N/A: Ok, isto deve ser um recorde... Em menos de 20 dias, uma atualização! Finalmente, eu acho que estou tomando jeito...

Agora, vocês não imaginam as coisas levemente bizarras que me acontecem...

Pra começar, eu acho que todos vocês devem ter tido (pelo menos uma vez) vontade de me socar pela demora... Pois bem. Seu desejo foi parcialmente realizado... Eu levei um tremendo soco no olho... Mas adivinhem só quem me socou? Ninguém mais que eu mesma... Sim. EU ME DEI UM SOCO NO OLHO... Mas calma, ninguém leva um soco na fic... Eu acabei me socando (ou me batendo, ou me machucando, como vocês preferirem) durante o sono... Ou seja, um dia eu simplesmente acordei com o olho roxo, inchado e uma hemorragia no olho... Ficou uma coisa maravilhosa de bonita... Uma menina séria e calma, com o olho roxo e inchado, além do "branquinho" do olho estar todo vermelho por causa da hemorragia...

Eu realmente não consigo me entender...

Mas vamos parar com a enrolação, menina, e vamos responer às...

Rewiews:

Tete Chan: Aaaaaaaaaah... Você vai gostar, o Alex aparece neste capítulo... E, você pode ter certeza que ele vai aparecer no próximo, também... Espero poder matar a sua ansiedade, já que eu a deixei bem curiosa no MSN... Hehehehe

Thata Radcliffe: Eu também amo o Remo... Coisinha mais fofa que ele não há... Muito mais do Remo neste capítulo, espero que você goste... (E eu espero que atualizar agora seja cedo o suficiente... )

Elyon Somnaire: Você é de Portugal? (eu deduzi pelo seu jeito de escrever) Sendo ou não sendo, é uma honra contar com o seu comentário... (faz reverência) E não tenha medo de cobrar de mim os capítulos atrasados... Eu é que sou uma menina relapsa!

May: Ele não vai virar o mau da história, não se preocupe... Mas o "final feliz com direito à beijo" não vai vir tão rápido assim, então se prepare ainda para muuuuuuitas confusões! E eu ainda tenho que pensar sobre o seu prêmio...

Tainah: Hehehe, se eu não fosse apaixonada pelo Remo também, eu não estaria descrevendo ele tão apaixonadamente. Ele realmente se ferra bastante por causa da Lily... XDDD Mas veja bem... A Nicki tem até razões para estar meio brava com a Lily... Afinal, a Nicki só brigou com o Michael porque a Lily arrastou ela para a confusão, se uniu a Bellatrix e se recusou a ser razoável com o Sirius... Mas, de qualquer jeito, a Ludmilla não ficou brava... Ela só foi prejudicada pela Lily. De qualquer jeito, neste capítulo se resolvem alguns problemas... E se criam muitos outros... (hehehehehe) Se você gostou do Remo, você vai adorar este capítulo também...

Giulinha Black: Adivinha o que eu estava com vontade de comer na hora que eu escrevi sobre o Remo? Huauhauhauhauh... Sei lá, eu só estranhei um pouco ele ter chocolate no bolso o tempo todo pra dar pro Harry, então eu imaginei que ele fosse fã disso... Eu sei que eu só enrolei no último capítulo, mas eu espero compensar bastante com este daqui!

Lily Dany Potter: Pois é, só quando a gente escreve que se percebe o quanto uma rewiew significa... Agora, eu concordo com você: a Lily é uma tremenda cabeça dura... Mas afinal, se ela não fosse, não seria tão divertido ver ela se meter em confusões e mais confusões, só porque não quer admitir o óbvio...

Carol Sayuri Evans: Hehehe... Outra chocólatra? E não fique desesperada… Desta vez, eu estou tentando ao máximo atualizar rápido! Prometo que não vou "sumir" de novo!

Pikena: (que já ocupa um lugar de honra, que até agora não falhou em comentar um só capítulo!) Pra ser sincera, eu também adoro responder às rewiews... É um jeito de me aproximar das pessoas que lêem, além de dizer o quão importante vocês são para mim... As pessoas não fazem idéia de como as rewiews são importantes para quem escreve... Agora, se o outro capítulo era só de "enrolação", este aqui tem bastante ação... Espero que seja isto o que você estava esperando...

Alex: Wotcher! (Hey, hier kommt Alex!) lol Minha fiel ilustradora, espero que você goste deste capítulo... Você já viu alguns trechinhos e... Bem, você sabe o que esperar (eu só quero ver como vão ficar os desenhos para estes capítulos...) XDDDDD

- Laura -: Sim, eu levei um tapa na minha própria cara por mim mesma... Mas o pior é que... Bem, o pior é que isto não foi o pior... Quem me vê escrevendo acha que eu estou maluca... Eu fico com raiva, caio na risada, choro, fico agonizada, me abraço com bichinhos de pelúcia, simulo histórias com bichinhos de pelúcia, pego a mesma doença de um personagem... Meus métodos para escrever são realmente pouco comuns... Ah, sim, e todos adoram chocolate... Inclusive eu!

Lily Evans Lied: Mais atitudes marotas para o Tiago... Bem, neste capítulo eu não sei se você vai ver muito, mas eu garanto a você que logo teremos nosso querido Tiago Maroto de volta... Mas por enquanto, espero que você goste deste capítulo...

Lara Potter: Você se viciou? Gah... Então é minha obrigação escrever o mais rápido possível para poupar você da crise de abstinência... Heheheheh... E sim, o Tiago vai ficar se corroendo de remorsos... Mas neste capítulo, outras questões de importância são resolvidas...

Mile: Hmmmmm... Eu até sou simpatizante de R/L, mas não, nesta fic isto não acontece... Afinal, e comecei como L/T e vou ficar assim até o final... XDDD Afinal, o Remo não pode ficar com a Lily... EU QUERO ELE PRA MIM! Muahuahuahuahua (risada maníaca) Hehehe...

Nice Egan: Você leu a minha fic em um dia? Nossa, isto é digno de uma reverência (faz reverência à la Elfo doméstico, quase encostando o nariz no chão). Espero que este capítulo sirva para abater a sua frustração... E a Lily não é tão depressiva... Ela só estava mal quando começou a pensar em suicídio... (e colocá-la na torre de Astronomia seria uma tentação muito grande para o meu lado sádico. Sabe-se lá o que eu poderia acabar escrevendo se a colocasse lá...)

Kryka James Prongs Potter: Oie! Bem vinda de volta… :P Olha só... Não espalha, viu, mas uma parte das suas divagações estava certa... (olha para um lado e para o outro, cautelosa) O Sirius obviamente não vai aceitar as desculpas da lily assim. Ou seja, mais confusão à vista...

Nicki: Faz igual o Stalin... A pessoa não quer deixa você ler...? Mata... (imitando JP) E o que mais eu posso dizer... Seu desejo é uma ordem!

Thaisinha: Minha netinha querida, isto eu não posso dar para você por dois motivos: Primeiro, porque o seu Zack ia ficar com ciúmes... E segundo, porque ele já é MEU! (olhar maníaco e possessivo) Huahuahuahua... Mas tudo bem... Eu empresto ele de vez em quando... ;)

Mary D'Angelo: O Sirius e o Remo... Bem, já que as coisas são do ponto de vista da Lily, se eles estão tendo um caso e ela não ficar sabendo, simplesmente não aparece no diário, certo? Bem, no caso do Sirius, desnecessário dizer que ele está praticamente com uma garota por semana... E o Remo... Bem, você vai descobrir alguns capítulos mais tarde... E sobre a Lily e o Tiago... Eu só posso dizer que logo, logo vai ter mais... interação entre esses dois...

June: Hehe... Coitada de você, com metade da escola enchendo a paciência... :P Eu acho que agora a Lily vai passar por uma situação parecida com a sua... Espero que você goste do capítulo... E, não se preocupe, as "partes legais" não vão demorar mais tanto assim...

Ang: O que a Lily fez para a Ludmilla? Bem, a questão é o que ela deixou de fazer... Ela tinha todas as informações para livrar a cara da Ludmilla, ela tinha a verdade, e deixou os dois se encontrarem e fazer toda aquela confusão só por causa do plano dela... E a Lily vai, sim, para o baile... E você já vai descobrir com quem.

Mel Black: O Tiago está violento, sim... Fora de controle seria a melhor palavra. Mas não se preocupe... Eu só espero que ele não faça isto de novo. (não, pra ser sincera, eu não tenho muito controle sobre os meus personagens...) Eu simplesmente imagino as coisas meio que na hora, e elas saem do controle... :P Mas, de qualquer jeito, o Tiago vai se desculpar por isso depois...

Urd dejiko: Obrigada... Espero que você goste deste capítulo... E um grande beijo pra você também!

Jules: Calma, o olho já está melhorando... E aqui está, Dona Juia, o jeito como a Lily (tenta, pelo menos) se sair dessa... (muitas confusões e Marotos sem camisa incluídos!)

Juliana Montez: Por último mas não a menos importante! Nós vamos ter que dividir o Remo ao meio... Eu também quero um pra mim! E eu concordo com a história da Chapeuzinho vermelho! Viva o lobo mau! E não se preocupe, a fic É uma T/L, o que significa que vão ter cenas assim... Só peço um pouco de paciência, já que o Tiago some um pouco neste capítulo...

Agora, se alguns reclamaram que o outro capítulo era só de "enrolação", este capítulo sim tem "conteúdo"... No word, pelo menos, foram mais ou menos 30 páginas... Divirtam-se!

19- Boatos, remorsos e uma touquinha de banho.

- Já deve ter anoitecido... – disse Remo abruptamente, enquanto caminhávamos pelos corredores de pedra de Hogwarts, enquanto algumas armaduras rangiam ao nosso lado.

-Como você sabe? – eu perguntei, olhando pela janela. A chuva não tinha cessado nem por um instante, e as nuvens negras eram tão densas que bloqueavam quase toda a luz solar.

- Não sei... Eu sinto. – ele disse, levantando o nariz para o ar e inalando, de um modo realmente... Lupino. – Quando chega perto de... Bem, perto da lua cheia, eu começo a ficar diferente...

-Você fica mais sensível perto da lua cheia? – eu perguntei, curiosa. Das intermináveis coisas que eu e Remo estávamos sempre discutindo, sua "condição" era um dos poucos assuntos que eu evitava falar. Mas quando ele abordava o assunto, minha curiosidade quase acadêmica sobre este aspecto da vida de meu amigo acabava levando a melhor.

-Sim... Logo antes da Lua cheia meus sentidos ficam bem mais apurados... – ele explicou. – Eu posso até fechar os olhos, andar pelos corredores e me guiar só pelos cheiros alguns dias antes de...

-Por exemplo, neste exato momento – Remo fechou os olhos e inspirou profundamente. – Você está cheirando a livros, tinta, sabonete para o rosto, o meu chocolate e... – ele de repente emudeceu e ficou sério, com uma expressão desgostosa no rosto.

