Saint Seiya pertence à Masami Kurumada e Toei
O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe
Boa Leitura e divirtam-se :)
As namoradas do zodíaco
por Pisces Luna.
Capítulo XXI: Conselho dourado.
Já passava do meio dia quando Shion organizou uma reunião ás pressas com os cavaleiros de ouro. Tal situação já era mais do que esperada por todos, já que os acontecimentos da manhã poderiam influenciar drasticamente nos próximos dias.
"Eu não acredito que Shion foi capaz disso"
"Aioros, o que você esperava que ele fizesse? Aplaudisse?" - replicou Aioria de forma debochada - "Desde o início nos já sabíamos que uma hora ou outra ele iria descobrir e iria aprontar uma dessas".
"Ele é um hipócrita! Se realmente achasse que o relacionamento entre cavaleiros e amazonas é ruim não deveria se envolver com minha discípula" - respondeu Máscara da Morte em um dos seus poucos momentos de compaixão para com alguém.
"Aparentemente, ele gosta dela. Não sei a que ponto essa situação se estende, mas se fosse algo muito importante sem dúvida nem ele respeitaria as próprias leis" - comentou Camus.
Ambos deram um suspiro em uníssono parecendo levemente cansados.
"Máscara da Morte, sabe do que me lembrei?".
"O quê?".
"Eu não estou falando com você, ser ignóbil ¬¬".
"AHH! Você que fica puxando conversa, pingüim!".
"Por favor, poupem-nos por hoje!" - pediu Shura com um cotovelo apoiado sobre a mesa e uma mão acariciando levemente sua fronte - "Estou com dor de cabeça".
"Oh Shura, você está com dor de cabeça? Não sei se lembra, mas quem quebrou uma garrafa na minha cabeça ontem á noite?" - perguntou Camus normalmente, mas com um olhar cínico.
"Quebrei e quebraria de novo" - anunciou em resposta e no mesmo tom - "Mas, vamos deixar nossos problemas medíocres para outra hora".
"Quer dar uma de superior é?"
"E precisa?".
"Silêncio" - pediu Miro olhando para os dois - "Não é momento para discussões burras".
"Olhe quem fala" - desdenhou o cavaleiro de Capricórnio, mas o outro não respondeu, apenas cruzando os braços diante do peito e olhando para um canto particular do teto.
Mu jazia ansioso em um dos lados da mesa, inquieto e tremendamente nervoso até que Shaka sentou-se ao seu lado, parecendo ter voltado a normal polidez e o jeito peculiar de falar com as pessoas de olhos fechados.
"Não ouse falar a Shion sobre você e Yuki. Seria uma espécie de suicídio, como bem sabe".
"Não posso mentir para meu mestre, Shaka" - replicou respirando fundo - "Se ele souber, vai considerar uma afronta tão grande".
"Você tem responsabilidades para com sua discípula e deve zelar para a proteção da mesma, sendo suas obrigações de mestre mais relevantes do que lealdade como discípulo".
"Não é assim! Você sabe muito bem que vai ser pior quando ele descobrir, porque eu não vou manter uma relação com Yuki em baixo dos panos por muito mais tempo. Meu relacionamento é sério e respeitoso".
"Explique isso para o Shion. Sabe o que ele irá alegar? Que deveria ter desistido dela desde o começo, que ela te atraia e que não deveria ter se envolvido amorosamente. Não deveria ter aceitado ensina-la, Mu. Conhecia as regras".
"Conhecia as regras..." - disse irônico - "Hahaha, Shaka! Eu sabia das regras, mas felizmente eu as desobedeci. Não foi forçado, foi natural, construído pela convivência, logo no começo do treinamento. Me arrisco a dizer que foi até sem querer...".
"Eu não estou te julgando, Mu. Apesar de compreender o que leva o Mestre a forjar tal regra. Ele tem medo que os cavaleiros fiquem demasiados preocupado com suas parceiras e vice-versa em uma possível guerra, sem contar o medo de gravidez e etc.".
Mu calou-se digerindo as palavras de Shaka cuidadosamente, parecendo estar em um breve e penoso período de lucidez forçada.
"Se gosta tanto dela, por favor, faça o que é certo e feche essa boca até a poeira baixar. Vai ser melhor para todos, inclusive para Athena".
"Athena?"
