DE VOLTA PRA CASA

"E mesmo com tantos motivos

Pra deixar tudo como está

Nem desistir, nem tentar

Agora tanto faz...

Estamos indo de volta pra casa"


Dois anos depois...

O pequeno barco encostou à margem e sua única passageira saltou. Não havia mais ninguém, porque aquele lugar raramente recebia visitas.

Ela observou o local e percebeu que era a única ali. O sol queimava o seu rosto. Não havia uma única árvore. Também não havia um banco ou espaço onde se resguardar daquele calor, pois Azkaban não era um lugar hospitaleiro.

Apesar da situação tão adversa, ela sentia-se feliz por estar ali. Esperara por aquele momento durante muito, muito tempo. Ainda faltavam duas horas para o horário marcado, mas a jovem não se importou: o que ela queria era ter a certeza de estar presente no momento certo.

Pegou sua varinha e com um movimento singelo conjurou uma antiga sombrinha para se proteger do sol inclemente. Encontrou um lugar onde se acomodar e ali esperou o momento, lamentando apenas a falta de um livro para se distrair. Então pôs-se a observar o vai-e-vem das ondas do mar, ansiosa, porém serena.

Bastante tempo depois ela ainda fixava o mar, cansada e distraída. Tão distraída que não percebeu o início da movimentação pela qual ela tanto esperara.


A pesada porta da prisão se abriu. A alguns minutos da liberdade, o jovem foi cumprimentado pelo guarda e logo pôs-se a caminhar para fora daquele lugar.

O primeiro contato com a luz do dia poderia tê-lo cegado. Três anos sem ver o sol tinham tornado as suas retinas estranhas ao astro-rei. Mas depois de alguns instantes ele abriu lentamente os olhos, lacrimejantes por causa da luz, e viu o mar. Depois sentiu o cheiro de sal e o vento nos cabelos compridos que denunciavam o passar do tempo.

Estava livre! Livre! Não pisaria mais naquele lugar. O isolamento tinha terminado. Liberdade! Era tudo em que ele pensava naquele instante.

Não carregava nada. Somente a roupa do corpo e a aliança do casamento realizado dois anos atrás. Nada mais, porque dali ninguém queria levar coisa alguma e até as lembranças ficariam por lá, se assim fosse possível.

Deu um passo vacilante em direção à escada. Era uma sensação estranha ser tão livre de uma hora para outra. Depois de três anos quase sem falar, com seus passos limitados a uma cela, a idéia de poder ir aonde quisesse era ao mesmo tempo maravilhosa e assustadora.

Acostumado ao cárcere, assustou-se ao ouvir uma onda quebrar com força nos rochedos sobre os quais se erguia a prisão. Ao perceber que era apenas a força da natureza, sorriu.

Caminhou alguns passos mais, inseguro. Suas pernas pareciam desacostumadas a tanto espaço, mas ele foi em frente. Após descer alguns degraus, seus olhos captaram uma coisa estranha lá adiante. O que seria? Parecia um pano, uma cortina circular... Não! Era um guarda-sol. Ou melhor, uma sombrinha. Mas o que aquela coisa excêntrica estava fazendo ali?

E de repente a compreensão tomou conta dele: era ela! Sim, ela estava ali! Cumpriu a promessa de esperá-lo! Ele mal podia acreditar que estava tão próximo de sua amada.

Como se os pensamentos do rapaz a tivessem tocado, a jovem despertou de seus devaneios e olhou para a prisão. E o viu, vindo vacilante em sua direção.

A prisão não tinha roubado toda a juventude do rapaz, mas não o deixou impune e sem marcas: ele parecia um pouco mais velho, cansado e fraco. Mas era ele!Decididamente, era ele!

Abandonando a sombrinha de lado, a jovem levantou-se depressa e correu em sua direção. Correu o mais que pôde em busca do abraço há tanto tempo esperado.

Quando finalmente se aproximaram, os dois, ofegantes, se deram as mãos. Olharam-se por alguns segundos. Então, sem poder esperar mais um único instante, deixaram a saudade ditar o ritmo do beijo contido por dois anos de afastamento.

Era tão estranho e tão bom! O beijo parecia não encaixar, mas aos poucos os dois foram redescobrindo o caminho daquele carinho que significava tanto para os dois.

-Eu não disse que estaria aqui fora esperando por você? –Luna disse serenamente, afastando os cabelos do rosto de Theodore.

