Capítulo XX
~Frustração~
Sakura tentava se recompor após perder sua preciosa carta Clow para aquele amuleto estranho…
No departamento de polícia, foi difícil dizer para Makoto que uma das cartas foi roubada. Sakura ficou cabisbaixa ouvindo a bronca do guardião. Subaru cruzou os braços e Kero não parava de esbravejar e explicar para o superintendente as 1001 razões para as cartas ficarem dentro do cofre:
– Por isso, superintendente, as cartas não vão sair mais daqui! Sakura, entrega as cartas!
Sakura, timidamente, retirava o maço de cartas Clow do bolso. Makoto viu o gesto tímido da cardcaptor e fez um não com as mãos:
– É por isso que eu acho que as cartas devem ficar com você, Sakura, não aqui no cofre…
– Hoe?
– As cartas são seres vivos, com alma e vontade, com certeza elas gostariam de ficar com você…
– Tem certeza.
Makoto fez som com a cabeça para desagrado de Kero. Kero disse furiosamente:
– Mas, Superintendente…
– Kero, esse negócio de magia é uma tremenda loucura para as pessoas normais, inclusive esse meu gesto de falar com um boneco voador… – Makoto sorriu e Kero cruzou os braços fechando a cara. – Por isso, eu acredito que a carta apagar vai voltar pras mãos de Sakura, não importa o que aconteça, são as cartas Sakura, não são?
Kero concordou e os três foram ao parque respirar um pouco.
Conversando no parque, Subaru trazia um algodão-doce para animar uma triste Sakura, inconformada pela perda da carta querida. Sakura estava muito triste com o ocorrido e desejava o mais rápido possível encarar os malditos chineses que tomaram a carta e descobrir as propriedades do estranho amuleto:
– Você viu, Subaru, aquela coisa me enganou, flutuou no ar e simplesmente sugou minha carta! Ela sabia o que estava fazendo, Subaru, simplesmente sabia! – Disse Sakura, arrancando o algodão das mãos do amigo, dando uma mordida raivosa.
– Sakura, a gente nunca sabe o que vai acontecer, a gente só vive. Com certeza as cartas são importantes pra eles também, ela deve estar bem agora…
– Minha carta, Subaru, que tanto custou pra capturar, pra transformar…
– É por isso, Sakura, que você tem que tirar o traseiro desse banco e ir atrás dela; sentir a presença dela é a coisa mais básica! – Disse Kero.
Estressada, Sakura esbravejou:
– Mas é exatamente isso, Kero-chan que eu estou fazendo! Eu não sinto a presença de nada!
Quando os dois estavam a ponto de começar uma guerra, Subaru interveio:
– Ora vocês dois, acalmem-se! Se Sakura não sente a presença, eles devem ter mecanismos pra ocultar a presença da carta…
– Você deve ter razão, Subaru… vamos esperar então…
Nesse instante, o celular toca. Era Makoto.
Sakura atendeu a ligação de Makoto, colocou no viva-voz e ele disse:
– Pessoal, tenho uma coisa importante pra informar pra vocês; há alguns dias três pessoas foram assassinadas no metrô de Osaka. Todo mundo soube do caso e vocês também, mas pedi pra que transferissem o caso pro nosso departamento. Isso porque, soube que as três pessoas eram portadoras de poderes especiais com as nossas investigações feitas sobre o passado deles.
– Poderes especiais? – Perguntou Subaru.
– Sim, como a Sayuri, mas não eram telecinéticos, dois manipulavam elementais e o outro era médium. Seus nomes eram Aiko, Goro e Katsuo Daisuke. Os três eram irmãos…
– O senhor disse que os três eram irmãos? – Perguntou Sakura.
– Sim, e os três foram assassinados na linha Midousuji, a linha vermelha. Quero que a Sakura use o que aprendeu com a mediunidade e descubra algo sobre isso… suspeito que tenha ligação com a organização chinesa…
– Makoto-san, eu não acho que tenha ligação, tem com toda certeza! – Disse Kero
– Por isso eu peço pra investigarem. Posso contar com vocês?
– Sim, claro que sim. – Disse Sakura.
– Kero, Subaru, protejam a Sakura, está bem? Nada de brigar ou ficar estressado!
Makoto finalizou a ligação e os três foram a linha vermelha Midousuji. Makoto, inconscientemente, sabia o que tinha acontecido com aqueles três naquela tarde no parque.
Chegando no metrô, as pessoas iam e vinham como em um formigueiro cheio de formigas de cabeças pretas, fazendo Kero se esconder na bolsa de Subaru. Subaru e Sakura perguntaram aos agentes do metrô o vagão onde tinha acontecido os assassinatos. Como eram policiais, não pagaram nada pra viajar. Os três esperaram ao lado dos outros cidadãos comuns pela vinda do trem e embarcaram logo que ele chegou, impulsionados pela pressa das pessoas. Sem lugares vazios, Sakura e Subaru agarraram um dos postes e ficaram em silêncio por um tempo.
Aquele movimento e aquele silêncio fez voltar para a cabeça de Sakura o sumiço da carta apagar. A forma como a carta apagar tinha sido tirada de si, sugada do nada, para algum lugar que desconhecia aonde era foi traumático. Aquela pedra de jade negro com o kanji em branco onde se lia claramente "Li". O que significava tudo aquilo? Sakura não sabia responder Só sabia que precisava ficar esperta com aquele tipo de coisa, com aquele amuleto esquisito que subtraiu dela algo muito precioso.
Por hora, tinha que ter em mente aquilo que Subaru estava lhe dizendo:
– Sakura, saiba que, agora que sua mediunidade está boa, você pode se comunicar com pessoas vivas, animais, plantas, amuletos e objetos…
– Só não fantasmas por enquanto Subaru-kun, não quero saber nadinha deles… – Disse Sakura, fazendo não com as mãos.
– Alguma hora você vai precisar falar com eles, Sakura.
– Hoe! Não tem como fugir disso?
– Não quando estamos lidando com assassinatos, mas vou te passar uma coisa simples agora… já ouviu falar de pré-cognição?
– Pré-cognição?
