N/A: Oiiii gente! Desculpa a demora, a faculdade tá me matando! Mas aqui vem mais um capítulo para vocês! Espero que gostem! Muito obrigada s todos por lerem e comentarem, significa muito!


Vigésimo Primeiro

Mitsue correu até o quarto para atender ao pedido gritado da bebê. Pegou-o no colo. O que seria dessa vez? Fome? Fraldas?

Tentou primeiro amamentá-la, mas ela não queria comer. Em seguida levou-a até o trocador e verificou sua fralda, não havia nada lá. Tentou fazê-la arrotar, mas nada saía.

- Vamos lá, bebê, por favor. – Ela implorou baixinho.

Já fazia uma semana que Karura chegara a casa e se vida de grávida era difícil, a de mãe era ainda mais. Andou de um lado para o outro do quarto tentando niná-la, mas ela não parava de chorar.

E ela fazia isso frequentemente. Às vezes era fácil acalmá-la, ela só precisava comer, ou ser limpa, coisas básicas para as quais ela se preparara. Mas tinha vezes em que não conseguia descobrir do que a nenê precisava. Essa era uma.

Já estava quase chorando junto de desespero quando tudo ficou silencioso. Karura parara de chorar. Assim, sem motivo aparente.

Ela suspirou aliviada. Levou o bebê de volta a seu berço, mas um estremecimento de uma perninha a fez hesitar. E se o movimento a incomodasse e ela voltasse a chorar?

Então caminhou lentamente até o sofá instalado no quarto e sentou-se cuidadosamente.

Observou a sua filha.

Não conseguia cansar-se de fazer isso. Tudo nela era tão perfeito.

E ela era tão sua. Apesar de não haver um fio de cabelo em sua cabeça e da cor de seus olhos ainda ser a cinza dos recém-nascidos, conseguia reconhecer-se em diversos detalhes, como no formato das orelhas e dos olhos. Também podia ver Gaara nela, no modo como seu queixinho se destacava, nas altas maças do rosto por detrás das grandes bochechas macias. Ela era deles.

Ouviu a campainha tocar e xingou mentalmente. Não queria levantar-se. Mas então se lembrou de que Kyoichi contratara uma empregada para ajudá-la no nesse começo de vida nova. Antes eles tinham apenas uma faxineira, que vinha de quinze em quinze dias limpar, mas agora, com todas as tarefas extras que o bebê exigia, ele julgara melhor colocar alguém todos os dias dentro de casa.

Niita apareceu na moldura da porta com uma expressão assustada. Era uma ótima mulher, no final dos seus quarenta. E ela adorava Karura.

- Mitsue-san, é o Kazekage. – Ela disse num sussurro urgente.

Mitsue sorriu.

- Está tudo bem, deixe-o entrar.

A mulher deu um passo para o lado, permitindo que Gaara entrasse no quarto. Ela sentiu um calor crescer em seu peito ao vê-lo ali dentro, no quarto que preparara para sua filha com tanto carinho. O cabelo dele contrastava fortemente com o amarelo leve das paredes

- Obrigado, Niita. – Ela agradeceu fazendo um gesto significativo para a mulher.

Ela entendeu e fechou a porta ao sair, não sem antes lançar um olhar desconfiado para o homem.

- Muito simpática. – Gaara comentou. – Mas acho que ela não gostou de mim.

Mitsue riu.

- Tenho certeza de que só está preocupada se você veio me obrigar a voltar para o trabalho.

- Eu sou a última pessoa que quer que você se canse. – Ele disse gentil

- Eu sei. – Ela sorriu. – Por que está parado na porta? Chegue mais perto.

Gaara deu alguns passos hesitantes para dentro do quarto. Olhou ao redor.

- O quarto ficou muito bonito.

- Fico feliz por ter gostado. Mas ficaria mais feliz se você se sentisse mais à vontade.

- Desculpe, me sinto um pouco intruso.

- Mas você não é. – Ela disse com firmeza. – É o pai de minha filha e o homem que eu amo. Minha casa é sua.

Ele sorriu de leve, andou até ela, sentou-se ao seu lado e pôs-se a observar o bebê. Depois de olhá-la por alguns segundos ele disse baixinho:

- Olá, pequenina. Eu sou seu pai.

Mitsue sentiu seu coração encher-se de ternura

- Ela é perfeita. – Ele continuou

- Sim, é. – Ela respondeu no mesmo tom.