Abraçando a mulher, ele disse:

-Sim! E nesses dois anos eu nunca duvidei que você viesse! – E, olhando-a com uma expressão encantada, comentou: "Parece uma miragem você aqui perto de mim outra vez!"

-Não sou uma miragem, sou bem real! –Ela respondeu, dando apertões nos braços dele, que sorriu e depois olhou ao redor, com uma certa angústia, e perguntou: "Como se sai deste lugar?"

-Temos que esperar o barquinho. Veja, ali vem ele!

Os dois seguiram lentamente, porque o rapaz andava devagar.

-Como vamos andar nesse barco?Ele vai virar!

-Não, não vai! É encantado, podemos sentar em qualquer lugar e ele continuará equilibrado. E não precisamos remar, não é ótimo? Mas só cabem quatro pessoas aí. Se tentar entrar mais gente, aí sim ele afunda. Medida de segurança, para evitar fugas.

-Ótimo. Vamos, então?

Ele a conduziu ao barco, mas ela o obrigou a entrar primeiro.

Acomodaram-se um diante do outro, dando-se as mãos. Theodore observou Luna atentamente. "Você parece mais magra. O que aconteceu?"

-Ah- ela começou a responder, sem graça. –É que estou trabalhando agora! Consegui um emprego no Ministério da Magia! Trabalho no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, pesquisando e catalogando animais raros e cruzamentos ilegais. Tive uma trabalheira com aqueles explosivins, lembra? Mas descobri que eles possuem um veneno muito útil para se produzir remédio contra varíola de dragão. O trabalho é ótimo, mas bem cansativo. Além disso estive ocupada cuidando da nossa casa. Está lindíssima! Não é na Irlanda, como desejávamos, mas na Escócia. Um povoado onde residem muitos bruxos, mas também há trouxas. A casa é pequena, mas muito aconchegante. Foi uma herança que papai recebeu de um parente quase esquecido e com que resolveu nos presentear. Bem bonita! E temos um elfo doméstico!

Luna preferiu usar essas desculpas para justificar seu estado físico, pois achava que Theodore já tinha sofrido demais para agora ouvi-la falar do quanto tinha chorado e sofrido naqueles dois anos. Apesar de ser uma pessoa tranqüila e forte, ver seu marido preso por três anos tinha abalado o seu estado de espírito. E ele não precisava saber que ela tinha se sentido tão mal ao vê-lo preso e se preocupado tanto depois de vê-lo no casamento, nem que tinha precisado de muito apoio dos amigos para suportar aquele tempo todo.

-E a casa? Lá tem uma jaula?

-Sim. Cuidei disso. Está tudo preparado.

-E certificou-se de que o porão não poderá ser aberto?

-Porão?-Luna deu um sorrisinho. Depois disse, em tom solene:

- Meu marido não vai ficar em um porão. A jaula foi construída no sótão.

Theodore sorriu e a abraçou.

-Como estão as coisas lá fora? Seus amigos? Eles sabem que saio hoje?

-Ah, sim. Eles ficaram felizes por mim.

Theodore perguntou, cauteloso:

-E o Weasley? Continua me achando um perigo potencial?

-Bom – respondeu Luna, distraidamente, - não posso garantir que ele um dia vá à nossa casa tomar um chá com você. Mas pelo menos já o chama pelo nome.

Theodore deu um sorriso sem graça. Depois continuou com as perguntas:

-E os Proscritos? Eles foram presos? Não procuraram você?

Luna desviou os olhos e fixou o mar. Theodore percebeu que havia algo de estranho. "O que houve?", Perguntou.

Sem encará-lo, ela respondeu: "Não há mais Proscritos. Todos foram mortos."

Theodore pareceu assustado. "Como... Como foi? Como morreram? Todos? Até mesmo Adrian?"

-Sim. –Ela suspirou profundamente. –Adrian foi morto logo depois de sua prisão, não sei como você não soube. O Ministério descobriu o Quartel General deles, pouco depois de nos casarmos. Eles tinham se reunido para fazer alguma coisa sangrenta, mas o Ministério cercou e protegeu a casa para que não saíssem. Quando a lua cheia terminou, eles foram rendidos, mas resistiram à prisão. Houve uma batalha horrorosa. Vários aurores e outros bruxos morreram. Harry quase morreu também. Depois disso houve uma enorme revolta e os poucos Proscritos que conseguiram escapar foram caçados por toda a comunidade bruxa e acabaram mortos. Mas nessa caçada muitos lobisomens inocentes foram mortos também.

