Capitulo 20
- Papá recebemos um convite para jantar - gritou Bela quando leu a carta que tinham acabado de receber.
- Onde? – perguntou Elisabeth de imediato.
- Fleur – respondeu Bela a sorrir, e Elisabeth sabia bem o motivo daquele sorriso.
Xavier nem teve o direito de decidir se iriam ou não, Bela já tinha a pena não mão e escrevia a resposta que Elisabeth lhe ditava. Ambas sabiam que era ridículo perguntar ao pai a resposta a um convite que viesse da parte da família Weasley.
Bill recebeu-os com um enorme sorriso quando abriu a porta, depois de abraça-los um a um seguiram para a sala. Os convidados sorriam, sabia bem estar com os amigos sem estar a viver juntos 24 horas por dia. Os Weasleys sempre foram dedicados e amáveis e nunca mostraram sinais de cansaço, mas era fácil de calcular para os três que Bill e Fleur se sentissem aliviados. Ron surgiu vindo das escadas, Bela teve pena dele, parecia um morto-vivo extremamente infeliz.
Fleur saiu da cozinha e abraçou todos sorrindo .
- Que bom que vieram! – exclamou Fleur.
Bela varreu a sala com o olhar, onde se teriam metido os gémeos?
- Bela cherrie preciso da tua opinião aqui numa coisa – pediu Fleur arrastando-a pelo braço as escadas acima ficando no corredor.
- Não querias a minha opinião?
- Non, eu quero falar contigo – afirmou Fleur com um olhar duro. – Tu e o George, bem, eu sei que são maiores de idade mas eu não aprovo.
- Não aprovas o que? – perguntou Bela tentando passar por despercebida.
- Cherie não me compreendas mal mas tu sabes que provavelmente as circunstancias não são as melhores. Eu bem via a tua cara quando recebeste as cartas e como olhaste em volta quando chegaste.
- Fleur…
- Não, não me tentes deitar areia para os olhos que não sou parva. Por favor não te iludas não faças asneiras, não faças nada do que te possas arrepender. George e tu….
- Fleur eu não sei onde foste buscar a ideia disso, entre mim e George não se passa nada.
Fleur olhou para ela arqueando as sobrancelhas num ar de que não acreditava nem numa única palavra. – Não precisas de me mentir.
- Fleur eu não te estou a mentir – disse Bela muito séria, e entre ela e George não se passava nada, pelo menos por enquanto, por isso ela não estava a mentir a Fleur. A última coisa que ela queria fazer era ter que mentir-lhe.
Fleur voltou a intimidá-la com aquele olhar, mas resignou-se e desceu as escadas.
Bela ficou a pensar e sentiu uma pequenina voz que a acusava de ser ingrata para com Fleur, ignorando a voz Bela desceu as escadas.
- Credo, está tanto frio nesta terra – queixou-se Fred entrando no hall.
George seguiu-o, calado.
- Se não te animas levas já um soco…
- Rapazes… - gritou Bela acabando de descer as escadas – estava ver que nunca mais chegáveis – continuou ela, abraçou-os e sorriu para ambos.
George rapidamente se largou do abraço de Bela, ela olhou-o admirada mas ele baixou a cara fugindo para sala.
- Ele já anima – disse Fred quando apenas ele e ela ficaram no hall e fazendo-lhe cócegas arrancou-lhe risos.
Ao jantar, apesar de ninguém dizer uma palavra, estavam todos parvos com a atitude de George, excepto o próprio e Ron. Ron não o estava porque finalmente alguém lhe fazia companhia nos seus longos silêncios. Era exactamente o silêncio de George que punha todos em tal admiração, surpreendentemente George não participava na conversa incessante que Bela, Fred e Elisabeth mantinham.
Fred contava os seus feitos quando fora ao Egipto com a família: - … e havia um cobra assim – contou Fred abrindo os braços.
Bela deu um gritinho e apenas exclamou – que horror…!
Todos à volta da mesa riram à gargalhada, e Fleur até se assustou como grito dela, todos menos George que continuava a olhar o prato inexpressivamente. Bela levantou-se com as lágrimas nos olhos, não sabia porque é que as lágrimas lhe enevoavam a vista. Entrou na casa de banho e sentou-se no tampo a chorar. Porque estava ele a reagir daquela forma? Porque? Tinha lhe escrito cartas tão cheias e agora era aquele enorme vazio. Tinha lhe dito aqueles palavras e agora era silêncio, silêncio. Porque? Levantou-se e olhou-se ao espelho. Tinha os olhos vermelhos, tentou parar de chorar e passou água fria pela cara, esperou que a vermelhidão dos olhos passasse ligeiramente e saiu. Sentou-se em silencio à mesa e apenas e Fred reparou lançando de seguida um olhar reprovador ao irmão.
