N/a: Rápido, não? Atenção as datas. Sugestão: The Pretty Reckless – Far From Never. Boa Leitura. ;D
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Vinte e Um
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Negócios e Cozinha
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Tudo estava em contraste. A vida familiar, os negócios, a escola e meu recém adquirido ameaçador. Como Sasuke diria, é muito irritante. Respirando fundo, eu tentava achar uma solução para tudo isso.
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23 de Agosto de 2008
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- Então...
- Então queremos saber o que Mai te disse e o que você sabe sobre a família, em geral. - Akane disse.
Suspirei. Não imaginei que eles iriam ser tão diretos. Me senti encabulando com os dois ali na minha frente. Acho que aquela era a nossa primeira conversa como adultos, ou pessoas civilizadas. Comecei a editar o que eu lhes diria. Risquei a possibilidade de lhes contar sobre Mikoto, quanto menos pessoas soubessem melhor.
Mordi o lábio, depois comecei a falar. Tentando fazer minha voz sair sem que eu lembrasse de tudo aquilo.
- Ela sabia sobre o aborto, a overdose e a tentativa de suicídio. - Estremeci, vendo os olhos deles mudarem. - Podem me explicar sobre isso antes de eu ter que falar todo o resto.
Akane escondeu o rosto nas mãos e um choro baixo saiu de sua boca. Quem sabe no fundo doesse mais neles do que em mim. Meu pai colocou a mão no ombro dela, ambos sabíamos que nada mudaria os fatos, ele só pôde lhe dar um pouco de conforto. Nós nunca paramos para conversar sobre o que houve lá, era como se fosse só nossa imaginação, nós fingimos que nada aconteceu por todos esses anos.
No hospital, em Veneza, eu me neguei a vê-los na maior parte do tempo. Eu só deixava que Kakashi, Tsunade, Mikoto e Itachi ficassem lá comigo. Ignorando todo o resto. No fundo eles poderiam estar se culpando. É o que pais normais fazem quando sua filha de catorze anos tenta tirar a própria vida. Se não fosse pela camareira do hotel entrar para trocar os lençóis, porque achou que eu estava fora, bem, eu provavelmente não existiria agora.
Touya fechou os olhos com força, apertando a ponta do nariz. Eu quase ri em escárnio. Meu pai estava vendo o quão "bondosa" era sua amante. A pior parte nisso tudo era saber que Mai foi a causadora do maior problema familiar que já tivemos. Sem eufemismos, mas desde que ele a conheceu, toda a merda que se meteu tinha a ver com ela. Eu odiava saber que o sangue dela corria nas minhas veias.
- Mai trabalhava no hospital que você foi internada. - Otou-san disse. - Ela foi proibida de participar do seu tratamento, vocês são parecidas o suficiente para se chamarem de parentes. Era arriscado demais. Foi ela que me avisou.
- Então minha querida mamãe prestou para alguma coisa, no fim das contas.
- Ela é sua mãe, Sakura! - Touya jogou as mãos para o alto. Era claro que ele iria defender ela. Só não pensei que ele iria ser tão baixo a ponto de fazer isso na frente de Akane.
- Grande coisa. - Revirei os olhos. - Colocar alguém desprezível no mundo não faz dela uma santa.
- Percebeu que está falando de você mesma! - Ele estava furioso, seus olhos verdes queimavam minha pele.
- Oh, me desculpe! Se eu não sou uma hipócrita! - Acho que o estresse do dia estava me atingindo com tudo agora. - Mas claro, eu devo ser a filha perfeita, para que vocês não fiquem como pais horríveis na frente das câmeras!
- Sakura! - Akane gritou, lágrimas escorrendo do seu rosto. - Parem! Os dois!
Algo se quebrou dentro de mim. Olhei para qualquer coisa que não fossem eles. Meu cabelo estava se desprendendo e o uniforme parecia me expor demais naquele momento. Como se a roupa e a Sakura ali parecessem infantis e frágeis demais. Eu não queria isso, não agora.
Tudo aquilo me lembrou de como eu era antes, essa, parecia uma discussão antiga. Cheia de gritos e Akane chorando pedindo que Touya e eu nos acalmássemos. O mundo dava voltas, nós podíamos mudar, só que de alguma forma, acabamos nos deparando com as mesmas situações que supostamente tínhamos superado. Impressionante como tudo era irônico.
Eu havia colocado barreiras em tudo. Aprendi a me controlar, não só os meus vícios, mas minhas atitudes também. Porque cá entre nós, eu nunca deixaria de ser uma viciada, o desejo jamais iria embora. Crescendo, eu entendi que não adiantava confrontá-los, eu não ia conseguir o que eu queria dessa forma. Eu podia ter tudo que eu quisesse se ficasse calada e assentisse, se fizesse tudo que me pedissem sem reclamar. Como uma garota com ótima educação.
Por muito tempo eu estive dentro dessa mentira. Rosa, babados, Channel, Dolce&Gabbana, festas de gala, namorar supermodelos, aparecer como boa moça da capa. INFERNO! Essa não sou eu. Eu não chorava por qualquer coisa, e não vestia o que estava na moda, certo, eu sempre achei isso fofo, mas nunca tive vontade de comprar coisas assim. As barreiras estavam caindo e eu me deparava com o choque de ser tudo que eu sempre odiei em uma pessoa. Eu tinha me transformado em Mai.
