Capítulo XX


23 de Julho de 1940

Foi ideia de Sirius usar a Mansão Potter para esconder Remus, Gwen, Lucy e Lily. Afinal todos os quatro eram agora alvos da quadrilha de Tom Riddle e a mansão não era um lugar que alguém pensaria em procurá-los.

Antes de qualquer coisa Lucy explicou para Lily e para Gwen o porquê de ter pedido que Remus fingisse amnésia. No início Gwenda ficou histérica gritando que eles não tinham o direito de fazê-la sofrer tanto à toa. Mas quando ficou mais calma teve que admitir, a contragosto, que se não fosse por isso os comparsas de Riddle já teriam executado Remus no mesmo dia que ele acordou se o garoto se recusasse a contar onde estava escondido o dossiê.

Afinal acabou concordando em deixar a discussão para mais tarde, mas se manteve calada e um pouco arisca tanto com Lucy quanto com Remus.

Estavam todos sentados em volta da mesa de jantar quando Lucy contou sobre sua experiência em Mermaid Gardens e como foi salva por Sirius.

- Então Rosier confessou o roubo da arma química, e o assassinato do Bob? – Lily perguntou.

- Sim, e também admitiu a cumplicidade do Dolohov, o segurança que você desconfiava ter facilitado a entrada.

- Isso é ótimo! Já podemos tirar pelo menos um crime das costas do James. – Comentou a ruiva.

Lucy mordeu o canto dos lábios.

- Lis... O Snape nunca vai aceitar o meu depoimento. Vai dizer que eu estou inventando coisa, que nunca estive em reunião nenhuma, e que eu estou mentindo para dar crédito à sua teoria de que foi Rosier quem matou o Bob.

Lily sentiu seu bom humor minguar.

- É verdade. – Admitiu a contragosto.

- Você não ia levar um gravador para registrar o que ouvisse na reunião? – Gwen lembrou a loirinha.

- Levei, mas o gravador deve ter sido destruído quando eles me capturaram. – Explicou Lucy antes de abocanhar um pedaço de sua maçã.

- Então você já sabia que Rosier tinha roubado a arma química? – Sirius perguntou.

- Tive que fazer só um resumo das coisas para o Sirius, Lis. Não tinha tempo para contar tudo. – Lucy explicou.

- Sim, Black. – Lily respondeu. – Primeiro eu descobri que a única maneira de alguém ter roubado a arma química era ter a entrada facilitada por um dos seguranças. Investiguei os dois seguranças e descobri que um deles estava há pouco tempo na função porque o vigia anterior tinha morrido sob circunstancias bastante suspeitas. Na noite do roubo, uma moça foi atropelada quase na frente do prédio e o vigia mais antigo deixou seu posto por uns poucos segundos para observar o acidente. Imagino que foi uma distração causada premeditadamente para que o ladrão entrasse no prédio com o consentimento do outro vigia. Dolohov é esse outro vigia e desapareceu misteriosamente quando a Yard começou a pressioná-lo por respostas.

Lily folheou sua agenda e parou em uma página que tinha como título a palavra 'Bob'.

- Dia nove de junho estávamos almoçando no apartamento da Gwen quando o Bob me ligou próximo a hora do almoço. Disse que precisava me contar algumas coisas que tinha descoberto sobre os roubos e que também tinha algumas pistas sobre o 'ídolo' da Lucy, Jean Pierrô.

A ruiva fez uma pequena pausa. Ainda era difícil falar sobre Bob.

- Ele fez a ligação de uma cabine telefônica que fica em frente à charutaria, que agora sabemos, é uma das bases de operações da quadrilha de Tom Riddle. Naquela mesma tarde ele recebeu das mãos de um senhor de idade uma caixa de bombons com um bilhete meu pedindo que não vá me ver naquela noite, mas que pense em mim enquanto come os chocolates.

- E cada chocolate tinha uma dose mortal de droga. – Gwen comentou.

- Então Bob foi impedido para sempre de me contar o que sabia. – Falou Lily. – Isso significa que o autor de um dos roubos que o Bob investigava escutou a conversa. Sabíamos que Pierrô tinha roubado a Coroa de Henrique VI porque ele deixou uma mensagem codificada na cena do roubo. E sabíamos que outra pessoa tinha entrado no departamento de bioquímica para roubar a arma letal.

- Porque o próprio Pierrô não podia ter roubado também a arma química? – Remus perguntou.

- Não é o estilo de roubo dele. – Explicou Lucy. – Ele trabalha sozinho e nunca matou ninguém. E o roubo da arma química teve primeiro a morte de um dos seguranças, depois outro segurança foi colocado no lugar para facilitar a entrada do ladrão. E teve ainda mais duas pessoas envolvidas: a moça atropelada e a pessoa que a atropelou.

- Parece que conhece Pierrô como a palma da sua mão... – Sirius comentou em tom ciumento.

- Quem me dera... Se fosse assim, ele já estaria preso há muito tempo.

- Bem, para saber quem escutou a conversa do Bob comigo e o matou, Lucy e eu tiramos algumas fotos de todas as pessoas que eu considerava suspeitas, inclusive de você, Black.

- Fotos minhas? Por quê? – Sirius parecia surpreso. – Pelo o que me lembro esse dia da ligação do Bob James e eu estávamos no apartamento da Gwen junto com vocês!

- Ainda assim, vocês ouviram quando eu contei para a Lucy sobre a ligação do Bob e tinham a oportunidade de cometer o crime à noite.

O garoto tentou protestar, mas Gwenda o calou com um gesto das mãos.

- Deixa a Lis continuar?

- Eu mostrei essas fotos para alguns vizinhos que dizem ter visto o senhor que esteve fazendo entregas na casa do Bob aquela tarde e três deles reconheceram Evan Rosier. Concluí que Rosier não podia ser Pierrô, já que mantive o joalheiro sob vigilância constante no mesmo período que a Lucy me contou alguns casos do ídolo dela em Belgrado. Portanto, deduzi que Rosier era o outro ladrão, o ladrão da arma química.

- Muito bom detetive Evans! – Remus elogiou. – É por isso que sempre foi a detetive independente favorita da Yard.

