–Zoey? Estás bem? –perguntou Alisha, baixinho, pela frecha que abrira da porta.
–Não! Vai-te embora!
–Desculpa –murmurou, fechando a porta e saindo.
Aquilo era tão injusto! Odiava-os, a ambos, embora o meu ódio fosse maior em relação a John, a atitude da minha mãe em relação a isso era terrível.
Mas se eu os odiava, porque seria que eles continuavam a conseguir pôr-me assim?
Era completamente anormal continuar a sofrer por alguém que odiava, continuar a sofrer com atitudes que já previa, e com as quais nem me devia importar.
Encostei a cabeça à almofada e continuei a chorar, simplesmente não queria pensar, porque os pensamentos me faziam agonizar.
Fiquei para ali, pelo menos mais meia hora, até voltarem a bater à porta.
–Vai-te embora Alisha! –gritei.
–Porque é que estás chateada com ela? –perguntou uma voz, já muito conhecida, de trás da porta.
–Avó?! –perguntei, esquecendo completamente a razão pela qual estava a chorar.
Ela abriu a porta, e sorriu.
–Olá u-we-tsi a-ge-hu-tsa.
–Olá avó!
–Muitos parabéns querida.
–Obrigada avó.
–O que é que tens? Ultimamente andas com problemas a mais querida, porque é que não falas com alguém?
–Porque não posso, os meus problemas são demasiado grandes para eu poder falar com alguém.
–Podes falar comigo.
–Eu sei –murmurei –Mas está tudo errado, a Stevie Rae foi-se, os meus amigos deixaram de me falar e agora a minha mãe anda presa que nem um cachorrinho ao Heffer!
–Ela sempre andou.
–Não, agora é pior, sabes o que é que ela tem?
–Não, não tenho falado com ela, aquele homem –sim, ela disse homem, mas parecia que estava a falar de uma ratazana – Proibiu-a, ou deve ter proibido, porque nunca mais consegui falar com ela. Mas o que é que tem de tão diferente?
–Avó, ele bateu-lhe.
Ela arregalou os olhos, tanto que tive medo que lhe saltassem, e depois semicerrou-os, e a surpresa deu lugar a uma raiva fugaz.
–Ele fez o quê? –sibilou.
–Bateu-lhe, no parque de estacionamento.
A avó fungou.
–Aquela coisa.
Não pude evitar rir-me, nunca vira a avó tão furiosa, e o nome que lhe dera era ainda mais estranho, no entanto o meu riso foi gelado, porque dentro de mim fluía a mesma raiva.
–Não tem outro nome –esclareceu ela, sorrindo novamente e voltando ao normal.
–Pois não –concordei.
–E eu que pensava que a tinha educado como deve ser, para que fosse livre e independente.
–E ela era, mas ele tornou-a numa pequena escrava, um cliché que ele tem de levar aos jantares…
–Eu e a tua mãe temos de conversar. –afirmou –Ela mudou, mudou demasiado, e eu tenho de acorda-la, a culpa é minha se isto deu para o torto.
–O quê? Avó, a culpa não é tua, ela é demasiado fraca.
–Isso quer dizer que eu a tornei fraca.
–Não, isso quer dizer que ela é uma pessoa fraca, quando o meu pau a deixou, ela deve ter ficado mais fraca, e o John levou-a a fazer coisas que ela não quereria antes.
Ela sorriu-me.
–Obrigada Zoey, é muito simpático da tua parte dizeres isso, mas nada pode mudar o que EU fiz.
–Não fizeste nada avó, nunca fizeste nada, tu és perfeita, ela não é, e ninguém pode fazer nada.
Deixamo-nos ficar em silêncio por uns instantes.
–Bem, deixas-te os teus amigos demasiado tempo à espera, então anda, vamos lá para baixo!
Segui-a pelas escadas abaixo.
Alisha, Luke e Jason estavam lá em baixo, com uma expressão preocupada.
Sorri-lhes e eles descontraíram.
–Não vou deixar que isto estrague o meu aniversário.
–Oh, claro que não, não depois do trabalho que eu tive a escolher um restaurante decente aqui perto! –afirmou Elen.
–Restaurante? –perguntei.
–Sim –confirmou Alisha –Ou achas que íamos comer à cantina.
–Sabes que não podemos ficar muito longe dos vampes por muito tempo…
–Oh! –encolheu os ombros –Só lá vamos ficar três ou quatro horas! Vai ser mesmo giro!
"Pois, talvez seja…" pensei.