Nota de Autora: Quero desde já pedir desculpa pelo atraso na postagem deste capítulo. Tive dois motivos, igualmente bons na minha opinião.
Em primeiro lugar, estive a aguardar o empréstimo de um computador.
Em segundo lugar, estive a reler os livros da saga Harry Potter. Honestamente, fiquei surpreendida com a quantidade de detalhes dos quais já não me recordava. Como o facto de Severus ter apitado um jogo no primeiro livro. Fiquei também surpresa com as diferenças entre as traduções de Portugal e do Brasil. Em Portugal na maior parte das vezes optou-se por manter os termos ingleses ou traduzir literalmente. No Brasil notei uma maior liberdade na tradução, bem como a adaptação dos nomes de personagens, locais, etc.
Tudo isto dito, vamos continuar a aventura.
Onde a tínhamos deixado? Ah, sim...
-Fim de Nota de Autora-
Os primeiros minutos da viagem correram perfeitamente bem. O ambiente na plantaforma, as pessoas a despedirem-se dos parentes e amigos recordou Hermione do comboio da plantaforma 9/3.
O comboio arrancou da estação e iniciou a viagem de forma rápida.
Hermione ia olhando discretamente em roda de tempos a tempos, procurando qualquer pessoa ou coisa suspeita mas nunca encontrou nenhuma.
Ao fim de talvez trinta minutos de viagem, a voz de uma das funcionárias do comboio anunciou pelo altifalante que iriam entrar brevemente no Eurotúnel, pelo que as comunicações seriam cortadas com o exterior até saírem de lá.
Severus parecia continuar a dormitar sossegado ao lado dela sem pesadelos. O que era bom, se considerassem que estavam num sítio onde não seria bom explodir com nada. Hermione quase desejou que a viagem fosse mais longa se isso significava que ele podia descansar por pouco que fosse.
Foi poucos minutos depois de se acenderem as luzes interiores do comboio e de eles entrarem no túnel que algo aconteceu.
Hermione tinha regressado ao seu livro, tentado relaxar. Mas as luzes começaram a piscar de forma pareceu apenas uma coisa ligeira, quase imperceptível. Depois começou a ficar pior e várias pessoas se começaram a queixar.
Algures, ouviu-se um ruído estranho, meio abafado pelo barulho do próprio comboio. Seguiram-se outros sons iguais, cada vez mais perto e mais perceptíveis. Explosões.
Os passageiros começaram a agitar-se. Na mesma carruagem viajavam algumas famílias com crianças que já estavam a ficar assustadas.
Hermione não podia julgá-las. Ela mesma procurou instintivamente a mão de Severus. Não a surpreendeu sentir os dedos dele entrelaçarem-se nos seus.
"Severus?"- Hermione sentiu medo. Aquilo não era normal e naquele dia ela estava longe de se sentir inclinada a acreditar em coincidências.
"Mantêm-te calma. Não sabemos o que está lá fora."- Avisou-a Severus em tom controlado.
O comboio não parou mas ouviram-se novas explosões na parte traseira. Alguns clarões de luz puderam ser vislumbrados pelas janelas e retiraram qualquer dúvida a ços estavam a ser lançados. O comboio estava a ser atacado. E não podia ser coincidência.
"Senhores passageiros, daqui fala o maquinista. É pedido que permaneçam nos vossos lugares. Existem alguns problemas no túnel que contamos ver resolvidos nos próximos minutos."
O comboio começou a arrefecer por dentro e a qualquer momento Hermione esperava ver surgirem Dementors às janelas ou dentro do comboio. Como no terceiro ano, quando Sirius tinha escapado e eles tinham feito parar o comboio da escola.
Severus conseguiu sentir o medo dela como se fosse palpável. Puxou-a mais para si e Hermione escondeu o rosto no casaco dele abraçando-o.
Ele sabia que se os perseguidores estavam no encalço deles não iriam parar a menos que encontrassem resistência algures.
Mais explosões continuaram a ouvir-se e a sentir-se na carroçaria. Tudo tremia. Mas olhando melhor para as luzes, Severus percebeu que agora já não vinham apenas de trás. Várias sombras passaram a alta velocidade pelo comboio em sentido contrário e aos poucos as explosões começaram a ficar para trás.
Quando voltaram a dar-se conta estavam a sair do túnel e a luz do sol poente quase os cegou. Já não se ouvia nada de estranho a não ser o ruído normal do comboio novamente. Severus imaginou que o que passara por eles teriam sido os Aurors franceses.
"Senhores passageiros, os problemas já se encontram totalmente ultrapassados. Pedimos desculpa por qualquer incómodo.A próxima paragem será Paris. Aproveitem o resto da viagem. "
"Aproveitem o resto da viagem..."- Resmungou Severus, claramente irritado. Várias outras pessoas seguiram-lhe o exemplo.