- Então Elisabeth, a tua morte como vai? – perguntou Fred.
- Acho que está a ser melhor do que seria em Azkaban – respondeu Elisabeth, bem-humorada.
- Sim - apoiou Bela rindo – isso de certeza.
- Não vos fartais de estar sempre em casa? – perguntou Fred.
- Que remédio temos nós - perguntou Bela parecendo ter se já resignado.
- Além disso, estou morta – relembrou Elisabeth sensatamente – não convém passear pelas ruas.
- Sei lá, podíeis usar polissuco, que me lembre já o fizestes antes – disse Fred com os olhos a brilhar de desafio. Sem resposta de ambas subiu mais um degrau, na sua carinhosa provocação – nunca pensei que a Bates baixasse assim os braços.
Elisabeth mexeu-se ligeiramente na cadeira. Fred esperou ver o brilho do desafio ou alguma réstia de orgulho nos olhos dela mas apenas recebeu um olhar melancólico que lhe causou um ligeiro arrependimento por tê-la picado daquela maneira.
- Não lhes metas macacos na cabeça Fred – repreendeu Xavier.
No fim do jantar George levantou-se subitamente puxando pelo irmão e pelas gémeas.
- Vamos passear à beira mar .
- Isso não é arriscado? – perguntou Xavier alarmado.
- A praia está protegida - assegurou Bill sorrindo, enquanto que os quatro desapreciam pela porta.
Desceram para a praia em silêncio. Quando lá chegaram, apesar do frio, Bela descalçou-se. Afastou-se do grupo e molhou os pés, George vendo-a seguiu-a.
- Recebi as tuas cartas – disse Bela virando-se tão subitamente que George se assustou.
- Incomodaram-te? - perguntou numa voz tão calma que se espantou a ele mesmo.
- Não – respondeu Bela, virou as costas e olhou o mar. – A lua está bonita…
George olhou-a de lado vendo apenas o seu perfil. As únicas luzes eram a lua e a luminosidade que vinha da casa das conchas mas mesmo assim, com tão pouca luz, conseguiu ver lágrimas rolar pela face de Bela.
Bela virou-se para ele e viu que George não se sentiu à vontade.
– Eu não reagi, mas foi do choque – confessou encarando-o nos olhos – eu fiquei em choque, eu nunca quis ver mais além… bem, tenho sido uma parva. Quando hoje à noite te vir reagir assim pensei que tivesses arrependido do que me disseste… – continuou aproximando-se inconscientemente de George.
- Não me arrependi…- respondeu George aproximando-se dos lábios de Bela.
Ouviram um grito e os dois largaram-se procurando a fonte do barulho. Deram com Fred a fugir da água, enquanto que Elisabeth, com água pelos tornozelos lançava alguns feitiços à agua e berrando com George ao mesmo tempo por ser tão pouco homem.
- Pelas barbas de merlim eram apenas alguns demónios aquáticos não te iam comer! – gritou Elisabeth ainda chocada com a reacção infantil que Fred tivera.
Fred olhou para o chão parecendo envergonhado enquanto que Elisabeth, ainda a fazer caretas, secava as calças e as mangas da camisola, que se tinham molhado. Pelo caminho George ainda se ria do irmão e Elisabeth de imediato puxou pela irmã.
- Então?
- Então? Acho que evoluíram – disse Bela e riu discretamente.
Bela vestiu-se e desceu as escadas onde o pai a esperava na cozinha.
- A tua irmã?
- A dormir.
- Está bem, eu vou só sair durante a manhã, volto para o almoço.
Bela encolheu os ombros e dedicou-se às torradas. Mal deu pela porta a fechar quando já batiam. De que se teria o pai esquecido? Abriu e de imediato recebeu um beijo de George.
- Foste rápido – disse Bela e riu.
- Estava à coca atrás dos arbustos – explicou George, e a expressão dele revelou que tinha consciência da infantilidade.
- Não somos propriamente Romeu e Julieta para estares à coca do meu pai sair – disse Bela bem disposta.
- Ai não? Duvides que o meu amor seja tão forte como o de Romeu.
