendo chocada contra a sua cabeça... E agora acordava, sem o colar e com o pescoço cortado.
Quem havia feito aquilo, perguntou-se, assustado, enquanto se levantava.
Só foi olhar para a parede em frente para descobrir a terrível resposta.
Escrito com o seu próprio sangue, ali, na parede, estava um aviso.
NÃO SE
ESQUEÇA
DA MINHA
PROMESSA.
O corte pareceu latejar ainda mais quando ele se recordou da promessa, percebeu quem havia escrito aquilo e a sorte que tinha em ainda estar vivo.
Apavorado, Patrick começou a correr em busca de ajuda.
O sangue não parava de escorrer... Um pânico começou a invadi-lo. Talvez não desse mais tempo de Madame Pomfrey conter a hemorragia, de curar o corte, de salvar a sua vida.
A beira das lágrimas, desnorteado pelo medo, Patrick começou a correr ainda mais. Ao dobrar um corredor, deu de cara com Harry e Hermione, que tomavam o caminho para o salão comunal. Os dois se assustaram. Ali estava Patrick Geller, o pescoço e as vestes empapadas de sangue, uma mão próxima ao corte, chorando.
-Oh! Minha nossa! – exclamou Mione.
-Patrick, vamos, você precisa de ajuda imediatamente – disse Harry.
Os três encaminharam-se para a ala hospitalar. Assim que Patrick cruzou as portas da enfermaria, Madame Pomfrey soltou um grito.
-Que tragédia, oh, não – falou a enfermeira, levando o rapaz para uma das camas da enfermaria. – Urgente, preciso ser rápida, oh, minha nossa... Com licença, vocês podem ir – pediu a enfermeira a Harry e Mione.
Os dois saíram da ala e resolveram aguardar ali fora.
-Pobre Patrick – suspirou Hermione. – É muita tragédia para uma pessoa só. Primeiro, aquele tombo terrível na escada, e agora, isso.
-É, mas isso não parece ter sido um acidente – falou Harry. – Um corte quase na veia jugular... Será que foi obra do assassino?
-Só pode ter sido! – disse Mione. – Não existe acidente que explique aquele corte.
Eles aguardaram por cerca de dez minutos. Finalmente, Madame Pomfrey saiu, a testa molhada de suor, a aparência exausta, mas com um sorriso de felicidade no rosto.
-Consegui. O sangramento estancou e o corte já foi fechado. Ele só ficou um pouco fraco por causa do susto e da perda de sangue.
-Que bom – sorriu Mione. – Mas... Ele está consciente?
-Sim, querida, mas não sei se seria prudente incomodá-lo depois de tudo isso.
-Por favor, Madame Pomfrey, só precisamos fazer uma pergunta ao Patrick. Será bem rápido, prometo.
A enfermeira hesitou por uns segundos, mas abriu caminho.
-Está certo, mas sejam rápidos.
Hermione e Harry encaminharam-se para a cama de Patrick. O pescoço do rapaz estava coberto por uma leve camada de uma substância esverdeada, e o corte estava fechado. A face estava pálida, e os olhos, quase fechados.
-Obrigado – agradeceu Patrick. – Mais uma vez, vocês apareceram na hora certa.
-Não precisa se esforçar para agradecer – falou Harry. – Nós só queremos perguntar uma coisa a você.
-Que coisa? – indagou Patrick, embora já desconfiasse do que seria.
-Quem cortou você?
A pergunta parecia simples, mas criou em Patrick um efeito que Harry não esperava. Subitamente, o olhar do jovem tornou-se vago. Ele se ajeitou na cama, os olhos estranhamente parados.
-Algum problema, Patrick? – perguntou Harry, preocupado.
-Não, nenhum – respondeu Patrick, parecendo tenso. Queria dizer a Harry o que tinha acontecido; como Buddy Strogne podia ser perigoso. Queria falar sobre o colar de safiras, que, mesmo não estando com ele, era uma pista importante... Mas a pichação a sangue não saía de sua cabeça. A promessa. A promessa de que cortaria a sua garganta. – Na verdade, eu... – ele pestanejou. – Eu... Eu nem fui cortado.
-O que? – Harry e Mione espantaram-se.
-Quero dizer, eu fui cortado, claro, o corte está aqui para provar, mas... Mas... Não foi por uma pessoa, como a pergunta de vocês sugeriu, não, não foi não, podem acreditar em mim. O certo era perguntar "o que" me cortou.
Harry e Hermione ficaram em silêncio.
-Eu... Muito desastrado, como sempre, como vocês já puderam perceber no dia em que rolei daquela escada e me estourei todo... Eu, desastrado, tropecei num corredor, e nesse corredor tinham cacos de vidro no chão, não sei porque, mas um desses cacos era enorme, e eu caí justamente sobre esse caco, aí ele me cortou assim. Por favor, acreditem em mim, é a verdade, acreditem.
-Acreditamos, claro – tranqüilizou-o Hermione. – Mas é que... É muito azar, estar caminhando, encontrar cacos de vidro num corredor, tropeçar e cair justamente com o pescoço sobre um deles. É tanto azar que chega a parecer...
-Mentira, eu sei – completou Patrick. – Mas é a verdade, eu juro. Por que mentiria para vocês? Hein? Essa é a verdade.
Harry coçou o queixo. Realmente, Patrick, se houvesse sido atacado pelo assassino, não teria porque mentir. A não ser que, por mais que quase houvesse sido assassinado, tivesse reconhecido o criminoso e por este tinha alguma relação de amizade...
