Queria avisar que a partir desse capítulo, a fanfic terá cenas que podem não ser consideradas T, mas sim M, - inclusive porque agora James e Lily tem 18 anos e estão quase se casando.
Então... vamos ao que interessa. Mais um capítulo de Prongs!
Obrigada pelos comentários, vocês são demais. *-*


Eu queria ser capaz de descrever melhor o beijo dela.

A forma como me beijava, sem esperar algo em troca... seu sorriso quando se afastava um centímetro para mudar a direção do rosto. Era um sorriso doce, mas se você prestasse bem atenção, não era completamente inocente. Também não era de culpa... Mesmo que seu corpo estivesse em cima do meu, quente e completamente nu embaixo dos lençóis em uma tarde que deveríamos estudar para o teste de Transfiguração dos N.I.E.M's no dia seguinte... Deveríamos estar nos preparando para sairmos de Hogwarts formados com excelentes notas. Mas estávamos namorando. Estávamos aproveitando cada momento.

O sol que ultrapassava uma pequena fresta aberta da cortina ao redor da minha cama fazia reflexo no seu cabelo vermelho escuro. Eu lembro que eu sempre me admirei com o fato de que brilhava tanto, parecia estar pegando fogo, com a luz do sol.

Mas nada, nunca, irá se comparar ao brilho daqueles olhos verdes tão vivos, tão característico, só dela. Apenas dela.

Movimentei minha língua e a de Lily a acariciou com lentidão torturante. Ela sabia o que estava fazendo quando se tratava de beijos. Nós dois éramos incríveis. Não era exagerado, nem mesmo desesperado. Era gostoso, sutil, brilhante.

Abriu os olhos só um pouco para perguntar:

– Quais os três tipos de encantamentos seguros para transformar humanos em objetos?

Arrastei minhas duas mãos pela curva de seu dorso nu para responder:

– Pegadinha. Não existem três, é apenas uma e se chama Objecta. – Ela distribuiu beijos pelo meu peito quando foi minha vez de questionar: – Você está em uma missão, não pode ser vista para entrar no local, não tem a poção polissuco e não pode aparatar, como você resolveria a situação?

– Eu usaria o encantamento para me camuflar, mas no seu caso a Capa da Invisibilidade ou animagia faria o trabalho.

– Então a resposta é ter a sorte de James Potter.

– Como tem tanta sorte, afinal de contas? – brincou, e então ela se moveu, moveu o quadril suficientemente para que eu ficasse disposto para mais uma vez, mesmo que há dez minutos já tivéssemos transado. Eu não estava mais nervoso como na primeira vez, estive até mais confiante para dar mais prazer a Lily. Nunca vou esquecer ela me pedindo para "não parar...". E agora estávamos estudando. Aos beijos, com o corpo quente dela em cima do meu, mais quente ainda.

– Meu pai sempre me disse que ele bebeu uma dose de Félix Felices quando eu nasci. O efeito perdurou nos próximos dezoito anos...

– Ah, então está explicado... James Potter veio de uma Félix Felices.

– Você já conseguiu fazer uma?

– A poção da sorte? É difícil, ela demora meses para ficar pronta, sem contar que a chance de errar um ingrediente é muita alta... Eu precisaria de tempo para isso. E cem anos a mais de estudo aprofundado.

Era tão sexy ela falando daquele jeito.

Acho que qualquer coisa que ela dissesse seria sexy com ela naquela posição comigo.

– Um fio do meu cabelo é o ingrediente secreto. Você sabia disso?

– Não sabia – ela disse bastante séria. – Talvez agora eu consiga fazer uma então.

Ela passou os dedos pelos fios do meu cabelo e, sem aviso algum, puxou um deles. Fiz uma breve careta diante da irônica expressão maldosa dela, mas depois rimos juntos. Encontrei um caminho com as mãos até suas coxas e eu a beijei. Tateei a mão para o lado a procura da varinha e trouxe mais um preservativo para minha mão. Lily percebeu e ergueu uma sobrancelha.

– De onde é que aparece tanta...?

