É com muita, mas muita alegria que venho disponibilizar esse capítulo que a meu ver, está tão divertido. :D

Gostaria de agradecer especialmente a Suss que corrigiu pra mim. E amore, apareça. :)

Agradeço também a Jéssica Yoko que fica me mandando 300 mil mensagens para atualizar. kkkkkkkkkk

Bom, é isso. Aqui está e teremos muita treta. Alias, o titulo deveria se chamar treta. kkkkkkkkkkk


21. Festa

A luz do sol entrou pela enorme janela e acordou uma princesa que apesar de estar dormindo, tinha o esboço de um sorriso nos lábios. Abriu os olhos com cautela, se acostumando com a claridade e sentiu um arrepio de frio subir por sua pele. Buscou a coberta e se lembrou de que estava nua, a memória da prazerosa noite que passou nos braços de seu amado inundou sua mente. Virou a cabeça a fim de olhar para Heero, mas o sorriso se desfez ao notar o local vazio. Buscou com os olhos pelo quarto e viu que não havia vestígios do rei, a tristeza começou a tomar conta de seu interior, até que viu sobre a mesinha de cabeceira uma nota e uma rosa, segurando o lençol ao redor do corpo se aproximou e pegou o papel para ler, e seu rosto novamente se iluminou com a palavras.

Minha Relena,

Infelizmente ainda não posso amanhecer a seu lado, por mais que deseje.

Portanto, aceite essa rosa como desculpa por minha ausência.

Hoje será um grande dia e quero vê-la, por isso lhe enviarei um presente,

espero que goste.

Peço que confie em mim…

Sempre seu,

H.

Respirou fundo e decidiu que já era hora de levantar ao escutar duas batidas fortes na porta, levantou se cobrindo com seu robe, guardou a carta no fundo falso da caixa de joias, voltando a fecha-la antes de dar ordem para que entrassem. A porta se abriu e duas servas entraram para preparar o banho da princesa que as recebeu com um sorriso no rosto.

_ Bom dia alteza…

Falaram em uníssono.

_ Bom dia meninas…

_ Dormiu bem, princesa?

_ Maravilhosamente bem.

_ Que bom, princesa… O banho estará pronto a qualquer minuto.

Ao dizer isso as moças entraram no banheiro e deixaram a princesa novamente a sós. Relena sentou-se em frente a penteadeira e começou a escovar os cabelos, mas sua mente estava ocupada, recordando as sensações vividas nos braços de seu amante. Por mais ofensiva e imprópria que fosse a palavra amante, ela não poderia negar que Heero, nesse momento de sua vida, não passava de um amante.

Sua mente voltou rapidamente, ao ouvir a porta se abrir. Pensou de início que seriam suas servas, mas a porta do banheiro continuava fechada, então se sentou no banco, olhando para o biombo que fechava um pouco da porta de entrada do quarto, escondendo sua cama e esperou para ver quem entrava. Seus olhos se abriram mais e sua boca mudou de entreaberta para um sorriso alegre e muito sincero ao ver quem era sua visitante.

Kelly acabava de entrar e já não era a simples serva da qual a princesa tinha lembranças do dia anterior. A moça estava com seu longo e pesado cabelo preto preso por uma trança caída em seu ombro direito, adornado com um pente de prata com pérolas em forma de um laço no início da trança e o final amarrado de um laço na cor bordô. Seu vestido era digno de uma lady, nas cores bordô e branca, tinha as mangas longas e um decote discreto, mas que ao mesmo tempo muito atrativo aos olhos dos homens. Ela usava brincos prateados e com pérolas, combinando com o adorno em sua cabeça, no pescoço uma fina gargantilha bem justa. Os olhos estavam bem delineados e seus lábios levemente rubros completavam o visual. A frente de Relena, nascia uma princesa, foram os pensamentos da loira.

_ Kelly… Você está preciosa.

A nova lady sorriu pequeno, sentindo-se um pouco sem graça, ainda não havia se acostumado com a mudança, mas sentiu-se bem com o olhar de gosto da princesa.

_ Obrigada… O rei Heero me deu de presente o vestido e os acessórios, bem como sapatos e mais vestidos… Disse que eram presentes para uma vida nova.

_ Pois ele fez muito bem.

Relena falou orgulhosa e se levantou para logo abraçar sua nova amiga e lady. Kelly se surpreendeu com a atitude, mas retribuiu o carinho.

_ E quem te arrumou?

_ As…

_ Nós… Suas mais novas e fiéis ladies, alteza.

Relena reconheceu a voz e olhou para a porta de entrada, encontrando com o olhar animado de sua amiga ruiva, acompanhada de Hadja e Teyuki que olhavam para a princesa com um brilho de alegria nos olhos. Cléo, que foi quem falou por último, foi a primeira a entrar e dar um abraço na princesa que a recebeu com alegria, depois com o mesmo gesto recepcionou as duas últimas.

_ Mas… Eu não entendo…

_ O rei Heero, negociou com nossas famílias e agora nos mudamos para o castelo, a fim de vos assessorar, alteza.

Teyuki explicou e Relena sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Heero sempre a surpreendia e cuidava dela, sentiu que o dia não poderia ter começado melhor e agora com suas quatro ladies e amigas, a vida começava a lhe sorrir e dava sinal de que tudo ficaria bem, de agora em diante. Se afastou um pouco para olhar as quatro juntas e sorriu amplamente, até que notou nas mãos da Hadja uma caixa.

_ O que é isso?

_ O rei mandou lhe entregar…

_ Heero?

A morena que portava o presente afirmou com um movimento de cabeça, mas antes que a princesa pudesse abri-lo, as servas voltaram, anunciando que o banho já estava pronto, as quatro disseram para ela ir se preparar, que elas se encarregariam de organizar tudo para arruma-la para a festa. Relena deixou o pacote sobre a cama e foi para o banheiro.

Sem muita demora Relena, após estar banhada, voltou para o quarto, suas servas, dispensadas. Suas quatro amigas se encarregariam de ajuda-la a se preparar. Hadja e Cléo ajudaram-na a vestir sua anágua e espartilho, Teyuki a maquiou enquanto Kelly preparava seu cabelo, penteando-o e trançando apena metade do cabelo, adornando cada junção da trança com pérolas, depois uma tiara, que se assemelhava a uma fina coroa de diamantes sobre sua cabeça e deixou a franja dela levemente separada. Relena se parecia exatamente o que era, uma princesa.

_ Muito bem… Agora falta escolher o vestido que usarei… - Suspirou.

_ Porque não abre o presente?

A voz de Hadja foi ouvida e Relena desviou os olhos do espelho e depositou na caixa, antes de se aproximar e abri-la. A princesa ficou boquiaberta e seus olhos brilhavam com o presente. As quatro sorriram, cúmplices e regozijadas com a reação da amiga. Relena segurou a parte de cima do vestido e o retirou da caixa, admirando a beleza do mesmo. Ele era de uma cor champanhe com detalhes em prata, com um decote de princesa deixando o inicio dos ombros levemente amostras e suas mangas longas eram justas aos braços. Era macio e seu tecido era brilhante, sem demora, o vestiu e descobriu que ele era feito sob medida para ela. Se olhou no espelho e se emocionou com a beleza da roupa. A saia não era muita armada, dando um caimento perfeito, deixando ainda mais delineada suas curvas. Cléo se aproximou da amiga colocando nela uma gargantilha de diamante e um par de brincos de ouro simples.

_ Você está perfeita…

Disse a ruiva e as três concordaram. Relena então observou suas três amigas e reparou em como estavam vestidas. Teyuki usava um vestido azul com um decote quadrado, seu cabelo estava preso em um semi coque alto com a metade para baixo de seu cabelo solta e caída a um lado. Usava uma presilha de safira para adornar e seu conjunto de gargantilha e brincos eram conjuntos da presilha. Seus olhos também delineados e lábios rosados. Nas mãos luvas de renda que cobriam até o pulso, onde terminava a manga.

Todas estavam de manga longa devido ao tempo frio que se apresentava por conta da estação de outono. Cléo usava um vestido verde da cor de seus olhos, Seu decote canoa, também deixava um pouco do inicio dos ombros amostra. Seu cabelo cor de fogo, tinha metade presa e o resto solto, todo arrumado com cachos grandes e bem definidos, Seu cabelo estava adornado por uma tirara de prata, com fios soltos, caindo de ambos os lados. Usava um par de brincos pequenos que eram apenas uma pedra de esmeralda de cada lado. Sua gargantilha era conjunto da tirara e nas mãos também usava luvas de renda. olhos bem delineados e lábios carmim.

Por último Hadja, que usava um vestido roxo, com um decote um pouco mais generoso que de suas amigas, mas nada vulgar, suas mangas iam até o dedo médio em forma de uma ponta, preso por um cordão, formando um anel. Seu cabelo possuía um trança solitária e fina ao lado direito, adornada por fitas de seda, que foram entrelaçadas junto com o cabelo, no final uma última fita, prende a trança com um laço bem feito. Seus olhos bem desenhados e seus lábios rubros, mais fortes que os de Kelly. Seus assessórios eram compostos por um colar de ouro com um pingente de ametista e um par de brincos iguais, conjunto próprio do colar.

_ Vocês todas estão lindas… - Relena falou por fim, animada.

_ Bom… podemos passar a manhã inteira fazendo cumprimentos umas as outras, ou podemos sair por aquela porta e fazer nossos homens, passarem a manhã inteira nos dizendo o quão linda estamos. Particularmente prefiro a segunda opção.

Cléo concluiu e as amigas riram, por fim concordaram e saíram do quarto, dirigindo-se ao salão, a fim de tomar café com todos os demais.