Recordou do dia em que encontraram Patrick todo ferido... Cheio de ferimentos que não pareciam ter sido provocados por uma queda de escada. E a mesma cena havia ocorrido: ele explicara os ferimentos falando num modo apressado, sempre repetindo que era "verdade"...
Dois incidentes graves, com ferimentos que não compactuavam com os acidentes descritos pelo acidentado.
O acidentado teria mentido nas duas vezes? Por que?
-Acreditamos em você, Patrick – respondeu Harry, forçando um sorriso. – Agora, já vamos indo... Mas, antes, desculpe, mas quero fazer outra pergunta... Não tem nada que você queira nos dizer?
Patrick engoliu em seco. EU CORTO A SUA GARGANTA... LEMBRE-SE DA MINHA PROMESSA...
-Não – respondeu, após respirar fundo. Levou uma mão a cabeça... As ameaças de Buddy não queriam parar de atormentá-lo. – Não há nada a dizer.
-Tem certeza? – insistiu Harry, persistente.
-Absoluta.
Patrick ergueu os olhos por um momento e encontrou os olhos astutos de Harry. No mesmo instante, desviou o olhar e recostou-se nos travesseiros.
-Estimamos melhoras, Patrick – disse Harry. – Até mais.
No corredor, Harry descobriu que Hermione partilhava da mesma opinião que ele.
-Você realmente acreditou na história que ele nos contou? – perguntou ela.
-Não, em nenhuma palavra.
-Eu também não. Mas não consigo entender... Por que mentiu? Quem o feriu?
-Você pode incluir aí a pergunta: "O que aconteceu no dia em que ele diz ter caído da escada?".
-O que? Por que acha... ?
-A mesma reação. A mesma insistência para que acreditássemos no que ele estava dizendo. E, como dessa vez, a história contada por ele não se encaixava.
-Então os dois casos estariam relacionados. Duas vezes Patrick Geller quase foi morto... Mas por quem, Harry? E por que, ao invés de contar tudo, ele mente e inventa tudo isso?
-Eu não sei, mas de alguma forma vou descobrir.
-Céus, Vicky, o que aconteceu? – perguntou Padma, assustada, assim que a colega entrou no salão comunal da Corvinal, com um curativo no queixo e uma expressão de ódio. – Você sumiu a tarde inteira e, de repente, aparece nesse estado! – ela conduziu a amiga até um dos pufes. – Conte-me, conte-me o que aconteceu.
Vicky começou a relatar os acontecimentos na ala, tendo que falar, inclusive, o que ela e Patrick pretendiam pegar.
-Carta do Espião? – indagou Padma, surpresa.
-Sim. Do próprio.
-Nossa, mas... E aí? Quem a pegou?
-O pior é que não sei... A pessoa nos impediu de sair e, quando levantei o rosto, já tinha se mandado.
-E agora?
-Agora é procurar a outra.
-Existem... Existem outras cartas?
-Só mais duas. E eu preciso pôr as mãos nelas, antes que aquele enxerido do Geller ou o idiota que roubou a carta hoje a pegue!
-E... você tem idéia de onde elas estejam?
-Não. Mas acredito que também estejam com ele. Vou ter que voltar aquela ala hospitalar outra vez, e... Por que tanto interesse?
Padma corou.
-Ah, estou querendo ser sua amiga. A minha melhor amiga foi assassinada, a sua não quer nem olhar na sua cara, então... Acho que tenho o direito de saber tudo, ver se posso ajudar de alguma forma... Por favor, não vai começar a desconfiar de mim.
-Não – Vicky sorriu. – Desculpe, acho que estou meio obcecada com tudo isso.
-É, já percebi – falou Padma, ficando pensativa em seguida.
Na noite seguinte, Buddy e Draco nem foram jantar. Buddy, que durante as aulas da tarde esboçara algo em um pergaminho, desenrolou-o finalmente sobre uma das mesas da biblioteca.
-Então, caro amigo Draco – falou ele, afastando-se para contemplar a própria obra. – Esse é o meu plano.
Draco aproximou-se, afoito, finalmente satisfazendo sua curiosidade. Assim que seus olhos contemplaram o plano de Buddy, ele sorriu, embasbacado.
-Buddy... É simplesmente genial!
-Claro que é, fui eu que criei – sorriu Buddy, cheio de si. – Buddy Strogne é dono de uma mente brilhante, sabe disso. E o brilho de minha mente aumenta mil vezes quando se trata de arquitetar algo contra alguém que eu odeio – a sua expressão fechou-se. Sua voz adquiriu um tom frio. – Alguém que possui algo que eu quero. E eu nunca odiei tanto alguém como eu odeio esse paspalho do Richard. Simplesmente porque ele possui a garota que eu mais quero na vida.
-Realmente, o seu ódio foi muito criativo – disse Draco, admirado.
-Foi sim. Richard...
-Eu posso saber o que tenho eu? – perguntou Richard, entrando na biblioteca.
Draco enrolou o pergaminho com rapidez. Buddy baixou os olhos frios para o rapaz.
-Não sabia que só existia você de Richard nesse mundo – comentou Buddy, com desdém.
-Eu sei que não, Buddy, mas, vindo dessa sua boca imunda, só pode ser meu nome.
Buddy riu.
-Olhem só, quem vem falar de boca imunda! – a expressão dele tornou-se malévola. Ele foi se aproximando de Richard, lentamente. – Veja bem se sou eu quem vive colocando a minha boca nos pescoços dos outros para me alimentar.