– Sirius comprou um monte... seria um desperdício sair de Hogwarts... sem usar todas, não acha?

– Isso é tão inapropriado – ela disse sorrindo e colocando os cabelos atrás das orelhas enquanto me observa, ali abaixo em nossos quadris, vesti-la. – Não devíamos estar fazendo isso em plena terça-feira.

– E mesmo assim – eu sussurrei, capturando seu pescoço para mim – você não consegue resistir...

– Claro que consigo, só não quero – queixou-se, apoiando a palma da mão em meu peito. Seus seios friccionavam minha pele, e quando eles se afastaram no momento em que ela ergueu seu dorso, continuando sentada em meu colo, eu mordi meus lábios e precisei segurar aqueles pares tão convidativos.

Sentei-me também, acariciando seu seio. Com a outra mão, levei meu sexo até o dela. Eu estava ansioso e duro. Lily não conseguiu se controlar muito também.

Quando me acomodei dentro dela... ela não se moveu. Fiquei na expectativa e, observando suas reações, esperei até que ela se acostumasse com a invasão. Acho que entendemos que, em algum momento, a dor passaria. Mesmo assim, Lily ainda era delicada e calma. Não tinha pressa.

Tirei seus cabelos dos olhos e a beijei, apenas um beijo para tranquilizá-la. Quando eu sorri, ela retribuiu, mas deixou um escapar um breve gemido, e, nisso, eu achei que ia gozar ali mesmo, sem ela precisar fazer movimento algum.

Voltei a me deitar com a cabeça no travesseiro. O lençol já havia deslizado por suas costas quando Lily fez um movimento. Começou a descer e subir tão lentamente que eu precisei fechar meus olhos para apreciar a sensação da melhor forma possível. Não consegui me manter parado, mas quando ousei fazer sequer um movimento com o corpo embaixo dela... ela pediu depressa:

– Não... é melhor eu fazer isso sozinha...

Ela queria o controle dessa vez. Fiquei louco.

Encontrou um ritmo que perdurou por algum tempo. Nem ousei atrapalhar. Beijei seu pescoço, seu peito, aprendendo que ela gostava da atenção que eu dava as diversas partes aleatórias do seu corpo. Ela também não queria que eu não tivesse minha safra de delírio, porque se inclinou com o dorso para beijar meu pescoço e apertar os dentes entre o lóbulo da minha orelha. Acho que em algum momento ela percebeu que isso era o meu ponto fraco e só o fazia com essa intenção de me enlouquecer, de me deixar mais excitado. Murmurando um "eu te amo" no meu ouvido... e ainda se movendo em cima de mim daquele jeito? Naquele ritmo insuportavelmente lento?

Não acaba rápido, cara, você consegue se controlar... comecei a pedir a mim mesmo.

Lily não ajudava em nada, gemendo baixinho no meu ouvido. E eu ainda tinha que ficar parado sob o seu comando... Foi a maior contradição de todas, querer gozar e não querer, só para aproveitar isso... Teve um momento que os gemidos dela deixaram de ficar baixinhos. Foi quando comecei a acariciar o ponto estratégico de sua intimidade, enquanto ela descia e subia no eixo da minha ereção, aumentando o ritmo lento com o ritmo dos meus dedos.

Os lábios dela se separaram, estavam molhados, e os olhos cerraram-se. Ela ficou inteira intensa contra meu corpo. Pareceu por um momento se esquecer do resto do mundo, pois tinha os olhos fechados e a cabeça um pouco inclinada para trás. Ela apertou os dedos contra os músculos contraídos do meu peito, começou a gemer alto, sem se preocupar que alguém da Sala Comunal lá embaixo fosse escutar alguma coisa. Ela geralmente se preocupava com qualquer coisa que fosse fazer as pessoas acharem que ela estava transando comigo. Mas agora ela não dava a mínima.

Nunca vi a Lily desse jeito, foi... incrível. Eu não parei o que estava fazendo com o dedo. Não parei até ela puxar meu cabelo com força e arfar depressa, em um som que saiu da sua garganta, estrangulado, desesperado. Por incrível que pareça, eu não tinha gozado ainda... e ela estava respirando pesadamente, com o corpo amolecido em cima do meu. Ela me beijou arrebatada, forte, ainda respirando com força.

