Capítulo XX

-Não há com o que se preocupar Mogami-san eu estou com o celular na minha pasta. – ele pega o aparelho- É só ligar. – eles esperam em vão – está sem bateria... – "Que estranho, eu carreguei hoje de manhã" – e o seu celular Mogami-san?

-Eu não trago celular para o trabalho. –ela suspira –Estamos perdidos, o que faremos?

-Não faço a menor idéia, todas as salas devem estar trancadas, só temos as chaves dos dos nossos camarins.

-É mesmo, lá tem frigobar e banheiro então vai dar para passarmos a noite. O problema é, como chegaremos até lá?

-Eu me lembro do caminho, segure minha mão Mogami-san, eu lhe guiarei.

Kyoko oferece sua mão e ele a segura, ela fica vermelha por estar de mãos dadas com seu senpai, mesmo que em condições como essa. Elas eram tão grandes e firmes em comparação as suas, pequenas e delicadas. Parecia natural, era agradável senti-las.

Eles caminharam no escuro, Ren ia na frente com o braço estendido para evitar esbarrar em algum se sentia confortável e segura com ele, até ficou um pouco triste e estranhou quando Ren a soltou. Os dois decidiram tomar banho em seus respectivos camarins e depois comeriam o que houvesse dentro dos frigobares. Eles se sentaram e voltaram a conversar enquanto saboreavam o que seria o jantar deles. Isso até Ren a surpreender

-Mogami-san, a verdade é que eu estava com ciúmes.

-Nani? – ela quase engasga- Ciúmes de que?

-De você e aquele cara...

-Shota-san? – ela pergunta confusa

-Ele mesmo.

-Mas Por que Tsuruga-san teria ciúmes de mim?

-"Porque eu te amo? Porque estou estupidamente louco de paixão por você?" – Porque não faz nem uma semana e vocês já se chamam com tanta informalidade.

-Foi ele quem me pediu para chamá-lo assim. Na verdade ele é uma pessoa bem agradável quando quer e ele tem me ajudado muito.

-Viu? É disso que estou falando, você cai na conversa dele e o defende. Não só isso como prefere mais a ajuda dele do que a minha agora. – ele disse áspero

Kyoko sentiu a rispidez em suas palavras e ficou apavorada, começou a tremer de medo. Podia não enxergar sua face mas o tom de voz denunciava seu incômodo, era o próprio Lorde Demônio sentado ao seu lado. Ela nem conseguia imaginar as possíveis caras de ódio lhe sendo direcionadas, seus demoniozinhos começaram a chorar de medo. Ele iria lhe dar uma morte lenta e dolorosa e ninguém poderia impedi-lo, afinal ela estava encurralada.

-Ain! N-n-não é isso Tsuruga-san! – ela gaguejou nervosa – ele me ajuda por causa de uma troca de favores. – ela explica

-Troca de favores é? Que favor você fez a ele? – Ren tentou disfarçar sua irritação

-E-eu não posso lhe dizer , ele me fez prometer segredo. – "estou ferrada "

-Então deixe-me ver se entendi direito, você não só virou íntima dele, como já tem a liberdade para trocar nomes e segredinhos, e ainda por cima me substituiu por ele e já nem sequer pretende buscar mais a minha ajuda, não, prefere ficar até altas horas da noite sozinha com ele. Não é a toa que você já foi enganada várias vezes.– " não acredito que estou fazendo uma cena por causa de um ciúme bobo. Acho que peguei pesado.E muito."

A escuridão que os cercava foi tomada pelo silêncio. Ren já estava arrependido e receoso. Por que ele havia feito todo esse drama? Eles estavam presos, teriam de ficar juntos até o dia seguinte e para variar ele havia extrapolado outra vez e a deixado em uma situação ainda mais complicada. Ele havia sido grosso com ela, era um idiota, kyoko era pura e inocente demais para entender suas segundas intenções. Ela não tinha culpa, a falta era só dele. Seus pensamentos foram cortados por um fraco soluço.

-Mogami-san? Você não está chorando, está? – a pergunta fez ela desabar no choro -"Oh merda, satisfeito Ren? Seu inútil" - Me perdoe por favor, eu falei sem pensar.

-Não, - ela sacudiu a cabeça – você está certo, n-não d-deveria ser tão a-aberta. – soluçava

Suas lágrimas corriam soltas e o ar lhe faltou, do nada ela sentiu seu corpo ser pressionado contra o dele e envolvido em um forte abraço. Ren apoiou o queixo em seu ombro.

- Me perdoe Mogami-san eu fui um idiota e lhe fiz chorar. – ele a apertou mais forte – Eu sou o pior.

- Tsuruga-san? – ficou desnorteada – Por que diz isso? Você só falou a verdade. – disse tristemente

-Não, eu me descontrolei novamente, pensava que você gostava mais da companhia dele do que da minha e acabei agindo dessa forma deplorável.

-Você pensou o que? Nunca! Eu tenho muito mais confiança e apego a você do que a ele, uma diferença de anos-luz.- ela disse estupefata – portanto não é lógico que você tenha ciúmes.

- Você acha isso mesmo?

-Com toda a certeza.

-Então me chame de Ren a partir de agora.

-Como é que é? – ela pergunta descrente – " acho que escutei errado"

-Você me ouviu kyoko, me chame de Ren de agora em diante.

-D-d-demo, isso é tão estranho! E desrespeitoso! – ela fica embaraçada ao ser chamada pelo nome.

- Você irá se acostumar. E não é falta de respeito, nos conhecemos há tanto tempo, não sei porque ainda não nos chamamos pelo nome. Eu não vou lhe largar até você tentar. – seus braços enrijeceram.

-R-r-en–san? – ela pergunta tímida com a tentativa

-Sem sufixo, só Ren. – ele a corrigiu

-R-ren. – ela enrubesceu profundamente ao proferir seu nome de forma tão pessoal

-É o melhor que consegue? Ou será que você quer ficar abraçada comigo a noite toda?

-Ren! – ela fala exaltada e embaraçada

-Isso mesmo, boa menina. – ele a solta e passa a mão em sua cabeça – Se você me chamar por outro nome eu vou fingir que não lhe escutei. Estamos entendido, kyoko? – ele destaca seu nome

-H-hai!

Eles terminaram a refeição e foram se arrumar para a noite. Kyoko estava pensativa, o que havia sido aquilo? Tsuruga-san a abraçando e dizendo que havia tido ciúmes dela.