- Minha perspicácia não ajudou muito nesse caso, já que o Snape se nega a aceitar toda essa explicação sem provas materiais.

- Já sabemos porque ele não te ouve. Pelo o que a Lucy descobriu, mesmo que Snape não seja um Schwarz Herz, faz favores para a quadrilha. – Sirius comentou.

- Pierrô pode ter sido contratado pelos S. Herz? – Gwenda perguntou para Lucy.

- Pode... – A loirinha respondeu cautelosa. – Mas acho que eu teria escutado eles comentarem alguma sobre isso na reunião antes de descobrirem que eu estava lá.

- Além disso, o dia que fomos à charutaria ouvimos quando Rosier reclamou que Pierrô tinha frustrado o 'anel de esmeralda'. – Sirius lembrou a loirinha.

- Verdade! Eles comentaram que o 'anel de safira' era o mais importante. Anel de safira agora sabemos que era o roubo da arma química. E no dia seguinte Lily me contou que Pierrô tinha assumido o roubo na Abadia, assim sendo a Coroa de Henrique VI era o anel de esmeralda.

- Então de qualquer forma os S. Herz pretendiam roubar a Coroa de Henrique VI, mas Pierrô frustrou os planos deles... Interessante. – Falou Remus.

- Talvez haja um traidor entre eles. – Comentou Gwenda. – Que achou divertido contratar Pierrô para se adiantar aos S. Herz.

- Ou Pierrô é um deles. – Lily sugeriu.

- São duas teorias válidas. – Concordou Lucy.

Os cinco jovens ficaram pensativos por um tempo e o silêncio só era quebrado pelo barulho de Lucy comendo sua maçã.

- Roubo da Coroa, Ok. – Murmurou Lily em voz alta enquanto rabiscava sua agenda. – Roubo da arma química, Ok. Morte do Bob, Ok.

- Outra pergunta sua que foi respondida é como o assassino do Bob podia saber da proximidade entre vocês dois a ponto de escrever aquele cartão pedindo que ele comesse os chocolates pensando em você. – Falou Lucy. – Eu tinha razão em suspeitar do Snape.

- Bem, você suspeitava do Snape pelos motivos errados, mas o que vale é que foi um palpite certeiro.

- Como sempre. – A loirinha sorriu orgulhosa.

- Toda essa conversa está muito interessante, mas ainda precisamos descobrir quem realmente matou Tom Riddle e os Potters para livrarmos o Pontas da prisão. – Falou Sirius.

Lily observou sua agenda por um tempo antes de responder.

- Eu sei quem matou Tom Riddle. Mas não consegui descobrir o motivo do crime.

- Sabe? – Remus perguntou. – Então porque não tira o James da prisão?

- Pelo mesmo motivo pelo qual não posso livrá-lo da acusação injusta de ter matado o Bob: minhas conclusões sem provas concretas não seriam aceitas pelo Snape.

Gwen levantou da mesa de repente.

- Vou fazer um suco para nós. – Falou a morena e saiu da sala de jantar.

Enquanto Lily fazia anotações em sua agenda e Remus observava com atenção os detalhes bordados da toalha de mesa, Sirius desenhou um coração num pedaço de papel e jogou na direção de Lucy.

A loirinha sorriu, desenhou do outro lado do papel um sapo mostrando a língua e devolveu a folha para o maroto.

- Sua insensível. – Ele comentou amassando o papel.

- Poxa... Meu desenho de sapo ficou tão fofo...

- Aquilo era um sapo? Parecia mais um papagaio!

- Papagaio? Você é louco? Papagaios têm asas sabia?

- E aquelas coisas do lado do corpo não eram asas?

- Não! Eram bracinhos!

Gwenda, que tinha voltado para a sala trazendo o suco, parou ao lado de Remus e reconheceu a discussão entre Lucy e Sirius.

- Isso te lembra alguma coisa? – Remus perguntou para a noiva que tinha um sorriso maroto no rosto.

- Era um dia perfeito... – Ela respondeu encarando Remus com ternura. Num segundo a morena tinha esquecido toda a raiva que estava do noivo por tê-la enganado fingindo amnésia.

- É, era um dia perfeito. – O garoto concordou.

Lucy e Sirius tinham parado a discussão para observar o casal.

- Sabe... Era um dragão Remmie. – Gwenda falou antes de sentar no colo do noivo e o beijar apaixonadamente.

- Hum, hum... – Sirius limpou a garganta quando achou que eles estavam exagerando na empolgação.

- O que foi? – A repórter perguntou se recompondo.

- Crianças no recinto. – Sirius respondeu e apontou para Lucy.

- Hei!

Antes que Lucy pudesse manifestar sua indignação, Lily chamou a atenção de todos para o trabalho que estavam fazendo ali.

- Temos que achar um modo de livrar o James da cadeia e colocar lá os verdadeiros criminosos. Mas preciso da colaboração de todos, e isso não vai ser possível se vocês dois começarem com discussão. – A ruiva apontou para Lucy e Sirius.

- Oh... – Lucy colocou a mão no peito. – Você fala como se Sirius e eu vivêssemos brigando, na verdade a gente se dá muito bem, ruiva.

- É... Tirando a parte que a sua amiga nega a corte que eu faço a ela... Nos damos super bem.

- Você não...

- Isso, não vem ao caso. – Lily interrompeu. – Vamos voltar ao trabalho?

Os dois deram de ombros concordando e voltaram a atenção para a ruiva.

- Podemos começar então com você nos contando quem matou Tom Riddle. – Falou Gwenda enquanto puxava finalmente sua cadeira para o lado de Remus.

- Então vamos revisar a minha lista de suspeitos... – A ruiva apontou para sua agenda já devidamente remarcada. – Apenas sete pessoas saíram da festa e tiveram a oportunidade de cometer o crime.

- Sirius Black e James Potter. Desapareceram do Salão de Festas cerca de quinze minutos antes do crime. – A ruiva pegou suas novas anotações. – James Potter estava no escritório de Tom procurando documentos e Sirius não me conta o que esteve fazendo depois de abrir a porta para o Potter.