Akane passava as mãos pelo rosto, secando as lágrimas, e meu pai tomava água tentando se manter no controle. Eu olhei para a barriga saliente de Akane. Isso foi um clique no meu cérebro. Como eu poderia conviver com uma criança em casa sendo uma vadia falsa e dissimulada? Por que eu me tornei assim? Foi por estar me sentindo um lixo por causa de um garoto que não tinha nenhum compromisso ou respeito por mim? Por ter ouvido Mai me deteriorar, e eu quis ser o contrário do que ela alegou que eu era? Deixando de, bem, ser eu, para me tornar nela?
Onde diabos meu senso de ética tinha ido? A alegria que eu sentia por ser diferente deles, por falar a verdade e sorrir por escutar uma música, ou por ver alguém que eu gostava? Eu queria gritar! Queria bater em alguma coisa ou, o maior desejo de todos, me jogar em Sasuke e lhe dizer o quanto ele esteve certo todos os anos. Pedir para que ele não desistisse de mim. Eu me traria de volta e eu precisava da ajuda dele para isso.
- Me desculpem. - Eu murmurei, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, brincando com meu dedo indicador. - Eu me equivoquei.
Talvez alguns hábitos, os bons hábitos, não precisassem ser instintos.
- Certo. - Akane estava um pouco melhor, ela juntou suas mãos no colo, olhando para mim em expectativa. - Você pode nos contar o resto agora.
Encarei meu pai. Se o que Mai falou era verdade, isso ia ser muito, muito ruim. Ele poderia ser um cafajeste, mas assim como todo e qualquer homem, ele não gostaria de ser traído. O semblante duro, escorado no balcão, as mãos dentro dos bolsos, fechadas em punho. Essa com toda a certeza seria a pior parte da conversa.
- Mai disse que você não está grávida do meu pai. - Prendi a respiração.
Akane me olhou com descrença. Raiva começou a preencher seu rosto. No fundo, ela deveria odiar Mai tanto quanto eu, só que por motivos bem diferentes. Minha mãe rangeu os dentes, olhando para meu pai querendo arrancar as tripas dele. Viu papai, você tem que ser mais responsável sobre as mulheres que entram nas suas calças.
- Explique para ela! - Akane direcionou os olhos negros para os verdes dele. - Eu juro Touya, que se eu vir essa mulher...
Ela não precisou terminar a frase. Meu pai viu que se as duas se vissem, algo muito ruim sairia como resultado. Akane não era de ameaças, mas se via pelos seus olhos o quão sério ela estava falando. Touya ficou realmente frustrado. Mai tinha ido longe de mais, até para ele.
- Sua mãe e eu somos melhores amigos Sakura, e só. - Falou. - Nós nunca nos amamos, porque os dois tinham outras pessoas em mente. Mai engravidou quando já estávamos casados, decidimos que era melhor se você ficasse longe dela.
- Disso eu já sabia, e foi a melhor decisão que tiveram. - Eles não pareciam muito surpresos.
- Nós combinamos que íamos ter um casamento de fachada. - Akane disse. - Ambos poderiam estar relacionados com outras pessoas, desde que fosse só isso. E Sakura, é um Haruno que eu carrego.
Eu me senti aliviada, mas um pouco irritada. Em que mundo as pessoas se casavam de fachada e tinham amantes, com seu marido ou sua esposa sabendo desse? Por favor! Eu só tinha visto algo desse tipo em filmes, nunca acontecendo na vida real, era ridículo.
- Entendo. - Usei meu melhor olhar de poker. - Há mais alguma coisa que eu deva saber?
Eu era acostumada a guardar segredos, mas ouvir essas coisas saindo da boca de Touya e Akane me dava repulsa. Como inferno eles se submeteram a uma situação dessas? Era horrível! Eu não podia acreditar, casar com alguém que você não amava por dinheiro! Nós três havíamos discutido demais por hoje, e eu ainda tinha algo para falar.
- Acredito que não. - Touya passou as mãos pelos cabelos, os ombros pesados. Era a primeira vez em anos que ele parecia ter a idade que tem. Nada de um bonitão com trinta, mas um pai cansado no fim da casa dos quarenta.
- Eu pedi a ajuda de Itachi para algo. - Falei. - Eu quero me emancipar, e acho que tenho todos os direitos para isso.
Os dois se moveram, abrindo a boca. Surpresos e indignados comigo.
- Não comecem a me dizer que eu sou uma criança e estou fazendo algo sem pensar. Porque vocês sabem que eu não sou assim.
- Por quê? - Akane perguntou.
- Porque por dezessete anos eu morei praticamente sozinha, vocês não estavam lá nas apresentações da escola, sequer para buscar minhas notas. Sempre foi Kakashi, Tsunade, Mikoto e até mesmo Kushina. Foi só há dois meses que tomaram alguma atitude. Tudo em mim diz que não é só para recuperar os anos perdidos, nunca é.
Mordi o lábio, fechando os olhos com força.
- Escutem, eu amo vocês dois, eu quero participar da vida do meu irmão, estar com vocês aos domingos. Porém, eu não aguento mais intrigas, meias verdades. Foi só vocês mudarem de comportamento que Mai apareceu, o que me leva a crer que isso já acontece há um tempo. Não tentem negar, eu sou filha dos dois, consigo ler as pessoas e ser tão mentirosa quanto.
Sabe... Machucava admitir tudo isso em voz alta, parecia mais real. Era irritante, porque esse era mais um acontecimento que ia me fazer mal. Eu me sentia uma velha, eu tinha passado coisas o suficiente para minha vida toda. Eu nunca imaginei que iria me emancipar, parecia tão errado. Pais devem te proteger, não te usar como uma arma, uma desculpa para os seus problemas. Mas Akane e Touya sempre foram assim. Só agora eu vi que as coisas não iriam mudar totalmente. Eles poderiam me apoiar às vezes, mas eles não viam quando eu estava mal nem nada do tipo.
