Capítulo 21 – Traduzido por Ana
Era apenas dez da manhã, mas Kate já estava suspeitando que seria um daqueles dias. Não seria difícil de prever mesmo sem evidência, conhecendo-o do jeito que ela agora conhecia. Mas já haviam pistas. Por exemplo, quando ela se levantou as 9:30 e ficou se mexendo do lado dele da cama atrás dos sapatos, ele suspirou e se virou mal-humorado - o tipo de reação feita especialmente para dar a entender que ela o havia acordado e que deveria se sentir culpada por isso. Ela balançou a cabeça e tentou não dizer nada rude.
Depois, quando estava tomando café e pesquisando o último catálogo, ela ouviu, vindo do banheiro de cima, bem acima de sua cabeça, um resmungo alto, "filho-da-mãe!" Provavelmente não era nada além de um aborrecimento menor - ele teve que enrolar o tubo da pasta de dentes pra extrair alguma, ou substituir o rolo de papel higiênico - alguma coisa assim. Mas, deu para confirmar suas expectativas sobre que tipo de humor ele iria ter essa manhã.
Ontem, ele tinha estado tão incomumente cavalheiresco para seu aniversário que ela tinha ficado abismada.
Hoje, é claro, ele ia ter que disfarçar essa escorregadela, revertendo a fórmula. Ela quase sorriu. Ele era tão previsível
Decidindo tirar vantagem da situação a fim de fazer uma coisa que ela estava querendo fazer por um bom tempo, ela começou os preparativos. Melhor acabar logo com isso quando ele já está de mau-humor, do que estragar quando estiver com bom-humor, ela pensou. Quando Sawyer finalmente apareceu na porta da cozinha, ela já estava pronta com tesouras, uma toalha, um pente e uma bacia de água. Ele parou, olhando para cada objeto de cada vez, e daí olhou para ela.
"O que diabos você pensa que vai fazer com isso?"
"Você pode não ter reparado, mas não estamos mais vivendo na ilha, Sawyer. Não tem desculpa pra você ficar parecendo o homem das cavernas. Você tá precisando de um corte de cabelo há semanas... Eu nem sei como você tá aguentando isso."
"Eu cortei no aeroporto, assim que cheguei."
"Não cortou, não!" disse ela rindo.
"Tudo bem, então talvez eu tenha decidido que gosto dele comprido." replicou ele, aborrecido por não poder enganá-la.
"Está certo. Mas existe comprido, e existe comprido Michael-Bolton. E você já está no limite, amigo." Ela apontou para uma cadeira que tinha puxado para ele. "Senta." disse firmemente.
Foi o lance Michael Bolton que o venceu, como ela tinha imaginado Ele se jogou na cadeira, com um suspiro irritado. Ela arrumou a toalhe em volta dele.
"Dá pra apressar isso?"
"Por que? Tem grandes planos pra hoje?"
"Posso ter," ele falou zangado.
Ela balançou a cabeça vagarosamente, molhando o pente. "Eu devia saber que você faria isso. Você acha que é possivel que você tenha alguma versão masculina de TPM?"
"É o que isso quer dizer?"
"Você estava tão doce e preocupado ontem... tudo que fez por mim... todos os presentes, e show de fogos de artifício... E daí você dorme por algumas horas e é como se nada disso tivesse acontecido."
"É, bem... aniversários só acontecem uma vez por ano," ele resmungou.
"Sorte sua," disse ela passando o pente pelo cabelo dele. "Ou então, você teria que agir como um ser humano mais frequentemente."
Ele revirou os olhos ligeiramente. "O que quer que eu diga, Sardenta? Acho que não fui feito pra as manhãs."
"Isto está subentendido," disse ela com uma risada, ela se inclinou até a altura dele para ver se tinha separado o cabelo direito. Seus olhos se encontraram e a expressão dele suavizou um pouco. Ele parecia que estava tentando não sorrir.
Depois de alguns segundos, ele olhou para os catálogos. "Já encomendou as coisas?"
"Ainda não. Não fiz as escolhas finais." Ela fez a primeira tentativa de corte.
"Marquei algumas páginas pra você na seção de lingerie," ele disse com uma piscadela.