- Qual é a sensação?

- Qual sensação?

- De fazê-la dormir.

Ela pensou na primeira vez em que ninara sua filha. Depois se lembrou da primeira vez que a amamentara...

- É incrível. Você deveria experimentar mais tarde. – Respondeu olhando-o fundo nos olhos jade.

- Eu adoraria. – Ele retornava seu olhar.

- Eu te deixaria segurá-la agora se não tivesse passado tanto tempo tentando fazê-la adormecer. – Ela sorriu pedindo desculpas.

- Não tem problema. Estou adorando cada momento.

Os dois se encararam. Ela sentiu seu coração pular uma batida.

Finalmente ele estava ali, com ela, novamente. Ainda não era do jeito que ela queria, mas era tão melhor do que antes. O momento em que o vira entrar no quarto no dia do nascimento sentira tamanha emoção que pensara que não fosse aguentar e desmaiaria ali mesmo. Agora eles estavam juntos observando sua filha dormir. Era como se tudo estivesse finalmente sendo do jeito que deveria ser. Ela, ele, Karura e o amor que os unia.

Observou-o atentamente. Ele tinha uma expressão tão relaxada, era tão raro vê-lo assim. E havia esse sorriso bobo em seu rosto. Sorriso de pura felicidade. E em seus olhos havia um brilho. O brilho que apenas os olhos de um pai poderiam ter.

- Eu quero que ela tenha os seus olhos. – Ela murmurou.

Ele pareceu surpreso.

- Prefiro que tenha os seus. – Disse gentil. – E o seu sorriso.

- Meu? Não! O seu é muito mais bonito. – Ela protestou.

- Em sua opinião... Eu prefiro o seu. Ele é aberto, leve, constante.

- E o seu, por ser raro, é especial e misterioso. – Mitsue comentou, um sorriso em sua voz.

- Então que seja o mistério do meu e a constância do seu, o que acha? – Ele brincou. Na voz de Gaara havia um toque aveludado, como se um calor interno a amaciasse.

Ela riu suavemente.

- Para mim parece ótimo.

- Eu gostaria que ela risse como você. Um som tão doce. – Ele passou a mão de leve por seu rosto.

- Eu quero que seja corajosa como você. – Ela inclinou a cabeça em seu toque.

- Que tenha o seu bom coração.

- Estaria feliz se ela tivesse o seu.

Eles sorriram um pro outro. Aquele sorriso que ela não conseguia nem explicar o quanto amava. Sentiu o impulso de beijá-lo.

- Mas na realidade nada disso importa. Eu a amarei de qualquer jeito. – Ele disse.

- Com toda a certeza.

- Assim como eu te amo. Como não deixei de te amar nem por um segundo, mesmo quando pensei que tivesse me abandonado. – Ele falava com firmeza e ainda assim suavemente.

Ela sorriu diante das palavras. Era a primeira vez que conversavam sobre isso. Já haviam assegurado seu amor diversas vezes desde que fizeram as pazes, mas nunca haviam falado sobre os medos que tinham tido. Sobre as vezes que acreditaram que o outro não mais sentia o mesmo.

- Eu também nunca deixei de te amar. – Ela sussurrou. – E eu tive tanto medo de que você me odiasse.

- Eu não poderia.

E ele falava sério. Seus olhos brilhavam intensamente e sua expressão estava calma, concentrada. Ela sentiu-se estremecer pela forma com que ele a olhava. Como se ela fosse... A pessoa mais importante do mundo.

Então ele começou a se aproximar lentamente de seu rosto, prendendo seu olhar no seu. Ela entendeu o que iria acontecer, mas não conseguiu de fato registrar, a intensidade de seu olhar era... Hipnotizante. Não havia mais nada no mundo além deles. Quando a boca dele estava a meros centímetros da sua ela deixou seu olhar cair, atraído pelos lábios dele. Como ela sentira falta de beijá-lo. Em algum canto de sua mente ela sabia que isso não deveria acontecer mas... Simplesmente não tinha mais controle. Então ela fechou os olhos e se entregou a uma sensação pela qual ansiava há muito tempo.

E que não veio.

Ao contrário dos lábios macios de Gaara, deu de encontro com algo granulado e seco. Ela abriu os olhos de supetão, assustada.

Era uma parede de areia que se formara entre os dois.

