Soaring Black Bird – Chapter 21
George's Plan [Plano de George]
O Natal passou, as ferias acabaram, o inverno se foi e a segunda tarefa se aproximava. Mas Rayvenne e Fred ainda não haviam trocado uma palavra sequer desde o Baile de Inverno. Era como se tivessem brigado novamente, mas desta fez nenhum atacava o outro com alguma brincadeira. Agiam apenas como se não se conhecessem.
A loira havia contado todo o acontecido para Vincent. Aparentemente, o moreno havia se tornado seu confessionário. Ele a escutara calado todo o tempo, apenas ponderando sobre suas palavras. Somente quando Rayvenne acabara de falar, é que o aluno de Durmstrang expressara sua opinião.
-Se ele não tem vindo falar com você, isso é mal. – Vincent disse. – Quero dizer... há duas possibilidades... Ou ele não compartilha dos mesmos sentimentos que você e, por isso, não consegue mais falar com você por estar confuso... Ou ele sente o mesmo e só não sabe como dizer isso depois de tudo o que aconteceu... Só que as chances de acontecer a primeira sobre a segunda é de 3 contra 1... Normalmente, se a segunda fosse o caso, ele já teria dito alguma coisa mais cedo...
-É... – Rayvenne disse suspirando. – Foi o que eu imaginei...
-Vocês ainda podem retomar a amizade. – Vincent disse reparando no olhar melancólico da colega. – Mas isso depende da força de vontade dos dois e de quanto prezam a amizade de vocês. Afinal, você não deve nada a ele e ele não deve nada a você. Em lógica, vocês não precisam mais se falar...
A pessoa que mais estava sentindo os efeitos do Baile de Inverno era George. O ruivo estava começando a se irritar com a atitude do irmão. Fred não havia ficado melancólico como Rayvenne, continuava a trabalhar nas Geminialidades com George, continuava a fazer brincadeiras com todos e rir com o irmão depois. Só que algo estava faltando em Fred, e esse algo era o que incomodava George. Fred as vezes começava a olhar pro nada com o olhar caído, só saindo desse transe se alguém chamasse sua atenção, andava mais distraído que o normal.
-Fred! Eu e a Honey-Honey vamos até a cozinha roubar alguma coisa, o pessoal da Grifinória resolveu que vão começar um torneio de xadrez de bruxo! – George disse animadamente para o irmão que alimentava Fredinho restos de uma torta de caramelo. – Você vem conosco?
-Ahn...Acho que vou deixar pra próxima. Quero dormir cedo hoje... – Fred disse sem se virar pro irmão. Fredinho lambia os restos de caramelo dos beiços.
-Ah... Tá bom... – George disse decepcionado. – Boa noite...
George e Hannah andavam em direção à cozinha. A morena observava a quietude de George.
-Você está bem? – ela perguntou num tom preocupado.
-Tô ótimo! – George respondeu num tom mais nervoso que pretendia. Hannah franziu o cenho.
-Desculpe! Só estava querendo ajudar! – ela disse voltando a olhar para frente. George suspirou.
-Perdão, Honey-Honey... – ele disse colocando uma das mãos em cima do ombro de Hannah. – É o Fred... Ando meio preocupado com ele.
-Realmente... Quem raios dorme cedo numa sexta à noite? – Hannah comentou ironicamente. – Mas você não é o único, George... Até mesmo o Ron anda preocupado... Queria poder fazer alguma coisa... Mas não há nada que faça a Ray falar com o Fred!
-Depois da confissão dela... Acho que o mais certo seria Fred ir procurá-la... – George comentou.
-Não foi uma confissão! – Hannah corrigiu-o. – De acordo com Fred, ela disse que "o garoto de quem gosta convidou outra ao invés da melhor amiga". Podia ser tanto você ou o Lino também.
-Tenho minhas dúvidas... – George disse. – O Fred não tem medo de falar com ela, ele só não sabe ainda como abordar. Na primeira chance que tiver, ele vai conversar com ela sobre o assunto... Mas essa chance é o problema...
-Se pelo menos pudéssemos dar ao Fred essa chance... – Hannah disse pensativa. – Algo que Ray pudesse aceitar...Algum tipo de plano...
-Como uma brincadeira... – George murmurou para si mesmo e um largo sorriso maroto brotou em seu rosto. – Honey, acho que podemos deixar a noite de Xadrez de Bruxo para uma próxima vez... Temo um plano pra bolar...
-Se é pra ajudar o Fred, eu estou de acordo... – Ron disse colocando de lado o tabuleiro de Xadrez Bruxo. George e Hannah haviam convencido-os a ajudar a bolar o plano perfeito para fazer com que Fred e Rayvenne se entendessem.
