"-O que você viu?
Ginny suspirou. Nunca pensou que teria tão cedo uma oportunidade de esclarecer com Draco o que tinha visto na mente de Blaise. Agora era o momento perfeito de tirar do peito o que viera lhe incomodando e ela não conseguia deixar de hesitar. Sabendo que uma vez que as palavras saíssem de sua boca, não poderia pegá-las de volta.
-Draco, por que você levou crédito por assassinar meu irmão e meu pai,.. – respirou fundo. - Quando quem fez isso foi o seu pai?"
Capítulo XX- Meu Amor, Minha Sentença
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Julieta: Meu lindo tirano! Demônio angelical! Exato oposto daquilo que exatamente parecias, um santo maldito, vilão honrado! – Ah, natureza, o que tinhas tu que fazer no inferno, quando então envolveste de carne assim tão perfumada o espírito de um demônio no paraíso dos mortais?
-Romeu e Julieta, Shakespeare
X
Abrindo os olhos para encarar a pálida claridade da manhã, que entrava pela janela e iluminava vários recantos rosados do quarto, Ginny virou-se lentamente para poder encarar melhor o dono do braço que passava pela sua cintura. Diferente do que podia pensar, ele já estava acordado, os olhos cinzentos brilhando em sua direção.
Era estranho ver Draco tão claramente sendo que poucas horas antes lutara tanto para apenas ver um pouco de seu rosto na escuridão. A expressão dele não estava mais tão abatida. Na verdade, tirando as olheiras, até parecia relaxado.
-Ainda é cedo. Por que já está acordado? – perguntou. – Hum... Eu não te deixei dormir?
Draco franziu o cenho, confuso.
-Por que você não me deixaria dormir?
-Eu tenho o sono agitado. Ninguém nunca quer ficar no mesmo quarto que eu.
A confusão ainda estava estampada no rosto de Draco enquanto ele removia uma mecha ruiva do rosto de Ginny.
-Pelo contrário. Você é muito quieta enquanto dorme. Eu só consegui dormir direito, depois da terceira vez que chequei seu pulso.
Ginny soltou algo parecido com uma risada e virou-se para encarar o teto. Notou que o braço dele permanecia em cima de si, descansando em sua barriga.
-Então... me conte. O que aconteceu exatamente no dia em que eu fui capturada? – revirou os olhos brevemente antes de completar: - Da primeira vez, quero dizer.
Draco suspirou. Esperava que uma boa noite de sono fizesse Ginny esquecer sobre esse assunto, ou pelo menos querer deixá-lo para outra ocasião. Decidindo, no entanto, que ela merecia sua honestidade, sentou-se na cama (sendo imitado por ela) e contou:
-Era a chance dos Malfoy subirem no conceito do Lorde. Depois dos nossos fracassos. Eu estava convencido de que conseguiria fazer isso. Sempre odiei os Weasley, e já matara pessoas em batalhas antes. Eu não via a diferença entre matar em uma batalha e invadir a casa de alguém... Aprendi da forma difícil quando estava cara a cara com o seu irmão. A verdade é que eu realmente o matei, Ginevra. Mas não foi intencional. Foi estranho... de início, eu queria matá-lo, porque pensei que ele havia matado minha mãe. Estávamos duelando, e... quando lancei uma azaração um pouco mais forte, ele caiu. Sem mais nem menos. Nunca gostei do seu irmão, mas eu ainda não havia decidido se queria matá-lo, não realmente. Ele devia estar muito machucado de batalhas anteriores.
"Depois, obviamente, o seu pai me atacou. Eu me defendi. Ele era melhor duelista do que eu e seu irmão juntos, mas estava muito movido pelas emoções. Não foi tão difícil desarmá-lo. Então..."
Ginny prendeu a respiração tentando conter a emoção. Não queria que Draco, em nenhum momento, parasse a narração por causa de suas lágrimas.
–Eu hesitei. Foram só alguns segundos, mas o suficiente para ele tentar recuperar sua varinha e meu pai atingi-lo com a Imperdoável. Eu fiquei com tanta raiva. Cego de raiva! Raiva por meu pai ter interferido daquela forma. Raiva porque seu pai não conseguiu desviar do feitiço. Raiva porque ninguém tinha visto aquilo e eu levaria crédito por algo que eu não fiz. Raiva porque eu havia sido fraco demais para matá-lo eu mesmo. Eu não penso mais dessa forma, então decida se me odeia ou não quando eu terminar a história.
"Todos os seus irmãos caíram. Estávamos comemorando, quando o Lorde apareceu. Você pode imaginar? O Lorde das Trevas deslocando-se daquela forma para advertir o andamento de uma missão? E só para nos avisar que faltava uma garotinha. Eu vi minha oportunidade de não ser tão covarde. Minha oportunidade de levar crédito por alguma coisa que eu realmente fiz. Meu pai pensou da mesma forma e mandou que eu cuidasse disso. Eu estava tão feliz que eu poderia descarregar minha raiva em alguma coisa, e – hesitou por alguns segundos. - porque eu poderia ver você uma última vez."
"Como você já sabe, as coisas saíram de controle. Eu comecei a adiar a sua morte, usando como desculpa a minha diversão. E, como eu ainda não te amava, foi realmente divertido pra mim. Depois que você desmaiou, Bellatrix apareceu e me impediu de matá-la. A levamos para o Lorde e ele disse que eu podia ficar com você. O resto você já sabe."
Ginny fez que sim. Abraçou os próprios joelhos e descansou sua testa neles. Vira na mente de Blaise, que logo depois que ela fugira, Draco acabara confessando que não matara ninguém na Toca intencionalmente, que levara crédito por seu pai que estava desesperado para que sua família voltasse a cair nas graças do Lorde. No entanto, a confissão não fora tão honesta e tão completa como a que ele lhe dera agora. Apenas suficientemente forte para deixá-la mortalmente abalada.
Será que isso significava alguma coisa? A forma como ele analisava as suas ações de antigamente... ele estava tão mais maduro, tão mais atormentado, tão mais... atraente.
-Por que você nunca me contou isso? – Ginny perguntou com a voz rouca. – Eu não te odiaria tanto. Teria sido mais fácil, eu poderia conversar com você e...
-E me mudar? Mudar minhas crenças, mudar minhas convicções? – Draco perguntou tristemente enquanto ajeitava delicadamente uma mecha do cabelo rubro que insistia em cair nos olhos dela. – Ginny, se você tivesse sido um pouco mais aberta comigo eu acabaria te destruindo. Eu estava louco! Eu não sabia de nada! Eu devia tentar te trazer para o lado das trevas, mas foi você quem implantou a dúvida em mim. Foi como se... – ele fechou os olhos tentando encontrar as palavras certas. – Foi como se eu sempre soubesse de tudo o que você me falou e só precisasse que alguém me confirmasse em voz alta.
Ginny virou a cabeça para encará-lo, ainda descansando-a nos joelhos. Não havia lágrimas nos olhos dele. Era pior. Eram tantos sentimentos juntos que ele parecia a ponto de sufocar.
Por tanto tempo Ginny achou que carregava sentimentos demais, sempre imaginando o quanto Draco devia estar se sentindo feliz... Agora percebia quanta tormenta havia nele.
Ela podia ver os fantasmas das mortes que ele vira e infligira pesando sobre suas costas, podia ver a culpa estampada em seu semblante, o desespero... o amor. Tanto tempo odiando-o por ser feliz e ele estava mais miserável do que ela. E agora, Ginny sabia, pior do que ser vítima de tantos males quanto ela foi, era ser o causador deles. Era pelo que Suzan estava passando agora. Como se tivesse perdido sua alma, sua humanidade.
Nunca pensou que um Malfoy teria alma suficiente para sentir falta, mas Draco tinha. E agora ela percebia que ele havia a colocado em suas mãos. Eles não podiam se separar. Não quando Draco colocara todo o poder de suas íris hipnotizantes em cima de Ginny, e não quando sua alma estava em jogo.
Era estranho. Podia ter sofrido muitas coisas, mas nunca por remorso. E mesmo assim, sabia exatamente como Draco se sentia. Imaginava como ele devia ter se torturado nos últimos anos. Que seu amadurecimento fora extremamente forçado e doloroso.
Não tinha mais coragem ou forças para brigar ou ser rude com ele.
Agora Ginny entendia o que seu subconsciente gritava para lhe dizer por meio de alucinações e sonhos malucos.
Sem pensar muito, levou uma mão ao rosto de Draco e acariciou a pele pálida. Ele fechou os olhos instantaneamente e inclinou a cabeça na direção de sua mão. As rugas se dissiparam como num passe de mágica. Suas feições aristocráticas e demoniacamente lindas relaxaram.
E depois de anos sentindo-se completamente perdida, Ginny finalmente sabia o que fazer.
Não tinha que salvar o mundo dos comensais.
Tinha que salvar um comensal do mundo.
-E você guardou tudo isso por todo esse tempo. – Ginny falou numa voz surpreendentemente meiga, fazendo-o abrir os olhos. – Foi por isso que não conseguiu me esquecer?