A compreensão a atingiu como um soco no estômago.

Sim, era óbvio. A areia sempre o protegeria de qualquer coisa que pudesse machucá-lo. E isso não apenas o machucaria, o mataria.

Ela desviou os olhos, perdida em decepções e embaraços.

- Me desculpe... Eu não consegui me controlar.

- Não foi sua culpa. – Ele disse com a voz pesada de tristeza. – Eu queria isso tanto quanto você.

Ela concordou com a cabeça de leve e voltou a focar-se em sua filha... Ela dormia pacificamente, sem saber que seus pais quase tinham sido felizes por um momento, e que uma tragédia quase acontecera.


Mitsue esfregou o rosto com as mãos. Estava exausta.

Mentalmente exausta.

Passara o resto do dia pensando no que acontecera. No quase-beijo que ela e Gaara haviam trocado. Por um momento ela não se importava com mais nada. Só queria sentir seus lábios tocando os dele.

Como ela sentia falta disso.

Sentia falta dele inteiro. Do jeito que ele a tocava, com suas mãos firmes e incrivelmente suaves. Do modo como sussurrava seu nome, sua voz usualmente calma um tanto esbaforida.

Sentia falta de como seus corpos se conheciam, dançavam em perfeita harmonia.

Já matara alguma de suas saudades. Como a de deitar ao seu lado e passar a madrugada inteira apenas conversando, sem necessariamente olharem um pro outro. De ficar em silêncio. Da sensação de seus olhos sobre sua pele enquanto dormia.

Mas havia tantas outras coisas. Coisas naturais, animais, do coração.

Queria acordar para encontrar-se com aquele brilho gentil nos orbes verdes.

E esse quase-beijo fez com que todos esses sentimentos, que nunca estavam de fato ausentes, borbulhassem em seu sangue.

Isso era tão errado. Ela deveria poder beijar o homem que amava, o pai de sua filha, que a amava de volta... A vida dele não deveria estar em risco por causa disso!

O resto do tempo que ele passara em sua casa tentara evitá-lo, mantendo-se sempre dois palmos de distância. Não gostava disso, acabara de recuperar o direito de tocá-lo, de abraçá-lo, não devia ter de manter-se longe por medo de não conseguir se segurar novamente.

E não parecia que ia ficar nem um pouco mais fácil. Em determinado momento Karura acordara esfomeada e ela fora amamenta-la. Mitsue percebera a hesitação de Gaara em permanecer no quarto e lhe assegurara que estava tudo bem. Mas ela quase se arrependera de suas palavras. A presença dele em um momento tão bonito, tão especial, tão familiar a fizera se sentir estranha, vulnerável, carente. Ela queria que ele a tocasse, que passasse as mãos por seus cabelos e a beijasse.

Queria que sua vida fosse um pouco mais normal.


O sol a pino derretia os cidadãos e visitantes de Suna. Algumas pessoas se escondiam nas sombras das barraquinhas mais próximas, tentando evitar que seus cérebros fervessem. Outras não pareciam se importar. O calor da animação pelo dia de festa sendo consideravelmente maior do que a temperatura em si.

Era um dia normal de festival: cada esquina cheirava a uma comida diferente, cada rua trazia animadas atrações, cada coração estava cheio de alegria.

Mitsue sorriu ao observar um grupo de jovens kunoichis andando de braços entrelaçados, rindo bobamente.

Era maravilhoso que houvesse essa pausa nas vidas corridas que os ninjas levavam. Que eles pudessem esquecer-se de todas as missões, todos os problemas por alguns instantes. Para essas garotas esse festival era provavelmente apenas isso mesmo. Lembrou-se com um calafrio da guerra que era responsável por esse feriado. Todo ano no discurso de abertura do festival sentia sua pele arrepiar-se. Lembrava-se das pessoas que perderam a vida no campo de batalha, de como ela quase perdera a sua vida. Toda aquela destruição...

Mas essas garotas não sabiam o que acontecera, não tinham idade o suficiente para ter conhecido a guerra, para entender o motivo de se reunirem para comemorar. Apenas comemoravam. E isso era maravilhoso. Como seria bom se elas nunca tivessem de entender o que realmente significava tudo aquilo. Como seria bom se o mundo se tornasse um lugar no qual ninjas não fossem mais necessários.