"Marcella acordou de madrugada por causa de um pesadelo. Eu já esperava por isso, pois todos os meus discípulos passaram por coisas parecidas, mas o dela foi pior que os outros. Saiu da cama aos prantos, tremendo dos pés a cabeça. Demorou meia hora para se acalmar, mas não conseguiu mais dormir e eu tive que fazer companhia para ela até meados do meio dia".
O tibetano não disse nada e apenas refletiu sobre o caso.
"Será que ele irá nos acusar também?" - perguntou Shura colocando a mão sobre o pescoço inconscientemente - "Nossos pescoços serão poupados?".
"Eu me preocupo com outras partes minhas" - disse Miro alisando suas coxas, bem próximo da virilha.
"Não sejam tolos. Kanon só foi parar no Cabo Súnion, pois se envolveu com a discípula dele" - disse Aldebaran exasperado - "Não me digam que vocês fizeram a mesma coisa".
Eles movimentaram a cabeça negativamente em sincronia.
"Menos um problema para nos preocupar".
Na outra extremidade da mesa estava o antigo guardião do selo de Athena: Dohko de Libra. Solitário e quieto por opção, parecendo extremamente contrariado.
"O que será que ele está pensando?" - perguntou Aioria a Aioros fitando o cavaleiro mais velho.
"Não sei se ele aprova isso ou não, mas acho que dificilmente se oporá a Shion".
"Olha quem vem lá..." - disse o loiro para a porta principal.
Saga e Afrodite irromperam naquele exato momento, nenhum dos dois parecendo muito feliz.
"Desculpem-me o atraso" - explicou-se o cavaleiro de gêmeos cortes, empurrando a capa para trás e trazendo o elmo da armadura de gêmeos sobre o braço.
"Afrodite, ao menos esperávamos que você chegasse mais cedo. Já que é o que mora mais perto da sala do Mestre" - disse Máscara da Morte em represália.
O cavaleiro de peixes não disse uma única palavra; passou pelo lado esquerdo da mesa atravessando atrás das cadeiras de Shaka, Mu, Camus e Máscara da Morte, sentando-se ao lado do último e na cabeceira da mesa e ao lado da cadeira do Mestre.
Saga deteve-se por um instante, mirando-os. Todos parecendo submissos, trajando as armaduras douradas em sinal de respeito. Fez o mesmo caminho que Afrodite, só que do lado direito da mesa passando por Aioros, Aioria, Miro, Shura e Aldebaran, finalmente visualizando sua cadeira, de frente para Afrodite e também ao lado do Mestre. Todos devidamente localizados, enquanto Dohko mantinha-se passível em sua cadeira na outra ponta da mesa.
Silêncio, sem que nenhum deles ousasse proferir uma única palavra. Até que Shion apareceu na sala, mancando, vestindo a respectiva veste negra e que ia até os pés. Os cavaleiros dourados se levantaram em sinal de respeito... Os velhos tempos estavam de volta!
"Sentem-se" - ordenou e todos obedeceram - "Acho que já sabem por que convoquei essa reunião. Em detrimento dos últimos acontecimentos tive que pedir que comparecessem para conversarmos sobre o ocorrido. Como já devem saber, o cavaleiro Kanon de Gêmeos foi acorrentado ao Cabo Súnion por...".
"... Por amar uma mulher" - disse Saga em tom de piada.
"Como disse, Saga de Gêmeos?" - perguntou o Mestre desafiador - "Isso me soa de forma piegas e devo dizer que não reuniria o conselho se o caso não ultrapassasse essa barreira. Kanon, seu irmão, se envolveu amorosamente com sua discípula e como todos aqui sabem muito bem, isso é proibido e equiparado ao incesto em termos pecaminosos...".
"Shion, devo dizer que os motivos devem ser reavaliados, tivemos a realização de reuniões, um pouco de abuso da bebida por parte de ambos e eles poderiam levar tudo para um outro lado, não propriamente foi culpa dele..." - tentou argumentar Camus.
"Um cavaleiro tem que estar preparado para tudo e inclusive para resistir às tentações. Eu os peguei se beijando na escadaria da casa de gêmeos e sabe-se lá o que mais fizeram...".
"NÃO É JUSTO!" - o cavaleiro abaixou o tom de voz, percebendo que se exaltara e numa tentativa discreta de desculpas, tentou falar mais calmamente – "Digo, Kanon é nosso aliado e precisaremos dele no caso de uma possível guerra... sem contar que ele é nosso... nosso... amigo" - concluiu Miro relutante.