Theodore ficou chocado com a informação. "Mas por quê? Por que matar os inocentes?"

-As pessoas ficaram revoltadas com a morte dos aurores e bruxos. E já não gostam muito de lobisomens, não é? Quiseram vingança a qualquer preço. Houve muita injustiça. Até os parentes foram hostilizados, eu mesma ouvi insultos na rua e quase fui agredida. Não lamente! –Ela disse, vendo que Theodore ia se culpar. –Tenho que confessar a você que me senti feliz por você estar preso. Do contrário, não sei o que poderia ter acontecido.

Ela baixou a cabeça e suspirou. O marido a abraçou. "Esqueça. Acabou. Está tudo bem agora", ele disse, apesar do choque com a notícia.

Tentando mudar de assunto, disse: "Eu gostaria de ter uma roupa para trocar. Todos saberão que saí de Azkaban, com este uniforme."

-Ah! –Disse a loira, animando-se. –Eu trouxe! Devia ter lhe dado em terra. Mas aqui está. –E passou a ele uma sacola, de onde ele tirou um jeans e uma camisa muito vermelha...

-Luna! Como conseguiu essa camisa de volta?

-Não é a mesma, tolinho! Comprei outra! –Disse ela, enquanto ele vestia o uniforme do Manchester United. –Você usava uma dessas quando... Bem, você sabe. Então pensei que seria legal você usá-la hoje. Como se esses três anos não tivessem acontecido. Como se estivéssemos continuando tudo o que parou naquele dia.

Ele a olhou com todo o carinho. "Você é incrível, Luna!"

Já vestido com a roupa nova, Theodore disse:

-Esse tempo todo estive refletindo sobre nós. Errei tanto! Fiz tanta burrada... Nós poderíamos estar juntos há tanto tempo, poderíamos estar felizes em nossa casa! Você não precisaria ter sofrido tanto, poderia ter tido o casamento de seus sonhos! Coloquei você em risco... –Ele olhou para trás, fixando Azkaban com uma expressão assustada.

-Pare! –Exclamou Luna. Theodore a olhou surpreso.

-O que foi?

-Pare de se culpar, Théo! Ouça. Eu fiquei esses três anos sozinha e você preso, para que finalmente pagasse o que devia à justiça. E assim o fez. Agora está livre e o passado ficou para trás. Não deve mais nada!

-Eu sei, Luna. Mas não consigo parar de me culpar. Eu penso em tudo de ruim que causei. Poderia ter sido tão diferente! E tudo por causa da minha obsessão em deixar de ser lobisomem. Se eu tivesse sido mais inteligente e menos egoísta, tudo teria ido bem. E tudo o que consegui foi arrumar confusão e revelar a todos o que sempre quis esconder. E você será a mulher do lobisomem...

Luna pôs o dedo sobre os lábios de Theodore, pedindo a ele que se calasse. Esperou-o retomar a serenidade e disse:

-Pare de agir como culpado. De que adiantaram esses anos aí e tudo o que você passou? Se continuar agindo assim, se auto-condenando, nunca vai ter paz. O mundo inteiro pode esquecer, mas se você não se perdoar, Théo, jamais será feliz. Não se culpe. Você já pagou por seus erros. Já sofreu demais. Dê-se uma chance de ser feliz, afinal, foi por isso que lutamos tanto esse tempo todo.

Eles se encararam por alguns instantes. Depois, sem conseguir encará-la por mais tempo, Theodore voltou os olhos para Azkaban. Um indisfarçável tremor percorreu seu corpo.

-Você não pisará mais naquele lugar, Theodore. Não olhe para lá. Dentro de alguns instantes ultrapassaremos a fronteira mágica e Azkaban não será mais visível. Mas se você insistir em levar a culpa com você, Azkaban estará sempre presente em sua vida.

Theodore olhou para Luna sentindo uma enorme ternura. Como ele queria lhe mostrar o quanto ela era importante... Segurou as mãos da esposa e disse:

-Luna, você foi um divisor de águas em minha vida. Transformou-me completamente. Apesar de tudo, se há algo de melhor em mim hoje, devo a você. É como se meu lado bom estivesse trancado em algum lugar dentro de mim e você o tivesse liberado. Eu queria que você soubesse disso. Eu sou outro, graças a você.