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A família real e todos seus amigos mais próximos, bem como os nobre do castelo estavam prontos para sair em direção ao campo, onde seriam apresentados os torneios e se passaria a festa em homenagem ao príncipe Lúcius, organizada a mando de seu irmão Heero.

Obviamente Amanda segurou na mão de seu esposo o rei Dante, e os casais foram se formando ao lado e atrás deles. Ao lado direito de Dante, Heero estava acompanhado da princesa Emera, e ao lado esquerdo de Amanda, se posicionaram Lúcius e Relena. Os quatro amigos de Heero, acompanharam as ladies da princesa Relena, e Milliardo acompanhava Noin, que a mando de Heero o capitão foi ordenado a assistir aos jogos. Os demais nobres se prepararam para acompanhar a família real. Escoltados por um forte e armado grupo de soldados, eles chegaram ao local indicado.

Wufei quem acompanhou Kelly, não conseguiu parar de admirar a beleza da mulher ao seu lado. Por mais que sua expressão séria fosse imutável, o brilho em seu olhar era novo e visível, o cavaleiro não tentou esconder a satisfação que sentiu ao lado dela. Por sua vez, Kelly continuava irritada com ele. A mais nova lady culpava o cavaleiro por contar ao rei sobre sua discussão com Jian, mas a briga dentro dela por sua raiva e a sensação satisfatória de se sentir bela aos olhos do cavaleiro não a deixavam relaxar. Fizeram o caminho em silêncio total, sentindo a corrente elétrica que percorria ambos os corpos, apenas pelo toque de suas mãos.

Uma grande estrutura feita em madeira e muito bem decorada servia de arquibancada para abrigar os nobres que assistiriam as apresentações da festa. Obviamente em um local privilegiado e devidamente escoltado. Na fileira mais alta estava os quatro tronos, Dante e Amanda ocuparam os dois centrais e Heero e Lúcius os outros dois, ficando na mesma sequência de antes, com Heero a direita de Dante e Lúcius a esquerda de Amanda. O herdeiro ao trono foi acompanhado de Emera e o príncipe homenageado de sua esposa Relena. Que por sua vez, teve a companhia de seu irmão Milliardo ao seu lado, acompanhado de sua noiva Lucrezia Noin. Ao lado de Emera sentaram o barão Cássius, irmão da rainha e o Conde Peacecraft, pai de Milliardo e Relena.

Na frente do trono do rei e da rainha era um espaço vago, dando acesso a uma escada, e de cada lado da escada estavam as demais poltronas. Na fileira seguinte, abaixo de onde estava a família real, se encontravam do lado direito do rei os amigos de Heero, sentados na seguinte sequência: Duo, Trowa, Quatre e Wufei. E do outro lado da escada, a esquerda de Amanda ficaram as ladies, na sequência: Cléo, Teyuki, Hadja e Kelly. Todos os demais nobres ocupavam as demais poltronas das arquibancadas. E um grupo menor de soldados cercava o local com o intuito de proteger a todos. Ali também se encontravam lorde Macben, acompanhado de Jian e os familiares das ladies.

O povo se aproximou e terminou de cercar o local, saudando e aplaudindo o rei Dante que se colocava em pé após ver que todos estavam presentes. Heiren se esgueirava entre a multidão, achando espaço para se aproximar ao máximo e ver a proclamação de Dante, alguém que ela odiava com todas suas forças, sua vontade era de exprimir na frente de todos o seu ódio, e chegou a até uma visão privilegiada para assistir o anuncio, antes de Dante começar a falar.

_ Povo de Sank… Meu povo! - O rei começou. - É com verdadeira satisfação que me reúno com vocês nesse dia tão importante, sendo acompanhado por minha família. Essa festa, é um presente… - Ele falava com firmeza na voz e em pé, gesticulava altivamente, cativando a atenção de todos. - Um presente para comemorarmos o retorno de meu filho mais novo, o príncipe Lúcius, sã e salvo à casa.

O príncipe se pôs de pé e finalmente Heiren o reconheceu. Seu sorriso se alargou e seus olhos brilharam com a simples visão daquele homem tão lindo, cada detalhe do rosto dele, seus olhos, seu cabelo, seu cheiro, tudo ficou tão marcado em sua mente, que a impediu de dormir em toda a noite. Até mesmo enquanto trabalhava em seus afazeres diários a lembrança dos braços fortes dele a rodeando pela cintura não a abandonou. Sentiu uma vontade imensurável de falar com ele, dizer um simples oi… Mostrar para ele que ela existia. Mas, foi quando seu conto de fadas veio ao fim e ela percebeu o quão triste era sua realidade. Sim, ele estava em sua frente, sentado ao lado dele, Dante. O homem que ela mais odeia no mundo, o portador de sua maior tristeza, aquele por quem ela sustentou anos e anos de ódio, mas não era só isso, ele não estava apenas ao lado do rei, ele era o filho de Dante. O príncipe mais novo, o infante que, por um lado sua posição fez jus a sua beleza e elegância, mas por outro lado, sua posição destruiu seu sorriso mais verdadeiro e inédito, já que era a primeira vez em que conhecia aquele sentimento, que aquece nosso coração e nos faz perder o fôlego com apenas olhar a razão de nossa alegria. Sim, seu sonho mais doce se transformou em pesadelo em poucos instantes. Seus pensamentos não duraram mais que um segundo e logo ela piscou algumas vezes, sendo levada com força a realidade com a proclamação real.

_ Esse presente foi uma oferta de boa fé e consideração por parte de meu filho mais velho, o herdeiro de Sank, Heero. - O mais velho se colocou em pé, em seu devido momento. Amanda assistia tudo com um sorriso orgulhoso nos lábios. - E é com essa satisfação que peço que não poupem sorrisos, diversão e alegria nesse dia. Que a festa comece!

Em meio a assobios e comemoração o povo aplaudiu calorosamente a família real e Dante se sentou após agradecer. Lúcius e Heero trocaram olhares cheios de significados e sentaram-se após o pai. A festa foi iniciada com uma apresentação de dança feita por alguns camponeses, regada por fanfarras animadas e com muita jovialidade. A realeza assistia com um sorriso de satisfação no rosto, com exceção dos mais introvertidos, como Heero, Dante e Wufei, que por mais que gostassem do que viam, não deixavam transparecer as emoções.

Heiren perdeu suas forças e baixou a cabeça com grande tristeza no rosto e lágrimas começando a brotar em seus olhos, sentia-se desolada, sem forças até mesmo para reclamar, questionar, olhar. Deixou os braços caírem pela extensão de seu corpo e virou lentamente de costas para a arquibancada e começou a andar em direção contraria a festa. Teria passado despercebida pela a multidão inteira, se não fosse pelo olhar de uma pessoa que a assistiu todas as reações da camponesa. Alguém que já a conhecia desde um tempo e que pelo fato da jovem estar bem a frente da multidão, não perdeu nenhum olhar. Kelly a observou partir sentindo uma tristeza em seu coração pela moça.

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O primeiro torneio seria o de arco e flecha e Trowa resolveu participar. Ele era o único dos cavaleiros que parecia estar animado em participar dos jogos, até mesmo Duo quem normalmente era o mais interessado em uma boa diversão, não parecia nada entusiasmado, de acordo com ele, preferia ficar rindo da incompetência alheia.

Trowa se levantou e após reverenciar o rei foi em direção ao sei alvo, e após se preparar começou a disputa, vários arqueiros tentavam vencê-lo, porém a facilidade com a qual Trowa ganhava chegava a ser humilhante. Seu sorriso de canto no rosto enquanto lançava as fechas, faziam as mulheres suspirarem e os homens se irritarem. Depois de sua quarta vitória, o cavaleiro fez algo inesperado. Olhou para as arquibancadas e após sorrir em direção a lady Teyuki, dirigiu a palavra ao lord Mcbean.

_ Meu caro Lorde… Tenho entendido que o senhor sempre foi um ótimo arqueiro… O que pensa de nos mostrar um pouco de sua habilidade?

O homem indagado ficou pálido com o desafio. Todos os olhares estavam sobre ele e engoliu em seco, pensando sobre a proposta.

_ Já não sou mais tão jovem, caro cavaleiro… E pouco tenho praticado…

_ Isso significa que declina meu desafio?

O lorde não responde e Trowa continua.

_ Ora… Vamos. Será uma disputa amigável… Estou ficando entediado aqui e ninguém mais quer me enfrentar…

O cavaleiro visivelmente se divertia com o momento. Um brilho de diversão era visível nos olhos de Trowa que ficava brincando com a ponta da flecha em sua mão, enquanto o arco descansava em seu ombro esquerdo. Bem à vontade, enquanto lançava provocações para o homem que se sentia a cada instante mais acurralado. Lorde Mcbean olhou em direção de sua prometida e a encontrou muito atenta ao seu desafiante, o brilho no olhar da moça era tão peculiar, que o homem jurou ter visto uma faísca de desejo. Irritado com aquela situação, o lorde se levantou.

_ Estou realmente confiante em acabar com seu tédio, meu caro.

Trowa sorriu e fez uma leve reverencia com a cabeça. Esperou o homem se aproximar dele e deu um passo atrás vendo como um escudeiro entregava ao homem um arco e um quiver com cinto cheio de flechas. O lorde não o colocou nas costas, mas imitou o cavaleiro posicionando-o no chão perto dos próprios pés. Depois ergueu o arco e o testou, para em último lugar sacar a primeira flecha e antes de lança-la, olhou para seu desafiante.

_ Por favor, lorde… Tenha a honra.

