— Cuidado com ela! – Alice gritou, fazendo com que Beau se assustasse e quase a derrubasse.

— Ahn! – Bella gemeu de dor, fazendo com que ele a olhasse, com culpa.

— Desculpe, priminha.

— Está tudo bem, Beau. – Declarou, relaxando, quando ele finalmente a colocou na cama.

— Sabia que deveríamos ter esperado seu capitão.

— Está tudo bem, Alice. – Ela tentou acalmar a amiga, mas recebeu um olhar irritado.

— Não, não está não. – Retrucou cruzando os braços. – Quando Edward virá para cá? Eu tenho que pegar um relatório no trabalho, mas não quero deixa-la sozinha.

— Ela não está sozinha. Eu vou ficar com ela. – Beua declarou, ofendido.

— Quero dizer alguém responsável!

— Ei! – Ele estava prestes a devolver a provocação, quando Bella o interrompeu.

— Parem vocês dois! Alice, pode ir se quiser. Eu ficarei bem. O Beau pode me ajudar. – Respondeu docemente. A amiga andava uma pilha e ela sabia o motivo.

— Você tem certeza? – Questionou olhando para Beau.

— Sim, eu tenho.

— Tudo bem, então. Eu não demoro. De qualquer jeito, Edward passará aqui mais tarde. Tente sobreviver até lá. – Declarou pegando sua bolsa e saindo.

— Que diabos há de errado com essa garota? – Beau perguntou confuso. Não se lembrava de ter feito nada para ela.

— Eu apostaria que um certo major ainda não ligou para ela, depois que saíram.

— Então ela está agindo como uma verdadeira bruxa, porque um cara não ligou? – Questionou e Bella assentiu. – Garotas! – Grunhiu, jogando as mãos para o ar.

— Ela vai ligar. Só precisa de um tempo. E por falar nisso, cadê a Garcia?

— Teve que voltar para a base. Com a aposentadoria do seu capitão, ela está com muito trabalho.

— Imagino que sim. Edward é reponsável por muitas coisas. Espero que ela consigo colocar tudo no lugar.

— E quanto a você?

— O que tem eu?

— Vai voltar? – Perguntou realmente preocupado. Quando haviam ligado para contar o estado da prima, ele havia pensado que ela tinha morrido.

— Não, eu acho que não.

— Ótimo!

— Beuafort!

— Nada de Beaufort, Isabella! Eu fui ao inferno e voltei, quando recebi a ligação dizendo que você havia sido abatida. Abatido no meu dicionário, quer dizer grande saco de ossos.

— Eu sinto muito. – Lamentou. Sabia que o primo realmente se preocupava com ela.

— Está tudo bem. Apenas, não me assuste assim novamente. – Declarou estendendo a mão, em um cumprimento apenas deles.

— Eu não vou.

— Ótimo. Porque meu pobre coração não agüenta. – Acrescentou, fazendo Bella revirar os olhos.

— Dramático.

— Alguem na família tinha que ser, garota. Então? O que vai acontecer?

— Pelo que entendi, serei dispensada com honras.

— Bem conveniente.

— O que?

— Que Edward vá se aposentar agora.

— Acha que ele pediu aposentadoria para ficar comigo? – Perguntou.

— Não sei. Mas é uma grande coincidência. Enfim. Sorte sua. Dani só vai se aposentar daqui uns dez anos. E mesmo assim, não quer.

— Deve ser difícil para você. – Bella declarou, segurando a mão do primo.

Eles conversaram por mais algum tempo, até que Bella pegou no sono. Beau foi para a sala ver TV, quando ouviu a campainha tocar.

— Olá, Cullen. – Respondeu, melhorando sua postura. Apenas tentando parecer maior. Mas sabia que aquilo era inútil.

— Olá, Beau. Vim ver a Bella. – Edward declarou, tentando não rir a pose do garoto.

— Ela está dormindo. – Respondeu, ainda medindo o capitão. – Mas eu estava assistindo uma série. Você pode entrar e esperar ela acordar. – Acrescentou e Edward assentiu.

— Qual série?- Edward perguntou interessado. Não queria ir embora, mas também queria deixa-la descansar.

— Você não conhece. – Respondeu se jogando no sofá e Edward olhou para a TV, com um sorriso.

— The Walking Dead? – Questionou e Beau sorriu.

— Não parece um cara que gosta desse tipo de série. Cerveja? – Perguntou oferecendo uma garrafa, que Edward aceitou prontamente.

— Desse tipo de série?

— É, sabe. Zumbies e apocalipses. Parece o cara que gosta de coisas mais próximas da realidade.

— E quem disse que isso não é próximo. – Edward perguntou com um sorriso, enquanto bebia sua cerveja.

— Como é?

