Capítulo vinte

N as duas semanas que se seguiram, Bella fez todo o possível para deixar o marido feliz. Distraiu-o sempre que pôde, preencheu os buracos do dia dele com a sua companhia. Tentou fazê-lo conversar sobre o que sentia, mas Edward não era o tipo de homem que fala sobre coisas assim. Ela fez amor com ele, o fez sorrir e, algumas vezes, até rir. Mas, por mais que fizesse ou se esforçasse, a sua culpa e a melancolia dele pairavam sobre a vida dos dois como uma nuvem cinzenta que ia crescendo, ficando mais escura e mais pesada a cada dia que passava.

No café-da-manhã, ela o observava ler as cartas de seus colegas do corpo diplomático e percebia como ele sentia falta da sua vida de antes. Ela o ouvia com atenção nas raras vezes em que ele falava de assuntos diplomáticos e percebia a saudade na voz dele. Edward tentava fazer de conta que não se importava de não ser mais parte dessas questões, mas ela sabia muito bem que não era verdade, e isso lhe partia o coração.

Ele recebia jornais de toda a Europa pelo correio e os lia todos os dias. A maioria dos que vinham da Europa continental chegavam a Devonshire com semanas de atraso, mas Edward lia tudo o que havia neles com toda a atenção, e vê-lo fazer isso era quase intolerável. Ao lhe tirar sem querer o trabalho diplomático, Bella simplesmente não percebera a profundidade da ferida que a sua ação lhe infligira, mas agora compreendia muito bem. Sabia que tinha de endireitar as coisas, mas não imaginava como. Eles estavam casados há pouco mais de duas semanas apenas quando ela pensou que talvez a oportunidade que esperava havia chegado.

-A visita do seu pai está quase no fim - Edward lhe disse durante o café-da-manhã, enquanto lia uma carta de Lorde Stanton. – Ele volta a Bolgheri dentro de uma semana.

Bella ficou como que paralisada, com a faca e o garfo suspensos sobre o prato.

Ele vai embora em uma semana?

Nove dias a partir de hoje, segundo me informou Stanton. Com uma clareza súbita, Bella soube exatamente o que tinha que fazer. Logo depois do café-da-manhã, ela escreveu uma carta a seu pai, foi até Honiton sob o pretexto de fazer compras e a enviou por mensageiro expresso. Enquanto o homem se afastava a galope pela rua principal de Honiton para levar a sua carta a Londres, Bella o ficou observando ir embora e fez o que sempre fazia quando queria alguma coisa impossível: cruzou os dedos e rezou.

-Permita que Charlie me receba - sussurrou ela —, e permita que ele, pelo menos uma vez na vida, se comporte como um pai e não como um príncipe.

Três dias depois, a primeira parte da oração de Bella foi respondida. Edward, porém, ameaçava arruinar os planos dela antes de eles poderem dar algum fruto.

-Você não vai vê-lo - disse ele, pousando a faca e o garfo e olhando bravo para ela, do outro lado da mesa, enquanto os dois tomavam o café-da-manhã.

Ele exige que eu vá - respondeu ela, inclinando a cabeça para que Edward não visse o seu rosto. Ela fez de conta que estava lendo a carta que tinha nas mãos. - O conde Trevani diz que Charlie quer me ver uma última vez antes de ir embora.

O único que tem o direito de exigir qualquer coisa de você agora é o seu marido, e eu digo que você não vai. Por que você iria, depois da forma abominável como ele a tratou?

Eu acho que deveria vê-lo - disse ela, escolhendo as palavras com cuidado. - Afinal de contas, eu provavelmente nunca mais vou vê-lo. - Ela bateu a carta contra a boca, fazendo de conta que estava pensando no assunto, e fez um gesto afirmativo com a cabeça.

-Sim, acho que deveria ir. Quero ir.

-Quer mesmo? - Ele olhou para ela, desconfiado. - Por quê, em nome de Deus?

Ela sorriu, tentando ser irreverente.

-Vai me permitir mostrar pela última vez que não dou a menor importância para ele. Isso é uma tentação irresistível.

O marido não pareceu impressionado com esse argumento, e ela ficou séria.

Edward, quero ir - disse ela com determinação. - De verdade. Quero vê-lo.