O resto da viagem decorreu com Hermione encostada a Severus. O seu livro, esquecido no chão.
"Achas que eram... Eles?"- Perguntou ela em tom muito baixo, para que apenas Severus a pudesse ouvir.
"Muito provável. Mas penso que houve quem lhes fizesse frente, Hermione."
"Os franceses?"
"Humhum. Agora podes relaxar por um pouco, pequena. Por enquanto, estamos a salvo. Já estiveste em França anteriormente?"- Questionou-a Severus, tentanto distraí-la do que acabara de se passar.
"Já, com os meus viemos de avião."
"Falas algum francês?"
"Un peut."- Pronunciou Hermione com sorriso tímido.
"Très bien."- Cumprimentou-a ele, satisfeito.
Saber que em caso de ele lhe falhar ela seria capaz de se desenvencilhar com a língua do país era reconfortante. Porém estava longe de ser o suficiente para ele dormir descansado.
"Para onde iremos quando alcançar-mos Paris, Severus?"- Inquiriu ela, enquanto olhava pela janela para a pouca paisagem que conseguia ver na noite.
" Ainda não sei, pequena. Provavelmente um hotel discreto, enquanto decidimos como continuar."
"Tenho fome."- Não era uma queixa. Nem sequer soou como uma confissão. Era estranho como as palavras por vezes perdiam a sua força. Ela dissera aquilo de uma forma tão apática como se tivesse dito que a janela era de vidro. Era em momentos assim que Severus se preocupava com ela.
"Vamos tratar disso quando chegar-mos. Não é tão tarde que não se encontre um bom restaurante aberto. E eu conheço alguns em Paris. Muggles."
"Já aqui estiveste muitas vezes?"- Quis Hermione saber, parecendo recuperar um mínimo de entusiasmo.
Severus ofereceu-lhe um meio sorriso.
"Durante alguns anos passei aqui as férias de Verão, quando já era professor em Hogwarts. E nos últimos anos... Digamos que passei pela cidade algumas vezes."
" Ao serviço da ordem?"
"Sim, principalmente."- Assumiu ele, com um ligeiro aceno.
Voltaram a ficar em silêncio enquanto viam passar cidades pela janela.
"Senhores passageiros, chegaremos à Gare du Nord nos próximos minutos. Gostaríamos de lhes pedir que saiam com ordem pelas portas mais próximas dos vossos lugares. Obrigado por terem viajado conosco."
Hermione podia ver as luzes de Paris perante os seus olhos e isso quase a impediu de ouvir o maquinista. Severus no entanto tirou-a do pequeno transe em que se encontrava e fez-lhe sinal para se preparar. Apanhou-lhe o livro do chão e entregou-lho.
"Vamos sair discretamente, está bem? Não sabemos quem pode estar na estação."
"Certo."- Assentiu Hermione.
O Eurostar chegou finalmente à Gare com um atraso de 10 minutos. Por sorte era a última viagem do dia, por isso não havia demasiado confusão.
À volta de Hermione e Severus quase todos os passageiros pareceram suspirar de alívio quando o comboio finalmente parou e abriu as portas. Se o motivo não tivesse sido tão sério provavelmente Hermione teria achado piada.
Ambos se ergueram com os outros e Hermione recuperou a bagagem deles antes de Severus lhe pegar pela mão. Ela ajudou-o a descer do comboio e começaram a caminhar pela plantaforma em direcção à saída no meio dos outros passageiros.
Do nada, vários homens começaram a chegar mais perto deles. Tanto Severus como Hermione repararam mas havia muitos muggles à volta para que pudessem fazer alguma coisa. Quando Severus fez menção de levar a mão à manga onde se encontrava a varinha, ambos ouviram o estalido de diversas armas.
"Queiram manter-se calmos, senhores. Queremos apenas fazer-lhes algumas perguntas."- Murmurou um homem de cor à direita de Hermione.
Como se nada fosse, o pequeno grupo seguiu até uma zona mais reservada da Gare du Nord. Onde os esperava um grupo ainda maior.
"Não acredito! É mesmo ele. Lá de cima eu pensei que se tratava de uma alucinação."- Ouviu-se uma exclamação algures no meio do grupo que os aguardava. Um homem afastou-se dos outros e dirigiu-se a eles. Seria talvez pouco mais novo que Severus e vestia-se como um inspector de polícia Muggle. Era alto, louro e usava um bigode farfalhudo mas aparado.- "Por Deus, Severus Snape! És mesmo tu?"
Severus pareceu relaxar ligeiramente se a mão dele na de Hermione era uma indicação.
"É um prazer revê-lo, Inspector Antoine Robspierre." Cumprimentou Severus enquanto enfrentava os homens que os rodeavam com o olhar firme.
