Título: Seis Anos E Uma Noite
Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 6ª temporada, POV Booth, cena perdida, sexo, romance
Advertências: Spoilers dos episódios 6x22 (The Hole in the Heart), 6x23 (The Change in the Game) e... sexo!
Classificação: NC-17
Capítulos: 21/?
Status: Em andamento
Resumo: Eles levaram seis anos avançando e recuando... e apenas uma noite para romper as barreiras que construíram.
Notas da Autora: Queria que o capítulo tivesse saído melhor, eu confesso. Sei que traz um momento muito aguardado, então espero não decepcionar...
* Linha do tempo: Este vigésimo primeiro capítulo se passa uns dois dias após o anterior. A primeira parte acontece à noite e segunda parte é no dia seguinte.
~ 21 ~
Por Uma Vida Inteira
"O que está fazendo?" pergunto, saindo do banho apenas de boxer e entrando no quarto para encontrá-la sobre a cama, mexendo no computador.
"Olhando algumas opções de imóveis" ela responde, sem levantar os olhos da tela.
"Alguma coisa interessante?" esfrego os cabelos com a toalha enquanto me aproximo da cama.
"Algumas opções, mas todas distantes dos nossos locais de trabalho. E da escola do Parker."
Um sorriso toma conta do meu rosto ao ouvir isso. Bones pensando no meu filho...
"Obrigado" eu murmuro.
Só então ela ergue os olhos do computador onde está concentrada e olha para mim. "Por quê?"
Eu paro de secar o cabelo e abaixo a toalha, sentando na beirada do colchão. "Por pensar em ficarmos perto do meu garoto."
Um pequeno sorriso ilumina as feições dela. "É natural... acho que temos que pensar em um lugar estratégico não só para facilitar o nosso acesso ao trabalho, mas também ao Parker. Afinal, ele faz parte da nossa família."
"Repete" eu sussurro, encantado.
"O quê?" ela ri, sem entender direito.
"Nossa família" eu falo.
Bones então fecha o laptop, sorrindo para mim, e para o meu deleite ela repete as palavras. "Nossa família."
Eu sinto o meu peito inchar. Jogando a toalha sobre uma das poltronas ao canto do quarto, subo na minha cama, apoiando as costas nos travesseiros contra a cabeceira e a trago para mim num abraço por trás. Bones afasta o computador e apóia os braços sobre os meus.
"Acha que é um menino ou uma menina?" eu pergunto em voz baixa enquanto minha mão desliza pelo abdômen dela, em uma carícia suave.
"Não sei..." ela murmura.
"Não sabe?" eu interrompo o carinho na barriga por um instante. "Geralmente as mães têm uma espécie de sexto sentido quanto a isso..."
"Booth, não existem seis sentidos, apenas cinco: audição, visão, olfato, paladar e tato."
"Ok" reviro os olhos antes de voltar a correr meus dedos pelo pequeno volume em sua barriga. "O que eu quero dizer é que normalmente as mulheres costumam ter um palpite sobre o sexo do bebê. É mais fácil para você adivinhar já que ele ou ela está dentro de você."
"Quem disse isso?" posso até ver a ruguinha se formando entre as sobrancelhas dela, mesmo estando de costas para mim. "Eu sei tanto quanto você... não posso saber o sexo da criança só porque está dentro de mim."
A mão de Bones se une à minha, correndo lentamente por seu abdômen.
"A questão é que, talvez, por ser mãe, por ter uma ligação maior com o bebê, as mulheres consigam sentir..." eu digo. "Você deve sentir alguma coisa, Bones... vamos lá, tente... me diga o que você sente?"
Ela vira o rosto para mim, exibindo uma expressão incrédula. Aperto de leve o nariz dela entre o indicador e o polegar, sorrindo.
"Booth, que ideia é essa sua?" a voz dela sai anasalada.
Eu rio, soltando-lhe o nariz. "Vamos, Bones. Apenas diga o que sente... feche os olhos..." guio as mãos dela para a própria barriga. "Inspire e conecte-se com o bebê. Vamos..."