Não imagino por quê.

Ela deu a ele a resposta mais verdadeira possível.

-Eu tenho uma vida nova, e quero deixar a velha para trás.

-Ela se inclinou e pôs a mão sobre a dele. - Se eu não fizer isso,
sempre vou me sentir mal em relação a ele.

-Ê tão importante assim para você?

Ela olhou o marido, o homem que ela ainda achava um mistério fascinante e inebriante, o homem cuja felicidade ela queria mais do que qualquer outra coisa, o homem que ela amava.

-Sim, Edward - disse baixinho. - E importante assim.

Ele fez os arranjos com Dylan para que ficassem hospedados na casa de Portman Square. Quatro dias depois de receber a convocação de Charlie, os dois chegaram a Londres e, no dia seguinte, Edward a escoltou para a sua audiência com o pai.

O príncipe e o séquito dele ocupavam um conjunto enorme de suítes em frente a Whitehall, onde ficava a maioria dos hóspedes reais da Coroa Britânica em visitas de estado. Edward insistiu em acompanhá-la na audiência, e quando eles chegaram, foram levados para uma antecâmara dourada e branca, onde receberam instruções para esperar até que o ministro do pai dela, o conde Trevani, viesse buscá-la.

Não há necessidade de você ficar aqui - disse ela a Edward, sentando-se em um banco acolchoado de veludo. - Charlie não vai permitir que você esteja presente na audiência, e você ficaria sentado aqui sabe Deus por quanto tempo. Por que você não vai para o seu clube? Ou, melhor ainda, vá visitar os seus colegas em Whitehall. Você vai ficar sabendo das últimas novidades.

Talvez eu cruze a rua e vá ver Stanton. Ele provavelmente está no escritório a esta hora do dia.

Ótima idéia! Deixe-me com a carruagem, e você pode ficar com o seu amigo quanto tempo quiser. Eu encontro você mais tarde em Portman Square.

Edward não precisava de mais persuasão. Bella o observou sair pelas portas, e uma ternura doce e ao mesmo tempo amarga lhe trespassou o coração. Como ele adorava se envolver em questões internacionais! Logo ele recuperaria seu lugar no mundo e seria feliz. Isso era o suficiente para ela. Teria que ser.

As portas da suíte particular de Charlie se abriram de repente e o conde Trevani saiu, sem dar a Bella tempo para ter pena de si mesma.

Sua Alteza Serena a verá agora. - O conde lhe ofereceu o braço.

Grazie, conte. - Ela o acompanhou pelas portas duplas, entrando em um salão enorme decorado em branco e dourado resplandecente, com um tapete vermelho-escuro. Na outra extremidade do gabinete, uma figura alta e morena estava sentada em uma cadeira toda ornada.

Trevani se deteve à porta e Bella se aproximou do pai. A cada passo, rezava para dizer as palavras certas a fim de conseguir o que queria.

Charlie estava vestido com toda a realeza da sua posição, portando a faixa roxa drapejada de um lado ao outro do peito e a coroa de Bolgheri, feita de rubis, sobre a cabeça.

Ela o estudou enquanto se aproximava. Fisicamente eles eram tão parecidos que ninguém que os visse juntos teria qualquer dúvida sobre o seu parentesco. Porém, não existia nenhum sentimento familial no coração dela quando olhou para o homem que tanto se parecia com ela. Não havia respeito no seu coração pela posição real dele. Não havia admiração por aquele semblante moreno e ainda bonito. Na verdade, ela não sentia nada, a não ser uma combinação suave de pena e desprezo. A piedade era um sentimento novo. O desprezo, não. Ela não podia se dar ao luxo de mostrar nenhuma dessas emoções. Bella sabia que tinha que ser o mais respeitosa, o mais encantadora e o mais persuasiva possível. Custasse o que custasse. Ela parou à frente dele e lhe fez uma mesura profunda. - Alteza.

-Lady Cullen.

Charlie estendeu a mão, ela beijou o anel de rubi dele.

-Por que a senhora deseja me ver, madame? - perguntou ele, falando como se ela fosse uma estranha.

"Humildade, Bella. Deferência e humildade."

