Capítulo 21: Conselho
- Precisamos nos livrar de Jiraya!
- Eu concordo com Danzou. Nosso país falirá se continuarmos com esse irresponsável.
- Vocês até podem estar certos, mas como faremos isso? Nossa outra opção imediata seria Orochimaru, o que não é nada melhor, Onoki!
- Mei tem razão... Pelo menos o Jiraya nós ainda conseguimos controlar.
A discussão estava inflamada na sala mais protegida do palácio. Os cinco conselheiros estavam cansados das loucuras e irresponsabilidades do atual Rei e queriam encontrar um jeito para que ele saísse do poder. Porém, nenhuma das opções parecia viável.
- Vocês estão esquecendo apenas um detalhe – afirmou o líder do conselho. – Temos o verdadeiro herdeiro em algum lugar, por aí.
- Disse bem: por aí! Como acha que vamos encontrá-lo? Hiashi levou-o embora décadas atrás, Mifune.
- E, mesmo assim, essa é nossa melhor opção, não é, Tsunade?
O silêncio caiu pela sala. Os olhares estavam concentrados no líder e em sua ideia maluca, mas nenhum deles poderia discordar. A única saída segura e sem muitos erros possíveis seria encontrarem o Príncipe.
- Tudo bem, vamos atrás dele – concordou Onoki com um suspiro. – Tsunade, que tal você chamar seu "servo"? Acho que ele será nossa saída para encontrar o Hyuuga.
Hinata abraçou Hanabi com carinho e pesar. Por alguma ironia do destino, ela encontrou a mais nova nas docas, antes de partir, e logo em seguida a notícia da morte de seu pai chegou, fazendo a menor cair em prantos e desabar na irmã. Isabella tentava a todo custo ajudar a garota mais velha a acalmar Hanabi enquanto Neji mantinha-se afastado de todos. Ele tentava arrumar todas as peças daquele quebra-cabeça gigante, mas tudo parecia ser em vão. O seqüestro pelos piratas do "Pérola"; a causa da morte de seu pai; ser o verdadeiro herdeiro ao trono e, agora, suas primas órfãs, parecia demais para qualquer um assimilar em algumas horas.
A família Hyuuga estava aos pedaços e qualquer um poderia notar aquilo. Enquanto eles tinham seu tempo, Naruto e Kiba – este mesmo que a contragosto – reportavam para Sasuke os últimos acontecimentos, do Mar e da cidade.
- Precisamos partir de uma vez – afirmou Naruto sério. – Se o outro navio era o "Anjo da Morte", eles com certeza vieram para cá!
- Você está certo... – concordou Sasuke pensativo. – Comece a arrumar as coisas e...
O Capitão do "Pérola" não conseguiu terminar sua frase. Gritos vieram do centro da cidade e pessoas apareceram correndo em direção aos navios, como se fossem entrar. Os tripulantes de todos os barcos que estavam estacionados precisaram fazer uma corrente, para impedir as pessoas de passarem.
- Que merda é essa?! – gritou Naruto tentando segurar dois homens pelos braços. – Temari, consegue ver alguma coisa ai de cima?!
Enquanto Naruto e Tenten tinham desembarcado para ajudarem Sasuke, Hinata e Neji; Temari e Shikamaru ficaram dentro do navio, preparando as coisas para a partida. A Sabuko subiu na amurada e usou os binóculos para tentar identificar o que acontecia.
Sasuke e Kiba deixaram Neji, Tenten e Naruto impedindo a entrada do navio e correram até onde estavam as irmãs Hyuugas e sua empregada. Hinata protegia Hanabi com seu próprio corpo quando sentiu Sasuke puxá-la para perto de si e Kiba levantar a menor no ombro e aproximar-se de Isabella.
- Temari! – Sasuke pode ouvir a voz de Naruto. – Que porra está acontecendo aqui?!
A loira demorou cinco segundos para responder, mas era a última coisa que o Capitão queria ouvir: - São os "Anjos"! Eles estão destruindo e assassinando qualquer um que entra no caminho deles!
- Precisamos ir agora! – berrou Shikamaru descendo para ajudar os três que bloqueavam a passagem. – Sasuke!