- Você vai sair de casa? - Akane perguntou, o cenho franzido e os lábios trêmulos.
- Não sei, creio que sim. - Eu estava tão mal quanto ela, mas eu sabia que eu deveria fazer isso. - Acho que vou comprar um apartamento no centro, vocês sabem como eu gosto do som da cidade. Vou continuar com a minha rotina, ir a escola, ao escritório e ser sua secretária pai, eu quero ir ao consultório saber do bebê com você mãe. Eu só acho que não tem como ser diferente depois de quase dezoito anos.
- Certo. - Touya disse sério, seus pensamentos perdidos em outra época. - Vamos assinar os papéis.
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5 de Maio de 2005
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Eu estava deitado embaixo de uma árvore, a maioria das pessoas estava na piscina ou bebendo alguma coisa. Os quartos e banheiros deveriam estar ocupados com casais cheios de tesão. Eu estava cansado, não entendia como Sakura continuava com todo aquele pique depois de horas acordada. Mas raves eram assim.
- Qual é, Uchiha. - Ela sorriu com o copo de bebida na mão. - Você é tão fraquinho assim? Não deve durar uma hora comigo na cama.
Revirei os olhos, Sakura sempre era cheia das suas piadas. Muitas delas faziam com que eu a beijasse e a tocasse, mas nunca passou disso. Esse era um dos momentos em que eu queria fazê-la calar a boca. O bom humor não tinha amanhecido comigo.
- Vai se fuder. - Murmurei, colocando o braço sobre os olhos.
- Ótimo.
Ela chutou minhas costelas de leve, fazendo com que eu pegasse seu pé e a jogasse de costas no chão coberto de grama. O resultado foi a vodka derramada por toda sua blusa branca. Ela me olhou irritada e eu sorri. Puxei-a para um beijo, deixando que ela se espremesse contra meu peito. Ela gemeu baixo sentindo minha ereção. Suas mãos pequenas agarrando meu cabelo enquanto eu passava a mão por todo seu corpo.
- Você é um idiota. - Falou divertida. - Vou ser obrigada a ficar de biquíni agora.
- À vontade.
A Haruno me empurrou, ficando de pé. Agora não tinham muitas pessoas do lado de fora, mais alguns caras deitados na grama como eu, e meia dúzia de garotas na água. Era o sítio da família de Ino, essa aí deveria estar se comendo com Tenten no quarto. Infelizmente, elas não me deixaram participar. Eu me perguntei onde estava o hard rock dessa merda.
Os cabelos dela saltitavam com seus pequenos pulos, ela deveria estar totalmente bêbada. Eu ri em silêncio, achando graça quando ela foi até o rádio, escolheu uma música e colocou no máximo. The Runaways – Califórnia Paradise, como ela chamava a música? Sexy e selvagem, se não me engano.
Os caras a encararam e eu me sentei na hora. Ela foi até o centro do lugar, o chão de pedra era antiderrapante, então não me preocupei quando ela começou a gargalhar e fechou os olhos, mordeu com força o lábio, fazendo metade dos caras ficarem alertas. Ela começou a puxar a blusa branca devagar, tocando o máximo de pele que podia. Estreitei os olhos, seu quadril começou a se mover, lentamente, em semicírculos, ia um pouco para esquerda e voltava para o lugar, ia para direita e continuava assim. Sakura deixava que seu corpo ondulasse, em uma espécie de dança do ventre do rock.
Não era normal, mas era atraente. Ela tirou a blusa atirando-a para qualquer canto, vi uma cabeça preta pegar a blusa enquanto gritava saudações. Câmeras estavam por toda parte, mas isso era comum. Ela revelou o biquíni vermelho, Sakura gostava bastante de vermelho, ele era justo, e de amarrar atrás, tomara que caia. Literalmente.
Uma coisa sobre Sakura era que ela dançava como uma Deusa no momento em que fechava os olhos. Só fazia coisas daquele tipo na frente de muita gente quando realmente estava embriagada. Soltei o ar. As mãos delas desceram, contornando o próprio corpo, apertando os seios e delineando suas curvas, esmagando-os, e tocando devagar seu sexo. Jogou os cabelos para trás, rindo. Os movimentos continuaram assim, voluptuosos, ela retirou o short e logo um bando de caras estavam a sua volta.
Deveria ser a segunda vez que a música se repetiu, ela começou a cantar.
- Turn up that radio, hear the Rock and Roll... Malibu shines like summer gold
Continuou sorrindo, empurrando os caras para longe, jogando-os dentro da piscina, seu indicador balançava para os lados em um gesto de "não". Ela se tocava, ignorando todos os outros. No momento em que abriu os olhos, apontou para mim, fazendo sinal com as mãos para que eu fosse até ela, voltando a tocar o próprio corpo.
Eu queria muito, muito fodê-la.
Fiquei de pé, parando a sua frente. Sempre haviam espetáculos como esses, em qualquer lugar que fôssemos e eu amava quando ela me usava para isso. Sakura me olhou, as mãos tocando os meus músculos fazendo os caras rosnarem de raiva.
Eu sabia que ela queria que eu ficasse quieto, aquele era o seu show. Ela pegou minhas mãos, fechando os olhos, segurei sua cintura. A rosada voltou a dançar. Mexia o quadril, com suas costas se inclinando para trás, dando uma perfeita visão dos seus seios para todos ali. Ela me guiava, fazendo-me tocar sua barriga, as laterais dos seios. Eu estava duro.
- Sabe, Sasuke-kun... - Disse. - Já ouviu falar que as pessoas dançam como fazem sexo?
- Hn. - Lhe dei meu melhor sorriso, negando com a cabeça. - Então você é muito boa de cama, Sakura.