– O que foi... isso? – ela se perguntou, embora nós dois soubéssemos. Colocou a cabeça na curva do meu pescoço, como se não tivesse acreditado no modo como se comportou. Deu até uma risada incrédula, tímida, mas satisfeita.

Enrolei alguns fios de seu cabelo no meu dedo indicador. Ela não tinha agido assim em nenhuma das vezes que tivemos até aquele momento. Ela nunca havia se deixado perder tanto o controle...

Não parei de pensar que eu fiquei tão preocupado em gozar nas outras vezes, que não parei para pensar que Lily ainda tinha... ela ainda precisaria de mais um pouco. Que ela não tinha ficado realmente satisfeita nas outras vezes. Que quando eu gozava, não queria dizer que Lily tinha feito isso também.

Porque dessa vez aconteceu. Dessa vez ela teve um orgasmo, e foi bem visível. Foi bem verdadeiro.

– Algum problema, amor? – ela perguntou baixinho, percebendo meu silêncio. – Foi incrível, eu adorei e...

Ela notou e achou que eu estava com essa expressão porque ainda não tinha terminado para mim. Ela me beijou de novo, segurando meus ombros para que eu me deitasse nela e a penetrasse de novo. Por que ela tinha que ser tão atenciosa comigo? Eu nem merecia. Ela estava amavelmente molhada, o suficiente para que fosse fácil deslizar contra ela agora. Eu estava rápido, não conseguindo me controlar por mais tempo. Gozei e, dessa vez, foi forte. Ela arrastou meus cabelos molhados para trás e jogou os braços ao redor do meu pescoço. Nós trocamos um beijinho e nos abraçamos.

– James? – Lily chamou um tempinho depois. Eu estava fazendo uma promessa silenciosa de que eu nunca sairia da cama até que eu tivesse certeza de que Lily estivesse satisfeita, quando a voz baixinha dela ecoou pelo quarto silencioso: – Quero que faça a pergunta.

Sem conversarmos sobre isso, eu sabia do que ela estava falando.

Olhei para ela, nosso batimento cardíaco muito acelerado. E não tinha nada a ver com o sexo.

– Quero dizer sim para você.

– Lily...

– Não quero me casar só porque estamos em guerra, só porque podemos não sobreviver no minuto em que sairmos de Hogwarts... eu quero fazer porque eu amo você. Porque é com você que eu quero ficar, com você que eu quero sentir prazer, com você que eu quero lutar. Entendeu? Só não quero perder tempo. Eu direi sim hoje ou daqui dez anos. Mas prefiro hoje.

– Não vou perguntar hoje – eu sussurrei. E então abri um leve sorriso. – Quero te surpreender. Se eu perguntar agora, hoje, você não vai ficar surpresa.

– Eu vou ficar esperando por isso o tempo todo, acho muito difícil que consiga me surpreender – ela disse séria.

– Desafio aceito, então – eu sorri.

Fui ao banheiro e, quando voltei, Lily estava abotoando a camisa do uniforme, observando a janela do dormitório. Os cabelos jogados nos olhos, completamente despenteados, eram do jeito que eu gostava, mas só quando ela estava sozinha comigo. Procurou a saia e quando a vestiu, percebeu que eu estava observando ela. Admirando, para falar a verdade. Ela e os raios do sol de um fim de tarde eram as melhores combinações do mundo.

Eu me aproximei para vestir minhas roupas de novo. Lily enrolou a gravata ao redor do meu pescoço e fez um nó nela. Sorrimos um para o outro, sem conversar muito do que andávamos fazendo as escondidas ultimamente. Quando Lily ajeitou o meu distintivo de Monitor Chefe em minha camisa, ela ficou um tempinho olhando para ele.

– Vou sentir tanta falta daqui – disse. – É quase até patético, porque fico me pegando olhando para qualquer coisinha do castelo, meio que me despedindo aos poucos, entende? Tem um rouxinol que aparece na janela do meu dormitório toda manhã desde o meu primeiro ano... quase chorei quando o vi outro dia.

