Semente Ruim
~*S2*~
Naruto e seus personagens não me pertencem.
~*S2*~
Adaptação/tradução da telenovela Corazón Salvaje de 93, que é uma adaptação do romance da escritora Caridad Bravo Adams.
~*S2*~
Fanfic dedicada a Pinkuiro que me convenceu a transcrever essa maravilhosa história. 3
~*S2*~
Preocupada com o bem estar de ambas as filhas, Kurenai aguardou o marido sair ao trabalho, arrumou-se e, com Kin ao seu lado, apreensiva seguiu para a casa dos Uchiha.
Conhecia a bela residência dos tempos que visitava seus antigos donos, mesmo assim mirou com temor a estrutura de pequenos tijolos, cercada por portões de ferro cobertos por plantas, as grades altas abertas recepcionando as visitas com seu pequeno e frondoso jardim. A casa não era a culpada do seu nervosismo e medo, o motivo era o homem casado com sua filha mais nova. Não sabia o que encontraria em sua primeira visita, nem se conseguiria ajudar Hinata caso seus temores fossem reais.
Apertou a pequena bolsa na frente do corpo e atravessou o portão, caminhando ansiosa pela trilha de pedras rumo às portas duplas de vidro. Endireitou a postura - juntando toda a altivez que sua posição social exigia – e puxou a corda do badalo.
Não necessitou tocar a sineta uma segunda vez, poucos instantes depois a mulher de olhos verdes e cabelo loiro preso em quatro partes, contratada por seu genro, atendeu.
— Bom dia, senhora Hyuuga! — ela saudou reconhecendo-a de imediato. — Entre, por favor!
— Bom dia! — respondeu lamentando não recordar o nome da jovem. Era importante criar laços com os serviçais, principalmente para que revelassem se sua filha era maltratada. — Minha filha e o marido estão?
— O senhor saiu — a empregada respondeu, aguardando Kin passar antes de fechar a porta. — Por favor, acomodem-se. Chamarei à senhora Hinata — disse indicando os sofás.
Para não incomodar a patroa em sua conversa com a filha, Kin informou que ficaria na saleta ao lado - a mesma que ocupara no dia anterior -, ficando a disposição a qualquer chamado.
Sozinha e ainda dominada pelo extremo desconforto de estar na casa de seu estranho genro, Kurenai sentou-se no elegante sofá. Com mãos inquietas, ajeitou o vestido de musseline azul marinho com detalhes em renda branca, endireitou o pequeno chapéu coberto pelo mesmo tecido e renda nas cores invertidas, por fim pegou o leque da bolsa e se abanou aflita.
Sentia que aguardava há horas quando a empregada retornou seguida por Hinata.
— Mamãe, que bom que veio me visitar!
Radiante, Hinata a abraçou e beijou.
— Não estou sendo inoportuna, filha?
— Claro que não. Sente-se! — a morena pediu ocupando a cadeira almofadada de frente para o lugar ocupado por sua mãe. — Pedi para Temari nos trazer chocolate quente e biscoitos — informou sorridente. — Infelizmente, Sasuke não está. Anda ocupado com os negócios. Quer se dedicar ao comércio — contou transbordando de orgulho do marido.
— Ouvi dizer... — Mesmo diante da alegria da caçula, Kurenai a analisou com preocupação. — Como está se sentindo, filha?
— Feliz.
A resposta acompanhada por um sorriso sonhador não foi suficiente para acabar com os receios da matriarca.
— De verdade? Não está me enganando?
— Porque o faria? Sasuke é maravilhoso, mamãe — Hinata declarou apaixonada, recebendo um olhar duvidoso de Kurenai. — Não me olhe assim. Estou dizendo a verdade — afirmou sorridente, acrescentando apaixonada: — É bom, terno, me faz rir e é tão carinhoso.
Temari entrou na sala com a bebida e os lanches. Kurenai aguardou a empregada servi-las e sair antes de continuar a conversa.
— Estava preocupada. — Emocionada pela felicidade da filha, Kurenai confessou: — É que os homens sempre são arredios. Seu pai tem bons modos, mas quando se zanga... Mal posso lhe dirigir a palavra — complementou recordando com amargor o tratamento frio que recebia desde o noivado de Hinata e Sasuke.
— Os maus modos de Sasuke conheço desde antes, e os bons, mamãe, compensa qualquer coisa — Hinata sentenciou resplandecendo de felicidade e amor.
— Então o quer? — Mesmo com Hinata expondo seus sentimentos antes do casamento, só agora Kurenai acreditava.