A decisão foi tomada sem precisar de muito pensamento. Sasuke empurrou Kiba na direção do navio e ordenou que ele subisse com as duas garotas. Hanabi gritava o nome da irmã enquanto o Inuzuka abria caminho a força pelas pessoas. Hinata sentia-se tonta e o choque da morte do pai começava a deixar seu corpo.
- Sasuke! Se eles estão aqui, provavelmente foram eles que mataram meu pai, não? – perguntou enquanto era arrastada para o "Pérola".
- Sim.
Logo que respondeu Sasuke sentiu um arrepio subir sua espinha. Um pressentimento ruim tomou seu cérebro quando Hinata travou no meio do caminho. O tempo parecia ter parado para ela, as peças da história de sua família foram se encaixando e Hinata segurou a respiração, ficando mais agitada a cada segundo. "Meu Deus! Meu irmão só pode estar entre eles!" concluiu assustada.
- Eu preciso...
- Nem pense! – gritou Sasuke.
Só que sua reação foi um segundo mais lenta do que deveria. Hinata desvencilhou-se de si e lançou-lhe um olhar apologético antes de sair correndo para o centro da cidade.
Konan não conseguia entender. Por mais que tivesse conseguido sua vingança, Nagato parecia desolado e pensativo demais. "Acho que estou ficando louca" concluiu sacudindo a cabeça. Os dois estavam sozinhos, já que Itachi fora observar o que os outros estavam fazendo.
- O que você tem? – perguntou por fim.
- Só estou pensando...
A primeira-imediata olhou para ele com impaciência. "Às vezes ele consegue tirar qualquer um do sério" pensou respirando fundo. Decidindo que não valia a pena ficar preocupada com o melhor amigo instável e problemático, voltou sua atenção para a bagunça que os corsários estavam fazendo.
- Vai deixá-los livres por quanto tempo?
- Até que mordam a isca – respondeu simples. – Tenho certeza que não vai demorar muito para isso acontecer.
Konan apenas concordou com a cabeça. Conhecia o plano de Nagato perfeitamente e quase nada poderia dar errado, apenas...
- Você sabe que a tripulação do "Pérola" também aportou aqui. Sofreríamos perdas sérias se acabarmos esbarrando com eles.
- Não se preocupe. Eles serão apenas um contratempo e, além do mais, é bom que estejam aqui.
- Por quê? – perguntou confusa.
Nagato apenas balançou a cabeça e deixou a pergunta no ar. Com um suspiro, a mulher pediu licença e saiu dizendo que tinha coisas para resolver. O líder ficou observando-a até sumir de suas vistas. Logo que terminasse de resolver suas pendências iria arranjar um jeito de resolver o maior enigma de sua vida: seu relacionamento com Konan.
- Mulheres são complicadas – suspirou pensativo.
Itachi voltou alguns minutos depois, com um relatório do que os "Anjos" estavam fazendo e do que acontecia dentro do palácio. Para o azar do Rei, Nagato possuía contatos em todos os lugares que ele pudesse imaginar.
- Tudo está indo como você planejou – avisou Itachi sério.
- Eu sei.
Jiraya estava nervoso. Sabia que quando "eles" ficassem sabendo sobre aquela invasão ficariam furiosos e insuportáveis. No final, Orochimaru estava certo em ficar preocupado, mas o Rei realmente não esperava que os "Anjos" fossem chegar ao ponto de ficarem tão destrutivos.
- Quem Nagato pensa que é? – gritou atirando um vaso contra a parede.
- Algum problema, Jiraya? – perguntou Danzou aparecendo no corredor.
O Rei estava parado no meio do corredor, em frente à porta e andava de um lado para o outro, tentando decidir se deveria contar ou não a verdade para os conselheiros. Fora pego totalmente desprevenido quando o homem apareceu ali, do nada. Não era comum que os conselheiros saíssem da área reservada a eles.
- Precisa de algo, Jiraya? – insistiu Danzou aproximando-se da porta.
- Hã... Não! – respondeu sem pensar muito. "É melhor que eles não saibam!" decidiu engolindo em seco.