Ela riu de si mesma como se isso fosse a coisa mais idiota que alguém poderia fazer. Mas eu não achava idiota. Eu achava que Lily era assim e eu não a amaria se ela fosse de outro jeito.

– Sei do que está falando – eu disse enquanto saíamos do quarto. – Outro dia fiquei dez minutos batendo um papo muito profundo com alguns quadros das paredes. Sem contar quando McGonagall nos deu nossa última aula semana passada...

– Todo mundo viu você abraçando ela – disse Lily, abafando uma risadinha. – Eu sempre soube que ela era sua professora preferida. Sendo ainda animaga, quem resistiria?

– Opa, isso é ciúmes na sua voz?

– Não! E eu espero que Slughorn encontre o presente que deixei para ele no último Clube do Slugue.

– Isso sim é uma verdadeira puxa-saco – eu disse admirado. – Eu sabia que deveria ter deixado meu bigode crescer. Como posso competir com o charme do professor Slugue?

Ela me deu um tapa no braço, mas, ainda rindo, eu perguntei:

– Que presente você deu a ele? Uma poção para fazer bigodes ficarem macios?

– Um peixinho, nada muito "Uau, sempre tive uma queda muito secreta pelo senhor", mas sim "obrigada pelos anos que dedicou seu conhecimento para nos ensinar."

– Puxa-saco!

– Não sou!

– É sim. Puxa-saco. Puxa-saco.

– Eu não devia ter te contado isso.

– Puxa-saco, puxa-saco.

Ela se irritou comigo.

– Ai, tchau, Potter.

Ainda rindo, porque eu adorava quando ela ficava toda irritadinha, vi que ela decidiu ficar com as amigas agora. E eu também queria ter um tempo com meus amigos agora.

Nada era mais nostálgico do que isso. Elas estavam tão sentimentais com o fato de que teríamos nosso último teste de N.I. no dia seguinte, que ficavam se abraçando o tempo todo, relembrando cada momentinho da vida delas em Hogwarts.

Mas meus amigos também não estavam ocultando seus emocionais. Não fofocando sobre quais foram nossas paixões ao longo dos anos, mas aproveitando a última lua cheia do mês, explorando cada canto da Floresta Proibida. E eu ainda tinha a impressão de que não conhecíamos nem três por cento da existência das criaturas mágicas por lá. Eu teria que ter umas dez vidas para conhecer tudo... e, talvez o fato de que jamais conheceria, era o que me fazia admirar tanto.

Voltamos cedo para o último dia dos N.I.E.M's. Estávamos correndo depressa para a sala, ajeitando nossas capas e nossos cabelos, limpando qualquer resquício de sujeira, quando fomos parados por uma voz estridente, fria:

– PARADOS!

Era o zelador Filch. Sirius parou, eu esbarrei em Sirius, Remus esbarrou em mim e Peter se esbarrou em todos nós. Tropeçamos no chão até que caíssemos, o Mapa do Maroto saltando da minha mão no instante em que vimos o pé de Filch se aproximar de nossas cabeças.

Finalmente peguei vocês! Deveriam estar no café da manhã com todos os alunos... pelo menos os que sobraram! E, veja só, o que diabos é esse pergaminho?

Pigarreei depressa:

Malfeito feito.

Ele não ouviu, pois ficou interessado em ser mais rápido do que qualquer um de nós para pegar o mapa no chão.

– Isso vai ficar comigo agora!

– É só um pedaço de pergaminho – disse Sirius.

– Vindo dos malfeitores dessa escola... não é um pergaminho! Voltem para suas salas! Estou farto de vocês, finalmente vão embora daqui... não via a hora!

Como o zelador Filch não usava magia, ele não era uma ameaça para o segredo do Mapa. Mesmo assim, Peter nos deu a idéia de azará-lo para conseguirmos de volta, mas eu o interrompi, enquanto assistia ao zelador se afastando com sua gata.