Os olhos de Richard se arregalaram, e ele sentiu-se totalmente tenso. Buddy colocou os dentes para frente e fez um ruído de sucção. Depois, olhou-o de cima a baixo com nojo...
-Não é mesmo? Vampiro... Vam-pi-ro.
Ele gargalhou, enquanto Richard sentia o coração sair pela boca.
Seu segredo estava nas mãos de seu maior inimigo.
-Do que você me chamou, Buddy?
-Foi o que você ouviu mesmo! Que nojo – Buddy fez uma careta. – Que sangue podre corre dentro de você. Um corpo desprezível que precisa matar para viver.
Richard corou e baixou a cabeça.
-O pior dos seres, pior que todos os animais, pior que um verme! Nojento, escabroso! Um ser das trevas, maldoso, que se alimenta da morte...
-CALE A BOCA – Richard o empurrou. Buddy se apoiou numa mesa para não cair.
-O que vai fazer? Morder-me? É isso? – debochou Buddy.
-Eu podia muito bem fazer isso, mas não duelo com as mesmas armas que você, Buddy. Eu nunca procurei conseguir as coisas com maldade, e não é agora que farei isso.
-Seu...
-Posso muito bem ser um vampiro, mas posso garantir que tenho muito mais caráter que você.
Richard saiu da biblioteca. Draco aproximou-se de Buddy.
-E agora?
-Agora? Vou começar a preparar o plano... Humm... Vamos até o professor Snape pedir umas coisinhas...
Vicky buscou as outras cartas com persistência, durante todos os outros dias, mas nada encontrou. Um pânico e uma raiva começaram a invadi-la. Será que Patrick Geller ou o ladrão da outra carta haviam roubado as que restavam? Mal sabia ela que nem Patrick nem Hermione sabiam da existência de outras cartas...
Mione passou os dias pensando qual seria o próximo passo a tomar. Acabou decidindo que não haveria outro jeito: tinha que intimidar Vicky cara a cara. Assim, quando Vicky saiu do salão comunal na manhã de sábado, início dos Jogos de Verão, encontrou Hermione Granger encostada na parede, de braços cruzados, a sua espera.
-Bom dia, Vicky – cumprimentou Mione. – Será que podemos conversar por alguns minutos?
Assim que entraram em uma sala de aula vazia – Harry estava de plantão do lado de fora, escondido – Hermione abriu o jogo.
-Eu quero que me conte como foi que soube da existência daquela carta.
Vicky ficou boquiaberta.
-Ah então foi você – ela apontou o dedo para Hermione. – Você roubou a carta! Você empurrou aquela pilastra e fez eu estourar meu queixo!
-Foi sim, eh... desculpe.
-Eu que devo perguntar como você soube da carta!
-Eu perguntei primeiro, Vicky. Você responde a minha, eu respondo a sua. Como você sabia que Crabbe possuía uma carta de ameaça do Espião?
Vicky hesitou por uns instantes, olhando para os lados. Por fim, falou:
-Eu sinceramente acho que você não tem nada a ver com isso, mas vou falar sim, até porque não tenho nada a esconder, nada que me comprometa, e não quero que, com o meu silêncio, você pense que tenho algo a temer. Bom, a primeira vez que vi foi no Saguão de Entrada, e não foi com Crabbe, foi com Goyle. Goyle estava sentado num degrau, com o papel na mão. Os dedos estavam trêmulos, eu podia ver o papel balançando levemente. Desconfiada, aproximei-me com cautela. Baixei os olhos para a carta, mas, naquele instante, Goyle percebeu a minha presença. Tudo o que consegui ver foi a frase "você pode ser atacado a qualquer momento" e a assinatura no final, que era, claro, do Espião, contando inclusive com aqueles olhinhos que ele coloca ao lado do nome.
-"Você pode ser atacado a qualquer momento"? – perguntou Mione, chocada.
-Isso mesmo. Bom, Goyle escondeu a carta, irritado, e subiu a escadaria de mármore. Poucos dias depois, Goyle foi assassinado num banheiro, por uma tal Loira do Banheiro. Eu estranhei, mas, depois daquela carta, não conseguia deixar de ligar o assassinato à ameaça. Bom, mas o fato é que tudo começou a me incomodar mais quando vi praticamente a mesma cena se desenrolando aos meus olhos. Crabbe, no jardim, com uma carta na mão, os dedos trêmulos, uma expressão estranha no rosto. Dessa vez, não tive a mesma sorte. Crabbe percebeu minha aproximação antes que eu espiasse, porém derrubou a carta no chão, de modo que pude ver a assinatura do Espião e, melhor ainda, as palavras "Expresso de Hogwarts", "fogo", e "morre"...
-Minha nossa... – balbuciou Mione.
-Pois é... Fiquei muito intrigada. Primeiro, Goyle foi ameaçado e morto, e Crabbe também estava sendo ameaçado. Só podia esperar o pior. Lancei algumas perguntas e ele durante uns dias, falando sobre o Espião, indiretas, entende? Mas ele não abriu a boca. No dia do embarque no Expresso, fiquei apavorada. Sentia que algo ia acontecer. Quando cheguei à estação e vi Crabbe com outra carta na mão, aproximei-me e interroguei-o. Comecei perguntando sobre Goyle, se Goyle tinha falado que estava sendo ameaçado, mas ele negou. Perguntei se ele estava escondendo alguma coisa, se sabia algo sobre os crimes, porque, pensei, se ele está sendo ameaçado não é de bobeira! Mas não obtive nenhuma informação. Ele embarcou no trem, aconteceu a catástrofe, miraculosamente ele está vivo e agora estou a procura das cartas que, acredito, podem conter pistas valiosas para chegar a identidade do Espião.