"Booth, eu..." ela ri de leve, mas faz como eu digo.
Eu me inclino um pouco para a frente, o suficiente para espiar-lhe o rosto. Ela está de olhos cerrados e então inspira...
"Isto... agora me diga, Bones... me diga o que sente... o que você acha? Nosso bebê é um garotão" me pego sorrindo "...ou uma garotinha?" e agora estou sorrindo largamente.
"Eu não sei... eu..." ela sussurra as palavras, os olhos ainda fechados. "Eu sinto que é impossível adivinhar" Bones suspira, abrindo os olhos.
"Ah, Bones! Você estragou a magia..." eu protesto.
"Não existe nenhuma magia nisso, Booth. Saber o sexo da criança é algo que só vai acontecer quando estivermos diante do equipamento de ultrasonografia de novo."
Ela vira para mim e me encara.
"Quem sabe amanhã?" eu sorrio, bobo só de imaginar.
"Na consulta de amanhã..." Bones sussurra, o olhar brilhante se perdendo no quarto. "Será que o bebê vai estar numa posição favorável?"
"Eu tenho certeza de que ela vai colaborar" eu digo, passando a mão na barriga de Bones. "Você vai colaborar com o papai e a mamãe, não vai, bebê?"
"Ela?" Bones pergunta.
"O quê?" olho para Bones, erguendo as sobrancelhas.
"Você disse ela?"
"Eu não" nego com um movimento de cabeça... será que falei em voz alta?
"Ouvi você se referir ao bebê como ela" Bones insiste.
"Não, eu não" rio, meneando a cabeça mais uma vez. "Deve ter ouvido mal" pigarreio, endireitando a postura contra os travesseiros apoiados na cabeceira. "De qualquer forma, espero que amanhã seja o grande dia. O dia em que vamos finalmente saber quem é nosso bebê" murmuro, roçando o queixo de Bones com a mão.
Eu torno a enlaçá-la pela cintura, que a cada dia se torna mais larga.
"A definição de quem uma pessoa é depende de vários fatores que a particularizam e englobam as feições, a constituição física, a personalidade e..."
Levo um dedo aos lábios dela, silenciando-a. "Amanhã vamos saber quem é nosso bebê para nós... ele ou ela vai adquirir um sentido novo a partir do momento em que soubermos o sexo, Bones. Vamos nos tornar ainda mais próximos da nossa criança."
Ela sorri. "Você tem uma forma bem peculiar de ver as coisas... mas eu gosto disso em você. Faz parte de quem você é pra mim."
Como não sorrir diante desse carinho verbal?
"Você também é toda peculiar, Bones" beijo seu cabelo. "E é isso o que lhe faz ser quem é para mim."
Ela sorri, contente com o que me escuta dizer. Então se aconchega a mim, apoiando a cabeça no meu ombro.
"Você acha que vai ser menino ou menina?"
Torno a sorrir. "Tenho o meu palpite."
"E qual é?"
"Hummm... mistério!" eu a provoco.
Bones vira o rosto para me encarar. "Não vai mesmo me dizer?"
"Acho que vou deixar você na curiosidade" pisco um olho.
"Por quê? Está com medo de errar no seu palpite?" ela me provoca com um sorriso.
"Eu quase nunca erro nos meus palpites" respondo, inflando o peito de modo convencido, apenas para brincar com ela.
"Quem disse?"
"Eu!"
"Isso não prova a sua teoria" ela diz.
"Eu prefiro provar outras coisas" digo, virando-a levemente para mim.
"O que...?"
"Você" eu digo, olhando dentro dos olhos dela e sorrindo.
Ela coloca a mão no meu rosto e aproxima nossos lábios. Nós nos beijamos e em segundos estamos deitados sobre a cama, sentindo nossos corpos se aquecerem noite adentro.
~.~
Olho para o relógio no meu pulso... 2:17 da tarde. Piso no acelerador sem pensar duas vezes. A consulta estava marcada para as duas, então deve dar tempo. Tem que dar tempo!