O lorde entendendo que o primeiro lance era dele, posicionou o arco na altura certa e mirou, para logo atirar, a flecha acertou o círculo pintado no meio do boneco de palha coberto com pano de saco, porém não acertou o meio. Foi considerado um excelente tiro, porém ainda estava longe de ser perfeito. O homem olhou para Trowa que estava rindo baixo, depois com uma maior animação, ergueu sua flecha e sem muito mirar a lançou acertando exatamente o meio do círculo. Ouviram-se aplausos e o lorde se irritou. Trowa o encarou em resposta.

_ Três chances...

_ Sim.

Mcbean ergueu a segunda flecha e dessa vez conseguiu acertar o meio do alvo, lançando um olhar de puro orgulho e arrogância ao cavaleiro, mas para sua raiva o sorriso do cavaleiro parecia mais amplo ainda, foi quando o nobre percebeu… O cavaleiro não iria perder nunca, o desafiou para provar sua superioridade, tinha intenções de provocá-lo com segundas intensões, mostrar para Teyuki e sua família que ele seria um melhor partido. Sem demora Trowa lançou a segunda fecha e para assombro de todos, essa não foi para o meio do círculo, por questão de três centímetros a direita.

_ Pensei que era melhor que isso…

Falou o lorde, regozijando-se.

_ É para dar uma maior emoção…

A simples voz do homem ao lado já servia como uma faísca sobre pólvora para estourar a paciência dele, suas palavras de descaso então, deixava o lorde a cada instante mais incomodado e desconcentrado, apesar de que a última coisa nunca foi a intensão do cavaleiro. O homem lançou a terceira e última flecha e acertou a um centímetro de distância do meio do círculo. Com um sorriso e satisfeito com o resultado, olhou com empáfia para o cavaleiro que deu seu mais tranquilo esboço de satisfação, mirando e lançando sua flecha, acertando com perfeição o meio do círculo, mais uma vez. Causando um crescente som de aplausos pelo local.

O olhar de ódio do lorde em direção a ele não o intimidou em nada. Trowa pegou a rosa que ele poderia oferecer para quem quisesse e aspirou seu perfume. Seus movimentos eram acentuados, quase como um ritual. Então, voltou a olhar o perdedor.

_ Obrigado por sua companhia lorde… Estava certo… Eu não fiquei em nada entediado.

Passou pelo homem e subiu as escadas da arquibancada, reverenciou o rei e indo em direção a lady Teyuki, entregou a ela a rosa e depositou um suave e demorado beijo na mão da jovem, que ruborizou, mas não apartou o olhar do cavaleiro em momento algum, retribuindo o sorriso que ele, galantemente lhe lançou após levantar a cabeça. Trowa caminhou de volta para seu lugar e assistiu o lorde recuperar o dele, bufando em nervosismo.

Os jogos continuaram e logo começou o evento mais esperado, o duelo de justa.

Várias servas passaram servindo uma taça com vinho para todos os nobres, sendo elas divididas por fileiras das arquibancadas. Uma começou a servir os jovens cavaleiros, começando por Wufei e seguindo a sequência. Depois de servidos os rapazes levaram a taça até a boca e sorveram o primeiro gole, enquanto assistiam a mais uma vitória do tenente Otto, no duelo de Justa.

Aquela deveria ser a terceira vitória do moreno que retirava seu elmo e o levantava para o alto, gritando e comemorando, feliz a conquista. Estava convencido de que não poderia ser vencido por ninguém. Seus feitos estavam deixando entediados os cavaleiros, que julgavam os oponentes do tenente muito fracos e incompetentes. Transformando a vitória do moreno em algo sem honra e insignificante.

Quatre após seu segundo gole começou a passar mal. Olhou para a taça em sua mão e buscou com o olhar pela serva que o serviu, porém a jovem havia desaparecido. Respirou fundo, com dificuldade e olhou para seus amigos, percebendo-os todos bem, teve a certeza que era algo destinado a ele. Baixou a taça com cuidado até o chão e a soltou ali. Levou uma mão até o estomago e sentiu a dor começar a aumentar. Um enjoo muito forte se apossou do loiro, que sentia gotas de suor, escorrem por seu rosto. Apertou os lábios e fechou os olhos tentando se manter calmo. Não estava em condições de se levantar do lugar e nem com vontade de armar um alvoroço. Trowa e Wufei, que estavam um de cada lado do loiro, sentiram sua inquietação e se assombraram ao ver o amigo, tão pálido quanto à neve.

_ Quatre…

Trowa chamou baixo pelo amigo e Wufei colocou a mão no ombro dele. Mas, antes que o que sofria pudesse responder uma voz alta foi ouvida.

_ Vossa majestade, meu rei… Eu peço sua permissão para desafiar o nobre cavaleiro, Quatre Raberba Winner em um duelo de justa. Agora nesse momento. Se assim for de sua aprovação.

Otto falou com um sorriso de satisfação nos lábios. A família real olhou em direção ao intimado, Quatre levantou o rosto em direção ao tenente com olhar surpreso. Os demais cavaleiros também encararam o desafiante e Heero o encarou com frieza, não sabia o que era, mas sentia que o homem tramava algo.

_ A decisão de aceitar ou recusar deve vir do desafiado.

A voz fria de Dante foi ouvida e Trowa e Wufei se inquietaram, sussurrando ao amigo que recusasse o duelo, ou se preferisse eles poderiam assumir o posto. Duo sentindo a demora da resposta olhou para Quatre e se preocupou com a cena. Heero não entendia a demora pela resposta e quando o loiro pensou em responder a voz do tenente foi novamente ouvida.

_ Peço a lady Hadja que conceda ao vencedor a honra de por leva-la a um passeio, a sós.

As palavras finais foram decisivas na mente do loiro. Instantaneamente, Quatre se recordou da noite em que acordou de seu coma, aquela voz grave e cruel ecoou em sua mente, repetindo várias e várias vezes aquelas palavras, que por tanto tempo causou-lhe um frio na espinha: "_ Sabe… Ele quer você morto… ele está apaixonado pela Hadja… Logo que você morrer, ele tomará Hadja como mulher, nem que seja a força…". Era ele. Finalmente todas as dúvidas do cavaleiro se esfumaram.

Quatre franziu o cenho e sentiu o sangue ferver com a descoberta. Olhou na direção de sua dama e Hadja estava tão perplexa com o pedido, quanto todos no local. Ela virou e cruzou o olhar com seu amado. Quatre puxou o ar com tanta força, que se podia ver suas narinas se dilatarem, apertou suas mãos em forma de punho com tanta ira que sentiu o sangue faltar e juntando toda a força que tinha se colocou em pé. Trowa o encarou surpreso.

_ O vinho…

Foram as únicas palavras, em forma de sussurro, que o loiro deu a seus amigos antes de se colocar em movimento. O cavaleiro foi até o rei e após reverencia-lo em respeito, desceu as escadas com passos firmes e seguiu de cabeça erguida em direção ao tenente que tencionou a mandíbula ao ver a expressão do loiro. Quatre tinha um brilho novo no olhar, algo como frieza e fúria misturadas, mas ao mesmo tempo não era nem um e nem outro, o cavaleiro mantinha o punho fechado, tentando segurar as dores que sentia, e apesar de sentir as pernas trêmulas, não se assustou e nem tão pouco se deixou intimidar e continuou seu caminho até seu desafiante. Trowa, Wufei e Duo se entreolharam após entenderem o que o amigo tentou dizer com a ultima fala.

Quatre desceu degrau por degrau respirando com dificuldade, ao chegar no fim, parou ao lado do tenente que tinha seus olhos sobre o cavaleiro, sem se dignar em devolver a mirada, a voz do loiro saiu, baixa e firme, seu tom era intenso e suas palavras surpreenderam o desafiante:

_ Eu recebi seu presente…- Otto abriu os olhos. - E agora já não tenho mais dúvidas…

_ Dúvidas? - Perguntou receoso, sabendo que aquilo não significava algo bom.

_ Dê uma boa olhada nela… Admire sua beleza e guarde em sua mente o recordo do rosto dela… De suas curvas… De seu sorriso… Seu olhar... Porque será a única coisa que terá dela. - Quatre olhou para ele pela primeira vez. - Eu te prometo. Você não chegará perto dela, nunca!

E dando sua sentença final, Quatre o encarou. O tenente sentiu o coração disparar, franziu o nariz e se inundou de uma vontade fora do comum em acertar um soco no rosto do cavaleiro que o afrontava com desconsideração e um olhar tão calmo que só o irritava mais.

_ Preparem Sandrock!

Quatre deu a ordem e seguiu para um dos extremos do longo tronco, em horizontal, que separaria as duas pistas de corrida dos cavaleiros para começar a vestir a armadura.

Duo se levantou de sua cadeira e foi até Heero, baixou e cochichou algo no ouvido do amigo, Heero arregalou os olhos assombrado com o relato do amigo, sem dizer nada se pôs em pé e desceu as escadas seguindo em direção ao amigo que já estava quase totalmente vestido.

_ O que pensa estar fazendo?

_ Me preparando para o duelo.

Quatre não mudou sua expressão e falou com tranquilidade, como se nada de anormal estivesse ocorrendo.

_ Você não está em condições… Precisa ser atendido por um médico imediatamente.

_ Heero… - O loiro olhou para o rei. - Se me quisessem morto, a esse momento eu já estaria. Esse veneno tem o intuito de me deixar incapacitado para a luta… E não pretendo me acovardar frente a essa trapaça.

_ Eu assumo… Vá descansar. Eu luto e consigo o prêmio para você.

_ Nunca!