- O que foi? – eu perguntei, preocupada com sua repentina mudança de atitude.

-Sangue. – ele praticamente cuspiu a palavra. – sinto o cheiro do seu sangue... – ele olhou para as próprias mãos, onde algumas feridas da última lua cheia mal tinham desaparecido. – como o monstro que fareja a presa com antecedência...

-Remo, pare com isso... – eu disse, com um grande suspiro e um olhar de "quantas-milhões-de-vezes-nós-já-discutimos-esse-assunto". – Não vamos discutir isto de novo... – Mas mesmo evitando discutir o assunto, a constatação de Remo tinha me impressionado um pouco. Mais uma vez uma onda de compaixão me atingiu, e eu me senti ainda mais ridícula por estar incomodando meu amigo por um problema tão pequeno, comparado com o que ele passava. Como eu podia dizer que tinha problemas se o grande amigo que estava tentando me ajudar era obrigado a se transformar em uma criatura sanguinária uma vez por mês, sem ter o mínimo controle sobre suas ações? Como eu podia dizer que carregava a culpa de ter feito coisas más se ele poderia matar as pessoas que ele mais queria bem por mero desejo de sangue da besta que morava dentro dele? Eu me virei para a parede, tentando enxugar meus olhos já cheios de lágrimas sem que Remo percebesse, respirando fundo e tentando engolir o nó que já começava a se formar em minha garganta.

Por alguns minutos nós apenas andamos em silêncio, até que eu mesma o quebrei.

-Mas... E então, quando nós, digo eu, ah não sei... Quando o seu "plano" vai ser colocado em prática? – eu perguntei, quando senti que conseguiria falar sem que minha voz tremesse.

-Você quer dizer, quando você vai pedir desculpas para as pessoas? – Remo perguntou, sorrindo gentilmente. – Assim que você se sentir pronta para isto, Lily... Pode começar amanhã mesmo, se quiser, mas vai ter que ser sozinha, já que eu vou para Hogsmeade...

-Hogsmeade? – eu perguntei, incrédula. – Você está me dizendo que este fim de semana está marcado para irmos lá?

-Na verdade, não... – evitando meu olhar, eu vi que as bochechas de meu amigo ficavam mais e mais vermelhas. – É que meu estoque de chocolates está quase no fim, já que eu costumo comer muito chocolate logo antes de...

-Mas como você espera ir para lá sem permissão? – eu perguntei, erguendo as sobrancelhas.

Ao ouvir isto, Remo se virou para me encarar, e sorriu maldosamente.

-Minha cara amiga, algumas vezes você acaba se esquecendo que eu também sou um Maroto...

-Então você está me dizendo que vai ficar longe de mim por boa parte do dia porque está saindo do castelo por meios ilícitos para comprar chocolate?

- Exatamente. – ele respondeu, com a naturalidade de quem fala do tempo.

- Eu não sabia que você era um viciado, Remo... – eu disse, com um tom de fingida preocupação.

-Se isto explica, o chocolate libera endorfinas em nosso corpo, que reagem com...

-Não precisa se explicar. Você é um viciado em chocolate e ponto final.

- Mas, mudando de assunto, você quer que eu lhe traga alguma coisa? Talvez algo que falte para você se arrumar para o baile...

-BAILE! – repentinamente eu parei, arregalando os olhos e quase derrubando Remo, que me seguia de perto, no chão. – Não acredito que eu esqueci do maldito baile...

- Até eu me esqueceria, se o professor Slughorn não ficasse falando sobre isso na metade da aula de poções... – ele observou, coçando a cabeça. – De qualquer jeito, eu não vou estar lá mesmo...

-É uma pena... – e assim, antes que eu pudesse dizer mais qualquer outra coisa, nós nos deparamos com o retrato da Mulher Gorda. O Salão Comunal parecia estar tão cheio que as vozes já alcançavam o outro lado da pintura, e eu tremi só de pensar em quem mais eu encontraria lá. Percebendo o que eu fazia, meu amigo observou:

-Você não vai poder fugir de todos por muito tempo, Lílian...

-Eu sei, Remo, mas eu n-não quero ver t-todos olhando pra mim a-a-assim... – repentinamente meus olhos começaram a se encher de lágrimas, e eu mordi meus lábios para que não tremessem.

-Shh, Lily, calma... – meu amigo parecia ter se assustado com minha repentina mudança de humor, e logo estava com as mãos nos meus ombros e me levava para uma outra direção. – Já está na hora do jantar, quase, vamos na cozinha comer... Eu definitivamente não quero expor você ao Salão Principal cheio de novo...

-Não estou com fome... – eu protestei, mas um olhar feral de Remo me silenciou.

- Você. Vai. Comer. – ele disse, simplesmente, e o aperto de suas mãos em meus ombros se intensificou.

-Sim, mamãe... – eu respondi, sarcástica.

Assim, quando chegamos à cozinha, os elfos domésticos quase saltaram sobre nós, jubilosos por poderem nos servir, e em breve uma enorme quantidade de comida nos cercava. Logo que comecei a me servir, Remo sorriu.

-Para alguém que não estava com fome, você até que está se dando bem... – como estava com a boca cheia de empadas, eu não pude responder, mas logo que engoli, comecei a falar.

- Você não deixa passar nenhuma, não é?

- Oras, mas na falta de alguém com juízo neste mundo, eu não posso deixar um bebezinho assim, pobre e indefeso, morrendo de fome e de falta de sono...

- Obviamente, sendo o "pequeno e indefeso bebezinho" a monitora chefe... – eu retorqui, apontando meu distintivo brilhante, ainda preso ao uniforme.

-Mas quando a senhorita monitora chefe em questão não se cuida sozinha, algumas providências devem ser tomadas... – Remo disse, enquanto cortava um enorme bife que ele mesmo estava comendo. – Como eu já percebi, você tem uma tendência a parar de dormir e comer quando você tem problemas...

-Bem, eu acabo não tendo tempo para...

-Se manter viva? – meu amigo balançou a cabeça – por isso eu digo que você precisa de alguém verificando se você está comendo ou dormindo de maneira correta...

Uma conversa relativamente leve se seguiu, e como minha mão está ameaçando inchar, eu prefiro não transcrever tudo aqui, e simplesmente continuar narrando o que aconteceu...

Após sairmos da cozinha, sãos, salvos e alimentados, Remo gentilmente me perguntou se eu realmente queria voltar para o Salão Comunal, já que o mesmo estaria lotado.

- Por acaso eu tenho alguma opção? – eu perguntei, balançando a cabeça. – Afinal, nós também temos que deixar nossas mochilas em algum lugar, meu ombro já está começando a doer de tanto carregar livros...

Depois de recusar veementemente a oferta de Remo para carregar minha bolsa (não podemos esquecer que a lua cheia seria dali a alguns dias), ele me lembrou de meus negligenciados deveres para com a monitoria, ao que eu engoli em seco.

-Pelos dragões da Montanha, eu tinha me esquecido completamente disto... – e assim, depois de gritar um "vejo você mais tarde" para meu amigo, eu saí correndo pelos corredores quase vazios de Hogwarts, a chuva ainda batendo ferozmente nas janelas.

Quando finalmente cheguei na sala da monitoria, fui saudada por um Alexander Flink e vários monitores mais novos igualmente surpresos.

-Eu pensei que você tinha desistido de seu cargo... – disse Alex, fixando em mim seus olhos penetrantes. O resto dos monitores olhou para mim, e eu não pude deixar de corar.

-Digamos que eu tive uma série de problemas, ehm... Pessoais nas últimas duas semanas, e...

-A última coisa que você poderia pensar era em seus deveres da monitoria, certo? – Alex disse, com um sorriso. – Foi um pouco difícil lidar com tudo sozinho, mas ainda bem que esta semana não teve nada de mais...

Eu dei um sorriso culpado a meu colega, balançando a cabeça lentamente.

-Ah, com a confusão que tem sido minha vida, parece que eu estou fazendo tudo errado... Me desculpe se eu fiquei tanto tempo fora de ação, mas agora eu pretendo compensar isto... – eu disse prontamente.

-Calma, Lílian, você só precisa continuar normalmente... – ele disse, enquanto mexia em alguns papéis sobre a mesa. – Não se preocupe...

Com um suspiro, eu praticamente me joguei em minha cadeira.

-Você tem certeza, Alex? – eu perguntei, mordendo os lábios. – Fazer isto para mim?

-Mas é claro... – ele disse. – Faria muitas coisas por você...

O comentário me fez corar até ficar quase mais vermelha do que minhas roupas, mas eu não disse nada. Como diria Nicki, estávamos entrando em "um terreno perigoso".

-Além do mais, você não parecia não estar tão bem nos últimos dias... – ele notou, me olhando de cima a baixo. – Estava bem mais pálida e com mais olheiras...

Sem deixar de notar como Alex parecia prestar bastante atenção em mim, eu ia falar, mas ele continuou.

-Mas agora você parece bem melhor...

- É, o Remo anda me ajudando com meus problemas... – eu disse, casualmente. Como era de conhecimento de qualquer menina, se quiséssemos afastar algum menino sem magoar ou dar um fora, existe uma fórmula simples: Falar de outro menino com carinho. No caso, Diário, eu posso dizer que Remo veio bem a calhar. – E eu posso dizer que são muitos... – imediatamente, eu vi minha frase surtir efeito: O rosto de Alex se contraiu um pouco, e ele se sentou mais para trás na cadeira.

-Mas pelo visto, você não é a única com problemas... – ele disse, tentando evitar falar mais sobre meu amigo. – o Michael, que estava com a sua amiga, anda muito mal... Para ser sincero, nunca o vi tão arrasado em meus anos em Hogwarts...

-Mesmo? – eu disse, uma pontada de remorsos já atingindo meu peito.

-Sim... – ele continuou, pensativo. – Ele não para de falar na Nicolle... Vive dizendo que nunca tinha encontrado uma menina tão especial na vida dele...

-E porque ele não se acerta com ela? – eu perguntei, já quase não me agüentando de remorsos.

- Você sabe que o Michael tende a ser um pouco orgulhoso, não? – ele disse, parando de examinar suas mãos cheias de tinta para fixar seu olhar em mim novamente. – Diz que vai esperar ela pedir desculpas pelo que aconteceu...

-Mas ele é quem fez o escândalo todo! – eu retruquei, remorsos sendo substituídos pela indignação.

-Mas foi ela quem deixou ele sozinho e não explicou o que estava acontecendo... – a indignação se esvaiu, e os remorsos voltaram a agulhar meu peito.

-E pensar que tudo isso foi culpa minha...

-Sua? – Alex parecia surpreso. – Como você poderia ter alguma coisa a ver?

- É que a Nicki estava envolvida de mais em meu, eh, problema, e quis me ajudar, mas eu acabei estragando tudo...