Draco ainda demorou um pouco para responder. Talvez tentando entender porque ela estava sendo tão delicada.
-Não, Ginevra. Você não entendeu? – ele agarrou a mão dela, tirando-a do seu rosto e a mantendo dentro da sua. – Eu me apaixonei por você. Eu amo você.
Ginny ficou calada, tentando encaixar aquilo nas suas especulações, até que algo desviou sua linha de pensamentos. Um brilho, vindo do pescoço de Draco. Ela endireitou-se na direção dele e, usando a mão livre, puxou o objeto brilhante em sua direção. O anel mais lindo que já vira na vida. Os brilhantes pequenos no formato de uma flor.
-Você sempre usa isso?
Ele demorou alguns segundos para responder.
-Desde o dia em que você fugiu.
Draco agarrou o anel, e puxou-o com força fazendo o cordão se partir e se soltar de seu pescoço. Tirou-o do cordão e apertou a mão de Ginny.
-Os sentimentos mais nobres que senti na minha existência foram causados por você. Há sete anos, você me fez acreditar que ainda havia algo de bom em mim. Alguma humanidade. Desde então eu vim lutando para que esse lado bom fosse digno de você e de mim mesmo. Você me tirou do poço de mentiras no qual eu vivia e me afundava. Eu estou longe de ser um exemplo de pessoa, mas eu espero que seja melhor do que eu era. Estou tentando consertar meus erros. Eu só precisava de algum incentivo. Eu guardei a sua lembrança. A lembrança de como, mesmo sem ninguém, você permaneceu forte aos seus princípios. Lembrei do quanto eu amo você.
Ele respirou fundo antes de continuar:
-Eu sei que não mereço que você me ame de volta. Mas eu não vou te deixar ir embora. Sem mim, você é um alvo, Ginny. Ainda mais depois dessa noite.
-E se eu prometer que volto? Que manteremos contato? – Ginny arriscou.
-Boa tentativa. – Draco murmurou amargamente. – Acho que não suportaria vê-la indo embora novamente. Eu dormi quatro horas essa noite com você ao meu lado e nunca acordei me sentindo tão bem e descansado. É como se eu tivesse recuperado parte de mim. Nesses sete anos, não tive uma boa noite de sono, tinha pesadelos e sonhos com você. O patético é que eu realmente esperava pelos pesadelos porque eram a única hora que eu podia ver seu rosto. Agora que você está aqui. – ele sorriu de lado colocando o anel lentamente no dedo anelar da mulher enquanto falava: - Você é o meu pedaço de paraíso no meio de todo esse inferno.
Ginny apertou os lábios e enterrou a cabeça nas mãos tentando não ficar muito emocionada. Pensou em suas próprias noites de sono inquieto. Será que a imagem de Draco a atormentara ao longo dos anos, não porque ele a traumatizou e sim porque uma parte dela sabia que eles deveriam estar juntos?
-Eu não sei o que pensar. – falou sinceramente.
-Não seja dura consigo mesma. Apenas reflita o tempo que precisar.
Ginny olhou-o intensamente.
-Você não é mau. Não realmente. Não é Malfoy? – perguntou retoricamente. – Você pode ter defeitos, pode ser mimado e sombrio, mas não tem a essência má.
Não sabendo exatamente se devia responder, Draco permitiu-se admirá-la. Quando, depois de muita insistência da sua parte, ela adormecera na noite anterior, desabotoara e afrouxara suas roupas para deixá-la mais confortável. Agora, ainda suja da batalha e despenteada, olhando-o com as íris de chocolate, ele percebia o quanto os anos lhe fizeram bem. Já ouvira falar que as mulheres mais bonitas eram aquelas que desabrochavam com mais dificuldades. Nunca achou que isso fosse possível, mas Ginny era a prova viva disso. Todos os desgastes emocionais e físicos pelos quais ela passara, deram-lhe um brilho maduro nos olhos, uma expressão decidida e segura de si, o corpo e o olhar de uma mulher, com o frescor de uma adolescente e aspecto de boneca.
Olhou de esguelha para o relógio de parede e suspirou:
-Tenho que ir.
Ginny fez que sim e parecia que iria dizer alguma coisa quando a mão grande envolvendo seu braço a puxou. Fechou a boca com o susto.
No segundo em que sentiu seu corpo aproximando-se do dele, a confusão instalou-se dentro de si. Ainda não tivera tempo para pensar! Não decidira ainda em que acreditar! Ainda não sabia o que fazer!
Suas preocupações desapareceram quando os lábios de Draco tocaram sua testa.
Poucos segundos depois ele desaparecia pela porta e Ginny desabava de volta na cama, encarando o teto e pondo-se a refletir.
X
Sentindo a água morna desfazer os nós de tensão de seus músculos, Ginny permitiu-se afundar mais um pouco na água da enorme banheira. Um pouco depois de Draco sair, Guccia adentrara no quarto, feliz da vida por ver "a sua senhorazinha" novamente. Fizera, em primeiro lugar, a garota tomar café e lhe preparara um banho.
A verdade é que Ginny não estava sentindo-se muito confortável voltando a rotina que fora estabelecida para ela há sete anos. Até o gosto familiar da comida trazia-lhe más lembranças. Lembrava-se de ficar sozinha naquela casa sendo cuidada pelos elfos até que Draco chegasse à noite para exigir sua atenção. Sabia que agora, no entanto, tudo era diferente. Só precisava reunir força mental o suficiente para agüentar.
Capturou um pouco da espuma espessa, que tornava impossível ver a água que envolvia seu corpo, e a soprou. Espalhou pelos braços e pelo pescoço, o que restou em sua mão. Pousando a cabeça na parede, forçou-se a relaxar. Não fizera muito para proteger seu cabelo. Apenas o enrolara sobre si mesmo num precário nó que se desfaria a qualquer momento. Pela janela, mesmo sendo de manhã, já parecia fim de tarde pelo clima carregado e chuvoso.
Ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo e presumiu que fosse Guccia. Limpou a espuma de seus braços e estava preparando-se para levantar quando a porta do banheiro se abriu.
Desabou de volta na banheira escondendo o corpo embaixo da espuma quando Draco entrou.
-Draco! –exclamou. – Ninguém nunca te ensinou que não se entra no banheiro de uma dama assim?
Ele riu de lado.
-Guccia me falou que você estava no banho. – agachou-se ao lado da banheira, fazendo-a recuar. – Eu precisava ver.
Ela poderia ter dado outra resposta malcriada, mas apenas apertou os olhos mostrando seu desagrado com aquela situação.
-Voltou tão cedo? Achei que estava no trabalho.
-Eu estava. – Draco respondeu. Sem conseguir disfarçar seu olhar que seguia o pescoço ensaboado dela até os seios quase descobertos. Se ele esforçasse a vista poderia ver a cor dos... Ginny afundou na banheira quando percebeu o olhar dele. – Mas só precisava acertar algumas coisas. Não precisavam tanto de mim hoje.
-Você evoluiu muito nesses anos, Draco. Eu acompanhei. Só fiquei curiosa com sua opção de carreira. Achei que você queria ser auror.
Draco fez que sim.
-É verdade, mas eu sou melhor como Inominável. Por trás da ação. – Draco respondeu parecendo não querer entrar em mais detalhes.
-E quanto à Sage? Você gosta dela? –Ginny perguntou erguendo as duas sobrancelhas, desafiando-o. Draco sorriu e levou uma mão à borda da banheira, fazendo-a mexer-se desconfortavelmente.
-Bastante. Mas não da forma que você está pensando. – ele respondeu. – Talvez seja difícil pra você entender, mas a verdade é que não passa de amizade. Amigos que acharam extremamente conveniente ficarem juntos. Ela tinha os motivos dela, eu tinha os meus. Mas no final, somos só bons amigos.
"Amigos que se dão incrivelmente bem na cama." acrescentou em pensamento.
Ginny, interessada nas palavras dele, aproximou-se um pouco da borda da banheira. Draco tentou ser discreto enquanto procurava alguma brecha na espuma densa que a envolvia.
-Me diga seus motivos.
Ela apertou os lábios com a óbvia dificuldade do loiro de desviar os olhos das profundezas da banheira. Certificou-se que a espuma a cobria por inteira.
-Como você já deve ter visto, Sage é bonita e de boa família. Perfeita para um Malfoy. As pessoas sabiam que eu ainda tinha esperanças de te encontrar e Sage serviu para que os comentários morressem um pouco.
Ginny fez que sim. Já havia visto isso na mente de Zabini.
-E agora que você me achou...?
Ele deu ombros.
-Não há mais razão para manter meu relacionamento com ela.
-Draco, isso o que nós temos. – ela apontou para ele para si mesma. – Eu não posso prometer nada.
Draco riu levemente.
-Achei que você já tinha entendido. – falou. – Eu só preciso da sua presença. Eu não preciso de promessas. Eu não preciso que você me ame.