-Neste momento, Alteza, eu peço que o senhor pense em mim não como uma súdita banida, exilada e em desgraça – disse ela suavemente -, apesar de ser isso o que eu sou. Neste momento, peço que o senhor pense em mim apenas como sua filha. Carne de sua carne e sangue de seu sangue.

Os lábios de Charlie se comprimiram, formando uma linha fina e implacável.

Bella respirou fundo e disse algo que ela nunca tinha pensado dizer em toda a sua vida.

Papà - disse ela, e caiu de joelhos em frente dele. - Eu vim lhe pedir um favor.

Então, como está o cenário mundial?

Lorde Stanton levantou os olhos das pilhas de trabalho sobre a sua mesa.

-Edward! - ele o cumprimentou com um sorriso, levantando-se. - Fiquei sabendo que sua esposa tinha uma audiência com o pai dela, e pensei que você talvez viesse me visitar. - Ele fez um gesto para que Edward entrasse no escritório. - Entre, homem. Não fique aí parado à porta como um estranho. Sente-se.

Ele se sentou na poltrona que lhe era oferecida. Deu uma olhada para os documentos espalhados pela mesa enquanto Stanton voltava para sua cadeira e sentiu uma pontada de nostalgia e saudade. Então resolveu deixar esses sentimentos de lado. Isso não era mais a vida dele. Tinha que aceitar isso.

Ocupado como sempre?

Naturalmente. Deixe-me lhe contar o que está acontecendo na Anatólia. Sei que vai lhe interessar.

Edward ouviu atentamente, sem ficar nem um pouco surpreso ao saber que Sir Gervase continuava a fazer tolices na região. A situação continuava a se deteriorar, os turcos e gregos estavam concentrando tropas e os dois lados exigiam a assistência britânica. Stanton estava no fim do seu juízo.

-Agora a crise tomou uma proporção séria - disse-lhe o con de. - Como diplomata, Sir Gervase é incompetente, e se dependesse de mim, nunca teria sido enviado para lá, mas ele é casado com uma prima em segundo grau do primeiro-ministro, e você sabe como são essas coisas.

Ele sabia muito bem. Provavelmente não era muito certo sentir prazer com a incompetência de Sir Gervase e os seus resultados desastrosos, mas uma parte dele realmente gostou. Na verdade, gostou bastante.

É realmente surpreendente - disse Stanton - como às vezes as coisas simplesmente se encaixam nos devidos lugares. - Esse inesperado desvio para considerações filosóficas o pegou de surpresa, mas antes que pudesse responder, Stanton continuou: - Por exemplo, é perfeito que você tenha vindo a Londres exatamente agora, porque eu queria conversar com você. Eu iria lhe fazer uma visita depois, se você não passasse por aqui hoje à tarde.

Verdade? - Edward se recostou na poltrona. - O que você tem em mente?

Peel será o próximo primeiro-ministro.

Isso parece certo. E então?

Ele vai formar um novo governo, escolher novas pessoas. Stanton olhou Edward nos olhos, do outro lado da mesa. - Dada a confusão que Sir Gervase fez com a situação, Peel vai precisar de alguém realmente qualificado, que acalme turcos e gregos o suficiente para concordarem em conversar. Você pode recomendar alguém para o cargo?

Edward se encheu de júbilo, mas reprimiu-se imediatamente, dizendo a si mesmo para não tirar conclusões precipitadas.

-Tem alguma importância quem eu recomende?
Stanton sorriu.

-Na verdade, não. Peel já decidiu que é você quem ele quer. Ele sabe tudo sobre a confusão com o príncipe Charlie e sobre você e a sua esposa. E não se importa. Charlie vai embora na próxima semana, e você se casou com a moça, de forma que o escândalo deve ir diminuindo e acabar sendo esquecido. Quando Peel for
confirmado como primeiro-ministro, ele vai lhe oferecer a recupe- ração da posição de embaixador e enviá-lo para Constantinopla, para remendar as coisas. Ele tem certeza de que o rei vai concordar com a nomeação.

Eles o queriam de volta. Nunca em sua carreira Edward tinha experimentado um momento tão agradável de triunfo como naquele exato instante. Ele fechou os olhos por um momento, saboreando a situação, permitindo que a satisfação tomasse conta de si.

Naquele exato momento, ouviu-se uma comoção no corredor.