-Ótimo! – George disse. Harry, Ron, Hermione, Hannah, e Lino estavam todos em volta de George, sentados cada um em uma poltrona de couro vermelho ou nas cadeiras de madeira. – Okay, alguma idéia?
-Bem...Sabemos que tudo que precisamos fazer é colocar os dois juntos e sozinhos para que possam conversar... – Hannah disse. – É bem simples...
-Simples... exceto pelo fato do juntos sozinhos. – Ron disse.
-Há várias salas de aula vazias por aqui... – Hermione disse. – Podíamos fazer com que os dois entrassem juntos e não saíssem sem que tenham resolvido suas diferenças...
-Não... Mesmo que trancassemos a porta da sala de aula, a Ray poderia simplesmente berrar por ajuda ou destruir a porta – Hannah disse. – E temos que lembrar que ela tem Vincent pra ajudar... E aliás, ela nunca concordaria em entrar numa sala de aula sozinha com Fred...
-A idéia de colocarmos os dois juntos em algum lugar é boa... – George comentou. – O problema mesmo seria convencê-los...
-Podemos pedir pra Ray que entre em uma sala vazia, como um favor... É só não contarmos à ela que Fred estará na Sala também – Lino disse.
-Eu poderia pedir para que ela fosse me ajudar a preparar poções para a Geminialidades! – George disse sorrindo. – Ela não daria mancada uma segunda vez... Não depois da briga! E depois fazemos Fred entrar e pronto!
-Quando Ray percebesse a presença de Fred, ela ainda poderia berrar por ajudar ou estourar a porta. Não adiantaria nada do mesmo jeito. – Hannah disse. – Precisamos colocá-la num lugar que ela não queira ou não possa sair de jeito nenhum...
-Por quê não fazemos isso à noite... ? – Harry comentou. – Pensem bem, mesmo que a colocássemos em alguma sala de aula vazia com Fred, ela não sairia berrando ou estourando a porta... não à noite.
-Brilhante! – George exclamou. – Perfeito! Temos tudo! Peço para a Ray me encontrar numa sala de aula vazia durante a noite para preparar poções ara a Geminialidades. Invento alguma desculpa para o Fred e o faço ir no meu lugar. Trancamos a porta e Rayvenne não poderá fazer nada! E pronto!
-Espere aí, Sherlock! – Hannah interveio. – Ainda temos o problema de Rayvenne não conseguir falar com o Fred! Digo... Fred pode vir pedindo mil perdões, a conversa nunca sairia daí. Precisamos de um meio de darmos a confiança necessária pra ela...
Hannah estava certa. Rayvenne poderia ser valente ou o que fosse. Quando se tratava desse tipo de assunto, era pior do que uma porta. Ela não saberia reagir, não conseguiria levar em frente. Ele precisava pensar em algo, algo que pudesse ajudá-la a ganhar confiança. De repente George sorriu. Um sorriso maroto típico dos gêmeos Weasley ao planejarem a brincadeira perfeita
-Acho que tenho a solução...
Era sábado de manhã, Rayvenne se dirigia para o Salão Principal como de costume. Pretendia passar o dia estudando com Vincent, afinal os N.O.M.s estavam se aproximando. Antes de entrar no Salão Principal, viu George encostado em uma parede. Ao vê-la, o ruivo sorriu e foi em sua direção.
-Bom dia, Ray! – ele saudou.
-Oi, George... – ela respondeu sem ânimo.
-Bom... Então... Você está com a noite livre? – ele perguntou. Rayvenne arqueou uma sobrancelha.
-Pretendia apenas dormir, por quê? – Rayvenne perguntou.
-Veja bem... Eu e o Fred estamos meio atrasados com toda essa história de Geminialidades, sabe...? – ele disse. – Temos clientes já e eles estão ficando um tanto... impacientes.
-E o que você quer que eu faça...? – Rayvenne perguntou levianamente. Não estava com vontade de conversar sobre a Gaminialidades numa manhã de sábado em que pretendia passar estudando.
-O Produto que está mais sendo requisitado é a poção do amor... – George disse. – E eu preciso de ajuda para prepará-la! E sabe... Hoje à noite seria o horário ideal...
-Ah... Bem... – Rayvenne não sabia o que responder. Ela teria que aceitar, afinal já tinha dado bolo nos dois da última vez. Mas trabalhar com Fred não parecia-lhe uma grande idéia.
-Não se preocupe, será só eu e você – George disse com um sorriso sereno. – Eu sei que as coisas não andam tão boas com você e o Fred...
-Ah... Então ok! Banheiro da Murta de Geme hoje à noite, então? – ela perguntou.
-Bem... Sabe... – George começou coçando a nuca. – A Murta tem começado a ficar nervosa com a presença masculina no banheiro... Semana passada ela fez o banheiro inundar para expulsar eu e Fred... Então, eu estava pensando em usar o banheiro masculino dos monitores, sabe?