— Muito! — a Uchiha confirmou sem conseguir parar de sorrir. No entanto, a pergunta seguinte de sua mãe o fez.
— E ele a ti?
— Não sei! — confessou desanimada. — Mas me respeita, me consulta coisas e... quer que eu decida, que faça o que eu desejo.
— Não acredito! — surpreendeu-se Kurenai. — Então, ele aceitou o rapaz que Kabuto indicou?
— Perguntarei hoje mesmo.
— Só lembre-se de não dizer foi indicação do Kabuto — Kurenai recomendou ainda sem crer na boa vontade do Uchiha. — Como não se dão bem, possivelmente não contratará o rapaz.
— Não quero engana-lo...
— Diga que fui eu.
— Sasuke o conheceu Gaara na fazenda e contratou a irmã dele, Temari, a moça que atendeu a porta — explicou. — Creio que aceitará meu pedido sem a necessidade de mentiras.
— Estou tão contente por você, filha — confessou motivada pela visível confiança e amor de Hinata no marido. — Oro para que sua irmã também sossegue. — Kurenai decidiu que era hora de abordar o segundo motivo de sua visita. — Naruto me contou que pretende morar em São Pedro. Parece que Sakura e sua madrinha não se dão bem.
— Não será um pretexto de Sakura para se reaproximar de Sasuke? — Hinata julgou. O ressentimento das constantes tramoias de sua irmã nublando sua feição.
— Como pode pensar isso, Hinata! — Kurenai repreendeu. — Não pense tão mal de sua irmã.
Para a matriarca Hyuuga, havia um único culpado pelo seu medo da mudança dos Uzumaki: Sasuke. Ele seduzira uma moça de casta superior, e Kurenai temia que, apesar de casado com Hinata, fosse capaz de atrair Sakura novamente. Porém, tendo certeza que Hinata defenderia o agora marido, guardou sua opinião para si.
— Como posso pensar bem dela, mamãe? — Cansada das mentiras e calúnias de sua irmã, Hinata decidiu contar sobre a última farsa de Sakura. — Agora que já passou posso lhe dizer. Lembra quando disse que estava gravida?
— Sim. E infelizmente não estava — lamentou Kurenai.
— Sakura me disse que o filho era de Sasuke.
— Não creio! — duvidou Kurenai. Embora não visse motivo para Hinata mentir, lhe custava acreditar que Sakura afirmaria tamanho desvario.
— Fez isso para que não me casasse — Hinata continuou, a raiva pelo que ocorreu após a mentira retornando ao revelar: — Quando questionei Sasuke, ele negou e a confrontou. E sabe o que ela fez? Disse que eu tinha inventado e que em nenhum momento me disse que a criança era dele — finalizou para assombro de sua mãe.
— É tão espantoso o que diz que custo acreditar — Kurenai confessou incrédula. — Porque não me contou?
— Ela me pediu — foi à resposta, quase um lamento por ter sido leal a ardilosa irmã. — Sabe o que penso, mamãe, que inventou a gravidez para que eu recusasse Sasuke.
— Se é capaz de chegar a esse ponto, quer dizer que está obcecada por ele — Kurenai manifestou horrorizada.
— Não é justo! — Hinata queixou-se. — Já sofri quando me roubou Naruto, e se pretende fazer o mesmo com meu marido...
— Sasuke está apaixonado por você, não é? — Kurenai a interrompeu, não querendo ouvir mais nenhuma acusação a sua primogênita. Sasuke era o problema. Se Hinata o controla-se nada de mal aconteceria.
— Não sei... — murmurou acabando com a esperança de Kurenai. — Até agora não me disse isso.
— De todos os modos, a decisão de morar aqui não é definitiva. — Kurenai argumentou apertando as mãos em seu colo, os dedos esfregando as palmas para acalmar os nervos. — Duvido que sua madrinha permita, tem caráter e saberá se impor.
Colocando toda sua fé no poder de controle de Kushina Uzumaki, Hinata assentiu esperançosa.
— Oro por isso.
~*S2*~
Em Campo Real - em sintonia com as preces de Kurenai e Hinata -, a viúva Uzumaki escutava e tolerava os lamentos de Sakura, controlando cada gesto e palavra para garantir que Naruto e sua nora desavergonhada continuassem na fazenda.
— Tente bordar, faça algo que logo acaba seu aborrecimento — argumentou com fingida doçura, os olhos presos no bordado em suas mãos, única forma de continuar na presença de Sakura sem insulta-la.
