Acordei no dia seguinte com o meu celular tocando. Olhei o relógio e era 7 da manhã.

Quem em sã consciência liga pra outra pessoa às 7 da manhã?

Eu deixei passar, porque hoje eu tinha aula e eu tinha mesmo que levantar.

Olhei o visor e era Esme.

- Alô? – atendi.

- Boa tarde querida. – ela disse.

Tarde?

Ah sim! Em Londres já era meio dia.

- Oi Esme, aqui ainda é bom dia. – dei uma risada.

- Oh Deus! Eu te acordei? – perguntou sem jeito.

- Não! – menti – Já estava acordada, eu tenho aula. – a tranqüilizei.

- Edward me ligou essa manhã. – ela disse. – Bella, eu tentei impedi-lo de todas as formas de ir, mas ele me enganou e saiu daqui praticamente fugido. – ela riu.

- Está tudo bem Esme. – eu disse.

- Ele me disse que conversaram.

- Sim. – falei. – Muitos mal entendidos foram explicados.

- Ele está ai? – ela perguntou.

- Ele dormiu aqui... no antigo quarto dele, mas não sei se agora ele está em casa. – falei. – Quer falar com ele?

- Não. Não. Eu vou desligar, sei que você tem que ir. – ela disse. – Como está nosso garotinho?

- Está bem. Mexendo muito, mas eu acho que isso é bom, certo?

- Isso é ótimo! – ela riu. – Vá querida, não quero te atrasar. Dê um beijo em Emmett e Edward por mim.

- Pode deixar. – nos despedimos e eu desliguei.

Me levantei e fui até o banheiro. Lavei o rosto, escovei os dentes e fui tomar café.

A gravidez mexia com o limite de capacidade do meu estômago. Apesar de ter engordado apenas 3kg, o que minha médica disse que era excelente, eu corria um grande risco de virar uma porca encalhada se não me controlasse e comesse tudo que eu tinha vontade.

Na maioria das vezes eram bolachas, muffins, fast-food, pizza, tacos e outras coisas que eu sabia que deveria evitar e que só comia raras vezes, como ontem por causa do jogo, afinal é tradição ver jogo de beisebol se entupindo de besteiras.

Quando cheguei a cozinha estavam todos lá.

- Bom dia! – cumprimentei a todos.

- Bom dia. – eles me responderam em uníssono.

Me sentei a mesa e servi um copo de leite.

Edward estava sentado ao meu lado, de bermuda e sem camisa. Seus cabelos estavam uma zona como sempre e ele não podia estar mais lindo.

- Vou fazer ovos pra você, quer? – ele perguntou.

Eu o olhei. Realmente eu estava estranhando toda a sua atenção comigo.

Mas eu estava com fome e só de pensar em ovos mexidos com queijo...Uhmmm!

- Quero! – falei e ele se levantou. – Mexidos e com queijo.

Emmett e Rose riram da minha exigência.

Edward foi pro fogão e depois de alguns minutos estava com um prato de ovos mexidos na minha frente, pareciam estar uma delicia.

- Espere esfriar. – ele disse. – Eu ia fazer bacon, mas a última vez que fiz café pra você, você disse que eles te enjoavam...

- Obrigada! – fui sincera me surpreendendo por ele ter lembrado desse fato de meses atrás. – E eu não enjôo mais.

- Coma uma panqueca Bella, foi Edward que fez. – Emmett disse.

Eu encarei Edward mais uma vez.

Desde quando ele sabia cozinhar?

- Mel ou chocolate? – Edward me perguntou sorrindo.

- Mel.

Ele me passou o pote de mel e eu coloquei nas minhas panquecas.

- Vou me arrumar gente! – Emmett se levantou. – Preciso chegar cedo hoje.

- Eu também! – Rose também se levantou e eles entraram no quarto deles.

Eu e Edward ficamos em silêncio.

- Fiquei sabendo que está sem carro. – ele disse.

- Estou. Ele deu um problema ontem e eu o deixei na oficina. – falei terminando de beber meu leite.

- Posso te levar pra faculdade? – ele perguntou com cautela.

- É perto... eu posso ir a pé. – falei. – Peraí, você está dirigindo aqui?

Ele sorriu.

- Estou, não é tão difícil assim, só tenho que me lembrar qual é a mão certa que eu tenho que ficar. – deu outro sorriso. – É só uma carona Bela. – ele disse ao ver minha hesitação. – Considere como uma troca de favor, por eu ter dormido aqui.

- Ok, eu aceito. – me rendi.

- Tudo bem, vou me arrumar. – ele se levantou e começou a tirar as coisas da mesa de jantar.