Danzou olhou para ele durante alguns segundos e Jiraya sabia que ele estava dando-lhe a chance de mudar sua resposta. Quando o Rei começou a suar frio, um sorriso cínico surgiu no rosto do conselheiro.
- Será que é porque os "Anjos" estão atacando Carlton?
A boca de Jiraya caiu aberta e ele ficou parado, ainda no meio do caminho, apenas olhando para o senhor. Danzou abriu a porta e convidou-o a entrar e, com um suspiro de derrota, o Rei passou e começou a caminhar na direção da sala especial do conselho.
Aquela era a parte mais "assustadora" do palácio. Um corredor enorme levava aos quartos e à sala de reuniões usada por eles. Todas as janelas ficavam trancadas e fechadas com as cortinas mais escuras que existiam; a maioria dos móveis e enfeites ou quadros que havia nas paredes possuíam cores como as do mogno mais escuro. E apenas as pessoas autorizadas – vulgo o Rei, os próprios conselheiros e os guardas e servos pessoas dos mesmos – poderiam entrar.
Como sempre, todos estavam trancados na sala de reunião, discutindo assuntos diplomáticos quando os dois chegaram. Jiraya olhou em volta enquanto Danzou caminhava para seu lugar. A sala estava fria e escura, como o corredor anterior, e o silêncio se fez presente quando todos pararam para observar o Rei, que evitava aquele lugar como o Diabo fugia da cruz.
- A que devemos a visita surpresa, Jiraya? – Mei questionou séria.
O homem olhou em volta. Os conselheiros eram os mesmos desde, praticamente, sempre e nenhum deles gostava do jeito ele como administrava o país. O Rei ficou mais tenso que antes, para seu azar, eles já sabiam de tudo que estava acontecendo na província dos Hyuugas.
- Vai falar ou não, Jiraya? – perguntou Tsunade irritada.
- Vocês já sabem por que estou aqui.
- E por que já não resolveu esse problema? – rosnou Onoki.
Eles sabiam que ele não poderia responder àquela pergunta e a sala voltou a ficar em silêncio. Os olhares de reprovação pareciam adagas afiadas, mas Jiraya não ligava para nenhum deles. Ele já estava acostumado com toda a hostilidade que eles poderiam oferecer.
- Porque preciso da aprovação de vocês para fazer qualquer coisa – respondeu com um dar de ombros.
Como Jiraya não se importava com nada que poderia acontecer a Colt, seu país, os conselheiros exigiram e conseguiram a aprovação, da maioria dos nobres, para controlarem todo e qualquer assunto bélico. O exército era, praticamente, propriedade dos cinco.
- Então, Vossa Majestade – decretou Mifune irônico. – Dê as ordens para que o exército invada Carlton. E certifique-se de que todos os "Anjos" sejam exterminados.
Jiraya sorriu e saiu com passos firmes da sala.
Quando tiveram certeza que não poderiam ser ouvidos, os conselheiros se levantaram e foram até o final da sala.
- Espero que seu espião esteja pronto, Tsunade – comentou Danzou sério. – Agora que Hiashi está morto, Jiraya vai fazer qualquer coisa para que a família Hyuuga desapareça.
- Não se preocupem, já mandei que fosse para Carlton – informou Tsunade séria. – Ele não vai encostar nenhum dedo em nenhum Hyuuga.
Hinata estava ofegante, mas não era cansaço. A garota estava tão agitada que mal conseguia respirar direito. Ela tinha quase certeza do motivo da morte de seu pai, mas precisava encontrar o culpado rápido. Queria conhecê-lo... "Só posso estar ficando maluca! E Sasuke vai me matar quando nos encontrarmos de novo!" pensou ansiosa.
Por muita sorte, ela conseguiu evitar todos os "Anjos" que estavam causando confusão e parou em frente a uma loja que estava praticamente destruída. Estava decidida a continuar, mas uma mulher com cabelos arroxeados e rosto impassível apareceu no meio do caminho.
- Uma Hyuuga – murmurou a mulher surpresa. – O que está fazendo aqui, garota?
- Você é uma dos "Anjos", não é? – perguntou sentindo uma faísca de esperança.