– Não tem problema – eu disse. – O Mapa não terá utilidade alguma para nós fora de Hogwarts. Filch o guardará em seus pertences e se alguém descobrir a existência do Mapa é porque estará em detenção. E por isso vai merecer o Mapa.

– Quem poderia descobrir a existência do segredo dele?

– Os novos malfeitores de Hogwarts. Acha que seremos os únicos? – dei um sorrisinho de lado. – Estamos apenas passando o nosso legado, marotos. Ou acharam que íamos sair daqui sem sermos lembrados? Eu nunca deixaria. Você deixaria, Padfoot?

– De jeito nenhum.

Depois que terminamos os N.I.E.M's, as últimas semanas do ano letivo passaram rápido. Pudemos aproveitar com mais fervor nossos últimos momentos como estudantes de Hogwarts. Fiquei definitivamente orgulhoso quando, no último dia dos testes, um bruxo do Ministério da Magia chamado Elphias Doge veio me cumprimentar e perguntar sobre minhas metas para os próximos anos da minha vida.

– Só quero a minha namorada – falei sorrindo e, nisso, puxei Lily que estava conversando com Emmeline sobre os testes, para um abraço.

– James – ela reclamou, mas quando viu que eu estava conversando com um dos avaliadores dos testes práticos, fez imediatamente uma postura e tirou o braço do seu ombro.

Eles apertaram as mãos.

– Srta. Evans, estou certo? Dumbledore me contou sobre vocês dois. Monitores Chefes exemplares.

– Sim, muito exemplares – concordei, sem parar de pensar no que fizemos na biblioteca naquela tarde.

– Eu estava aqui perguntando para o Potter quais eram as metas dele... Estou curioso para saber as suas. Fez uma apresentação formidável, de fato, nos últimos testes. A senhorita pensa em seguir que carreira no Ministério da Magia?

– Auror – ela disse rapidamente, sem hesitar. – Parece combinar com quem quer ver Voldemort caído.

Ele ficou um pouco surpreso por ouvir o nome de Voldemort sair tão firme da voz dela, mas mesmo que seu rosto não fosse muito sorridente, ele conseguiu um esforço para isso.

– Determinada. Exatamente o que Dumbledore precisa.

– Para o que, senhor? – perguntou.

– Oh, acredito que o diretor ainda não tenha procurado vocês... Professor Flitwick! – e ele saiu para cumprimentar o professor de feitiços, deixando-nos confusos, mas muito curiosos.

Lily e eu não comentamos a ninguém sobre nossa decisão de, bem, nos casarmos em algum momento próximo. Ela não contou as amigas, e eu apenas disse a Sirius para guardar esse segredo.

Prometi a Lily que quando eu a pedisse em casamento, teria que ser de um modo surpreendente. Tive algumas ideias ao longo das últimas semanas, mas somente na sexta-feira tive a brilhante decisão de colocar o anel prateado dentro da sua bolsa quando saímos para passar a tarde em Hogsmeade com nossos amigos. Assim que ela colocasse ou tentasse procurar alguma coisa lá dentro, veria o anel, ficaria surpresa, e eu me ajoelharia para o pedido.

Era o plano perfeito. Sirius até me elogiou.

Mas, como todo o plano perfeito, sempre havia um jeito de sair pela culatra.

Fiquei tão na expectativa de vê-la pegar sua bolsa na cadeira da mesa, que mal prestei atenção nas conversas entre eles. Lily estava sorrindo. Quando ela finalmente pegou a bolsa, meu coração disparou.

Ela ia ver, ela ia ver.

Mas na verdade, falou:

– Alice, não vai esquecer sua bolsa de novo aqui, hein?

Quase despenquei.

Eu tinha colocado o anel na bolsa da Alice.

Eu namorava Lily Evans e tinha colocado o anel na bolsa da Alice. Eu nunca tinha reparado que a bolsa das duas eram iguais! Eu era um idiota.

Com certo pânico, observei em câmera lenta Lily estender o braço para entregar a bolsa a Alice no outro lado da mesa.

Depressa, agarrei a bolsa e tirei da mão dela.