Eu o ajudei a limpar a cozinha e depois fomos nos arrumar.

Tomei um banho e sequei meus cabelos na toalha mesmo, não tinha tempo de secá-los no secador.

Coloquei uma skinny, uma camiseta branca, meu coletinho de renda preto e nos pés optei por um par de botas sem alto.

Peguei minha jaqueta, minha mochila e fui pra sala.

Emmett e Rose já tinha ido e Edward me esperava com uma mochila nas costas.

- Vamos? – perguntei.

Ele abriu a porta e deixou que eu passasse.

Ele estava com um carro alugado e foi nele que fomos até o meu prédio em Harvard.

Pra variar, tocava Lifehouse. Eu alcancei o botão do rádio e desliguei.

- O que foi? – ele perguntou me olhando por alguns segundos.

- Não gosto mais de Lifehouse. – eu disse. Por sua causa, me faz lembrar você.

Ficamos em silêncio o resto do caminho, em 5 minutos chegamos ao prédio onde eu teria aula.

- Obrigada... pela carona. – falei abrindo a porta.

- Bella? – ele me chamou segurando meu braço. Eu apenas o olhei. - Posso? – ele perguntou apontando pra minha barriga.

Ele queria me tocar? Tocar o Ben?

- Não Edward. – eu disse simplesmente. – Obrigada!

Desci do carro e segui meu caminho até a sala de aula.

Eu tinha alguns colegas na turma, mas não podia considerá-los meus amigos, já que nossa relação era apenas acadêmica.

Me sentei na aula que nos orientaria a fazer o trabalho de conclusão de curso, mas eu não conseguia prestar atenção em nada.

Minha mente estava focada em outra coisa, pra seu especifica em outra pessoa.

Suspirei...alto e profundamente.

- Está tudo bem? – Andrew, um colega meu me perguntou. Eu sorri e assenti.

A manhã parecia ter se arrastado e finalmente deu à hora de ir embora.

Eu saí do prédio com algumas pessoas da minha sala, a maioria seria do meu grupo de trabalho. Faríamos em um grupo de 4. Seria eu, Andrew, Luca, Mary e Melissa.

Combinamos coisas como encontros na biblioteca e quem pesquisaria que parte, coisas sobre digitação do trabalho entre outras.

- É tão legal você estar grávida! – Melissa me disse animada.

- É... agora que eu me acostumei, eu estou curtindo. – eu disse a ela alisando minha barriga.

- Posso tocá-la? – Andrew perguntou. – Eu amo sentir bebês... já disse pra vocês que minha namorada está grávida? – todos negaram. – Mas ela já está pra ganhar...e eu vou sentir falta de Angelina mexendo sob minhas mãos. Posso? – ele perguntou mais uma vez.

- Claro. – eu sorri pra ele.

Ele no mesmo momento colocou a mão na minha barriga e Ben fez uma das suas estripulias.

Melissa e Mary também o sentiram, mas Luca disse que sentia nervoso e não quis sentir.

Todos nós rimos da careta que ele fez ao dizer isso.

Me despedi deles e me preparei mentalmente pra fazer uma caminhada até em casa.

Mas quando cheguei à calçada dei de cara com Edward encostado em seu carro, de braços cruzados e sorrindo pra mim.

Merda! Como ele conseguia ser tão lindo?

- Hey! – o cumprimentei. – O que está fazendo aqui? – sorri pra ele. Era inevitável, eu tentava não tratá-lo bem, mas eu não conseguia.

- Eu estudo aqui. – ele levantou uma das sobrancelhas.

Ele se afastou do carro e abriu a porta do carona pra mim.

- Como assim? – perguntei chocada quando ele se juntou a mim dentro do carro.

- Eu me transferi pra cá. Não quero e não posso ficar longe de vocês. – ele me olhou.

Eu engoli seco.

- Você não precisava fazer isso. – eu disse. – Não mesmo. – falei irritada.

Nós ficamos em silêncio. Ainda estávamos parados no mesmo lugar.

- Porque todo mundo pode tocar sua barriga e eu não? – ele perguntou sem me olhar.

- Ehn? – fingi não ter ouvido.

- Porque todo mundo pode sentir o meu filho e eu não? – ele me olhou e merda, seus olhos estavam marejados.

- Você quer que eu te explique ou você quer acreditar no óbvio? – perguntei com raiva. – Você não te direito sobre ele Edward. – abri a porta pra sair do carro, mas ele segurou meu braço.

- Como não Bella? – ele perguntou calmo. – O que você quer que eu faça pra você acreditar em mim, acreditar que eu amo vocês?

- Me leva pra casa Edward! – pedi virando meu rosto pra janela pra que ele não visse que meus olhos também estavam marejados.