- Eu sei que sou. - Apertei suas curvas, sentindo-a morder minha orelha.
Esfregou seu corpo no meu. Ela por si só era um balde de luxúria, mas com os olhos fechados, fazia que isso aumentasse dez vezes. Seu sexo estava junto do meu, separados pelo tecido da bermuda preta, e da parte de baixo do seu biquíni com a estampa dos EUA. Uma calcinha justa, que escondia todo o traseiro, como um short, mas ao mesmo tempo mostrava tudo. Ela me beijou, passando as mãos pelo meu pescoço e pulando no meu colo.
Fomos jogados na piscina, mas nem isso foi suficiente para pará-la, e essa era só uma das festas que teríamos no final de semana.
- WOW! - Tenten gritou aparecendo, do nada, com Ino. - Eu também quero participar disso! Você agarra sua prima gostosa e nem pensa em chamar a sua namorada para se divertir junto?
Tenten riu e pulou na piscina, seu cabelo solto e caindo por seus ombros. Ela me empurrou para o lado, beijando Sakura enquanto tateava a barriga dela. As duas me olharam especulativas, empurrando-me para a parede e dando um belo beijo triplo. Como eu amava o hard rock.
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23 de Agosto de 2008
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Eu me olhei no espelho. A conversa com meus pais ainda estava na minha cabeça, mas eu estava me sentindo um pouco melhor. Eu tomei um banho quente, e vesti algo confortável, para ficar em casa, mesmo sabendo que pessoas viriam para cá. Optei por uma camiseta de algodão branca e larga, que mais parecia um vestido, indo até um palmo antes do joelho, meia-calça preta, com um cinto discreto na cintura. Penteei meus cabelos e os deixei soltos, hoje era o tipo de dia cheio de desânimo.
Touya e Akane estavam absorvendo a notícia ainda, não sendo capazes de me dizer quem viria aqui. Cá entre nós, eu me sentia pior sobre a emancipação do que estive quando eles souberam sobre o aborto.
Havia pensado em tudo antes de tomar essa decisão. Eu tinha me lembrado de como ele me levou para casa naquele dia que Sasuke e eu brigamos, e como Akane me abraçou e eu chorei nos braços dela. As palavras de otou-san, "se for chorar, ao menos o faça por algo que valha a pena". Como Akane ficou feliz vendo o novo membro da família através do ultrassom. Mas eu também me lembrei de quando eles estiveram ausentes, nas minhas apresentações de balé, as quais Akane me obrigou a participar. Às vezes que eu fui embora com Mikoto, porque meu pai tinha se esquecido de mim na escola.
Admito, eu apreciei quando eles se importavam, mas isso era só em cinco por cento da minha vida inteira. Claro, ambos eram melhores que Mai, mas ainda assim, se eles tivessem sido presentes, ou ao menos se desculpassem e me dito os seus motivos, talvez metade dos nossos problemas não tivessem acontecido. Ou pelo menos, poderíamos olhar um no rosto do outro sem hesitar. Família era algo que nunca seria perfeito, mas eu queria que ao menos pudéssemos ser amáveis uns com os outros.
Suspirando, respondi um sms de Sai. Garantindo-lhe que eu estava bem, e que eu iria encontrá-lo mais cedo no dia seguinte, para que tomássemos um café juntos. Eu não estava de bom humor, e haviam acontecimentos excessivos para um só dia. Eu estava com vontade de fazer o que fiz quase todo o fim de semana, me enrolar debaixo das cobertas, abraçar meu travesseiro e dormir. Encarar as coisas não parecia tão fácil agora.
Desci as escadas, agradecendo pela cozinha estar mais próxima do que a sala de estar, onde se podia escutar vozes. Eu andava passando bastante tempo nesse lugar. Só havia a cozinheira lá, e eu lhe retribui o sorriso. As notícias sempre se espalhavam rápido, era capaz de todos os funcionários da casa já saberem. Servi-me de um copo d'água, bebendo com calma, eu olhei para a mulher que mexia as panelas com felicidade, sussurrando uma leve canção.
- Hei, você sabe me dizer quem está na sala, com meus pais? - Perguntei de forma suave.
- São seus avós Sakura. - Ela disse. - Senhor Uchiha e sua esposa estão com sua mãe. E seu tio Fugaku e seus filhos estão com eles.
Eu fiz uma carranca, fazendo-a rir. Os meus avós paternos eram legais até certo ponto, eu os amava e amava ainda mais passar meu tempo com eles. Já meus avós maternos, cara, isso era um saco. Eles eram conservadores, então você pode imaginar como eles ficaram quando eu deixei de usar preto e comecei a me comportar como boa moça. Eu até ganhei um meio sorriso do meu avô, isso é como ganhar na loteria, segundo Itachi.
Quando eu era menor, eu tive aquela maldita bulimia pelas vezes que vovó deixava claro o quão importante era para ela que eu fosse modelo, como ela e Akane foram por alguns anos. Graças a Deus, eu não cheguei ao ponto de virar anoréxica. Isso foi algo que Sasuke impediu, na realidade. Dizendo-me que era para eu parar com essa estupidez, porque garotos não gostavam de meninas nada naturais. Eu até gostava de dizer que era ótima mentirosa e manipuladora, mas meus avós maternos ganhavam de mim muito fácil.
Murmurei um pequeno obrigada quando sai da cozinha. Isso não iria ser divertido. Eu não estava emocionalmente pronta. Não queria olhar nos olhos dos meus pais e ver culpa, nos de Sasuke ver mágoa, nos de Itachi pena e nos dos meus avós e Fugaku uma ânsia em ter as coisas sobre controle. Eu disse que não iria fugir e eu sabia que pela mínima educação eu deveria ir até lá, nós teríamos que resolver os "negócios" de uma forma ou de outra.