Konan estranhou o repentino interesse dela, mas concordou com a cabeça. Qualquer um estaria morrendo de medo e querendo fugir, mas ela parecia estar a vontade e aliviada por encontrá-la ali, no meio do nada.
- Você pode me levar até quem matou meu pai? – perguntou ansiosa.
Sasuke sumira há alguns minutos e, como sempre, Naruto ficara no comando. O problema era que alguns "Anjos" tinham aproximado-se o suficiente para encontrar e começar a saquear alguns barcos.
- Eles já estão vindo para cá! – avisou Temari impedindo que uma mulher corresse para dentro do navio. – Que merda! Será que vocês não vêem que somos piratas?
- Temari, continue aqui na ponte com Tenten! Eu vou impedir os "Anjos"! – avisou Naruto descendo. – Shikamaru, você dá as ordens!
O loiro pulou e aterrissou bem no meio da multidão que se empurrava para subir. Ele puxou sua espada e as pessoas começaram a gritar e correr para longe. Esse ato ajudou Temari, Tenten e Neji, mas fez com que Kakuzu e Hidan os encontrassem mais rapidamente.
- Quem diria que eu teria a chance de saquear o grande "Pérola" e sua tripulação! – exclamou Hidan satisfeito.
- Pode tentar, mulherzinha, mas só vão conseguir por cima do meu cadáver! – avisou Naruto.
O Uzumaki estava com um péssimo humor e nem a perspectiva de luta parecia animá-lo. O trabalho que tiveram para chegarem até ali fora grande demais para alguns imbecis estragarem. Um sorriso cruel se formou em seu rosto.
- E sinto avisar, ninguém vai encostar em mim.
Kakuzu avançou antes que o religioso pudesse fazer qualquer coisa e tentou acertar o loiro, que agilmente desviou e girou sua espada na direção do pescoço do "Anjo". Enquanto os dois de atracavam, Hidan aproveitou a distração do loiro para atacar a pessoa que parecia mais vulnerável no grupo: Neji.
O Hyuuga estava distraído demais, por mais que tentasse ajudar a impedir as pessoas de entrarem. Quando Hidan pulou a sua frente e chutou seu peito, Neji não teve muita chance de reagir e acabou um a espada do outro em sua garganta.
- Isso nem foi emocionante, uma pena. Espero que Jashin faça você queimar no inferno! – gritou girando a espada com velocidade.
Antes que ele pudesse completar seu movimento, uma pequena faca atravessou seu braço fazendo-o soltar um grito de dor. Tenten saltou entre os dois e puxou duas de suas adagas. A especialista apontou-as para o religioso.
- Como ousa, sua vadia! – Hidan gritou afastando-se.
- Peça misericórdia ao seu deus, porque eu não tenho nenhuma.
Konan hesitou. Ela sabia que a garota não era perigosa, mas não conseguia entender por que ela queria encontrar Nagato. "Por Deus, ele acabou de matar o pai dela e mesmo assim ela quer encontrá-lo! Essa garota está louca?" pensou confusa.
- Por favor? Preciso mesmo encontrá-lo! – suplicou séria.
- Qual seu nome?
A menina hesitou. Konan pode notar as pequenas cicatrizes e os vários hematomas que se espalhavam pelos braços e todo o superior exposto de Hinata. "Sem contar que esses ferimentos foram feitos por um de nós..." concluiu ainda mais confusa, depois que se lembrou o que Sasori fizera com ela.
- Hinata – respondeu depois de algum tempo.
Algo clicou na mente de Konan, por algum motivo, ela já ouvira aquele nome em algum lugar, mas não conseguia lembrar onde. Sacudindo a cabeça voltou sua atenção para a garota, mas foi interrompida por uma voz.
- O que será que Nagato vai pensar disso? Nossa primeira-imediata aliando-se aos inimigos. Será interessante de descobrir.
Itachi teve que se controlar para não xingar em voz alta. Sasuke tinha parecido em frente a ele e Nagato com a arma em punho e uma expressão extremamente fria e séria. Nagato, que ainda estava sentado, apoiou o rosto nas costas da mão com calma e sorriu divertido. O aparecimento do Capitão do "Pérola" tirara-o de seus pensamentos profundos.
