Suas opções eram limitadas. Se ele tivesse sua licensa para Aparatar, ele poderia aparatar para Hogsmeade, mas o Ministério tinha tirado isso dele depois da guerra e mesmo não tendo nada os impedindo legalmente de restaura-la, eles estavam enrolando. Draco não era o único naquela posição; ele suspeitava que o Ministério estava tentando restringir os movimentos de ex-Comensais da Morte de qualquer forma possível. Ele podia aparatar mesmo assim, mas se alguém o visse e ele fosse detectado, isso podia ter consequências horríveis e Draco podia acabar passando o Natal no Ministério, o que não seria bom nem para o Potter e nem para seus pais. Ele tinha certeza que só podia voltar com o Expresso de Hogwarts depois do Natal, o que deixava o Flu como sua única opção. Seria interessante sair da lareira na Torre da Grifinória meia noite, mas era impossível. Ele podia fazer uma ligação através do Flu para Potter, da Mansão Malfoy, mas ele tinha certeza que mesmo que conseguisse alcançar Hogwarts com o Flu, ele iria aparecer na sala da Diretora, e isso seria no mínimo problemático.

Draco fez uma careta para a neve que caía e tentou se controlar, dizendo que ele podia, pelo menos, retornar para Hogwarts logo depois do Natal e passar o resto do feriado com Potter. Se Potter quisesse, claro.

"Alguma coisa do carrinho, querido?"

Draco tirou sua testa da janela e olhou para a bruxa velha empurrando o carrinho cheio de vários doces. Ele quase balançou a cabeça, mas seu olhar caiu na grande caixa que guardava os Sapos de Chocolate.

O sentimento quente em seu peito intensificou dolorosamente quando os viu. Potter amava Sapos de Chocolate; Draco temia ter arruinado esses doces para ele. Era ainda outra coisa para consertar. Ele encarou a caixa e franziu o cenho. Ele podia mandar esses para Potter, pelo menos. Era o melhor que ele podia fazer nesse ponto.

A bruxa do carrinho levantou uma sobrancelha e Draco rapidamente pegou um Galeão de seu bolso.

"Uma caixa de Sapos de Chocolate." ele disse, e depois adicionou, "Não, não, a caixa grande," quando ela pegou uma pequena.

A bruxa sorriu para ele brilhantemente e o desejou um Natal muito feliz quando ele disse que ela podia ficar com o troco.

Draco suspirou. Ele teria que mandar uma mensagem, também, ou Potter poderia achar que era brincadeira. Talvez ele devia perguntar Potter se ele gostaria que Draco se juntasse a ele durante o feriado ou não. Isso seria uma ação prudente. Mas ele queria conversar com seus pais primeiro. Ele precisava saber como eles reagiriam antes de prometer qualquer coisa para Potter. Tadinho do Myron. A coruja ia congelar do lado de fora. Ia ser tão bom se ele pudesse usar um feitiço para aquecê-la.

Draco fez careta para a janela, de repente irracionalmente com ciúmes de sua coruja, que ia voar até Hogwarts, levar para Potter um presente de Natal e ver sua expressão quando ele o recebesse.

Espontâneamente, um pensamento bobo ocorreu em sua mente. Ele podia voar até lá, também. Ele tinha uma vassoura, não tinha? Ele estava mesmo com medo da neve e do frio? Por que ele deixaria isso impedi-lo? Ele era filho único, não podia ser deserdado. Por que ele deixaria qualquer coisa pará-lo? Tudo que ele tinha feito nos últimos dias era procurar por desculpas para não ir atrás de Potter. E agora ele estava fazendo isso de novo. O que era isso, senão medo? Se ele planejava conquistar um Grifinório, talvez estivesse na hora de usar métodos Grifinórios.

O pulso de Draco acelerou enquanto ele encarava para fora da janela. O tempo horrível podia ir se foder; não iria impedir Draco. Draco sorriu, eufórico de repente, e se virou, correndo até seu compartimento e fazendo planos.

Ele entrou e assustou um Blaise pensativo e um Greg distraído. Pansy o olhou de lado enquanto fingia que o Profeta Diário tinha sua total atenção.