Bela sentiu-se intimidada com aquelas palavras, e engoliu em seco vendo George a aproximar-se dela. Ele agarrou-lhe a cintura e ela arrebatada lançou as mãos ao pescoço dele.
- Nunca gostei do Romeu – confessou Bela.
- Porque?
- Se eu morresse, fazia questão que continuasses com a tua vida que seguisses o teu dever tal como Tristão, sempre preferi o Tristão e Isolda, muito menos cliché – acabou Bela por dizer com um sorriso forçado nos lábios.
- Mas tens que ter em conta as razoes de Romeu, qual seria a piada da vida sem Julieta? – contrariou George.
Bela, afastou-se e virou a cara com as lágrimas nos olhos. Pareceu lembrar-se do quão era fácil acabar com as suas vidas, estavam em plena guerra e George fazia parte da Ordem.
George pareceu compreendê-la e os seus medos, agarrou-se a ela com mais força. Lembrou-se do quão curta era a vida e do quão vulneráveis à desgraça eram os seus corpos, mas não podiam pensar nisso.
- Tenho que ir – despediu-se George beijando as lágrimas de Bela.
- O que se passa? – perguntou Elisabeth preocupada e admirada por encontrar a irmã a chorar.
- Nada, nada – mentiu Bela limpando as lágrimas com a manga da camisola.
- Sabes perfeitamente, e se não sabes devias, que comigo podes sempre falar – disse Elisabeth parecendo séria mas com um sorriso caloroso nos lábios.
- E se George morrer?
Elisabeth parou, porque é que Bela se havia de lembra daquilo? Ela devia estar feliz, aos pulos, a sonhar com borboletas, ela estava com George, não devia preocupar-se com pensamentos negativos.
- Ele faz parte da Ordem, e eles abusam, eu sei que eles abusam, Mrs Weasley queixava-se sempre que eles gostavam de pisar o risco... E se lhe acontecer algo? – perguntou Bela.
- Oh Bela, eu compreendo-te, mas não deves pensar nisso. A Ordem protege-os e eles são muito melhores feiticeiros do que possas pensar. Para os Devoradores devem ser autênticos quebra nozes, não te preocupes com ele, não lhe há-de acontecer nada – assegurou Elisabeth.
- Tens razão… - concordou Bela limpando as mangas.
- Eu também me sinto assim – confessou Elisabeth – penso sempre neles, no meu primo, em Blaise, na minha prima, se eles falharem… - mas não acabou a frase e respirou fundo tentando abstrair-se daqueles pensamentos.
Bela sorriu e pegou não mão de Elisabeth - só espero que esta guerra acabe e depressa, quero estar com George sem medo e quero conhecer o primos, a tia e o teu Blaise.
- Não me parece.
Bela olhou-a surpreendia, ela não tencionava voltar para Blaise e Draco?
- Já mudei o meu nome, já não existo, não tenciono de todo voltar para Blaise e para a minha família – explicou Elisabeth parecendo adivinhar os pensamentos da irmã.
- Mas eu pensava que amavas Blaise.
- E amo, mas para ser sincera ate lá ele pode encontrar outra pessoa ou… - mas Elisabeth não acabou a frase e concluiu – pode já não fazer sentido existirmos um para o outro.
- Há-de acabar tudo bem – finalizou Bela abraçando a gémea.
- Vamos mas é treinar os teus feitiços – disse Elisabeth e empurrou suavemente a irmã.
Bela estava quase a dormir quando sentiu algo a bater no seu vidro. Meia adormecida levantou-se e abriu a janela retirando a carta à coruja que a despertara.
Minha cara amiga
Já me foi contado em primeira pessoa sobre ti e a pessoa em questão. Fico feliz por ainda haver amor neste mundo, eu torço por vos
Beijinhos, Ginny.
Bela ficou meio minuto a olhar para carta. Que Ginny se pronunciasse era ultima coisa que imaginava. E já que estava acordada aproveitou e escreveu uma carta de resposta, e outra para George.
George acabei de receber uma carta da tua irmã. Não sabia que já lhe tinhas contado, mas sendo Ginny não me importo. O meu pai ainda está na ignorância, terei que lhe contar. Por outro lado, a minha vida já é um cativeiro, não quero estar em cativeiro também em relação a ti.
Bela
Bela teve que esperar a semana inteira para voltar a ver George. O pai tinha organizado um jantar nesse sábado e apenas aí é que conseguia estar com George. Todos iam a casa, desde Mrs. Weasley até Lupin.
