Capítulo Vinte e Um – Granger-Potter.

- Não há mais nada que possamos fazer, está bem? Não somos bons atores. – Justificou dando os ombros. Estavam tendo aquela conversa agradável em pleno café da manhã. O mais velho bufou e passou a mão sobre os cabelos tentando pensar em algo até que...

- Então faça ser real! – Disse de repente. – Conquiste-a! – De todas as piadas que Harry Potter havia ouvido, sóbrio ou bêbado, aquela era a pior. Não lhe fazia gargalhar e sim sentir arrepios.

Harry pegou a jarra de café e encheu uma grande caneca. Talvez cafeína lhe ajudasse a esquecer AQUILO.

Ele e Hermione Granger? Claro que não! Era como Tom e Jerry, Hitler e judeus, Iraque e Palestina... Enfim! Poderia passar horas imaginando os maiores conflitos, políticos ou não, onde ele e Hermione poderiam se encaixar. Era uma verdadeira Guerra Fria. Estavam prestes a explodir.

- Você está louco! – Manifestou-se em meio a uma indignação que lhe ia dos pés à cabeça.

- Olhe como fala, moleque. – Lhe repreendeu batendo com o jornal em seu braço. O moreno bufou irritado. Aquilo era contra os seus princípios. – É bom você fazer essa patricinha mimada ficar caída por você ou então as coisas ficarão muito ruins. – Lhe ameaçou num tom desnecessariamente frio. E que absurdo era aquele? Chamá-la daquele jeito?! Só havia um Potter que tinha esse direito e era ele, não seu pai.

- Vou dar meu jeito. – Lhe assegurou ainda que não fizesse ideia de como resolver tal problema. Não iria conquista-la numa farsa. Sabia muito bem onde essas histórias poderiam o levar. Já havia visto em filmes e um lado sempre saía magoado. Não queria se magoar e, por mais pedante que ela fosse, não queria que Hermione se ferisse também. Tirando o fato de que nunca lhe venceria. Ela era insuportavelmente competitiva e tinha sede de vitória. Era irritante e perfeccionista, nunca cairia num papo dele.

Dessa forma, se você não pode combate-los, puxe o saco deles. Ou seja, ele e Hermione deveriam, de uma vez por todas, selar a paz e formar uma bela dupla. Era isso.

E lá estava Hermione Granger. Fitando-lhe com aquele olhar inquisitório e ajeitando aqueles cabelos castanhos claros, que tanto lhe chamavam atenção. Ele não queria admitir, mas tinha medo dela. Ela o intimidava mais do que Mike Tyson, quando ele era um cara sério, é claro.

Seus dedos se esfregavam nervosamente enquanto ela parecia perder a paciência diante de sua atitude anormal.

Hermione revirou os olhos e bufou irritada. Estavam sentados na mesa da cantina comendo aquelas batatas fritas péssimas que tanto gostavam.

- Diga logo, Ogro-Potter. – Ordenou cheia de enfado e ele suspirou nervosamente.

- Ok... – Tentou parecer calmo, mas aquilo soava ainda mais estranho. – Vamos lá... – Disse mais para si mesmo do que para ela, como se quisesse autoconvencer ou motivar. – Estive conversando com meu pai... – Iniciou lentamente.

- Uma reunião dos Beberrões-Potter... – Motejou amarga.

- Como eu estava dizendo... Meu pai sugeriu algo... Na verdade, que eu te conquistasse. – A morena o fitou pasmo enquanto digeria tal absurdo. James realmente achava que poderia ser tão baixa ao ponto de se deixar levar por galanteios de Harry Potter.

- Ele está louco! – Manifestou-se cheia de furor.

- Eu sei. – Concordou tentando lhe acalmar. - E odeio admitir, mas eu sei que não vou conseguir vencer você. – Ela sentia-se bem ao vê-lo confessar tal coisa. Uma sensação de poder adorável.

- Você tem razão. – Concordou cheia de altivez.

- Mas também sei que sou um adversário a altura... – Acrescentou e ela manteve o silêncio.

- Prossiga.

- Então, eu proponho uma trégua. – Declarou de maneira simples estendendo a mão esperando que ela apertasse.

Hermione parou pensativa. Brigar, implicar, agredir Harry Potter era tão bom. Todavia, tinham algo mais importante a pensar.

Se ela ficasse pobre, nada seria tão divertido assim. Então talvez devesse apenas aceitar a proposta do obtuso e acabar logo com aquilo.

- Tudo bem. – Disse apertando a mão dele com um pequeno sorriso maldoso.

- Nós precisamos convencer a todos. – Ele disse num tom preocupado.

- Não há nada que me deram e eu não consegui fazer. – Declarou daquela maneira esnobe que ele não sabia se amava ou odiava. - Não será diferente dessa vez. – Ele sorriu vitorioso. Estava tão disposto quanto ela.