Ele não disse nada, apenas ligou o carro e saiu dali.

Quando chegamos ao apartamento estava vazio e eu fui fazer o almoço.

Acabei fazendo uma salada de legumes e peito de frango grelhado.

Fui até a porta do quarto dele e bati.

- Edward? – o chamei.

- Pode entrar. – ele disse de dentro do quarto.

Eu abri a porta e entrei.

- O almoço está pronto. – eu disse vendo ele ajeitar sua mala.

- Eu estou indo, preciso encontrar um lugar pra ficar. – ele não me olhou ao dizer.

Não! Ele não podia ir embora! Não ainda!

- Você pode ficar. – eu disse rápido. – Quer dizer... se você quiser. – mordi os lábios.

- Não. – ele disse. – Não quero te incomodar.

- Você não me incomoda. – falei.

Ele sentou na cama e esfregou o rosto com as mãos, pra em seguida me olhar tristemente.

- Eu preciso ir Bella. – ele disse. – Você não sabe o quanto é difícil pra mim ter você ao meu alcance e não poder te tocar, te amar... eu acho melhor ir.

- Por favor... – umedeci meus lábios. – Fique.

Dei dois passos a frente.

- Por favor. – implorei.

Ele me olhou e novamente seus olhos brilhavam por causa das lágrimas.

Dei mais dois passos a frente e quando percebi estava a menos de um metro dele.

Me inclinei pra frente e peguei uma de suas mãos, pousando ela na minha barriga, instantaneamente Ben se agitou.

Ficamos alguns minutos em silêncio. No quarto só havia a respiração ofegante de Edward enquanto sua mão alisava a minha barriga carinhosamente com a minha por cima da sua.

- Eu acho que ele ama você. – sussurrei.

Ele me olhou e uma lágrima grossa caiu dos seus olhos.

- Eu também o amo. – ele me disse.

Ele levantou sua outra mão e pousou na minha barriga, me acariciando com as suas duas mãos.

Então ele se inclinou e encostou a testa na minha barriga e começou a murmurar.

- Me desculpe Ben, eu amo você. – ele beijou onde sua testa estava. – Peça pra sua mãe me amar... me deixar cuidar de vocês.

Ele levantou seu rosto e me encarou.

Dei um beijo suave na sua testa e estendi minha mão pra ele.

- Vem, vamos almoçar. – falei sorrindo pra ele.

Ele pegou minha mão e levantou da cama.

Almoçamos em silêncio e poucos minutos depois Emmett e Rose chegaram e almoçaram, eles se ofereceram pra limpar a cozinha e eu deixei ela pra eles limparem.

O dia passou lentamente.

Eu fiquei o dia todo trancada no meu quarto e a ciência de que Edward estava no cômodo ao lado fazia meu estômago se agitar.

Parei pra pensar em como eu fui egoísta com ele, apesar de tudo ele era o pai de Ben e eu não podia negar isso, nem a Edward e nem ao meu filho.

Eu passei longos anos sem minha mãe e eu não ia querer que meu filho ficasse sem pai por puro orgulho de sua mãe.

Eu nunca me perdoaria se um dia Ben soubesse os motivos que levei a afastar os dois.

Pensei em como eu o amava, em como eu queria ficar com ele.

Acredite, era só isso que eu queria.

Mas eu estava com medo de sofrer de novo, de ser rejeitada ou abandonada.

Quando esses pensamentos vieram a minha mente eu só tive uma conclusão... eu estava fazendo o que ele fez.

Eu estava me afastando por egoísmo, por achar que eu passaria por tudo de novo.

Mas eu estava errada, porque se ele não me amasse, não me quisesse ele não teria voltado a Boston, ele não teria vindo estudar aqui só pra ficar ao meu lado.

Tomei um banho e coloquei uma camisa.

Depois que eu acabei de me ajeitar, eu só tinha um pensamento... ele.

Saí do meu quarto sem hesitação nenhuma, eu sabia o que eu queria, eu sabia o que eu precisava fazer.

Eu precisava dele.

Andei rápido pelo corredor e depois de poucos passos alcancei sua porta.

Dei duas batidas e esperei.

Nada.

Bati mais duas vezes.

A porta se abriu e quando olhei ele estava em pé na porta, somente com uma calça de tecido fino.

- Podemos conversar? – perguntei.

Ele saiu da porta e abriu o caminho pra que eu passasse.

No momento que eu entrei em seu quarto, eu já sabia o que dizer, o que eu precisava dizer.

Na verdade, nada precisava ser dito, eu só precisava mostrar a ele que eu nunca deixei de amá-lo.

Nunca.