Em pé e de frente para sua sogra, que permanecia sentada fazendo seu bordado, Sakura ardia de raiva, mas também sabia que era questão de tempo para a calma da matriarca Uzumaki desabar.
— Está feliz por achar que venceu — Sakura caçoou com azedume.
— Não sei do que fala.
— Não finja — a jovem exigiu altaneira. — Se Naruto mudou de ideia foi por sua culpa.
— Meu filho não pode se afastar da fazenda — Kushina justificou controlando a irritação com a audácia de Sakura. — Deve cuidar de seus interesses.
— Tenho entendido que você tem cuidado de tudo muito bem sozinha durante anos. Não sei por que agora ele é indispensável. — a rósea alfinetou esperando acabar com o autocontrole de Kushina, ou pelo menos tirar a atenção dela do ridículo bordado que fazia. — Além disso, me aborreço aqui.
— Se engravidasse teria com o que se entreter. — Sakura ouviu, mas qualquer revolta que pudesse sentir sumiu ao conseguir que a mais velha levantasse o olhar. O prazer aumentou ao notar o ódio latente nas íris azul-petróleo. — Sei perfeitamente o motivo que deseja ir a São Pedro. Fui estupida por permitir que Naruto rompesse com Hinata — Kushina completou com raiva.
— Sei que você preferia que ele tivesse casado com ela! — Sakura atiçou desdenhosa.
— Com certeza! Ela é mil vezes melhor que você — a ruiva confirmou, acrescentando com desprezo: — No fundo pressenti. Desde pequena algo me dizia que você era uma semente ruim.
Eram exatamente as palavras que Sakura ansiava ouvir.
— Naruto! — gritou surpreendendo Kushina ao correr na direção do escritório. — Naruto!
Percebendo que caíra em uma armadilha, Kushina a seguiu. Exasperada e com medo do que mais Sakura planejara, entrou no cômodo logo após sua chorosa, e hipócrita, nora se jogar nos braços de Naruto.
— Naruto, sua mãe me disse que sou uma semente ruim! E que por isso ela escolheu Hinata para se casar com você. — Sem soltar o pescoço do marido, a voluntariosa rósea se voltou para Kushina enfrentando-a. — Negue! Negue o que acaba de me dizer.
— Houve um mal entendido — a viúva contestou, sendo rapidamente interrompida por Sakura.
— Aborrece-me... e me odeia! — a rósea choramingou. — Não posso viver assim... sempre humilhada, desprezada...
— Por favor, não chore! — Naruto pediu estreitando-a em seus braços, as mãos deslizando pelas costas trêmulas pelo choro para consolar a esposa. Enquanto com a expressão exasperada repreendia sua mãe. — Porque fez isso, mamãe?
— É uma hipócrita, grosseira! — Kushina manifestou cansada dos joguinhos da rósea. — Contigo se porta de um modo e comigo de outro.
— Vê? Ela não me quer — Sakura apressou-se a objetar erguendo o rosto banhado de lágrimas. — Quer que engravide. Como posso fazer isso com tanto desgosto? — Aproveitou para exagerar os feitos no intuito de conseguir o que queria. — Manda-me para meus pais, mesmo que seja por alguns dias. Por favor, te imploro!
— Está bem! — Naruto concordou, sentindo-se sem chão com a dor e o sofrimento de sua amada.
— Não! — Kushina gritou surpreendendo Naruto. Sua mãe raramente gritava ou se exaltava, mas nos últimos dias ela sempre estava à beira do descontrole. — Não a mande para São Pedro, filho! — Igualmente astuta, e decidida a frustrar os planos de Sakura, a ruiva resolveu: — Melhor que eu me vá.
Naruto e Sakura encararam a viúva com incredulidade em suas faces.
O fazendeiro foi o primeiro a reagir.
— Mas você não gosta de morar lá.
— Não importa — Kushina forçou um sorriso, como se a ideia a agradasse quando na verdade a corroía. — Você tem que atender a fazenda e sua mulher deve ficar contigo.
— Não! Não! — Sakura cravou as unhas nos braços do marido. — Por favor, não se deixe convencer de novo... Por favor!
— Para mim parece uma boa solução — Naruto argumentou.
Não queria ficar longe de nenhuma das duas, mas se era preciso para a paz voltar a Campo Real e sua esposa ficar ao seu lado, ele não impediria sua mãe de estabelecer residência no povoado.
— Não é! — Sakura vociferou com raiva: — Ela se aborrecerá em São Pedro e dentro de poucos dias voltará com alguma desculpa e retornaremos ao mesmo.
Cada vez mais confuso com as brigas e reações excessivas de ambas as mulheres, Naruto tomou sua decisão final.