Onde está Sir Edward? - urrava uma voz masculina, profunda e inequivocamente italiana. - Ele está com Lorde Stanton? Eles estão aí dentro?

Alteza, se o senhor...

Saia do meu caminho. - A porta se abriu e o príncipe Charlie entrou na sala a passos largos, seguido pelo auxiliar de Stanton, pelo conde Trevani, que parecia muito constrangido, e por um par dos guardas de Charlie.

Edward e Stanton se levantaram imediatamente e fizeram uma mesura.

-Alteza - disse Edward, cumprimentando o sogro com nada além de uma fria polidez. Ele olhou para além de Charlie, do conde Trevani e dos guardas, mas não viu Bella. - O senhor terminou o seu encontro com minha esposa?

-Encontro? - Charlie cuspiu a palavra. - É assim que você chama aquilo?

A essa altura, Edward, que já tinha experiência suficiente para entender um pouco os italianos, percebeu que eles continuavam a lhe parecer um mistério. Eles ainda tinham o poder de confundi-lo.

-Não estou entendendo nada.

O rosto de Charlie ficou vermelho de raiva.

Nunca na vida Bella me pediu nada. Toda vez que eu a vejo ela levanta o queixo, assim, e parece pronta para me cuspir no rosto. Mas não quando vem em seu nome. Não! Pelo senhor, ela me pede favores. Pelo senhor, ela se ajoelha. Uma filha do meu sangue, ajoelhada? - A voz dele se ergueu, irritada, e ele chegou a gritar: - É imperdoável que a mande implorar pelo senhor!

O quê? - Edward não precisou fingir espanto. Bella de joelhos em frente do pai? Não era possível. - Alteza, não tenho idéia do que o senhor está falando. O senhor a chamou...

Ah! - Charlie lançou um olhar maligno para Edward. - Ela escreveu a carta pedindo para me ver, mas isso não me engana. Ele apontou um dedo acusador para Edward. - O senhor a mandou escrever para mim. Recupere a profissão dele, diz ela. Por favor, papà, fale com o governo dele, diz ela. Eu quero que ele seja feliz, diz ela! Feliz? - O príncipe Charlie bateu as costas de uma mão contra a palma da outra três vezes em rápida sucessão. - Eu lhe pergunto que direito tem ele de ser feliz depois de fazer o que fez, e ela diz que o que aconteceu foi tudo culpa dela! No que o senhor a transformou, inglês, que ela vem até mim e assume a culpa da sua desonra? O senhor a fez dizer essas coisas? Ela diz que não, mas eu acho que sim!

Edward ficou olhando fixamente para o príncipe e, ao entender exatamente o que tinha acontecido e o que Bella tinha feito, ele percebeu que William estava certo. Há horas em que tudo se encaixa perfeitamente. A letargia e a falta de rumo que o vinham perseguindo havia semanas desapareceram e em seu lugar surgiu uma outra coisa. Uma sensação de estar no lugar onde devia estar, no lugar que era o seu. Ele sabia quem era e o que queria e qual era o seu lugar. Ele andou em direção à porta, contornando Charlie.

-Eu ainda não terminei! - urrou Charlie, virando-se. – Aonde vai o senhor?

Edward se deteve e olhou para Stanton.

-Bem, eu não vou para a Anatólia coisa nenhuma. – Com isso, saiu pela porta afora, deixando para William o pouco invejável trabalho da diplomacia internacional. Edward tinha um trabalho muito mais importante para fazer.

Bella entrou na biblioteca da casa de Portman Square e se sentou no seu lugar favorito, sobre a mesa, lembrando-se das vezes em que ela e Edward tinham se sentado ali, conversando durante a madrugada. Ela se perguntou quanto tempo levaria para que eles o enviassem a Constantinopla ou a algum outro lugar. Ele voltaria para casa de vez em quando, lembrou a si mesma, mas isso não era um grande consolo. A única coisa que a confortava era saber que Edward em breve teria recuperado a sua vida, como ele queria.

Inicialmente, Charlie se recusara a atender o seu pedido. Ela deveria saber que mesmo implorar de joelhos não o persuadiria. Ela então foi obrigada a usar de chantagem, e ficou aliviada por ele ter cedido, porque realmente não poderia escrever as suas memórias para os tablóides especializados em escândalos. Edward não teria gostado disso.