As luzes do corredor estavam fracas, provavelmente de propósito, dessa mesma forma estava a claridade que vinha da sala. Toquei as paredes, vendo o contorno dos móveis decorando o grande ambiente. Itachi estava sentado com Fugaku no sofá em forma de L, neste também estavam meus avós, e nas poltronas meus pais. Para minha surpresa Kakashi estava ali, mais afastado, com Sasuke sentado do seu lado.
Se uma força maior existe, eu esperava que ela olhasse por mim agora.
Dei uma leve batida na porta aberta, vendo todos me encararem. Vi-me mal vestida e desajeitada em um primeiro dia de aula. Meus avós não gostaram das minhas roupas, creio. O que eles esperavam? Eu estava em casa, não em um congresso político. Apesar disso, eu olhei para Kakashi e sorri. Tentei relaxar um pouco, sentando-me no sofá, perto da lareira.
Eu juro. Eu estava tão, tão irritada, e cheia de medo e todos esses sentimentos ruins. E uma reunião de família, com a família Uchiha, não iria melhorar nem um pouco o peso nos meus ombros. Não tinha como eu só seguir em frente agora, calada e sorridente. Horas antes eu tinha deixado claro para mim mesma que essa não era eu, e que eu deveria deixar de ser uma mentirosa, mas mesmo assim, continuar com atitudes um tanto quanto responsáveis.
Eles estavam em silêncio e eu não sabia, para começo de conversa, o motivo dessa reunião, ou seja lá o que. Eu queria conversar com Sasuke, acima de tudo, não pedir desculpas, exatamente. Só desejava mostrar-lhe que eu não era uma mentira por inteiro. Haviam partes boas em mim, não muito chamativas, mas elas existiam. Eu não conseguia parar de olhá-lo de relance. Não deixando que meus olhos ficassem sobre ele por muito tempo. Caso ele me encarasse de volta, iria ser um pouco constrangedor.
Mordi o lábio, vendo que se eu não falasse, eles ficariam calados pelo resto da noite.
- Bom, você disseram que precisávamos conversar essa noite, e ao menos posso saber o por quê?
E mais uma troca de olhares foi feita. Eu estava sem paciência, e nem um pouco contente, meu dia foi a maior merda e eles continuavam com esse jogos. Olhei para Itachi e Kakashi, esperando que eles me dessem logo uma resposta.
Mas nada. Nenhum resultado.
- Meu Deus! O que inferno está acontecendo aqui? - Perguntei jogando as mãos para o alto.
Eles se olharam de novo, e aquilo já estava me tirando do sério. Eu não aguentava mais isso. Se fôssemos continuar calados, eu iria para o meu quarto e dormiria, como vinha querendo fazer desde que cheguei em casa.
- Estávamos falando sobre a divisão das ações da empresa. - Touya disse.
- E o que eu tenho a ver com isso? - Perguntei, mas no fundo eu sabia porque.
- Kakashi não tem filhos, então automaticamente as ações dele vão para você, também há metade das minhas e metade das de Akane, e claro, Mikoto dividiu as dela em três, dando uma parte para você.
- Você vai acabar se tornando sócia majoritária, e terá que comandar a empresa. - Itachi disse, juntando as mãos no colo.
Eu fiz os cálculos na minha cabeça. Até onde eu sabia, originalmente, cada família tinha 25% das ações. Como na última geração, todas as famílias tiveram dois filhos, com exceção dos Uzumaki, acabou que cada filho ficou com 12,5%. Fugaku se casou com divisão de bens, fazendo Mikoto dona de 6,25% das suas ações. Franzi o cenho confusa.
Certo. Então eu tinha 6,25% de Akane, 6,25% de Touya, 12,5% de Kakashi e 2% de Mikoto. Eu tinha metade das ações de cada um dos meus pais porque eu ganharia um irmão, e isso acabou fazendo com que o dinheiro se dividisse. Os olhei surpresa.
- Eu tenho 27% das ações. - Falei.
Eu sabia! Sempre que eles faziam algo desse tipo tinha dinheiro relacionado. Não, se eles pensavam que me colocariam sobre suas asas agora estavam enganados. Por favor, eu me emanciparia, e teria direito a retirar minha herança. Mas sem a parte de Mikoto, porque no testamento dela falava de idade física de dezoito anos, não maioridade. Por agora, eu tinha 25 por cento, e ano que vem, em março para ser mais específica, eu teria 27 por cento.
- E o que vocês querem? - Fui direta.
- Somos sua família, Sakura... - Vovó Uchiha começou a dizer. - Nós só queremos seu bem.
- Interessante que vocês só queiram meu bem quando há notas verdes envolvidas. - Lhe encarei descrente.
Pelo canto do olho vi Sasuke sorrir, ao menos alguém tinha aprovado minha ação. E eu sabia, mesmo que Kakashi não admitisse, ele também o fazia.
- Nós queremos que você passe as ações de Mikoto para Fugaku. - Vovô disse.
- Você tem que estar brincando comigo! - Ri em escárnio. - Se Mikoto deixou claro no testamento dela, que elas eram para nós três e não deveríamos entregá-las a vocês. Por que acha que eu faria isso?
Passei as mãos pelos cabelos, com raiva.
- Você é filha bastarda, então as ações da sua mãe não vão para você. - O patriarca Uchiha falou, encarando sua filha mais nova.