"Segure isso," Draco disse para Greg enquanto colocava a caixa de Sapos de Chocolate em suas mãos. Ele rapidamente mudou de ideia quando Greg os olhou com desejo. "Você segura isso," ele disse e jogou a caixa em cima do jornal no colo de Pansy.

"São muitos sapos. Você planeja comê-los ou cria-los?" Pansy perguntou enquanto Draco jogava o feitiço de levitação em sua mala. Ela flutuou e forçou Blaise a levantar de seu lugar.

"Que porra que você está fazendo?" Blaise gritou.

Draco rapidamente abriu sua mala e tirou suas coisas do caminho, pegando pergaminho, uma pena e tinta.

"Pansy, você pode fazer um favor para mim?" ele perguntou enquanto escrevia uma nota rápida.

"Além de fingir que eu sou uma estante que você pode usar?" Pansy perguntou secamente. "Claro, Draco, é para isso que eu estou aqui."

Draco não tinha tempo para responder. Ele dobrou o pergaminho e o entregou para Pansy, pegando a caixa de seu colo. "Entregue essa nota para minha mãe. E diga para ela... Diga que eu escreverei. E que eu sinto muito, mas não estarei em casa no Natal." Draco fez careta. Ele esperava que sua mãe mandasse sua mala e Myron de volta assim como ele pediu em seu recado. Ela teria que o fazer eventualmente, se ela quisesse que Draco tivesse seu material escolar. Ele não podia levar a mala consigo.

Pansy encarou a nota, e estreitou os olhos para Draco. "Er, e o que você vai fazer?"

Draco a encarou desconfortável, sabendo parecer louco. "Eu planejo pular do trêm."

Pansy fez um som estranho como se não acreditasse e Blaise gemeu. "Isso é sobre o Potter?" ele perguntou. "Merlin, me diga que não é sobre o Potter."

Mexendo em sua mala, Draco mandou um sorriso para Blaise. "Merlin pode te dizer isso, mas eu não."

Greg se jogou para frente e pegou os ombros de Draco, de repente. "Potter não vale a pena, Draco!" ele chorou, parecendo horrivelmente preocupado.

Draco tentou segurar sua risada enquanto pegava sua vassoura. "Não se preocupe, Greg. Eu planejo pular para cima."

"Não foi isso que eu quis dizer quando eu te disse para tentar reconquistar Potter!" Pansy gritou, levantando. "Você está louco?"

"Provavelmente." Draco cedeu. Ele amarrou a caixa de chocolate em sua vassoura e pegou seu casaco de inverno.

"Definitivamente maluco." Blaise respirou. "Se você quer fazer algo estúpido e ilegal, você deveria aparatar sem sua licensa. Puta que pariu, Draco, nós estamos quase em Londres, é uma longa jornada de volta. Um feitiço não vai te esconder bem o suficiente. Se um trouxa te ver, o ministério vai quebrar sua varinha no meio. Eu aposto que eles só estão esperando uma oportunidade."

Colocando seu cachecol em volta de seu pescoço, Draco balançou sua cabeça. "Eles não vão. Eu tenho um plano." Ele fez careta para Blaise. "E esse vai funcionar. A rota do expresso de Hogwarts é enfeitiçada para que os trouxas não a vejam, o que quer dizer que se eu me manter na rota e voar baixo, ninguém vai me ver." Draco lançou os feitiços necessários em si mesmo, respirou fundo e olhou os rostos chocados de seus amigos. "Será que alguém vai me desejar sorte?"

Blaise estava parado na frente da porta do compartimento, seus braços cruzados. "Isso é ridículo. Você vai se dar mal e para que?"

"Blaise," Draco disse calmamente. "Você é um bom amigo, é mesmo. E eu agradeço." A voz dele abaixou. "Mas se você não sair da porra do meu caminho, eu vou te amaldiçoar e te jogar do trêm antes de pular."

Blaise fez careta e saiu do caminho, mas antes, ele deu uma tossida falsa que soava como "Grifinório".

"Não precisa me insultar," Draco disse altivamente e saiu rapidamente do compartimento. Pansy seguiu imediatamente e Draco achou ter ouvido Blaise e Greg correrem também, mas ele não se virou. Ele foi propositalmente para o final do trêm, a última parte tinha uma pequena área de onde ele podia sair.