Ginny piscou não tendo certeza se conseguia acompanhar os pensamentos dele.
-Você é tão confuso pra mim. – admitiu, deixando-se afundar nos olhos claros. – Quando eu acho que estou começando a entender, você fala algo que não encaixa de maneira alguma nas minhas teorias.
Surpreendentemente, ele sorriu.
-Termine o banho, se arrume e me encontre na biblioteca. Está exatamente onde estava antes, só... um andar abaixo.
E com isso levantou-se e saiu do banheiro.
Ginny ainda demorou mais um minuto para sair. Ao chegar ao quarto, sua roupa já estava separada na cama. Guccia lhe separara um vestido negro simples, uma fita de cabelo e luvas da mesma cor. Ginny não entendera muito a utilidade das luvas, mas, quando ameaçou dispensá-las, o cabide de madeira que antes segurava o vestido fez um escândalo. Vestiu-se e ajeitou seu cabelo sem ajuda da elfa. Sentindo-se um pouco ansiosa, foi ao encontro de Draco.
Quando chegou, ele estava em pé, apoiado numa estante, folheando distraidamente um livro pequeno. Logo que ela abriu a porta, ele o guardou e Ginny só pode ver que se tratava de Shakespeare.
Draco sorriu sinceramente, admirando-a.
-O tempo realmente lhe fez bem, Ginny.
Ela não pôde deixar de sorrir fracamente. Ele quase nunca a chamava de Ginny.
-Você aumentou a mansão.
-Sim, aumentei. – por algum motivo aquele fato parecia constrangê-lo um pouco. –Eu achei que você se sentiria mais confortável numa casa grande.
Ginny franziu o cenho. Por mais que ele já tivesse deixado clara sua devoção por ela, continuava sendo difícil imaginar que nos últimos anos, enquanto tudo o que fizera fora tentar esquecê-lo, ele considerou-a em cada uma de suas decisões, contando que se encontrariam num futuro próximo.
-Depois de tudo o que você aprontou, vai demorar um pouco para que possa sair daqui... então pensei em deixá-la o mais confortável possível.
Ginny fez que sim, tentando não pensar muito em como sentiria saudades de seus amigos.
-Muita consideração da sua parte, Draco. – respondeu cordialmente. Todos os seus instintos diziam-lhe que, para sua saúde mental e física, era melhor que colaborasse com ele.
Draco sorriu. Gostava da forma que ela pronunciava seu nome.
-O primeiro lugar que pensei em aumentar foi a biblioteca, considerando que você passava a maior parte do tempo aqui.
Ginny fez que sim, olhando em volta e arriscando caminhar pelos longos corredores com estantes lotadas de livros.
-Tenho pena dos elfos. Imagine só! O trabalho de deixar todos esses livros limpos! – comentou, passando um dedo por uma capa particularmente escondida e notando que não havia sujeira alguma.
-Não tenha. Eles se divertem. E usam magia.
-E fazem um bom trabalho. - ela virou-se para ele. – Sério, Draco, esse lugar é lindo.
Ele sorriu e se aproximou. Seus olhos brilhavam intensos e azuis, daquela forma que sempre desnorteava Ginny.
-Quer ver o resto da mansão? – ele perguntou, oferecendo-lhe o braço.
Nenhum dos dois estava preparado para a velocidade com que Ginny o aceitou e a forma como fez com que os corpos ficassem juntos. Tentando manter a euforia controlada, Draco conduziu-a para fora da biblioteca, respirando profundamente, inalando aquela essência que ele sentira tanta falta. O braço que ela agarrava, parecia ser a única parte sã do seu corpo.
Os dois caminharam pelos corredores e Ginny ficou impressionada de como a mansão mudara. E o pior era que, como Draco dissera, tudo parecia ter sido feito para ela. Os tapetes de pele da sala, que tanto a incomodavam, haviam sido trocados por tapetes persa. O ambiente estava mais claro e mais acolhedor. Doía em Ginny perceber que Draco destoava daquele cenário. Mesmo que a alegria de tê-la por perto fosse palpável, sua aura era negra e pesada. Mesmo quando ele sorria. Sua voz continuava sendo ameaçadora e grave mesmo quando suas palavras eram gentis.
Ela queria tocar naquelas rugas precoces e desfazê-las com as suas mãos. Queria beijar suas pálpebras e apagar todas as coisas horríveis que seus olhos testemunharam. Queria fazer a imensidão azul dos seus olhos cada vez mais brilhantes e trazer cor para aquele rosto pálido.
Pegando-se nesses pensamentos, Ginny sentiu-se estranha. Mesmo depois de todas as suas reflexões e conclusões não tinha muita certeza se deveria ter aqueles sentimentos em relação à Draco. Não tinha certeza se estava tudo bem em querer que o calor do corpo dele a envolvesse por inteiro. Talvez estivesse com síndrome de Estocolmo ou algo assim.
Seja lá o que fosse...
Era bom.
Perigosamente bom.
-Nesse corredor... coloquei alguns quadros antigos de família. – Draco falou enquanto passavam pelo retrato de um homem especialmente arrogante que virou a cara emburrado quando eles passaram.
A maioria cumprimentava Draco com cortesia e olhava para Ginny com curiosidade.
Passando pelos quadros da família Malfoy, Ginny sentiu-se intimidada. Como Draco podia considerar lhe dar o nome daquela família, sendo que ela destoava tanto dos outros membros? Não tinha os traços aristocráticos e angulosos nem as formas esguias. Podia não ser feia, mas também nunca poderia ser comparada àquelas lindas mulheres.
Olhou para o loiro e notou que ele parecia satisfeito andando com ela por ali.
-Todos parecem tão jovens. – Ginny comentou, notando os casais.
-É normal em nossa família casamento entre jovens. Minha mãe está desesperada por eu ainda não ter me casado. – Draco riu. – Uma coisa a menos pra ela se preocupar, eu acho.
Ginny ignorou os significados que aquela última frase poderia ter e virou-se para ele.
-Espera um segundo, sua mãe? Ela não estava morta?
Sem olhar para ela, Draco parou de andar, ficando repentinamente tenso. Por um instante, Ginny pensou ter sido muito rude. Ficou observando-o enquanto ele respirava longamente. Em seu rosto, um leve sorriso ameaçou se formar.
-Incrível. – ele murmurou baixinho, antes de olhar para ela. – Depois de todo esse tempo eu... – ele passou a mão pelos cabelos nervosamente enquanto afastava-se dela em passos distraídos. Voltou-se para encará-la nos olhos. – Você quebra todas as minhas barreiras.
Ginny uniu as mãos, sentindo-se levemente irritada por não estar entendendo mais o rumo da conversa.
-Do que você está falando, Draco? O que foi que eu disse?
-Minha mãe está viva. – falou de repente. – O corpo dela foi morto junto com o resto da sua família, mas ela está... como eu posso dizer? No mundo dos vivos.
Ginny piscou, tentando armazenar aquela informação. Era algo muito complicado até mesmo para ela. Olhou para Draco, analisadora.
-Apenas o Ministro, meu pai, meus tios e eu sabemos disso. Escondemos isso dos outros porque levantaria muitas polêmicas. Escondi isso dos nossos amigos mais íntimos por anos e em menos de um dia na sua companhia, eu falei sobre ela, como se fosse a coisa mais natural do mundo. – ele riu. – Esse é o efeito que você tem em mim.
Ginny transferiu seu peso de um pé para outro e agarrou os próprios cotovelos, sentindo-se, de repente, desconfortável com aquela informação. Se Draco estava realmente abrindo-se daquela forma para ela, era bem improvável que um dia fosse deixá-la ir embora.
Lembrou-se de Colin e de como ele ficava intrigado com as relações intensas, devastadoras e cronometradas de Lucius Malfoy. Agora, finalmente as coisas pareciam se encaixar. Narcissa, de alguma forma, descobrira como adaptar sua alma a outros corpos. Não eram trocadas as mulheres e sim os corpos para uma única. Mas por que sempre de seis em seis meses? E de onde ela arranjava os corpos? E como ela conseguia...?
Levou a mão à cabeça, sentindo-se um pouco tonta com a informação súbita. Colin, com certeza, saberia responder essas perguntas. Mas era bem provável que ela nunca tivesse a oportunidade de levá-las a ele. Sentiu uma vontade repentina de perguntar sobre ele para Draco, que se aproximava em passos lentos, mas se conteve. Talvez aquele não fosse o momento mais apropriado.
Levantou a cabeça. O brilho dos olhos acinzentados tão próximos aos seus fez com que qualquer pensamento coerente fosse varrido de sua mente. Quando a mão dele tocou seu queixo, o toque era quente, o que era estranho porque ela se lembrava que suas mãos eram demasiado frias.
-Eu não quero que você seja infeliz... – Draco comentou num sussurro. Estava tão perto que Ginny sentiu o hálito dele em seu rosto. – Mas você fica simplesmente adorável quando está triste.
E se aproximou. Não tão lentamente quanto Ginny quereria. Ela caminhou para trás tentando se desvencilhar com delicadeza, mas a mão dele voou para sua cintura.