- Você é um cabeça de zarcão! – Lhe ofendeu a quatro ventos enquanto rumava a porta de saída para ir a escola. O ruivo lhe seguia naquele andar pachola e tentava alcança-la. Todavia, Gina Weasley era muito mais rápida irritada e digamos que o irmão estava um pouco acima do peso.

- Francamente! Eu nem sei o que é isso! – Rebateu nervosamente. Ela tinha que entender que fora uma atitude impensada.

- Você é a pessoa mais fofoqueira do mundo! – Gritou, finalmente parando e mirando-o com as bochechas escarlates. Cheia de furor.

- Foi sem querer! Já disse. – Justificou inocente.

- Não foi não! – A ruivinha lhe empurrou, mas ele não saiu do lugar. Ronald estava realmente pesado. - Você estava querendo mesmo saber! – Gritou. Por sorte, além dos dois, não havia ninguém em casa. A senhora Weasley odiava gritarias. Se ela estivesse ali, certamente cada um receberia uma dose desmedida de amor em forma de beliscões.

- Eu não ligo mais para Hermione, está bem?! – Justificou. Estava até se dando bem com Lilá, a aluna nova e inocente. – Também não ligo para as farsas dela.

- Então cale essa boca! Se Hermione descobrir que você ouviu o plano por telefone, ela me mata e eu mato você! – As ameaças dela lhe assustavam, apesar de ele duvidar que a irmã fosse se sujeitar a cadeia por um assassinato. Todavia, Gina era boa em mentir e dissimular. Conseguiria muito bem esconder seu cadáver e isso lhe assustava. Era melhor não arriscar.

E lá estava o casal mais feliz da terra. Harry Potter e Hermione Granger, agora Hermione Granger-Potter. Talvez não tão feliz assim, mas pelo menos tentavam. E em seus interiores corruptos e um tanto trapaceiros, a excitação de conseguir ludibriar a todos crescia como uma faísca próxima à gasolina.

- Creio que não será difícil. – Tentou parecer otimista ao ver que aquelas pessoas poderiam não acreditar tão facilmente em seu amor desmedido um pelo outro.

- Precisamos ser realistas. Vai sim. – Admitiu enquanto caminhava pelos corredores em direção ao armário. Era dia de aula de Literatura. Adorava ler e talvez algum livro lhe ajudasse.

- Mas temos força de vontade e um bom plano, não é? – Harry Potter era um ser inseguro, agora ela via isso e ele também ficava bastante atraente com aquele suéter cinza. Aliás, não ficava não!

- Sim, temos força de vontade. – Abriu o segredo rapidamente e tirou alguns livros e junto com eles um envelope de papel.

O moreno lhe observou de forma curiosa e ela lhe entregou o tal envelope.

- O que é isso? – Questionou abrindo-o e tirando dois ingressos de uma boate famosa que ele nunca tinha ido por odiar boates.

- Eu ia com a Gina, mas a cidade toda vai estar lá então é bom aparecermos juntos. – Explicou. Ela era uma gênia do mal.

- Está bem. – Ele mirou a data e viu que era naquela noite. No dia do jogo do Manchester! Droga. Teria que ir.

- Nos vemos no intervalo, tenho aula agora. – Lhe disse continuando parada no mesmo lugar, como se estivesse aguardando algo.

- O que foi? – Questionou confuso e um tanto pachola.

- Não vai me beijar? É isso que casais fazem ao se despedir. – Explicou revirando os olhos. Ótimo! Ela estava mesmo empenhada.

- Ah... claro. – Concluiu abobalhado, se aproximando dela e a tomando pela cintura.

Não queria se aproveitar da situação, não muito, mas fora seu instinto. Ao tocar os lábios convidativos dela, ele não conseguiu manter apenas um selinho casto. Era a primeira vez que Hermione lhe retribuía um beijo. Não beijava mais uma morta, tinha que se favorecer daquilo.

Os lábios dele eram quentes e em contato com os seus, frios, quase lhe causava um choque térmico. Sabia que ali não era o melhor lugar para um beijo como aquele, mas haviam começado, tinham que terminar. Hermione Granger sempre colocava um fim no que iniciava.

Suas mãos procuravam os cabelos dele e ao achar se prenderam ali. Os braços de Harry envolviam sua cintura com firmeza. Não parecia mais aquele moleque bobalhão movido a cerveja. Parecia um homem de verdade.

Os lábios dele tomavam todo o seu ar, lhe deixando ofegante suas costas batiam lentamente contra o armário e ela não conseguia parar. Alguém tinha que fazer isso por ela.

- Casal Potter, - Uma voz grave os despertou e os separou rapidamente. Ao olharem para o homem, viram o inspetor Harris. Ele era um cara muito sádico. Tinham certeza que poderia ser um assassino em série. – Sei que casar causa euforia, mas nada de showzinhos particulares na escola. – Lhes advertiu enquanto os outros alunos disfarçavam muito mal e os miravam curiosos. Pelo menos havia funcionado.

- Sim, senhor. – Disseram quase num uníssono perfeito. Dentro deles havia um sorriso de satisfação. Apenas por terem acreditado e NÃO pelo beijo.