Ela sorriu serenamente e respondeu:

-Não fui eu quem o transformou, Theodore. Foi o amor.

Ela suspirou alegremente e disse:

-Em alguns minutos estaremos fora desse lugar para sempre. E recomeçaremos, do ponto em que paramos. Está preparado?

-Sempre estive. Sempre estarei, se você estiver ao meu lado.

E, aproximando-se da loira, a beijou. E ao fundo, Azkaban ia desaparecendo, à medida em que o barco ultrapassava a fronteira mágica que ocultava a prisão dos olhos dos trouxas. Em seu lugar, agora havia apenas a linha do horizonte e o sol, lançando seus raios dourados sobre aquele jovem casal que avançava cada vez mais em busca da própria felicidade.


-Este é nosso doce lar. Não é bonitinho?

Luna estava mostrando a casa a Theodore. Ele ficou encantado ao ver os móveis caprichosamente arrumados. Tudo era simples, mas belo e aconchegante. Não havia nada excêntrico, o que ele estranhou um pouco, afinal, conhecia o gosto de Luna. Então perguntou:

-Você arrumou tudo sozinha?

-Não - respondeu, distraída. -Hermione, Gina e até Fleur me ajudaram. Elas foram uns amores. Me deram várias dicas, mas muitas coisas elas me convenceram a não trazer.

Theodore riu, imaginando o tipo de coisa que ela poderia ter pensado em comprar.

-Pedi ao Damiz que preparasse algo para comermos, deixe-me ver se já está pronto.

-Damiz? Que Damiz?

-O elfo doméstico! Nós o ganhamos de presente de casamento. Papai nos deu. Se você quiser ele poderá cortar seus cabelos. Pode confiar, ele é eficiente.

O rapaz sorriu enquanto Luna desaparecia pela porta da cozinha. Então, pôs-se a observar a casa.

Parecia que nada havia sido tocado. Tudo estava perfeitamente limpo e imaculado. Achando estranho, Theodore esperou Luna voltar. Logo ela apareceu, com uma bandeja enorme contendo suco de abóbora e vários bolos e biscoitos. Pôs-se a arrumar a mesa e ele perguntou:

-Luna, o que você fez para tudo ficar assim, como novo?

-Não fiz nada. É que não estive morando aqui. Só arrumei tudo, mas estava na casa do papai.

-Por quê?

-Bom... Eu achei que não seria certo começar sem você. Então estou vindo hoje, junto com você. Passei aqui antes apenas para conferir se estava tudo certo e dar instruções a Damiz.

Emocionado com a atitude dela, Theodore nada disse. Simplesmente a abraçou e tentou lhe mostrar o quanto ela significava e o quanto seu esforço estava contando para que seu amor por ela aumentasse mais e mais.


Luna passou o dia em casa, pois tinha pedido alguns dias de licença no trabalho para fazer companhia a Theodore. Passou algum tempo cuidando das coisas de seu trabalho em casa, enquanto Theodore lia o jornal.

Depois de um dia ocupado por vários passeios por dentro da casa e pelo seu aconchegante quintal, ele finalmente resolveu ir deitar-se.

Tomou um banho quente, bem diferente da água fria a que estava acostumado na prisão. Viu as coisas preparadas pela esposa para sua higiene pessoal, sentindo um assomo de afeição por ela e imaginando-a a preparar tudo para seu bem-estar.

Observou o quarto com uma sensação quase surreal. Depois de tanto tempo dormindo em uma cama dura e incômoda, viu quase como um delírio uma cama tão fofa e cheirosa.

Viu sobre a cama um pijama macio e limpo, bem diferente de qualquer coisa que ele tivesse usado nos últimos três anos. Vestiu o pijama sentindo uma emoção diferente, como se aquele ato o tornasse um homem digno outra vez. E deitou-se, feliz, para uma boa noite de sono.

Passados alguns instantes, Luna chegou e, enquanto falava sobre assuntos banais, se preparou para dormir também. Já vestida, começou a fechar as cortinas, enquanto Theodore a observava.

