Capítulo 21 – 'Aqui é a Abby, eu não posso atender, então você sabe o que precisa fazer'

Dias, semanas, meses. O tempo passava normalmente, com momentos bons e momentos ruins, dias de sol e dias de chuva, noites em claro e noites de sono.

Era outra manhã nublada e cinzenta do inverno croata e Luka assistia ao noticiário internacional sem prestar muita atenção enquanto tomava café da manhã calmamente, antes de ir para o hospital.

Ele já estava quase terminando quando uma chamada chamou sua atenção.

'E uma ultima noticia'. A bela apresentadora disse sentada na bancada.

Luka pegou a xícara de café na mão e desviou sua atenção para a televisão.

'Uma explosão acaba de ocorrer no County General de Chicago'.

A xicara deslizou por seus dedos, quebrando em pequenos pedaços ao tocar o chão.

Ele piscou algumas vezes, sem esboçar nenhuma reação, tentando digerir aquela informação.

'Ainda não se sabe quantas pessoas ficaram feridas ou se houveram vitimas'.

"Abby...". Luka balbuciou levantando da mesa, pisando nos cacos espalhados pelo chão, e tentando chegar o mais rápido possível ao telefone.

Tentando controlar o nervosismo que percorria seu corpo, ele discou o número do apartamento de Abby, esperando que ela atendesse. "Por favor, Abby... atende, por favor".

"Abby está lá dentro". Chunny gritou para Carter, que estava abaixado ao seu lado, perto da sala onde a explosão havia acabado de ocorrer.

"Ela esta lá dentro?". Carter perguntou arregalando os olhos assustado depois da informação que tinha recebido.

Chunny concordou com a cabeça, e logo em seguida levantou do chão, para checar se havia algum ferido em volta.

Sem pensar muito, Carter se levantou e correu rapidamente até a porta da sala, dando uma breve olhada pôde localizar um paciente caído no chão ao lado de uma maca, e Abby não muito longe dali perto de um cano estourado que soltava labaredas de fogo.

"Abby!". Carter gritou entrando na sala, mas não obteve resposta. Ele caminhou o mais rápido possível até perto dela, desviando dos focos de fogo.

"Abby, acorda". John disse checando seu pulso, e logo em seguida fez o estimulo doloroso.

Abby se mexeu, incomodada com a dor, mas não abriu os olhos.

Carter a pegou nos braços, e o mais rápido que pôde, caminhando com certa dificuldade, desviando novamente das chamas.

"Eu preciso de uma maca!". Ele disse num tom alto ao sair da sala.

'Aqui é a Abby, eu não posso atender, então você sabe o que precisa fazer'.

Ouvir a voz dela, mesmo que através da secretária eletrônica era bom, mas não naquelas circunstancias. Naquele momento Luka tinha cada parte do seu corpo tencionada, rezando em seus pensamentos para que Abby estivesse bem.

"Abby, sou eu Luka... eu acabei de ouvir sobre a explosão no County, então se você estiver em casa, por favor, atende". O tom de voz dele tinha uma mistura de desespero e angustia, e o que estava sentindo naquele momento, nem ao menos conseguia entender.

Ele fez um breve silêncio, esperando que a qualquer momento ela atendesse ao telefone, pra dizer que estava tudo bem, mas o sinal que indicava o termino da mensagem foi tudo o que aconteceu.

Luka olhou para o telefone em suas mãos, talvez ela só não tivesse conseguido chegar para atender a tempo.

Ele discou rapidamente o número dela, e respirou fundo antes que começasse a chamar.

"Por favor, Abby, atende... Por favor". Luka pedia baixinho para ninguém especial, ainda rezando em seus pensamentos.

Um, dois, três toques, a cada segundo era mais difícil de acreditar que ela estava segura em casa.

'Aqui é a Abby, eu não posso atender então você sabe o que precisa fazer'.

"Abby, sou eu de novo, por favor, me liga assim que você ouvir essa mensagem okay?".

Abby começou a despertar vagarosamente enquanto Carter a posicionava com cuidado na maca que Malik havia trazido.

"Seu pescoço está bem?". Ele perguntou colocando as duas mãos em volta do pescoço dela.