— Cientistas estão trabalhando e uma célula que fica viva, mesmo depois que o hospedeiro morre.

— Está brincando, não é?

— Não. – Edward respondeu sério.

— Beau? – Ambos ouviram a voz de Bella. Beau se levantou, mas Edward foi mais rápido.

— Ei, Edward? – O chamou e ele se virou. – Nossa conversa ainda está valendo. Mesmo depois dessa noticia muito incrível do zumbis, entendido? – Perguntou e Edward assentiu, caminhando em direção ao quarto.

— Beau! – Bella o chamou mais alto. Estava com sede, mas não conseguia alcançar o copo. E sua costela quebrada não permitia que ela se levantasse.

— Precisa ser um Swan? Ou um Cullen serve? – Questionou colocando a cabeça na porta, fazendo Bella abrir um sorriso.

— Acho que um Cullen serve muito bem. Pode pegar a água para mim?

— Claro. – Respondeu pegando o copo e entregando para ela.

— Pensei que fosse demorar. – Declarou assim que matou sua sede.

— Consegui terminar mais cedo. E também... Murmurou, aparentemente nervoso. – Precisamos conversar.

— Está bem. – Ela respondeu com uma batida na grande o bastante para ambos. Ele se sentou ao seu lado e capturou sua mão.

— Eu não contei tudo sobre meu passado. – Edward murmurou. – Coisas que eu não queria que você soubesse.

— E você está pronto agora? – Perguntou calmamente, sem deixar de olha-lo. Edward assentiu olhando para ela. Ela parecia mais forte. Ainda ferida, mas muito mais forte do que quando eles haviam chegado no hospital.

— Estou. Se vamos começar uma vida juntos...- Declarou apertando sua mão. – Não quero mentiras e segredos entre nós.

Edward respirou fundo, pensando em como começar. Havia ensaiado aquela conversa, várias e várias vezes. Mas ainda estava perdido

— Quando eu era mais jovem... Sempre me voluntariava para explorações de territórios.

— Você contou. Gostava de estar em batalha.

— Sim. Mas a parte que não contei, é que eu não ia sozinho. Eu nunca ia sozinho.

— Você tinha uma equipe? – Perguntou inocentemente.

— Não. Apenas um único parceiro. Garrett e eu éramos inseparáveis. Mas na minha ultima missão de campo...- Se interrompeu, fechando os olhos. As palavras de Garrett gritando em sua mente. Eu não preciso da sua proteção, parceiro.

Você o perdeu? – Questionou.

— Eu havia levado um tiro. Havia uma criança no prédio ao lado. Garrett pensou que seria fácil busca-la. Mas então...

— O prédio exploriu. – Bella completou, se amaldiçoando por completar a frase.

— O que disse? – Edward perguntou, parecendo atordoado.

— O que?

— Como sabe que o prédio explodiu? – Questionou e Bella suspirou. Ele queria apenas a verdade entre eles. Então era o que ele teria.

— Porque eu sei da história toda. – Respondeu baixando os olhos e ele a olhou.

— Sabe?

— Sei que você havia levado um tiro e não podia andar. Garrett foi até o prédio, que explodiu assim que ele se aproximou. E ele morreu.

— Como sabe disso?

— Eu sei disso há muito tempo, Edward. Esperava que você me contasse antes de irmos para Síria. – Declarou baixando os olhos. Ele parecia quebrado. – Mas você não contou. Não confiou em mim o bastante. Talvez se tivesse contado...

— Teria feito alguma diferença? – Questionou se afastando. – Você teria mudado de ideia?

—Não! Minha ida para a guerra não tem nada a ver com você. Era meu sonho. E eu precisava vive-lo.

— Então que diferença faria? Que diferença faria se eu tivesse contado? Diga, Bella! – Rugiu se levantando e caminhando pelo quarto.

— Seria bom saber que você confiava em mim o bastante para dividir isso. Somos parceiros Edward. Pelo menos eu pensei que éramos. Não só no campo de batalha, mas na vida também!

— Como descobriu? – Questionou com um tom de voz baixo.

— Beau me contou. A tenente contou para ele e ...

— Ele não podia manter a boca fechada, não é? Não poderia cuidar da própria vida.

— Ei! – Ela o censurou, mas ele a ignorou.

— Não! Isso não é da conta dele! Não deveria ter se metido. Esse é um assunto difícil para mim.

— Por quê? Porque você se culpa?

— Não! Porque ele era meu irmão! – Rugiu se aproximando da porta.

— O que? – Bella praticamente gritou. Ela não sabia dessa parte. Nunca imaginou que Garrett fosse irmão biológico de Edward. Parecia que existia muito mais por trás dessa história. E ela queria que dessa vez, fosse ele a lhe contar.