- E vocês também acabaram brigando? – realmente, diário, para alguém que não participava tão ativamente de meu círculo de amizades, Alex estava relativamente bem informado. Mas, como se captasse meus pensamentos e lesse minha expressão suspeitosa, ele rapidamente respondeu.

- Antes que você pergunte, eu posso dizer que tenho o dom da observação minuciosa... – ele disse, brincando com a varinha entre seus dedos e tentando não me encarar. – Deve ser por isso que fui nomeado Monitor Chefe, no final das contas... Eu notei quando você começou a evitar a Nicki, na verdade, o próprio Michael comentava que não entendia o desentendimento de vocês duas...

-Certo... – enquanto Alex falava, eu dei uma olhada pelos pergaminhos de formulários e listas de atividades, tentando ver o que eu tinha perdido. Graças aos Dragões, eu não tinha perdido minha antiga responsabilidade por inteiro, e meu "módulo monitora certinha" começava a voltar.

-Fora isso, Alex, tem mais alguma coisa para fazer? – enquanto conversávamos, os monitores tinham deixado a sala, um por um ou em pares, e estávamos sozinhos na sala. Após olhar para o relógio e ver que já era tarde o suficiente para o Salão Comunal não estar tão cheio, eu decidi que logo sairia de lá.

- A princípio, a Mc Gonagall não mandou mais nenhuma ordem...

- Ótimo. – me levantando da cadeira, eu peguei minha bolsa e alguns pergaminhos, mas quando estava para sair, uma mão em meu braço me deteve.

- Lily? – Alex perguntou, sua voz agora hesitante, enquanto seus olhos azuis brilhavam por trás de seus óculos. – Você ainda pretende ir ao baile de Halloween que o Slughorn está planejando?

Pega de surpresa pela pergunta, eu corei. Mais cedo ou mais tarde, eu sabia que alguém tocaria no assunto do baile, mas eu realmente não me sentia em condições de fazer qualquer tipo de decisão.

-B-bem, devido às circunstâncias, eu realmente não sei, Alex... Mas por que você pergunta?

- Eh, é que eu... Hm... Queria saber se... – suas bochechas começaram a ficar um pouco vermelhas, mas ele logo retomou sua compostura. – Se você vai ajudar na decoração do Salão antes, já que foi pedido a nós que ajudássemos... Sabe como é, se as meninas levam mais tempo para se arrumarem...

- Ah, sim... – um tanto quanto aliviada com a resposta de Alex, eu soltei a respiração que estava prendendo. – Eu não tenho certeza se vou demorar muito para me arrumar, e ajudo até achar conveniente... – eu disse, enquanto abria a porta da sala. – Até logo, Alex, e obrigada mesmo pela ajuda enquanto eu estava... Fora.

-Que é isso... – ele disse, sorrindo. – E qualquer coisa que precisar, não hesite em pedir... Você sabe onde me encontrar.

E assim nós nos despedimos, cada um indo para sua Sala Comunal, e, pelo menos de minha parte, sentindo um imenso alívio por não ter tido maiores problemas com a Monitoria.

Assim que passei pelo retrato da Mulher Gorda, vi, para meu grande alívio, que o Salão Comunal da Grifinória estava relativamente vazio, mas ao procurar Remo com os olhos, vi que ele estava sentado ao lado dos Marotos, e quando me viu, se levantou imediatamente. Os Marotos remanescentes me acompanharam com o olhar, os olhos cinzentos de Sirius brilhando perigosamente, mas nenhum deles ousou fazer qualquer tipo de comentário.

- Acho que já é o suficiente por hoje... Seria melhor você ir dormir... – e assim ele me desejou boa noite e voltou a se sentar com os Marotos, enquanto eu lentamente subi as escadas do Dormitório feminino, que, graças aos Dragões, estava vazio. Assim, sem pensar duas vezes, eu tomei um longo banho, vesti meu pijama e desmaiei em minha cama, pegando no sono quase instantaneamente.

No dia seguinte, ao acordar e descer as escadas do dormitório de manhã bem cedo, eu encontrei Remo andando de um lado para o outro no Salão Comunal, como um animal enjaulado, e a expressão estranha que ele fez ao me ver mal conseguia disfarçar sua evidente fome.

-Ainda bem que você acordou... – se não soubesse que as escadas do dormitório feminino eram encantadas, Remo com certeza estaria me puxando pela manga da camisa, tamanha era sua pressa. – Não sei quanto a você, mas eu estou com muita, muita fome... –e, antes que eu sequer pudesse murmurar um "bom dia", Remo estava me arrastando até o Salão Principal, segurando meu pulso com tanta força e urgência que parecia ser um caso de vida ou morte.

Obviamente, eu não conseguia deixar de achar estranho que o sempre cavalheiro e calmo Remo estivesse agindo daquela forma, mas ver meu amigo tão desesperado por comida era algo realmente engraçado.

Assim que avistou a mesa da Grifinória rangendo sob o peso do café da manhã, Remo assumiu uma expressão selvagem, e logo ele já estava sentado, empilhando salsichas e bacon em seu prato. Sem sequer tocar nas bebidas ou em qualquer coisa que não fosse carne, ele começou a comer de uma forma que só poderia ser descrita como selvagem.

-Remo... – eu comecei, mas meu amigo estava tão ocupado comendo que não parecia me notar. – Remo! – ele apenas olhou para mim um segundo antes de recomeçar a comer. – REMO LUPIN, TIRE ESSE NARIZ DO SEU PRATO E OLHE PARA MIM, SEU TRASGO MANCO E FAMINTO! – diante de meus berros, meu amigo se assustou e finalmente me encarou, uma expressão contrariada em seu rosto cheio de molho.

- O que foi? – ele perguntou, como se avançar sobre um prato cheio de bacon e salsichas fosse algo tão normal quanto beber um copo de suco de abóbora.

- O que você pensa que está fazendo?

-Comendo... – com um olhar atravessado, meu amigo já ia se curvar para seu prato quando eu o interrompi.

-Mas você precisa agir como um selvagem e atacar qualquer coisa que se pareça remotamente com carne?

Remo corou, repentinamente desconfortável.

- Eu simplesmente gosto de comer carne... – ele disse, remexendo a comida com o garfo. – Alguns dias antes de... Bem, alguns dias antes eu só consigo comer carne e chocolate... Carne para o lobo, chocolate para mim... – ele explicou, tentando soar natural, mas com um evidente toque de tristeza em sua voz.

-Sabe o que eu acho? – eu disse, quando uma idéia repentinamente passou por minha cabeça. – Você é o único menino que entende as meninas...

-Eu? – algumas garfadas (agora, mais "civilizadas") depois, ele tornou a olhar para mim com as sobrancelhas levantadas. – Deve ser um engano, minha cara... Pelo que eu sei, Sirius e Tiago entendem muito mais sobre meninas do que eu, principalmente ao que diz respeito à anatomia...

Eu engasguei com meu suco de abóbora.

-Eu não estou falando disso, Remo! – eu disse, tossindo e sem conseguir conter a vermelhidão em minhas bochechas. – E depois você me diz que não tem a mente poluída... Estou falando que você não entende SOBRE as meninas, você entende as próprias meninas...

-Como assim? – ele perguntou, agora com uma voz puramente acadêmica.

-Só você sabe o que é passar por um incômodo mensal...

Foi a vez de Remo engasgar com o bacon.

- O que? – eu disse, me divertindo ao ver meu amigo passar por várias camadas de rosado e vermelho até ficar beirando o roxo. – Até parece que você nunca ouviu falar do que acontece com as garotas uma vez por mês...

-Eu só achei... – ele disse, hesitante, sem ousar me olhar e ainda com o rubor das bochechas se espalhando pelo pescoço – que as meninas não gostassem de discutir, hã... isso no meio do café da manhã...

- Como se não fosse algo natural... – eu disse, olhando para minhas unhas e me controlando ao máximo para não rir. – era óbvio que eu não saía falando de meu ciclo menstrual na frente dos meninos, mas não era sempre que Remo Lupin ficava tão embaraçado, e eu não queria perder a oportunidade.

-Você deveria entrar para os Marotos... – ele disse, simplesmente, mas ainda sim muito vermelho. – E depois você não pode chamá-los de sádicos...

- Não mude de assunto, Sr. Lupin... – eu avisei, colocando as mãos na cintura e imitando perfeitamente minha postura de monitora. – Você não pode dizer que está sozinho com seus "incômodos mensais"...

-Não é nada parecido... – ele disse, evitando meus olhos a qualquer custo.

- É sim! – eu disse, teimosa. – Ou ao menos, você também tem TPM...

-Como? – ele disse, finalmente olhando para mim.

- TPM... Tensão Pré Metamorfose, no seu caso...

- Neste ponto eu concordo com você, minha cara... – ele disse, agora em um tom acadêmico.

- Mesmo?

-Sim, eu estou com TPM mesmo. Tendência Para Matar uma certa garota ruiva se ela não parar de falar sobre as funções orgânicas femininas só para me deixar embaraçado...

Desta vez eu não consegui mais me controlar, e nós dois rimos por vários minutos, até que as pessoas começaram a nos lançar olhares estranhos. Nós passamos mais uma manhã tranqüila na biblioteca, desta vez apenas conversando sobre várias coisas, e quando fomos ao Salão Principal almoçar, não tivemos maiores problemas. Após assistir a Remo comendo um prato com rosbife empilhado de uma maneira, digamos, selvagem, Remo decidiu que já era hora para fazer sua pequena "excursão", e eu me dirigi ao Salão Comunal da Grifinória, pensando em passar uma tarde tranqüila, longe dos Marotos ou de qualquer outra pessoa.

Mas, como andava acontecendo muito por aqueles dias, minhas esperanças foram frustradas já que, assim que cheguei ao Salão Comunal, os Marotos estavam sentados nas poltronas perto da lareira, tendo Nicki ocupando o lugar que normalmente pertenceria a Remo, e todos me lançaram olhares igualmente reprovadores assim que passei pelo retrato da mulher gorda. Sem a mínima vontade de brigar ou arranjar confusão, eu já ia dar meia volta quando minha querida consciência, que parecia estar adormecida há algum tempo, despertou finalmente, batendo furiosamente em minha cabeça. "Você não vai se rebaixar ao ponto de simplesmente dar meia volta e mostrar a eles que você está com medo de encará-los, não é? Vamos, menina, tenha um pouco de orgulho, erga a cabeça e não deixe eles ficarem sabendo que você está assim arrasada..."