- A que devo a ilustre visita?
- Quero saber por que matou Hiashi Hyuuga e por que ainda está aqui?
- E o que isso tem a ver com você? Meus negócios não são do seu interesse.
- Nagato, não estou para brincadeiras.
A ameaça foi clara e o líder ficou sério. Itachi levantou, por mais que não pudesse perder a confiança de Nagato, não poderia deixar que os dois tentassem se matar.
- Está mal humorado, Uchiha? – perguntou frio. – Porque eu não dou a mínima para isso.
Sasuke levantou uma sobrancelha e sorriu cruel. Fora até ali apenas para procurar por Hinata, mas aquela seria a oportunidade perfeita para ajeitar as coisas com Nagato. Por um momento, cogitou ficar ali e torturar o quanto quisesse seu inimigo, mas a preocupação com a garota era maior. "Vou acabar com isso de uma vez e correr para procurá-la" decidiu sério. "Depois aquela irresponsável vai ouvir até não agüentar mais!". Sabia que a perolada estava bem, não sabia por que tinha tanta certeza, mas encontrá-la-ia mais tarde.
- Vou te dar esta chance para reunir seus homens e ir embora, Nagato – avisou voltando a sua expressão vazia.
- Sinto muito, Uchiha – falou levantando. – Mas ninguém vai me tirar daqui.
- É isso que vamos ver – informou preparando sua espada.
Jiraya estava quase radiante. Ele entrou em sua sala particular e jogou-se no sofá, com um sorriso vitorioso no rosto. Orochimaru apenas observava o primo que depois de alguns segundos começou a pular para fechar as janelas e mandar seus criados trazerem suas garotas.
- Por que a felicidade, Jiraya?
- Hiashi está morto e os "Anjos" serão exterminados hoje! Como não estar satisfeito?
- Ainda fico imaginando como você convenceu os velhotes a te ajudarem...
- Você sabe muito bem que eles não gostariam que nada acontecesse ao querido país, nunca se negariam a ajudar a salvar uma cidade.
Orochimaru apenas concordou com a cabeça. Odiava a sorte que o primo tinha, mas não podia negar que ele conseguira uma grande vantagem para se manter no poder. Enquanto o Rei continuava pulando de um lado para o outro, uma mulher de cabelos avermelhados entrou segurando uma bandeja,
- Senhor Jiraya?
- Karin! Que ótimo! Vamos! – falou puxando a mulher para seu quarto. – Orochimaru mais tarde conversamos!
A porta do quarto bateu e ninguém pode ouvir nada. Orochimaru ajeitou-se melhor no sofá e mexeu o copo cheio de vinho que tinha nas mãos. Se o exército conseguisse exterminar os "Anjos", o que ele achava muito pouco provável, então seu próximo movimento teria que ser rápido ou poderia perder aquele jogo.
- Você não deveria estar fazendo baderna em outro lugar, Tobi?
Konan, discretamente, avançou um passo. Ficando entre Hinata e o "Anjo". Por algum motivo, sabia que não poderia deixar que ele a tocasse, sentia como se isso fosse começar uma guerra desnecessária.
- E você não deveria estar abanando seu rabinho para Nagato?
A expressão da mulher não mudou em nada, mas sua aura ficou ainda mais escura e pesada. Era óbvio que ela não o suportava. O "Anjo" avançou até onde estavam as duas e tentou passar até a Hyuuga, mas a pirata deu um passo e os dois ficaram a centímetros um do outro.
- O que está fazendo, Konan?
- Vá embora, Tobi, ou não posso garantir sua segurança.
Todos conheciam a reputação dela. Uma assassina fria, sem sentimentos ou hesitação e misericórdia. E ela ainda tinha a vantagem da proteção de Nagato; qualquer um que a tocasse estaria morto em segundos, entretanto... Para Tobi, aquilo não era nada. Ele sabia que, se desse a oportunidade, aquela mulher acabaria com seus planos e isto não poderia acontecer de jeito nenhum.
- Konan, temo que você tenha tomado a decisão errada.
