CAPÍTULO VINTE E UM

Sasuke e eu não nos falamos depois disso. Mas todas as tardes, depois do trabalho, ele estava lá, esperando do outro lado da rua. Ele estava me olhando por debaixo da aba de seu boné de beisebol. Pronto para me seguir até em casa com segurança. Isso me irritava, mas de nenhuma maneira me senti ameaçada. Eu o ignorei por três dias, enquanto ele me seguia. Hoje foi o dia de número quatro. Ele havia trocado sua calça jeans preta habituais por uma azul, botas por tênis. Mesmo à distância, o lábio superior e o nariz pareciam machucados. Os paparazzi ainda não tinham dado sinal de vida, embora hoje alguém tivesse me perguntado se ele estava na cidade. Seus dias de desconhecido por Portland estava chegando ao fim.

Quando eu simplesmente não o ignorei como por meu modus operandi habitual, ele deu um passo adiante. Depois parou. Um caminhão passou entre nós, entre um fluxo constante de tráfego. Isso era uma loucura. Por que ele ainda está aqui? Por que ele não apenas voltou para a Hinata dele? Encontrá-la era impossível com ele aqui.

Decisão tomada, eu corri durante a próxima pausa no trânsito, encontrando-o na calçada oposta.

— O que você está fazendo aqui, Sasuke?

Ele enfiou as mãos nos bolsos, olhou em volta. — Eu vou te acompanhar até sua casa. O mesmo que eu faço todos os dias.

— Esta é a sua vida agora?

— Acho que sim.

— Huh. — Eu disse, resumindo a situação. — Por que você não volta para LA?

Os olhos escuros me observavam com cautela e ele não respondeu à primeira vista. — Minha esposa vive em Portland.

Meu coração falhou. A simplicidade da declaração e da sinceridade em seus olhos me pegou desprevenida. Eu não era tão imune a ele como eu desejava ser. — Não podemos continuar fazendo isso.

Ele estudou a rua, não eu, com os ombros curvados. — Você vai andar comigo, Sah?

Eu balancei a cabeça. Caminhamos. Nenhum de nós corremos, ao invés disso passeamos entre as lojas e restaurantes antigos, olhando bares apenas abrindo para a noite. Eu tinha um sentimento ruim que uma vez que parássemos de andar, teríamos que começar a falar, por isso simplesmente andar parecia excelente. As noites de verão significava que havia um bom número de pessoas ao redor.

Um bar irlandês estava em um canto da rua sob uma casa pela metade. A música soou alguma velha canção de The White Stripes. Com as mãos ainda enfiadas nos bolsos, Sasuke fez um gesto em direção ao bar com um cotovelo. — Quer tomar uma bebida?

Levei um momento para encontrar a minha voz. — Sim.

Ele me levou direto para uma mesa na parte de trás, longe da multidão crescente de consumidores do pós-trabalho.

Ele pediu ao garçom duas garrafas de Guinness. Uma vez que elas chegaram, nós nos sentamos em silêncio, bebendo.

Depois de um momento, Sasuke tirou o boné e o colocou sobre a mesa. Droga. Seu rosto estava uma merda. Eu podia vê-lo mais claramente agora, e parecia que ele tinha duas bolsas negras de baixo dos olhos.

Ficamos ali sentados olhando um para o outro em algum tipo de impasse bizarro. Nenhum de nós falou. A maneira como ele olhou para mim, como se ele tivesse sido ferido também, como ele estivesse sofrendo.

Toda esta situação e confusão que se arrastava entre nós só estava prejudicando a nós dois.

Novo plano, daríamos um fim nesta situação toda, para cada um seguir com sua respectiva vida. Não haveria mais dor e sofrimento. — Você quer falar sobre ela? — Eu solicitei, sentando-me mais reta, me preparando para o pior.

— Sim. Hinata e eu ficamos juntos há muito tempo. Você provavelmente já sabe, ela era a pessoa que me traiu. A que nós falamos.

Eu balancei a cabeça.

— Nós começamos a banda quando eu tinha quatorze anos, Naruto, Itachi e eu. Neji se juntou um ano mais tarde e ela se pendurou ao redor também. Eles eram como minha família. — Disse ele, a testa franzida. — Eles são minha família. Mesmo quando as coisas iam mal eu não podia simplesmente virar as costas para ela...