-Draco... – sussurrou continuando a mover-se para trás até que seu corpo batesse na parede. Tentou se desviar para o lado, mas ele a segurou. Quando se virou para ele, os lábios quentes encostaram nos seus.
O toque lhe deu calafrios e quase que inconscientemente, ela virou o rosto. Apertou os olhos sentindo que tremia de cima abaixo, sem saber exatamente por que. A proximidade dele a deixava tonta, e ela se sentia fraca demais contra todos aqueles músculos. Os movimentos dele eram vagarosos e gentis, mas ela ainda sentia-se como um animal acuado. O pior de tudo é que ela não tinha muita certeza se queria que ele a soltasse.
-Draco, por favor.
-O quê? – ele perguntou enquanto seus lábios deslizavam pela bochecha dela. – Eu não estou fazendo nada.
Ginny arfou baixinho quando ele pressionou seu corpo. Suas costas imprensadas na parede. Os lábios dele acariciaram levemente a pele de seu queixo até chegarem à curva do seu pescoço. Ginny se perguntou como ele conseguia se curvar tanto para alcançar aquele ponto. Foi só aí que percebeu que seus pés não tocavam mais o chão. Seu corpo tão seguro entre a parede e Draco que não existia a possibilidade de cair.
-Por favor, Draco. – ela pediu tentando entender porque havia lágrimas nos seus olhos quando o toque dele era tão gentil e estava longe de lhe causar repulsa.
Ele tirou os lábios de seu pescoço, lentamente, e a colocou no chão. Não se afastou dela, no entanto. Enterrou o rosto nas mechas rubras e inalou profundamente.
Ginny fechou os olhos, sentindo que os arrepios estavam deixando-a enjoada.
-Por que você está tremendo? – ele perguntou com os lábios colados em sua orelha. – Está com medo?
-Apavorada. – ela admitiu. Draco riu baixinho. A vibração de sua risada emanando diretamente para o corpo de Ginny. Ela levou uma mão ao peito dele, agarrando-se às vestes, atrás de algo sólido para se manter em pé.
-De mim? – a voz era bem-humorada, mas era palpável a amargura por trás dela.
-Sim. – Ginny respondeu, incapaz de mentir. – De você, de mim... de tudo isso. Ainda não... entendi o que devo fazer.
Repentinamente demais para o gosto de Ginny, Draco se afastou. Por um segundo a ruiva realmente achou que fosse cair, mas, ainda de olhos fechados, conseguiu se equilibrar. Respirou profundamente tentando trazer seus sentidos de volta daquele doce torpor e abriu os olhos ao sentir-se mais composta.
-Faça o que você quiser.
Draco estava de costas para ela, parado no corredor, com as mãos nos bolsos e a cabeça caída. Ginny respirou fundo e se aproximou dele, repetindo alguns mantras mentalmente para manter-se calma e centrada. Tentando passar certeza nos próprios gestos, levou a mão ao ombro do homem, apertando-o com certa afeição.
-Não posso. – respondeu. – Porque todas as minhas idéias envolvem sair daqui. Mas nenhuma delas envolve abandonar você.
Draco mexeu-se com desconforto. Ginny ponderou que ele talvez não acreditasse nela, mas decidiu que não importava muito. Eram completamente insanos e contraditórios os sentimentos que tinha por Draco, mas talvez a solução mais plausível fosse abraçá-los e aceitá-los como algo natural.
A imagem de Dean pulou em sua cabeça. Sim, ela realmente amava seu namorado. E o amava muito. Não reclamaria em nenhum momento se tivesse que passar o resto de sua vida ao lado dele. Gostava de sua amizade, gostava de ser sua namorada. Sempre fora fácil conversar com ele. E a cada beijo que trocavam, Ginny sentia-se incendiar. No entanto...
Draco virou-se para ela. Sua expressão era suave, porém ininteligível.
-Essa é sua casa, Ginevra. – ele afirmou. – Você não precisa ter medo. Aqui dentro, nada vai te machucar.
Agarrou sua mão e puxou-a para perto, sem que seus corpos se tocassem.
-Quanto mais cedo você entender isso, melhor. Porque você não vai sair daqui.
Ele segurou sua mão enluvada por mais um instante e mexeu-a dentro da sua, como se procurasse alguma coisa entre seus dedos. Franziu o cenho.
-Onde está o seu anel? – ele perguntou. Ginny encolheu os ombros, notando que ele parecia chateado.
-Eu... o tirei pra tomar um banho e não o coloquei de volta. – respondeu numa voz hesitante.
-Você nunca esquece essa porcaria de colar, mas esquece de um anel de brilhantes? – a voz de Draco era um sussurro perigoso e Ginny sentiu uma sensação gelada na boca do estômago.
Como ele queria que ela não tivesse medo?
Afastou-se um pouco levando a mão ao pescoço e envolvendo a pedra fria do colar.
-Foi um presente do meu irmão. É a única lembrança que eu tenho da minha família.
-O anel foi um presente meu.
-Você está na minha frente, Draco. – respondeu com irritação. – Eu não preciso de uma lembrança sua. Eu estou de luvas! E por que você faz tanta questão que eu use brilhantes dentro de casa?
Por alguns instantes ele não respondeu. Continuou encarando-a e Ginny devolveu o olhar sem piscar. Suor frio ameaçava escorrer por sua nuca, mas ela não ousava demonstrar fraqueza. A expressão de Draco continuava indecifrável, mas ela sabia que ele não estava zangado pela forma que o polegar dele acariciava seu pulso. Ele não respondeu imediatamente, mas Ginny não se importou.
-Eu já disse. – ele falou, e sua voz saiu suave. Na medida do possível. – Você não vai sair daqui por um bom tempo. Eu não queria ter que esperar para vê-la com o anel. Até sairmos numa ocasião apropriada para você usá-lo... – ele suspirou. – Isso pode demorar.
Ginny desviou os olhos dos dele sentindo o peso daquelas palavras. Draco nunca tivera problemas em mantê-la cativa e se ele estava dizendo que era muito tempo, devia ficar assustada. Não sabia se, logo ela, tão inquieta e com o espírito tão rebelde, conseguiria suportar ficar muito tempo trancada. Mesmo se fosse numa mansão como aquela.
-Você está me assustando, Draco. Quanto tempo você acha que terei que ficar aqui? – perguntou, desviando sua mão da dele. No entanto, antes que pudesse dar um passo para trás, Draco segurou-a novamente, apertando-a com força desnecessária. Ginny olhou para a mão, tendo uma arrepiante sensação de déjà vu.
... foi impedida de se levantar pela mão de Malfoy, que ainda segurava a sua. Tentou afastá-lo com mais força, mas sentiu apenas o anel que ele usava raspando a sua pele e o aperto tornando-se mais firme e dolorido.
Como alguém naquele estado poderia ter tanta força?
Era o que a garota se perguntava enquanto, com lágrimas em seus olhos, tentava libertar a mão. Mal conseguia vê-la pela forma como a de Draco envolvia-a. Desistiu finalmente e tentou se acalmar. Não queria chorar. Não queria se sentir mais fraca e imponente do que já era.
No final, não importava o quanto ela se debatesse, ele nunca iria soltá-la.
Respirou pesadamente com a força da lembrança. Era só uma menina naquela época, devia saber lidar melhor com a situação agora!
-Muito tempo. – ele falou. Sua voz ainda era suave, mas seus olhos transbordavam com algo que Ginny não entendia. – É pro seu próprio bem. Eu prometo que as coisas vão melhorar.
Ginny realmente queria acreditar nisso, mas o futuro lhe parecia uma perspectiva tão abstrata... e isso a assustava muito. Sentiu uma urgência de chorar, desesperando-se mais ainda ao lembrar que não poderia descansar a cabeça no colo de Suzan. Respirou pesadamente, forçando os olhos a permanecerem secos e sua mente alerta.
Ao fazer isso, pôde ouvir alguns cochichos.
-São os quadros. – Draco esclareceu. – Vamos sair daqui. Já está quase na hora do almoço e eu não mostrei nem metade da Mansão.
Ginny arregalou os olhos, mas não falou nada. Aquilo estava mais para um palacete do que para uma mansão. Deixou-se guiar por ele, olhando para as paredes. Notou que havia uma moldura vazia, preparada para um quadro. Pensou ter visto alguma coisa interessante na etiqueta, mas Draco não permitiu que parassem para que ela pudesse ler.
Além dos cômodos que já haviam visto, havia vários outros que Ginny duvidava que um dia seriam usados. Sala de música, quartos de hóspedes, e até mesmo um salão de festa. Permanecera a maior parte do caminho calada, apenas concordando com o que ele dizia e fazendo comentários quando estes eram oportunos. Notou o quanto ele gostava de tocá-la. Talvez nem ele percebesse o quanto esbarrava ou encostava-se nela desnecessariamente, mas o fazia. Mexia em seu cabelo, tocava seus braços, puxava-a pelo pulso, esbarrava em seu ombro, acariciava sua bochecha, agarrava sua mão...