A voz de Quatre foi vigorosa em sua decisão. Heero viu a disposição do amigo e chegou a conclusão que mesmo desmaiando, Quatre não deixaria de lutar, sabia que a honra do loiro estava em pauta e ele não tinha nenhuma intensão de ser envergonhado, fugindo.

_ Se não se sentir capaz de continuar, apenas saia. Eu assumirei.

_ Agradeço sua preocupação… Mas, minha decisão já foi tomada.

Quatre tentou reverenciar o amigo, mas sentiu o corpo tremer, Heero o segurou pelo braço, vendo que ele ia cair, Quatre apoiou uma mão no ombro do amigo e respirou fundo recuperando as forças, sentindo uma dor abdominal muito aguda e uma fraqueza descomunal.

_ Você pode cair se montar desse jeito…

_ Eu não cairei.

Nesse momento o servo apareceu com o Sandrock já preparado para ser montado pelo cavaleiro. Quatre passou a mão em seu cavalo, tentando transmitir a seu amigo de quatro patas tudo o que estava acontecendo naquele momento. O cavalo se animou com o carinho de seu dono e o loiro puxou o ar algumas vezes antes de tomar impulso para montar. Heero que estava a seu lado segurou as rédeas e tentou ajuda-lo, mas o amigo recusou, deu impulso e subiu.

Na arquibancada os nobres comentavam e cochichavam sobre o que viam, ninguém entendia o que estava se passando, os três cavaleiros estava apreensivos com a cena, as ladies não sabiam o que pensar e discutiam entre elas várias possibilidades, tentado adivinhar o que poderia estar se passando, menos Hadja que mantinha seus olhos sobre seu amado, com uma mão sobre o coração, ela ignorava o burburinho ao redor e sentia um temor sem explicação apertando seu peito. Desejava estar com ele, saber o que estava sucedendo, mas não achava prudente.

Heero, sabendo que nada mais poderia fazer ou falar para convencer seu amigo, se retirou, após ter certeza que Quatre conseguiria se equilibrar sobre o cavalo. Subiu as escadas de volta, sob o olhar analítico de todos, lançou uma mirada em direção a Hadja, vendo a expectativa da moça, mas nada disse. Passou por seus amigos e apenas meneou a cabeça, deu uma última olhada em direção para Quatre que, agora, recebia a lança em mãos e falou: _ Agora é por conta dele… Os três cavaleiros ouviram as palavras do rei e entenderam o recado. Heero continuou seu caminho e sentou em seu lugar novamente.

A tensão que reinou naquele lugar era palpável. A maioria ignorava o motivo dela, mas não conseguiam deixar de senti-la. O aperto nos corações dos amigos que se preparavam para ver o duelo, se assemelhava a dor nos corações dos entes queridos que viam seus parentes partirem para guerra. Uma dor incomoda e desesperadora, juntando-se com a incerteza de que teriam um final feliz. A vontade de Heero, Duo, Trowa e Wufei era de assumir o lugar do companheiro, mas sabiam que não poderiam, já não mais. Se existiu alguma chance, ela passou por seus olhos e nada puderam fazer. Hadja sentiu o ar faltar, não sabia nem mesmo o motivo de tamanha preocupação, mas ela foi agravada após o olhar que o rei lhe lançou, desprovido de qualquer tipo de garantia.

Dante observou com atenção todo o quadro que se formou entre seu filho mais velho e os cavaleiros, nada havia passado despercebido pelo rei de Sank, franziu o cenho tentando compreender o que ali se passava e por alguma razão inexplicável, não sentiu a vontade de indagar a Heero o que estava acontecendo, naquele momento. Amanda e Relena também se sentiram inquietas com toda a situação, era visível que algo estava muito errado. Sentindo a apreensão da princesa, Lúcius segurou sua mão, chamando a atenção dela de sobressalto. O príncipe sorriu para ela com um olhar calmado e doce, tentando sossega-la, levou a mão de sua amada até os lábios e depositou um suave beijo, com os olhos fixos nos dela. Relena sentiu o rosto queimar e ruborizou, devolvendo um frágil sorriso para o esposo, tentando ser o mais sincera possível em seu agradecimento. Heero assistiu à cena de longe e sentiu o sangue ferver, se ele já estava irritado com o que estava-se passando com Quatre, agora podia-se dizer que ele estava disposto a matar alguém.

O camponês subiu a bandeira e olhando para ambos os lados, se certificando que os cavaleiros estavam preparados, a baixou com velocidade, dando início ao duelo. Os cavalos relincharam e começaram a correr com toda a velocidade, a distância era longa, o que fazia a angústia aumentar. Cássius era um dos poucos que assistia o duelo com expectativa e sorriso nos lábios. Jian observava de forma analítica e lorde Macben, assim como Emera, apenas prestava total atenção.

Os cavalos cruzaram o meio e a lança de Otto acertou em cheio o escudo de Quatre, que perdeu um pouco do equilíbrio com o impacto. O ponto foi contado para o tenente, uma pequena bandeira branca foi colocada para ele, se fossem completadas cinco, ele seria o vencedor da luta. Os cavaleiros continuaram o caminho até atingirem a outra ponta e Otto trocou sua lança quebrada, enquanto Quatre se recuperava do golpe.

Otto levantou sua lança nova comemorando a vitória antes do tempo, o povo gritava e aplaudia, regozijando-se com o espetáculo. Quatre por sua vez, sentia o veneno se espalhar mais e mais por seu corpo, sentindo as forças diminuírem e seu agarre se tornar cada segundo mais fraco. Ele não sabia em que deveria se concentrar primeiro, se era em sustentar a lança ou se manter sobre Sandrock.

Virou o cavalo para o lado correto e se preparou o melhor que pôde, viu a bandeira dar à largada a segunda vez e Sandrock com a ordem de seu dono se pôs a toda velocidade novamente, os segundos passaram e novamente cruzaram o meio e a lança de Quatre tocou o escudo de Otto, mas devido a sua fraqueza, não teve o impacto desejado e ele foi acertado novamente no mesmo lugar, os pedaços de madeira da lança de seu oponente voaram para todos os lados, porém Quatre conseguiu se manter firme com maior eficácia dessa última vez.

Mais um ponto foi contado para Otto e mais uma bandeira branca foi adicionada.

Quatre chegou à outra ponta e sentiu que a fúria tomava conta de seu corpo e conseguia sobressair até mesmo a dor que estava sentindo. Jogou a lança que tinha em mãos com toda raiva no chão e retirou o elmo, enxugando o suor do rosto com a mão livre. O escudeiro que o auxiliava se assustou com a imagem do rosto do cavaleiro. O loiro estava cada segundo mais branco, como se todo o sangue houvesse abandonado seu rosto, e uma sombra profunda e escura começou a se formar baixo seus olhos, que se mantiam fixos em seu oponente.

Otto ria e divertia-se com sua segunda vitória. Olhou em direção a Hadja e após chamar a atenção da moça que até então estava em Quatre, mandou um beijo para ela, surpreendendo a todos, menos ao desafiado, que para espanto do escudeiro, esboçou um pequeno sorriso e fechou os olhos. Quatre começou a respirar lentamente, estava se concentrando e focando suas forças, precisava ganhar a luta e faria isso custe o que custa-se. Abriu lentamente os olhos e pediu a lança. O escudeiro tentou devolver a mesma que ele havia usado desde um princípio, já que estava intacta, mas ele a rejeitou, exigindo uma nova.

O escudeiro então começou a oferecer uma a uma até que Quatre escolheu a sua, era de uma cor clara e seu peso não era tão alto, sentiu como se a lança se encaixa-se perfeitamente a ele na sua atual situação. Passou a mão pelo rosto, retirando todos os rastros de suor e colocou seu elmo de volta. Uma brisa acariciou seu rosto, aliviando um pouco do calor que se estava sentindo, que provavelmente estava sendo ocasionado pela febre que começou a ter. Ignorando qualquer reclamação de seu corpo e mente, segurou com intrepidez a lança e se posicionou a espera da largada.

Quatre olhou para a imagem distante de seu adversário, depois para sua amada que tinha o olhar em sua direção, pensou em ter visto um brilho novo, seriam lágrimas? Pensou e sentiu um aperto no coração, depois buscou seus amigos e todos estavam encarando fixamente a ele, esperançosos. Sentiu que aquela era sua chance, teria que ser. Devolveria a Otto todas suas maldades, mostraria a ele o quão equivocado foi ao desafia-lo e usar de trapaça para vencê-lo.

_ O tenente Otto é tão forte, não acha? Sempre admirei sua habilidade nesse duelo.

A voz da princesa Emera saiu quase em um sussurro, perto do ouvido de Heero, que se não fosse o fato dela ser uma mulher, teria a mandado ao inferno naquele instante. Em contra partida, cravou uma mirada fria nela e respondeu o mais impassível que pode.

_ Espere… E verá como ele será derrotado de forma humilhante.

Ignorando o olhar atônito com que ela o encarou, voltou a prestar atenção no duelo. Algo lhe dizia que aquilo estava prestes acabar.

A bandeira baixou e Quatre aceitando a oportunidade, invisível, que lhe brindava naquele instante, esporeou de leve a Sandrock e o instigou a correr mais rápido que antes, sua velocidade e sua pose sobre o animal, chamaram as atenções de todos, seus amigos se inclinaram para frente em suas poltronas, inquietos, Milliardo, Duo, Trowa, Wufei e Heero sentiam a adrenalina da cena subir por seus ossos.

Quatre jogou o corpo para frente, apertou mais as pernas ao redor do cavalo e posicionou melhor a lança em sua mão direita, mirando seu adversário, ignorou completamente qualquer sintoma do veneno e se preparou para a colisão. Os cavaleiros cruzaram o meio e novamente a lança de Otto acertou o escudo de Quatre, quebrando-se ao meio.