"É o preço" - ponderou Shion irredutível - "Não é simplesmente um mero capricho meu, como muitos devem estar pensando, mas sim uma questão de preservação da moral e ética que sempre esteve presente dentro do santuário de Athena. Não posso permitir que isso saia impune e perpetue entre vocês e outros cavaleiros de colocação menor. Como sabem, isso é duramente punido independente de quem seja. Relacionamento entre Mestres e discípulos sempre foi duramente condenável. Reflitam: seria muito mais prático para mim deixar tudo como está, mas não posso!".
"Quanto tempo ele permanecerá na prisão?" - perguntou Aioros.
"De acordo com os escritos antigos, o período mínimo é de cinco anos".
"ISSO É UM ABSURDO, SHION!" - defendeu Aioria sobressaltado e sendo contido pelo irmão mais velho – "Ninguém sobrevive tantos anos lá embaixo".
"Ah, bem, temos a segunda opção que vem logo abaixo dessa: Transforma-lo em uma espécie de eunuco".
Um murmúrio se estendeu pela sala e logo todos começaram a conversarem entre si por causa da sentença a ser aplicada.
"E quanto a Kassumi?" - perguntou Shaka sem se abalar.
"Se eu fosse considerar as regras puramente ditas, haveria duas opções: ela poderia ser treinada por Saga - que tem as técnicas mais próximas das de seu antigo mestre - ou entregá-la aos aldeões".
"COMO PODE ENTREGAR UMA AMAZONA A UM MONTE DE HOMENS?" - replicou Afrodite violentamente erguendo-se da cadeira de um pulo.
"Eu a entreguei a Kanon e deu no que deu" - disse o Mestre jocoso - "Sente-se! Ainda não terminei".
O cavaleiro obedeceu, parecendo transtornado e logo se calou.
"Isso é tudo uma questão do que Saga irá dizer a minha proposta".
"É claro que cuidarei dela! Agora terei duas filhas... digo discípulas".
"Ótimo" - disse o Mestre parecendo um pouco satisfeito - "Agora vem outra pergunta trivial. Mais alguém está envolvido com alguma discípula?".
A resposta: o silêncio.
"Agora podem falar com quem estão se envolvendo ".
"Como assim?" - perguntou Shura fazendo-se de desentendido.
"Comecemos por você, Capricórnio. E não se faça de idiota! Suponho que seja a senhorita Marcella".
Não só a cabeça de Shion virou para encará-lo como Shaka estava com o rosto posicionado em sua direção e os olhos ainda fechados.
"E se for? Não me diga que é proibido o relacionamento entre amazonas e cavaleiros".
"De modo algum! Desde que se lembre que uma amazona não é uma mulher comum e elas podem escolher entre amá-los e matá-los. Seria lamentável se começassem a ter homicídios em massa dentro do santuário".
"Isso inclui o Mestre do santuário" - disse Máscara da Morte com um sorriso cínico.
"Sim! Isso me inclui!" - replicou Shion pomposo - "E quanto a você, Cavaleiro de Câncer?".
"Não sou obrigado a falar e não há nada nesse mundo que me obrigue".
"Máscara, diz logo que é a Amy" - replicou Shura metendo-se na situação.
"SEU... SEU... VOCÊ... SEU ESPANHOL INTROMETIDO".
"Ele está até corado" - disse Miro matuto fazendo o cavaleiro de Câncer ficar vermelho de raiva.
"Outro que tá pedindo para ver o inferno..." - disse em alto bom som.
"Máscara, seu tolo, eu já vi o inferno! Se esqueceu?".
"Certo, é só isso?" - perguntou Shion impacientando-se.
"E você acha pouco?" - disse Aioria parecendo contrariado - "Fale algo, eu não consigo imaginar minha discípula nos braços desse crustáceo".
"Hoje vocês tiraram o dia para me irritar foi? ¬¬".
"Chega" - proferiu autoritário - "Aioria, continue...".
"Estou namorando Yura" - respondeu orgulhoso.
"Então, finalmente ele superou a perda da Marin..." - disse Shaka inconscientemente.
"CALADO"
"Opa, espera um pouquinho. Desde quando?" - perguntou Shura.