Um lar sem um marido ao seu lado não era o que ela sonhara para si mesma, mas era assim que teria que ser. Para ela, um lar e uma família eram o suficiente para fazê-la feliz, mas ela tinha se apaixonado por um homem para quem essas coisas nunca bastariam. Talvez isso fosse porque ele não retribuía o amor dela. Apesar de ter feito o que se esperava de sua honra casando-se com ela, não fora o amor que motivara a sua atitude. Entretanto, ele tinha lhe dado uma casa, um lugar no mundo. Agora, ela lhe devolvia o seu objetivo, e ele poderia recuperar a sua integridade. Isso era tudo o que ela queria.

Bella imaginou-o sentado na cadeira, como o vira tantas vezes, como na noite em que ele lhe contara sobre o seu primeiro amor, e na vez em que ele se embebedara e ela lhe falara do seu passado.

Eu amo você — disse ela em voz alta, como se ele estivesse sentado ali. - Espero que os turcos não lhe causem problemas demais. Apenas... Ela segurou um soluço. - É só não se esquecer de não demonstrar as suas emoções e você terá o controle da situação.

Não chore.

Ela levantou a cabeça. Ele estava de pé à porta. Apenas quando a imagem dele ficou borrada diante dos seus olhos ela percebeu o que ele tinha dito.

Não estou chorando - disse ela, e imediatamente mordeu o lábio e virou o rosto para o outro lado.

Mentirosa.

Ela olhou fixamente para a cadeira dele, piscando para conter as lágrimas. Tinha tido esperança de ter mais tempo antes de ele voltar de Whitehall. Tempo para se acalmar e se recompor. Mas era tarde demais. Ela estava toda chorosa e fora de si, e ele a tinha visto assim. Honrado do jeito que era, ele se sentiria culpado por ir embora.

Ele deu a volta na mesa, ficando de frente para ela, e pôs uma mão debaixo do seu queixo, inclinando o rosto para trás para olhá-la.

-Bella, o que você fez?
Ele sabia.

Suponho que Charlie tenha lhe contado. - Ela fez uma carranca por trás das lágrimas. - Eu pedi para ele não contar, mas eu devia saber que ele não me daria ouvidos. Maldito seja!

Ele irrompeu no escritório de Stanton, furioso, gritando com toda a força dos seus pulmões, falando umas bobagens sobre você ter ido lhe implorar para me ajudar a recuperar o meu trabalho. - As mãos dele deslizaram pelos braços dela. - Bella, eu não sei se devo beijá-la ou sacudi-la. Quando penso no que deve ter-lhe custado recorrer a ele... - Ele se interrompeu e apertou os braços dela nas mãos. - Por que você fez isso? Por quê?

-Eu amo você. Tinha que lhe dar de volta o que tirei de você. Ele a puxou para fora da mesa e a beijou com paixão.

Nunca mais faça nada assim de novo - ordenou. - Estou falando sério. Nunca mais sacrifique o seu orgulho por mim ou por qualquer outra pessoa!

Bem, agora eu já fiz isso. - Ela engoliu em seco e olhou fixamente o nó perfeito da gravata dele. - E então, quando você parte para a Anatólia?

Eu não vou para a Anatólia.

Não vai? - Ela levantou o rosto. - Para onde você vai? Edward abraçou-a pela cintura.

Devonshire.

O coração de Bella deu um pulo e ela ficou morrendo de medo de ter entendido mal.

O que você quer dizer?

Estou dizendo que eu recusei. Disse a eles que não.

-Recusou? Mas por quê? O seu trabalho é tudo para você. Se você não tiver o seu trabalho, o que você vai fazer?

Ele fez de conta que estava pensando.

-Negociar casamentos, talvez? Estou ficando muito bom nisso, acho. - Ele apertou o abraço. - A propósito, fui ver a sua mãe.

Bella piscou diante da mudança súbita de assunto.

Você foi ver a mamma!

Sim. Fiz uma visita a ela depois que saí de Whitehall. Foi uma missão diplomática arranjar o casamento dela com Lorde Chesterfield.

O quê? - Bella estava ficando mais surpresa a cada minuto que passava. - Mamma nunca vai se casar com Chesterfield. Ela me disse isso.

