Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XX
Existirá conexão?

Com certa dificuldade Aoi sentou-se, encostando-se na parede também feita de pedra rústica. Assim que os olhos negros se acostumaram à penumbra que o cercava conseguiu reconhecer o local onde estava.

Esqueceu-se do frio e da sensação ruim de suas roupas estarem molhadas.

Tudo que ele sentiu foi o medo.

A luz prateada da lua atravessava o teto irregular revelando que Yuu estava numa espécie de caverna. Um grosso paredão de pedra era ladeado por grades de um material que o japonês não pôde identificar.

O solo, também irregular, era coberto por uma camada de água fria e escura. O silêncio era tal, que trazia uma sensação de agonia e solidão incomparável.

O moreno lembrava-se vagamente de estar no apartamento com Uruha. Então a chegada de duas pessoas desconhecidas, de modo tempestuoso. Bruxos...

E depois disso vinha um grande vazio. Ele simplesmente acordara naquele local. Estaria sozinho?

O pensamento assustou ainda mais o guitarrista. Ele levantou-se, sentindo as roupas molhadas colarem ao corpo. Tremeu de frio, mas ignorou valentemente o desconforto. Foi para a grade da frente da cela. Testou as barras descobrindo-as firmemente presas no lugar, então tentou ver algo pelo vão, mas foi impossível, deduziu que observava uma espécie de corredor. Provavelmente ligando mais celas como aquela em que estava preso.

– Kou? – sussurrou.

Esperou por alguns segundos sem obter resposta. Seguiu em direção as grades do lado direito. Segurou-as com firmeza, repetindo a atitude inútil de testar as barras e tentar espiar. Conseguiu ver o bastante para entender que era uma cela parecida com a sua. Mas, aparentemente, estava vazia. Engolindo em seco, voltou a chamar baixinho:

– Kouyou?

Novamente teve apenas o silêncio como resposta. Seu coração se partiu em dois, sofrendo com os sentimentos antagônicos que o dominaram: por um lado ficou feliz, aliviado. Seria terrível que o loiro estivesse preso ali também.

Por outro lado, estar solitário ali, era aterrorizante...

Mentira. Não estava completamente sozinho.

Yuu levou as duas mãos ao ventre tocando com cuidado. A inquestionável gestação ainda não era gritante, mas os contornos da barriga já se tornavam salientes. Perfeitamente normal, como dissera Madame Pomfrey no último pré-natal.

Nesse ponto o moreno sentiu um aperto na garganta.

Não devia ficar feliz de ter consigo uma criança inocente, estando ambos presos em um lugar frio e abandonado, sem saber o motivo, sem ter um rosto conhecido ou mesmo alguém que pudesse dar respostas as suas dúvidas.

Passou as mãos pelo rosto respirando fundo. Resolveu dar uma olhada através das grades da esquerda. Sua intuição lhe dizia que Kouyou não estava ali, mas precisava fazer alguma coisa!

Aproximou-se das grades, segurando-as. Entreabriu os lábios para chamar o amante, então as palavras morreram nos lábios cheios. Os olhos enviesados se arregalaram e Yuu voltou dois passos para trás.

Na cela daquele lado, estava uma estranha criatura. Um ser metade mulher, metade peixe, algo que lembrava uma sereia das fábulas, mas impressionantemente mais animalesco. A criatura tinha escamas por todo seu corpo ao invés de pele, e não apenas pela longa cauda de peixe, cujo reflexo da luz da lua dava tons azulados. Nadadeiras ligavam os dedos longos e finos. Os cabelos não eram como cabelo humano, pareciam feito de algum tipo de alga marinha amarelada. Os olhos escuros eram fundos, pareciam vazados; combinando de forma sinistra com os lábios fendidos.

O medo fez Yuu perder toda a ação. Sem duvida tratava-se de um ser mágico. Mas seria perigoso? Tinha poderes? Aquilo atacaria em algum momento? Não ter respostas para essas perguntas fez com que o guitarrista tivesse vontade de retornar até o canto mais afastado da cela e encolher-se lá, buscando algum tipo de proteção.

Porém o bom senso venceu. Ele conseguiu suprimir o medo e pensar racionalmente. Se aquela criatura estava presa, era tão vitima quanto ele. Aproximou-se um passo. Percebeu que o ser voltava a cabeça em sua direção, mirando-o com os olhos sombrios.