Ela certamente estaria à espera do carinho dele... Haviam se casado e sequer tiveram uma lua-de-mel. Mas embora a atração entre os dois continuasse tão grande quanto antes, ele não se sentia disposto a intimidades com ela naquele momento. Era como se ainda trouxesse marcas de Azkaban em seu corpo e ele não conseguiria tocar em Luna. Pensou que ela iria se insinuar, era até um direito dela. Porém, tudo o que a bruxa fez foi lhe dar um beijo no rosto e dizer "boa noite".

Ela virou-se para o lado e apagou o abajur que ficava na mesa de cabeceira. Ao fazer isso ouviu Theodore gritar "NÃO!"e assustada, acendeu a luz e sentou-se depressa, observando-o.

-O que foi, Théo? Está sentindo alguma coisa? O que você tem?

Ele estava sentado, ofegante e parecia assustado.

-A luz... Se você não se importar... É que lá em Azkaban... Na hora de dormir... Escuro... Eu me lembrei...

Luna o abraçou ternamente, e deitando a cabeça dele em seu colo, começou a acariciar-lhe os cabelos.

- Está tudo bem agora. Acalme-se. Estou aqui com você.

Theodore tremia. Aos poucos foi se acalmando e retomando o ritmo da respiração. Quando se sentiu melhor, tornou a deitar-se. Luna, então, sussurrou em seu ouvido:

-Fique tranqüilo, querido. Durma bem. Você está em casa agora.

E com as mãos dela segurando as suas ele finalmente adormeceu.


Não foi uma noite tranqüila para Theodore. Ele falava dormindo, se agitava e acordou várias vezes ao menor ruído. No meio da noite, chegou a chorar e Luna teve que acalmá-lo outra vez.

Na manhã seguinte acordou bem cedo, mas não antes de Luna. Ela estava à sua espera na mesa do café, preparado fartamente por Damiz.

-Pedi a Damiz que preparasse um bom café da manhã para nós. Não levei para o quarto porque achei que você já tomou café na cama por muito tempo e gostaria de mudar a rotina...

Ele sorriu. Só mesmo Luna para analisar as coisas sob tal ótica.

Preocupada com o sono intranqüilo de seu marido durante aquela noite, Luna resolveu abordar um assunto evitado no dia anterior.

-Theodore, me desculpe por perguntar, mas é preciso. Você dormiu muito mal e eu sei o porquê. Me conte... Como era a sua vida lá em... Você sabe.

Ele desviou o olhar para a parede em frente. Parecendo perdido em pensamentos disse:

-Era terrível. Uma solidão aterradora. Dias sem falar com ninguém. É como se a gente esquecesse como se fala com outra pessoa. Quando eu ficava doente, demoravam muito a acreditar e começarem a tratar de mim. Era frio e escuro. Não havia um jornal, nada que me distraísse. Não se saía da cela. Não havia sol. Só escuridão e silêncio. A comida era bem controlada, e se eu sentisse fome fora da hora da refeição, não havia nada que eu pudesse fazer.

"No início eu chegava a chorar. Chamava seu nome e ouvia outros presos caçoando. Me chamavam de bebê chorão, essas coisas. Era terrível, terrível! Depois de algum tempo perde-se as forças até para lamentar.

Quando chegava a lua cheia eles cobriam a cela. Pelo menos isso. Me davam a poção e a transformação era menos sofrida. Mas os momentos antes da transformação eram os piores. Saber que eu iria, voltaria e estaria naquele mesmo lugar, sem poder esquecer esse lado da minha identidade. E depois voltar e não ter um apoio, não ter ninguém... Aquele é o pior lugar onde já estive e eu nunca, nunca vou querer voltar para lá!"

A voz dele quebrou e ele baixou a cabeça. Estava chorando. Azkaban o levara ao limite da fragilidade. Luna o abraçou e o acalmou como na noite passada:

- Você não voltará lá nunca mais. Me desculpe por ter perguntado e feito você lembrar. Mas acabou. Você está na sua casa e nada de ruim vai lhe acontecer.

E sob os cuidados de sua amada ele se acalmou, preparando-se para enfrentar o mundo e reconstruir sua vida.


Luna se dedicou a proporcionar um dia tranqüilo para Theodore. Não fez mais perguntas e passou bastante tempo junto dele. Juntos assistiram ao pôr-do-sol no quintal da casa e observaram os pássaros indo e vindo pelo jardim. Theodore fez muitas perguntas sobre tudo o que pôde e Luna ficou feliz em contar-lhe as novidades. Ele só não aceitou o convite para passearem pelo povoado, pois havendo um bom número de bruxos por ali, achou que estaria exposto demais.

