Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
ESCUTE SEU CORAÇÃO
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XXI
Shunrei e Seiya conversam o resto da manhã sobre o projeto da escolinha de futebol. Pouco depois do meio-dia, o médico sai do centro cirúrgico.
(Médico) Deu tudo certo.
(Shunrei) Ah, graças a Deus.
(Seiya) Eu sabia!
(Médico) Daqui a pouco ele vai para o quarto. Se tudo sair como espero, amanhã ele já poderá ir para casa.
(Shunrei) Obrigada, doutor.
(Médico) De nada.
(Shunrei, para Seiya) Agora é só esperar ele ir pro quarto! Estou tão ansiosa para vê-lo!
(Seiya) Eu também. Ei, Shu, você está com fome como eu?
(Shunrei) É, estou. Minha barriga está roncando. Só agora que percebi.
(Seiya) Não vai deixar o Shiryuzinho aí dentro com fome, né? Vamos almoçar. Depois a gente volta. Shiryu não vai pro quarto agora.
(Shunrei) É mesmo. É melhor me alimentar. O pequenino não pode passar fome.
Quando Seiya e Shunrei estão saindo do hospital, encontram Saori, que chegava para ter notícias da cirurgia de Shiryu.
(Saori) Como está Shiryu?
(Shunrei) O médico disse que correu tudo bem. Estávamos indo almoçar. Não quer vir conosco?
(Saori, hesitante) Acho melhor não
(Shunrei) Ah, vamos, Saori. Nos faça companhia!
(Seiya) É!
(Saori, olhando para Seiya) Então eu vou sim.
Seiya, Saori e Shunrei vão almoçar juntos num restaurante próximo ao hospital. O clima entre Saori e Seiya é um tanto tenso. Shunrei tenta aliviar essa tensão.
(Shunrei) Ah, Saori, está animada para o fim de semana em Rozan?
(Saori) Sim, bastante! Mas tem certeza que não vou atrapalhar? Shiryu ainda vai estar se recuperando.
(Shunrei) Não se preocupe. Ele vai gostar da sua presença lá em casa!
(Saori) Tomara.
(Shunrei) Vai! Tenho certeza.
(Saori) Algum problema se Tatsumi for comigo?
(Shunrei) Claro que não. (sorrindo) Eu sei que ele tem interesses lá.
(Saori, sorrindo com cumplicidade) É verdade.
(Seiya) Ué? Que tipo de interesse o Tatsumala poderia ter em Rozan??
(Saori) Coisa dele, Seiya.
(Seiya) Contem isso direito!
(Saori) Não seja fofoqueiro!
(Shunrei) Não precisa saber da vida alheia, Seiya.
(Seiya, fazendo bico) Ah, vocês duas são muito chatas!
Os três almoçam conversando amenidades. Depois, voltam rapidamente ao hospital. Uma enfermeira avisa que Shiryu já está no quarto.
(Saori, na porta do quarto com Seiya) Melhor você entrar sozinha. Depois a gente vai.
(Shunrei) Certo.
Shunrei entra no quarto. Shiryu está com curativos nos olhos. Ela se aproxima dele devagar e, antes de dizer qualquer coisa, ele murmura seu nome.
(Shiryu) Shunrei.
(Shunrei, sorrindo, tocando a face dele) Olá, meu amor. Tudo bem? Sente alguma dor?
(Shiryu) Tudo bem. Não sinto nada. Acho que ainda estou anestesiado.
(Shunrei) Deve estar. Estou tão feliz! Tenho certeza que daqui a oito meses você verá nosso filho chegando ao mundo. Vai ver a carinha dele em todos os detalhes.
(Shiryu, sorrindo) Assim espero. E você, como se sente?
(Shunrei) Muito bem.
(Shiryu) Quantas horas fiquei lá dentro?
(Shunrei) Duas horas e meia.
(Shiryu) Nossa. O que fez nesse tempo?
(Shunrei) Conversei bastante com Seiya, depois, quando a barriga reclamou de fome, fomos almoçar. Encontramos a Saori na saída, então, almoçamos os três.
(Shiryu) Que bom que teve companhia.
(Shunrei) Sim. Ótima companhia. (sussurrando) Apesar de ter um clima estranho entre eles.
(Shiryu) Nem é tão estranho assim. Sabemos bem do que se trata.
(Shunrei, ainda sussurrando) Hum... depois conversamos sobre isso. Eles estão lá fora, quer que eu os chame?
(Shiryu, rindo) Claro.
Shunrei dá um beijinho na testa dele, vai até a porta e pede que Saori e Seiya entrem.
(Seiya, entrando no quarto) Olá, mano!
(Shiryu, rindo) Olá, Seiya.