~*S2*~
Na casa dos Uchiha, Hinata também enfrentava uma situação delicada que aguardava sua resolução.
Como Ino se negou novamente a compartilhar a mesa de jantar com ela e Sasuke no café da manhã, Hinata não fez questão de colocar um terceiro jogo de mesa para o jantar.
A Yamanaka também preferiu passar a manhã toda trancada em seu quarto, evitando ao máximo a presença de Hinata como fizera no dia anterior, demonstrando seu total desprezo pela senhora da casa.
Sem se deixar abalar pelo tratamento hostil em sua própria casa, Hinata deixou com Temari a ordem para que Ino a procurasse antes do jantar, aguardando pacientemente na sala a chegada de Ino ou de Sasuke.
A loira apareceu minutos depois, confirmando a teoria da morena que Ino só esperava ela sair de um ambiente para entrar nele.
— Quer falar comigo? — Ino questionou erguendo o queixo em desafio.
— Sim! Sente-se!
Olhando com desdém tanto Hinata quanto a poltrona que a morena indicou, a jovem ocupou o assento.
— O que fiz de errado?
— Nada, não se preocupe.
— Me mandará embora? — Ino perguntou com os olhos azulados enfrentando a recém-casada.
— Não. Mas peço que seja mais amável — Hinata respondeu severamente, explicando em seguida: — Não tinha motivo para jogar a maleta daquela maneira quando a entregou a minha irmã.
Ino não temia a bronca de Hinata. Tinham quase a mesma idade e, mesmo tentando ser dura com ela, Hinata falhava em se impor. O receio da Yamanaka era outro.
— Contou para Sasuke?
— Não. Falamos de você, mas sobre outras coisas.
— Que coisas?
— De seu futuro. — A resposta não tranquilizou Ino, e as palavras seguintes tiveram o poder de revolta-la. — Sasuke tem muito afeto por você.
— Sim, mas se casou com você — queijou-se fuzilando Hinata com os olhos. — Jamais o perdoarei por isso.
A atitude insolente de Ino - muito semelhante à de Sakura -, aborreceu Hinata. Decidida a não ser desrespeitada em seu lar, respirou fundo e determinada declarou:
— Tinha intenção de falar contigo tranquilamente, mas creio que não será possível. E como Sasuke deixou comigo a decisão de se fica ou se vai...
— Vai me expulsar da casa? — trovejou a jovem erguendo-se em desafio.
— Lhe darei uma oportunidade — Hinata sentenciou paciente. — Se se comportar, for educada, não fazer grosserias nem a mim e nem aos convidados dessa casa e ir todos os dias a escola religiosa, pode ficar.
— E se não quiser?
— Terá que partir — Ignorando o rompante da loira e mantendo-se firme em seu lugar pediu: — Por isso pense com calma.
Soltando uma bufada, virou-se para retornar a cozinha, os fios loiros esvoaçando intempestivamente como os sentimentos de sua dona, o orgulho maculado e a mente jurando retaliação.
O evidente desrespeito de Ino e a notícia que Sakura talvez se mudasse para São Pedro quebraram o animo de Hinata, mas a chegada de Sasuke para o jantar teve o efeito de reanima-la, ao ponto da jovem jogar sua timidez de lado para recepciona-lo com um abraço e beijo breves, porém carregados de sentimentos.
— Olá.
— Olá. — A recepção calorosa, tão diferente da distante do dia anterior, agradou Sasuke. — Teve visitas?
Por manter um empregado de olho na casa, para a segurança deles, Sasuke sabia a resposta, mas ainda não confiava o suficiente em Hinata para revelar essa informação.
— Minha mãe me visitou, queria saber como estava.
— O que disse? — questionou ocupando a poltrona, enquanto Hinata permaneceu de pé.
— Que bem.
— E está bem?
— Sim — ela confirmou risonha. Aproveitou o momento para falar de Gaara. — Ela também me lembrou de um rapaz para criado.
— Você é a senhora dessa casa, pode decidir.
— Obrigada! — A alegria de Hinata voltou a apagar-se ao lembrar: — Ah, falei com Ino.
— O que aconteceu?
— Tive que ser um pouco dura.
Sasuke se moveu incomodado. Para que Hinata fosse áspera com Ino, no mínimo sua protegida atacou sua esposa de todas as formas que conseguiu. Duvidava que sozinha Hinata controlasse o gênio difícil de Ino, mas dera sua palavra que a deixaria no controle da casa e o faria até o momento que sua interferência fosse solicitada. Pelo que conhecia de ambas não demoraria.