— Você a beijou.

Ele suspirou. — Não, ela me beijou. Hinata e eu terminamos.

— Parece que ela não sabe disso então.

— Ela se mudou para Nova York, já não trabalha para a banda. Eu não sei porque ela telefonou, mas eu não vou retornar.

Eu balancei a cabeça, apenas um pouco apaziguada.

Nossos problemas não eram tão claros. — Será que o seu coração entende que você terminou com ela? Melhor, será que sua cabeça aceitou isso?

— Hinata e eu terminamos há muito tempo. Eu juro.

— Mesmo se isso for verdade, eu só fui um prêmio de consolação? Sua tentativa de ter uma vida normal?

— Sah, não. Isso não é verdade.

— Você tem certeza disso? — Eu perguntei, incrédula e com a boca amarga. Peguei minha cerveja, engoli a cerveja escura de espuma cremosa. Algo para acalmar os nervos. — Eu esperava mais de você. — Eu disse, minha voz baixa. — Um mês. Eu realmente não desisti de você até o sétimo dia, foi ai que percebi que você não viria. Porque se eu tivesse sido tão importante para você, você teria dito algo até então, certo? Quero dizer, você sabia que eu estava apaixonada por você.

Ele não disse nada.

— Você é cheio de segredos e mentiras, Sasuke. Lembra-se que eu perguntei sobre os brincos?

Ele acenou com a cabeça.

— Você mentiu.

— Sim. Sinto muito.

— Você fez isso antes ou depois de nossa regra de honestidade? Eu não me lembro. Foi definitivamente após a regra da traição, certo? — Conversar foi um erro. Todos os pensamentos e emoções me atingiram com força.

Ele não se dignou a responder.

— Qual é a história por trás dos brincos, afinal?

— Eu os comprei com o meu primeiro salário após o contrato que nós assumimos com a empresa.

— Uau. E ambos usavam todo esse tempo. Mesmo depois que ela te traiu e tudo mais.

— Foi Itachi. — Disse ele. — Ela me traiu com o Itachi.

Puta merda, seu próprio irmão. Tantas coisas se encaixaram com essa peça de informação. — É por isso que você ficou tão chateado por encontrá-lo com a groupie. E quando você viu Itachi falando comigo naquela festa.

— Sim. Foi tudo um tempo atrás, mas... Itachi voou de volta para uma aparição em um programa de TV. Estávamos no meio de uma grande turnê, tocando na Espanha na época. O segundo álbum tinha acabado de bater o top teen. Finalmente estávamos realmente puxando as multidões.

— Então, você o perdoou para manter a banda juntos?

— Não. Não exatamente. Eu acabei com as coisas. Mesmo naquela época. Itachi estava bebendo demais. Ele havia mudado. — Ele lambeu os lábios, estudou a mesa. — Eu sinto muito por aquela noite. Fodi tudo muito mais do que eu posso dizer... Eu sei como deve ter parecido. E eu me odiava por ter mentido para você sobre o brinco, e ainda usá-lo em Monterey.

Ele tocou em sua orelha em aborrecimento. Havia ainda uma ferida visível lá com pele rosada quase curada em torno dele. Não se parecia com um buraco de brinco desaparecendo.

— O que você fez? — Perguntei.

— Cortei através dele com uma faca. — Ele encolheu os ombros. — Um buraco de brinco leva anos para fechar. Fiz um novo corte quando o tirei para que ele pudesse curar corretamente.

— Oh.

— Eu esperei para vir falar com você porque eu precisava de um tempo. Você sair de perto de mim depois que você prometeu que não ir... era difícil de aceitar.

— Eu não tinha outra escolha.

Ele se inclinou para mim, seus olhos duros. — Você tinha uma escolha.

— Eu tinha acabado de ver meu marido beijando outra mulher. E então você se recusou a sequer discutir o assunto comigo. Você só começou a gritar comigo para. Mais uma vez. — Minhas mãos agarraram a borda da mesa com tanta força que eu podia sentir minhas unhas pressionando na madeira. — O que diabos eu deveria ter feito, Sasuke? Me diz.

