Capítulo 20

"A Verdade É Revelada"

Os dias passavam depressa.

Ayame sentia que Kouga estava um tanto distante desde seu último encontro a sós, no quarto do rapaz... E isso a deixava muito chateada.

Em um momento, ao vê-lo caminhando sozinho pelo jardim, correu ao seu encontro.

- Kouga!

Para sua decepção, ele se afastou muito rápido. Mas ela também era veloz e o alcançou logo depois, segurando seu braço. Ele parou, sem olhá-la nos olhos.

- O que há com você? _ ela questionou.

- Nada. _ ele respondeu, simplesmente.

- Como nada? _ ela insistiu _ Você tem estado estranho desde... Aquele dia.

Kouga não respondeu. Apenas baixou os olhos. Ayame sentia que seu corpo estava rígido.

- Kouga... _ ela preocupou-se _ O que há? Sabe que pode confiar em mim e me contar tudo.

Ele continuava sem responder. Ela não estava gostando daquilo.

- Você... _ ela começou, o rosto corando _ ... Aquilo que houve entre a gente... Você... Não gostou?...

Ele se virou para ela, os olhos ardentes. Um esgar de sarcasmo se formou em seus lábios.

- Não seja tonta. _ voltou a se virar de costas _ Você... Sabe que sim.

Ayame sentiu seu coração disparar.

- Então... _ ela diz, respirando forte _ ... Então quer dizer...

- Não quer dizer nada, Ayame! _ ele virou-se para ela novamente. Seu rosto estava indecifrável _ Aquilo foi um novo erro que cometemos. Nada mais do que isso.

Ayame não pode conter as lágrimas que escorreram por suas bochechas.

- E-Erro?...

- Sim. Um erro que não deveria ter se repetido. Quantas vezes tenho que dizer. Somos irmãos e não podemos fazer esse tipo de coisa.

- NÓS NÃO SOMOS IRMÃOS! _ ela berrou, descontrolada _ Você usa essa desculpa para se manter afastado pois morre de medo de enfrentar seu pai!

- Eu moro com ele. Devo respeitar suas ordens.

- A custa da sua felicidade? _ ela atirou _ Da NOSSA felicidade, Kouga?

- É um preço a pagar. _ ele diz, após alguns instantes de silencio.

- Não é um preço justo.

- Não te avisaram? A vida não é justa.

- Seu imbecil! Você nem ao menos a ama, Kouga!

Um silêncio se formou.

- Você... Me diga que ao menos me ama... _ ela diz, triste.

Kouga não responde. Vira-lhe as costas novamente. Os punhos se fecham.

- Kouga...

Ele começa a se afastar, mas Ayame percebe sua cabeça balançar afirmativamente de forma mínima enquanto ele ruma ao castelo.


- Bom dia, Inuzinho.

- O que quer aqui, Kikyo? _ Inuyasha responde azedo, enquanto corta algumas lenhas.

- Nossa! Que mau homor.

- Se não está vendo, estou ocupado. _ ele reponde, continuando seu trabalho.

- Não precisa se preocupar. Só estou de passagem.

- Aonde vai? _ ele questiona.

- Está preocupado? _ ela diz, insinuante.

- Se não quiser dizer não diga. _ ele responde, fechando a cara. Porque tudo o que ele fazia Kikyo já achava que era por ela?

Kikyo também fechou a cara por um instante, mas logo ficou sorridente novamente.

- Você não vai me deixar irritada hoje.

- Está mesmo bem humorada. _ ele comenta, observando-a _ Até demais...

- Estou feliz, só isso. Vou entregar uma carta para um amigo que mora em Kyotópolis.

- Amigo, é?...

- Ah, Inuzinho... _ ela o abraça por trás _ Não precisa ficar com ciúmes.

Inuyasha se afasta.

- E quem te disse isso? _ ele responde, azedo novamente _ Pode se corresponder com quem quiser.

Kikyo sorriu marotamente e seguiu seu caminho, sob os olhares desconfiados de Inuyasha.


Não era verdade...

Não podia ser verdade...

O pedaço de papel já se encontrava totalmente amassado no chão, vítima de mãos nervosas e desesperadas. Além de todo respingado por gotas de lágrimas que mesmo após horas ainda teimavam em cair.

Como pôde ter feito isso com ela?

Como pôde pensar que ela seria fria a ponto de ter o mesmo pensamento daqueles outros de seu mundo?

Como pôde não confiar nela e contar a verdade em tantos momentos em que estiveram sozinhos?

Mesmo custando a acreditar, Agome começava a perceber que talvez a pessoa que a alertara tivesse razão...

Talvez fosse mesmo tudo um golpe...

Talvez ele estivesse mesmo apenas atrás de sua coroa...

Era doloroso pensar que o único sentimento verdadeiro que teve por alguém em toda a sua vida, não fosse tão verdadeiro como pensava...

Pelo menos da outra parte, pois da sua era muito verdadeiro e agora pagava o preço por ouvir seu coração.

- "Crápula..." _ ela pensava, chorando _ "Mentiroso de uma figa... Como pôde fazer isso comigo? Como pôde brincar com meus sentimentos desse jeito?..."

Agora tudo fazia sentido...

Por isso pensava conhecê-lo quando o viu pela primeira vez...

Porque ela já o conhecia...

Já haviam se visto antes... Uma vez... A muitos anos...

Após um longo suspiro, debruçou-se na cama, pegando o papel amassado novamente. Alisou-o da melhor maneira que pôde para ler novamente as palavras que tanto a machucaram, a fim de assimilá-las e tentar digerir a verdade dolorosa que nelas se expressava:

Cara princesa,

Venho por meio desta carta avisar-lhe para que tomes cuidado com as pessoas a sua volta.

Nem todos são quem dizem que são.

Me refiro ao rapaz hanyou com quem tem se encontrado. Sim, eu sei de seu romance.

Mas não precisa ficar preocupada. Não pretendo contar a ninguém sobre isso.

Minha intenção ao escrever isso é apenas alertá-la.

Alertá-la de que não existe um reino chamado Green Ville.

Alertá-la de que Inuyasha não é nenhum príncipe mas um aldeão comum, morador do reino de seu pai.

Alertá-la de que se trata de um rapaz ambicioso, que faria tudo para angariar terras e riquezas, já que sua família nunca as teve.

Peço que tome cuidado com ele.

Atenciosamente,

Uma amiga


Aqui está mais um capítulo gente.

Desculpe a demora.

E obrigada por continuarem acompanhando.

Kissus a todos!