Mas, para a surpresa geral, o loiro nem sentiu o impacto, em resposta, sua lança acertou em cheio o peito do tenente. O choque foi tão intenso que Otto perdeu o equilíbrio por completo, sendo lançado ao chão com grande força. A lança de Quatre foi despedaçada. O tenente bateu a cabeça na queda e se não fosse pelo elmo, provavelmente não teria sobrevivido. Com a queda, ficou imóvel, não conseguia sentir nenhum membro de seu corpo. Tudo se passou tão rápido, um zumbido começou em seu ouvido e tudo o que viu foi o borrão de camponeses tentando socorre-lo.

A vitória de Quatre foi eminente e causou uma alegria tão contagiante que os gritos de alegria no meio do povo, foram inigualáveis. As pessoas aplaudiram de pé, gritando o nome do campeão, vibrando e pulando. Quando Quatre virou o rosto para olhar para seus amigos, se surpreendeu em vê-los todos em pé aplaudindo sua vitória. Hadja, Cléo, Kelly, Teyuki também se levantaram e a primeira sorria com muita emoção. Heero não estava rindo, porém seu olhar era de orgulho. Relena e Milliardo regozijavam-se com a vitória, até Lúcius se levantou para aplaudir, mas sua expressão não podia ser lida. Dante se admirou e Amanda se sentiu aliviada.

Cássius manteve um sorriso pronto nos lábios. Jian aplaudia com pouca vontade, Mcbean cruzou os braços, desgostoso, Emera ficou boquiaberta com a reviravolta da luta e aplaudia ainda aturdida com o resultado. Os demais nobres aplaudiram enquanto comentavam entre si o espetáculo que acabaram de presenciar. Trowa e Duo desceram e foram ajudar a Quatre descer do cavalo. O vencedor agora sentia toda a adrenalina sair de seu corpo, dando lugar para os efeitos do veneno tomarem seu lugar com mais força que antes.

_ O que está acontecendo?

Dante finalmente perguntou ao filho, antes de vê-lo se mover para ir até o amigo. Heero parou e respondeu antes de seguir seu caminho.

_ Quatre foi envenenado antes da luta. Ele não está em condições normais. Nem deveria ter lutado.

Heero desceu as escadas seguido por Wufei e o rei se admirou ainda mais. Se aquele cavaleiro conseguiu nocautear ao tenente, que era o campeão de justa, passando mal e em um estado tão critico, como para necessitar de ajuda para descer do cavalo, começou a se questionar sobre como seria vê-lo lutar em boas condições.

Heero deu ordens para que levassem Quatre de volta ao castelo e Hadja vendo que seu amado estava em péssimas condições, ignorou qualquer etiqueta e correu em sua direção, indagando pelo o motivo daquela situação. Duo explicou para a lady e ela acompanhou a Quatre de volta para o castelo, junto dele e Trowa. Heero chamou a Wufei para voltar para junto dos demais. Kelly encarou tão insistentemente ao cavaleiro, que Wufei resolveu ir até as damas e explicar lhes o ocorrido antes de ocupar novamente seu lugar.

Mas, ele não voltou para seu lugar, afinal, logo que Kelly terminou de ouvir os acontecimentos ela se colou em pé e dizendo que sabia o que fazer para ajudar, começou a andar sem nem olhar para trás, Wufei vendo a lady sair, correu atrás dela.

-/-/-

Kelly andava apressadamente, aprofundando-se em meio à multidão, com Wufei a seguindo a apenas um passo de distância.

_ Milady, por favor, espere…

Ela parou bruscamente e o fitou com expressão séria de incômodo. As pessoas que os cercavam não tiravam a atenção da cena. Era uma disputa de interesse nos olhares: podia-se ver homens cobiçando a dama, mulheres olhando e cochichando sobre o belo cavaleiro e uns poucos que apenas se interessavam pelo desenrolar dos acontecimentos.

_ O que deseja milorde?

_ Você… - O chinês se aproximou mais, desconfortável com a plateia que se formava ao redor deles. - Milady, não deve sair por aí sozinha…

_ Sempre andei sem guarda-costas...

_ Sim… Mas isso era antes. Agora não deve sair sem acompanhante.

_ E quem deveria me acompanhar, milorde? Você?

Eles estavam a escassos centímetros de distância um do outro e o tom de voz empregado por ela era ríspido. Wufei sentia o sangue ferver, não só pelo desagrado do tom dela, mas pela proximidade. Aquela mulher mexia com a mente dele e sinceramente, estava cansado de fingir que não era verdade. Kelly por sua vez, também se sentia molesta, não só por sua irritação, com o fato dele ter contado a Heero sobre a discussão dela com Jian, mas principalmente, pelo fato do coração dela disparar com tanta veemência perto dele. A proximidade, fazia com que ambos pudessem sentir a respiração do outro em seus rostos. Os olhares estavam fixos nos olhos do outro e a vontade de sentir os lábios daquela pessoa sobre os seus, fazia a consciência nublar.

_ Eu te acompanharei sempre…

A voz dele saiu em um sussurro, seu olhar era brilhante e doce. Aquilo a surpreendeu e a fez voltar à realidade. Kelly se afastou bruscamente dele, ela não entendia o que se passava entre eles, mas por mais que a vontade de descobrir era grande, o medo de se machucar ainda a amedrontava. De repente ela baixou o olhar e sem mirar ele, indagou.

_ Por quê?

_ Por que o que?

_ Por que faz isso comigo? Por que contou a ele?

Wufei se sentiu confuso, ele estava fazendo o que? Ele contou o que e a quem?

_ Eu não entendo…

Ela o olhou e estranhou o olhar enleado do homem a sua frente, sem entender soltou o ar dos pulmões com força, nem sequer havia notar estar prendendo a respiração. Meneou a cabeça e olhando para o lado sua atenção foi atraída e finalmente viu quem procurava.

_ Venha…

E com uma palavra autoritária surpreendeu a Wufei que a seguiu com o olhar enquanto se distanciava dele, adentrando em meio ao povo novamente, levou alguns segundos para ele realizar o que se passava e se colocar em movimento para segui-la.

-/-/-

Heiren se arrastava pelo caminho, perdida completamente em suas memórias, em suas descobertas e suas tristezas. Durante a vida inteira, pensou que nunca iria se interessar por ninguém, mesmo James, filho do pescador, que era um rapaz de boa aparência, bondoso e atencioso, que sempre esteve apaixonado por ela, conseguiu despertar nela um sentimento maior que o da amizade. E agora que essa pessoa tão especial apareceu, trazendo colorido aos dias preto e branco dela, inundando o coração com um sentimento forte, doloroso e ao mesmo tempo tão prazeroso, ela se vê envolvida no maior dilema de todos. Seu sentimento novo e inexplorado por aquele lindo homem de cabelo ruivo e seu ódio mortal pelo rei Dante, que para sua desgraça e ironia do destino era o pai de sua razão de sorrir.

As lágrimas não paravam de cair e ela já havia desistido de enxuga-las, sentia um aperto tão forte no coração que chegou a ponderar a ideia de procurar o doutor do reino. Era algo novo e não desejava falar com mais ninguém, estava sem forças e apagada. Aquela garota tão ativa e empolgada, que sempre estava pronta para ajudar e dar uma palavra positiva a quem precisasse, estava derrotada, morta.

_ Em que momento me apaixonei?

Se questionou em um sussurro, era espantoso até mesmo para ela a facilidade com a qual aquele desconhecido se instalou dentro do coração dela, acaso ela não viu que as portas estavam abertas? Ou deveria dizer, totalmente abertas, e com uma placa de boas vindas. Era incrível como ela conseguia chorar e rir de sua própria desgraça.

_ Eu não podia ter me apaixonado pelo James? Não… Tinha que ser por você… Lúcius.

Sim, ela havia conseguido ouvir o nome dele e bastou uma vez para ele ficar gravado em sua mente. Sentia-se perdida e desorientada, e mesmo que não existisse o ódio pelo rei, ele era completamente inatingível para ela. Ele era o príncipe infante, e apesar de que nenhum anúncio real tenha sido feito, haviam rumores de que ele estava casado com a filha do Conde, a linda dama sentada ao lado dele naquele momento.

_ Você não é para mim…

_ Heiren!

Continuou andando e ouviu gritarem seu nome, mas pensou que além de triste estava se tornando insana, por tanto não parou seu caminhar e continuou, sentindo as lágrimas escorrerem incessantemente.

_ Heiren!

Ouviu de novo e dessa vez mais forte com o acréscimo de passos de corrina no chão cheio de pedras. Resolveu olhar e certificar-se que não estava alucinado e a viu, aquela dama linda de longo cabelo preto e brilhante acenando em sua direção e gritando seu nome, com um sorriso nos lábios. Não conseguiu reconhecê-la de primeira e começou a olhar para os lados, pensando que houvesse outra pessoa com o mesmo nome que ela ao seu redor, viu a moça chegar até ela e parar para respirando pesadamente, logo um cavaleiro se posicionar ao lado da lady com o rosto fechado e analisando-a com muita curiosidade. A camponesa voltou sua atenção de novo para a dama em sua frente e começou a sentir que a conhecia, mas não tinha certeza de nada.

_ Você estava chorando?

O tom preocupado da lady surpreendeu a moça que ao reconhecer a voz, arregalou os olhos, enquanto com uma mão limpava o rosto e se arriscou a perguntar:

_ Kelly?

_ Sim… Não me reconheceu?

A camponesa analisou a amiga dos pés a cabeça e não conseguiu evitar o sorriso ao vê-la convertida em uma dama e linda em sua frente.