Justo hoje eu tive que ficar preso numa droga de reunião com o Hacker? Só tive tempo de ligar para o celular da Bones e avisar que ela teria de ir para a consulta na frente sozinha, pois eu me atrasaria um pouco.
Minha única compensação foi ver a cara do Hacker me cumprimentando pelas 'últimas'novidades' na saída. Claro, ele já estava sabendo desde quando contei ao Cullen sobre o bebê e o novo status do meu relacionamento com Bones, mas desde então ainda não tinha ficado cara a cara comigo e eu ainda não tinha saboreado o gostinho de ver sua reação. Bom, hoje foi o dia!
Até apostaria que se ele estivesse sabendo da consulta da Bones ele teria marcado essa reunião de última hora de propósito – mas eu sei que tenho que parar com essa mania de perseguição com relação ao Hacker. E no final das contas, quem ganhou a parada fui eu!
Um sorriso perverso cruza a minha mente enquanto vou cortando alguns carros que estão patinando na via.
Torno a olhar de relance para o meu relógio. 2:20.
E logo adiante um engarrafamento do caramba...
Droga! Desde quando tem engarrafamentos assim em DC às duas tarde? Alguma coisa deve estar acontecendo mais adiante, mas não tenho tempo para averiguar, muito menos para ficar parado aqui, esperando.
Outra olhada no relógio... 2:30. Mais uma olhada para a fila de carros parados.
Bom, diante de situações extremas, atitudes extremas. Ligo as sirenes e os carros começam a manobrar para o acostamento, abrindo passagem para mim.
"É!" eu exclamo, batendo uma das mãos no volante em excitação.
Manobro para sair do meio da confusão e logo vejo que foi graças ao tombamento de um caminhão de frutas. Péssima hora para isso acontecer! O motorista não podia ter esperado mais uma meia hora, não?
Logo estou fora do engarrafamento graças às sirenes. Entro na avenida principal que vai dar acesso à rua do consultório da ginecologista de Bones.
Relógio: 2:38.
"Vamos, vamos, vamos!" eu murmuro baixo enquanto dobro uma esquina na velocidade mais alta e segura possível.
Mais duas quadras e já consigo avistar o edifício do consultório. O carro de Bones está parado a alguns metros. Desligo as sirenes e canto pneus antes de estacionar atrás do Toyota azul dela.
Desligo o motor e desço – ou melhor, pulo! – do Sequoia e aciono o alarme, já atravessando a rua com uma rápida olhadela para o trânsito.
Entro esbaforido pela recepção do consultório. Avisto a secretária da doutora Taylor e corro até ela.
"Oi! Eu sou Seeley Booth, Temperance Brennan tinha uma consulta marcada para as duas, era para eu ter vindo junto com ela, mas tive um contratempo no trabalho, mas avisei a ela que viria e..."
"Fique tranquilo, senhor Booth" a mulher ergue a mão para me interromper. "A senhorita Brennan autorizou a sua entrada desde a primeira consulta."
A secretária me lança um sorriso cordial antes de pegar o telefone e apertar um botão. Eu fico parado, observando enquanto ela se comunica com a sala da médica de Bones e anuncia a minha chegada. Em seguida ela e se levanta da cadeira, fazendo sinal para que eu a siga.
"Obrigado" eu murmuro assim que paramos diante da porta da doutora Taylor.
A secretária meneia a cabeça, sorrindo, e gira a maçaneta. Tento respirar normalmente enquanto meus pés me colocam dentro da sala. Meus olhos procuram por um sinal de Bones e demoro alguns instantes para localizá-la.
"Bem vindo, senhor Booth!" até que a voz da médica me faz olhar na direção certa.
Eu vejo Bones deitada na cama de exames, a camisola especial erguida e o abdômen exposto... brilhando com aquela substância gelatinosa e um pano cobrindo a parte das pernas. Meu coração sobre até a garganta.
"Chegou bem a tempo" a doutora Taylor faz sinal com a cabeça para que eu me aproxime.
Caminho até onde elas estão e vejo o monitor do aparelho de ultrasonografia ligado. Meu Deus, é o nosso bebê que está aparecendo na tela...