"Eu reparei," disse ela secamente. "Obrigada pela sugestão."
"Ei, estou pagando por aquelas coisa... eu deveria pelo menos poder votar na escolha das roupas de baixo."
"Isso é verdade," ela concordou. "Não é todo cara que deixa sua namorada comprar um guarda-roupa inteiro de uma só vez."
"Sua o quê?" perguntou Sawyer, com um sorriso dissimulado no rosto.
Ruborizando quase na hora, Kate fingiu que precisava molhar o pente de novo. Ela evitou seus olhos, olhando para a bacia com um sorriso curto e embaraçado. Ele a observou, se divertindo com o desconforto dela.
Finalmente, ela voltou os olhos para ele. "Seja lá como você chame isso."
Ele continuou encarando ela, divertido. Circulando para trás dele onde ele não poderia vê-la ela fez mais um cortes decisivos no cabelo, sem se preocupar em ser cuidadosa dessa vez.
"E se eu não quiser chamar de nada?" ele perguntou, de uma maneira lenta e preguiçosa.
"Ótimo," ela respondeu, tentando soar casual. "Não faz diferença pra mim."
"Sério?"
"Pra falar a verdade, sim. Não sou dessas garotas que te pedem pra definir a relação ou que perguntam pra onde está indo ou em que pé as coisas estão. Eu não podia ligar menos para isso. Eu evito pensar no futuro de qualquer maneira." ela sacudiu os ombros indiferentemente. "No que me concerne, ele não existe."
Ele ficou quieto por um segundo. Não conseguia se decidir se ela estava falando a verdade ou se isto era alguma droga de psicologia-reversa, só para enrolar ele exatamente no tipo de conversa que ela tinha acabado de afirmar que não queria ter. E das duas, qual era a mais possibilidade mais perturbadora? Se ela estivesse falando sério, então ele, para sua surpresa, ficaria um pouco magoado. E se não estivesse... será que ela só estava brincando com ele?
"Além do mais," ela continuou quando ele não respondeu. "Se alguém tivese me dito logo depois que nos conhecemos que eu ia acabar dormindo com você, eu teria rido na cara dele. Então, provavelmente é melhor a gente não examinar as coisas muito de perto."
"Oh, por favor ," disse ele sarcasticamente. "Você acha mesmo que estava enganando alguém? Todo mundo na maldita ilha sabia que você me queria. Escutava as pessoas fofocando sobre isso o tempo todo."
"O que? Isso é uma mentira deslavada!"
Foi quando ela percebeu que ele estava brincando.
"Presta atenção, Sawyer... sou que estou com a tesoura aqui, lembra?"
Ele olhou para o chão, rindo. "Tudo bem, talvez nem todo mundo tenha notado, mas, pode apostar que eu notei. Você pode ter pensado que estava sendo toda pudica nessa estória toda... mas você acha mesmo que ia ser coincidência que não importasse onde eu pudesse estar, você aparecia ali, do nada?"
"Eu achava que você podia estar precisando de um amigo, considerando o quanto todos os outros te odiavam. Fica parado." Ela acrescentou, cortando mais um pouco de trás.
"Um amigo, huh? E o que foi aquele beijo, então?"
"Aquilo foi diferente. Eu estava apenas tentando fazer a coisa certa," ela respondeu defensivamente.
"A coisa certa," ele repetiu com deboche. "Você sempre usa sua língua quando faz a coisa certa?"
Ela parou, suspirando. "Existe alguma maneira da gente fazer isso sem falar?"
"Acho que não, né?" Ele olhou para ela. "Mas, se você não estiver a fim, ficarei feliz em continuar alguma outra hora..." ele começou a se levantar da cadeira, mas ela o puxou de volta.
"Não, agora é tarde, tenho que terminar."
Ele trincou os dentes em impaciência. "Quanto tempo mais?" exigiu saber.
"Eu não sei, " disse ela exasperada. "Se você calasse a boca e ficasse quieto eu podia acabar isso muito mais rápido."