(Saori) Boa tarde, Shiryu.
(Shiryu) Boa tarde, Saori.
Seiya e Saori sentam-se no sofazinho do quarto, um ao lado do outro. Olham-se por alguns instantes.
(Saori, voltando o olhar para Shiryu) Então, Shiryu, como se sente?
(Shiryu) Estou bem. Não é nenhuma novidade estar de olhos vendados.
(Saori) Eu sei... e sinto profundamente.
(Shiryu) Tudo bem, não se preocupe. Não é culpa sua.
(Saori) Você fala isso, mas sabe que é.
(Shiryu) Não, não é. Nós temos nossas missões, você a sua, eu a minha. O que quer aconteça não é culpa de ninguém.
(Seiya) É isso mesmo, ninguém tem culpa de nada. Sabe, Shiryu, conversei muito com a Shunrei enquanto você estava sendo operado e ela me deu uma idéia genial!
(Shiryu, rindo) Ah, sim?
(Seiya) Ela me disse pra eu abrir uma escolinha de futebol.
(Saori) Quem seria o professor?
(Seiya) Eu, claro! Sou muito bom com a bola!
(Saori) Acha que vão deixar um moleque como você ensinar as crianças?
(Shiryu) Saori tem razão. Você vai ter que contratar alguém formado em Educação Física.
(Seiya) Ah, assim não tem graça!
(Shunrei )Assim vai ser até melhor, Seiya. Você fica só jogando junto com as crianças, sem se preocupar com nada.
(Seiya) Pensando por esse lado, você tem razão!
(Saori) Bom, agora vamos, não é, Seiya?
(Seiya) Ah, já?
(Saori) O Shiryu precisa descansar.
(Shiryu) Não se preocupem comigo.
(Saori) Temos mesmo que ir. Até amanhã.
(Shiryu e Shunrei, sorrindo) Até, Saori.
Seiya e Saori saem do quarto.
(Seiya) Poxa, eu queria ficar mais. Por que me arrastou pra fora?
(Saori) Ele acabou de ser operado, Seiya. Deixe-o descansar, ficar um pouco com a esposa.
(Seiya) Tá... e você está bem? Não temos nos falado muito ultimamente.
(Saori) Estou bem, sim. Muito bem.
(Seiya) Tem certeza?
(Saori) Sim. E você?
(Seiya) Tudo bem também. Podia ser melhor...Vai para casa?
(Saori) Não. Vou para a Fundação.
(Seiya) Me dá uma carona? Você vai passar bem em frente da minha casa.
(Saori) Erh... eu vou passar em outro lugar antes e vou demorar.
(Seiya, coçando a cabeça) Ah, tá... então, tchau.
(Saori) Tchau.
S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A
Dentro do quarto...
(Shunrei, acariciando os cabelos de Shiryu) Vou pedir alguma coisa pra você comer. Sei que está com fome.
(Shiryu) Estou mesmo.
(Shunrei) Imaginei. Já passou a hora do almoço no hospital, mas sendo você filho do Kido, acho que não vão recusar. Vou lá na cozinha ver o que tem. Volto logo. Não vou deixá-lo sozinho muito tempo.
(Shiryu) Certo. Vou tirar um cochilinho enquanto você não volta.
(Shunrei) Certo.
Enquanto Shunrei vai até a cozinha, Ikki chega ao hospital.
(Ikki) Fala, mano!
(Shiryu) Oi, Ikki.
(Ikki) Você sempre com essa mania de ficar com os olhos vendados, hein?
(Shiryu, rindo) É a minha sina, o que eu posso fazer?
(Ikki) Tomara que essa seja a última vez. Ninguém agüenta mais você com esse fica-cego-fica-enxergando.
(Shiryu, rindo) É, eu sei.
(Ikki) Uma brincadeirinha para descontrair. Procurei saber do apartamento vazio lá no prédio. O dono quer vendê-lo. É igualzinho ao meu e de Shun. A Pand até tava querendo que eu comprasse pra gente morar lá. Idéia boba.
(Shiryu) Não seria bom vocês terem essa privacidade?
(Ikki) Não. Eu prefiro ficar lá de olho no Shun.
(Shiryu) Que mudança radical. Não queria nem saber da gente, agora quer ficar de olho no maninho.
(Ikki) É, as coisas mudam. Mas ele não precisa saber disso. Que continue pensando que é só uma questão de comodismo. Eu estou de olho naquela loira. Ela está levando o Shun no bico.
(Shiryu) A June? Que é isso, Ikki? Eles se amam.
(Ikki) Eu acho que sim, mas ele é muito tonto. Cresceu muito nos últimos anos, mas continua um bestalhão sentimental.
(Shiryu) Acho que você está com ciúmes.