"Desde ontem XD".
"Hum... moderninhos hein?!" - falou Camus franzindo o cenho.
"Camus?"
"Só!"
"Shaka?".
"Solteiro". - disse com uma leve pontada de tristeza.
"Aldebaran?".
"Idem".
"Aioros?".
"Não é uma amazona e creio que não devo pedir autorização para qualquer coisa a essa altura da minha vida".
"Afrodite?".
"Nego-me a expor semelhante dama a esse conselho".
"Diga logo".
"NÃO!" - sentenciou definitivo.
"Fale".
Ele revirou os olhos e virou o rosto.
"Sinceramente Shion, eu não seria capaz de nada desleal. Poupe-me de ter que expor a senhorita em questão".
O Mestre calou-se, mas não demorou a consentir com a cabeça.
"Isso é proteção!" - falou Shura revoltado.
"Não estou preocupado com sua opinião" - ponderou - "Mu?".
Ele balançou a cabeça negativamente, parecendo um animal mortalmente ferido e encarou o chão.
"Sabia que não me decepcionaria" - sorriu - "Miro?".
"Não".
Máscara da Morte lhe direcionou um sorriso cínico e Shion, vendo esse gesto, perguntou novamente.
"Ninguém mesmo?"
"Digo... não é nada oficial e por isso não me sinto autorizado em expor uma relação pessoal a público".
"Besteira..." - disse Máscara.
"Se tratasse apenas de minha vida, falaria com prazer, mas nesse caso opto pela preservação da imagem dela".
"Vocês trocaram de discípulas por algumas horas diárias não foi?" - perguntou Shura olhando para Afrodite e depois para Miro.
"Espanhol. Você. Me. Paga" - anunciou Afrodite mostrando-lhe uma rosa vermelha e o cavaleiro de capricórnio fez um movimento rápido com a mão, fazendo com que a flor se despedaçasse em duas.
"Tuchê" - disse ele brincalhão.
"Dohko?"
O amigo não respondeu nada, apenas fitando-o sério com os braços cruzados. Shion entendeu que ele estava irritado com a situação e por isso não forçou mais nada.
"Nesse caso... Saga?".
"Não é da conta de ninguém aqui. Mas, posso garantir que não é Alex" - ergue-se de súbito e vai rumo à porta, deixando seu lugar vazio.
"Volte aqui. Ainda não terminamos".
"Já deu a lição de moral que pretendia, não há mais nada que me obrigue a ficar aqui" - e bate a porta atrás de si, logo depois de passar por ela.
Shion deu um suspiro penoso e não demorou a se acalmar com a afronta.
"Certo, continuemos a reunião".
"O que será que está acontecendo lá em cima?" - perguntou Yura em alto e bom tom.
"É o que todas nos gostaríamos de saber" - disse Teffy acariciando o novo morador da casa zodiacal. O gato. - "Ai, mas que gracinhas. Parece um tigre".
"E nós sabemos como você gosta de tigres, Teffy" - disse Elena rindo por um momento, mas depois voltando a mesma seriedade.
Todas as amazonas de ouro - com exceção de Juliane que tinha sumido desde a noite passada e Alex, que tinha ido fazer companhia a Kassumi na enfermaria - estavam ali. Também se encontravam Calisto e Yume que estavam ansiosas para que os cavaleiros de ouro descessem e comentassem o que tinha se sucedido.
"E quanto a Lilits?" - perguntou Lolly dando uma passada de olho sobre todas no local - "Onde ela está?".
"Outra pergunta sem resposta" - disse Teella desanimada.
"Eu não sabia... não sabia... que relacionamento entre mestres e discípulas era proibido, senão eu nunca teria... teria..." - dizia Yuki fraca, escorregando pela parede onde estava encostada, até ser amparada por Mikage e essa dar-lhe um abraço amigável e desajeitado.
"Está tudo bem. Você não teve culpa; ninguém teve..." - disse a garota de forma meiga, consolando a amiga.
Ela não conseguia responder. Sabia que no momento que abrisse a boca, iria começar a soluçar e a chorar, por isso manteve-se silenciosa, deixando ser abraçada.