Eram toques intrigantes, porém bem-vindos. Ginny realmente não se importava mais com eles. Não mais. Tantas coisas haviam mudado... era difícil imaginar como antes tinha nojo daqueles toques. Como o olhar carregado de desejo dele a fazia tremer de medo...
Ainda tinha muito medo, mas as razões não eram as mesmas. Draco havia mudado muito, e ela se sentia pequena perto dele. Tão insignificante e desprotegida.
-Acho que é só isso.
Quando voltaram para o ponto de partida, a biblioteca, Ginny sentiu-se perdida. Haviam andado tanto em volta daquele lugar que agora aquele corredor lhe parecia completamente alheio. Olhou para a escada.
-Ainda não vimos o andar de cima. – comentou, caminhando até lá. Draco a segurou pelo braço.
-Não. – falou puxando-a e olhando para as escadarias que terminavam no mar de escuridão que era o próximo andar. – Você não iria gostar do que tem lá em cima, Ginevra. Acho que terá que se contentar com todos os outros andares. – ele baixou o olhar encontrando o desconfiado da mulher. – Por favor, agora realmente não é a hora para ser curiosa. Apenas me obedeça.
Ginny não gostou da forma que ele empregou o verbo "obedecer", mas não fez mais perguntas.
-Agora, por que eu não lhe mostro o segundo andar da biblioteca?
-Tem um segundo andar, como eu não notei?
Ele sorriu quando ela adentrou antes dele. Os dois seguiram para a pequena escadaria e foram para o segundo andar, de onde podiam ver uma selva de estantes de mogno. Ao redor, várias poltronas e mais algumas estantes, com um balcão que parecia esconder um bar.
-Uau, Draco. – Ginny ficou sem ar por alguns instantes admirando a visão de cima. – Simplesmente magnífico. Acho que esse é meu lugar favorito.
-Meu também. – Draco sussurrou, fazendo-a virar rapidamente para vê-lo bem perto de si. Ele aproximou-se um pouco mais olhando diretamente para sua boca, mas Ginny desviou-se, andando até as estantes.
-Tem tantos livros aqui, acho que nem em três vidas teria tempo de ler todos. – comentou.
-Você terá tempo. – Draco respondeu.
Ginny engoliu em seco e virou-se para ele.
-Quanto tempo terei que ficar trancada aqui, Draco?
Ele se aproximou e tirou uma mexa de cabelo de seu rosto, afetuosamente.
-Eu não sei. – respondeu. – Alguns anos.
Ginny afastou-se dele sentindo que suas pernas não conseguiriam suportá-la por muito mais tempo. Deixou seu corpo cair num sofá pequeno, e levou uma mão a cabeça, sentindo pontadas mais fortes de dor atormentando-a.
-Ginevra, o que aconteceu? Tudo bem?
-Nada. – Ginny interrompeu forçando sua mente a se focar no momento presente e seus olhos a o encararem com firmeza. – Eu estou bem é só que... – levou a mão livre a cabeça. – É muita coisa pra armazenar, ontem eu estava com Suzan e Dean e não esperava ver você tão cedo e agora eu estou aqui e nós...
-Isso é uma coisa ruim? Você ainda me despreza tanto assim?
Ginny não sabia se havia raiva ou tristeza por trás daquela pergunta.
Abriu a boca e movimentou os lábios algumas vezes sem achar palavras.
-Eu... desprezo? Eu sinto que deveria... não, eu... – respirou fundo tentando articular os pensamentos e as palavras. – Eu estou confusa, tudo aconteceu muito rápido.
-Você foi sempre tão esperta... eu realmente não esperava que teria sido tão fácil trazê-la de volta. – ele sorriu. – Achei que a ordem tentaria defendê-la a todo custo.
Ginny passou a mão nos cabelos nervosamente.
-Foi estranho, todos pareceram... parar pra que você pudesse me levar, eu não entendi o que...
-Os comensais estavam avisados, Ginevra. Sabíamos que você não viria pacificamente, e, mesmo sob as ordens de Alistair, a Ordem tentaria te proteger. Fiquei impressionado de como a deixaram desprotegida.
-Eu... – Ginny piscou algumas vezes sem olhar para Draco. – Não acho que imaginaram que a batalha seria tão voltada para mim.
Draco piscou.
-Claro que seria voltada para você, por Deus, Ginny... foi o único motivo pelo qual concordamos encontrar com Alistair! – Draco exclamou olhando-a com desconfiança por alguns segundos, abaixando-se para ficar a sua altura na poltrona. – Ele te fez achar que não era o nosso alvo principal, não foi? Te fez achar que você não era tão importante naquela noite, por isso que você e sua amiga ficaram tão confusas quando me viram e por isso que Thomas quis lutar comigo. – Draco riu. – Aquele Alistair, cheio de moralismos... mais sonserino do que...
-Draco, por favor...
-Ele entregou-a para nós, Ginny. – Draco falou de repente. – Ele te levou para lá para que pudéssemos levá-la. Fez a Ordem acreditar que você não era importante e não precisaria de tantos cuidados, mas você era a razão por que estávamos todos ali. O bastardo entregou você, em troca dos outros reféns.
Ginny percebeu que não se sentia muito surpresa com aquela informação. Talvez uma parte dela já soubesse daquilo, apenas não conseguira reunir forças para se importar.
-Ele nos disse que faria negociações e que... tinha algumas coisas para usar contra Voldemort caso ele não aceitasse suas condições. – falou devagar. – Eu sabia que ele não estava contando tudo, apenas não cheguei a pensar que ele me entregaria. Acho que ninguém da Ordem pensaria que ele seria capaz de fazer algo assim.
Ela fechou os olhos e balançou a cabeça.
-Está zangada? – Draco perguntou.
-E... os outros foram libertados?
-Sim... a Ordem acha que conseguiu libertá-los por causa das informações que, agora eu sei, você extraiu de Zabini, mas, na verdade, nós os deixamos pegá-los de volta. Eles já não tinham nenhuma utilidade. Eu sei que deve ser difícil ter sido traída por alguém em quem você confiou tanto...
Quando Ginny abriu os olhos havia lágrimas ali. No entanto, ela sorria.
-Na verdade eu nunca amei tanto Alistair na minha vida. – afirmou. - Ele fez a coisa certa. Só não entendo porque não me falou antes. Ele realmente achou que eu não estaria disposta a me sacrificar pelos meus amigos?
Draco mexeu-se desconfortavelmente. Levantou-se e sentou-se ao lado dela.
-Coleman parecia ser um grande amigo seu. – ele falou com clara chateação na voz.
Ginny olhou-o incrédula.
-O que ele andou revelando para vocês, hein? – Ginny perguntou, lembrando-se das palavras de Voldemort no Parque das Lamentações.
-Me diga, chèrie, quando exatamente a fase que não entram homens na sua vida acabou? Quando você estava na academia com o seu querido professor ou com o babaca do Thomas?
Ginny moveu-se para longe dele, agarrando o braço felpudo do sofá.
-O que exatamente você acha que eu tive com Coleman?
-Você me diz, Ginevra.
Ele parecia irritado e Ginny olhou para ele, incrédula. Por alguns instantes, pensou em simplesmente lhe dizer que não chegara a ter nada com Coleman depois que ele a assediou na sala, mas decidiu que o mais prudente seria dizer:
-Isso não é da sua conta.
Aquilo pareceu ter sido como uma confirmação para as suspeitas de Draco. Ele agarrou-a pelo braço e, mesmo que a expressão de Ginny fosse desafiadora, ela sentiu medo enquanto ele se debruçava sobre ela no sofá.
-O que exatamente vocês fizeram, Ginny? Foi metade das coisas que você fez com Thomas?
-Claro que não. – riu, sentindo que poderia falar com sinceridade. – Com Coleman não fiz nem metade das coisas que fiz com Dean.
Sentia que estava jogando um jogo perigoso, mas não sentia muita vontade de parar. Sua adrenalina estava a mil enquanto Draco aproximava-se dela no sofá, enquanto as mãos dele procuravam meios de encurralá-la... enquanto seu olhar ferino brilhava de raiva... todos os seus instintos mais vis gritavam de excitação naquele momento enquanto a própria Ginny queria correr dali.
-Eu quero ver. – ele falou. Sua voz tinha uma entonação perigosa e assustadora.
Ginny franziu o cenho.
-Quer ver?
-Abra sua mente para mim. – ele ordenou. – Eu quero ver.
Ginny abriu a boca para falar alguma coisa, mas estava ocupada demais, gritando de susto quando Draco a deitou repentinamente no sofá. Tentou se levantar, mas o corpo dele pressionava e esmagava o seu. Mexeu-se tentando estapeá-lo, mas ele a segurava com força contras as macias almofadas.
-Pare com isso! – ele ordenou. – Quanto mais quieta você estiver, mais fácil será. Para você e para mim.