~*S2*~
Indignada, Ino andava de um lado para o outro da cozinha, enquanto Temari finalizava a arrumação das bandejas do almoço.
— Sabe o que teve a coragem de me dizer hoje? — Ino perguntou zangada, afinando a voz ao repetir a imposição de Hinata: — Se se comportar bem, fica. Se não se irá. Como se fosse ela que mandasse — finalizou desdenhosa.
— Ela manda — Temari alertou, preocupada que Ino fosse expulsa.
— Eu o conheço mais que todo mundo — Ino revidou encostando-se na mesa. — Sasuke nunca se deixou controlar por uma mulher.
— A senhora Hinata é sua esposa.
— Uma esposa que está apaixonada por outro?
— Ninguém disse isso.
— O retrato do senhor Naruto diz isso.
Deixando a panela do cozido de lado, Temari voltou-se para a amiga.
— Tenho medo dessa sua raiva incomum — comentou, implorando pelo bem da amiga: — Coloque o retrato onde o encontrou, ou o rasgue se preferi.
— Não!
— Que tal se digo a senhora?
— Não se atreva! Lembre que escapo do La Venta e está aqui por minha causa.
— Eu sei, mas não gosto do que está fazendo, nem um pouco — Temari recriminou. — Não deveria agir assim. Ela sempre te tratou bem.
— Porque não tinha escolha — Ino retrucou dando de ombros. — Sabe que se não for assim, Sasuke se irritará.
— Não creio. Para mim o patrão a quer muito.
— Quem vai querê-la? Tão esquisita, apagada e fraca.
Temari balançou a cabeça em descrença. Ino estava cega pelo ódio e por um amor que, em sua opinião, jamais seria correspondido. Por mais que a amiga se negasse a admitir, Sasuke só tinha olhos para a esposa.
~*S2*~
Kurenai aproveitou sua ida à feira para passar na residência de Kakashi Hatake. Sua visita não era para falar de negócios, como muitas que fizera ao longo dos anos, por isso pediu que Kin a aguardasse na saleta antes do escritório do advogado.
— Bom dia, Kurenai! — Kakashi a cumprimentou cortes como sempre. Estranhando a ausência da criada junto a sua patroa, aguardou a Hyuuga sentar antes de questionar: — A que devo sua agradável visita?
— Estive na casa de Hinata e Sasuke. A vi tão contente, animada.
— Me alegro, de verdade. — Sabendo que Kurenai visitara Hinata, provavelmente para se certificar que a filha estava bem, a curiosidade do advogado pela atitude incomum aumentou. Porém, se obrigou a aguardar que ela revelasse o real motivo de sua presença – sem a acompanhante - no escritório dele, limitando-se a comentar: — Estava seguro que Sasuke se comportaria bem com ela.
— Porém... me dá medo de que... — gaguejou antes de morder os lábios. Era tão vergonhoso o que a motivara a visita-lo.
— Fale! — Kakashi incentivou, mas a mulher continuou insegura do que dizer. Percebendo que o assunto era difícil para a Hyuuga, para quebrar o receio que a mantinha em silêncio, o advogado argumentou: — Conhecemo-nos há tantos anos. Desde antes que se casará com seu primeiro marido. Sempre me considerei seu amigo e pode confiar em mim.
— É que... me preocupo com Sakura — Kurenai revelou apertando as mãos sobre o colo. — Parece que ela e Naruto pensam em viver aqui.
— Teme que pretenda interferir no casamento de Hinata?
— Sim... — murmurou angustiada. — Sakura parece que perdeu por completo o juízo.
Decidindo abrir o coração, Kurenai contou tudo o que ouvira de Hinata naquela manhã. Se Sakura conseguisse se mudar para São Pedro, esperava contar com a ajuda de Kakashi para impedir Sasuke de ter qualquer relacionamento inaceitável com sua filha mais velha.
Precisava de toda ajuda e garantia que conseguisse acumular sem chamar a atenção de seu marido. Deus a protegesse se não fosse suficiente.
~*S2*~
No fim da tarde, respondendo a mensagem enviada à casa dos Uzumaki, Gaara bateu a porta da residência de Hinata, sendo atendido por sua salvadora.
— Como vai, Gaara?
— Bem, senhori... senhora Hinata.
— Entre, por favor! — a ex-Hyuuga pediu dando passagem ao jovem, que tremeu levemente com suas palavras seguintes: — Meu marido está no trabalho, amanhã os apresentarei. Por enquanto, irei apresenta-lo aos outros moradores da casa, embora uma você já conheça — ela brincou, estranhando a expressão desconfiada do Sabaku.