_ O que…

_ É uma longa história…

A dama respondeu, entendendo a pergunta não feita da jovem a sua frente e sorrindo com o olhar admirado da camponesa.

_ Eu conto tudo com calma depois, agora preciso de sua ajuda…

Ainda estranhada, guardou suas questões para outro momento e prestou atenção, já que era uma grande surpresa Kelly a procurar, principalmente com a frase: preciso de sua ajuda. Aquela moça de traços chineses sempre foi conhecida por sua independência e autossuficiência, estar pedindo ajuda, deveria ser por algum motivo grave.

_ Em que posso ajudar?

_ Você é conhecedora de ervas e antídotos e por ai em diante certo? - A moça assentiu. - Tenho um amigo que foi envenenado com algo e que está passando muito mal. Precisa de ajuda.

Pela primeira vez, Wufei que mais parecia uma estátua de pedra parado ao lado da dama, esboçou algum tipo de sentimento, demonstrando que estava vivo. Ele piscou algumas vezes abismado com a novidade. Então tudo aquilo era para salvar a Quatre? Aquela mulher que nunca se cansava de surpreendê-lo, estava tão desesperada em ajudar o amigo dele, por quem ela nunca teve nenhum tipo de aproximação, a não ser algumas poucas palavras de cumprimento perdidas pelos corredores e a vez que mais conversaram foi quando ela lhe deu as boas-vindas quando ele acordou do coma. Wufei sentiu seu coração arder com a novidade e acelerar ainda mais. Cada minuto que passava ao lado dela, se certificava mais e mais que ela era a mulher mais maravilhosa que ele havia conhecido. Era boa, corajosa, forte e a mais linda de todas.

Kelly podia sentir o olhar do cavaleiro sobre ela, queimando-a por completo, Heiren ficou feliz pela amiga, quando viu o brilho de fascinação nos olhos do cavaleiro. Kelly o olhou de canto e ficou pedida em sua mirada, até que Heiren resolveu aclarar sua garganta, despertando-os de seu transe eminente.

_ Muito bem… Venham comigo, vamos buscar o antidoto. Me acompanhem, enquanto isso me contém os sintomas…

Kelly e Wufei assentiram para a camponesa que deu meia volta e começou a caminhar em direção a sua casa, acompanhada pelo casal de nobres.

-/-/-

Já era entardecer quando Wufei, Kelly e Heiren passaram pela enorme porta do castelo. A última sentiu um arrepio na espinha quando entrou no lugar. Seu ódio se fez presente novamente em seu coração. Ela repetiu para si um mantra, onde dizia que existia alguém muito necessitado de ajuda, e ela era a única no momento em que poderia ajudar. E se Kelly pedia ajuda por essa pessoa, deveria ser alguém muito bom de coração.

O caminho foi feito em silêncio e passos apressados até o quarto de Quatre. Heiren continuava tensa, mas ninguém perguntava nada.

O trio chegou aos aposentos de Quatre e foi recebido por Trowa, quem abriu a porta. Duo observou os recém-chegados passarem pela porta, e sua expressão era de preocupação, a falta de sorriso nos lábios do cavaleiro era sempre um mal presságio e inquietava a todos. Hadja estava sentada na cama ao lado de seu amado, trocando os panos úmidos, com os quais ela tentava baixar a febre do loiro, que a face inteira tensa por conta da força empregada para ajuda-lo a suportar a dor abdominal.

Heiren ficou assombrada com a cena, pelo que podia ver, a dor que o homem sentia, deveria ser muito forte e ela se compadeceu rapidamente por ele. Sem muita delonga, ela se aproximou da lady que se assustou com a aproximação da jovem, que ela nem ao menos havia notado que tinha chegado.

_ Dê isso para ele.

A camponesa esticou um jarro contendo um líquido verde, Hadja a observou confusa, mas logo aceitou. Olhou para Kelly e após a confirmação da amiga, assentiu e sorriu para a jovem em sua frente.

_ Obrigada.

_ Não se preocupe…

Heiren sentiu a sinceridade no sorriso da dama e não pode deixar de devolve-lo. Se sentia estranha em meio a todos aqueles nobres que a cercavam no quarto e para seu espanto, todos estavam sendo amáveis e atenciosos. Ela quem sempre imaginou, aquelas pessoas com ares de superioridade, tratando os de baixa renda como capachos, estava tendo uma amostra, uma agradável amostra do quão equivocado era com o fato de generalizar as pessoas.

Hadja encheu uma caneca com o líquido da jarra e ajudou Quatre a beber. Até para engolir o loiro sentia uma grande dificuldade, esperou um segundo e ajudou ele a beber mais um segundo gole e assim continuou, até que ele tivesse bebido ao menos a metade da caneca.

_ E ai? É muito ruim?

Duo resolver perguntar, sentindo-se um pouco mais relaxado, quando notou as feições do amigo aliviarem-se pouco a pouco. O loiro que até então, mantinha os olhos fechados com força, foi abrindo lentamente, conforme sentia as dores diminuírem.

_ Sinceramente eu não sei… - A voz de Quatre era fraca. - Eu nem prestei atenção no gosto.

E o loiro esboçou um sorriso suave e pode-se escutar o suspiro pesado de todos no quarto, que sentiram a tensão ser aplacada de seus corpos.

_ Meu amor… - Hadja abraçou e beijou a seu amado. - Você me assustou.

Sentindo-se cada segundo mais confortável e a dor desaparecendo, o loiro correspondeu ao abraço e o beijo de sua dama, por quem tão bravamente lutou.

_ Eu estou bem agora… - E ele olhou para a camponesa que tinha um sorriso bobo, assistindo a cena. - Muito obrigado por me ajudar.

_ Não ha de que…

Heiren sorriu ainda, mais quando viu o olhar emocionado e cheio de gratidão da lady para ela.

_ Realmente um excelente trabalho… Não sei como agradecer o que fez por meu amigo.

Heiren escutou uma voz grave e firme vindo de trás dela, mas não olhou para ver quem falava. Apenas pensou naquelas palavras e sem perceber, pensou alto.

_ Não sendo o rei Dante, eu ajudo quem precisar… Mas, se fosse ele, por mim a essa hora já estaria morto.

Ela soltou as palavras com despreocupação, e teria jurado que apenas tinha dito-as em sua mente, se não fosse as reações que aconteceram instantaneamente ao redor dela. O loiro piscou algumas vezes e a observou com terror, o cavaleiro que abriu a porta para eles, quando chegaram, arregalou os olhos para ela e prendeu a respiração. Wufei se colocou em modo estátua e em seguida, passou a mão pelo rosto com descrença. Kelly e Hadja se puseram pálidas e Duo começou a passar os olhos por ela e para algum ponto atrás dela, surpreso e apertando os lábios, ela não sabia se era para esconder um sorriso ou se seria para impedir a si mesmo de falar algo.

Foi quando ela notou, que não era apenas ele, mas os olhares de todos estavam fixos em suas costas. A curiosidade de ver quem tinha dito as palavras, afloraram, mas o medo em se virar tomou conta de todo seu corpo. O silêncio se instaurou no ambiente, era algo perturbador e beirava ao desespero. Foi quando uma segunda voz quebrou o gelo, era de um tom um pouco menos grave que a primeira, porém podia-se sentir uma cólera maior. Mas, não viu isso que a fez sentir um frio na espinha, foi o fato de seu consciente lembra-la de que já havia escutado aquela voz.

_ Quem você pensa que é para falar dessa forma do rei? Quem se crê?

Engolindo em seco a jovem camponesa de olhos e cabelos castanhos, se virou lentamente para se encontrar com os dois príncipes, filhos de Dante, encarando-a com muita atenção. No olhar do mais velho ela viu apenas frieza, ele não expressava nenhuma emoção e pelo jeito analítico, ela supôs que deveria ter sido ele a agradecer pelo amigo. Já no rosto do mais novo, aquele lindo homem ruivo por quem se apaixonou, ela viu ira e desprezo.

_ Eu…

_ Você o que? Acaso pretende se justificar após essa demonstração de…

Lúcius não pode terminar de falar, pois foi interrompido pela gargalhada que Duo soltou. O cavaleiro de trança, já não aguentou mais segurar a vontade rir, com a cena que presenciou, ele não sabia se o motivo daquilo era apenas a cena que lhe pareceu muito cômica, ou se o fato de ver Quatre recuperado e o temor ter desaparecido, que o fez se sentir tão leve de repente. Todos puseram suas atenções no homem, que se curvava te tanto rir. Hadja e Trowa viraram os rostos tentando esconder o sorriso, Wufei ergueu uma sobrancelha, inconformado com o escanda-lo do amigo. Kelly baixou a cabeça, ainda sem saber o que pensar e Quatre ficou pasmo. Heero não mudou sua expressão e o príncipe ficou abismado.

_ Fico feliz que essa demonstração de revolta contra o rei te traga algum tipo de diversão, Duo.

Lúcius falou firme e o de trança começou a puxar o ar para se acalmar, levantando a mão como quem pede tempo. Heero aclarou a garganta algumas vezes, tentando chamar a atenção do amigo.

_ Me desculpem… - Duo respirava com dificuldade. - É que ela falou de uma forma… Tão… Tão natural… E você Lúcius, ficou tão possesso… Que eu… eu…

E começou a rir de novo, enquanto Lúcius discutia com ele e reclamava da camponesa. Heero passou a mão no rosto, desanimado, observou que os demais já estavam começando a achar graça do ocorrido, já que Duo tem o dom de contagiar a todos ao redor, então resolveu acalmar a situação, antes que seu irmão, quem estava revoltado, mandasse a jovem para a forca.