Assim, em uma tentativa tardia de preservar meu orgulho já ferido – e prestes a ser ferido novamente -, eu simplesmente passei reto por eles, tentando ignorar a hostilidade com que eles me tratavam, e fui direto para meu dormitório, esperando encontrar um pouco mais de calma, respirar fundo e pensar no que fazer. Sem Remo para me fazer companhia e sem idéia do que fazer a tarde inteira, eu até me arrependi um pouco por ter feito toda da lição de casa no dia anterior, o que me deixava sem mais opções do que fazer. Minha mente já vagava pelo romance grosso trouxa que minha mãe tinha me mandado de aniversário e eu ainda não tivera tempo de ver quando eu abri a porta do dormitório, e todo e qualquer pensamento sobre o que fazer desapareceu de minha mente. Dentro do dormitório estava ninguém menos que Ludmilla Collins, de um jeito que eu ninguém nunca a encontraria. Ao invés da garota atraente, produzida e impecável em seu uniforme apertado o suficiente para mostrar suas curvas, ela vestia um casaco largo, não usava maquiagem alguma e seus cabelos estavam desarrumados e embaraçados. Naquele momento, ela estava debruçada sobre o parapeito da janela, sua pena de águia balançando levemente enquanto ela escrevia em um caderno pautado, suspirando. Ela não me notou quando entrei no dormitório, mas logo que a porta se fechou atrás de mim com um barulho surdo ela se voltou, sobressaltando-se, mas logo relaxando ao me ver.

-Lily... – ao virar seu rosto para me encarar, eu pude notar que por trás da base que ela passava haviam, de fato, algumas espinhas. – Eu não vi você chegar...

-Espero não estar interrompendo nada... – eu disse, cautelosa, sentando-me em minha cama.

-Não... – ela disse, sorrindo, e me mostrou o que escrevia. – só estou escrevendo uma carta para o Josh...

Sendo uma menina realmente popular, Ludmilla já tinha namorado vários garotos em Hogwarts, muitas vezes um a cada duas semanas, mas desde que se apaixonara perdidamente por um trouxa, não se ouviam mais falar de suas "aventuras" por Hogwarts. Neste último ano, ao que parecia, escrever cartas e mais cartas parecia ser a única experiência romântica que Ludmilla estava procurando...

- Deve ser duro ficar tão longe dele... – eu disse, também sorrindo para a garota.

- Não é fácil. – ela suspirou, enquanto deixava a carta de lado e se virava totalmente para mim. – Mas pelo menos eu vou voltar para a casa de meus pais nas férias e vê-lo de novo...

- Mas eu fico surpresa em encontrar você sozinha... – eu disse, tendo em vista que raramente Ludmilla Collins era vista sem suas fiéis seguidoras.

- Ah, é que às vezes eu quero um tempinho para mim... Ficar quieta por um momento, escrever minhas cartas... – ela disse, com um olhar sonhador. – Mas e você? Como andam os seus dias?

-Não tão bem assim... – eu respondi, hesitante, pensando no quanto eu poderia revelar à Ludmilla. Afinal, antes de tudo, uma de suas melhores amigas era a fofoqueira-mor de Hogwarts, e mesmo que ela não tivesse más intenções, muitas coisas que eu diria poderiam ser o assunto do dia para metade da população do castelo, algo que eu definitivamente não queria.

-Pelo que eu observei, você andou tendo alguns problemas... – ela disse, soando compreensiva. – Se você tiver qualquer problema, sabe que pode falar comigo, não é? Se estiver ao meu alcance, eu ajudo...

Mas, por outro lado, aquela parecia ser uma boa oportunidade para esclarecer algumas coisas com a garota e ainda limpar minha consciência... Afinal, não era todos os dias que eu podia encontrá-la sozinha.

-Não sei o quanto você ouviu – eu comecei, escolhendo bem minhas palavras. – Mas eu andei tendo alguns problemas com os Marotos...

-Isto eu notei. – ela disse, enquanto sentava-se ao meu lado em minha cama. – É um pouco difícil ir contra populares com os Marotos. Eu só não sei exatamente o que aconteceu... Eu só entendi que você teve alguma coisa a ver com a foto do Black e o Snape... – seu rosto se contorceu em uma careta. – Eu não imaginava que, de todas as pessoas, ele fosse... – ela não chegou a terminar a frase, balançando a cabeça.

- Na verdade, o próprio Black estava me chantageando com uma... Foto minha. – cruzando os dedos mentalmente para que ela não perguntasse o que havia na foto, eu prossegui – E, para dar o troco, eu juntei forças com a prima dele, e fiz aquela foto... É uma montagem muito bem feita, sabe...

Mas, ao invés de receber olhares reprovadores ou de surpresa de Ludmilla, eu fiquei estupefata quando um enorme sorriso se abriu nas faces de minha amiga.

-Genial... – ela disse, seu sorriso se alargando. – Sabe, já estava na hora de alguém baixar a moral daquele garoto arrogante... Eu nunca gostei muito dele desde aquele incidente embaraçoso quando nós éramos menores, e dei uma boas risadas quando consegui ver aquela bendita foto...

-Mas por causa disso, metade da escola está me odiando... – eu disse, exagerando um pouco, mas ainda sim aliviada por ela não ter se lembrado de perguntar da minha foto.

-E a outra metade está admirando você por ter desafiado a "dinastia dos Marotos"... – ela disse. – Eu estou feliz pelo que você fez, ainda mais depois daquele escândalo que aquele cachorro fez... Imagine só, dizer que eu, euzinha fui para a cama com aquela criatura... Eu não acredito que ele teve o mau caráter de mentir para todos que eu tenha feito tal coisa...

"Pronto," – eu pensei, mordendo os lábios "vou esclarecer isto com a Ludi... É agora ou nunca." E, com um gesto de coragem que eu não julgava que eu fosse capaz, eu inspirei profundamente e a interrompi.

-Na verdade, o Sirius não teve culpa disso...

-Como? – Ludi parou, incrédula, me fitando como se tentáculos roxos com bolinhas verdes tivessem saltado repentinamente de minha cabeça. – Você está dizendo que...

-Que Sirius Black não teve culpa de dizer que tinha ido para a cama com você... Porque foi quase isto que aconteceu.

-Como assim? – ela disse, estreitando os olhos, evidentemente pensando que eu estava maluca. – Você está dizendo que ele andou tendo alucinações sobre isto? – Ou, ou... – a garota sacudiu a cabeça vigorosamente. – O que você diz não faz o mínimo sentido, Lily, você deve estar fora de si...

-Não, eu sei exatamente o que eu estou dizendo... – eu disse, reunindo o pouco de coragem que me restara, eu prossegui. – Escute, eu posso dizer isto com segurança, já que eu vi exatamente o que aconteceu...

E assim, eu contei para uma boquiaberta Ludmilla tudo, (excluindo, é claro, qualquer menção à minha foto), o que eu tinha visto e ouvido, dizendo que eu fora no dormitório para falar com Sirius, mas que ele entrara se agarrando com uma garota que era idêntica a ela, e como nós a tínhamos seguido para descobrir que ela se chamava Astrid Rosier e que Bellatrix Black estava por trás disto tudo.

-E então, eu fiquei sabendo o que elas planejavam fazer com o Sirius, mas vimos que você também estaria envolvida na história, e até tentamos fazer com que vocês não se encontrássemos... Mas eu cheguei a um ponto que estava tão obcecada por vingança que não avisei você, e expus você a tudo isso... Me sinto uma péssima amiga. – eu finalizei, e naquele momento, minha voz começou a falhar. Colocar o que eu tinha feito em palavras só fazia tudo soar pior, e mais uma vez um nó se apertou sobre minha garganta. Finalmente eu olhei para cima, hesitante, esperando ver ressentimento, ou até ódio nos olhos da garota, mas só vi uma enorme surpresa. Sua boca estava entreaberta e seus olhos estavam arregalados, como se tudo aquilo fosse informação de mais para tão pouco tempo.

Eu tentei abrir minha boca para falar alguma coisa, qualquer coisa que pudesse mudar minha situação, mas, como andava acontecendo com uma freqüência desagradável naqueles dias, ao invés de minha voz saiu um soluço mal disfarçado, e logo eu estava à beira das lágrimas novamente, me sentindo perdida na teia de meus erros, sempre criando mais e mais problemas. E eu também desconfio, diário, que os meus hormônios já não estavam sobre controle... Não era só meu amigo Remo que estava na TPM naquele dia.

Mas, para minha surpresa desta vez, antes que eu começasse a chorar propriamente os braços de Ludmilla estavam sobre meus ombros, e ela me abraçou e me consolou enquanto eu tentava ao máximo não chorar ainda mais. Quando eu finalmente consegui controlar meus soluços e limpar minhas lágrimas, ela me lançou um longo olhar penetrante, antes de começar a falar lentamente.

-Olha, eu não digo que concordo com o que você fez... – mas logo sua expressão se suavizou, e ela quase sorriu. – Mas as pessoas não são perfeitas, e muitas vezes cometem erros sem ter a intenção de magoar ninguém. A culpa disto tudo não foi sua, Lily... E eu entendo como você deveria estar nervosa com todos os seus problemas... E eu não vou ser mais uma criticando você, Lily...

-Ah, Ludi, obrigada mesmo... Você me perdoa por não ter avisado você de...

-Tudo bem, tudo bem... – ela disse, dando de ombros. – Não adianta chorar pela poção derramada, é o que dizem, e guardar rancor não vai adiantar nada.

-Mas pelo menos esta confusão toda teve um saldo positivo – ela disse, dando tapinhas em meu ombro.

- Saldo positivo? – eu perguntei, agora já de volta ao meu juízo normal, sem entender o que ela dizia.

-Sim... – ela deu um de seus sorrisos que faziam os garotos babarem, não sem um toque malicioso. – Você não precisa fingir para mim, Lily, praticamente metade da escola já sabe...

-Sabe o que? – eu perguntei, balançando a cabeça levemente, estreitando meus olhos para a garota.

-Você e o Lupin, bobinha... – ela disse, com um sorriso quase triunfante. – Só alguém cego não veria que vocês estão juntos...

-N-nós... Eu e Remo... o que? – eu estava tão surpresa que não conseguia nem articular duas palavras direito.

-Eu já estava desconfiando de alguma coisa quando de repente ele se desgrudou dos Marotos para ficar ao seu lado... Sabe, você não tem idéia de como ele brigou com o Tiago depois que ele bateu na sua cara... Ele parecia uma besta selvagem ou algo assim, e não o garoto calmo e tímido que ele sempre é. Toda a vez que você não está, ele dá cada sermão nos meninos... Fala que você está mal, ficando doente de não comer nem dormir direito por causa do exagero deles... E eu acho que ele consegue até mesmo fazer os Marotos se sentirem mal com isto. – lentamente, as engrenagens de meu cérebro começaram a funcionar. "Remo... Eu e Remo... Juntos? Ela não pode estar pensando que..."

- Mas claro, eu não podia tirar conclusões disto, mas você não imagina a minha surpresa quando a Nathi veio me contar que ela esteve conversando com a Murta que Geme e tinha descoberto coisas bem interessantes...

-I- interessantes? – eu repeti, ainda sem conseguir absorver de uma vez tudo o que ela dizia.