-Você NÃO VAI entrar na minha mente Draco! NÃO VAI! – ela gritou, tentando usar as pernas para afastá-lo, urrando com frustração ao perceber que cada movimento seu parecia acomodá-lo mais em seu corpo. Quando olhou para o seu rosto ele sorria cruelmente, o que só a fez querer lutar com mais força.
-Você é melhor do que eu me lembrava, Ginevra.
Com um rugido de raiva, Ginny parou de se movimentar.
-DROGA! – gritou para cima, antes de olhá-lo com raiva. – Você quer saber? Não precisa ler minha mente, eu mesma te digo: EU AMO DEAN! Amo como nunca amei e provavelmente NUNCA vou amar ninguém na minha vida! Se não fosse por você, eu estaria com ele agora!
Draco ficou calado e mortalmente sério por alguns instantes. Apenas olhando-a respirar pesadamente. Depois, com movimentos lentos e fortes, ele puxou as pernas de Ginny para cima, acomodando-se entre elas, e prendeu a cabeça dela entre suas mãos. Ao estabelecer o contato visual, Ginny sentia que não conseguiria se mover.
-Veremos.
-Não. Por favor, Draco. – Ginny implorou com lágrimas preenchendo seus olhos. Não queria que ele visse seus amigos ou informações da Ordem em sua mente. Não queria prejudicar os outros por causa de seus atos inconseqüentes. Tentou se desvencilhar, mas qualquer possibilidade de movimento fora vetada. – Eu falo o que você quiser ouvir, eu só falei pra te provocar, eu estava chateada. Quero dizer, você teve outras mulheres também, não é? Qual é o problema?
-VOCÊ É MINHA! – ele exclamou apertando o rosto dela entre suas mãos, fazendo-a fechar os olhos. – ESSE É O PROBLEMA!
-Pessoas NÃO PERTENCEM a pessoas, Draco! – ela afirmou, desesperada. – Qual é o seu problema? Você só me aceitaria virgem e casta, é isso? Você é doentio e machista a esse ponto?
Por um momento, Ginny achou que ele iria gritar, então apenas fechou os olhos. De repente, sentiu que tinha um pouco mais de liberdade de movimento e moveu a cabeça. Sentiu Draco soltar o ar e soube que ele havia se acalmado. Não quis abrir os olhos pra confirmar.
A próxima coisa que sentiu foi o nariz dele roçando em seu pescoço, enquanto ele afundava a cabeça no seu cabelo, relaxando o corpo. Com uma mão ele acariciou seu braço gentilmente.
-Me desculpe, Ginevra. – ele pediu parecendo realmente arrependido. – Claro que isso não importa. Não importa nem um pouco, eu só... eu sou muito ciumento. Me perdoe, eu não queria assustá-la.
Ginny abriu os olhos encarando o teto. Respirou fundo.
-Draco, você tem transtorno bipolar ou algo assim? – perguntou com uma ponta de ressentimento na voz.
Ele riu.
-Geralmente eu sou bastante calmo. – afirmou. – Acho que sou só assim perto de você.
-Sorte a minha. – Ginny revirou os olhos e Draco ergueu-se nos cotovelos para encará-la.
-Você realmente não mudou. – ele parecia feliz com isso. – A mesma Ginevra com quem eu sonhei durante todos esses anos. Eu não devia ter gritado. Eu não me importo de você ter ficado com outros caras, eu só acho que eles não a mereciam.
-E você merece? – Ginny perguntou erguendo as sobrancelhas. Draco pareceu desconcertado por alguns momentos.
-Sou o que chego mais perto. – afirmou. – Posso te oferecer o que nenhum deles pode. Segurança, conforto... e pode ter certeza que ninguém nunca poderá te amar tanto quanto eu.
-E quanto a mim, Draco? – ela perguntou suavemente, empurrando-o e sentando-se no sofá. – Não é importante que eu ame a pessoa com quem vou passar o resto da minha vida?
Ele acariciou o rosto dela.
-Não tanto. – respondeu com sinceridade. – Pelo menos não agora. Você vai ver, Ginny. Vai se acostumar comigo. Eventualmente, vai me amar.
-É por isso que vai me manter trancada aqui por alguns anos? Para que eu não tenha opção? Para que eu só tenha você para amar?
-Não, eu não faria isso. – Draco respondeu, omitindo que esse era o seu plano há sete anos. – Você vai ficar aqui, Ginny, até que seja seguro para você sair. Até que seus companheiros da Ordem desistam de te achar, até que seus crimes expirem e até que a sociedade não a veja mais como uma ameaça.
-Para que possam me ver como uma Malfoy?
Ele tocou em seu rosto contornando suas feições com carinho.
-Ginevra Molly Malfoy. – ele ponderou. – Esse nome combina perfeitamente com você.
-Não. – Ginny desviou o rosto dele. Seu nome ligado ao sobrenome dele lhe dera arrepios violentos. Começou a sentir dificuldades para respirar. – Não, Draco. Isso não. – Levantou-se do sofá, andando apressada para o andar de baixo. No meio das escadas, ele a alcançou.
-Você acha que não dói? – ele perguntou, puxando-a pelos dois braços.
-Me solte, Draco. – ela pediu baixinho, oferecendo uma fraca resistência aos movimentos súbitos dele.
-Acha que não dói ter que levá-la ao altar contra sua vontade? Acha que não dói saber que a mulher que eu amo me despreza? E saber que para mantê-la a salvo tenho que me tornar em um monstro aos olhos dela? – perguntou. – Eu queria ter tempo para fazer as coisas da forma convencional. Queria ter tempo de fazer você se apaixonar por mim, mas não posso, Ginevra.
-Claro que pode! – Ginny exclamou agarrando as vestes dele e trazendo-o para perto. – Claro que pode, Draco! Você não é um monstro! Tentaram te transformar em um, mas você NÃO É! Você pode fazer a coisa certa! Você pode vir comigo.
Ele franziu o cenho. Subiu as mãos pelos ombros dela, acariciando-a gentilmente.
-Do que você está falando, Ginny?
-Venha comigo! – ela exclamou. Sua voz emocionada, porém confiante. – Eu sei que você quer fazer a coisa certa, Draco. Então venha comigo! Volte comigo para a Ordem da Fênix! Você é o braço direito de Voldemort, com certeza seria muito útil e eu...
-Você poderia voltar para Dean e nós seríamos melhores amigos para sempre? – ele perguntou com sarcasmo. – Quero dizer, até Voldemort nos achar e nos matar, é claro!
Ginny piscou. Ele não entendeu que ela estava oferecendo uma oportunidade para que ficassem juntos da maneira certa?
-Dean? Não... você não está me entendendo...
Os dedos dele apertaram-se nos ombros dela e Draco se inclinou em sua direção.
-Você não está me entendendo, Ginny. – disse. – Eu não vou colocar a sua segurança em risco, não importa o que eu tenha que fazer. Se eu tiver que continuar ao lado do Ministro e fazer tudo o que ele mandar, é isso que eu farei. – seu olhar tornou-se mais suave ao ver os indícios de lágrimas dela. – Eu sou um monstro, meu amor.
-Não. – Ginny negou sem olhar para ele. – Não é. Eu sei que não é, eu nunca teria me apaixonado por um monstro.
Os dois suspenderam a respiração com as palavras de Ginny, mas ela não ousou retirá-las ou fazer qualquer menção de arrependimento. Soube que era a verdade assim que elas saíram de sua boca. Apenas não entendia muito bem o que fazer com isso.
A próxima coisa que sabia era que os lábios de Draco estavam em sua boca, estimulando-a a beijá-lo de volta. Os braços dele envolveram sua cintura, e ela permitiu-se saborear aquela sensação antes de envolvê-lo pelo pescoço.
Foram indescritíveis as sensações que Draco lhe proporcionou ao aprofundar o beijo. Nunca havia se sentido tão invadida e tão querida ao mesmo tempo. Cada centímetro do seu corpo tremia com a intensidade daquele momento, seu sangue corria quente e rápido pelas suas veias contrastando com a súbita paz que tomou conta do seu espírito.
Suas pernas bambearam, mas o sentimento de insegurança durou pouco tempo, pois Draco a segurava com firmeza. Pela segunda vez naquele dia, seus pés deixaram de tocar o chão. Lágrimas vieram juntar-se ao beijo e ela não tinha muita certeza de quem eram. Apenas apertou seus braços ao redor dele e o beijou com toda a intensidade que seus sentimentos recém descobertos lhe permitiam. As línguas se tocavam com ânsias, os lábios se saboreavam com volúpia. O cheiro dele a entorpecia e o corpo dele parecia envolvê-la por inteiro.
Logo, sentiu seu corpo sendo delicadamente deitado no sofá, mas não se importou. Apenas sentiu uma deliciosa sensação de borboletas no estômago. O peso dele, há poucos minutos tão assustador, agora era confortável e bem-vindo. Admitir para si mesma o que seu subconsciente estava gritando para lhe informar era algo simplesmente libertador.