"O bebê..." as palavras me escapam como se eu fosse um bobo, mas não consigo articular uma frase inteligente bem agora.
"O bebê de vocês está muito bem, continua crescendo satisfatoriamente" a médica sorri. "E eu estava dizendo à Temperance que hoje podemos ver perfeitamente o sexo, as perninhas não estão mais cruzadas."
Meu coração se acelera e eu me permito olhar para Bones. Ela está deitada olhando para mim. E me estende a mão.
Eu me aproximo mais, ficando ao lado dela e pego seus dedos nos meus.
"Presumo que estejam prontos" a doutora Taylor fala.
Olhamos para ela e dizemos "Sim" ao mesmo tempo.
Eu sorrio para Bones, que aperta minha mão. É chegado o momento que tanto esperamos, e sei que independente da revelação, este vai ser um dos dias mais felizes das nossas vidas.
"Aqui está..." a médica aponta para a tela, indicando o que devemos ver. "Vocês vão ser os orgulhosos pais de uma menininha!"
"Menina?" Bones pergunta, parecendo querer certificar-se do que acaba de ouvir.
"Sim, Temperance. É uma garotinha, definitivamente" a médica continua apontando a região entre as perninhas do bebê.
"Eu sabia!" deixo escapar, rindo e olhando para a tela. "É uma menina!"
Então desvio o olhar para Bones, que está com os olhos cheios de água.
"Você queria que fosse uma menina, não queria?" ela me pergunta num sussurro. "Era esse o seu 'palpite'."
Eu encolho os ombros rapidamente, sem conseguir parar de sorrir. "Eu confesso, queria muito que fosse uma menina. Não que eu não fosse gostar de um garotão, mas de umas semanas pra cá comecei a ter uma sensação de que era uma menininha... chame de instinto masculino" dou uma piscada, sorrindo para ela.
Bones ri, deixando uma lágrima rolar pelo canto do olho. Corro um dedo rápido para secá-la.
"Você está feliz, então?" ela pergunta.
"Muito!" coloco uma mecha atrás da orelha dela. "E você?"
"Eu também" Bones sussurra.
"Bom, estou gravando a ultra para vocês em DVD" a médica nos informa. "Vai ser um momento que poderão guardar para sempre."
"Um momento que vale por uma vida inteira..." eu murmuro, olhando para a tela com os olhos embaçados, vendo e ouvindo o pequeno coração da minha menina batendo com vida.
Sinto os dedos de Bones apertarem os meus. "Ela está se mexendo!" ela sussurra, encantada.
E eu olho, embevecido, enquanto nossa filha leva um dedinho à boca.
"É verdade..." escuto Bones sussurrar; então abaixo os olhos rapidamente para o rosto dela e vejo lágrimas e um sorriso imenso. "Vale por uma vida inteira" ela completa.
E eu me abaixo, pousando meus lábios nos dela. "Por toda a vida" sussurro, sorrindo.
Como sempre eu tenho que deixar registrado o meu muito obrigada por todo esse carinho que recebo de vocês em forma de reviews... Sintam-se todas abraçadas por mim! Vocês sempre fazem meu dia mais feliz quando eu entro aqui e leio esses comentários tão especiais!
Como eu falei na N/A, queria que este capítulo tivesse ficado melhor. Afinal, ele abordou um momento muito importante para B&B e desde que comecei a escrever, embora eu não viesse planejando nada, sempre fiquei me perguntando como seria esse momento deles... então no início não foi uma cena fácil de escrever, mas eu deixei as preocupações de lado e a coisa foi fluindo quase que sozinha.
Tendo em vista que no episódio 702 ficamos sem esse momento tão aguardado - pelo menos nos moldes que todo mundo esperava: o Booth presente na consulta com a Bren - achei que aqui seria justo dar isso ao Grandão e a nos também ^^
Mesmo não estando tão bom quanto eu gostaria, espero que vocês tenham gostado ao menos de alguma coisinha do capítulo *.*
E sim, eu sabia que ia ser uma menininha desde o começo :D mesmo antes da série confirmar isso!
Um beijo e até a próxima!