- Eu já te falei: fiquei andando à toa esperando o sinal do Pontas para trancar a porta de volta.

Lily suspirou e anotou 'andando à toa' ao lado do nome de Sirius, afinal, sabia que o garoto não teria tempo para abrir a porta do escritório para James, matar Tom Riddle e voltar para trancar novamente a porta.

- Isso livra o Pontas e eu das suas suspeitas, não? – Sirius abriu seu melhor sorriso.

- Levando em conta que eu quero chegar a algum lugar com essa história, vou ter que acreditar na sua palavra e na do Potter. – Lily respondeu.

- Que ruivinha mais difícil!

- Quem mais? – Perguntou Gwenda antes que a discussão se prolongasse.

- Adam Black e Evan Rosier – Foram vistos pelo mordomo saindo para o jardim de inverno pouco antes do crime. – Lily fez uma pausa. – Se eles foram mesmo em direção ao jardim de inverno, não teriam tempo para cruzar a casa pelo lado de fora, subir ao quarto do Tom, cometer o crime e voltar para a festa pouco tempo depois de Bellatrix anunciar a morte do crápula. Mas a princípio eu os mantive na minha lista de suspeitos porque achei que o mordomo podia estar mentindo sobre a direção da saída deles para encobrir o crime. Mas depois que Sparks mudou completamente seu depoimento a fim de incriminar o James, percebi que sua primeira declaração era a verdadeira, já que quando mentiu falando que viu James subindo, inventou detalhes estapafúrdios para enfatizar sua história como, por exemplo, as manchas de sangue na roupa do James. Portanto acredito que Adam e Rosier foram mesmo ao jardim de inverno, e provavelmente para combinar detalhes do roubo que aconteceria dali a pouco. Então, os dois estão livres de suspeitas.

- Na morte de Tom Riddle. – Remus frisou.

- É... Na morte de Tom Riddle. Dorcas Meadowes era mais uma das suspeitas, não foi vista por ninguém na hora do crime. E só tinha sua própria palavra de que tinha subido para pegar um remédio. Mas quando o Potter foi preso ela marcou um horário comigo dizendo que ia contar o que sabia para salvar a vida de um inocente.

- Mas vocês nunca chegaram a conversar? – Perguntou Remus.

- Não, ela se 'suicidou' na manhã seguinte. – Respondeu Lily. – Ela estava com medo de me contar por telefone o que sabia. Disse que estava apavorada e parecia que alguém estava ouvindo a conversa, por isso precisaria se encontrar comigo. Marlene McKinnon disse que na noite da festa viu Dorcas descer as escadas de serviço e que a governanta estava bastante perturbada.

- Então ela viu quem matou Tom Riddle. – Concluiu Gwenda.

- Mas foi silenciada antes que pudesse fazer qualquer coisa. – Falou Lucy sentindo os pêlos da nuca se arrepiarem.

- Ela era uma agente excepcional. – Remus comentou triste. – Qualquer outra pessoa teria saído do posto quando eu sofri o atentado, mas ela não... Manteve-se ao lado do crápula do Riddle, se arriscando, na crença de que eu iria sair do coma e prender o bandido.

- Se eu soubesse que Dorcas era uma agente sua, teria abordado ela de uma maneira diferente. – Lily lamentou. – Quem sabe se eu tivesse conquistado a confiança dela pudesse tê-la livrado antes desse segredo que acabou lhe custando a vida por que ela tentou revelar na hora errada.

- Não se condene por isso, Lily. – Falou Remus. – A Dorcas era muito bem treinada para se deixar levar por qualquer gesto de amizade. Ela nunca teria confessado a você que era uma agente disfarçada. Além do mais, ela tinha as minhas recomendações para sair do país se alguma coisa desse errado. Foi uma opção dela continuar lá.

- Acho que ela descobriu coisas sobre a quadrilha de Tom Riddle que a fizeram ficar paralisada de medo. – Supôs Gwenda. – Talvez ela tivesse medo de estar sendo seguida, mesmo que fugisse da casa.

- Provavelmente sim. – Remus concordou.

- A Lene era outra suspeita sua, não era? – Perguntou Sirius.

- Sim. Marlene McKinnon disse ter ido procurar Meadowes, mas não a encontrou na cozinha. Acontece que Alice e Susan Ferrier afirmam que nem Marlene, nem ninguém, estiveram na cozinha procurando Dorcas Meadowes. Mas depois da morte de Dorcas, Marlene resolveu me contar que vira a amiga descendo as escadas de serviço. Disse que não me contou antes porque teve medo de que Dorcas tivesse matado Tom Riddle e que fosse presa... Resolvi aceitar seu último depoimento como verdadeiro, já que mesmo considerando suspeitas essas novas confissões dela e da Meadowes, nenhuma das duas pareciam ter realmente matado Tom Riddle.

- Por quê? – Sirius perguntou.

- Riddle levou dez facadas. E o quarto dele estava na mais completa desordem. Podemos deduzir disso que ele travou uma luta intensa com seu assassino. Tom facilmente dominaria Dorcas ou Marlene se uma das duas, ou até as duas, tentassem matá-lo. Nenhuma delas era grande ou forte o suficiente para lutar contra um homem do tamanho de Tom Riddle.

- Mas vamos supor que uma das meninas tenha entrado no quarto do Tom. – Falou Gwen. – Ele a receberia de boa fé, e ela teria condições de lhe dar apenas uma única facada certeira num momento de distração. As outras facadas e a bagunça do quarto poderiam ter sido encenadas.

- Eu cheguei a considerar isso no início quando coloquei as duas na minha lista de suspeitos. Mas todos os convidados ouviram o grito do Riddle quando ele morreu. E logo em seguida Bellatrix correu para o quarto dele. Não havia tempo hábil entre o grito e a chegada de Bellatrix para o assassino causar toda aquela confusão no quarto, distribuir mais nove facadas pelo corpo e ainda fugir pela janela. Por isso eu deduzo que a luta aconteceu enquanto Riddle recebia as facadas, e seu grito desesperado foi quando recebeu o golpe derradeiro.

- Então isso significa que sobra apenas uma pessoa... – Falou Lucy.