Bela e Elisabeth estavam a decorar a mesa quando tocaram à porta. Elisabeth abriu e os gémeos entraram. George olhou em volta e descobriu Bela a decorar a mesa.
- Ajuda? – perguntou George aproximando-se dela.
- Sim tu ajuda aí, e tu Fred vem comigo para a cozinha, depressa – ordenou Elisabeth puxando pela manga de Fred para dar espaço a irmã.
- Parece que és burro… - ouviu Bela Elisabeth a resmungar quando entraram na cozinha o que a obrigou a rir, a amizade que se estava a estabelecer entre ela e Fred era deliciosa, sempre a ridicularizarem-se um ao outro.
- E agora falando em nós – sussurrou George ao ouvido de Bela o que lhe provocou arrepios pela espinha acima.
- Sim o que temos nós? – perguntou Bela virando-se e abraçando-o.
- O Bill já sabe.
- O quê? – perguntou Bela assustada largando-o de repente.
- Perante a desconfiança de Fleur veio ter comigo e pediu explicações – contou George – eu disse lhe que sim, não vale a pena mentir, pelo menos eu penso isso, não é vergonha nenhuma…
- Não, não é – interrompeu-o Bela pondo-lhe o dedo à frente dos lábios – mas eu tenho medo da reacção do meu pai.
- Não te preocupes – disse George confortando-a – eu cuido de ti.
Noutras circunstâncias Bela ter-se-ia rido de tais palavras, não pelo facto de George a proteger, isso toda gente a protegia, mas a intenção daquelas palavras. Porém, vindo da boca de Geroge, ficou realmente reconfortada e beijou os lábios dele. Nesse momento entraram Elisabeth e Fred.
- Ups, … - exclamou Fred dando meia volta.
Os dois saíram a rir. Bela e George largaram-se começando também a rir.
Bateram a porta e bela foi abrir. Tonks e Lupin entraram. E tinha uma briga enorme, já devia estar nos últimos tempos e Lupin sorria parecendo não caber em si de felicidade.
- Eu pensei que fosse mesmo verdade – disse Tonks sorrindo ao ver Elisabeth – mas depois falei com Molly e ela logo me assegurou que estavas viva e de boa saúde.
- Elisabeth é dura de roer – disse Bela.
- Sois as duas – observou Fred, quase descaindo-se se não fosse a não de Elisabeth a voar na direcção da sua cabeça e travando a breves milímetros.
- E o teu pai? – perguntou Lupin a Bela.
Bela suspirou e encolheu os ombros – lembrou-se que não tinha pepinos - e nesse preciso momento a porta abriu-se e Xavier entrou.
- Ui tanta gente – exclamou Xavier sorrindo.
- E o senhor Xavier à procura de pepinos – reclamou Bela tirando o saco das mãos do pai, e depositou-o na cozinha sendo seguida dos gémeos e da irmã.
- Quando é que tencionas contar ao pai? – perguntou Elisabeth parecendo preocupada.
- Sei lá, quando surgir a oportunidade – desculpou-se Bela.
Entretanto apareceram todos. Fleur parecia suspeitar de tudo e prestava-lhes toda a atenção, Mrs Weasley abraçou a duas lambuzando-as de beijos carinhosos... O serão foi tranquilo e passou sem incidentes. Acabaram o jantar com uísque de fogo, no qual Bela se estreou jurando que nunca mais, e aí ela pediu a Fleur para falar em particular.
- Fleur tenho algo que quero contar-te.
- Oui?
- A pergunta que me fizeste no outro dia…
- Ah, mas eu sabia, tu e George afinal, e porque me mentiste?
- Eu não te menti – defendeu-se Bela - tu não perguntaste nada, e sim na altura eu gostava dele mas ele não sabia, só eu e que sabia que ele gostava de mim. Bem, passando à frente – continuou ao ver a cara de Fleur – é verdade sim que gosto do George, e não é nada do que tu disseste Fleur. Eu gosto mesmo dele.
A expressão de Fleur pareceu amainar perante a sinceridade da rapariga. – bom cherie tal como te disse sois maiores, mas tem cuidado sim?
- A que te referes?
- Oh, sê responsável tu sabes…
- Por quem me tomas Fleur? Eu não sou burra.
A expressão determinada de Bela pareceu acalmá-la ainda mais.
- Sabem que mais? – disse o pai olhando a cozinha depois de todos terem saído – a louça fica para amanhã, eu quero é dormir.