Ela concordou com a cabeça em um movimento curto, ainda um pouco tonta e muito dolorida.

"Vias respiratórias desobstruídas?". Susan perguntou cruzando com os dos no corredor.

"Acho que ela esta bem". Carter respondeu começando a empurrar a maca, tentando desviar do pequeno caos em que o P.S. tinha se transformado.

"Você precisa de ajuda?". Susan começou a andar de costas para continuar a olhá-lo.

"Não, vou levar ela para o leito dois".

Enquanto os outros médicos e enfermeiros corriam de um lado para o outro, tentando tirar os pacientes de perto daquela sala, John empurrou a maca de Abby até uma das cortinas, aonde as coisas pareciam um pouco mais calmas.

Ela levou a mão à cabeça, incomodada com a dor que estava sentindo.

"Abby, você está com dor no peito?". Ele perguntou colocando o estetoscópio no ouvido.

"Aham". Ela respondeu concordando com a cabeça. "Bem aqui". E logo em seguida tocou suas costelas do lado direito.

"Aqui?". Carter disse pressionando a área com delicadeza, mas ainda assim causando incomodo em Abby. "Respira fundo". Ele continuou, posicionando o estetoscópio em seu peito, e em seguida colocando uma mascara de oxigênio nela.

Luka passou quase toda a manhã tentando falar com Abby, mas tudo o que conseguiu foi ouvir a mensagem de sua secretaria eletrônica inúmeras vezes.

Ele olhou mais uma vez para o telefone em sua mão, e depois para o relógio pendurado na parede, já era tarde e ele estava completamente atrasado, mas ir para o hospital seria bom, naquele momento ele precisava tirar a hipótese de Abby estar machucada da cabeça, ou então ficaria louco.

Numa ultima tentativa, com o coração ainda cheio de esperança, discou o número dela novamente, mas como nas outras vezes só ouviu a mensagem da secretaria.

Luka levantou do sofá e caminhou vagarosamente até o quarto, um bom banho e encher a cabeça de trabalho, era tudo o que precisava agora.

Assim que terminou de se vestir, passou pela sala e pegou as chaves do carro, a carteira e o casaco. Olhou para o telefone e estava quase o pegando na mão para tentar ligar novamente quando parou para pensar melhor, a resposta seria a mesma... Abby não estava em casa.

Apesar de não ter conseguido falar com ela, Luka precisava acreditar que tudo estava bem, e que ela estava em outro lugar, segura e salva.

Ele já estava quase trancando a porta pelo lado de fora, mas antes que pudesse começou ouvir o toque do telefone.

Adentrou a sala o mais rápido que conseguiu, e atendeu ao telefone antes mesmo que ele tocasse pela terceira vez.

"Abby?". Luka disse com o corpo completamente tencionado, esperando ouvir a voz dela do outro lado da linha.

"Luka?".

Ele soltou um longo suspiro.

"Mi trebati vama ovamo ka klju"c bolnica" (Nós precisamos de você aqui no hospital) O recepcionista disse um pouco atarefado.

"Ja volja biti onamo domalo". (Eu já estou indo). Ele respondeu voltando a ficar tão preocupado como antes.

"Respira fundo". Carter disse com o estetoscópio posicionado nas costas de Abby. "Seu peito ainda esta doendo?"

Abby puxou o ar com força e depois o soltou lentamente. "Só um pouco. Será que agora eu posso me levantar?". Ela virou para trás para olhá-lo. "Eu estou bem, posso ajudar".

"Não até nós fazermos um raio-X, e você não precisa se preocupar, o P.S. já foi quase totalmente evacuado".

"Eu não preciso de um raio-X". Ela disse começando a ficar um pouco impaciente.

"Faça isso pela Mel okay? Ela precisa de você inteira".

"Ah meu Deus! Melanie, eu preciso pegar ela... a creche já deve estar fechando".

"Não precisa se preocupar, Susan já a pegou, e está com ela no Lounge, agora se você for boazinha nós podemos acabar com isso logo".

"Okay...". Abby disse finalmente desistindo, e voltando a se deitar na maca, para que Carter a levasse para a radiologia.