As mãos dele voaram em direção ao pescoço e à cintura dela. Hinata gritou surpresa e Konan só teve tempo de assimilar o que estava acontecendo antes de ser derrubada no chão.
Hidan mal conseguia se defender dos ataques da garota de coques. Ela parecia estar mais que determinada a matá-lo e ele nunca esperaria aquilo de uma mulher. O religioso arriscou um breve olhar para o lado e viu que a situação de Kakuzu era tão ruim quanto a sua.
Aquela breve distração foi o que selou seu destino. Os olhos treinados de Tenten fizeram com que captasse o desvio dele e ela não hesitou em avançar em direção a sua jugular, com uma de suas adagas. Um grito vazio foi ouvido antes do baque no chão. Hidan estava caído em cima da poça do próprio sangue.
Naruto sentiu o sangue ferver. Era óbvio que Tenten nunca brincaria com uma presa perigosa, mas nunca a vira terminar com uma luta tão rápido. O loiro estava cada vez mais agitado e a conhecida sensação de sua arma cortando a carne do inimigo veio à sua mente, deixando-o ainda mais nervoso.
- O que foi, Uzumaki? Cansado? – provocou Kakuzu.
O homem parecia não ter sofrido nada, nem sua respiração estava agitada, mas a diferença entre o poder dos dois era visível para qualquer um que soubesse manejar uma arma.
Naruto não prestou atenção a nada do que o outro disse. Apenas avançou muito mais rápido do que Kakuzu conseguiria acompanhar e socou-lhe o rosto com a mão livre. Ele quase perdeu seu equilíbrio, mas Naruto segurou-o no lugar, mantendo-o próximo a si.
- Isso é para você aprender a não desafiar quem não tem paciência...
Para a surpresa do "Anjo", o loiro largou sua espada e derrubou-o no chão. Uma coisa que só Sasuke e Shikamaru sabiam sobre Naruto: ele tinha sérios problemas com o controle de sua raiva. E, graças ao seu passado, ele tinha muita raiva guardada.
Kakuzu não esperava que alguém mais novo fosse ter tamanha força física, só que quando começava Naruto não conseguia se controlar. Os socos e chutes chegavam com sua força máxima. Sempre que se sentia acuado ou que via seus companheiros serem acuados ele não conseguia pensar claramente.
Ele não sabia quanto tempo tinha passado esmurrando o homem, mas seus braços foram puxados para trás e presos. Shikamaru o segurava enquanto todos apenas observavam.
- Pode se acalmar, Naruto. Ele já morreu.
Itachi foi devagar demais, não esperava que Nagato começasse aquilo. O líder dos "Anjos" pulou em direção ao Uchiha mais novo, sua espada em punho. Sasuke era rápido e não teve dificuldade em se defender.
Os dois estavam mais equilibrados do que era esperado e aquilo surpreendeu Nagato, que se esforçou ao máximo para que o Capitão do "Pérola" não conseguisse se aproximar demais.
Sasuke sorriu irônico, ficou óbvio a surpresa do outro com sua habilidade. Por um breve momento, ele achou que estivesse com a vantagem, mas Nagato movimentou-se em falso e conseguiu acertar o ombro do outro.
- Não fique cheio de si, Uchiha.
O sangue escorreu devagar por seu braço e Sasuke ficou sério. Seu cérebro parecia ter clareado com aquele machucado e o Uchiha ficou mais atento e desperto. Nagato percebeu que o ferimento não tinha mudado em nada a agilidade do outro quando ele avançou, parecia estar até mais rápido e preciso. "Interessante... Ele fica ainda melhor quando o oponente é difícil" pensou animado.
Itachi percebeu que Nagato também estava aumentando a pressão sobre o mais novo e ficou confuso. Por um momento o líder parecia estar se divertindo e não parecia querer mais matar Sasuke. Antes que Itachi tentasse fazer qualquer coisa, o relinchar de cavalos e o barulho de armas foi ouvido ao longe.
Os dois pararam antes de darem o próximo golpe e olharam na mesma direção que o Uchiha mais velho. Mesmo que ainda estivessem longe, a imagem do brasão imperial na bandeira estava clara para a visão dos três.