_ Já chega!

A voz autoritária do herdeiro de Sank foi ouvida e como em um passe de mágica, o silêncio voltou a imperar ali. E Duo tampou a boca reprimindo o riso, que não o abandonava.

_ Senhorita… Creio que não fomos apresentados… Sou Heero…

_ Sim, eu sei… E eu sou Heiren Franz.

Ela não reverenciou o rei-herdeiro e irritou ainda mais ao irmão mais velho.

_ Você se crê igual ao meu irmão? Onde estão seus modos?

A jovem ergueu ainda mais a cabeça e olhou fixamente para Lúcius, surpreendendo a todos.

_ Com que direito me olha com essa soberbia?

Ele indaga.

_ E porque eu deveria baixar minha cabeça para o filho de Dante?

_ Como?

O ruivo deu um passo perigoso em direção da camponesa, mas Heero o segurou, colocando a mão no peito do irmão, que não tirou os olhos de cima da jovem.

_ Muito bem… Vamos nos acalmar… - O mais velho voltou sua atenção para a jovem. - Posso saber a razão de tão grande ódio?

_ Sinto muito… - Ela baixou o rosto com tristeza, depois erguendo apenas os olhos para Heero continuou. - Isso é um assunto pessoal. E gostaria de guardar para mim… Se me permite, me retiro.

Ela avançou em direção a porta, mas a mão firme do infante a segurou pelo braço.

_ Quer sair por que? Para planejar a morte do rei?

Ela se sentiu ofendida e abriu a boca para retrucar, mas novamente Heero intercedeu.

_ Lúcius por favor, se acalme… Ela nunca disse que mataria o nosso pai, apenas que não o ajudaria.

_ E por que você está tão gentil hoje, meu irmão?

O ruivo se voltou contra o herdeiro.

_ Só acho que temos problemas suficientes, como para nos preocupar com uma jovem, que te a infeliz - Ele pôs ênfase na palavra: infeliz. - presença de espírito em dizer palavras nada adequadas. Por hoje, deixamos esse assunto morrer. Novamente agradeço sua ajuda para com meu amigo.

Heero disse as últimas palavras olhando para a camponesa e fazendo uma leve pressão no pulso do irmão, fez com que ele soltasse a jovem, que apenas assentiu em agradecimento e despedida, deixando o local apressadamente logo em seguida. Os olhares se voltaram para Heero por fim, que ignorando a todos, foi até a cama para se informar do estado de saúde atual de Quatre, que respondeu estar bem, para alivio do rei.

-/-/-

Relena caminhava a passo apressado pelo corredor com castelo, sendo acompanhada por Teyuki e Cléo quem se posicionavam uma de cada lado da amiga, rumo ao quarto de Quatre. Com o cair da noite, a família real se retirou da festa, com exceção de Amanda e Dante, deixando alguns nobres, dentre eles o conde, e o povo festejando, com banquete, dança e muita música.

Elas estavam em silêncio, apreensivas, com medo de ter más notícias sobre o estado de Quatre. Uma voz foi ouvida e Relena parou bruscamente ao escutar seu nome ser pronunciado em suas costas, virando a cabeça para ver quem a chamava com tanta insistência.

Relena viu a princesa Emera se aproximando com um sorriso falso no rosto, acompanhada por dois de seus guardas pessoais. A princesa de Sank respirou fundo e mantendo seu desgosto escondido sob uma face neutra, arriscou um sorriso. Sua postura era ereta, sua cabeça estava erguida e sua imponência nobre podia ser admirada por qualquer um que a visse naquele momento.

Relena nasceu para ser alguém da mais alta classe e isso era visível em seu olhar.

Emera quase perde o sorriso ao ver o olhar altivo da princesa que parou e a esperou, sentiu a raiva que tinha da moça de olhos azuis céu, crescer dentro de si e escurecer um pouco mais seu coração. Mesmo assim, não perdeu a postura e alargou o sorriso quando chegou perto, ao mesmo tempo em que fazia um sinal de sai com a mão, para seus guardas e que a obedeceram após a reverenciarem, e o mesmo sinal para as damas de companhia de Relena.

Teyuki e Cléo se entreolharam inconformadas com a atitude da princesa do reino Du Bois. Olharam para amiga e Relena com um sorriso sincero voltado para elas, seguido por um gesto de cabeça de confirmação, ambas se afastaram, mas não sem antes dirigir um olhar de desprezo para a princesa visitante.

_ Alteza…

Relena fez uma pequena reverencia em respeito a mulher que se encontrava em sua frente.

_ Princesa Relena… - Emera não devolveu a gentileza. - Devo chama-la assim?

A loira de olhos verdes, estava visivelmente provocando a outra, mas Relena apenas sorriu com mais elegância e brilho.

_ Por favor… Me chame como preferir.

_ Claro… Porque a queridinha de Sank tem esse direito.

Atacou com arrogância, deixando transparecer o quanto aquilo lhe era desagradável. Relena não se intimidou.

_ Realmente… Não tenho de que reclamar.

_ Imagino que não… Mas, diga-me…

_ Pois não?

_ São verdadeiros os rumores que dizem?

_ As pessoas falam de muitas coisas… Nem todas reais. Outras com a maior veracidade possível… Porém creio que estou confusa… A qual rumor se refere?

Por mais que Emera sentia uma vontade incontrolável de matar a mulher a sua frente com as próprias mãos, naquele momento, sabia que além de não poder, teria que admitir. Ela sabia se portar, manter a calma e usar as palavras em seu favor.

_ Na realidade… São dois rumores. O primeiro seria… É verdade que se casou as escondidas com o príncipe Lúcius? Sendo essa a razão de uma condessa como você, ter mudado de posição para princesa da noite ao dia?

Relena foi pega desprevenida. Apesar de que a família real soubesse tudo o que se passava, ela não sabia como responder aquela pergunta. Um anúncio real não foi feito exatamente porque o rei Dante se recusava completamente em aceitar aquela união, devido ao fato de que ela deveria estar casada com Heero. Porém, mesmo assim ela foi elevada ao status de princesa e era como deveria ser tratada daquele dia em diante. Questionou-se interiormente em como deveria responder a pergunta da princesa, quem tinha um sorriso malicioso no rosto. Foi quando teve uma ideia.

_ Creio que talvez o príncipe Lúcius possa lhe responder melhor a sua pergunta.

Emera perdeu o sorriso e Relena alargou o dela, sabendo que tinha funcionado.

_ A que se refere?

A mulher tentou disfarçar e recobrar a compostura.

_ Nada… Apenas rumores.

_ Muito bem… Então, talvez devesse perguntar ao Heero…

Relena sentiu uma pontada no coração com a forma tão intima que a mulher usou para se referir ao herdeiro.

_ Ah sim… Não sabia que já estava tão intima, para poder se referir ao príncipe herdeiro por seu primeiro nome.

_ Ora… Você não faz ideia de quão intima sou dele…

_ Dele… De Lúcius e muito outros nobres, certo?

A resposta surpreendeu Emera sobremaneira. Era algo que ela não esperava escutar e muito menos da boca da princesa a sua frente.

_ Como ousa?

Relena se regozijou por dentro ao ver quão desnorteada e agressiva ficou a mulher. Normalmente ela não ficava feliz com coisas assim, mas ela sabia que o intuito da princesa era provoca-la e semear a discórdia entre ela e Heero, e isso era algo que não permitiria. O lado bobo dela, manipulável, ela fez questão de enterrar no dia em que se entregou para Heero pela primeira vez, e agora ela não aceitaria mais ser atacada gratuitamente.

_ A que se refere?

_ Esta insinuando que eu sou uma…

_ Mas, eu não disse nada… Vossa alteza quem está se sentindo ofendida…

_ Quem você pensa que é? Imagina se eu conto para o rei Dante, sobre seu caso com o filho mais velho dele, estando casada com o mais novo…

Relena sorriu amplamente e não respondeu. Emera se aproximou um passo e falou mais baixo ainda, só que de forma ameaçadora.

_ Deixe o Heero em paz… Ele será meu esposo. Afinal ele necessita de uma princesa para governar Sank.

_ Errado. Ele necessita uma esposa… Uma princesa não é indispensável. E além do mais… Por que está me pedindo para deixa-lo em paz? Se exatamente agora, você me disse que estava muito íntimos… Me diga princesa…

_ O que?

_ Se aproximou do rei Heero antes ou depois do príncipe Lúcius?

_ De novo me insultando?

_ Não estou insultando-a… Apenas constatando o que as pessoas falam.

Relena levou o dedo indicador até o próprio lábio, dando a entender de que aquilo era um segredo e sorriu. Deu a volta e caminhou dois passos em direção a suas damas, depois parou e se voltou novamente para a princesa.

_ Perdoe-me, a algo mais que queira compartilhar ou me perguntar?

_ Sim…

Emera encurtou novamente a distância e perguntou em forma de sussurro, observando atentamente as reações de Relena.

_ Como é Heero na cama? Qual você prefere... Ele ou Lúcius?

Relena sentiu vergonha, mas mascarou o máximo que pôde, e desejou ardentemente que suas bochechas não delatassem o quão importuna foi a pergunta. Utilizando de todas suas forças para manter a calma e cortesia refletiu antes de responder no mesmo tom de voz empregado pela outra.

_ Talvez você possa comparar… Claro… Se conseguir seduzir a Heero.

E dessa vez, a princesa de Sank usou o primeiro nome do príncipe herdeiro, e pode ver o ódio inflamar o olhar da princesa visitante. Com uma leve reverencia, se despediu e começou a seguir seu caminho, deixando Emera a observando com rancor. De repente parou e voltou.