– Nossa, que linda – eu disse. – Muito linda essa bolsa. Posso analisar um pouco o tecido delano banheiro?

– Não! – disse Alice horrorizada. – James, qual é o seu problema? É minha bolsa. Preciso ver se trouxe dinheiro...

Eu assisti aos próximos dois minutos como se estivesse assistindo a uma partida de snaps explosivos, só esperando a carta explodir na minha cara.

Frank estava saindo do banheiro quando Alice viu o anel. Todo mundo ao redor da mesa parou o que estava fazendo para olhar quando ela tirou a jóia da bolsa e a colocou na altura dos olhos, encantada. Frank se aproximou da mesa com a gente sem ter a mínima noção do motivo do nosso silêncio. Quando foi até Alice, quase se ofuscou com o brilho do anel.

Os dois arregalaram os olhos juntos.

Ao mesmo tempo, disseram:

– Sim!

– Espere, você não estava propondo para mim?

– Você o colocou aqui para me surpreender!

– Não, esse anel na verdade-

– Oh, Frank!

Ela agarrou o pescoço do namorado e deu mil beijos na boca dele.

– Eu quero casar com você mais do que um apanhador quer capturar o pomo de ouro na final Mundial de Quadribol.

– Eu também, Alice! Mas... mas... mas... esse anel não é meu. O que eu queria te entregar... não exatamente agora... na verdade, é esse daqui.

Ele tirou do bolso uma caixinha e abriu a parte superior dela. Outro anel, diferente do meu, mas tão brilhante quanto, reluzia o ar do Três Vassouras. Alice tampou a mão na boca e seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas. Frank ajoelhou-se e perguntou:

– Alice, você tem sido minha melhor amiga desde o primeiro ano. Eu lembro que eu era um garoto inseguro e não gostava quando diziam que você era minha namorada, mas na verdade esse é o meu maior orgulho. Nunca quero esquecer você. E vou lutar ao seu lado o que tiver que enfrentar... seremos você e eu para sempre, se aceitar ser minha esposa e criarmos uma família juntos. Minha mãe não vai se importar. Então, Alice Prewett, você quer se casar comigo?

Ela não conseguiu dizer, apenas assentiu com a cabeça e rindo e chorando ao mesmo tempo, abraçou Frank em meio aos aplausos de todos os presentes no Três Vassouras.

Quando eles se soltaram, Alice enxugou o rosto e olhou para o anel que estava segurando.

– De quem é esse, então?

Peguei o anel de volta, pigarreei e me ajoelhei também, a frente de Lily.

– Lily Evans-

Ela colocou a mão na minha frente.

– Pode parar, Potter. Minha melhor amiga que acabou de se tornar noiva do Frank. Deixa pra outra hora!

– Veja pelo lado bom! Pelo menos alguém conseguiu fazer o pedido – disse Sirius quando eu guardei o anel de volta, abanando a cabeça.

– Você é o namorado dela, como é que confundiu a bolsa das duas? – perguntou Remus inconformado.

– Te surpreendi pelo menos, não foi? – eu me virei para Lily. – Falei para você quando eu fosse pedir você em casamento, eu iria te surpreender. Você não estava esperando que Frank fosse pedir a Alice em casamento ao invés disso... eu fiz de propósito!

Eles ironizaram.

– Ah, claro!

– É sério. Foi tudo esquematizado. Foi o plano perfeito. Frank, me agradeça depois.

Ele ergueu o polegar.

– Mais alguém tem algum pedido de casamento para fazer? – perguntou a madame Rosmerta, sorrindo, perto do balcão.

– To fora – disse Marlene e Sirius ao mesmo tempo, saindo depressa da mesa.

Dorcas e Remus se entreolharam.

– Er – disseram ao mesmo tempo.

– Estamos bem assim, não é? – ela quis confirmar.

– Claro! – Remus ajeitou a gravata do colarinho.

– Rebecca terminou com Peter. Então vamos só comemorar pela Alice e o Frank hoje – eu disse girando os olhos. – Cancele a banda e a música! Cancele as flores, Rosmerta. Cancele os fogos, cancele tudo... Lily ainda não aceitou, pra variar.