"Mas, Draco," Pansy gritou atrás dele enquanto andavam. "Você nem sabe se o Potter te quer de volta. Você mesmo disse!"

Draco riu. "Pansy, eu planejo invadir o dormitório dele através de uma janela, metade congelado, depois de ter voado o caminho inteiro desde Londres - ele não vai ter nenhuma escolha além de me aceitar de volta. E me aquecer." Ele sorriu para uma Lufa-Lufa que passava e os olhava estranhamente. "Feliz Natal," ele disse e a garota congelou chocada.

"Puta que pariu, ele tá bêbado," Blaise murmurou de algum lugar atrás deles.

"Não, eu não estou mesmo." Draco riu, apesar de se sentir um pouco bêbado. Adrenalina corria em seu sangue, o esquentando; ele suspeitou que nem precisava ter usado os feitiços para se aquecer.

Eles alcançaram o último vagão e Draco correu para o final, lançando um feitiço para destrancar a porta e guardando sua varinha em seguida.

"Não tem muito espaço aqui, Pansy, você não pode me seguir," ele disse pegando na maçaneta.

"Draco, espere!" Pansy gritou e segurou seu braço. Draco se virou para ela.

Ele ficou surpreso quando viu um sorriso um pouco bobo. Blaise estava balançando a cabeça e Greg encarava os Sapos de Chocolate tristemente.

Pansy sorriu e fungou um pouco. "Boa sorte."

"Obrigado, Pansy." Draco se curvou e deu um beijo rápido na cabeça dela.

"Oh e, Draco!" ela disse antes que ele conseguisse se virar. Ela abaixou sua voz. "Será que eu poderia usar isso no meu livro? É apenas... bem, tão romântico."

"Er..." Draco franziu o cenho. "Eu seria o fantasma velho ou a bruxa?"

"Bem, você seria..." Os olhos de Pansy arregalaram. "Espera, como você sabe sobre o fantasma? Draco, você leu?"

Draco engoliu em seco. Bem, se ele estava tendo dúvidas, o que ele não estava, ele não teria outra opção além de pular do trêm agora.

"Hora de ir," ele disse rapidamente e abriu a porta. O vento e a neve pararam os gritos de Pansy. Draco correu para fora e fechou a porta atrás de si, dando boas vindas para o vento cortante que limpava sua mente. Sua decisão de voar até Hogwarts ficou mais forte.

Ele se virou e sorriu para Pansy, que estava tentando encara-lo através da janela da porta, mas seus lábios tremiam.

Draco montou em sua vassoura e olhou para o cenário pacífico que corria na frente de seus olhos. Estava quase escuro, mas a neve branca e intocada deixava a paisagem mais brilhante. Flocos de neve dançavam em volta dele, eles seriam seus companheiros constantes enquanto voasse, mas Draco esperava que o feitiço impermeável mantesse a maioria delas longe. Ele checou seu relógio e decidiu que definitivamente alcançaria Hogwarts antes de meia noite se ele voasse rápido o suficiente. Não apenas em tempo de desejar um Feliz Natal para Potter, mas fazer esse Natal feliz.

Respirando fundo, Draco segurou a vassoura e empurrou o chão com seus pés. Ele segurou o teto do trêm rapidamente e depois soltou.

O Expresso de Hogwarts foi embora, rapidamente se tornando um borrão vermelho, deixando Draco sozinho. O silêncio pareceu abrupto. Não havia vento e a neve grossa caia lentamente no chão; as luzes das casas trouxas e carros piscavam na distância. Draco pairou no meio do ar e levou um momento para ver se ficaria com medo ou arrependido, mas ele não se sentiu assim. Ele se sentiu excitado.

Se virando, ele olhou para a rota. Se estendia por campos e colinas- um caminho fino no meio de massas pesadas de neve, levando para a vila de Hogwarts.

Com um sorriso em seu rosto, Draco se curvou em sua vassoura e começou a voar.

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AI MEU DEUS ESSE CAPÍTULO FOI TÃO FOFO.. DRACO AMORZINHO! Semana q vem eu posto o próximo! Já estamos na reta final.. Faltam 4 partes!