_ Só mais uma coisa… Da próxima vez seja mais gentil com minhas amigas… Elas não são seus guardas para trata-las com desprezo.

_ Isso é uma ordem?

_ Um pedido. Porém, se precisar de ordem, ficarei feliz em me dirigir com uma reclamação formal ao rei Dante.

_ Ao rei Dante?

Emera engoliu em seco, mas disfarçou.

_ Sim… Ele ainda é a autoridade suprema em Sank…

_ E acha que ele iria te ouvir?

_ Bem… Não sei. Mas, seria uma excelente oportunidade para pôr a prova o quão privilegiada sou no reino, como vossa alteza acabou de insinuar no início de nossa conversa.

A princesa de Sank sorriu e a Du Bois perdeu o sorriso soberbo.

_Agora sim, me despeço. Tenha uma boa noite.

Relena voltou a andar se afastando rapidamente da outra.

_ Isso não acaba aqui… Eu prometo que farei você perder esse sorriso irritante dos lábios…

A princesa Du Bois prometeu para si mesma em um sussurro para que só ela ouvisse, mantendo o olhar sobre as três nobres que se retiravam de sua presença. Voltando a si, incomodada, com um gesto de mão, chamou seus guardas e se retirou para o lado oposto das mulheres.

Relena caminhava ao lado de suas amigas e sentia o corpo tremer de tanta raiva que passou, soltou o ar pesado logo que deixou a mulher para trás.

_ Ai como eu a odeio.

Teyuki quebrou o silêncio, sendo seguida por Cléo que assentiu e acrescentou.

_ Como eu gostaria de enforca-la com minhas próprias mãos…

_ Meninas se acalmem, por favor… Emera é apenas uma mulher muito triste.

Relena falou, as amigas a olharam com incredulidade, fazendo com que a princesa as observasse confusa. Cléo continuou.

_ Relena… Não é possível. Como pode defender aquela víbora? Ver a bondade nas pessoas é uma coisa. Criar bondade em pessoas como a princesa Emera já é inaceitável.

_ Sou obrigada a concordar com a Cléo.

Teyuki confirmou e Relena parou, fechando os olhos, tentando assimilar tudo o que se passou em sua mente. Ela sabia que as amigas estavam certas, mas por mais que não suportasse a outra mulher, também não conseguia desejar o mau para ela. Ódio, magoa e rancor nunca fizeram parte de seu coração e por mais raiva que pudesse sentir, não permitiria que nada enegrecesse seu coração.

_ Teyuki, Cléo… Preciso da ajuda de vocês.

_ Pois diga.

Cléo respondeu por ambas e Relena começou a explicar.

-/-/-

Cléo e Teyuki entram no quarto de Quatre, após baterem e serem recebidas por Trowa, quem não perdeu a oportunidade de trocar um discreto olhar cumplice com sua dama. Elas sorriram com verdadeira satisfação ao notarem Quatre recuperado e comendo, sendo cuidado por Hadja que só tinha olhos para ele.

_ É bom tê-lo de volta Quatre… De novo!

Cléo quebrou o silêncio.

_ Agradeço a preocupação… E felizmente nada de mais grave ocorreu.

O loiro respondeu com alegria. Teyuki apenas observava a cena e principalmente o olhar fechado que Lúcius mantinha em direção ao irmão, quem por sua vez o ignorava por completo, olhando apenas para o amigo. Cléo trocou um olhar cúmplice com a amiga mais nova e continuou.

_ Milorde Quatre… Poderia, por favor, para de assustar-nos?

Ela sorriu marota e Quatre sorriu docemente em resposta. Duo veio por trás e a abraçou com carinho, sussurrando algo no ouvido da dama. Ela sorriu e se virou para depositar um delicado e demorado beijo nos lábios de seu amado. Eles ignoravam por completo a presença dos demais, chamando muita atenção para eles.

Teyuki aproveitou da distração e chamou Heero de lado para falar em particular com ele. Após ouvir atentamente as palavras da dama, o rei se desculpou e avisou que deveria atender assuntos reais por tanto precisava sair.

_ Não tente escapar meu irmão… Ainda não terminamos de discutir aquele assunto.

Lúcius sentenciou e Heero parou bruscamente na porta e virou-se para ele.

_ Não escapo de nada meu irmão… A hora que quiser falar sobre o assunto estarei honrado em ouvi-lo, porém nesse momento tenho algo importante para atender. Mais tarde ou amanhã continuaremos isso… Até mesmo na presença de nosso pai, se assim preferir.

_ Assim espero.

Heero não mudou sua expressão, apenas ouviu as últimas palavras de Lúcius e saiu apressadamente. Trowa se aproximou de Teyuki com o cenho franzido, olhando confuso para jovem que apenas sorriu em resposta e não saciou de nenhuma dúvida.

-/-/-

Heero abriu a porta do escritório e viu ela. Relena que estava de costas para a entrada olhando pela janela, virou lentamente ao escutar a porta se abrir e sorriu docemente para seu amado. Sem esperar ele fechou a porta e rapidamente se aproximou dela, segurando-a pela cintura a trazendo para si, o choque de seus corpos fez eles sorrirem maliciosamente um para o outro e Heero tomou os lábios de sua amada.

O beijo começou lento e suave, aumentando junto com seu desejo por ela, e logo suas línguas se tocavam com veemência e os braços dela o abraçaram pela nuca, mantendo-o o mais próximo possível dela, enquanto as mãos firmes dele percorriam a extensão das costas dela. Não era o momento e nem o local adequado, caso contrário ele a teria tomado por mulher ali mesmo. A eletricidade que percorre o corpo de ambos com o simples fato de estrarem perto um do outro é atrativa, mas quando se tocam se torna incontrolável.

O ar faltou e se separaram. Heero beijou a testa dela e aspirou o perfume de sua mulher. Por mais que ainda não eram casados, um pertencia ao outro e isso não seria mudado nunca.

_ Você queria falar comigo?

_ Sim…

Ela se aferrava mais ao abraço dele, sentindo-se protegida e completa, fechando os olhos, enquanto o sentia beija-la na testa, no rosto, no pescoço, roçando os lábios dela com os dele. Eles estavam juntos e podiam sentir a respiração e o perfume do outro e era isso que importava naquele momento.

_ Pois me diga… O que você quer me falar?

_ Sobre a princesa Emera…

Heero que estava de olhos fechados, curtindo a presença da mulher em seus braços, abriu os olhos com o nome ouvido, se separou levemente, o suficiente para olhar nos olhos dela e perguntar.

_ O que tem ela?

Relena soltou o ar pesadamente e se separou completamente dele, virando-se de costas por um breve momento, ganhando a coragem e procurando as palavras pra se dirigir ao rei. Heero a encarava com seu peculiar olhar frio, à espera da notícia, e viu quando ela se voltou novamente para ele com aquele olhar decidido e firme que só ela sabia lançar.

_ Ela veio me provocar, me perguntando sobre se era verdade que estou casada com Lúcius, sobre os rumores de nós dois, que eu nem ao menos sabia que estavam correndo pelo castelo e me dizer para me afastar, porque você será dela, já que ela é a mais indicada para se casar com você…

A princesa soltou as palavras com segurança, resolveu que não daria voltas ao tema e ficou observando as reações de Heero, que não existiram. Ele apenas a olhava com o mesmo olhar frio de seu cotidiano, como ele sempre faz quando escuta um assunto sério concernente ao reino, diferente de quando está com ela. Porém naquele momento não estavam trocando juras de amor e sim falando de um assunto sério, por tanto ela atribuiu a isso a mudança de atitude de seu amor. Porém, se sentia frustrada com o fato de não poder ler suas reações e nem adivinhar o que se passava na cabeça dele.

Heero por sua vez pensou em muita coisa, e seu interior estava o oposto de seu exterior, um turbilhão de emoções, pensamentos, ideias lhe apedrejavam, mas ele decidiu que daria espaço para eles em outro momento. Se aproximou de Relena, aliviando a feição e deixando-a ver o quanto a amava. A segurou novamente pela cintura e sussurrou em seu ouvido.

_ Não se preocupe com algo tão insignificante… Eu me encarregarei disso. E ninguém irá me afastar de você!

Relena sorriu com a notícia proferida dos lábios de seu amor e seus lábios voltaram a ser tomados pelos dele. O beijo voltou a se aprofundar e a excitação deles crescia a cada toque de língua, de lábios, de pele e sentiam-se embriagados um pelo outro, desejando que o mundo parasse só para eles. Tão entretidos e perdidos estavam nos braços do outro…

_ O que significa isso?

O casal se separou bruscamente ao escutarem uma voz grossa, autoritária e atordoada atrás deles. Eles nem sequer ouviram a porta se abrir, mas eram totalmente capazes de ouvir a voz alta pronunciada por Miliardo que olhava a cena, verdadeiramente inconformado. O capitão da guarda passava o olhar de sua irmã para seu amigo e rei, e dele para ela.

Continua...


Então... Quem concorda que o pessoal de Sank deveria parar de providenciar festas...

E mais importante, proibir o Quatre de participar delas. u.u kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Tá, vcs acham que peguei o coitado de alvo... Não se preocupe... todos, TODOS sofreram em minha mãos! shuahsuahus

Bem... Agora é o momento daquela coisa linda, especial, fofa, doce, amada... Chamada Review!

Por favor, eu quero muuuuuito saber as opiniões de vocês!

Então estou no aguardo. Obrigada a todas que ainda me acompanham e Juuh, bem vinda de volta sua linda. Tava com saudades!

Beijinhos e até o 22.

04/07/2014