-Sim... – disse Ludmilla, satisfeita consigo mesma. – Disse que a Murta estava dizendo que tinha visto vocês dois se encontrarem no banheiro dela duas vezes... Na primeira vez, se trancaram em um boxe de banheiro enquanto ela estava andando pelos canos, e ela só teve tempo de ver vocês dois ofegantes e vermelhos saindo de lá, e da outra vez, quando ela estava vendo se conseguia ficar invisível, vocês ficara abraçados por horas lá dentro...

Foi então que eu me dei conta do que tinha acontecido. Nas duas vezes que nós dois tínhamos nos refugiado no banheiro da murta que geme – respectivamente para nos esconder e para eu chorar e desabafar com meu amigo – o fantasma estivera lá, sim, nos espreitando... E de todas as pessoas no castelo, logo Nathalie Ryan tinha resolvido conversar com a Murta que Geme, e ouvido sua visão distorcida dos acontecimentos...

Resumindo tudo, Diário, neste exato momento, pelo menos metade de Hogwarts estava afirmando que eu e Remo estávamos namorando... Que ótimo... – eu pensei, mordendo meus lábios. Mais confusão ainda...

Mas, ao ver minha expressão de choque e surpresa, o sorriso da garota apenas se alargou.

- Eu sei que você queria deixar isto escondido... Mas eu posso dizer que estava quase ficando óbvio... Além do mais, vocês não se desgrudam!

Finalmente encontrando minha voz, eu comecei a entrar em desespero.

-Mas nós... Nós não...

-Não adianta mentir, Lílian, todos na escola já sabem...

-Todos... Não, mas eu estou falando sério, Remo é só meu amigo!

- Amigo... – ela disse, erguendo as sobrancelhas. – Até mesmo a Mulher Gorda andou bradando que pegou vocês dois voltando um dia de madrugada para o Salão Comunal... E você sabe muito bem que coisas assim não se fazem com amigos...

Eu ficava mais vermelha a cada instante, e os olhares de Ludmilla só me faziam sentir ainda pior.

-Vo-você está me dizendo que a escola inteira está falando sobre isto? – eu perguntei, me agarrando às esperanças que Ludmilla tivesse se confundindo de alguma forma, e me dissesse que aquilo tudo era um adiantamento do 1º de Abril.

- Mas é claro! – ela disse, balançando a cabeça. – depois que a Nathi foi falar com a Murta, antes de ontem à noite, ninguém mais fala de outra coisa... Andam dizendo que isto foi o pivô da briga entre você e os Marotos...

-Pelos Dragões da Montanha... – eu disse, colocando as mãos em minha cabeça, tentando deixar os milhares de pensamentos que corriam por minha cabeça se assentarem. – Não pode ser...

-Lily, não é o fim do mundo... – Ludmilla disse, com ares de quem sabia o que estava falando. – Só porque a escola já sabe, não quer dizer que as pessoas estejam incriminando você por isto... Apesar de algumas pessoas estarem dizendo que você ainda vai cair nos braços do Potter um dia, a maior parte das pessoas achou que vocês dois combinam...

-Eles falam sobre mim? – eu perguntei, ainda incrédula. – Eles discutem sobre minha vida amorosa?

-Lily, você não pode negar o fato de ser uma garota conhecida... Você é famosa em toda Hogwarts, garota, aceite isto...

Após resmungar algumas palavras que seriam um tanto quanto rudes para se escrever em um diário, eu me levantei subitamente, não querendo ouvir mais.

-Bem, eu vou andando, preciso... Preciso... Pegar um livro na biblioteca... – eu disse rapidamente, quase tropeçando em meus próprios pés enquanto eu saía em disparada pela porta, descendo os degraus das escadas de dois em dois. Como já era hora do almoço, eu fui para o Salão Principal tentar comer alguma coisa

O Salão Comunal inteiro passou como um borrão vermelho para mim, e quando eu dei por mim, já tinha passado pelo retrato da Mulher Gorda, correndo para o único lugar que eu consideraria seguro naquela hora: a Sala da Monitoria, aonde, felizmente, poucas pessoas podiam entrar.

Lá, pelo menos, eu achava que poderia pensar um pouco sozinha... Mas, infelizmente, estava errada. Com um enorme volume aberto em seu colo, estava ninguém menos que Alexander Flink, e seus olhos imediatamente se cravaram nos meus quando eu entrei na sala.

-Lily... – ele me cumprimentou com a cabeça, pacificamente. – Presumo que você esteja buscando refúgio aqui também... Eu tentei ler na biblioteca, mas era incrível a quantidade de gente conversando aos sussurros por lá... Contando as últimas fofocas do dia... – ele adicionou, revirando os olhos, mas eu não pude deixar de notar uma nota de curiosidade em sua voz.

Ao ver isto, meu estômago pareceu afundar até meu abdômen: Até mesmo o recluso Alex já tinha ouvido os boatos...

-Mesmo? – eu perguntei, tentando parecer alguém que não sabia nada do assunto. – E o que deixou todos assim, em polvorosa? – assim que a pergunta saiu de meus lábios eu me arrependi imediatamente, mordendo os lábios e já temendo a resposta.

-Algo sobre a Monitora – Chefe ser uma ninfomaníaca, que sai à noite para fazer coisas impróprias com um dos Marotos que por acaso também foi Monitor... – a estas alturas a voz de Alex estava tremendo, e suas sobrancelhas pareciam querer encontrar seus cabelos, de tão erguidas que estavam.

- E... E você acreditou naqueles boatos? – em uma rara demonstração de presença de espírito, eu lancei ao Monitor Chefe um olhar quase reprovador, cruzando os braços. – Você acreditou em todo o besteirol que eles falaram?

-Bem, eu... – Alex passou as mãos pelo cabelo preto e longo, evidentemente desconcertado. – Eu não sabia o que dizer...

-Mas é claro que tudo isto é mentira... – eu disse, balançando a cabeça veementemente. – Você acha que eu, justamente eu, sairia à noite para... Céus, o Remo é meu amigo! Você o conhece, e sabe que ele não é o tipo de garoto que faria isto. – a cada afirmação meu tom de voz aumentava, e a cabeça de Alex abaixava, enquanto um rubor subia por suas bochechas.

-Eu fico aliviado em saber que era mentira... – ele disse, desconcertado, o alívio, de fato, evidente em sua voz. – Ehm, digo, não que tenha qualquer coisa errada com você e o Lupin, mas é bom manter a moral dos Monitores, você sabe... – as bochechas de Alex tornaram a ficar vermelha, e ele pareceu adquirir um súbito interesse no tampo da mesa.

Rindo internamente do embaraço de meu colega, meu humor aumentou significativamente, até que eu olhei para o relógio de parede a um canto, e reparei no horário: Já era tarde, e Remo já deveria ter voltado a Hogwarts. Presumindo que ele estaria no Salão Principal jantando, eu me despedi rapidamente de um Alex realmente confuso e saí andando, esperando encontrar meu amigo o mais rápido possível para contar a ele o que estava acontecendo. Mas, enquanto caminhava pelos corredores acesos por tochas, uma linha de pensamento um tanto quanto desagradável começou a se desenrolar em minha mente: "E se Remo realmente estivesse apaixonado por mim?" Eu tentava afastar o pensamento de minha cabeça, mas logo ele voltava, como um inseto insistente zumbindo em meu ouvido. "Remo é um grande amigo meu, o melhor amigo menino que tenho... Mas e se ele quisesse algo mais?" Cada vez mais eu apressava meu passo, e quando cheguei ao Salão Principal, eu não queria só explicar para Remo o que estava acontecendo... Mas também queria tirar a limpo o que ele sentia (ou não) por mim.

Afoita eu varri meu olhar por toda a mesa da Grifinória, esperando ver os cabelos loiro-escuros de meu amigo, ou pelo menos uma pilha de carne em algum lugar, mas tudo que vi eram minhas quatro colegas de quarto conversando animadamente com algumas garotas do quinto ano. Eu já ia dar meia volta para evitá-las, mas a voz irritante de Megarah Blane me fez estacar:

- Os dois sumiram esta tarde, eu não quero nem imaginar o que os dois estavam fazendo... – minha respiração começou a se alterar e eu senti a tão conhecida onda de raiva me engolfar, ao que eu ouvia os risos das garotas, que evidentemente falavam sobre mim.

- Como se você não quisesse estar no lugar dela agora, Meg... – disse Nathalie, suas tranças balançando para lá e para cá excitadamente. – aquele Lupin não é de se jogar fora...

-Eu acho ele um pouco magro e abatido para o meu gosto – Jane Olivier se pronunciou, como a "expert" no assunto. – Além do mais, o mais certinho dos Marotos vive com a cara enfiada nos livros...

- Ah, mas quem nunca imaginou como seria arrancar o livro das mãos dele, pegar ele pela gravata sempre arrumadinha e ver do que ele é feito? – disse uma das garotas do quinto ano, suspirando. – Ninguém pode negar que ele é inegavelmente charmoso com aqueles olhos azuis e cabelo mal cortado...

- No final das contas, aquela Lílian Evans é uma garota de sorte... Sabendo o que há por trás do uniforme folgado daquele Maroto... – disse a outra garota do quinto ano, sorrindo de uma maneira nada inocente.

Ao ouvir isto, eu engasguei com a minha própria saliva. Além de tudo o que eu precisava dizer ao meu amigo, eu também precisava alertá-lo sobre certas meninas em Hogwarts que estavam definitivamente babando por ele.

De repente, Ludmilla olhou para trás e, ao me ver, sorriu para mim.

- Antes que você pergunte, ele saiu agora há pouco... – as outras meninas todas sorriram, e eu senti vontade de cavar um buraco no meio do Salão e me enterrar viva, só para não ter que encarar aquelas garotas fofoqueiras. – Deve estar no Salão Comunal agora.

Eu agradeci rapidamente e já ia me afastando, sentindo os olhares de várias pessoas cravados em minhas costas.

Minha caminhada rápida logo se transformou em corrida, e em pouco tempo eu estava arquejando a senha para a Mulher Gorda, e entrava no Salão Comunal da Grifinória, que, graças aos Dragões, não estava muito cheio. Uma rápida olhada me revelou que Remo não estava ali, e sem pensar duas vezes eu comecei a subir as escadas para o dormitório masculino.

Sem nem ao menos bater na porta, eu virei a maçaneta e entrei no Dormitório Masculino, preocupada com o que eu diria a Remo, mas logo que eu fechei a porta atrás de mim e me virei, todo e qualquer pensamento sobre o que eu diria fugiram de minha mente.

De fato, Remo estava no dormitório...

Mas não do jeito que eu esperaria, totalmente vestido e lendo calmamente um livro... Mas sim com os cabelos loiros molhados e quase pingando, as costas brancas, ossudas e marcadas por cicatrizes estavam totalmente expostas, assim como suas pernas magras. Graças à todos aos dragões da dignidade meu amigo estava coberto por uma toalha, mas ela estava perigosamente baixa em seus quadris, e ameaçava cair a qualquer instante.