Todos ficaram em silêncio observando o último nome da lista da ruivinha.

Foi Lily quem quebrou o silêncio dando sua sentença.

- Lucius Malfoy. McKinnon esteve com ele alguns minutos antes do crime e me contou que ele saiu dizendo que precisava resolver um assunto antes que Tom descesse para a festa. Ela não lembra se ele mencionou se o assunto era com o próprio Riddle ou não. Em seu depoimento Malfoy não me disse nada de importante, além de ter sido extremamente desagradável.

- Malfoy... – Gwenda murmurou pensativa. – Essa notícia venderia bem...

- Malfoy. – Concordou Lily. – A princípio era o suspeito do crime por questão de eliminatória. Mas depois do que a Lucy contou que ouviu em Mermaid Gardens, tive certeza absoluta que foi ele quem matou Tom Riddle.

- O que eu contei?

- Primeiro, não sei se você lembra da reação da Bellatrix quando mostramos a ela a mensagem codificada que eu encontrei no quarto do Tom.

- Lembro. – Lucy falou empolgada. – Ela parecia ter reconhecido, fez uma expressão de espanto, mas logo perguntou se você achava que aquilo era a ameaça de morte que o Riddle disse ter recebido.

- Exatamente. Então você contou que ouviu os bandidos do S. Herz comentando que era a Bellatrix quem distribuía as mensagens. E ela faz uma insinuação curiosa ao Malfoy.

"- Eu vou embora daqui. Façam o que quiserem com ela e façam o que quiserem com a arma química, não vou me envolver nessa furada.

- Ah você vai embora? Sabe por que ela está aqui não sabe Lucius?

- Não faço ideia Bella.

- Onde está a sua mensagem sobre a reunião? Pelo o que eu soube você perdeu a sua parte da mensagem.

- Não perdi, joguei fora. E mesmo que tivesse perdido, a minha parte não tem nem o endereço, nem a data. "

- E realmente não tinha. – Lucy comentou lembrando-se das mensagens. – A que foi encontrada no quarto do Tom dizia apenas 'os Alemães no dia'. A mensagem com a data foi a que o Rosier perdeu e o Bob encontrou e a que tinha o endereço estava no escritório do Snape.

- Bellatrix não sabia que tínhamos cópias dessas outras mensagens, você só mostrou a ela a mensagem que eu encontrei no quarto do Tom na noite do crime.

- Vamos ter problemas... – Comentou Remus. – Lucius Malfoy é o mais escorregadio de todos. Vai ser muito difícil provar que foi ele.

Lucy concordou e contou sobre como ele e Adam Black tinham discutido durante a reunião porque o loiro não queria correr o risco de se comprometer em um negócio mal feito. Além de ter sido o primeiro a ir embora depois que Bellatrix reconheceu a loirinha.

- Ele é esperto... Nunca se envolve demais, só o suficiente para lucrar o quanto pretende, depois 'desaparece'. – Falou Remus. – Quase todo mundo já ouviu falar dos seus cassinos clandestinos, mas nunca conseguimos descobrir onde ficam, nem qualquer prova de que eles realmente existem.

Lucy pegou mais uma maçã.

- Oh Remus, vocês podiam me contratar para o serviço! Descobrir cassinos clandestinos é um dos meus trabalhos favoritos. Eu posso encontrar os do Malfoy em poucas horas.

- Achei que o seu trabalho fosse só seguir Pierrô. – Comentou Gwen.

- Não. Pierrô não tem tantas atividades assim. O Moody me faz estudar seus métodos, e aprender tudo o que eu posso sobre ele, e só me manda atrás do Pierrô quando ele faz um roubo e não assina MM, o que significa que pretende atacar mais uma vez na mesma cidade. No tempo 'vago' o meu chefinho me enche de outras missões mais bem sucedidas do que descobrir meu ladrão favorito.

Enquanto a loirinha abocanhava sua maçã notou um brilho diferente no olhar pensativo de Lily, mas não teve tempo de perguntar o que aquilo significava.

- Tudo bem... Voltando à morte do Tom. – Falou Sirius. – Temos que fechar esse círculo de crimes para tentar libertar o James.

- Vamos então encaixar as peças desse quebra-cabeça... – Falou a loirinha e começou a rabiscar em uma folha de papel que estava no centro da mesa. –

Não sabemos ainda porque o Malfoy matou Tom Riddle. E não temos certeza de quem matou Susan e Charles Potter. Poderíamos considerar cada caso isoladamente se não fossem dois fatos comuns: Primeiro, as três mortes foram a facadas. Segundo: O fato conveniente de que Susan era a única herdeira de Tom Riddle, e com sua morte todo o patrimônio tanto da família Potter quanto o de Tom Riddle passaram automaticamente para as mãos do James.

- Então Snape culpou James por pura conveniência por causa da herança astronômica que o meu amigo receberia? – Sirius perguntou. – Mas porque então forjar provas e porque o mordomo mudou seu depoimento acusando o James de ter subido para o quarto de Tom?

Lily desenhava nas bordas da sua agenda quando percebeu que todos a encaravam esperando por uma explicação.

- A teoria é que James matou por causa da herança. As provas forjadas e o depoimento novo do mordomo são como que para comprovar a teoria. E o mordomo mudou o depoimento porque o verdadeiro assassino mandou que ele mudasse. – Falou a ruiva. – Lucy contou que na reunião do S. Herz, Robert Sparks foi o único que ficou ao lado do Malfoy sobre a negociação da arma química, eles devem ter alguma ligação escusa. E Snape aceitou essas provas fracas porque com certeza conhece a identidade do assassino e precisa protegê-lo, já que agora sabemos que ele não passa de uma marionete dos S. Herz, cuidadosamente colocado dentro da Scotland Yard.

- Então você acha que o Malfoy pode ter matado os Potters apenas para poder incriminar James de querer ter acesso à herança do Riddle? – Lucy perguntou.

- Talvez... – A ruiva enrolou uma mecha de cabelo enquanto pensava. – Mas isso não explica porque Malfoy matou Tom Riddle. Sabe, ele deve ter matado a Dorcas porque ficou sabendo que ela o viu e que iria contar para mim. Bellatrix pode ter escutado a conversa e avisado o cunhado. Mas as mortes de Tom Riddle, Susan e Charles Potter estão confusas na minha cabeça.