Lembrando-se de como era a vida dele em Campo Real, supôs que estivesse preocupado em trabalhar com alguém autoritário como o capataz da fazenda. Provavelmente a fama de Sasuke contribuía para o receio que o ruivo carregava em seus olhos aquamarine. Esperava que a presença de Temari o tranquiliza-se.
O levou até a cozinha, surpreendendo-se em encontrar Ino sentada conversando animada com Temari. Era a primeira vez que via a jovem sorrindo. Sorriso que se apagou ao botar os olhos sobre ela.
Temari sorriu ao reconhecer Gaara, mas Ino não teve o mesmo comportamento. Ela encarou ambos com tamanha intensidade e aversão, que até Hinata sentiu-se desconfortável em interromper a conversa delas.
— Esse é Gaara e vem trabalhar aqui. Se encarregara das compras, limpar os pátios, enfim, dos trabalhos pesados e externos — anunciou, decidida a não se abalar com a hostilidade de Ino. Em seguida indicou Temari. — Obviamente, já conhece Temari. Ela cuida dos afazeres de dentro da casa e ocupa um quarto na casinha no fundo do quintal. Você também ocupará um quarto lá — explicou antes de se voltar para Ino que os observava com menosprezo. — E essa é Ino...
— Eu não sou criada! — a jovem a interrompeu, imperiosa e revoltada com a suposição que Hinata a rebaixaria a sua empregada.
— Era o que eu ia dizer — Hinata retrucou suavemente, ocultando com muito esforço a irritação causada pelo comportamento irracional da loira. — Ino está hospedada aqui — informou encarando a jovem com indignação palpável. Respirou fundo e voltou-se para Gaara. — Temari o colocará a par dos deveres da casa.
— Sim, senhora! — a jovem Sabaku confirmou.
Feliz e intrigada com a presença de seu irmão em São Pedro, Temari esperou Hinata sair antes de questiona-lo. Porém, Ino foi mais rápida.
— Você não é do porto, quem o recomendou? — a loira questionou encarando-o com fúria e desconfiança.
— Foi à mãe da senhora.
— Ele é meu irmão, Ino — Temari informou puxando Gaara para seu lado. — Você não o conheceu porque quando me visitou na choupana do meu tio, ele trabalhou até tarde no campo.
Longe de diminuir as suspeitas de Ino, as palavras da amiga aumentaram a certeza que o jovem estava ali por motivos escusos.
— O que aconteceu para que saísse de Campo Real?
— Não me dou bem com o capataz de lá — ele respondeu sentindo-se incomodado com o interrogatório da jovem. — A senhora Hinata foi muito boa comigo na fazenda, me defendeu do capataz e agora me aceitou aqui — Gaara disse.
Pela forma reverenciadora do Sabaku falar de Hinata, Ino soltou um pequeno riso de pouco caso.
— Isso quer dizer que será o criado de confiança dela — ironizou. — Se veio encobertar as coisas dela, melhor que se vá por onde chegou.
— Vim trabalhar — Gaara retrucou irritado e ao mesmo tempo confuso com a acusação.
— Ino, por favor! — Temari pediu, cansada da atitude soberba da jovem com seu irmão. — Não lhe faça caso, Gaara.
— Melhor que me faça caso — Ino rugiu erguendo-se, as mãos batendo espalmadas na madeira maciça. — Não deixarei que Hinata brinque com Sasuke como fez sua irmã — bradou saindo zangada da cozinha.
— Porque ela disse isso?
Decidindo não envolver o irmão nas sandices e suspeitas descabidas da Yamanaka, Temari desconversou:
— Ino falou por falar. — Agarrou a mão do irmão e pediu sorrindo: — Venha! O levarei até seu quarto.
~*S2*~
Ao anoitecer, quando sua irmã junto de Hinata foi aprontar a mesa de jantar, e após ser dispensado pela Uchiha, Gaara tomou o rumo da prisão, se apresentando diante Danzou para contar que começara a trabalhar na casa de Sasuke.
— Conte-me tudo — o capitão da guarda exigiu sedento por informações.
— Não vi o senhor, mas fui apresentado às empregadas... Na verdade, minha irmã trabalha na casa, a outra é hospede e amiga do senhor.
— Se chama Ino?
— Sim.
— Meu compadre gostara de saber disso. Essa jovem sabe muito sobre os negócios de Sasuke Uchiha — sorriu, recomendando malicioso: — Terá que "trabalha-la" para que nos de alguma pista do contrabando.