"À uma hora dessas Shion já deve ter colocado todo mundo na parede e ter os feito falar quem está se envolvendo com quem" - disse Amy deitada de costas sobre o fofo tapete persa que acolhia grande parte das garotas - "Ás vezes eu me perguntava se queria realmente ter sido amazona e passar por tudo isso, mas cada vez que eu via o mestre Aioria, tão dedicado, eu me continha e pensava que era até um pecado nutrir tal idéia e que eu estava no lugar certo...".
"Quem nunca pensou nisso? Eu queria saber se todos eles escolheram isso por opção. Eles por eles. Eu não acho que a vida foi tão justa com os cavaleiros e nem conosco" - falou Luna olhando baixo.
"Eu lembro que o Shaka cresceu ouvindo que era O Prometido e ele aceitou o seu destino com muita naturalidade, sempre almejou fazer algo por todos os indianos. Desde que me entendo por gente, ouço-o dizer que queria ser cavaleiro de Athena. Ele me contagiou de tal maneira que, acabei sendo amazona também" – respondeu Mikage em forma de justificativa – "Não soa de forma fraca? Mas, acho que acabei acertando. Eu amo o que faço".
"Não me lembro disso" - disse Yura fitando a irmã.
"Bom, você era muito nova. Surpresa seria se você se lembrasse".
"É. Provavelmente" - respondeu a amazona de capricórnio.
"Mas, agora nos não temos muitas opções. Somos amazonas e temos o nosso dever a cumprir" - disse Marcella - "Tenho certeza de que quando Saori voltar..." - ela se calou abruptamente, pois se lembrou do sonho que tivera.
"O que foi? Você tá bem?" - perguntou Calisto vendo-a.
"Estou" - replicou calma.
"Aposto que eles vão abrir a boca..." - repetia Luna inconformada - "Ah, se ele falar para aquele bando de urubus eu... eu...".
"E qual o problema dele contar para todo mundo que vocês estão se envolvendo? O Máscara me contou sobre você e o Miro ontem a noite; Muito bem, garota! ." – disse Amy sorrindo.
"Hunf, esse é o problema. Eu não quero ter que ficar ouvindo palavras de incentivo".
"É mesmo. Será um problema" - disse Yura refletindo - "Mas, pensa pelo lado bom, ninguém nesse santuário ficou mais popular do que a Mina do Shura XD".
"Eu sabia que ia sobrar para mim" - respondeu a Amazona de Virgem - "Parem de me amolar, essa história já foi há tanto tempo".
"História? Ah! Virou lenda" - disse Lolly ligando sua famosa lanterna e iluminando o rosto da garota. O objeto ficou conhecido como luz da verdade, por meio dessa a Amazona de Câncer poderia arrancar muitas informações de suas vítimas.
"AH! Tira isso do meu rosto, Lolly" - Marcella se esquivou por causa da claridade excessiva.
"Meninas, meninas... eu quero que vocês se concentrem em outras coisas. Lá daquela sala, sairá um bando de homens abatidos e que precisarão de ombros para consolá-los. Deixem o lado gueixa aflorar em seus corações D" - disse a garota.
"De onde será que ela tira essas idéias?" - perguntou Calisto esboçando um sorriso – "É uma Lolita mesmo".
A porta se abriu e uma garota adentrou o recinto.
"O que foi que eu perdi?" - perguntou Lilits sorridente.
"ONDE VOCÊ ESTAVA?" - replicaram em uníssono.
"Hãn... treinando cavaleiros mirins? Eu posso cumprir com minhas obrigações de amazona de prata?".
"Hahaha! Engana-me que eu gosto!" - Lolly colocou a lanterna no rosto da moça que tentou desviar, mas não conseguiu - "Agora, você está na mira da luz da verdade e você tem que falar... a verdade XD".
"Isso aqui não era da Aspasie?" - perguntou tomando o utensílio da mão dela.
"Bem, eu peguei emprestado e não pretendo devolver um dia" - respondeu sorridente.
"Bom, não que eu ache ruim vocês se reunirem, mas tem dez casas vazias desde lá de baixo".
"AHH! É MESMO!" - disse Elena se levantando - "Temos que cuidar das nossas respectivas casas zodiacais".
"Não se preocupe não. Se alguém quiser passar pelas doze casas terá que atravessar por Capricórnio e ninguém vai conseguir passar por onze amazonas de uma vez só" - respondeu Mikage.
"O que é que está acontecendo aqui? E onde estão os cavaleiros? Nem o Shaka ficou em casa hoje..." - Lilits questionava confusa.