Lembrou-se de quando saíra da academia, inocente, sem entender direito que tipo de coisas a vida lhe reservava. Mas um ninja aprende rápido. Principalmente naquela época. Seus pais lhe disseram que tudo já fora mais difícil que o mundo estava se tornando cada vez mais pacífico. Ela queria que sua filha crescesse em um mundo assim. Um mundo em que só houvesse sorrisos como os daquelas meninas, aproveitando o tempo livre para paquerar seus colegas de equipe.

A guerra parecia-lhe tão distante agora, quase em outra vida. Uma vida na qual não era mãe.

Olhou para a pequena Karura em seus braços. Seus olhinhos estavam fechados, assim como suas mãos miúdas.

Estava louca para conhecê-la melhor. Qual seria sua personalidade? Seria impetuosa como a de seu pai? Bem, se dependesse de sua tia... Ela sorriu lembrando-se de como Temari reagira ao pegar o bebê no colo pela primeira vez.

Sua amiga fora visitá-la em casa junto de Kankurou, os dois tios emocionados querendo conhecer a pequena sobrinha. E ela se divertira ao ver toda a força de dois dos maiores ninjas da Areia derreter-se diante do rostinho rosado do bebê.

Flashback.

- Posso segurá-la? – A mulher loira pediu muito delicadamente e com um ligeiro rubor nas faces.

- Mas é claro! – Mitsue sorriu. Cuidadosamente passou o embrulho para os braços da amiga.

Temari a pegou como se fosse feita de vento e pudesse desfazer-se a qualquer momento. Mas, assim como sabia manejar este habilidosamente, conseguiu encontrar uma posição perfeita para ela e para o bebê. Observou a criança silenciosamente. Um Kankurou maravilhado espiava por cima de seu ombro.

- Ela é... A coisa mais incrível que já vi. – Sussurrou.

O coração de Mitsue se encheu de orgulho. Sim, ela era.

- Nem dá para imaginar que Gaara é responsável por isso. – Kankurou comentou.

- Por que não? – A mãe da criança perguntou divertida.

- Coisas bonitinhas e delicadas não são exatamente o que me vem em mente ao pensar em meu irmão.

As duas mulheres riram.

- E ela é... Tão meiga. – Ele continuou.

- Olha só! Vocês estão ouvindo isso? – Temari perguntou com uma voz provocadora. – O maior avesso a crianças está completamente conquistado por essa daqui!

- O que eu posso dizer... Ela é família.

Família. Um sorriso passou pelo rosto de todos na sala.

- Além do mais, ela não será chorona e impertinente.

- Não mesmo! Ela é minha sobrinha, filha de Gaara e traz o nome de nossa mãe, será totalmente fodástica!

- Temari! Não use palavras assim perto da bebê! – Mitsue a repreendeu gentilmente.

- Okay, Okay. Desculpe. – Ela virou o rosto para a garotinha em seus braços. – Mas que você será, será. – Disse baixinho

- Espero que herde a delicadeza do seu lado da família. - Kankurou murmurou divertido, olhando para Mitsue.

Fim do Flashback.

Era um pouco engraçado como todo mundo parecia estar fazendo planos para como sua filha seria. Mas ela não achava isso ruim, era um sinal do quanto era amada e esperada. Além do mais, tinha certeza de que, como Gaara dissera, todos eles a amariam, mesmo que fosse chorona e impertinente.


- Acho que deveríamos voltara para casa. – Kyoichi disse.

- Já está cansado? Seu velho! – Mitsue provocou.

- Eu não, mas a sua cara está péssima!

- Eu estou ótima!

- Sei...

Ela suspirou.

- Você está certo, estou acabada. Só quero deitar e colocar os pés para cima.

- Não tem problema nisso.

- Eu sei... É que eu queria tanto curtir o festival inteiro... Faz tanto tempo que não saio para me divertir.

- Você terá inúmeras oportunidades para se divertir. Daqui algum tempo vai se sentir mais disposta.

- É... Você provavelmente está certo. Bem, vamos para casa então, acho que é até melhor para Karura-chan.

Ela olhou para a menina nos braços de seu marido. Estava dormindo profundamente, totalmente alheia ao mundo.