Mas não era motivo de se desesperar, eu só estava brincando. Talvez aquela pergunta não fosse mesmo necessária... Lily garantiu para mim que era isso o que ela queria, não apenas por causa dos riscos, mas porque ela me amava. Ficar de joelhos, pedi-la em casamento, era somente um símbolo, uma tradição. Mas o importante era que nós dois queríamos.

Então ficamos sozinhos no jardim, embaixo da árvore, aproveitando nosso penúltimo dia em Hogwarts. Ela deitada na grama ao meu lado, brincando distraidamente com o botão da minha camisa, enquanto eu tinha a garota que eu amava nos braços, olhando para o céu azul e quase fechando os olhos de sono, acariciando seu braço.

– Você ainda está com o anel? – ela perguntou como se não tivesse parado de pensar nele desde que o viu.

Entreguei a Lily o anel, para vê-lo. Lily nunca foi uma garota que se preocupava com coisas materiais. No entanto, ela se preocupava com o significado delas. E aquele anel tinha um pouco de ambos.

– É lindo.

– Meu pai deu esse anel a minha mãe quando eles se casaram pela segunda vez.

– Seus pais... seus pais se casaram duas vezes?

– A primeira vez foi quando eles foram obrigados devido à tradição de famílias de puro sangue... a segunda, meu pai me contava, foi porque depois ele se apaixonou por ela.

Lily ficou um tempinho calada. Ela apoiou o queixo no meu peito e confessou:

– Queria ter conhecido seu pai. Ele parecia ser um cara legal.

– Ele queria te conhecer também.

– Você falou de mim para ele?

– Falava o tempo todo. Ele disse para eu nunca desistir de você.

– Você já quis desistir?

– Nunca.

Nós dois olhamos para o anel e depois nossos olhos ficaram se encarando por um tempo. Segurei o anel de volta. Na mesma altura de seus olhos, eu perguntei a ela:

– Casa comigo, Evans?

Não foi surpreendente, mas, de alguma forma, o impacto da pergunta foi intenso.

– Sim – ela respondeu com a voz baixa, decidida, mas foram os olhos dela que me fizeram acreditar nisso. Sempre foram tão expressivos. Eu finalmente coloquei o anel em seu dedo, tendo a plena certeza de que aquela seria a última vez que eu a chamaria de Evans.

Aquele foi o dia mais feliz de nossas vidas. Pelo menos, até agora.

Acordei na manhã seguinte com a sensação de que minha vida estava apenas começando. Lily Evans ia se casar comigo. E eu estava arrumando minhas malas pela última vez em Hogwarts, antes de voltar para casa.

Cresci naquele dormitório, onde eu e meus amigos tivemos ideias que poucos conseguiram ter na nossa idade. Lembrava da primeira noite em que dormi na mesma cama que eu estava arrumando agora. Peter tinha caído da cama e quebrado o braço no meio da noite; tivemos que socorrê-lo tentando encontrar a ala hospitalar, mas nos perdemos. Foi quando McGonagall nos deu sua primeira bronca.

Eu fui feliz em Hogwarts, talvez mais feliz do que qualquer bruxo. Aproveitei todos os anos da melhor forma que pude. Se exagerei em algumas brincadeiras? É verdade, mas eu nunca vou poder mentir dizendo que não me diverti com elas.

Tirei a camiseta de Quadribol da mala e a coloquei em cima da cama, talvez para dar sorte ao garoto que um dia ocupar o mesmo lugar que o meu. Ver o nome "Potter" me fez imaginar que, se um dia eu tivesse um filho, ele também seria da Grifinória. Quem sabe, até usaria o mesmo uniforme...

A última coisa que fiz em Hogwarts foi devolver ao diretor meu distintivo de Monitor Chefe. Era necessário, uma vez que eles colocavam os distintivos na parede da Sala de Troféus para registrá-lo. Dumbledore estava beliscando alguns feijõezinhos quando eu e Lily dissemos a senha e entramos na sala dele.

– Entrem, entrem – ele permitiu com um sorriso. Depois fez uma careta.

