"Bom dia." Sebastian murmurou, beijando minha bochecha suavemente com um sorriso.
Eu preferi dormir ontem à noite, já que hoje era sábado e eu poderia dormir até umas nove horas da manhã. No entanto, Sebastian não o fez. Ele diz que nos deixa indefesos e é perda de tempo. Do jeito que ele fala parece que ele realiza tarefas muito importantes enquanto durmo. Mas já acordei e encontrei-o me encarando mais de uma vez.
"Bom dia." Respondi baixo, pressionando meu rosto a seu peito enquanto ele corria os dedos por meu cabelo.
"O que vai querer de desjejum?"
Estiquei minhas pernas, tremendo levemente ao me espreguiçar antes de mandar-lhe um olhar curioso.
"Desde quando você pergunta o que eu quero de café?"
"Desde que você tenha se comportado bem." Disse com um tom de divertimento na voz antes de me beijar.
Senti a ponta de seus dentes no meu lábio inferior, gentilmente puxando-o, seus dedos fazendo um caminho pelo lado de minha barriga, embaixo de meu braço. Tive de segurar o riso, sou mais 'sensível' ali. Separei nossas bocas e olhei feio para ele.
"Maldito." Falei baixo, vendo um sorriso brincalhão nascer em seus lábios.
Sebastian beijou minha bochecha mais uma vez antes de se levantar. Corei bruscamente ao vê-lo sem as cobertas, já que esse pervertido estava completamente nu.
"Não tem vergonha?"
"Por que teria? O Jovem Mestre já me disse varias vezes que sou lindo e odeia me ver com roupas. E, sem falar que, você também esta nu, Ciel."
Fiz um pequeno 'tsc' e virei meu rosto vermelho, ignorando-o. Era verdade. E eu odeio quando ele esta certo.
"Vai tomar banho?" Perguntei ao vê-lo abrir a porta do banheiro e fazendo-o se virar para olhar para mim.
"Sim, Jovem Mestre."
"Então me espere, seu idiota, que eu vou tomar banho junto com você. Estou todo sujo e melado também." Bufei e me levantei, tentando ignorar o fato de estar nu e os olhos dele estarem em mim.
Sebastian sorriu e estendeu a mão para mim, fazendo-me olhar para outro lado, sentindo meu rosto esquentar um pouco ao pegar a mão dele.
No entanto, um som não muito másculo deixou minha garganta ao senti-lo me puxar para perto e, antes que eu pudesse perceber, eu estava em seus braços.
"Ei! Seu maldito! Ponha-me no chão!"
Ele riu e beijou-me gentilmente, acariciando o lado do meu rosto, me fazendo acalmar imediatamente.
"Vamos, Jovem Mestre, vamos tomar um banho."
–
"Sebastian, viu meu tapa olho?" Perguntei para ele, que estava no banheiro enxugando o cabelo em frente ao espelho.
"Acredito que está no chão perto ou embaixo da cama, Jovem Mestre. Perdão, eu irei pegar agora mesmo." Ele disse gentilmente, já saindo do banheiro.
"Não precisa, eu mesmo pego."
Ele saiu do banheiro e se apoiou na porta, me olhando enquanto eu me aproximava dele com meu tapa olho na mão, parando na frente dele.
"Pode dar o nó para mim?"
"Será um prazer." Ele sorriu e eu me virei, entregando-lhe a peça.
Senti a seda no meu olho direito, tampando-o. Suas mãos gentilmente roçaram minha bochecha antes de moverem para a parte de trás da minha cabeça e, em poucos segundos, já estava feito.
Não é que eu não sabia como dar nós. Havia aprendido há... Cinqüenta anos, acredito. Mas é um ritual que eu gosto de fazer. Pode ser um gesto simples, mas mesmo assim eu gosto.
Um beijo foi colocado na lateral do meu pescoço e eu sorri, inclinando-me levemente para trás para que minhas costas estivessem contra seu peito não vestido. E funcionou perfeitamente, que nossas alturas não estavam assim tão diferentes já que eu estava em minha forma de 17 anos desde depois do banho.
"Não vai vestir uma camisa?" Falei brincalhão, deitando minha cabeça em seu ombro.
"Talvez não."
Ri baixo, cruzando meus braços e estreitando meus olhos de modo acusador.
"Por mais que Alois seja meu amigo, nunca fui de dividir."
Agora, ele deixou um riso rouco escapar, beijando-me brevemente.
"Esta de bom humor hoje." Comentou, retirando alguns fios de cabelo do meu olho.
"Não tenho motivos para não estar."
"Deveria ter. Afinal de contas, Alois deve perguntar a você sobre seus gritos de ontem à noite."
"A culpa foi sua. Ainda tem lugares na minha pele que ainda estão roxos." Dei de ombros, mas meu rosto estava meio avermelhado.
"Como aqui?" Senti a ponta de seu indicador cutucar a parte de trás do meu pescoço e arregalei meus olhos.
Achei que estava tudo escondido!
Ele riu, percebendo também que eu havia me esquecido dali.
–
"Alois, sou eu." Bati na porta de leve antes de entrar, vendo-o acabando de colocar uma camisa amarela.
"Bom dia!" Ele disse alegremente, andando até a mim para me abraçar.
"Bom dia." Respondi com um leve sorriso, o cheiro da colônia refrescante dele penetrar minhas narinas.
"Perfume novo?"
"Ah, sim. Foi Claude que me deu." Ele falou com um sorriso tímido, um leve tom de vermelho em suas bochechas.
"Entendo. Então, vamos tomar café?"