Gaara duvidava que Ino pudesse ser "trabalhada" de qualquer forma que fosse, mas preferiu guardar sua opinião para si.
— Sim, senhor!
— Alguma outra coisa?
— Nada mais.
— Espero que se apresse a encontrar as informações.
— Sim, senhor... — olhou receoso para a porta. — Posso ver meu irmão? Trouxe-lhe algo para comer — completou erguendo o embrulho que carregava, verificado pouco antes de entrar no escritório do capitão.
— Guarda! — Danzou gritou, sendo prontamente atendido por um oficial. — Leve o rapaz até o irmão.
— Obrigado! Com licença.
Logo, Gaara era conduzido ao lado de seu irmão.
— O que faz aqui há essa hora? — Kankuro questionou confuso.
— Avisei o Danzou que já estou trabalhando na casa de Sasuke Uchiha — contou, passando o embrulho pelas grades. — E aproveitei para lhe trazer esse lanche feito por Temari.
— E como esta Temari? — o irmão mais velho quis saber abrindo ansioso o embrulho, encontrando pãezinhos recheados com queijo e presunto, bolo e um cozido com cheiro saboroso.
— Bem. Feliz com o emprego.
— Sabe, não gosto que siga o plano de Danzou — Kankuro disse com a boca cheia, satisfeito por provar algo comestível e saboroso, bem diferente da sopa aguada que lhe serviam todos os dias.
— Também não gosto, mas o que posso fazer? Danzou disse que vai te soltar — argumentou.
— E acha que esse desgraçado cumprirá a palavra? — Kankuro percebeu o medo refletido na face de seu irmão menor, por isso propôs: — Fale com Sasuke? Ouvi que fica do lado dos pobres.
Gaara negou.
— Trair Danzou para que nos mate? Não, nem pense nisso.
Gaara também duvidava das promessas que tinham lhe feito, mas as ameaças que recebera eram suficientes para seguir as ordens de Danzou.
~*S2*~
Na sala de jantar, após Temari recolher os pratos, incentivada pela curiosidade de Sasuke, Hinata falava sobre sua família.
— O primeiro marido de minha mãe morreu quando Sakura era muito pequena. Logo ela se casou com meu pai e ele a assumiu como sua — contou, recordando com certo ciúme da relação do pai com sua irmã: — Eles se dão muito bem.
— O mesmo não ocorre com você? — Sasuke deduziu causando o desconforto da esposa.
— Acontece que meu pai tem... tinha muitas expectativas a cerca de mim...
— A cerca de você ou do seu casamento com Naruto?
Incomodada pela conversar se encaminhar para seu fracassado compromisso com Naruto, Hinata evitar o assunto.
— Por favor... Não quero que falemos disso.
— Porque não? — Sasuke tomou um gole de seu café e a encarou fixamente. — Quando Naruto regressou a São Pedro já estava noivo de Sakura?
— Não sei... — Hinata respondeu desviando o olhar. — Ela disse que tinham se visto na capital, mas... — suspirou dando de ombros, sem saber ao certo como falar sobre a troca feita por seu ex-noivo.
O desconforto de Hinata não foi suficiente para cessar o interesse de Sasuke.
— Ele ainda era seu prometido?
— Sim...
— Foi ele que te deixou, não é?
— Sim.
— Por Sakura?
— Sim.
— Te dói muito?
Hinata balançou a cabeça, voltando-se para Sasuke ao responder:
— Não.
— Não minta — Sasuke pediu sorrindo de canto, os olhos relampejando com uma mistura de sentimentos indecifráveis. — A qualquer um que tenha o mínimo de orgulho doeria o rechaço. Por isso decidiu entrar no convento? Por decepção.
— Prefiro não falar sobre isso — Hinata voltou a pedir.
— Porque não?
— Você mesmo disse que o melhor era esquecermos o passado.
— Falei. Porém, parece que não podemos — Sasuke revidou, controlando o tom de voz para não assusta-la. — Talvez se me contasse, se abrisse, fosse sincera comigo.
— Quero fazê-lo... mas não te tenho confiança suficiente — Hinata argumentou. — Me dá vergonha e... medo de que não entenda e se irrite.
Sasuke respirou fundo e se ajeitou na cadeira, exigindo imperioso:
— Não quero que me tenhas medo.
— Mas tenho.
Temendo que sua insistência aumentasse os receios de Hinata e acabasse com o pouco que conseguira dela, Sasuke se deu por vencido.