-A que peguei não tinha pistas – Hermione tirou a carta do bolso e a passou para Vicky.
Vicky começou a ler, eufórica.
-Humm... – disse, com ar examinador. – Essa só pode ser a carta que ele segurava na estação, já que não contém as palavras "Expresso de Hogwarts" e "morre", nem "fogo"... Essa é praticamente uma nova ameaça.
-Você acha que Crabbe está com a carta que foi mandada para Goyle?
-Acho que sim. Isso bate com a minha linha de raciocínio, que é essa: Goyle sabe alguma coisa sobre o Espião; Goyle é ameaçado; Goyle é assassinado por causa disso. Crabbe encontra a carta enviada a Goyle, e toma conhecimento da mesma coisa que levou Goyle a morte. Assim, Crabbe precisa ser morto também.
-Isso também compactua com o que eu, Harry e Rony pensamos – falou Hermione. – Que a sabotagem dos trilhos do Expresso de Hogwarts foi armada para eliminar uma pessoa, nesse caso...
-Crabbe, por saber algo sobre o Espião e ter ignorado as cartas ameaçadoras – completou Vicky.
-Então o Espião está mesmo envolvido nos assassinatos... Mas... Que informação chave será essa que Goyle descobriu, e que levou os dois a serem mortos?
-As cartas que ainda não foram encontradas podem ajudar a responder essa pergunta – falou Vicky. – Caso contrário, a única pessoa que pode nos dar a resposta está viva, mas em coma, na ala hospitalar. Ou seja, o próprio Crabbe.
As duas ficaram em silêncio por um tempo. Em seguida, Hermione agradeceu a colaboração de Vicky, pediu para que a informasse caso encontrasse qualquer vestígio das cartas, despediu-se e foi se reunir a Harry.
Mione relatou-lhe tudo o que Vicky contou.
-É essencial que encontremos essas cartas – falou Harry. – E igualmente importante que a vida de Crabbe seja preservada.
-Finalmente algo aparecendo nesse labirinto, Harry.
-Sim, mais um caminho está surgindo. Devemos segui-lo com cuidado. Um desses caminhos nos levará a solução desse mistério – o sinal soou. – Vamos indo. Os Jogos de Verão vão começar.
-Ah! Não é hoje que está marcado o seu encontro com Juliana Cabot?
-É sim! Os Jogos de Verão vão começar, e o Jogo do Conquista também! – Harry sorriu, embora seu estômago rodopiasse numa náusea angustiante.
Os terrenos da escola já estavam preparados para o início da gincana. Arquibancadas foram espalhadas ao redor do lago, e uma mesa especial foi colocada para acomodar os vips, como professores, diretor e o organizador do evento, o orgulhoso Dennis Dawkins, que, naquele instante, se gabava com a Professora McGonagall.
-Eu tenho um talento nato para a organização de coisas desse tipo, sabe... Meus talentos são vários. Não sei se a professora sabe, mas fui disputado por grandes escolas antes de vir para cá.
-Não, não sabia – respondeu a professora, entediada.
-Pois é, fui muito disputado... É que a minha inteligência despontou muito cedo, entende? Não fui uma criança comum. Fui uma criança com habilidades surpreendentes! Todos ficavam bobos ao verem como eu era astuto... Tanto que pediram para minha mãe providenciar um teste de QI. Não preciso nem dizer que ficaram maravilhados! Era um Quociente de Inteligência fenomenal! Por isso mesmo fui chamado para estudar numa escola de alunos com QI fora do comum, uma escola que valoriza as habilidades especiais de jovens assim, como eu... Mas era muito longe, um país muito quente, de modo que recusei e preferi vir para Hogwarts mesmo.
-Ah, mas como você explica aquele erro na nossa última aula? – perguntou a professora, com um sorriso de satisfação.
-Isso é segredo – Dennis se aproximou do ouvido dela. – É que, de vez em quando, eu preciso errar, entende? A senhora sabe, para que os outros alunos não se sintam humilhados ou inferiorizados.
-Ah, entendi – respondeu a professora, fingindo que acreditava e concordava com mais aquela lorota de Dawkins.
-Ficou tudo muito legal, não é? – perguntou ele, contemplando o cenário.
De fato, ali ele estava falando a verdade.
Uma longa faixa fora colocada sobre a mesa dos professores, onde se lia: JOGOS DE VERÃO. O sol, radiante, dava um aspecto maravilhoso às águas do lago. Os barcos já estavam posicionados na beira do lago, e os participantes vestiam as roupas de banho nos vestiários especiais, separados por casa.
Enquanto Dennis contemplava, seu diário ficou largado a um canto. Patrick Geller viu o caderno e recordou-se do dia em que trombara com o garoto... Em que estranhara o fato de um jovem ter um diário...
Curioso, Patrick avançou cautelosamente. Rapidamente, abriu...
"...preciso matar Arthur, assim como Paul. Um afogamento. O corte pode...".
Foi o que conseguiu ler antes que Dennis fechasse o caderno, ríspido, e o tomasse nas mãos.
-O que... O que você leu? – indagou, pálido.
-Nada demais, eu só...
-Escute aqui: fique de bico fechado, ouviu bem? Não se meta onde não é chamado!