Por um minuto ele tentou, mas começou a se contorcer de novo. Quando ele virou a cabeça ligeiramente para a esquerda, a tesoura fez um pequenino corte no alto de sua orelha. Sibilando numa dor raivosa, ele levantou a mão pouco antes dela ter tempo de afastar a tesoura.
"Que droga, Kate!" disse ele, alto.
Ela tentou afastar a mão dele, preocupada. "Deixa eu ver."
Ela examinou o pequenino corte por um segundo e virou os olhos. "Não está nem sangrando, Sawyer... parece feito por uma folha de papel. Dá pra você não me matar do coração da próxima vez?"
Ele se levantou, olhando para ela.
"Aonde você vai?"
"Pegar gelo." Ele abriu o geladeira e voltou a olhar para ela. "Algum problema com isso?"
Ela fez o máximo para não zombar dele por bancar o bebê. "Vai em frente."
Depois de embrulhar alguns cubos de gelo num pano de prato, ele voltou a sentar, segurando a trouxinha na orelha. Eles se encararam sem falar por alguns segundos.
Apoiando o cotovelo na mesa e repousando o queixo na palma da mão, Kate disse pensativa, "Já reparou que você nunca me chama de Kate, a não ser quando grita comigo?"
"Isso não é verdade", disse ele com desprezo.
"É sim!" insistiu ela. "Você nunca diz meu verdadeiro nome a menos que esteja zangado com alguma coisa!"
"Você só está inventando isso pra me provocar."
"Tudo bem, então. Se não é verdade, vamos lá, tenta. Diga alguma coisa legal usando o nome 'Kate'."
"Pra falar a verdade, eu não tô com vontade de dizer nada legal sobre você neste momento." continuando a olhar para ela.
"Tá vendo?" perguntou ela, rindo. "Você não consegue." Ela deu uma pausa, apertando os olhos e o observando como se ele fôsse um espécime de um laboratório. "E acho que sei porquê."
"Ah, isso vai ser ótimo."
"É uma maneira de você me manter a distância, emocionalmente. Por que usar meu nome real seria íntimo demais, então... em vez disso, você usa todos esses apelidos."
Ele olhou para ela, um pouco enervado. A melhor coisa a fazer em situações como essas era virar a mesa contra ela, decidiu ele.
"Se você quer falar sobre se distanciar das pessoas, querida, então talvez não seja eu que devesse ser analisado aqui. A menos que você ache que eu não saber porcaria nenhuma do seu passado vai nos deixar mais próximos."
Ela sorriu bem levemente e olhou para a mesa, concedendo nesse ponto. Ela tinha deixado essa sair de suas mãos.
"É, bem..." disse ela num tom resignado. "Acho que essa é a razão por estarmos juntos." Ela levantou os olhos rapidamente. "Ou, seja lá como você queira chamar," repetiu ela pela segunda vez no dia.
Eles ficaram quietos por um minuto. A verdade era que ambos se aperceberam de um triste fato. A despeito de estarem fisicamente íntimos, eles não estavam realmente mais próximos do que tinham estado na ilha. Mesmo vivendo em condições tão próximas e não tendo barreiras sexuais, eles ainda eram incapazes de ter qualquer tipo de conversa significativa e sincera, por ainda sentirem a necessidade de se resguardarem tanto. Eles podiam flertar, brigar e discutir trivialidades, mas o essencial ainda estava fora de cogitação.
E o mais deprimente era que talvez sempre fosse desse jeito. Se eles não tinham progredido nada além disso em todo esse tempo, juntos nessa casa, então quanto mais ia levar? Estariam destinados a sempre compartilhar uma profunda conexão, da qual seriam incapazes de falar, mesmo um com o outro? Afinal, eles se diziam mais com o olhar do que jamais faziam com palavras. Não teria algo desnatural nisso?
"Posso terminar agora?" ela finalmente perguntou. "Ou será que ainda está com muita dor?
Ele baixou o amarrado de gelo, olhando para ela meio murcho, "Então, acaba logo."
Ela recomeçou com o corte, agora aparando a frente.
Numa tentativa de mudar de assunto, Kate perguntou casualmente, "Então... sua tia que ligou ontem... é aquela com quem você morou quando criança? Depois... do que aconteceu?"