Ao que parecia, meu amigo tinha acabado de sair do banho... E eu senti minhas bochechas ficarem extremamente vermelhas quando eu percebi que ele não estava usando nada por baixo daquela toalha...

Sem notar minha presença, ele desprendeu a toalha da cintura, e estava prestes a deixá-la cair quando eu finalmente encontrei minha voz e pigarreei alto, tentando chamar sua atenção sem assustá-lo de mais.

Alarmado, ele se virou, com as mãos ainda na toalha, mas o susto que ele levou ao me ver foi pior do que eu esperava. Seus olhos azuis parcialmente ocultados por uma franja pingando água se arregalaram, e ele deu um grito de surpresa, pulando para trás... E sim, Diário, deixando a toalha cair no processo.

Sim, Diário, quando eu pensava que já tinha passado por todas as situações embaraçosas possíveis, eu vejo que as coisas podem sim, piorar. Além de ver o meu melhor amigo após o banho, só com uma toalha cobrindo seu corpo, agora, no susto, ele tinha deixado a maldita toalha cair no chão, expondo-se, digamos que completamente. Graças aos Dragões da Dignidade eu estava chocada de mais olhando para o rosto de meu amigo para reparar no... Resto, e no final das contas eu não acabei vendo nada comprometedor...

Por uma fração de segundo, toda a cor se esvaiu do rosto de Remo, até que, uma fração de segundo depois, ele recuperou a toalha que tinha escapado de suas mãos, corando até a raiz de seus cabelos molhados. Ele recolocou a toalha de volta em sua cintura, mas vendo seu tórax exposto, ele levantou a toalha, apenas para descobrir que suas pernas ficavam inconfortavelmente nuas sem a toalha... E assim, por alguns segundos ele tentou achar a posição ideal para a toalha, que de alguma forma parecia pequena de mais para ele.

-Li-li-li-li-lily... – Remo disse, ficando mais vermelho a cada sílaba que ele gaguejava. – O-o-o que você es-s-stá fazendo a-a-aqui? – ainda mexendo freneticamente com a toalha para tentar se cobrir o máximo possível, ele parecia estar desejando que a terra o engolisse.

-Ah, eu... – naquele momento, Diário, eu me amaldiçoava internamente pela falta de palavras, mas elas pareciam escapar da minha boca. Eu também estava ficando extremamente vermelha, e não conseguia parar de lançar olhares tortos para a toalha novamente presa em sua cintura, rezando para que ela agüentasse firme e não caísse novamente. – eu...

-V-v-você n-não deveria t-ter entrado sem ba-ba-bater... – se antes ele estava vermelho, agora ele estava beirando o roxo, e tinha se virado para tentar achar algumas roupas em seu armário.

-Me desculpe... – eu disse, mordendo os lábios, e tentando olhar para todas as direções, menos para meu amigo vestido apenas com uma toalha.

-T-tudo bem... – ele disse, enquanto escapava para sua cama, e fechava as cortinas com força. Um silêncio desconfortável se seguiu, em que o único som ouvido era o barulho das roupas de Remo sendo vestidas, até que ele enfiou sua cabeça ainda molhada por entre as cortinas para me encarar, e, agora em com um tom púrpura tingindo seu rosto.

-Vo-vo-vo-você não viu n-n-n-nada, viu? – ele mordeu os lábios e tentou assoprar a franja para longe de seus olhos, totalmente embaraçado.

Diante daquela pergunta, eu não consegui mais me manter séria. Mesmo que a situação fosse, no mínimo, desastrosa, e que eu tivesse acabado de (quase, diário, quase) ver meu amigo totalmente despido, não era todos os dias que o calmo e controlado Remo Lupin era visto totalmente vermelho, ou melhor, quase roxo, e gaguejando como uma criança insegura de sete anos. Eu fui acometida por um tamanho ataque de risos que Remo, indignado, finalmente saiu da segurança de sua cama para me olhar feio. Agora já decentemente vestido, com uma calça jeans puída e uma blusa xadrez com os botões ainda meio abertos, ele sentou-se na cama, assistindo a minhas gargalhadas com um olhar mortal digno de Angus.

- Isto NÃO foi engraçado, Lily... – ele disse, cruzando os braços e colocando os pés descalços em cima da cama. – Nem um pouco engraçado...

Finalmente me controlando e enxugando as lágrimas de riso, eu sentei-me ao seu lado.

-Desculpa, Remo... Mas você fica tão bonitinho quando está vermelho e gaguejando...

-Mas é claro, sem falar no fato de eu estar quase PELADO quando você chegou. – ele disse, erguendo as sobrancelhas. – mas, afinal, o que é tão importante para você não poder me esperar?

Foi só então que eu me lembrei do que deveria estar fazendo ali, e meu rosto assumiu uma expressão bem mais grave.

-Era algo realmente urgente... – eu disse, mordendo os lábios. – Para começar, eu já esclareci tudo com a Ludmilla...

- Isto é bom, sim, Lílian, mas não precisava fazer este escândalo só para...

- Não, escute! Eu falei com a Ludmilla, ela até me perdoou, mas eu fiquei sabendo que andam espalhando um boato pelo castelo...

-Um boato? – Remo repetiu, começando a sentir o drama da situação.

-Exatamente... Por causa da Murta que Geme e da Mulher Gorda, sem falar, é claro, na ajuda das maiores fofoqueiras de Hogwarts que são as minhas colegas de quarto, a escola inteira está falando que eu, que nós... Que nós estamos namorando.

O queixo de Remo caiu, e por alguns minutos ele ficou sem saber o que dizer.

-Como assim namorando? Eles realmente acham que...

-Estão até dizendo que eu fiz... Que nós... Nos dias em que estivemos sem querer no banheiro da Murta que Geme...

-Eles NÃO podem estar dizendo isto... – meu amigo balançou a cabeça, recusando-se a acreditar.

- Infelizmente, estão... Eu disse, Remo, não tem jeito de me ajudar sem se meter em confusão também – eu pulei da cama e comecei a andar de um lado para o outro, agonizada. – E agora a sua reputação está em jogo também...

-Então, além de estarem pensando que eu estou namorando você, também estão dizendo que eu sou um pervertido ninfomaníaco que se encontra com a namorada em um banheiro para... Merlin, eles já estão indo longe de mais... – Remo afundou a cabeça nas mãos, começando a ficar vermelho novamente.

-E ainda mais com você, Lily... – ele se virou para mim. – Você é bonita, inteligente e tudo, mas você... Parece quase incestuoso... Seria como, sei lá, namorar uma irmã!

Além de me sentir honrada por ser considerada uma irmã por Remo, o alívio também tomou conta de mim naquele momento: Aquela afirmação já me provava que ele realmente não tinha nenhum maior interesse por mim além da amizade, e me poupava de algumas perguntas realmente embaraçosas... Mas, infelizmente, não me poupava de todo o embaraço...

- E eu também tenho que alertar você sobre algumas meninas, minhas colegas de quarto e algumas outras do quinto ano...

-Como assim? – Remo disse, enquanto usava a toalha para secar seu cabelo.

- Ehm... Digamos que eu entreouvi uma conversa entre elas, e algumas parecem estar, digamos, babando em cima de você... – eu disse, com um meio sorriso.

-Ah... – ele disse, suas sobrancelhas se erguendo mais ainda. – Mas vamos analisar pelo lado bom de tudo... Pelo menos são meninas, e não meninos.

Eu não consegui deixar de rir do comentário de meu amigo.

- Já que estamos com tantos problemas, vamos olhar o lado positivo da coisa... – ele disse, o sarcasmo impregnado em sua voz. – Metade do colégio a odeia pelo que aconteceu com o Sirius, a outra metade está fofocando sobre como eu fui o pivô da briga entre você e os Marotos, enquanto garotas histéricas vão me colocar na mira... Puxa como nós estamos bem. Mas agora, falando sério – o sarcasmo sumiu da voz de meu amigo, e eu me sentei novamente na cama. – Pelo menos a sua consciência está mais limpa, e você não deve mais nada à Ludmilla... Agora é só você criar coragem e pedir desculpas para o Sirius...

- Puxa, como isso vai ser fácil... – eu retruquei, agora a minha voz assumindo um tom sarcástico. – Eu tenho certeza que ele não vai aceitar minhas desculpas. Como se eu fosse dizer: Ah, Sirius, me desculpa se eu me uni à família que você tanto odeia para humilhar você, espero que me perdoe por isto...

- É só você encontrar ele uma vez quando o Sirius estiver calmo e sozinho... Fale com sinceridade e calma, que eu duvido que ele vá recusar. Ele pode ser um pouquinho fora do sério, mas ele não é um monstro sem coração... – meu amigo disse, dando tapinhas em meu ombro. – Mas falando em Sirius... – de repente, ele pareceu se lembrar de alguma coisa – Eu acho que você deveria... – mas, pensando que ele viria com mais conselhos sobre como lidar com Sirius, eu o interrompi.

-Há-há, você me diz para olhar pelo lado bom, não é? – Remo tentou me interromper para dizer alguma coisa, mas eu não queria ouvir.

-Lily, eu esqueci de dizer para você que...

- Pois bem, pelo menos eu estou tão no fundo do poço e já presenciei tantas cenas inusitadas hoje, que não dá pra ficar pior...

E então, Diário, para o completo deleite do ser Superior que, com certeza, queria me ver sofrer, o "não dá pra ficar pior" teve que ser engolido por mim, já que, naquele exato momento, as coisas ficaram piores, sim: Ficaram piores pela aparição de ninguém menos do que Sirius Black, vindo da porta do banheiro, seguido por uma onda de vapor quente, também vestido apenas com uma toalha em sua cintura... E, o pior de tudo, com uma touquinha de banho rosada, com flores estampadas por toda sua extensão.

Não, Diário, eu não estou mentindo... A minha frente surgiu Sirius Black, em toda sua glória, vestido apenas com uma toalha de banho na cintura e uma touca de banho na cabeça. Por que os céus me castigam deste jeito, por que!

Assim que ele me avistou, seus olhos se arregalaram, mas, para minha sorte, ele não se assustou, muito menos largou a toalha no chão. Eu já estava começando a ficar aliviada com sua reação não tão violenta quando eu vi ele estreitar os olhos, no tão conhecido olhar de desprezo dos Black. Com um tremor eu vi que era o mesmo olhar que Bellatrix Black lançava quando me via, o que me fez ficar ainda mais temerosa.

- O que você está fazendo aqui? – ele disse, fixando seus olhos gelados nos meus.

Eu desviei o olhar, mordendo os olhos, e buscando orientação nos olhos de Remo, que mexeu os lábios no que claramente dizia "peça desculpas a ele", com um olhar realmente significativo.