– Cera de ouvido? – indaguei apontando para a caixa do doce.

– Nunca tenho a sorte de uma torta de limão – lamentou-se.

– Professor – disse Lily. – Estamos aqui para devolver o distintivo de Monitores Chefes.

– Ah, claro. Podem deixá-los sobre minha mesa. Sétimo ano é sempre o mais triste... – suspirou quando nós fizemos o que pediu. – A despedida é interminável. Feijõezinhos, Lily?

– Não, obri-

– Eu quero – falei, animado. Peguei um feijão verde e o coloquei na boca. Mastiguei por algum tempo e, feliz, senti o gosto doce.

– Não me diz que tirou-

– Torta de limão. Sinto muito, professor.

– Eu o invejo, caro rapaz, eu o invejo – ele disse rindo. – Vou tentar mais um.

Por uns cinco minutos, Lily ficou me assistindo trocando doces com o nosso diretor. Dumbledore conseguiu um de sabor ameixa, que ele alegou gostar bastante. Eu tirei um de sabor gengibre, não gostei muito. Os próximos sabores foram tão ruins que decidimos parar.

– Tem certeza que não quer um, Lily? – perguntou Dumbledore amigavelmente.

Ela não conseguiu negar ao diretor.

– Morango com chocolate – disse enquanto ainda mastigava. – Mas acho que tem mais alguma coisa no meio... – ela não aguentou e começou a contrair o rosto em careta. – Pasta de dente. Eca.

– Os escondidinhos – disse Dumbledore abanando a cabeça. – Pensamos que tivemos a sorte de pegar o mais delicioso sabor, quando de repente...

– Pasta de dentes – eu concordei. – Bom, professor, espero que ainda possamos trocar feijõezinhos de todos os sabores em um futuro próximo.

Nós apertamos as mãos. Ele apertou a mão de Lily.

– Quem sabe no Cabeça de Javali, no próximo domingo, sete horas da noite?

Lily e eu nos entreolhamos. Estava Dumbledore convidando a gente para tomar uísque de fogo em Hogsmeade? Tipo amigos?

– Claro, professor – disse Lily, estranhando também, mas sempre bastante educada.

– Não vamos ter nada para fazer no próximo domingo mesmo – eu acrescentei.

– Excelente, excelente. Bom, não vou ocupá-los por mais tempo. Acredito que ainda tenham que se despedir dos amigos. Eu preciso preencher alguns pergaminhos, nada muito importante, mas necessário. Vejo vocês no próximo domingo, então.

Ele nos dispensou. Quando saímos da sala do diretor, Lily abriu o pedaço de pergaminho que Dumbledore havia colocado em sua mão no momento em que a apertou. Eu também tinha um.

Estava escrito o seguinte:

Confidencialmente, acabei de ter a honra de convidá-los a se reunirem a sociedade secreta que estou organizando para enfrentarmos os planos de Lord Voldemort e seu exército de Comensais da Morte.

Lily me mostrou o que estava escrito no pergaminho dela.

Não se esqueçam do que falei ao apertarmos as mãos. Será o local, a data e o horário da primeira reunião. Não comente a mais ninguém, apenas apareçam se estiverem preparados. Sei que estão.

Ela virou o pergaminho tentando encontrar outra explicação, mas o que estava escrito no verso dele era outra coisa.

E felicidades aos noivos!

Imediatamente soltamos os pergaminhos quando começaram a pegar fogo. As chamas destruíram suas texturas, mas as cinzas flutuaram livremente pelo ar no alcance de nossos olhos. Antes de se dissolverem, tive a impressão de que haviam simulado brevemente o voo de uma fênix.


Chegamos finalmente a essa parte da fanfic. Mas, ei, ainda falta acontecer tanta coisa. Não vamos pensar em fins ainda. E eu não podia deixar de escrever o dia em que o zelador Filch confisca o mapa do maroto para daqui alguns anos Fred e George o encontrarem :) É tudo planejado aqui gente, tudo planejado. Que nem o James fazendo o Frank pedir a Alice em casamento.

Até o próximo!