Lançou um olhar de pura fúria a Patrick, que se afastou, de cabeça baixa, embora, internamente, estava triunfante. Quisera dar uma pista a Harry, mas não pudera devido à ameaça de Buddy Strogne.
E ali estava uma pista que não envolvia o nome de Buddy. Encaminhando-se para a arquibancada, Patrick mal podia ver a hora de contar o que lera a Harry Potter.
No vestiário da Sonserina, os participantes estavam agitados...
-Droga, os espectadores já estão se posicionando nas arquibancadas! – exclamou Pansy Parkinson, espiando por uma fresta. – Cadê o Buddy? Ele é o líder da equipe!
-Não se esqueça de que Draco também não está aqui – resmungou outra aluna. – Que irresponsabilidade! Depois reclamam do que o Espião anda comentando sobre os dois – todos gargalharam.
Na verdade, Buddy e Draco se encontravam do outro lado do lago, em cima do palco em que a equipe vencedora da prova faria a comemoração.
-Acho que já está bom – disse Buddy, conferindo as cordas pela última vez.
-Será que tudo vai correr bem, Buddy? – indagou Draco, secando o suor da testa com a mão. – Sei que é um plano genial, mas depende de muitos fatores para dar certo...
-Caro amigo Draco, confie em mim – falou Buddy, descendo do palco. – E confie também no Snape. Ele vai nos ajudar, já nos garantiu isso.
-Eu não sei, acho Richard um tanto esperto e...
-Ele é orgulhoso, vai cair nessa, pode acreditar... Nossa! – ele olhou para o outro lado do lago. – Parece que todos já estão chegando para assistir. Anda, Draco, temos que correr!
Os dois saíram em disparada.
Harry e Hermione acabavam de chegar ao local da prova. Harry parou em determinado ponto. Mione, que ia para as arquibancadas, despediu-se dele.
-Tenha cuidado ao abordar a Juliana. Não vá fazendo perguntas de uma vez, senão ela desconfia e o nosso plano já era. Confio na sua inteligência, Harry, seja cauteloso e esperto. Até mais.
Mione encaminhou-se para as arquibancadas. Harry ficou parado ali, esperando Juliana, enquanto observava Mione sentar-se e Curtis aproximar-se dela.
-Olá, boneca – cumprimentou ele, com o sorriso cafajeste de sempre.
Hermione suspirou.
-Olá, pé-no-saco – resmungou ela.
-Realmente, aquele chute quase me estourou o sa... Digo... Aquele chute deixou marcas extremamente dolorosas.
-Ah, e você pode receber outro se continuar com essas cantadas medíocres e ultrapassadas – comentou Hermione com um sorriso sarcástico. Olhou para a multidão que vinha para as arquibancadas. Os cabelos ruivos de Rony se destacaram, iluminados pelo sol. Mione apavorou-se. – Droga... Curtis, por favor, o Rony está vindo pra cá – ela apontou. – Se ele te ver aqui, vai pensar o que não deve outra vez e...
-Tudo bem, eu já ia indo mesmo, pra me juntar à equipe, mas – ele deu uma risadinha – sinceramente... Não sei porque está tão preocupada. Rony não parece estar se importando tanto quanto você imagina.
Hermione olhou na direção de Rony novamente. O rapaz tinha parado de avançar e estava em pé, no meio da multidão que caminhava, tendo Padma Patil enlaçada em seu pescoço, dando-lhe um beijo de assombrar os estudantes. Mione entonteceu por um segundo. Curtis a amparou.
-Mione, você está bem? – perguntou, preocupado.
-Sim, eu... estou – respondeu ela, lentamente, sem conseguir tirar os olhos do beijo "caliente" trocado entre Rony e Padma.
Naquele instante, ela experimentou uma mistura de várias sensações. Ódio, revolta, angústia, tristeza... ciúme. Aquele era o seu Rony, nenhuma outra garota tinha o direito de tocar nele daquela forma, de sentir o gosto do beijo dele, de sentir o perfume que o envolvia, de tocá-lo. Aquilo era insuportável...
Por que Rony estava fazendo aquilo? Queria dar o troco no que julgava que ela havia feito?
Mione baixou a cabeça, mergulhando num choro que ela não conseguiu controlar. Curtis passou a mão sobre os cabelos dela e depois desceu as arquibancadas. Era uma dor insuportável, Rony não podia estar fazendo aquilo com ela... Não podia...
Puxou um espelho de bolso e contemplou o seu reflexo. A expressão era angustiante. Os olhos estavam vermelhos, o olhar meio caído, as sobrancelhas arqueadas. Emoções misturadas numa mesma face. Emoções que, unidas, formavam uma única palavra, uma palavra devastadora: ciúme.
Fechou o espelho e o guardou no bolso. Ao erguer os olhos novamente, eles já tinham se separado. Padma entrava no vestiário da Corvinal, onde seria a líder da equipe, e Rony sentou-se numa das primeiras fileiras da arquibancada da Grifinória, sem nem ao menos olhar para ela.
Mione enxugou os olhos, e desviou-os para o local onde Harry ficara esperando por Juliana. A garota já chegara e os dois conversavam. Harry se ofereceu para tomar-lhe à mão. Juliana sorriu e juntou sua mão a do garoto. Os dois viraram-se e começaram a caminhar pelo jardim.
Uma pessoa um tanto inquieta chamou a atenção de Hermione, devido ao movimento constante de sua cabeça, que virava para trás a todo o instante e a fazia destacar-se da multidão. Um frio em seu estômago acompanhou o momento em que Hermione viu quem era o indivíduo: Jack Smart.