"Resumidamente: O Kanon e a Kassumi estavam se beijando na escadaria da casa de gêmeos e Shion os achou, ficou muito bravo e encerrou-o no Cabo Súnion e agora os cavaleiros dourados foram convocados para uma reunião de emergência e nós nos reunimos aqui. Fim".
"Foi só isso?" - perguntou sarcástica.
"Sim" - respondeu Lolly simples.
"Ah" - ela desabou sentada no tapete, depois passou os dedos pelos cabelos cacheados e levemente vermelhos, refletindo sobre o que tinha acabado de ouvir.
"Lilits, o que você acha?".
"Acho que o Shion está caduco".
"COMO É? NÃO PRECISA OFENDER NÉ? O.O" - replicou a Amazona de Câncer.
"Sabe, essa é uma das leis mais importantes do santuário de Athena, mas em geral, ela é retransmitida aos mestres ao invés dos discípulos, provavelmente Kanon não imaginou que iria chegar a esse nível depois de todas as lutas e guerras que passou... Considerando isso, acho que se Athena voltar vai ser mais fácil ele sair de lá".
"Isso pode demorar" - retrucou Amy já exasperada.
"Não... esqueceu que Shun e Nana foram ao Japão ás pressas? Tenho quase certeza de que é para trazê-la de volta".
"Sim... é isso mesmo" - confirmou Hyoga aparecendo na porta - "Eu o vi arrumando as malas antes de ir embora e ele me explicou tudo".
"Olá Hyoga, outro que eu não via desde ontem á noite" - disse Teffy sem malícia.
"Eu fui dormir cedo" - replicou o loiro contendo o riso - "Mas, do pouco que eu ouvi, vamos ter problemas" - sentou-se ao lado de Lilits que lançou um olhar carregado de significado.
A porta da casa de capricórnio se abriu mais uma vez e o dono da morada entrou.
"Festinha particular? Na minha mansão?".
"Mansão? Bondade a sua falar assim..." - disse Yura debochada.
"É sim... e muito lindona por sinal. O que está acontecendo aqui?".
Mas, nenhum dos outros falou nada, parecia que as amazonas estavam vidradas na figura do capricorniano.
"Vocês estão me assustando me olhando dessa forma...".
"Shura, eu acho que sei o porquê disso" - falou Hyoga fitando-as - "Fora Yura, alguma delas já te viu com armadura?".
"Lindo" - sibilou Marcella estupefata diante da nobre imagem do namorado trajando a roupa.
"Hahaha... que é isso? Essa roupa velha? Ahhh, meninas, deixem disso..." - ele falou sem graça - "Aiai, tudo bem, podem admirar, eu deixo".
"Metido!" - decretou Elena de repente, libertando-se do transe.
"Hunf...".
"A reunião já acabou?" - perguntou Amy.
"Apenas Dohko e Shion ficaram na sala, em breve, todos estarão descendo".
Todos os guerreiros deixaram o salão do mestre, mas apenas um permanecia em sua cadeira fitando diretamente o Mestre nos olhos.
"Eu sei que nunca entregaria Kassumi aos aldeões".
"Como pode ter tanta certeza?".
"Você é muito justo, Shion. Fez aquilo só para deixá-los temerosos e fazer valer sua posição de Mestre".
"E fiz mal?".
"Não".
"Então nosso assunto é finito. Só me responda uma coisa antes de ir meu velho amigo".
"Diga".
"Despreza-me pelo que fiz hoje?".
"Não concordo com o que fez, mas entendo e acato vossas ordens. Afinal, ama tanto esse lugar que daria novamente a própria vida por ele! E por isso Shion eu não o desprezo e digo mais: só ficarei contra você se tentar revoltar-se contra Athena, caso contrário, aqui estou eu como amigo e como lacaio".
"Obrigado".
"Mas, sabe o que tens que fazer! Honre o que expôs nessa mesa e não seja um hipócrita".
"Farei o que meu posto exige de mim".
"Fale o que quer, Miro" - pediu Camus entrando em sua morada com o cavaleiro em seus calcanhares.
"Eu quero pedir desculpas por ontem, eu não devia ter feito uma coisa que você não queria. Eu sinto muito, meu amigo" - replicou fitando as costas do cavaleiro de Aquário enquanto repousava o elmo sobre o braço - "Você pode me desculpar?".