"Às vezes," disse ele numa voz baixa.
"Às vezes?" ela perguntou confusa.
"Às vezes eu ficava com ela e eu tio, às vezes ficava com outras pessoas. Eu fui mandado pra um monte de lugar, por aí. Ninguém me queria por muito tempo."
Ela penteou o cabelo para frente para para acertar. "Deve ter sido terrível," disse ela suavemente.
"Não preciso que você tenha pena de mim." resmungou ele.
"Não, você faz isso muito bem sozinho." ela replicou, como um suspiro. Depois ela parou, fechando os olhos brevemente. "Desculpe."
Ele balançou a cabeça um pouco. "Quem, exatamente, tá com TPM, agora?"
Ela sorriu. "Bem, pelo menos eu posso realmente usar isso como desculpa. Você não."
Ela picotou o lado direito da franja. Ele parecia estar tentando se lembrar de alguma coisa que não lhe ocorria. De repente, ele lembrou.
"Cadê o cachorro?" ele perguntou, procurando em volta.
"Lá fora," disse Kate distraidamente, tentando acertar as pontas do que ela acabara de cortar.
Ele deu um arranco para trás, espantado. " O quê!
"Droga, Sawyer! Quer perder um olho?"
"Como assim, lá fora?
"Ele queria sair... Foi até a porta e começou a arranhá-la. Então deixei ele sair." disse ela, como se fôsse tão óbvio que não precisasse de uma explicação tão detalhada.
Sawyer continuou a olhar para ela, inexpressivamente, em choque.
"Não era pra fazer isso?" perguntou ela.
"Ele nem tem uma coleira... ou uma correia . O jardim não tem cerca e ele não sabe onde está..." Ele alistou, olhando como se ela fôsse uma retardada.
Ela suspirou. "Eu te disse que nunca tive um cachorro antes. Eu não sei com que você tá tão zangado, provavelmente ele está lá fora."
Sem responder, Sawyer destrancou irritadamente a porta dos fundos e saiu, deixando-a aberta. Ele circulou a casa e voltou para dentro.
"Nem sinal," disse ele, abrindo a porta de tela.
"Eu vou lá pra fora ajudar a procurar," disse ela, pisando para fora do umbral.
Ele não tentou impedi-la, mesmo sendo dia alto lá fora. Era culpa dela, afinal.
Ele checou em volta da casa, o barracão, o bosque, o caminho para o lago, embaixo do carro e do caminhão... mas sem nenhuma sorte. Era como se ele tivesse desaparecido em pleno ar.
"Setenta e cinco dólares," resmungou Sawyer amargamente.
Kate olhou para ele, confusa, com uma dúvida no olhar.
"Foi quanto ele custou," ele explicou. "Setenta e cinco dólares pelo ralo."
Ela pareceu absolutamente enojada. "É com isso que você está preocupado agora? Com o dinheiro?"
"Não foi você que pagou por ele," ele replicou.
"Não dá pra acreditar," disse ela, balançando a cabeça.
Eles continuaram a procurar por alguns minutos.
"Tente chamar 'Gus' ," sugeriu Kate. "Eu não quero correr o risco de alguém escutar minha voz, mas você pode."
Ele hesitou, parecendo envergonhado. "Ele não sabe que tem um nome. Só ganhou ontem."
"Oh, meu Deus," ela disse espantada.
" O quê?" disse ele na defensiva.
"Você não consegue nem chamar o cachorro pelo nome verdadeiro! Qual é o seu problema?"
"Ah, você tá tentando me culpar por isto? Quem foi estúpido o bastante para deixar um filhote de oito semanas de idade ir pra fora, no meio do nada?"
Agora ela pareceu realmente magoada. "Você tá certo. Foi minha culpa." Ela se afastou dele.
Ele logo se sentiu péssimo. "Olha," disse ele, respirando fundo, "Vou dirigir pela estrada um pouco... ele muito provavelmente tomou a direção pela qual eu trouxe ele. Os cachorros não tem um tipo de radar ou alguma coisa assim para achar seu caminho pra casa? Talvez ele só sinta falta da mãe."
Ela concordou vagarosamente.