Shiroyama reconheceu naquela face inumana o mesmo medo que sentia dentro de si. A criatura o temia, parecia assustada, desprotegida.

Deu mais um passo vendo-a encolher-se de leve. Yuu teve certeza de que a prisioneira da outra cela o temia tanto quanto ele a temia. Ousou aproximar-se de vez, segurando nas grades de ferro:

– Você pode me entender? – perguntou em tom de voz baixo, cauteloso.

A criatura olhou de volta e não respondeu. Havia tanta intensidade naquela mirada, que Yuu quase se encolheu. Passou a língua pelos lábios e abaixou-se devagar, ficando quase da altura daquele ser, encostado de forma precária contra a parede de pedra.

– Acho que não. – voltou a murmurar.

Um som igualmente baixo quebrou o silêncio da caverna. Impressionado, o japonês percebeu que o som viera da "sereia". Lembrava muito o som emitido pelos golfinhos. Ambos se encararam por alguns segundos.

Shiroyama só quebrou o contato dos olhos ao vê-la estremecendo. Não parecia ser de frio. Logo compreendeu a causa do sofrimento daquela criatura. Ela parecia um ser marítimo. E a água que incomodava Yuu não parecia ser suficiente para aquilo. Observando mais detalhadamente podia-se perceber que as escamas azuladas estavam com uma aparência muito feia, ressecadas.

– Você não está bem! – exclamou em tom mais alto.

Ignorando totalmente a própria situação, o japonês foi dominado por uma esmagadora sensação de piedade. Quanto tempo a pobre criatura estaria sofrendo ali, desidratando lentamente? Mesmo que não fosse do seu mundo, e sim um ser mágico, ainda assim era uma criatura viva que respirava e sentia. Que sofria.

Por puro instinto Yuu juntou as mãos em concha e levou-as a água escura e fria, enchendo os dedos esguios com aquele liquido. Sem pensar duas vezes arremessou com força calculada, conseguindo acertar a cauda da "sereia".

Ignorou o ar surpreso que ela apresentou. Repetiu o movimento por duas, três, várias e consecutivas vezes, conseguindo a cada instante umedecer ainda mais as escamas.

– É o que posso fazer...

Continuou jogando água até sentir os braços doerem. Então parou para observar o resultado do seu esforço. Foi impossível conter o leve sorriso. Conseguira molhar praticamente toda a longa cauda e parte do tórax daquela estranha criatura. Era evidente o alivio na face animalesca.

Percebeu que ela entreabria os lábios e deixava a voz de golfinho quebrar o silêncio da cela. Foi um som leve, gentil. Yuu traduziu como uma espécie de "muito obrigado".

Foi então que passos ecoaram no corredor.

UxA – HxD

Enervate. – Draco apontou a varinha para Uruha, fazendo o loiro despertar de seu sono induzido pela magia.

O loiro abriu os olhos inchados e vermelhos, sentando-se na cama. O sofrimento estava visível em cada parte de seu rosto:

– Yuu...? – olhou em volta sabendo que não encontraria o amante por ali.

Draco apertou os lábios. Se tinha algo que conhecia bem era a sensação terrível de perder alguém amado. Aprendera isso durante os longos anos de guerra. Anos em que assistira amigos perecer, seu pai ser levado pra longe da família...

Por tal motivo sabia que não havia palavras fortes o bastante para consolar aquele japonês num momento tão triste. Pra piorar tudo tinha consciência de que era culpado por trazer magia para a vida dos músicos.

Harry respirou fundo, também experiente na arte de sofrer a perda de pessoas próximas e importantes. Aproximou-se da cama e sentou-se sobre o colchão.

– Takashima... – chamou esperando ter a atenção do loiro para continuar – Realmente sentimos muito por tudo o que está acontecendo. Mas não vamos perder tempo lamentando.

– Cada segundo pode ser fundamental. – Draco completou.

– Tem uma magia que eu uso muito. É um jeito de ler a sua mente. – Potter continuou – Acho que posso pegar fragmentos importantes do que aconteceu. Se tiver o seu consentimento pode ser ainda mais fácil e rápido.

– Talvez Harry conheça os bruxos que levaram Shiroyama. E mesmo que ele não conheça (afinal ele é Auror e conhece muita gente), pode usar as imagens na pensei e levar para o Departamento.