Porque eu joguei aquela cena na minha cabeça tantas vezes e ela sempre funciona da mesma forma, com você batendo a porta atrás de mim.

— Merda. — Ele caiu para trás em sua cadeira. — Você sabia que você sair foi um problema para mim. Você deveria ter ficado comigo, me dado uma chance para me acalmar. Nós trabalhamos isso em Monterey depois da briga no bar. Nós poderíamos ter feito isso de novo.

— Sexo não resolve tudo. Às vezes, você realmente tem que falar.

— Tentei falar com você na outra noite naquele clube. Não era o que estava em sua mente.

Eu podia sentir meu rosto esquentar. Ele só me irritou ainda mais.

— Foda-se. Olhe. — Disse ele, esfregando a parte de trás do seu pescoço. — A coisa é, eu precisava nos olhar diretamente na minha cabeça, ok? Eu precisava descobrir se nós estivermos juntos era a coisa certa. Honestamente, Sah, eu não queria machucá-la novamente.

— Você tem nos visto diretamente na sua cabeça? Isso é ótimo. Eu gostaria de poder fazer o mesmo. — Eu parei balbuciando a tempo suficiente para beber mais cerveja. Minha garganta estava parecendo uma lixa.

Ele manteve-se completamente imóvel, observando-me quebrar e queimar com uma estranha calma.

— Será que você disse tudo que queria falar?

— Não.

— Não? Há mais? — Por favor, Deus, não deixe que haja mais.

— Sim.

— Fique à vontade.

— Eu te amo.

Eu cuspi cerveja sobre a mesa. — Merda.

— Eu vou pegar alguns guardanapos. — Disse ele, erguendo-se da cadeira. Um momento depois, ele estava de volta. Fiquei ali, imóvel, enquanto ele limpava o meu braço e, em seguida, a mesa. Cuidadosamente, ele puxou meu lugar, me ergueu e conduziu-me para fora do bar. O barulho do trânsito e correria do ar da cidade limpou os meus sentidos. Eu tinha espaço para pensar.

Imediatamente meus pés se moveram. Eles sabiam o que estava acontecendo. Minhas botas pisaram na calçada, colocando distância entre nós. Ficando longe dele e o que ele tinha dito. Sasuke ficou bem em meus calcanhares, no entanto.

Paramos em uma esquina e eu apertei o botão, esperando que a luz voltasse. — Não diga isso de novo.

— É uma surpresa, realmente? Por que diabos mais eu poderia estar fazendo isso? É claro que eu te amo.

— Não faça isso. — Eu virei para ele, o rosto furioso. Seus lábios formaram uma linha apertada. — Tudo bem. Eu não vou dizer isso de novo. Por enquanto. Mas devemos conversar um pouco mais.

Rosnei rangendo os dentes.

— Sah.

Porcaria. Negociar não era o meu forte. Não com ele. Eu queria que ele se fosse. Ou, pelo menos, eu estava certo de que eu queria que ele fosse. Longe para que eu pudesse retomar o meu luto por ele e nós e tudo o que poderíamos ter sido. Longe então eu não tenho que pensar sobre o fato de que agora ele achava que ele me amava. Toda essa merda de sentimentos e declaração fez meus canais lacrimais quererem vir à tona. Tomei respirações profundas tentando me controlar.

— Mais tarde, hoje não. — Disse ele, com uma voz afável, razoável.

Eu não confiaria nele.

Eu caminhei outro bloco com ele pendurado ao meu lado até que novamente a travessia nos parou, deixando espaço para conversa. Era melhor não falar. Pelo menos não até que eu tenha colocado tudo isso junto e processado.

Arrumei minha saia lápis. A luz demorou uma eternidade. Desde quando Portland se virou contra mim? Isso não era justo.

— Nós não terminamos. — Disse ele. Parecia tanto uma ameaça e uma promessa.

CONTINUA

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Boa Noite borboletinhas!

Um obrigado especial a Nega Uchiha, Mel Itaik e Hetel pelos comentários. Capítulo dedicado a vcs lindas pelo carinho.

Beijos e até logo.