A ruiva apontou novamente para sua agenda.

Explicação 1 – Malfoy tinha algum motivo para odiar James Potter e arquitetou todas essas mortes para incriminá-lo.

Explicação 2 – Malfoy teve algum desentendimento com Tom Riddle e decidiu matá-lo. Depois seguiu a linha da herança e percebeu que seria impossível acusar Susan Potter (a herdeira direta) de ter matado o próprio irmão, mas se Susan e Charles morressem, ficaria fácil incriminar o filho deles de ter cometido os três crimes visando a fortuna.

Explicação 3 – Malfoy tinha algum motivo para odiar Susan ou Charles Potter e decidiu matá-los. Da mesma forma ele pode ter seguido a lógica da herança, mas no caminho contrário e decidiu que se matasse Tom Riddle antes, as suspeitas poderiam cair sobre James mais facilmente.

Explicação 4 – Malfoy tinha alguma coisa tanto contra Tom Riddle quanto contra os três Potters e arquitetou esse plano todo de forma que eliminaria Tom, Susan e Charles e ainda colocaria James na cadeia.

Explicação 5 – Malfoy matou Tom Riddle e outra pessoa que tivesse motivos para odiar os Potters pensou que podia aproveitar o fato e matar Charles e Susan, incriminando assim James que seria o único herdeiro das duas fortunas.

- Vocês percebem o quanto isso é confuso? – A ruiva perguntou.

- Eu sei o que a gente precisa: investigar a vida do loirão. – Falou Lucy.

- Eu poderia fazer isso, mas agora que sou um alvo da quadrilha, acho que seria meio arriscado dar as caras no Daily Budget por uns tempos. – Lamentou Gwen.

- E eu não poderia de repente começar a manifestar interesse pelos negócios do meu pai para tentar descobrir alguma coisa sobre o Malfoy. Além de ser arriscado ele desconfiar de alguma coisa e começar a me seguir também, aposto que meu pai pouco sabe sobre a vida do Malfoy. Os dois nunca se deram bem.

Lily suspirou.

- Eu posso fazer uma coisa... – Lucy comentou. – Amanhã de manhã posso ligar para o Moody e dizer que preciso que a Suretè investigue para mim a vida do Malfoy... Digo que é para a sua investigação da morte do Tom Riddle e que você me pediu isso como um favor pessoal. Ele vai mandar gente de confiança levantar as informações, mas eu corro o risco dele descobrir que estou em Londres.

- Vale o risco? – Perguntou Remus.

- Tem que valer, não é? – A loirinha deu de ombros. – É a única chance que temos de descobrir alguma coisa sobre ele... Algo que pode ter motivado o crime ou os crimes.

- E o que vamos fazer por enquanto? – Gwenda perguntou. – Nos esconder até descobrimos um jeito de provar todos esses crimes? Isso pode levar meses...

- Na minha opinião a primeira coisa que temos a fazer é destituir Snape do cargo de Inspetor Chefe. – Falou Lucy. – Snape num cargo tão alto é a segurança que os S. Herz têm de que ficarão impunes. Além disso, enquanto o Snape for o inspetor-chefe, Lily está proibida de trabalhar nos casos das mortes de Riddle, Bob e Potters. Mesmo que a gente consiga as provas, ele nunca vai aceitá-las e ainda por cima a Lis passa a correr risco por ter 'desacatado' uma ordem dele. Outra pessoa precisa assumir a Yard.

- E o que você sugere?

A loirinha encarou o relógio de pulso. Quase onze horas da noite.

- Já pensei em algumas coisas... Mas vou precisar de uma ajudinha.


O carro parou a uma quadra de distância da Scotland Yard. Lucy desceu e fez um alongamento enquanto observava o céu escuro coberto de estrelas.

- Está uma noite tão linda. – Comentou suspirando.

Sirius se aproximou e passou o braço pela cintura da loirinha.

- O que acha de deixar essa noite ainda mais maravilhosa e irmos aproveitá-la num lugar mais apropriado?

Lucy ficou subitamente nervosa e empurrou Sirius para longe de si.

- Você é muito abusado sabia?

- É porque estou louco por você. – Ele piscou galante.

- Por que você não carrega uma placa pendurada no pescoço: 'Sirius Black, o Conquistador Patético'?

- Só se você carregar a sua 'Lucy Eyelesbarrow, a Durona Recalcada'!

- Recalcada eu? Ora seu... – A loirinha fez menção de que ia dar uns tapas nele, mas desistiu e apenas lhe deu as costas indo sozinha para a Scotland Yard.

Parou em frente ao prédio escuro e olhou ao seu redor. Nem uma viva alma. Sirius parou ao seu lado.

- Como vamos entrar? – Perguntou ele. – Vamos escalar uma janela ou o que?

- Pela porta da frente. – Lucy respondeu arredia sem olhar para o garoto.

- Vamos ter que matar os vigias? Não queria incluir morte de vigias da Yard no meu currículo impecável...

Ela não se deu o trabalho de responder. Deixou Sirius mais uma vez para trás e se aproximou da portaria.

- Boa noite Sr. Croft.

- Boa noite senhorita Eyelesbarrow. Em que posso lhe ajudar a essa hora da noite?

A garota esperou Sirius se aproximar para responder ao segurança.

- Nós precisamos entrar.

Croft analisou Lucy e Sirius por um tempo antes de decidir.

- Não conte comigo.

- O quê? Mas...

- Sei que disse que ajudaria a senhorita no que fosse preciso, mas ele...

- Ele também é amigo da Lily.

- Sei muito bem quem ele é. É o filho de Adam Black.

- E o que você tem com isso? – Perguntou Lucy que já estava irritada.

- Adam Black fez muito mal à minha família. É minha palavra definitiva.

A loirinha respirou fundo tentando pensar em alguma coisa.

- Sr. Croft, ele está aqui para me ajudar, Sirius não se dá bem com o pai, não é do mesmo tipo que o restante dos Blacks.

- Desculpe senhorita, mas já dei minha resposta.