Uruha olhou de um para o outro ruminando no que fora dito.

– Vocês vão trazê-los de volta? Aoi e nosso filho?

Ao responder, Harry tentou passar o máximo de segurança que conseguiu:

– Juro que faremos todo o possível. Permite que eu leia sua mente?

– Claro. – Kouyou soou um tanto abatido.

O Gryffindor começou a se concentrar. Ler a mente de outra pessoa não era simplesmente fácil como na ficção e desenhos animados. Era preciso concentração e muito treino. E só por ter se aperfeiçoado exaustivamente, tinha conseguido tanta prática em executar aquela magia.

Malfoy sentiu o movimento de leves ondas mágicas pelo ambiente. Algo sutil, suave. Se não tivesse tanta acuidade com os Modernos, provavelmente não notaria.

Uma exclamação surpresa escapou dos lábios do Garoto Que Venceu. Os outros dois homens voltaram sua atenção para Harry, que tirou o óculos do rosto e massageou a fronte direita. Draco ficou preocupado:

– Aconteceu alguma coisa? Deu errado?

– Deu certo. Vi um flash do seqüestro de Shiroyama.

– Reconheceu aqueles dois bruxos? – Uruha segurou o lençol com força. Da resposta de Harry dependia duas vidas preciosas para o guitarrista.

– Sim. – o inglês moreno respondeu. Lançou um olhar significativo para Draco. – Reconheci ambos.

– E quem eram? – o Slytheryn soou impaciente.

– Os Lestrange. – Potter revelou num tom cansado.

– Tia Bella? – o loiro arregalou os olhos diante da revelação. De todas as notícias ruins que esperava, aquela era a pior de todas. Tão ruim que Draco acabou indo sentar-se na cama ao lado do marido.

– Bellatrix. – Harry não fez questão alguma de esconder a raiva e o rancor. Odiava aquela mulher insana e cruel.

– Isso é ruim? – Uruha indagou com medo da expressão pesada que endurecera a face até então calma de Harry Potter.

Nem Draco nem Harry responderam a questão. Os dois sabiam que Takashima não gostaria de saber a verdade. Ou melhor, não estava preparado para encarar a verdade. Pensando bem, era incrível que o japonês de cabelos loiros estivesse vivo ainda. Poucas eram as criaturas que escapavam ilesas de um confronto direto com aquela mulher horrível.

– Eles estão envolvidos no caso dos sumiços, não estão? – Malfoy mirou seu marido.

– Hn. Eles ajudaram a roubar todas as criaturas, desde o Unicornio Prateado até mesmo a rainha dos Sereianos.

– Harry, estamos na época da Lua de Avalon. Tia Bella parece estar reunindo elementos bem incomuns, não acha?

O moreno voltou os olhos para Draco:

– Elementos? Para um poção?

– Não sei. Uma poção, um encantamento ou ritual. Tem muita coisa rara sendo roubada.

– Parem de falar assim. – Uruha soou amargo – "Coisa". Yuu não é um objeto! Ele é uma pessoa, e eu o quero de volta!

– Nós vamos trazê-lo de volta, Takashima. – Harry garantiu – Com toda certeza que Merlin pode nos dar. Esses casos todos estão conectados. Não são seqüestros aleatórios.

– Vou procurar nos livros de magia negra. – Draco afirmou – Algum ritual ou poção rara que envolvam tudo o que está sendo seqüestrado.

Harry concordou com a cabeça. Ele já fazia planos de voltar a Londres e contar tudo para Hermione. Cada segundo poderia ser fatal. E o mais importante de tudo: o caso ShimaShiro deixara de ser secundário e passara a ter tanta prioridade quanto os outros roubos. O Ministério não podia negar isso.

Ou seja, teriam que revelar sobre a Poção do Bom Parto e tudo o que acontecera desde aquela maldita noite.

Continua...

11/02/2011

Notas por Felton Blackthorn

Fiz questão de fazer esse capítulo praticamente sozinho. Estou tentando melhorar a caracterização dos músicos, porque eles não são minha especialidade.

Os planos eram terminar numa cena na caverna, com a Bellatrix encarando suas vítimas, mas a Kaline acha melhor deixar pro próximo e fazer os leitores sofrerem um pouco mais...