"Eu já desculpei, Miro. Faz muito tempo".
Ele virou com um sorriso bem simples e o grego retribuiu do mesmo modo, parecendo muito feliz com as palavras que ouvia.
"Mas, se fizer uma dessas de novo...".
"Não vou fazer, te juro!".
"Ótimo. Mudando de assunto, o que lhe pareceu à reunião de hoje?".
"Um aviso sutil para que todos andem na linha. Sem pé nem cabeça, na minha opinião...".
"Acha que Kanon está certo por se envolver com Kassumi?".
"Acho que ele não está errado! Eu não aprovo, mas chega a ser banal colocá-lo no Cabo Súnion só por causa disso. E você?".
"Shion não poderia ter feito algo do gênero, mas se for pelo bem do santuário e ele julga necessário...".
"Não acredito que vai defendê-lo!".
"Eu sei que Athena não permitirá que ele fique por lá muito tempo, Miriano".
"Não me chame assim, isso é coisa da Lilits...".
"... então, é só esperarmos que Athena volte para o santuário. Questão de dias. E eu te chamo como quiser".
"Pingüim..."
"Miro, você acabou de prometer...".
"Nunca prometi não te chamar de Pingüim. E quem tem um discípulo pato deve no mínimo ser um pingüim".
"Saia da minha casa antes que eu te jogue uma panela" - replicou rindo com desdém.
"Como quiser alteza" - sibilou fazendo uma reverência ridiculamente exagerada e indo rumo a porta.
"Miro... volte aqui. Esqueci de lhe pedir uma coisa".
"Pode pedir até duas".
"Hoje á noite eu pretendo sair do santuário para visitar uma tia".
"Pingüim, não minta, você não tem tia nenhuma".
"Tenho sim" - replicou sem convicção.
"Sei... eu te conheço...".
"Não importa! Se alguém perguntar por mim, você pode responder que fui até sua casa conversar?".
"Claro. Mas, quem você vai visitar?".
"Não é da sua conta".
"Oh, seu ingrato! Até me ofende! Vou espalhar para todo mundo que você perdeu a sua fama de bom moço há muito tempo, junto com a sua virgindade...".
"Lembrando que eu a perdi antes de você".
"Detalhes, detalhes... isso faz muito tempo, não é?... ah! Você mudou de assunto! Quem você vai visitar?".
"Não adianta falar, você não a conhece".
"Se você contar vou ficar conhecendo".
"Você é irredutível e insistente, me deixe em paz".
"Então, não tem acordo".
"Ahhh... certo, é uma amiga minha que eu conheci na cidade quando ganhei aquela folga. Satisfeito?".
"Quase... quero nomes".
"Para quê?".
"Hum... para ver se combina com o seu".
"E desde quando você sabe de tendência, escorpião?".
"Há muito tempo, ok?".
"Está querendo demais...".
"Deixa de frescura; Conte logo".
"Gabriela".
"Camus e Gabriela. Lindo nome sozinho, junto com o seu fica melhor ainda... ela é bonita?".
"Suma!" - replicou jogando uma almofada na cara dele.
"Perguntar não ofende".
"E eu não sei da sua fama, safado?".
"Hum... águas passadas" - disse recuando para a escadaria das doze casas.
"Não me diga que Luna está para lhe por coleira?".
"Hahaha... Luna? Coleira? É mais fácil o contrário!".
"O CONTRÁRIO? OHOHO... NÃO ME DIGA!".
Miro vira-se e depara-se com a amazona de peixes subindo as escadas.
"Luna, minha querida, como está linda hoje".
Ela riu desdenhosa enquanto cruzava os braços diante do peito.
"Camus, eu te mato" - falou furtivo vendo o amigo conter o riso.
"Olá Luna, lamento não convidá-la para tomar alguma coisa, mas tenho coisas a fazer".
"Não se incomode, Camus. Eu tenho coisas a acertar agora" - encara Miro que parecia mais que se divertia do que se assustava com seu olhar.
Camus adentrou sua casa zodiacal e deixou o casal só.
"Ficou bravinha é?".
"Só não gostei do jeito que você falou... Esquece".
"Esquecer?" - ele perguntou desconfiado - "Por quê?".
"Por nada".