Eu já conseguia até ouvir a voz de Remo em minha cabeça: "só você encontrar ele uma vez quando o Sirius estiver calmo e sozinho... Fale com sinceridade e calma, que eu duvido que ele vá recusar"

E assim, tentando reunir toda a minha força de vontade para não rir da situação, e engolindo todo o orgulho que ainda me restava, eu respirei fundo e comecei.

-Sirius... Eu vim aqui para... P-pedir desculpas a você... – francamente, eu não sabia se eu ria ou chorava naquele momento. Só a idéia de que eu estava no meio do dormitório masculino do sétimo ano, diante de um Sirius Black de toalha e touquinha de banho já era hilária... E o fato de eu estar tentando pedir desculpas só deixava tudo pior. Eu comecei a gaguejar e trocar as palavras, e as flores cor-de-rosa da touca de Sirius só faziam as coisas piores.

- E-eu não queria ter magoado você co-com aquela foto, eu me arrependi depois que você veio me pedir descul-culpas e... E... pfff- e então, diário, depois de menos de dois minutos de agonia, o riso que estava preso em minha barriga simplesmente resolveu ganhar liberdade, e em menos de dois segundos eu estava me dobrando de rir. Ao ver isto, Remo revirou os olhos e escondeu a cabeça no travesseiro, enquanto o olhar de Sirius ficava cada vez mais gelado.

Se você tivesse olhos, diário, com certeza você estaria me lançando um olhar reprovador, eu sei... Mas eu simplesmente não consegui me controlar. Por mais que eu estivesse com remorsos do que tinha acontecido, e por mais que eu realmente precisasse pedir desculpas, eu não consegui me manter séria... Afinal, pelos dragões da racionalidade, ele estava usando uma touquinha rosa com flores estampadas... E que atire a primeira toalha, digo, a primeira pedra, quem conseguiria ficar sério em uma situação destas...

Mas mesmo com touquinha rosa e toalha, com o olhar de Sirius toda a graça se esvaiu de sua aparência: Seus olhos tão característicos dos Black estavam estreitos e frios, com uma expressão de mágoa e raiva que me fizeram parar de rir em um instante.

-E você chama isto de desculpas? – ele disse lentamente, entoando cada palavra como se estas fossem acompanhadas de blocos e mais blocos de gelo. – Você começa a rir da minha cara e acha que eu vou aceitar? – ele ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços, ainda olhando fixamente para mim.

-Me desculpe, Sirius, mas com esta touquinha, é impossível não rir...

-Pois bem, Lílian Evans, eu acho que isto não é nem um pouco engraçado. Você se uniu com uma das pessoas que eu mais desprezo na minha família. Você confabulou com ela contra mim. Você fez a escola inteira duvidar que eu fosse homem. Você chega para pedir desculpas e ainda ri da minha cara. E agora, você insulta a MINHA TOUQUINHA! Eu não admito isto! – em cada frase, seu tom de voz aumentava, e cada vez mais seu tom arrogante me incomodava. Eu estava lá para me desculpar – sim, eu devia desculpas a ele, e admito isto. – Mas definitivamente eu não queria me humilhar totalmente para um garoto que usava uma touquinha rosa como argumento para mim. Assim, reunindo meu antigo humor para brigas, eu tratei de responder à altura:

-Ah é, Sirius Black? – eu disse, começando a ficar vermelha, não de embaraço, mas sim de raiva. – Você pensa que é a única vítima aqui? – minha voz também já estava começando a aumentar perigosamente, e, sabiamente, Remo decidiu não intervir. – Por acaso VOCÊ também não fez nada! Como você OUSA me acusar de tudo. VOCÊ tirou uma foto realmente incriminadora, e até um idiota saberia que as suas intenções não eram boas... VOCÊ me chantageou com a foto, me apavorou com a idéia de arruinar minha reputação... VOCÊ ainda ameaçou mostrar para todo o Salão Comunal aquela maldita foto, e ainda por cima, me impôs condições IMPOSSÍVEIS de ser realizadas... E DEPOIS AINDA FICA SE FAZENDO DE VÍTIMA TOTAL? Além do mais, normalmente, os homens que são, ehm, realmente homens NÃO USAM TOUQUINHAS COR DE ROSA COM ESTAMPAS FLORAIS!

- Mas eu pedi desculpas direito... – Sirius disse, sua voz agora perigosamente baixa. – eu me humilhei no meio do Salão Comunal, eu fui humilde e reconheci os meus erros... E você, Lílian, o que fez? Pouco tempo depois de eu pedir desculpas, AQUELA MONTAGEM É MOSTRADA PARA TODO MUNDO EM HOGWARTS! Você tem idéia de como eu me senti? Você tem idéia de como é ter a escola inteira rindo de você? E o pior de tudo: Você tem idéia do que é saber que você só estava sendo humilhado porque uma COLEGA DE TURMA, uma garota que eu pensava que fosse RAZOÁVEL E JUSTA, A MONITORA CHEFE EM PESSOA tinha nos traído... Você me magoou, Lily, me magoou mesmo... E eu gosto da minha touquinha, foi presente de uma garota trouxa que eu, ehm... conheci, e eu não me importo se ela é rosa... PELO MENOS A MINHA TOUQUINHA NÃO VAI ME HUMILHAR E ME TRAIR!

- Ótimo... – eu respondi, também estreitando os olhos, todo o remorso tendo ficado para trás. – Muito, muito bom... – eu estava rilhando os dentes, e tive que me controlar ao máximo para não começar a gritar novamente. – Então você pode ficar aí com a sua touquinha, que eu não me importo... Com liçença. – e sem pensar duas vezes, eu dei meia volta e saí pela porta, com a respiração acelerada e vermelha de raiva, odiando Sirius Black com todas as minhas forças.

Sem ter vontade de encarar o resto da Torre da Grifinória me observando e cochichando, eu fui direto para meu dormitório, ainda remoendo a raiva dentro de mim, coloquei minha camisola e pulei para debaixo das cobertas, tentando me acalmar o suficiente para pensar com clareza.

Por alguns minutos, eu apenas fiquei encarando o teto, sentindo a adrenalina fluir pelo meu sangue, mas, lentamente, a raiva foi se dissipando. Logo um aperto no estômago me revelava que os remorsos já tinham voltado com toda a força... E assim que eu consegui pensar com clareza, eu percebi o quanto eu estava errada.

Sirius tinha, de fato, me chantageado com a foto... Mas ele viera algum tempo depois de joelhos, humilde pelo que parecia ser a primeira vez em sua vida, implorando por perdão... E algumas horas depois eu tinha estragado tudo, deixando a Bellatrix mostrar a foto sem fazer nada para impedi-la.

E agora, quando EU deveria estar sendo humilde, caindo de joelhos e implorando por perdão, eu começava a brigar com ele por causa de uma touquinha cor de rosa com estampas florais... Eu me virara incessantemente na cama, mas sem conseguir achar uma posição confortável. Como eu pudera ser tão malévola, tão cruel, tão sem sentimentos? As palavras de Sirius ecoavam em minha mente, a expressão de desprezo em seu rosto aparecia diante de mim a cada vez que eu fechava os olhos, e o sono parecia ter me abandonado de vez. Eu continuai e rolar em minha cama por alguns minutos, como se o peso de minha consciência fosse grande de mais para eu o agüentar, mas assim que ouvi a porta se abrir, eu fiquei imóvel: A última coisa que eu queria eram minhas colegas de quarto, incluindo Nicki, me olhando e fazendo perguntas embaraçosas...

Enquanto as quatro garotas lentamente se espalhavam pelo dormitório, vestindo pijamas e escovando cabelos, eu mantive meus olhos fechados, fingindo dormir. Nicki entrou no dormitório algum tempo depois, apenas murmurando um "boa noite" para todos antes de se retirar para sua própria cama. Meia hora de fofocas (a maioria sobre mim e Remo) depois, as outras quatro finalmente foram dormir, e eu tornei a ficar sozinha com meus pensamentos.

Finalmente, por entre as pontadas de remorsos e ondas de auto piedade, uma linha de pensamento remotamente racional começou a se formar em minha mente: As coisas não podiam ficar assim. Eu precisava fazer alguma coisa para tirar aquela culpa de meus ombros e me entender com os Marotos. Por mais que eu os detestasse, eu tinha feito algo errado e precisava me desculpar... Nem que este pedido de desculpas fosse um pouco, digamos... Drástico.

Mas nada, Diário, seria tão drástico quanto o que eu acabei fazendo no dia seguinte.

Quando acordei na segunda-feira, dolorida e cansada por causa da noite mal dormida, minha mente parecia estranhamente clara e despida de pensamentos. Eu só tinha um objetivo: Naquele dia, eu iria passar as coisas a limpo e pedir desculpas propriamente a Sirius Black.

Sem ao menos esperar meu amigo Remo, eu desci para o Salão Principal, engoli duas torradas com um pouco de geléia e um copo de suco de abóbora, peguei minha mochila e me dirigi às aulas da manhã. Eu parecia estar ligada em meu módulo "automático", ignorando todos à minha volta e simplesmente olhando para o nada, aparentemente calma, enquanto uma tormenta de pensamentos e planos passava por minha mente. Remo até tentou conversar comigo durante as primeiras aulas, mas ao que eu o ignorei totalmente, ele deu de ombros e foi se sentar com o restante dos Marotos. Aparentemente, eu também havia ido longe de mais ao fazer isto com meu amigo, mas naquele momento nada mais importava. Com muito custo eu consegui fazer algumas anotações durante a aula de transfiguração e não fui tão mal assim na aula de Feitiços, mas até mesmo os professores achavam que havia algo de errado comigo.

Assim, quando a hora do almoço chegou e os estudantes lotaram o Salão Principal para comer, eu estava sentada sozinha à mesa da Grifinória, enquanto os Marotos e Nicki estavam a um canto mais afastado, me lançando, de quanto em quando, alguns olhares sombrios. Algumas pessoas cochichavam e olhavam discretamente para mim, mas eu estava concentrada de mais em meus pensamentos para prestar atenção. Meu coração soava em minhas orelhas como uma batida surda, e meu pulso se acelerou, mas eu sabia que precisava fazer aquilo. Assim, respirando fundo e fechando os olhos, eu me levantei de minha cadeira, subi em cima dela, passando para a mesa, e logo quase todas as cabeças do castelo se viraram para mim, espantadas. Sentindo que era tarde de mais para recuar, eu tirei minha varinha de dentro de minhas vestes, e, com as mãos ainda tremendo, eu murmurei "Sonorus".

Eu pigarreei, e minha voz, magicamente ampliada, ecoou por todo o Salão. Assim, engolindo em seco, eu comecei meu suplício.

- Bem... – minha voz estava fraca e hesitava, mas o feitiço fez com que, mesmo baixa, ela fosse ouvida por todos os seres pensantes presentes naquele momento no Salão Principal. – Po-pode parecer estranho que eu esteja falando assim, em cima da mesa mas... Eu tenho alguns pontos a esclarecer. – eu respirei fundo mais uma vez. – Eu preciso esclarecer algumas coisas, e prometo que serei breve.