Não parava de olhar para trás... Na direção em que Harry se afastava de mãos dadas com Juliana.
Mione acompanhou a trajetória enfurecida do rapaz, no meio da multidão. Ele tinha a todo instante uma expressão de raiva e angústia, uma espécie de desespero. Uma expressão que agora a pouco ela traduzira nela mesma como sendo ciúme.
Agora não restava dúvidas. Jack Smart era apaixonado por Juliana Cabot.
-Eu achei os Jogos de Verão uma idéia formidável – falou Harry a garota.
-Sim – concordou Juliana, eufórica. – Dennis foi muito esperto e... – ela interrompeu-se.
-Dawkins? – indagou Harry, não deixando de perceber que Juliana ficara corada. – Dennis Dawkins? Você o conhece?
-Não. Claro que não. Mas uma amiga o conhece e me contou os detalhes do planejamento dos Jogos de Verão... E foi realmente muito engenhoso!
-Ah... – Harry fingiu aceitar a resposta. – Mas, vamos mudar de assunto e falar sobre o que interessa – eles ficaram frente a frente. – Nós.
Juliana deu uma risadinha.
-É – disse ela, olhando para uma roseira, desviando assim o olhar do rosto de Harry.
-Não precisa ficar tão tímida – ele ergueu-lhe o rosto com a mão. – Eu não mordo não – ele riu. – Olha, eu sei que você idealizou um Harry Potter dentro de seu coração por muito tempo, mas... Procure lembrar que eu sou simplesmente esse rapaz normal que está em sua frente, nada perfeito, cheio de defeitos, uma pessoa comum. Não tem porque ficar tímida. Isso é muito ruim, e você sabe por que?
-Por que? – ela perguntou, alarmada.
-Porque não posso olhar fundo dentro desses olhos maravilhosos.
Juliana suspirou.
-Porque não posso acariciar seu rosto e sentir o quanto sua pele é macia...
Harry levou a mão à face da garota. Juliana fechou os olhos, deixando-se envolver por aquele contato mágico, especial.
-Porque não posso sentir o cheio da sua pele, nem beijar o seu pescoço...
Ele desceu a boca para o pescoço dela, e começou a dar beijos seguidos.
-Porque não posso ver a sua boca assim, tão perto da minha – ele segurava o rosto dela com a mão, pelo queixo. – Nem posso juntar as duas assim...
Harry não perdeu tempo. Os dois começaram a se beijar. Juliana entregou-se a emoção, ficando totalmente à mercê de Harry, que a fez aproximar-se mais dele. Coladinhos, os dois continuaram a se beijar, sôfregos, sem fôlego...
-Hermione! Hermione! – Patrick aproximou-se, resfolegando.
Mione pensou que se tratava de algo relacionado a incrível aventura na ala hospitalar, que Vicky contara a ele que fora ela a ladra da carta, mas...
-Você sabe onde o Harry está?
-Sei sim... Por que?
-Uma grande pista! – sussurrou ele. – Uma pista que pode ser importante!
-Certo... Ele deve estar pelos jardins, passeando...
Patrick saiu, em disparada.
Só parou de correr ao encontrar Harry. O jovem estava se beijando com uma garota, mas Patrick foi obrigado a interromper – a ansiedade em passar a informação adiante era demasiado intensa.
-Potter! Uma pista, Potter, uma pista!
Ele lançou um olhar constrangido a Juliana. Harry compreendeu o recado e pediu a garota.
-Um minuto, Ju.
Ele se afastou com Patrick.
-Diga.
-Preciso matar Arthur, assim como Paul. Um afogamento. O corte pode.
-O que? Em que lugar você...?
-Escrito à mão em tinta preta, diário de Dennis Dawkins.
-Meu Deus... – balbuciou Harry, pasmo.
-Bom dia, pessoal! – bradou a voz de Dennis Dawkins, magicamente amplificada. – Bem-vindos aos Jogos de Verão de Hogwarts! Estamos todos aqui para contemplar a primeira das três provas que formam os jogos! E ela é... aaaaaaaaaaa Travessia do Lago, que vale 100 pontos!
A multidão gritou, bateu palmas, esperneou. Assim que a algazarra terminou, Dennis anunciou.
-E aí vem as equipes das casas... Grifinória, liderada por Michael Curtis! Sonserina, liderada por Buddy Strogne! Lufa-Lufa liderada por Tim Wilson! E Corvinal, liderada por Padma Patil!
As equipes saíram dos vestiários, acenando para a arquibancada da casa correspondente. Todos eles usavam trajes de banho listrados, pintados de acordo com as cores das casas. Os competidores se aproximaram dos barcos e pararam, aguardando novas instruções.
-Agora, líderes de equipe, entreguem as varinhas dos participantes de sua equipe ao juiz Jack Smart – Jack estava parado próximo aos competidores, com uma mesinha em sua frente. Os líderes começaram a entregar-lhe as varinhas. Em seguida, juntaram-se novamente as equipes. – Tudo certo, juiz? – Jack fez um sinal de positivo com o dedo. – Certo... – Dennis gargalhou, o que ninguém conseguiu entender. – Desculpem... Bom, agora podem se posicionar nos barcos!
Os competidores entraram nos barcos. Os líderes de equipe ocupavam os últimos lugares nos barcos, tendo assim a função de, além de remar como todos os outros, examinar o desempenho da equipe e pedir mais rapidez de quem quisessem.
-E então, todos preparados? – perguntou Dennis.