Lucy estava desolada. Sirius a puxou pela mão para longe da portaria.

- Estamos perdendo tempo. Se ele não vai me ajudar a entrar, entre você.

- Mas eu preciso de você! – Lucy se arrependeu assim que as palavras saíram de sua boca.

Sirius sorriu maroto.

- Sei que precisa de mim docinho. – Falou ele fazendo Lucy girar os olhos. – Mas no momento é a única chance que nós temos.

- Tudo bem, eu entro e dou um jeito de facilitar sua entrada longe das vistas do Sr. Croft.

- Ótimo.


David Croft abriu a porta da frente para Lucy e consultou o relógio.

- A senhorita tem pouco mais de trinta minutos antes da troca de turno.

- Obrigada Croft. – Lucy abriu seu sorriso mais simpático.

Ele retribuiu o sorriso antes de alertá-la.

- Se não tiver voltado em trinta minutos, terei que trancá-la lá dentro antes que o outro vigia chegue.

- Tudo bem, eu pretendo ser rápida.

- Você jura mesmo que não vai fazer nada de ilegal, não é? – Ele perguntou um pouco temeroso.

- Aham. – Ela não jurou, mas sorriu como um anjo de pureza. – Só preciso de algumas provas para fazer o Remus voltar para o cargo dele.

O Sr. Croft suspirou.

- Todos nós sentimos falta dos tempos do inspetor Lupin.

- Aposto que sim.

A loirinha entrou e encostou a porta atrás de si. Estava tudo no mais absoluto silêncio e escuridão. Tirou de dentro da bolsa uma lanterna e começou a procurar uma janela que pudesse abrir para Sirius entrar.

Não demorou muito para encontrar uma no térreo mesmo, mas longe o bastante da portaria do Sr. Croft.

A garota abriu a janela e piscou a luz da lanterna duas vezes para chamar a atenção de Sirius.

Ele jogou sua mochila e depois pulou para dentro do prédio.

- Não imaginava que a sede da melhor polícia do mundo ficasse às moscas durante a noite. Talvez a gente possa passar na cela do Pontas para lhe fazer uma visita.

- Aqui onde estamos ficam só os escritórios, por isso apenas o Sr. Croft faz a segurança lá fora. James está preso em outra ala da Scotland Yard, lá sim deve ter um monte de policiais.

- Fico pensando como você pode conhecer tão bem esse prédio...

Lucy não lhe deu ouvidos, apontou sua lanterna na direção da escada e sinalizou para que Sirius a seguisse.

Enquanto subiam ela lhe contou que tinham poucos minutos antes da troca de turno dos vigias.

A porta da sala de Snape estava trancada, mas Sirius deu um jeito de abri-la de modo que não se levantassem suspeitas de arrombamento no dia seguinte. Quando ouviu um 'clique', empurrou a porta e deu um passo para trás permitindo a entrada da loirinha.

- Argh! Que cheiro de seboso Snape aqui dentro... – Comentou Lucy se aproximando da mesa.

A francesinha abriu sua bolsa e tirou de dentro uma pasta cheia de papéis previamente datilografados. Procurou algum documento assinado por Snape e copiou perfeitamente a assinatura dele em alguns dos papéis que trouxera. Mostrou o resultado para Sirius orgulhosa.

- Não ficou perfeita?

O garoto analisou a assinatura original e as que foram feitas pela loirinha.

- Não tem diferença nenhuma. – Ele comentou pasmo. – Você é perigosa, sabia?

- Claro que sei. Mas por favor, não conte esse detalhe das assinaturas para a Lis. Ela jamais aprovaria. Aliás, não conte a ela nada do que fizermos aqui.

- Vou querer alguma coisa em troca para poder guardar o seu segredo...

Lucy gargalhou.

- Então pode contar para a ruiva. – Respondeu ela voltando para a mesa de Snape. – Aliás, quem trouxe coisinhas ilegais para cá foi você, gostaria de te ver explicando sobre isso para a ruiva certinha.

Abriu a última gaveta e colocou os 'novos documentos' bem escondidos embaixo de alguns papéis. Enquanto isso Sirius esvaziava sua mochila guardando todo o conteúdo dela no fundo de um armário no outro lado da sala.

- Pronto? – Perguntou a loirinha encarando o relógio. – Temos cinco minutos antes da troca de turno.

- Já terminei.

- Me espere do lado de fora enquanto eu limpo qualquer marca que sirva de evidência que estivemos aqui.

Sirius obedeceu e logo Lucy se juntou a ele no corredor.

- Consegue trancar novamente?

- Claro, mas demora um pouco mais do que para abrir. – Respondeu ele e começou a trabalhar.

Lucy olhava de Sirius para o relógio, preocupada. Estavam no limite do tempo.

Foi quando ouviram um estrondo.

- Ai meu Deus! Isso foi um tiro? – Lucy se desesperou.

- Não, acho que não.

- Uma bomba?

- Na verdade, parecia apenas uma porta batendo.

- Ah!

Os dois se encararam.

- Porta? – Ela choramingou.

Sirius fez sinal para que ela ficasse em silêncio e apurou os ouvidos.

- Passos. – Ele sussurrou.

- Acaba isso logo. – Ela respondeu no mesmo tom.

Como agora ele estava nervoso o trabalho ficou ainda mais difícil. Mas terminou no instante que ouviram o som dos passos se aproximando das escadas.

Lucy apagou a lanterna e segurou a respiração. Estavam mergulhados na mais completa escuridão.

A loirinha sentiu os dedos de Sirius se entrelaçarem aos seus o que fez seu coração disparar. O garoto apertou a mão dela e começou a guiá-la pelo corredor escuro. Sirius tateou às cegas até encontrar uma porta destrancada ao longo do corredor. Abriu-a de supetão e empurrou Lucy para dentro imediatamente.

Mas não era a porta de uma sala. Era um armário grande e cheio de materiais de limpeza. Por pouco Lucy não esbarrou em um balde de alumínio que faria um barulho terrível se caísse no chão. A loirinha ligou sua lanterna para observar o lugar em que tinham se metido.

- Nada mal... – Ela sussurrou irônica.