Caminhando atrás dela, ele pôs as mãos em seus ombros. Ela se apoiou nele por um pouco e olhou para a casa.
"Se não encontrarmos, eu te arranjo outro," disse tristemente.
Ela sorriu um pouco. "Eu não quero outro."
Subitamente, quase como em resposta a estas palavras, uma potente voz de mulher soou, surpreendendo os dois.
"Perdeu alguma coisa, James?"
Eles se viraram em direção ao som, Kate imediatamente lutando contra o impulso de correr. Caminhando até eles, com o filhote debaixo de um dos braços, estava uma larga e aquadradada mulher com cabelos grisalhos e um rosto de expressão severa e sem frescuras. Ela se moveu como um sargento de recrutas. "Achei isso lá na estrada, tentando arrumar uma carona."
Sawyer colocou a mão atrás do cotovelo de Kate, para estabiliza-la e sussurrou com medo,
"E a droga da minha tia."
Kate engoliu em seco, nervosamente. Como essas coisas continuavam acontecendo apesar de todas as precauções?
"Bem?" a mulher exigiu, enquanto se aproximava deles. "Sim ou não?"
"Sim," disse Sawyer, seco, pegando o cachorro. "Obrigado." Ele deu uma pausa. "Posso perguntar o que te traz aqui, Tia Meg?" ele tentou não parecer aborrecido ou alarmado.
"Tenho uma entrega em Memphis amanhã... Eu te contei no telefone ontem que ia dar uma parada pra devolver os discos do Manilow."
" E eu te disse que não eram meus," disse ele entre os dentes.
"Ah," disse ela, completamente indiferente. "Bem, você pode muito bem ficar com eles... Pessoalmente eu não aguento o dragão. Não tem nada mais triste do que um homem feio cantando sobre o amor." Ela continuou. "Estacionei minha carroça na sua frente... os filhos da mãe podem dar a volta nele." Ela olhou para Sawyer mais atentamente. "O que diabos tem de errado com seu cabelo, garoto?"
"Eu estava no meio de um corte de cabelo... e ainda não tinha acabado," ele explicou na defensiva.
"Eu acho que não," ela concordou, levantando as sobrancelhas.
Ela então voltou a atenção para Kate, a examinando de perto. "Quem é essa?" perguntou ela sem cerimônia.
"Essa é minha, uh... minha..." gaguejou ele, sem saber o que dizer.
"Namorada dele," completou Kate, lhe estendendo a mão e dando uma olhadela para Sawyer, se deleitando com o desconforto dele com o termo, apesar de sua situação precária. "Sally" ela acrescentou.
Greg já a havia confundido com Sally, então ela poderia muito bem usar o nome de novo.
"Sally, hem?" disse a mulher. Ela a examinou com astúcia por alguns segundos. "Você parece mais como uma Kate pra mim."
Kate e Sawyer se entreolharam rapidamente, em choque.
"Pelo menos é o que o FBI parece pensar," continuou ela, quase para si mesma. "Cristo, todo poderoso, olhe esse rosto." Ela agarrou o queixo de Kate em sua mão e levantou seu rosto, beliscando suas bochechas levemente. "Se eu tivesse um rosto assim, provavelmente poderia escapar de um crime, também." Ela balançou a cabeça, fazendo um barulho com a língua.
Depois ela lançou um olhar acusador a Sawyer. "O que diabos ela tá fazendo aqui fora, imbecil? Está esperando que alguém passe e a reconheça? Palavra de honra..." ela resmungou exasperada. "Volte pra casa," disse firmemente, empurrando Kate na direção da porta da cozinha. "Anda logo...agiliza!"
Kate começou a andar, lançando um olhar desesperançado por cima do ombro para Sawyer. Quando essa mulher dizia pra agilizar, parecia que nada podia ser feito a não ser agilizar.
Tia Meg se virou para Sawyer, também, olhando-o desgostosa. "Homens", falou, quase cuspindo.
Sawyer observou as duas indo para dentro, se sentindo miserável. De repente foi distraído por uma umidade morna se espalhando em sua camisa. Ele olhou para o cachorro.
Gus balançou o rabo ligeiramente, talvez se desculpando.