- Primeiro, alguns de vocês devem se lembrar de uma fotografia que foi mostrada a vocês algum tempo atrás... – do outro lado da mesa, os olhos de Sirius se arregalaram. – E eu queria dizer, antes de tudo, que aquela foto é uma montagem, que ele definitivamente não fez nada do que estava mostrando na foto... E que eu fui uma das responsáveis pela foto. Foi tudo uma brincadeira de mau gosto... E eu estou profundamente arrependida do que eu fiz. E eu queria pedir desculpas, pedir perdão humildemente... Eu sei que eu magoei você, e estou me sentindo muito, mais muito mal por isto... Sirius Black... Por favor, me perdoe! – eu disse, ficando mais vermelha a cada instante. Ao lançar um olhar furtivo para o outro lado da mesa, eu pude ver a reação de minha amiga (ou ex- amiga, dependendo do ponto de vista), e dos Marotos: Remo estava extremamente fraco, já que a lua cheia seria naquela noite, mas mesmo assim isto não o impedia de sorrir para mim, como um pai orgulhoso de uma criança que fizera a coisa certa. Sirius, por outro lado, parecia ter perdido controle sobre seus maxilares, já que seu queixo estava caído, e ele se apoiava no encosto da cadeira, como se aquilo fosse informação de mais para ele agüentar absorver. Ao seu lado, os olhos de Nicki pareciam que iam saltar de suas órbitas de tanto que ela os arregalava. Mas a reação que mais me espantou foi, de longe, a de Potter: Assim como Sirius, ele esquecera que deveria estar comendo seu café da manhã, e estava totalmente virado para mim, boquiaberto, com uma expressão quase maravilhada em seu rosto.

Assim, sentindo que eu já tinha dito tudo o que precisava, eu murmurei "quietus", e, assim que minha voz voltou ao normal, eu pulei para fora da mesa, escondendo o rosto entre as mãos, até que eu percebi que ainda tinha que ver como Sirius estava reagindo... Assim, lentamente eu me virei, caminhando em direção ao lugar aonde os Marotos estavam sentados, e me postei diante de Sirius, que ainda estava de queixo caído.

- Satisfeito agora, Black? Agora eu também passei por mais humilhação do que um ser humano pode agüentar... Me retratei publicamente, na frente de toda a escola, admiti que eu estava errada, engoli todo o meu orgulho... espero que isto seja o suficiente. – Depois de falar isto, eu não consegui mais agüentar os olhares de todos sobre mim e saí correndo, sem rumo, desejando, mais do que nunca, que a terra se abrisse e me engolisse ali mesmo.

Eu estava em algum corredor que eu desconhecia no segundo andar quando ouvi passos, e logo uma mão larga e pesada estava sobre meu ombro. Para meu terror, esta mão se provou ser de ninguém menos que Sirius Black, que me forçou a virar-me para encará-lo.

-Lily... – ele também parecia um pouco embaraçado, mas tinha um largo sorriso em seu rosto. – Nunca, em minha vida, eu pensei que você fosse fazer uma coisa assim...

- É ? – eu perguntei, olhando para o chão, evitando seus olhos.

- Sim... O-o que você fez, de desmentir a foto na frente de todo mundo... Nossa... Acho que nem eu teria coragem de fazer isto. Eu só queria dizer que... Eu vi que você está realmente arrependida e...

-E... – já esperançosa, eu finalmente ergui meus olhos para encontrar os seus, que estavam bem mais contentes do que na noite anterior.

- E eu perdôo você, Lily... – um sorriso já começava a se formar em meus lábios, e eu já começava a pensar que a vida era, afinal, bela, quando ele terminou a frase. - ...mas com uma única condição.

-Ai meus dragões, lá vamos nós de novo... – eu pensei alto, ao que Sirius ainda riu.

-Mas eu tenho toda a razão em ter uma condição. Afinal, você pode ter pedido desculpas por toda aquela confusão da foto, mas você não me pediu desculpas por insultar a minha touquinha!

- E eu já imagino qual seria a condição... Você vai me pedir para aceitar os convites do Potter para ir ao baile, certo?

- Errado. – Sirius disse, com um brilho perigoso em seus olhos. – Afinal, já que ele estava um pouco aborrecido por você ter tomado parte neste caso da foto... Eu quero que você convide ele para ir ao baile de Halloween... E, obviamente, que você vá com ele.

Eu quase consegui ouvir o barulho de meu coração caindo até o meu estômago, que por sua vez despencou para o abdômen, amassando todos os meus órgãos internos. A minha sensação de alívio por estar finalmente com a consciência limpa foi substituído por um mal estar sem precedentes: Por mais que eu já estivesse humilhada o suficiente, eu não iria, nem em meus sonhos mais delirantes, convidar para o baile o garoto que tinha atormentado a minha vida desde que eu pusera os pés em Hogwarts, que me chamava para sair quase toda semana, mas mesmo proclamando estar apaixonado saía com outras garotas, que era arrogante, orgulhoso e muitas vezes maltratava as pessoas que ele julgava inferiores, que sempre fez questão de me deixar desconfortável... E que, recentemente, tinha dado um enorme tapa na minha cara, sendo que eu não tinha feito nada diretamente a ele... Eu poderia estar com vontade de pedir desculpas... Mas me pedir para CONVIDAR POTTER PARA UM BAILE já era de mais...

- Sirius... Você não pode estar falando sério.

-Nunca falei tão sério em minha vida, Evans... – ele disse, cruzando os braços. – Afinal, seria atingir três trasgos com uma cajadada só: Primeiro, você pára de brigar com o Tiago, que está arrasado por não estar falando com você... Depois, eu andei ouvindo alguns boatos estranhos, de que você estaria dando passeios noturnos com meu amigo Aluado para o banheiro da Murta que geme, para se agarrar e muito mais... E ir no baile com outra pessoa seria uma ótima maneira de parar estes boatos. E terceiro, você ainda está em dívida comigo...

-Como assim, em dívida? Você acha que pedir desculpas daquela maneira não foi o suficiente! – indignada com a ousadia do Maroto, minha antiga raiva já começava a voltar.

- Não, você não entende o que eu estou dizendo... Minha cara Lílian, você acha que eu só tirei uma cópia para a maravilhosa foto sua?

-Eu não acredito – eu disse, quase automaticamente, a informação se recusando a penetrar meu cérebro. – Você não tem nenhuma cópia.

-Na verdade, tenho sim... – ele disse, e do bolso interno das vestes ele tirou um envelope... Não com uma, mas com cinco cópias daquela maldita foto. Eu senti que alguns pontos escuros começavam a obscurecer a minha visão, mas antes que eu pudesse cair no chão ele me segurou, e me ajudou a ficar de pé novamente.

-Mas você não precisa se preocupar... Se você for ao baile com o Pontas, eu vou entregar todas as cópias para você, na sua mão, e você nunca mais vai ter que se preocupar com elas...

Por alguns minutos eu fiquei tentando pensar em alguma alternativa, em alguma solução gloriosa que me tiraria desta situação impossível, mas os minutos se passaram e eu continuei ali, encurralada. Com um grande pesar, eu pronunciei as palavras que com certeza serão a ruína da pouca reputação que me restou:

- Se eu não tenho escolha... Tudo bem. Eu convido aquele maldito Potter para aquele Maldito baile! Satisfeito agora?

-Sim. – ele respondeu, sorrindo de orelha a orelha. – Agora nós estamos entendidos! – e assim, nós começamos a caminhar em direção ao Salão Principal novamente para pegar nossas coisas, Sirius com uma expressão de contentamento no rosto enquanto eu arrastava meus pés atrás, com cara de quem acaba de sair de um enterro.

Mas foi então que eu consegui pensar com clareza e analisar os fatos: Mesmo que eu estivesse prestes a contrariar meus próprios princípios morais, eu não estava mais em dívida com quase ninguém... Eu tinha sido perdoada por minhas maiores ofensas, sem ter nenhum problema, e finalmente podia ter minha consciência limpa... O que me fazia querer cantar, se a situação não fosse tão estranha.

Mas mesmo assim, meu humor estava simplesmente ótimo por eu ter finalmente conseguido fazer uma coisa certa sem tudo ficar pior ainda...

-Sabe de uma coisa, Sirius... – eu disse, abruptamente. – A sua touquinha não é ridícula... Até que é divertida...

-Isto não é uma tentativa de me fazer suspender a chantagem, não é? – ele disse, me olhando de esguelha, mas ainda sim com um sorriso maroto.

- Eu já sei que é inútil... – eu suspirei, dando de ombros. – Mas você tem certeza que não quer que eu faça outra coisa... Qualquer outra coisa?

- Bem, eu tenho uma idéia... Mas eu acho que seria impróprio de mais para uma Monitora Chefe...

Ele deu uma estranha risada que lembrava um latido quando eu fiquei mais vermelha do que a bandeira da Grifinória.

- Puxa, você é tão consolador, Sirius...

E assim, Diário, aqui estou eu, segunda-feira a noite, sentada no Salão Comunal, terminando minha estranha narrativa, finalmente, com meu pulso cheio de tinta e mais dolorido do que nunca. A tarde se passou normalmente, e eu finalmente fui capaz de prestar plena atenção nas aulas, sem ter minha consciência pesando em mim com tanta força. E, no final das contas, eu me sinto extremamente bem: Metade de meus problemas já se foram...

Mas é claro, isto tudo acaba acarretando muitos outros problemas.

Problemas, problemas, problemas... Parece que eu só falo disto por aqui.

Mas agora meu pulso chegou ao supra-sumo da exaustão por escrever, e eu acho melhor parar por aqui e ver o que os Dragões do Destino me reservam...

Lílian Evans

N/A: E então, este foi o meu (pequeno) capítulo... As coisas vão realmente pegar fogo a partir daí... Hehehehe...

Dedicatória deste capítulo: Nossa, esta está difícil... Tem tanta gente... Primeiro a Thaís, minha "netinha", que me mandou uma carta... Depois, para a minha super-hiper-mega-ultra-plus-giga-ILUSTRADORA... Sim, estamos falando da ALEX! (Alexandra, minha amiga, não o personagem). "Hey, hier kommt Alex!" Com seus maravilhosos desenhos, ela se dispôs a ilustrar a fic... Assim que eu descobrir como colocar as imagens (ou os links da imagem) no fanfiction, vocês vão poder ver como elas são maravilhosas!

E vocês, o que acharam do capítulo?

Gostaram? Amaram? Odiaram? Os dois?

Não importa qual das respostas, eu só tenho um pedido:

Comentem! Deixem uma rewiew e façam uma autora de olho roxo e idéias malucas na cabeça feliz!

Beijos a todos,

Lily Dragon