Estava perdidamente apaixonada por Draco Malfoy. E essa era uma condição imutável e indiscutível do seu ser.
XxX
N/A: Eu disse que era só ter paciência não disse?
E nem estou falando em relação à atualização. E sim sobre a Ginny se apaixonar pelo Draco. Ta aí. Aconteceu. E foi algo tão natural que [JURO] até eu me surpreendi depois que escrevi. Quando reli, fiquei dando pulos na cadeira como se essa história nem fosse minha e eu estivesse lendo pela primeira vez.
Esperem o próximo capítulo para que esse assunto seja aprofundado. Eu espero não demorar tanto tempo para atualizar, mas não posso prometer nada. Ano de vestibular é horrível meus amores. Ainda mais com essa história toda de novo ENEM. Eu sinceramente fico me perguntando quando o governo vai cansar de fazer merdas.
Apostam quanto que ano que vem o modelo vai mudar de novo?
Bom, saindo um pouco desse assunto indigesto... Quem viu HP? Amaram que nem eu? Ginny tem falas agora! Uhuul! Tom Felton não me decepcionou como Draco Malfoy. O único problema do filme é que achei-o um pouco superficial demais... Não se aprofundou direito em nenhum dos temas. A morte do Sirius foi mais emocionante do que a morte de Dumbledore... Não acham?
Vou aproveitar e fazer uma propaganda aqui... Todo mundo que me conhece sabe que escrever é minha vida... então... para descarregar um pouco nesse ano tão estressante e para manter contato com uma amiga que vejo pouco, nós duas criamos um blog. "www . gotasdeveneno . blogspot . com " no blog meu nome é Alle Snave e o da minha amiga é Sammi Syke. Dêem uma passada lá. Dêem uma forcinha porque lá está meio parado. Uns comentários seriam bons. E como eu sei que vocês arrasam nisso e gostam de ler... Acho que meu próximo post lá vai ser falando sobre fics, aí acho que vou até querer bater um papo com algumas autoras, tipo entrevistas e tal.
Bom... sem mais delongas...
Reviews:
Marcia B. S.: Acho que essa obsessão não vai mais ser tão desconfortável assim. Pelo menos não para a Ginny. hehehhe! Beijos! Obrigada pela review! Espero que tenha gostado desse capítulo!
Cuca Malfoy: Nesse cap podemos perceber que, ao contrário do que o próprio Draco pensava, ele não é um monstro. Pelo menos, não mais. E eu sei que eu fui má com o "trailler" do capítulo... mas eu queria dar um sustinho em vocês! Hahahhaa! Espero que tenha gostado desse capítulo! Fique atenta para o próximo! Um beijo! Obrigada pela review!
Lika Slytherin: Espero sinceramente que o capítulo tenha sido tudo o que você esperava. Acho que agora os mistérios vão começar a ser resolvidos, então você vai ver que eu não sou um gênio da literatura, só gosto de coisas complicadas. Hhahahaha!
Meu professor gato está namorando =/. Mas tudo bem né? Contanto que ele termine com ela antes da minha formatura. Hahaha!
Adorei o trecho da música. Você tem razão. É muito parecido com o Draco! Simplesmente amo esse psicopata. Fico muito feliz em ver que estou conseguindo passar a idéia que eu queria que vocês tivessem dele. Obrigada pelos elogios! E posso te contar uma coisa? Eu até tenho projetos de livro. Mas acho que vou esperar amadurecer um pouco mais a escrita pra dar início a eles. Enquanto isso fico nas fanfics.
Obrigada pela review maravilhosa!
Beijos!
Gaabii: Fim das férias, e eu postei. Hehe. Tive que mandar pra beta e etc. Dá pra entender né? Eu não estudei nada essas férias, mas agora vou sentar a bunda em casa e recuperar o tempo perdido de qualquer jeito. Boa sorte pra nós!
Um beijo! Obrigada pela review!
Janete Alves: Eu ainda não acabei a fic, mas não estou muito longe disso. Escola e etc. é que atrapalham. Não vou responder suas perguntas agora, mas posso te dizer que elas estão muito perto de serem respondidas. Que bom que você está gostando tanto da fic! Espero que tenha gostado desse capítulo.
Quanto ao professor... ele é lindo demaaaaaais. As chegadas dele não são descaradas, mas todo mundo percebe... o problema é que agora ele está namorando. Mas foi o que eu disse pra Lika, contanto que ele esteja solteiro na minha formatura... hahahha! Estou simplesmente fascinada pelo homem. Cheguei até a fazer um post sobre ele no blog que eu falei ali em cima.
Beijos e obrigada!
DéH: Ih, não precisa se desculpar! Não exijo que comentem em todos os capítulos, contanto que comentem de vez em quando só pra eu saber que tem gente acompanhando e do que estão achando! E eu amos suas reviews!
Espero que esse capítulo tenha te deixado pulando na frente do PC. Sempre me dá uma espécie de alívio quando eu posto mais um. Imagina quando eu terminar a fic!
E sim! Ginny e Draquinho twogueder foréver! Hahahaha!
E eu não me confundi não... é que como eu coloquei a ordem cronológica no meio da história o site está mostrando os números dos capítulos meio adiantados.
Beijos e obrigada pela review!
Gabrini HM: Não entendi direito porque a capacidade mental da Ginny caiu um pouco. Tipo.. em que sentido você quis dizer. Acho que o Draco não foi tão amedrontador nesse capítulo não é? Espero que tenha gostado! Um beijo e obrigada pela review!
Cheib: Haha! Nada de sonho. Tudo muito real Espero que o capítulo tenha sido o que você esperava.
Eu simplesmente adoro esses trechos que você citou!
Um beijo e obrigada pela review!
Oraculo: Espero que esse capítulo tenha sido bom como você esperava. Vestibular é realmente uma droga. Pra mim seleção de alunos para faculdades tinha que ser que nem nos EUA. Bem melhor.
Obrigada pela review e um beijo!
Tuty Frutty: Nem tão tenso assim como você pode ver. =D Espero que tenha gostado! Sei que a atualização demorou, mas espero que a espera tenha valido a pena.
Um beijo e obrigada pela review!
Io: Muito obrigada pelos elogios e por acompanhar a fic! Espero que você tenha gostado desse capítulo e que a espera tenha valido a pena! Um beijo e obrigada pela review! Beijos!
Sett: Hahaha! RI MUITO com o grupo HAD. Ele realmente precisa de ajuda psicológica, mas acho que nesse capítulo ficou claro que talvez a Ginny consiga dar um ajudadinha nele! Eu acho que essencialmente o Draco é uma pessoa boa. Só teve uma criação muito errada, e por isso acabou se tornando a pessoa intragável que conhecemos nos livros da JK. Que bom que você gosta dos personagens secundários. Eu tenho mania de dar destaque a personagens assim. Acho que minha favorita é a Suzan.
Obrigada pelos elogios! Continue acompanhando! Espero que tenha gostado desse cap! Um beijo!
Bella Black Malfoy: Draco não foi nenhum santo na história. Ele fez realmente muito mal a família da Ginny pelo simples fato de lutar com eles. Só que a história estava muito mal contada, agora vai ficar explicadinha. De agora em diante não se criarão mais mistérios. Apenas respostas. Estamos na reta final da fic.
Eu selecionei algumas cenas do trailer pra dar uma idéia errada mesmo. Por favor, não me odeie. Hahahha! Se arrependeu por ter confiado?
Estou muito feliz em constatar que seu medo do retrocesso não se concretizou!
Um beijo e obrigada pela review!
Analu Medina: Desculpe a demora. Sabe como é né? Ano de vestibular... espero que o capítulo tenha alcançado suas expectativas e que a espera tenha valido a pena!
Um beijo e obrigada pela review! Continue acompanhando!
Camila W. : Sinceramente acho que agora as coisas estão mais empolgantes do que nunca. É como eu disse pra Bella, o trailer foi só pra assustar vocês porque eu sou máa. Hahaha! Nesse capítulo ficou explicada a falta de resistência da Ordem e ficou bem claro que Draco está aprendendo... pelo menos um pouquinho. Acho que a Ginny não tem muito o que temer agora...
Beijos e obrigada pela review! Continue acompanhando.
Maria Isabel: Posso falar a verdade? Também sempre achei ele meio sexy. Quero dizer... até ele perder o nariz e tal O.O . E fique tranqüila. Eu sou muito fraca pra escrever uma cena de estupro. E agora, pelo fim desse capítulo, deu pra ver que vocês podem riscar essa possibilidade de estupro pelo resto da fic. Ufa né? Um beijo e obrigada pela review! Continue acompanhando!
Karlinha: Pois é querida.. ano de vestibular estou meio atolada. Aulas a tarde 6 dias por semana... sendo que no domingo tenho que estudar pra prova da segunda. Fico meio sem tempo para escrever. Espero conseguir espremer mais um capítulo nesse mês, mas não posso prometer nada. Infelizmente. Espero que tenha gostado desse capítulo. Por esse final... nem preciso responder a sua pergunta não é? Hahaha! Beijos! Obrigada pela review!