Edward beijou o nariz dela.

É por isso que eu sou um diplomata, minha cara, e você não é. Eu fiz os dois lados chegarem a um acordo, e o casamento será em dezembro. Eu tinha que fazer isso, espero que você não se incomode. Afinal de contas, eu não poderia me candidatar ao Parlamento se a minha sogra fosse uma cortesã. Eu nunca receberia os votos.

Você vai para o Parlamento? Você prefere isso a ser embaixador?

Eu lhe disse que não iria arrastar uma esposa e filhos por todo o mundo. Você não se lembra?

Você disse que isso não seria correto - ela retrucou em voz estrangulada. - Mas você não se casou por sua própria escolha, de forma que eu pensei...

Então você pensou que eu simplesmente iria embora e retomaria a minha velha vida sem você?

Eu pensei que retomar a sua profissão o faria feliz. Pensei que era o que você queria.

Você é o que eu quero. Como deixar você poderia me fazer feliz? - Ele envolveu o rosto dela com as mãos. - Você se lembra do dia do nosso piquenique, quando você disse que eu tinha uma expressão estranha no rosto?

Lembro.

Foi naquele momento que eu percebi como eu preciso de você, preciso mais do que de qualquer outra coisa, inclusive da minha carreira.

Oh, Edward! - chorou ela, com medo de acreditar. - Eu não quero que você algum dia se arrependa de ter se casado comigo.

Ele sorriu e acariciou o rosto dela com a ponta dos dedos.

-Me arrepender? Como eu poderia me arrepender? Você é a minha ardente esposa italiana. Você é a mulher que vai me dar filhos e em cuja cama eu pretendo dormir todas as noites. Você é a razão pela qual eu vou acordar todas as manhãs com um sorriso no rosto. Eu amo você e a amarei por todos os dias da minha vida, e o único dia em que vou deixá-la será o dia em que eu morrer.

Ele a amava. Ele não ia embora. A alegria jorrou dentro de Bella, inundando-a e transbordando até ela não conseguir mais contê-la. Ela começou a rir e chorar ao mesmo tempo.

Lá vamos nós. - Edward tirou um lenço do bolso e o entregou para ela.

Você recusou - disse ela com a voz abafada pelo lenço dele. - Por mim.

Absolutamente certo. Por que eu deveria me contentar em ser um mero embaixador se eu posso ser tratado como um rei? Creio que foi isso que você prometeu ao seu marido, não foi?

Sim. - Bella jogou o lenço para o lado e os braços ao redor do pescoço dele. - Isso quer dizer que agora eu sou verdadeiramente real?

-Você? Minha cara, você pode ser filha do príncipe Charlie, mas não é nenhuma princesa. A maior parte do tempo, você é uma praga para a minha sanidade. - Ele apertou o abraço. - Por falar nisso, existe uma coisa que eu quero saber.

Ela passou os dedos pelo cabelo dele, despenteando-o com um suspiro de pura satisfação.

O que é?

Você me deixou ganhar aquele jogo de xadrez de propósito?

-Ele se afastou e olhou para ela. - Deixou?

Bella abriu bem os olhos.

Naturalmente - disse, e, deliberadamente, mordeu o lábio. Ele riu, apertando os braços ao redor dela novamente.

Eu quero jogar a revanche.

Tudo bem. - Ela fez uma pausa, com um sorriso malicioso.

-Mas com uma condição.

Não. A condição era que eu ensinasse você a jogar sinuca, e eu ensinei. Chega de condições.

Você vai gostar dessa condição.

Eu gostei da última. Gostei demais, se me lembro bem. - Um dos cantos da sua boca se curvou para cima. - Então, qual é a nova condição de que eu vou gostar?

Que você me leve lá para cima neste momento e comece a me tratar como uma rainha.

Edward não precisava que ela dissesse isso duas vezes.

-Sim, Alteza - disse ele, levantando-a nos braços e dirigindo- se para a porta.

F i m




Então povo... acabou *-*

gostaram???

Agradeço pela paciência de vcs e pelas reviews. sério, vcs são d+ *-*

(abraça e roda todo mundo huahuau)

PS: mandem sugestões de livros que gostariam que eu adaptasse

=*

LEIAM O LIVRO. Incentivo à leitura o/