Os líderes Buddy, Tim, Padma e Curtis confirmaram com a cabeça.
-Quando eu apitar... Três... Dois... Um... – apitou.
No mesmo instante, os quatro barcos colocaram-se em movimento. Sem poderem usar magia, os competidores só contavam com a força física para fazerem os barcos se moverem. Os remos eram pesados, o que exigia grande esforço de cada participante. O barco da Sonserina logo se destacou, distanciando-se dos outros. O da Corvinal vinha logo atrás, impelido pelos xingamentos da líder Padma, que, de tanto xingar os colegas, criou um ódio que os impulsionou e deu gás ao barco da casa. A Grifinória vinha um pouco atrás, os remos movendo-se em harmonia, mas sem velocidade suficiente para ultrapassar o segundo e o primeiro colocado. Em seguida, em último lugar, estava o barco da Lufa-Lufa. Os alunos da casa não conseguiam colocar os remos em um ritmo harmonioso, de modo que logo o barco ficou tão lento que parecia estar parado sobre as águas do lago. A torcida da Lufa-Lufa soltou um coro de lamento e pesar, diante do óbvio último lugar e da vitória impossível.
Enquanto isso, as torcidas das outras casas vibravam, eufóricas. O barco da Corvinal avançara e estava praticamente paralelo ao da Sonserina. Buddy olhou enraivecido para o outro barco, no instante em que Padma chamava uma das garotas de algo censurável.
-Vamos! – berrou Buddy para a equipe. – Mais um pouco e... Passamos eles...
O barco da Grifinória continuava em terceiro lugar, e estava a poucos metros dos dois. Curtis não exigia muito da equipe, que continuava remando num ritmo suave e harmonioso.
-Rápido – bradou Padma com a equipe. O suor escorria-lhe pela testa, mas ela estava determinada a lutar contra o cansaço. Subitamente, viu que o único remo a se mover com velocidade era o seu. – Mas o que houve? – perguntou.
Os participantes tinham os rostos vermelhos e resfolegavam de cansaço. Começaram a tentar retomar a velocidade dos remos após os xingamentos se iniciarem, mas não conseguiram.
A Sonserina ultrapassou o barco da Corvinal. Buddy gargalhou, enquanto olhava para a equipe da Corvinal. Padma, irritada, continuou remando sozinha, mas somente seu esforço não dava conta de fazer o barco avançar.
Buddy, determinado, não tirava os olhos da margem que se aproximava. Depositava toda sua força física sobre os remos. Eles precisavam ganhar... Se a Sonserina vencesse, o plano se tornaria muito mais fácil de se concretizar.
O barco estava menos de dois metros da margem quando a equipe começou a se cansar.
Buddy percebeu e irritou-se, em desespero.
-O que pensam que estão fazendo? – perguntou, olhando para trás. O barco da Corvinal continuava na mesma, o da Lufa-Lufa quase nem era visível, mas o da Grifinória vinha vindo, no mesmo ritmo tranqüilo. – Droga... – bufou Buddy. – Vamos, seus incompetentes! Remem...
-Buddy – resfolegou Pansy. – Não estamos... agüentando... mais...
-Que se danem, cambada de perdedores! Nem que desçam desse barco morrendo, mas remem! Remem! Remem!
Eles começaram a acompanhá-lo no movimento dos remos, mas num ritmo muito lento. Buddy virou-se. A Grifinória estava perigosamente próxima.
-Vamos! Rápido – ele dobrou a própria velocidade. – Falta pouco, pessoal, muito pouco!
Bastava encostar a proa à margem para que eles vencessem. A margem estava a poucos centímetros quando o barco da Grifinória surgiu ao lado. Buddy desesperou-se...
"Isso não pode acontecer! Não pode!".
Ele se esforçou ao máximo, praticamente triplicou sua velocidade. Os outros participantes da Sonserina viram o barco da Grifinória. O ódio existente entre as duas casas pareceu dar um fôlego renovado a equipe. Eles lutaram contra o cansaço, aumentaram a velocidade, como Buddy fez, e tocaram a margem segundos antes do barco da casa concorrente.
-Vence a equipe da Sonserina! – bradou a voz de Dennis.
Um urro de vitória veio da arquibancada da Sonserina.
-Convidamos todos a participarem da comemoração no palco! – falou Dennis. Ele e os professores começaram a se deslocar para o outro lado da margem, onde os barcos aguardavam.
As torcidas das outras casas tentaram fugir da comemoração, mas Dumbledore e os outros professores exigiram a presença de todos. Assim, todos os alunos nas arquibancadas de todas as casas se deslocaram em direção ao palco.
-Que chatice isso – resmungou Richard, que caminhava abraçado a Gina. – Ter que ver sorrisos e ouvir provocações dos Sonserinos... – ele olhou para Mione, que andava ao lado deles. – Algum problema, Hermione?
Mione esticava o pescoço, tentando acompanhar a trajetória de Jack, que saíra de sua mesa de juiz, carregando consigo as varinhas dos competidores, guardadas em uma sacola. Felizmente, o rapaz acompanhou a todos, e não foi para o lado oposto, onde Harry ainda devia estar passeando com Juliana.
-Não, nada demais – respondeu ela, mais tranqüila. – Depois eu conto a vocês.
Ela continuou acompanhando Jack com o olhar. O rapaz atravessou a multidão e se aproximou de Dennis Dawkins. Os dois começaram a caminhar lado a lado, conversando com expressões muito sérias estampadas nos rostos.