"Claro. Mas antes... O que infernos aconteceu ontem? Porque, wow, estou aqui há apenas alguns dias mas nunca ouvi você gritar daquele jeito."
Seu rosto ficou vermelho e o meu também. A única diferença seria que o meu ficou muito mais que o dele.
"Cale a boca. Não aconteceu nada de mais. Sebastian só foi mais... Apaixonante."
"... Sexo de reconciliação?"
"Recuso-me a responder isso."
"Eu sabia."
–
Após um farto desjejum, nos estávamos no sofá. Sebastian sentado, lendo, e eu do lado dele, com a cabeça em seu ombro, e Alois deitado com a cabeça no meu colo assistindo televisão. O sofá é grande.
"Tem alguém na porta." Murmurei e Sebastian assentiu, retirando os olhos de seu livro momentaneamente. Poucos segundos depois, o som da campainha veio.
"Eu atendo." Disse gentilmente, apertando o joelho dele e o ombro de Alois para que ele levantasse.
Abri a porta de casa e dei de cara com dois policiais civis da guarda inglesa, fazendo-me arquear as sobrancelhas.
"Desculpe incomodar, menino-"
"Não sou 'menino' algum." Bufei, encarando os dois feios, fazendo-os trocar um olhar nervoso.
"Sim, perdão. Mas recebemos uma denúncia que um menor de idade esta sendo mantido aqui."
"E se estiver?"
"Temos que retorná-lo para o guardião legal, o pai dele."
Grunhi em raiva e esfreguei as têmporas. Antigamente os guardas tinham mais respeito por mim. Vir até minha casa para me falar isso? Tch.
"Em primeiro lugar, não podem retorná-lo para o pai porque ele não é um objeto para ser retornado. Segundo, se tentarem encostar um dedo se quer nele para colorem-no perto daquele ser novamente, eu mesmo vou me assegurar que se arrependam do dia que nasceram."
Respirei profundamente para me acalmar. Não posso deixar minhas emoções saírem do controle assim. Se meus chifres aparecerem vai ajudar, mas não quero ter que explicá-las para os vizinhos.
"Vocês pelo menos sabem quem eu sou?"
"N-não, mas-"
"Ciel Phantomhive."
Assisti com um sorriso vitorioso a cor desaparecer de seus rostos.
"Senhor Phantomhive! Não vai acontecer de novo!"
E eles rapidamente foram embora.
Nada como ser próximo a Rainha.
Fechei a porta e suspirei antes de voltar para a sala, encontrando Alois na posição em que eu estava antes no ombro de Sebastian, conversando com ele.
"Não posso sair nem por um minuto e vocês já vão por trás de minhas costas?" Disse com um tom leve de divertimento.
Andei até eles e dei um leve tapa na cabeça de Alois para retomar meu lugar e voltamos todos a nossas posições originais.
"Quem era?" Alois perguntou educadamente, olhando para cima para me encarar.
"Umas meninas vendendo biscoitos."
"Oh."
Levei minha mão à cabeça de Alois, acariciando seus fios de cabelo dourado.
"Eu estava comentando com Sebastian que eu deveria ajudar vocês de algum jeito. Nas contas ou outra coisa... Vocês fizeram muito por mim, seria o mínimo que eu poderia fazer."
Arqueei minhas sobrancelhas novamente, escutando-o atentamente.
"Sebastian falou que não é necessário, mas mesmo assim. Posso conseguir um emprego de meio turno e-"
"Alois, Sebastian leu minha mente, não é necessário."
"Mas-"
"Sem 'mas' e ponto."
Menino bobo. Dinheiro é a menor de minhas preocupações. A companhia Funtom funciona até hoje. Em 1950, um dos descendentes de Tanaka se apresentou e reabrimos as fábricas.
Hoje, o filho... Ou o neto dele toma conta e eu recebo 50% de todos os lucros. Digamos que, em um mês ruim, eu recebo 200.000 libras.
É um bom negócio até hoje.
"Ciel, por favor."
"Alois, de verdade. Não é nem um pouco necessário. Confie em mim." Disse enquanto tirava a franja de seus olhos, ação visivelmente acalmando-o.
"Se fizer se sentir melhor, pode me ajudar a fazer a janta todos os dias." Sebastian falou, olhando para ele com um leve sorriso e apertando meu ombro gentilmente.
"Seria ótimo!"
Dei um beijo na bochecha de Sebastian, apreciando o gesto dele.
"Vocês são lindos juntos." Alois comentou, sorrindo para nos dois, suas palavras fazendo um leve vermelho aparecer no meu rosto.
"Concordo." Sebastian riu, refazendo meu próprio gesto em mim.
"Será que..." Alois começou, virando-se de novo para a televisão com o rosto corado.
"Você e Claude também." Disse, cutucando de leve sua bochecha, sabendo que ele queria ouvir isso.
"Falando nisso... Ah, ele me chamou para sair com ele hoje à noite."
"Quero você em casa as onze e trinta em ponto." Falei seriamente, encarando a televisão para evitar mais discussão no tópico.
"É só que... Eu estava esperando que eu e ele... Você sabe..." O rosto dele foi ficando mais vermelho e eu ouvi Sebastian rir baixo ao meu lado. Como ele pode rir?!
"Entregarei um celular para você, leve e nos mantenha informados se esta tudo bem. Volte quando quiser." Sebastian sorriu e eu olhei feio para ele. Passando por cima das minhas palavras!
"Obrigado Sebastian!"
Suspirei e rolei meus olhos. Esses dois idiotas só me dão dor de cabeça.