- Vovô, com todo o respeito. Vá se fuder. - Esbravejei, fazendo com que todos me encarassem surpresos. - Agora que vocês admitiram isso, resolveram jogar na minha cara? E outra, na minha certidão de nascimento está o nome de Akane, então sim, eu ganho a herança.
Ele arqueou a sobrancelha, ficando de pé, e eu imitei seu gesto. Os cabelos brancos, olhos negros e rosto aristocrático. Eu odiava ele, meu avô entre aspas. Uchiha Hirome era um grande idiota, ele ganhava do seu filho mais velho nisso. O que é algo muito surpreendente. Fugaku e Akane tinham mães diferentes, e minha avó materna era bem dissimulada, mas algo nela tinha impedido Akane de ser tão mesquinha quanto eles.
- Eu posso impedir que isso aconteça, caso você não devolva a parte que pertence aos Uchiha.
- Se você pudesse, não teria vindo até aqui me ameaçar.
Inferno! Como eu odiava aquele maldito olhar, Uchiha. Itachi e Sasuke, e até mesmo minha mãe o tinham. Era extremamente irritante.
- Você tem que escolher alguém para comandar isso no seu lugar. - Hirome disse. - Você é mulher, não tem pulso suficiente para isso.
- Agora vamos começar a ser machistas? - Cuspi. - Eu me viro sozinha desde pirralha, eu transformei o caos em ordem na escola. Não venha me dizer que eu não tenho pulso firme para as coisas, talvez eu tenha mais que você.
Ele riu, debochando de mim.
- Para quem tentou se suicidar, você está se mostrando bem esperta.
Minha mão se ergueu e ele a segurou antes que atingisse seu rosto. Ele estava mexendo comigo. Era isso que ele sempre fazia quando não conseguia o que queria. Meu pai ficou de pé, assim como minha mãe, Kakashi e Sasuke.
- Escute, com atenção, velhote. - Falei, torcendo meu pulso e me livrando dele. - Não vai acontecer. Continue pisando em mim, rindo e dizendo merdas. Você não vai conseguir nada, eu não sou facilmente manipulável.
Meus olhos estavam nos dele. O sangue fervia por todo meu corpo. Por que todas essas coisas tinham que acontecer em um só dia? O bilhete, Hidan, Sasuke, meus pais e agora eles. A raiva borbulhava no meu estômago e tudo que eu queria era correr dali.
- Você tem certeza Sakura? - Ele sussurrou só para que eu ouvisse.
- Tenho.
- Chega vocês dois. - Meu pai disse. - Sakura, sente-se.
Encarei-o com descrença. Esse filho da puta falava desse jeito com a única filha dele até o momento, e ele mandava que eu me acalmasse. Desgraçado.
- Era só isso ou temos mais planos de dominação para discutir? - Perguntei, com as mãos em punhos.
- Nós queremos saber para onde você vai quando se mudar. - Fugaku se manifestou pela primeira vez.
- Eu já disse, vou comprar um apartamento no centro da cidade, ou algo do tipo. - Era óbvio, porque eles ficavam perguntando isso de novo, e de novo?
- Achamos melhor que você more com alguém, ao menos até fazer vinte e um anos. - Itachi olhou para mim enquanto falava, com um pedido de desculpas nos olhos.
Apertei as têmporas, deixando que minha cabeça pendesse no encosto do sofá.
- Devemos conversar sobre isso mais tarde. - Akane se expressou. - Quando seus avós chegarem.
Vovô e vovó Haruno também viriam? Aquilo era mais sério do que eu pensava. E por que a repentina mudança? Eu não era a menina que todos amavam? Quer dizer, Itachi era o neto competente, Sasuke e eu éramos os rebeldes, mas agora estávamos um tanto quanto comportados. Exceto, é claro, pelo fato de sexta-feira à noite. Deu bastante ibope ele me tirando de cima da mesa, depois de me amassar com Konan.
Suspirei, aquela seria uma longa noite.
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14 de Fevereiro de 2005
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Estávamos sentados nos fundos da casa de campo, Okaa-san havia comprado o lugar alguns meses atrás, e se tornou rotina nós três irmos ali com frequência. Minha mãe e Sakura estavam gargalhando na cozinha, as duas discutiam sobre quanto tempo eu ia ficar sem uma namorada. Era ridículo. Fazia uma hora que as duas estavam especulando sobre isso, dizendo que eu trocava muitas vezes. E não havia garota que conseguia se manter comigo por mais de dois meses.
Isso tudo porque eu gostava de ficar sozinho no dia dos namorados.
A porta do quintal se abriu e as duas saíram alegres, fazendo com que um pequeno sorriso se formasse no meu rosto. Sakura me empurrou com seu quadril, colocando um prato com pães no colo. Minha mãe se sentou do meu outro lado, com uma garrafa de cerveja nas mãos. Normal vindo dela.
- Como você fugiu das fangirls, e porque sabemos que odeia doces, nós fizemos pães com recheio de tomate para você. - Sakura disse. - E eu quero muitos chocolates no dia branco, ok?
- Vamos ver. - Lhe olhei de canto, comendo um dos pães.
- Sabe filho, eu estou me sentindo velha. - Mikoto suspirou. - Você teve umas vinte namoradas no ano passado, e você só tem catorze anos. De tanto sexo que faz logo vai me aparecer com um neto! Como eu vou conviver com isso?
Sakura e eu começamos a rir. Essa era Uchiha Mikoto. Tão doce, jovem e sarcástica como uma mulher deve ser. Eu era um pouco atormentado quando as duas estavam juntas, mas eu gostava. Minha mãe e Sakura eram espontâneas e divertidas, totalmente diferentes do meu pai e Itachi. Era por isso que nós três escapávamos sempre que podíamos para cá. A tensão na família aumentava mais a cada dia. E minha mãe podia até não dizer, mas constantemente andava pensando em divórcio.