Eles tomaram o caminho de casa, afastando-se da praça principal e de toda sua confusão. Mas logo um amigo de infância de Kyoichi os encontrou e eles pararam para cumprimentar. Começaram a jogar conversa fora. Mitsue não pode conter um ligeiro suspiro cansado. O ninja médico sorriu e disse para ir na frente. Ela aceitou sem a menor resistência e estendeu os braços para que ele lhe entregasse a menina, mas ele disse que não havia necessidade, que podia levá-la que ela já estava cansada. A ninja sorriu agradecida e tomou o caminho para casa.

Ela estava andando distraída quando virou na esquina de uma das ruas mais afastadas e seu coração pulou uma batida. Na outra ponta da rua estavam Gaara e Yoi.

Era a primeira vez que Mitsue via a mulher desde que ela perdera o filho. E a diferença era assustadora.

A figura naturalmente esguia e pálida da ninja agora apresentava um aspecto cadavérico. Suas faces encovavam ligeiramente e fortes olheiras contrastavam com a pele alva. Ela parecia tão cansada. Seus ombros estavam caídos e aquela liquidez de seu andar fora substituída por um lento arrastar. Mas ainda assim era bonita, com seus longos cabelos loiros brilhando no sol do deserto, os olhos turquesa como dois faróis contra as cores de Suna.

Embora não fosse nem sombra da mulher que antes fora, ainda era impressionante.

Ela pode ver quando Gaara a avistou. Ele hesitou por um momento, passando os olhos pela rua, procurando um meio de evitar esse encontro.

Mas não havia o que fazer. Yoi podia estar diferente, mas ainda era uma ninja habilidosa. Já percebera sua presença.

Andaram em linha reta em direção um ao outro.

Mitsue não sabia o que fazer. Deveria passar reto, fingir que não os vira? Mas isso não era possível, era óbvio demais que ela tinha consciência de sua presença. E se ela passasse com um sorriso a guisa de cumprimento e nem parasse? Mas isso seria falta de educação. Não havia opção.

Pararam ao se encontrar.

- Gaara-sama, Yoi. – Ela sorriu.

- Mitsue. – Ele respondeu sério, lançando um olhar preocupado para a esposa.

Então Yoi fez o inesperado. Ela sorriu. Era um sorriso fraco, mas era gentil.

- Como você está, Mitsue-san?

- Estou muito bem, obrigada. – Ela hesitou por um segundo. – E você?

- Já estive melhor. – Ela respondeu calma.

Gaara parecia nervoso, como se estivesse esperando qualquer desculpa para ir embora. Bem, ela poderia dizer que estava apressada mas... Não queria fazer isso. Sentia que precisava fazer outra coisa. Ela respirou fundo.

- Se você precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, pode me procurar.

Yoi arregalou os olhos ligeiramente. Depois os fechou. Estendeu as mãos e pegou uma de Mitsue nas suas.

- Obrigada. Obrigada mesmo. – Ela disse baixinho.

Mitsue sentiu um impulso de abraçá-la. A mulher na sua frente estava tão frágil, tão necessitada de alguém. Ela entendia o sentimento de Gaara, sentia-se um pouco culpada apesar de não ter absolutamente culpa nenhuma em relação à infelicidade dela. E seu coração doía. Ela era uma mulher gentil, sua vida deveria ter sido mais fácil. Assim como fora péssimo para Mitsue que ela se casasse com Gaara, também o fora para Yoi.

Então ela decidiu seguir seu instinto. Soltando sua mão da pressão delicada, jogou os braços ao redor da figura quebradiça e a abraçou forte.

Sentiu o corpo de Yoi tencionar e em seguida relaxar.

- Você é uma pessoa maravilhosa. Nunca se esqueça disso. – Mitsue murmurou.

Fez-se silêncio por alguns instantes. Então a loira respondeu:

- Obrigada. E você... Você não tem nem ideia de quão maravilhosa é.

As duas se desembaraçaram lentamente. Então Yoi congelou.

Parado dois passos atrás delas estava Kyoichi com um pequeno embrulho em seus braços.

A expressão dela desmanchou, como gelo no sol forte. Ela deu alguns passos para trás e cambaleou. Passou as mãos ao redor de seu corpo, como se tentasse se proteger de alguma coisa. Gaara aproximou-se e a segurou pela cintura.

- Venha – Disse gentil. – Ele a virou para o outro lado, impedindo que visse por mais um minuto que fosse aquela cena.

Gaara lançou um olhar triste para trás ao refazer o caminho pelo qual viera.

Mitsue podia ver os ombros da mulher sacudirem fortemente mesmo a distância.