À noite, depois de saborearem o jantar e a sobremesa maravilhosa preparadas por Damiz, os dois desfrutaram um pouco mais do aconchego da sala de estar e da companhia um do outro. Então Theodore resolveu ir descansar enquanto Luna dava algumas instruções ao elfo.

Ele continuava assustando-se com ruídos, evitava ficar só por muito tempo e tinha medo do escuro, mas já estava se acostumando à nova casa e fazendo planos. Pensava em suas possibilidades de trabalho quando Luna entrou no quarto, com ar feliz, e, após vestir sua roupa noturna, sentou-se diante do espelho, escovando os cabelos antes de dormir.

-Fico feliz que esteja gostando daqui, Théo. Tentei pensar em tudo para ficarmos bem. Imaginei algumas coisas que achei que você gostaria. As meninas me ajudaram bastante. Acho que ficou bem legal a nossa casinha - disse ela feliz, entre uma escovada e outra. Mas Theodore não estava ouvindo. Tinha o olhar perdido nos seus cabelos que caíam até a cintura em ondas douradas.

De repente se viu pensando em como ela era bonita e como o tempo a estava tornando cada vez mais atraente, como uma flor que desabrocha. Linda. Fascinante. E percebeu que não agüentava mais ficar longe dela.

-Eu fiz o melhor que pude pensando em nós... Mas senti sua falta para arrumar tudo –ia dizendo a jovem, quando Theodore a fez se levantar e segurou-a pela cintura com firmeza.

-Senti falta disso também - ela disse, com um brilho nos olhos e voz rouca.

Eles beijaram-se longamente. Theodore acariciava os cabelos de Luna e ela fazia o mesmo com ele.

Ele a fez deitar-se delicadamente e então, já junto a ela, encarou-a: "Eu te amo demais, sabia?"

-Não mais do que eu...

-Cheguei a pensar que nunca ficaríamos juntos outra vez. Parece um sonho!

-Então, faça virar realidade...

E se beijaram com mais intensidade, mais paixão. Theodore afastava os cabelos do rosto da amada, querendo gravar na memória aquele olhar e o sorriso cheio de significados, enquanto ela acariciava seu rosto.

-Você é minha - sussurrou.

-Para sempre- ela respondeu.

Ele começou a beijar o corpo de Luna, acariciando-o de forma quase ansiosa. Ela percebia que o toque dele estava meio desajeitado, meio afobado, mas tentando manter a gentileza. Era como se tivesse desacostumado a gestos tão delicados. Mas o amor é uma linguagem universal... Logo ele relembrou o ritmo certo e cada toque lembrava os momentos vividos em tempos passados. Parecia que aqueles anos em que estiveram separados nunca tinham acontecido.

E assim viveram aquele momento tão esperado, depois de três anos de separação. Eram um só agora. Não havia nada lá fora que pudesse mudar isso.

Quando Luna adormeceu em seus braços, Theodore passou longos momentos admirando seu rosto sereno. A mais bonita que ele conhecia. A única que ele desejava. Aquela que ele amava. A sua Luna. Ao lado dela, sentia-se seguro e forte para enfrentar qualquer coisa que surgisse. Ela era o seu porto seguro.

Com este pensamento, beijou com leveza o seu rosto. Depois, esticou o braço até o abajur e apagou a luz.


N/A.: Olá pessoas!

Saudades de vocês e de receber rewiews...Pensei que ficariam curiosos pra saber o final de PUFF,mas nem ficaram...

De qualquer modo,aí está o penúltimo capítulo e eu quero agradecer a cada um que leu,comentou,betou,incentivou...

A fic tá acabando e eu já tô com saudades...

Enfim...Leiam e comentem, please!!!

E um agradecimento especial a Lucy Charlotte ,você não sabe o quanto seus incentivos me põem pra cima!!!

Pessoas,estão no ar o trailer e o primeiro capítulo da minha nova fic, "Renegado".Ela trata do relacionamento do Scorpius Malfoy com o pai,Draco. Quem gosta de angst,vai lá ver!Quem fez o trailer foi a Lucy!Ficou lindo,vejam lá!

Well...Por hoje é só.Beijos mil!!!!

E reviews!!!!