- E você Sakura, para quem pretende dar chocolates? - Perguntei implicando com ela.
- Para ninguém, eu estou aqui, esqueceu? - Me mostrou a língua. - Não há como ninguém receber chocolate de mim.
- Mas você gosta de alguém? - Minha mãe perguntou mexendo as sobrancelhas maliciosamente.
- Eu não sei, só tenho treze anos. - Deu de ombros, bebendo um gole da sua coca. - Eu me acho muito nova para gostar de alguém.
- Como assim? - Mikoto a olhou confusa agora. - Todo mundo gosta de alguém.
- Não acho. - Ela começou a gesticular com as mãos, no seu jeito tagarela de sempre. - Esse é o ponto, sabe. Todo mundo diz que gosta de alguém, mas não por gostar, é mais por querer todo o sentimento. Por isso tem pessoas como Sasuke, que dizem gostar de alguém e no mês seguinte estão com outra pessoa.
Eu a encarei descrente, entregando o prato vazio para minha mãe. Mikoto mordeu o lábio para não rir. Sakura fez uma careta engraçada, entrando correndo na casa, comigo atrás dela. Gargalhadas podiam ser ouvidas do lado de fora da casa. Revirei os olhos, rindo, ela me pagaria por isso.
…
23 de Agosto de 2008
…
Depois da minha discussão com meu avô resolvi ir até a cozinha, de novo. Os empregados, em maioria, já haviam ido embora depois do jantar. Minha mãe e avó tentaram puxar assunto o tempo todo. Eu me sentei no lado direito do meu pai, como todos os dias, e agradeci por Kakashi ter sentado do meu lado. Ia ser irritante ter qualquer pessoa além dele ali.
Tudo o que eu queria era que o dia de hoje se apagasse da minha memória, porque foram poucas coisas boas que viram dele. Eu queria relaxar um pouco, foi muito cheio de estresse mental e nada melhor do que o conforto da sua cama para isso.
Ergui os olhos, vendo Kakashi entrar na cozinha.
- Os Uchiha já foram embora? - Perguntei.
- Não todos eles. - Se escorou ao meu lado no balcão. - Você me lembrou aos velhos tempos hoje.
Eu olhei para ele, curiosa. Velhos tempos poderia significar muito para Kakashi. Não que ele fosse velho, ele só tinha trinta e dois anos, mas essas duas palavras podiam se encaixar de várias formas na minha vida.
- Eu briguei com Hirome uma vez. - Comentou. - Eu adoro sua mãe, e ela vivia servindo de babá para mim. E teve Lucca, os dois eram apaixonados, ele não deixou que eles ficassem juntos. Nós quase saímos no soco.
Agora que todos admitiam que eu descobri grandes coisas do passado deles, era como se fosse normal, que eu sempre soubesse. Talvez ninguém percebesse, mas sempre fingíamos que nada tinha acontecido. No fundo Kakashi deveria ser como eu, antes. Somos atingidos por eles, sem perceber isso por completo. Admirei seu gesto. Falar sobre o ex-namorado da sua cunhada para filha de criação dela.
Do modo que Kakashi e Akane falaram desse Lucca, ele me pareceu tão legal. O moreno, bronzeado, de olhos verdes. Se as coisas continuassem desse jeito enlouquecido, eu esperava que Akane visse seu amor de juventude e que eles pudessem ficar juntos de novo. Sorri para mim mesma. E aí estava o retorno do meu lado romântico.
- Tio, só nós dois protestamos sobre o controle deles?
- Não. - Kakashi passou a mão pelos cabelos prateados. - Akane também, e Hizashi. Kushina nunca esteve em volta disso, os Uzumaki são pessoas de melhor índole que a nossa.
Ele passou os braços pelos meus ombros, e eu escorei minha cabeça no dele. Conforto era tudo que eu precisava agora. Eu sabia que poderia contar com Kakashi para isso. Nós éramos as ovelhas negras dos Haruno, era reconfortante saber que eu não estava totalmente sozinha nisso.
- Eu estive pensando. - Ele disse. - Se você vai se mudar, por que não para o meu apartamento? Pakkun se sente sozinho quando eu estou fora. Aquele apartamento é grande demais para nós dois.
Sorri, lembrando do seu cachorro.
- Gostei da ideia. - Falei. - Você ainda tem aquela gaveta de roupas íntimas sem donas?
- Hum... - Refletiu. - É melhor você não saber sobre isso.
- Certo. - Dei um beijo na sua bochecha. - Vai ser um prazer ser a mulher da sua casa.
Nós brincamos por mais alguns minutos. Acertamos que amanhã iríamos levar algumas peças de roupa e o essencial, com o tempo pegaríamos o resto das minhas coisas. No seu apartamento haviam dois quartos mais o de hóspedes. Combinamos que eu ficaria no de hóspedes, por enquanto, e decoraríamos o meu quarto ao meu gosto. Ele estava se preparando para ir embora, amanhã ele trabalharia como qualquer um ali, se virou e me disse.
- Sasuke continua aqui, acho que ele quer falar com você.
Crispei os lábios, assentindo. Eu não tinha certeza do que surgiria dessa conversa.
- Sakura. - Ele me chamou, olhando para mim daquele jeito estranho de antes. - Não faça nada estúpido por orgulho ou rancor. Seu pai estragou a vida dele por isso, não cometa o mesmo erro.
Eu assenti mais uma vez, sem saber o que dizer. Quando Kakashi se foi, eu me vi subindo as escadas, indo para o meu quarto, porque eu sabia que ele estaria lá.