-Ah sei... aquele com a banheira gigante? – Rayvenne disse. George assentiu com a cabeça.
-Ok! Te vejo hoje a noite, pode ser? – o ruivo disse adentrando o Salão Principal. Rayvenne entrou logo depois dele e foi se sentar com Vincent como de costume. Christian continuava bem longe do castelo, apesar de as fãns terem começado a parar de importuná-lo, ele ainda não se atrevia a entrar em Hogwarts.
-Certo, Ray. –Vincent disse. – Depois do café-da-manhã, nós começaremos com História da Magia. Depois nós vamos pra Runas Antigas. Almoçamos e dividimos a tarde entre Feitiços e Trato de Criaturas Mágicas.
-Perfeito... – a loira disse servindo-se de suco de abóbora.
-Podemos estudar Poções à noite – Vincent comentou. – Podíamos ir para aquele banheiro que você falou... da Murta alguma coisa e preparar poções de nível N.O.M. . O que acha?
-Não dá... – Rayvenne disse. – Já tenho compromisso com um amigo.
-Quem... O ruivo? – Vincent perguntou olhando de esgoela para Fred que sentava com George, Hannah e Lino.
-Não, com o irmão dele... – Rayvenne respondeu.
Fred e George haviam passado a tarde toda fazendo experimentos para a Geminialidades. Depois de uma ou duas pequenas explosões, os dois finalmente decidiram parar. O sol já se punha no horizonte.
-Ei Fred... – George disse olhando para o semblante novamente distraído de Fred. – Está tão cansado quanto eu...?
-Não... – Fred respondeu – Estou pior...
George riu. Seu irmão continuava o mesmo, apesar de tudo.
-Fred... me promete uma coisa? – George disse deitando-se em sua cama.
-Fala... – Fred respondeu observando o irmão.
-Quando aparecer a primeira chance, fale com a Ray e resolva todos os problemas... pode ser? – ele disse. O irmão suspirou.
-É que eu pretendo fazer... – Fred respondeu. – É só aparecer a primeira chance...
Um pequeno silêncio se instalou entre os dois. O único som que se podia ouvir eram o das respirações de ambos.
-Sabe... Lembra daquele banheiro de monitores que Percy tanto se gabava ter acesso quando virou monitor? – George disse quebrando o silêncio e sorrindo marotamente.
-E como poderia me esquecer...? – Fred respondeu. – Percy não parava de sair por ai exibindo aquele distintivo nojento...
-Ouvi dizer que ali é ótimo lugar para descansar...
A noite caíra. Rayvenne andava com cuidado pelos corredores com o caldeirão e alguns ingredientes em mãos, o que era uma tarefa árdua, qualquer movimento brusco e aquilo tudo fazia um barulho infernalmente alto, deixando Rayvenne no risco de ser pega. Ela logo chegou na entrada do banheiro, um quadro cuja figura ela mal conseguia distinguir. Ela falou a senha e entrou com cuidado no banheiro. Ela olhou em volta, não havia nenhum sinal de George. Mas algo estava errado.
O ar dentro do banheiro estava bem mais quente que o do lado de fora... e estava úmido. Além disso, o banheiro estava cheirando estranhamente à perfume. Rayvenne deu de ombros, provavelmente o banheiro havia sido usado mais cedo e, dado a pouca ventilação, o cheiro e o vapor de água continuavam impregnados no local. Ela decidiu adentrar mais o aposento. Queria ver o quão grandiosa era a tal banheira que por anos ouviu Percy se gabar...
Ela adentrou e o que viu, bom. Era a banheira.
E ela estava cheia.
Com muito vapor saindo dela.
E muita espuma em toda sua extensão.
E com um Fred com as costas encostadas na extremidade da banheira, com os braços apoiados nas bordas, com os olhos verdes fechados e a cabeça apoiada em um dos braços.
Rayvenne se assustou soltado um pequeno gritinho. Fred abriu os olhos e se assustou da mesma forma.
-Ah...! R..Ray!
Ela rapidamente virou-se pro lado oposto, quase derrubando o caldeirão e os ingredientes no processo. Sentiu o rosto esquentando numa velocidade inacreditável. Achou que a cabeça derreteria a qualquer momento.
-D..D..D..Desc...Desculpe! – Rayvenne disse. – O George... ele... poções...e...ahn...
Rayvenne não conseguia formar nenhuma frase direito. O choque de ver Fred dentro de banheira e em toda sua glória havia sido muito grande. As bochechas da loira ainda ardiam.