- Apaga essa lanterna. – Pediu Sirius notando que os passos se aproximavam do corredor em que estavam.

Passaram alguns minutos assim, em silêncio e sem poderem se mexer já que qualquer gesto podia derrubar alguma coisa barulhenta. Quando Sirius percebeu que já era seguro saírem, segurou mais uma vez a mão da loirinha.

- Eu sei andar sozinha, Sirius. – Ela sussurrou. Não queria ele segurando sua mão, afinal isso deixava seu coração acelerado e ela perdia a capacidade de pensar com clareza.

- Claro que sabe, mas estamos no escuro, não quero correr o risco de você se afastar de mim e tropeçar em alguma coisa.

Se o garoto pudesse ver o olhar furioso que ela lhe lançou certamente soltaria a mão da loirinha no mesmo instante. Mas como ele não pode ver, Lucy teve que se resignar a obedecê-lo.

Quando conseguiram enfim sair do prédio escapando por uma das janelas do primeiro andar, correram o mais rápido que puderam, ainda com medo de serem vistos nas redondezas.

Ao entrarem no carro de Sirius a loirinha respirava pesadamente.

- Essa foi por pouco... – Ela falou ofegante.

- Põe por pouco nisso. – Sirius concordou.

Os dois ficaram em silêncio enquanto se recuperavam da corrida e do susto.

- O que foi? – Lucy perguntou percebendo o olhar de Sirius na sua direção.

- O que acha de reconsiderar a minha sugestão de aproveitarmos devidamente essa noite juntos?

- Acho que você não presta, Sirius Black. – Ela respondeu sorrindo.


24 de Julho de 1940

Lily tinha abandonado completamente seu apartamento. Quando recebeu a ligação de Lucy, percebeu que não poderia voltar para lá tão cedo e por isso tirou de seu escritório tudo o que tinha de importante e também tudo o que tinha relação com suas atuais investigações. Levou consigo apenas uma muda de roupas porque no caso de seu apartamento ser revistado pela quadrilha de Tom Riddle ela não queria levantar suspeitas de que tinha fugido.

Já Lucy tinha que falar periodicamente com Alastor Moody. A loirinha tentava apenas convencê-lo de que tinha encontrado certos contratempos em sua missão por isso demoraria um pouco mais para se juntar à equipe que já estava na Polônia. Acabava de voltar de uma dessas ligações e encontrou Lily na cozinha preparando o café da manhã.

- Bom dia ruiva.

- Bom dia Lucy. – Lily respondeu espantada. – Já de pé a uma hora dessas?

- Nem dormi para falar a verdade... Voltamos da Yard com o dia quase amanhecendo...

- Porque tão tarde?

Lucy desviou os olhos para o jornal enquanto balançava os ombros.

- Conseguiram encontrar alguma coisa na sala de Snape para podermos fazer a denúncia anônima? – Perguntou a ruiva servindo uma omelete para a amiga.

A loirinha hesitou antes de responder. Na verdade Lily não sabia que Sirius e Lucy tinham 'plantado' coisas na sala de Snape. Pensava que eles tinham ido à Scotland Yard apenas para procurar alguma coisa que incriminasse o inspetor-chefe.

- Encontramos algumas coisinhas sim...

- Que tipo de 'coisinhas'? – Lily se sentou de frente para a amiga na bancada.

- Você logo vai saber ruiva. – Lucy desconversou. – E Remus, já acordou?

- Já, está biblioteca com a Gwen desde cedo. Você não ouviu o barulho deles preparando o café da manhã às sete horas?

- Não. Saí antes que isso para falar com Moody. Pedi que ele descobrisse alguma coisa da vida do Malfoy para nós.

Lily serviu suco e torradas para ela e para Lucy.

- E então?

- Ele não está acreditando muito que ainda estou em Madri. Pediu que eu encontrasse um membro da equipe que está na cidade.

- O que vai fazer?

- Respondi que se tivesse tempo o encontraria sim. Mas não dei certeza.

- Tomara que isso tudo não lhe traga problemas...

- Não trará.

Nesse momento Gwenda entrou na cozinha amparando Remus que ainda não conseguia andar muito bem sozinho.

- Bom dia meninas.

- Bom dia Remus. – As duas responderam juntas.

Gwen deu um abraço nas amigas e se serviu de um pouco de suco.

- E então Lucy? Como foi essa noite?

Mas não foi Lucy quem respondeu, naquele momento Sirius entrou na cozinha assobiando.

- Foi uma noite maravilhosa.

- Nossa que bom humor já a essa hora! – Comentou Remus.

- E porque eu não estaria de bom humor? – Sirius perguntou sentando ao lado de Lucy e roubando uma torrada da loirinha.

- Você tem novidades? – Lily perguntou.

- Acabei de ficar sabendo que a Scotland Yard já recebeu uma denúncia sobre as drogas na sala do Snape. – Explicou Sirius.

- Eu não perco tempo queridinho. Tinha que conversar com Moody, já aproveitei e liguei para a SY. Como você soube?

- Snape já foi afastado. Vi meu pai comentando na mesa do café da manhã.

- A rede de informações deles é bastante rápida, hein? – Comentou Gwenda.

- Você disse drogas? Foram drogas que vocês encontraram lá ontem? – Perguntou Lily.

Lucy e Sirius trocaram um olhar cúmplice.

- Foi. – Sirius respondeu simplesmente.

- Bem, 'fase um' concluída com êxito. – Falou Lucy bebendo um gole de seu suco.

- Fase dois: prender o Malfoy. – Falou Gwenda. – Tarefa difícil?

- Talvez não. – Lily respondeu com um sorriso. – Eu tenho uma ideia de como podemos pegar o loirão.


N/a:
Noooossa que capítulo grande! Rsrsrsrs

Mas não fazia sentido dividir ele em dois, nem juntar com o próximo que também é enorme, por isso peço desculpas se alguns de vocês não gostam de capítulos grandes demais. xD

Vou até ser breve aqui na n/a hoje! o/ huahuahsuhaushauhsuahua

Mariana E. Potter – Olá! Que legal que tem acompanhado a fic, fico muito contente xD E agora que já falta pouco para acabar vou bem rapidinho o/ rsrsrs Beijinhos!