"Se você ficou irritada, eu não falo mais assim" - puxou-a pelo braço enquanto esta tentava se desvencilhar - "Eu JURO que você é a garota mais complicada que eu já conheci".
"Eu não posso...".
"Não pode o que?".
"Cobrar uma postura. Você não me deve nada".
"Como não? Estamos nos envolvendo não é?".
"Sim e não".
"Pode falar em grego, por favor?".
Ela revirou os olhos e depois fitou os próprios pés.
"Por que seu conhecimento sobre mulheres se estende apenas até aos lençóis?" – ela de um suspiro que beirava o cômico – "Mas, é melhor assim".
"Luna!"
"Não é hora para problemas, certo? Acho que o santuário já está ruim demais sem discussão nenhuma entre nós".
Pela primeira vez em muito tempo ela pareceu invadida por uma tristeza muito grande, chegava a pairar sobre sua cabeça como uma nuvem cinza.
"Você fica lindo de armadura, sabia?" – ela forçou uma nota de alegria.
"Fico melhor sem".
"Eu não duvido nada" – tocou seus cabelos com as mãos espalmadas, puxando uma mecha para se enrolar em seus dedos curtos – "Vou para peixes".
"Vai interrogar Afrodite sobre a reunião?".
"Sim" – ela já subia alguns degraus e se colocava de maneira ansiosa.
"Então, eu me proponho em ser sua cobaia no lugar dele" – estendeu uma das mãos na direção dela – "Vem".
Ela mirou a casa de peixes, depois fitou o homem com a mão estendida e lembrou-se do acordo que tinha feito ao mestre de ir para peixes antes do meio-dia. Bom, pelo jeito só poderia dedicar-se ao treinamento no período da tarde. Suspirou contrariada pela sua própria fraqueza e voltou agradecida até onde ele estava enlaçando suas mãos as dele.
"É horrível não conseguir negar nada a você, Miro" – pensou enquanto era guiada até a casa de escorpião - "Miro, posso perguntar uma coisa pessoal?".
"Sim, mas antes eu pergunto: qual a sua posição favorita no sexo?".
"Hahaha... eu te mostro outra hora" – replicou debochada.
"Não me dê idéias que não pretendes cumprir".
"E quem disse que não pretendo?" – ela riu mais uma vez e mais alto - "Sério! Eu queria saber se você escolheu ser cavaleiro sem influências".
"Sim! Desde pequeno eu queria essa vida que eu levo! Via os guerreiros treinarem na praia e repetia para mim que seria tão bom quanto eles. Eu quiz isso".
"Queria mesmo?".
"Sempre amei as lutas! No início serviam apenas para me exaltar, mas com o tempo passei a adorar a justiça e é muito reconfortante lutar por todos que ama! Sentir-se útil e... ".
Luna aproveitou esse sóbrio momento em que Miro falava o que pensava e deixo-o se expor até se cansar. Era um deleite aos ouvidos da amazona poder ouvir a voz grossa do cavaleiro.
"Kassumi, como é ficar longe da pessoa que se gosta a força?"
N/A: Eu quero pedir...
1º) PERDÃO pela demora.
2º) PERDÃO por não responder as rewiens, mas acho que vocês nem lembram mais do que escreveram graças à demora. Vou responder mais rapidamente. JURO.
Certo, certo... eu sei que a última vez que eu falei que o capítulo vinha mais rápido demorou muito, mas pessoal, foram só seis meses! Ah! Acho que eu devo parar de prometer o que eu não vou dar conta, droga!
Bom, acho que vocês querem matar o Shion.
Mas, eu não.
É simples: ele é o mestre. Tudo está nas costas dele. O santuário é um atraso e vive de acordo com os padrões e morais dos antigos, aquela mentalidade arcaica. Assim é o santuário, continua com a antiga ilusão de que os tempos não mudaram e todos devem se submeter as regras. Shion não é "mal" ele apenas faz o que se espera dele. E compreendam isso, pois eu acho compatível sua postura com suas obrigações. Não encarem a história com a mentalidade moderninha do século XXI, eu também não concordo com isso, mas enfim...
Bem, como o capítulo ficou muito grande - de novo - eu cortei e então estarei publicando o resto até o fim da semana. Ah! Não se assustem, no próximo capítulo, teremos a continuação desse dia fatídico.
Espero que estejam bem! Lembranças a todos!
Atenciosamente
Pisces Luna
02/07/07