Pela tarde eu fiquei desejando isso, mas agora a relutância me preenchia. Era engraçado, quando você, pensando muito em algo, acabava fazendo diferente do que planejara. Eu esperava que não brigássemos novamente, eu não aguentaria isso, não hoje.
Ele estava de costas para mim, as mãos nos bolsos e olhando para as nuvens e trovoadas pelo vidro da janela. Suspirei, encostando-me na porta fechada, minhas mãos atrás do corpo.
- Queria falar comigo?
Ele não se virou e eu também não me movi. Eu estava nervosa e me sentindo reprimida. Não parecia certo.
- Só vim para te avisar que eu vou passar o resto da semana na casa de campo. - Sua voz estava monótona, fria. - Hinata e Naruto vão passar o fim de semana lá também, para você esclarecer as coisas.
- Você sabe que eu não posso fazer isso.
Ele se virou, e eu encarei seus olhos negros. Parecia que aquela escuridão que havia nele tinha voltado, uma que eu fiquei implicando nos últimos três anos e meio. Sasuke passou por mim e abriu a porta.
- Apenas vá, Sakura.
Aí estava, me chamou pelo meu nome mais uma vez. Sem mais nenhuma resposta, se foi. E eu fiquei confusa, sem a mínima ideia do que pensar sobre isso.
É, havia sido um longo dia.
To Be Continued...
N/a:
Oiie Gatas ;9
Aiai, como eu gosto de escrever esses Sasuke's POV. Porque a Mikoto ainda estava viva, na maioria deles, pelo menos nos que eu coloquei até agora. E o Sasuke é um menino como qualquer outro, meio rebelde e tudo mais. E ele mudou bastante, assim como a Sakura. Não sei, eu gosto de coisas em contraste, deve ser isso. Kkk'
Eu tenho pena da Sakura, quase toda família dela é sem noção. :/ E eu tenho planos bem legais para essa conversa. Que eu não vou contar, ou quando e como vão ser as coisas. O que é mais um pouco de curiosidade? Kk'
Gente, eu fiquei triste. Sério, eu to escrevendo com tudo nessas férias, e vai ser praticamente três capítulos de onze a treze páginas cada, só essa semana! Se eu falasse para vocês quantos alertas, favoritos e pessoas que acessam a página, você iam ficar bem chocados em comparação com as reviews.
Então, vai ser assim... Eu vou continuar escrevendo com esse meu pique todo, e vou postar um capítulo por semana, se vocês colaborarem podem sair dois, três, quem sabe mais? Tudo depende de vocês! E como eu sei que todo mundo ama o Sasuke-gostoso-kun, vai ter muitos POV's dele pela frente. *e as fangirls surtão*
Só para constatar. Tem alguns POV's que ele tá muto OOC. Mas isso é porque, como eu disse antes, a mãe dele não tinha morrido ainda e ele era como qualquer garoto de 14/15 anos. Detalhe em 2005, quando os POV's aconteceram em sua maioria, a Sakura tinha 13/14 e o Sasuke 14/15. Ela faz aniversário final de março, e ele final de julho. Caso vocês se perguntem por causa disso. E não vão ter datas cronológicas, como viram, uma coisa aconteceu em maio e o seguinte em fevereiro, totalmente embaralhado.
No dia dos namorados tem o dia vermelho, não sei se é esse nome, acho que está errado. Onde os meninos ganham chocolates das meninas. E o dia branco quando eles dão chocolate, em maioria branco até onde eu sei, pra elas. Eu sei que da forma que eu mostrei, acho que essas coisinhas ali estão certas. Eu não quis me aprofundar muito no assunto.
E as ações do Kakashi não foram dividas entre a Sakura e o irmão dela, porque 'digamos' que se uma situação parecida acontecesse, na minha fic, a parte do mais novo iria para o herdeiro mais próximo. Ou algo do tipo. Não sei como explicar esse meu raciocínio. O ponto é que como o Kakashi não tem filhos, a herdeira dele é a Sakura.
The Pretty Reckless é minha banda favorita. E no top três vem Nirvana e Joan Jett. Então desculpa se eu me perder nessa coisa de rock 'n' roll, não é exatamente intencional. Aaah e o hard rock nada mais é que um grande relacionamento aberto. Eu tinha que arrumar uma desculpa para todo mundo pegar todo mundo e encontrei essa.
Sakura não gosta de algumas coisas no passado dela. Quando você bebe demais faz coisas estúpidas, "voz da verdade" falando aqui. õ/ Uma prova disso é essa dança super sexy, que eu não sei se descrevi certo, porque eu só danço no meu chuveiro LOL. Ah outro exemplo que o álcool é uma merda foi no começo da fic quando ela toma um porre e fala dos pais dela.
Agente tinha que falar isso pro Sasuke-kun. Quem sabe ela conta tudo pra ele depois de beber muita tequila!
Que legal, mais uma n/a grande!
É isso, espero que tenham gostado.
Bgsbgs
N/b:
Hey girls! Gente esse capítulo foi tenso, hein? Nossa, a Sakura teve que mostrar toda a sua força para encarar um dia tão turbulento como esse... e ela até que se saiu muito bem, não concordam? Acho que a emancipação dela só vai contribuir para o seu amadurecimento... sem contar que será mais divertido ela morando com o Kakashi...rsrsrsrsrs
Ahhhhhh, não gostei nem um pouquinho do Hirome...manipulador, falso, mesquinho e machista...ahhh, ele está precisando aprender uma boa lição! E o que vocês acharam da Sakura se tornar a acionista majoritária da empresa? Comentem, pleaseeee... issso ajuda a ter posts mais rápidos!
Beijinhos
Bella