Biancah – OMG você não sabe como eu fico feliz quando recebo reviews tão carinhosas como a sua! Rsrsrs Você faz Muay Thai? Que legal! Queria ter coragem de fazer alguma luta, mas sou preguiçosa até para enfrentar uma academia para malhar, quem dirá para lutar... ahushaushuahsuahusa Sim, nós amamos os marotos \o/ com exceção do rato, claro! Rsrsrsrs Sim, pareceu mesmo uma carta do Percy (nossa... deu até uma saudade dele agora... kkkkkkk). Beijinhos querida!

Lolah Lupin – Nossa quantos elogios! Vou ficar mal acostumada aqui! Haushaushuahsuahs Também acho o Sisi perfeito! Bem... Eu não afirmo nem nego nada com relação a esses dois aí... Deixe sua imaginação solta! Kkkkkkkkkk Vixii... vai se preparando então porque a fic está na reta final. Mas claro que você vai poder matar as saudades de mim na 'Bela e a Fera' que está parada por enquanto porque eu tenho algum problema biológico em postar duas fics ao mesmo tempo, não entendo porque não consigo! Hashuahsuahushaushauhua Ta, até entendo... É só olhar minha agenda... kkkkkkkkk Já vou... Beijinhos flor!

steph – haushuahsuahsuahusua Deixa eu te perguntar: você é de Portugal? É que nunca tinha escutado essa tal palavra 'taralhoca' e ri muito aqui quando vi o significado! Ahushaushuahsuahsuahusa Enfim... Uma coisa que aprendi nos meus anos de leitora de suspense é que sempre tem que ter um bocado de romance no meio da história para desviar a atenção dos leitores do foco principal... kkkkkk Mas até que veio rápido o capítulo esclarecedor, não veio? Rsrsrsrs Beijinhos!

Mandy BrixX – OMG que aventuras mais emocionantes você passou não Xuxu? Haushaushaushuaahushaus Gente, não sei do que eu ria mais, se da sua chave passeando em Pernambuco, se de você arrombando a sua casa, ou de você numa 'ilha perdida' com Deus e os mosquitos! Haushaushuahsuahsua Sei que é feio rir da desgraça alheia, mas você consegue fazer até isso parecer engraçado! Kkkkkkkkkkkkkk E My Lord! Apesar de tudo você ainda conseguiu aparecer! Você é completamente naturada (o contrário de desnaturada, caso tenha ficado muito esquisito ¬¬) huashauhsuahsuahsuah Sim, concordo totalmente que seu Six é sensacional! Só não confirmo nada sobre Pierrô... ahushaushuahsuahus Fico feliz que tenha gostado tanto do capítulo xuxu! Aahh eu vi Irresistível ontem, mas não tive tempo de passar lá ainda, mas até amanhã resolvo isso! haushuahsuahsua Muitas saudades too, xuxu. (rimou! Kkk) Beijinhos!

1 Lily Evans – Oi coração! Bemm... Não é difícil realizar os pedidos da miss Moony porque ela me pede coisas possíveis, sabe? Ela nunca veio me pedir para dar um basilisco de presente para ela! Ahsuahushaushaushuahsu E não é como se eu não atendesse seus pedidos sua ciumentinha linda! Sei que comecei te respondendo pelo final, mas agora vai em ordem xD... Nossa... a Lucy correndo atrás do Sisi com rolo de macarrão (isso ainda existe? kkkkkK) seria lindo! Ainda bem que você conhece sua criatividade sem limites, não? Falar em criatividade, lembrei da nossa conversa e lembrei que fiquei de entrar no MSN para te passar o link do site das trilhas sonoras, maaass... meu MSN aqui do trabalho atualizou o Plus! e aí parou de funcionar. Algum problema com a licença da rede (algo que não entendo rsrsrs) Só hoje ele voltou. o/ Bem... Nossa família tem uma certa queda mesmo por comensais, não? Mas o Bartô Jr? Você lembra o que ele fez com a Alice e o Frank? (aquela que esquece que seu querido Rodolphus estava junto) Mas o Bartô gostou de fazer aquilo! Ok, provavelmente o Rodolphus também. É definitivo também: precisamos de terapia! Huashuahsuahsuahusa Só tenho uma coisa a dizer sobre sua campanha: tadinha da Gwen! Kkkkkk Aahh... eu ri da piada do cachorro no mato, não foi tão ruim assim. Haushauhsuahsuhaushua É... A Lucy faz o Remmie perseguir o Sirius em qualquer lugar! Kkkkkkkk *suspira ao lembrar de X também* É filhota, NSM deixa a gente vendo coisas suspeitas em todos os lugares! Ahsuhaushaushuah Em alguns casos 'mais é melhor' mesmo, mas aqui só tem mais 3 capítulos e mais um Epílogo. É... reta final xD Raxei de rir aqui com você fazendo controle de natalidade na família! Ahsuhaushaushuahsauhs Só você mesmo... kkkkkk Na verdade não é tão esfarrapada a desculpa dela... Os dois vivem viajando pelo mundo, cada um para um canto, como fariam o namoro funcionar? Viu só? Rsrsrsrs E eu também queria o canivete dela! (tenho que me lembrar de achar uma foto pra te mostrar) Quero só ver que pedido é esse que vou amar... E nem vou falar nada sobre o Freddy! Hasuhaushuahsuahsua Sim... Foi mesmo uma frase de duplo sentido, pode não significar nada, ou... Bem... Você é que sabe... haushaushaushuhausau E aí, o que achou do verdadeiro assassino? Haushauhsuahusaus A primeira teoria sua daquele bloco de notas que você me mandou é 'não foi o Lucius' ahushaushuahsuahushau E sobre esses seus pedidos no final do capítulo... Nem posso contar se vão se realizar ou não... kkkkkkkkkkkk Lindinha, amo você! Beijinhos!

Só para lembrar (se alguém conseguiu chegar até aqui) que eu fico MUITO feliz quando vocês me deixam review, ok? huahuahauhuahuhauha

Beijinhos,
Luci E. Potter.