Heather Danforth: MUITO obrigada pelos elogios. Não faz idéia o quanto eles me fazem bem. Essa fic é minha melhor criação até agora e eu fico muito feliz que esteja sendo bem aceita dessa forma. Continue acompanhando por aqui. Só vou ficar postando por esse site mesmo. Um beijo e muito obrigada!
Suhh Rickman: Aaa. Gostou? Vou te procurar no Orkut, pra ter certeza. Que bom que você gostou da reforma. Eu também acho que ficou bem melhor e bem mais condizente com o resto da história.
Obrigada pela review! Um beijo!
Juuh Malfoy: OOOBA! New blood! Hahaha! Acho que o legal das fics D/G são os contrastes de personalidade dos dois e muitos autores acabam perdendo isso nas fics. Tentei manter isso vivo o máximo que pude. Que bom que você gostou. Jura que você chorou? Eu sofri bastante escrevendo. Amo muito a família Weasley. Desculpe a demora para atualizar, mas espero que tenha valido a pena! Obrigada por superar a primeira impressão e decidir ler a fic! Um beijo!
Natalia jar: Uma coisa que as pessoas precisam entender sobre Ella Evans: ela é máaa! Hahahha! E você não tem problema nenhum. O Draco que tem esse poder sobre as pessoas. É todo complexado e atormentado e deixa todo mundo maluco com ele. Inclusive eu. A Luna é uma personagem que eu adoro. Nem eu entendo porque ainda não a coloquei na fic. As pessoas não entendem quando eu digo que essa estória parece que tem vida própria e eu simplesmente não posso ir contra ela.
Eu não tive motivo nenhum pra ficar chateada com sua review, menina. Relaxa. Eu não me importo com sugestões. Pra mim o legal de fics é assim: Com as pessoas opinando, dando dicas, trocando idéias e tal...
Obrigada pela review! Um beijo! Espero que tenha gostado desse capítulo depois do susto que eu dei com o trailer!
Ginny Danae Malfoy: Sim, eu sou. Isso já é consenso geral por aqui. Hahahha! Espero que tenha gostado desse capítulo e que a espera tenha valido a pena. Muito obrigada pela review! Continue acompanhando!
Izzie: Pois é. Eu desisti de postar em outros sites. Agora é só por aqui mesmo. Que bom que você achou! Minha outra D/G não é muito digna de aplauso... mas vou me dedicar a algumas bem legais quando acabar essa aqui, o que não falta muito. Obrigada pelos elogios! A melhor de todas? Sério que você pensa isso? Muito obrigada mesmo! Um beijo e continue acompanhando! Espero que tenha gostado desse capítulo!
Bellatrix Amarante: uhuhuhuhuhu. Eu sou má demaaais. Desculpe pela demora, mas aqui está. Pelo menos você não teve que esperar um ano! Espero poder postar mais um capítulo esse mês, mas não posso prometer nada, infelizmente. E não se preocupe que eu já me acostumei com o caps lock! Eu já li essas fic que você citou mas achei-as muito fortes. Piores do que a minha. Não consegui ler tudo por causa das humilhações sexuais. Tenho pavor dessas cosias. Mesmo assim fiquei feliz com a comparação porque achava a fic muito bem escrita!
Fiquei muito feliz com as suas reviews, acompanhando como você reagiu bem aos meus capítulos. Receber elogios assim realmente não tem preço! Muito obrigada! Espero que minha fic seja tão boa quanto você falou, sinceramente!
Um beijo e muito obrigada! Beijos!
Vaamp Malfoy: postei! =DD
Lydhyamsf: Tinha parado de ler? Por que? Draco tem problemas de abandono! Acho que ele não agüentaria mais ninguém abandonando ele. Hahahaha! O importante é que você voltou. Espero que tenha gostado desse capítulo! Um beijo e obrigada pela review!
Dani: Aí está. Desculpe a demora! Beijos!
Storm: Tive a impressão que a personalidade do Draco ficou meio em off nesse capítulo... mas não se preocupe que logo melhora. Ele só está temporariamente dopado de amor. xD Fiquei muito feliz com o seu comentário. Bom saber que estou conseguindo passar uma coisa boa para os meus leitores! Muito obrigada! Um beijo e espero que tenha gostado desse capítulo!
Lisinha: Duvido que a JK colocasse o Draco e a Ginny juntos.. mas eu entendi o que você quis dizer e fiquei muito feliz com esse elogio. =D Desculpe pela demora! Espero que tenha gostado desse capítulo e que tenha valido a pena esperar! Um beijo e muito obrigada pela review!
Mila Lovegood: Muito, muito, muito obrigada pelos elogios! Espero que esse capítulo tenha alcançado suas expectativas. Um beijo! Continue acompanhando! Beijos!
Karla Kollynew: Meu Deus Karla! Quando você disse que ia comentar em todos os capítulos eu não achei que você teria o fôlego. Meus parabéns e muito obrigada por aumentar drasticamente meu número de reviews. Eu vivo dizendo que o que importa não é a quantidade e sim o conteúdo... mas o número aumenta nosso ego não acha?
Vou começar dizendo que fiquei muito lisonjeada e muito feliz por saber que você gosta da minha fic. Muito obrigada mesmo!
-Eu gosto de retratar os Malfoy como uma família real porque eu realmente acho que tem muito amor naquela família, só que os conceitos são todos distorcidos. Apenas isso. O negócio é que eu amo coisas complexas, então tenho um fraco pelos Malfoy. Eu comecei a escrever essa fic quando ninguém conhecia muito bem os comensais, só haviam sido citados nomes, então eu abusei da imaginação e admito.. exagerei um pouco. Mas acho que vai ser um pouco útil mais para o final da história.
-Eu gosto muito de TG. Tenho um projeto de fic desse shipper, mas infelizmente estou sem muito tempo para escrever. Mas TG! Nada de Voldie. Não gosto de homem sem nariz não. .
-Essa fic sua em que o Zac é espancado... menina, estou indo procurá-la agora, porque eu simplesmente desprezo Zacharias. Meus dedinhos tremeram muito pra fazer ele morrer só que acabou não rolando. A estória não permitiu. Dá pra entender uma coisa dessas?
-Esse detalhe do Veritasserum ainda vai ser respondido. Não se preocupe. Acho que você foi a única pessoa que notou isso, o que é uma surpresa. Achei que mais pessoas iam notar =/
-A falta de reação da Ginny a sobrevivência de Zacharias foi erro mesmo. O capítulo tava muito grande então acabei cortando a parte em que era originalmente revelado para a Ginny sobre o Zacharias. Tinha ficado legal. Tenho que lembrar de acrescentar essa parte. Mas como você viu.. o temo veio a tona de novo... OKAY! Eles só mencionaram, mas conta.
-Por incrível que pareça eu entendi o que você quis dizer com o capítulo 19. Enquanto eu o escrevia, e relia, eu senti que ele era diferente dos outros, como se mostrasse uma fase de transição da fic ou coisa assim. Ou sei lá. As pessoas não acreditam, mas eu juro que as vezes sinto como se essa estória fosse viva. As vezes eu quero escrever alguma coisa, mas simplesmente não consigo. A estória acaba me guiando para outro caminho. Sinistro não é?
Amei a overdose de comentários! Sério! Deve ter sido deliciosa essa maratona de ler fics D/G. Me deu vontade de fazer isso. Se souber de algumas boas em andamento me avise porque está cada vez mais difícil de achar. =/ Tenho estado bastante ausente do fandom por causa do ano de vestibular, mas estou interessada sim no seu "levantamento". Eu só andei bastante sem tempo e só hoje mesmo fui sentar pra resolver minha vida no computador! Obrigada por pensar em mim.
E é oficial. Essa é a MAIOR resposta que eu já dei para alguém na MINHA VIDA.
Hahahhaha!
Espero que tenha gostado desse capítulo!
Um beijo!
Xx
Ah é gente... olha que interessante, na Floreios e Borrões tem uma fic com o título igual a da minha. A era dos comensais. Eu sou uma pessoa de coração puro e prefiro acreditar que eu e a autora só temos a mente muito igual em questão de nomes de fics. Eu até reclamaria se a fic também fosse D/G, mas é Severus e Hermione eu acho... ou Draco e Hermione... sei lá.. quando li que era Hermione e outra pessoa fui embora porque pra mim Hermione será sempre do Ron. Nada contra. Eu só não consigo ler.
Fiquei meio irritada no início, porque todo mundo quer que suas coisas sejam únicas... mas a vida é muito curta pra se irritar por besteira.
Um beijo e MUITO OBRIGADA pelo apoio de todos vocês!
Até o próximo capítulo!
Ella Evans
-G
P.s.: O nome do capítulo é plágio do nome de uma fic de Sailor Moon. A autora se chama Nat D. Ela não sabe, não sei se ela deixaria, mas não contem. Vamos ver quanto tempo ela leva pra descobrir.
P.p.s.: Nat D é minha irmã. /hihihi