(Ikki) Imagina! Não é isso. Eu nem devia estar falando essas coisas com você agora. Acabou de se operar.
(Shiryu) Nada. Quantas vezes já me operei? Estou ótimo.
(Ikki) Então, voltando ao apartamento, falo com o dono?
(Shiryu) Sim. Pode fechar o negócio.
(Ikki) Não gastou seus milhões na lua-de-mel?
(Shiryu, rindo) Não tudo. É tão estranha essa história de ficar milionário da noite pro dia!
(Ikki) É muito boa, isso sim. O dinheiro não é exatamente importante. Mas a gente se arrebentou a vida toda, nada mais justo do que ter grana o suficiente para nunca ter de se preocupar com isso. Seria terrível se eu ainda tivesse que trabalhar o dia inteiro para viver razoavelmente bem.
(Shiryu) Eu gosto de trabalhar, sabe? Quando eu estava cego lá em Rozan, trabalhei na lavoura e era muito bom. Mas eu fico pensando nas coisas que meu filho vai poder ter. As melhores escolas, os melhores brinquedos. Ele não teria nada disso se o pai dele fosse lavrador.
(Ikki) Seu filho vai ter os melhores pais. Você e Shunrei vão ser pais excepcionais. Tenho certeza. Ele não vai precisar de mais nada.
(Shiryu) Vou tentar ser o melhor possível.
(Ikki)Você vai ser. E com a educação que eu sei que vocês vão dar para o moleque, ele não vai nem ligar para os brinquedos caros.
(Shiryu) Assim espero.
(Ikki, emocionado) Eu imagino você ensinando seu filho a mexer com a terra, a ser um garoto educado e gentil.
(Shiryu) Por que se emocionou?
(Ikki) Porque eu não vou passar por isso. Não quero ter filhos.
(Shiryu) Por que não? E não me venha com aquela história de "criança enche o saco".
(Ikki) Enche mesmo, mas não é isso. Eu não vou ser um bom pai. E a Pand é maluca, também não vai ser uma boa mãe.
(Shiryu) Isso é a maior bobagem que eu já ouvi na vida.
(Ikki) Pode ser. Mas esquece essa parte da conversa. Estão mesmo decididos a mudar pra cá?
(Shiryu) Nós amamos a vida que levamos em Rozan, mas a Saori precisa de mim aqui. Não vai ser ruim. E podemos ir sempre para lá.
(Ikki) É. Mais uma das facilidades de ser rico.
(Shiryu) Como está a academia de luta?
(Ikki) Muito bem. Não dá grana, mas eu me divirto. É bom bater nos moleques. Tem um menino bom lá, Hiroshi. Dezesseis anos. Ele tem futuro, cara. Estou apostando nele. Pensei em ser eu mesmo o astro da equipe. Gosto de ser o centro das atenções. Até comecei a lutar. Mas é meio chato. Tem a parte da disciplina, de cumprir horário, cumprir treinamento. Eu gosto de ir lá quando me dá na telha. Então vou apostar tudo no Hiroshi.
(Shiryu) De qualquer forma é um projeto de vida.
(Ikki) Pelo menos não estou parado como o Seiya.
(Shiryu) Ele vai abrir uma escolinha de futebol. Sugestão da Shunrei.
(Ikki) Claro. Não podia mesmo ser idéia dele.
(Shiryu) E o Shun?
(Ikki) Shun é um caso à parte. Ele não sabe o que quer da vida. Uma hora ele fala que quer ser médico, outra hora ele quer ser psicólogo, outra hora veterinário. Enfim, a confusão em pessoa. E tem as aulas de piano também. A namorada maluca dele também está fazendo porque tem ciúme da professora.
(Shiryu) A June tem se mostrado bem possessiva.
(Ikki) E como!
(Shunrei, entrando no quarto, com uma bandejinha) Olá! Já estou de volta! (surpresa) Ikki! Tudo bem?
(Ikki) Tudo ótimo, Shunrei.
(Shunrei) Que bom que chegou! Fez companhia ao meu amor.
(Ikki) É. Nós estávamos tendo uma conversa proibidíssima para menores.
(Shunrei, corando) Proibida?
(Shiryu, rindo) Não foi nada disso, florzinha. Mentira do Ikki.
(Ikki) Só uma brincadeirinha. Vou indo! Estou vendo que o bebê Shiryu vai tomar sopinha.
(Shunrei, rindo) É. Arranjei essa sopinha pra ele.
(Ikki) Se precisarem de mim, estou às ordens. Aproveitem porque não é sempre que estou de bom humor.
(Shiryu, rindo) Esse Ikki...
(Shunrei) Até mais, Ikki.
(Ikki, rindo e saindo) Até.
Continua...
S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A