-Estranho – comentou Richard.
-O que? – perguntou Hermione.
-Jack... Fomos amigos por um tempo, não é? E ele nunca mencionou o Dawkins... Não sabia que eles se conheciam...
Mione anotou a informação mentalmente, já que envolvia dois suspeitos da lista feita por Harry. Em seguida, Jack se afastou de Dennis, olhando, desconfiado, para todos os lados.
Assim que todos se posicionaram do outro lado da margem, em frente ao palco, Dennis Dawkins convocou a equipe a se colocar à frente dos estudantes.
Buddy e sua equipe começaram a subir no palco, que era bem simples, feito de madeira e com uma cortina de veludo esverdeado ao fundo. Os sonserinos vibraram, enquanto todos os alunos das outras casas apenas observavam, entediados.
-Parabéns a vocês – Dennis apertou a mão do líder Buddy. Ele deu uma risada, controlando-se em seguida. – Desculpem... Parabéns a equipe... Bom, agora vamos ao placar.
Ele apontou para o placar, colocado ao canto do palco.
-Sonserina tem 100 pontos! Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa, 00.
Os sonserinos lançaram piadas as outras casas.
-E agora... – Dennis interrompeu-se, ao ver que Buddy o chamava. – O que foi? – indagou.
-Agora é a entrega das medalhas, não é? – Dennis confirmou. – Então... Eu, como líder da equipe da Sonserina, quero ter o direito de escolher quem vai entregá-las para nós.
Dennis olhou para os professores, que estavam ao lado.
-Bom, eu não sei... Isso não estava previsto no regulamento, e...
-Ah, mas Buddy tem razão – intrometeu-se Snape. Buddy sorriu. – Ele tem todo o direito de escolher, a equipe venceu a prova.
-Certo... – falou Dennis. – Tudo bem, Buddy, pode escolher.
A voz de Buddy também foi amplificada. Ele lançou um olhar de prazer para a multidão, seu sorriso desdenhoso mais brilhante do que nunca.
-Eu escolho... – seus olhos cravaram-se em seu inimigo na hora de anunciar. – Richard Morris, da Grifinória!
Richard ficou perplexo. Lançou-lhe um olhar de puro ódio. A professora Scarlett não pôde se conter e protestou.
-Professores, isso não é justo. Esse rapaz não gosta de Richard, e...
-Por que não veio ainda, Richard? – indagou Buddy. A multidão estava silenciosa, apenas observando. – É tão patético assim, a ponto de não querer me entregar uma simples medalha?
Richard fechou os punhos...
-Eu vou.
Gina o conteve.
-Richard, você enlouqueceu? Buddy sabe do seu segredo, ele pode dizer a todos...
-Ele não fará isso e, se fizesse, ninguém ia acreditar. Não vou dar esse gostinho a ele, deixando que pense que estou irritado. Não mesmo.
Ele desviou-se dos estudantes que estavam em sua frente e começou a subir no palco, sem tirar os olhos de Buddy Strogne, que também o fitava fixamente, sorrindo.
Eles ficaram cara a cara por um momento. Gina, angustiada, engoliu em seco.
-Cadê as medalhas? – perguntou Richard, sorrindo. – Eu faço questão de entregá-las.
Buddy desmanchou o sorriso (de propósito, claro). Dennis pegou a tábua de medalhas com os professores e passou-a para as mãos de Richard. Richard pegou uma delas e colocou no pescoço de Buddy.
-Parabéns, Strogne – riu, com desdém.
Buddy levou a mão à medalha e a beijou. Nesse momento, algo chamou a atenção de Richard e o fez arregalar os olhos...
O braço direito de Buddy trazia uma cicatriz, quase próxima ao ombro. Ele nunca tinha reparado, já que as vestes e camisetas que Buddy usava cobriam aquela parte. Mas, com o traje de banho, e naquela proximidade, ele conseguiu visualizar a cicatriz. Um risco disforme, pequeno, mas, claramente, uma cicatriz.
Embora surpreso, Richard controlou-se dois segundos depois, temendo que Buddy percebesse sua reação. Mas Buddy pareceu não ter notado nada.
Ele caminhou para Pansy Parkinson, apanhando uma medalha da tábua. Enquanto isso, Buddy foi até o canto do palco, próximo à cortina esverdeada. Estendeu a mão e seus dedos tocaram a corda que procurava.
-Strogne, o que está fazendo? – perguntou McGonagall.
-Calma, professora – pediu ele. Em seguida, dirigiu-se aos estudantes. – Caros colegas – Richard, que estendia a medalha a Draco Malfoy, parou no mesmo instante. – Deixei uma grande surpresa para vocês, atrás dessas cortinas...
Ele puxou a corda com força. As cortinas afastaram-se, revelando um grande espelho.
Richard pensou em escapar, mas, naquele instante, Draco agarrou os seus braços e, agilmente, antes que ele pudesse se defender, o empurrou na direção do espelho.
-Vejam isso! – pediu Buddy.
Richard chocou-se contra o espelho, caindo no chão.
-Ele não tem reflexo!
A multidão soltou um coro de espanto.
-Richard é o vampiro que todos estão procurando! – gritou Buddy, enquanto Richard se levantava, próximo ao espelho, e fitava a multidão. – Ele é o vampiro assassino! Richard é o vampiro apaixonado!
Richard empalideceu, enquanto toda a escola o observava com perplexidade e assombro.
NA: Não deixem de comentar! Continuem juntando as pistas. Mais emoções no próximo capítulo! Aguardem!