-Eu... eu... eu saio! – ela disse correndo até o quadro por onde entrara. Ela disse a senha, mas o quadro não se mexeu. Rayvenne estranhou, mas achou que fosse porque dissera ainda gaguejando. A loira tentou de novo, mas novamente nada aconteceu. Ela sacou a varinha desesperadamente e bradou um feitiço, mas era inútil. O quadro não se movia. Ela pensou em destruí-lo, mas isso chamaria muita atenção.
-Nada bom, nada bom, nada bom! – ela murmurou para si mesma. – Por quê eu??
Fred continuava dentro da banheira, o rosto tão vermelho que fazia suas sardas todas sumirem. Estava infinitamente agradecido pela quantidade de bolhas ainda serem suficientes para cobrir toda a banheira. Assim pelo menos pode ter certeza de que Rayvenne não havia visto-o.
Rayvenne colocou as mãos sobre a cabeça. Estava presa dentro de um banheiro masculino com o cara de quem gosta, ele estava totalmente... Rayvenne não queria nem pensar. O que ela faria? Não tinha nada a ser feito! Puxaria assunto com Fred? Ah claro... brilhante "E aí, Fred! Tá boa a água?". Talvez a melhor coisa seria esperar por George.
-Hum... Ray? Algum problema... ? – O ruivo perguntou mandando uma grande onda de frio pela espinha de Rayvenne. Ela engoliu em seco.
-S..s..se eu te d..d..disser que n..não consi..consigo sair... ? – Rayvenne disse cerrando os punhos. Ela gostaria de estar em qualquer lugar, menos ali. Por quê ela tinha que aceitar a proposta de George?
-Quer ajuda...? – ele perguntou. Rayvenne balançou desesperadamente a cabeça em sinal negativo.
-Não precisa! Não precisa! – ela disse aflita – Daqui a pouco o George aparece e eu saio! Sabe, ele inventou de querer preparar poções aqui!
-Mas foi ele quem me disse pra vir... – Fred parou no meio da frase. É claro! George havia armado tudo aquilo! Rayvenne não podia sair porque George havia enfeitiçado o quadro. George havia convidado Rayvenne para fazer poções e George havia dito para ele vir tomar banho aqui. É claro... George queria que ele resolvesse tudo com Rayvenne. – Ray... não vire para cá nem por um instante agora, ok?
-Com toda a certeza! – ela disse. Rayvenne largou o caldeirão perto de si. Ela torcia a barra da blusa com as mãos. Ainda estava tentando formular algum meio de sair daquele lugar. Estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebeu o barulho de Fred saindo da água. De repente, a loira sentiu uma mão em seu ombro. Ela se assustou e rapidamente virou para ver quem era.
Fred estava em pé bem próximo de Rayvenne. Ainda estava completamente sem roupa, salvo pela toalha em volta da cintura. A loira jurou que estava derretendo, seu corpo todo fervia de constrangimento. Ela não sabia se estava chocada, surpresa, indignada ou feliz. Só sabia que, se ele chegasse mais perto, ela morreria. Alias, ela explodiria.
-Q..q..q..q..? – Rayvenne não conseguia formular frase alguma. Fred a encarava com os orbes verdes de um modo sereno. O que deixou a loira um pouco mais calma.
-Ray... Desculpa... – ele murmurou. – Por tudo... Eu tenho sido um idiota...
Rayvenne não respondeu. Ela apenas fitava os orbes verdes do garoto. Ela sentia o hálito dele esfregando em suas narinas.
-No Baile de Inverno... quem... o garoto que deixou de te convidar... Era eu, não? – ele perguntou. Rayvenne engoliu em seco.
Certo. O garoto de quem você gosta faz 5 anos está seminu na sua frente pedindo para que você confesse seu amor por ele. De certa forma, Rayvenne conseguiu achar graça nisso.
Graça o suficiente para responder à pergunta do ruivo.
-Parabéns, gênio. Chegou à essa conclusão sozinho ou pediu ajuda? - Rayvenne disse num tom zombeteiro. Fred riu. – Mas... você está saindo com a Angelina...
-Fiz isso só porque achei que você estava saindo com o Chathomme ou o outro... – Fred disse sorrindo. – Na verdade... Ah, como eu vou dizer isso sem parecer patético?
-Apenas diga, não dá pra não parecer patético... – Rayvenne respondeu.
-Ah...Acho que o que eu quero dizer é que... eu gosto de você, Ray. – ele disse – Mas do que o normal, sabe? Ah... eu sou péssimo com palavras...
-Um cara só de toalha está dizendo que gosta de mim... – Rayvenne disse zombeteira. – Sabe o quanto você está parecendo um maníaco sexual nesse momento?
Fred riu. Rayvenne riu com ele. Logo os dois estavam gargalhando em meio ao banheiro masculino dos monitores.
Do lado de fora do banheiro, George sorria satisfeito. Seu planos sempre foram os melhores.