— Está bem! Esperarei — decidiu encarando-a com severidade. — Mas essa conversa, Hinata, devemos ter em algum momento pelo bem dos dois.
— Eu sei — a morena murmurou incerta se algum dia teria coragem para falar sobre seu compromisso, sobre todo o sofrimento que passara, sobre como tinha medo de perder novamente o homem amado para sua irmã.
~*S2*~
Voltando da missa, em que rezou fervorosamente para a paz reinar em sua família, Kurenai viu todas as suas preces serem negadas ao entrar em casa e encontrar Sakura sorridente e dona de si aguardando-a na sala.
— Olá mãezinha! — Sakura cumprimentou erguendo-se do sofá para abraçar sua apática mãe.
— O que faz aqui? — Kurenai questionou, os braços inertes ao lado do corpo durante todo o tempo em que a rósea a enlaçava.
— Vim para ficar — Sakura informou triunfante.
— Como assim para ficar? — Kurenai murmurou incrédula. — Quer dizer que você e Naruto se mudaram para cá?
— Sim. Não te parece maravilhoso? — a rósea festejou para descrença e pavor da matriarca.
— Veio sozinha?
— Não... Com ele e com minha sogra que estão na casa de São Pedro — relatou demonstrando pela primeira vez desagrado, porém passou rapidamente ao acrescentar: — Mas eles regressaram em alguns dias para a fazenda.
— Naruto e Kushina permitiram que more aqui sem ele?
— Depois que a safra terminar, ele também virá para cá — respondeu caminhando altiva até o sofá, o sorriso desdenhoso moldado em seus lábios rosados. — Kushina não teve outra opção. Tentou fazer Naruto mudar de ideia, mas não adiantou de nada. — Sakura encarou a mãe com falso interesse, simulando estar chateada com a falta de calor na recepção dela. — Não parece feliz.
— É que não estou, Sakura — Kurenai desabafou exausta de tentar controlar e encobrir os desvarios da primogênita. — Estou farta de suas loucuras. Se o que pretende é procurar Sasuke, é melhor voltar agora para Campo Real e nunca mais voltar, nem mesmo para me visitar.
— Outra vez com essa história absurda? — queixou-se, fazendo Kurenai puxa-la para uma sala em que podiam conversar sem que ninguém as ouvisse.
— Hinata me contou tudo o que tem feito por esse homem — soltou fechando a porta para evitar serem interrompidas ou descobertas.
— É inacreditável que siga acreditando nessa louca que sempre me difama.
— Quando acreditávamos que estava gravida não lhe disse que a criança era de Sasuke?
— Foi ela que insinuou — a rósea negou hipócrita. — Depois contou essa mentira para Sasuke. — Sakura, exalou um longo suspiro, encarando sua mãe com lastima. — Foi a maior vergonha que passei em minha vida. Está mal. Creio que o rompimento do noivado com Naruto a afetou profundamente e a enlouqueceu.
Não suportando nem mais um minuto na presença da filha, que tinha a capacidade de dissimular, mentir e acusar inocentes para conseguir o que queria, Kurenai saiu da sala sem olhar para trás.
Sozinha, Sakura sorriu sentindo-se vitoriosa. Não importava o que pensassem dela, se acreditavam ou não em suas lágrimas, estava em São Pedro e aguardava ansiosa o momento em que veria Sasuke novamente. Em breve conseguiria o perdão de seu pirata e o teria de volta em seus braços e em sua cama.
~*S2*~
N/A – Essa é a parte que cortei na edição do capítulo anterior, por isso saiu tão rápido em comparação com minhas postagens anteriores. Espero que gostem. 3
Avisem-me de qualquer erro. Corrigirei o mais breve possível.
Obrigada a todos que me enviaram reviews e mensagens, amei ler e responder todos eles. :*
Obs: Esse capítulo corresponde ao início do episódio 25.
Obs2: Na presa de postar o anterior, por falta de atenção, não incluí os reviews, percebi só quando abrir a parte que cortei pra editar, então repostei o capítulo anterior com as respostas. Perdão pela falha
Respostas aos reviews não logados
Dassa-chan: Obrigada! Com uma adaptação tão boa quanto Corazón Salvaje de 93 fica fácil ter uma trama boa e personagens cativantes. Espero que tenha conseguido uma nova senha, mas qualquer coisa pode comentar sem logar que respondo da mesma forma e com todo carinho. 3
Lou: Sakura tá abusando da sorte e um dia ela acaba. Espero que curta esse novo capítulo, apesar da Sakura. xD
Até o próximo capítulo estrelas da minha vida! o/
Big beijos,
Lucy
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