Mestre dos Ladrões

Mestre dos Ladrões

História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo 21 – DJ

Sede da polícia

Shion andava como um condenado em direção à sala de Saga! Céus! Ele devia fugir logo dali. Ele não devia ter ouvido Mu e Shaka. Mas os dois o infernizaram nos dois dias em que passara internado no hospital e acabara por concordar com eles... E, mesmo em meio ao seu atual desalento, Shion sorriu ao pensar em como Mu estava feliz com Shaka. Parecia mais relaxado, mais confiante... era como se tivesse – de alguma forma – voltado a ser ele mesmo. O Mu que Shion conhecera há vários anos atrás. Confiante, determinado, carinhoso e muito menos controlado do que é hoje, sem dúvida. "Ah, se for para Mu voltar a ser feliz, tudo valeu à pena", pensou Shion, com carinho. Afinal, ele era tudo o que tinha na vida e Shaka parecia valorizá-lo. "Os dois parecem se entender perfeitamente", pensou Shion, contente.

O problema fora que Shaka resolvera organizar a sua vida também... Ele parecia incansável! Acabara por convencê-lo a procurar Saga uma última vez... Sim, ele sabia que Shaka e Saga eram muito ligados. Mas isso não queria dizer que Shaka soubesse o que ele sentiria quando fosse escorraçado por Saga mais uma vez. Mas Shion não o via há uns quatro dias e estava desesperado por notícias. Afinal, desde que eles decidiram que era verdade que Radamanthys saíra do país, não fizera mais sentido ficar aquartelados em sua casa. Então, Shion avisou seus superiores que a missão falhara e que eles teriam que se realocar. Claro que conseguiram prender alguns membros da quadrilha e matar outros. Claro que conseguiram causar vultuosos prejuízos à quadrilha. Mas a verdade era que Shion estava sentindo o amargo gosto da derrota. Por sua culpa Radamanthys fugira. Bem verdade que ele não quisera que o Juiz se unisse a eles desde o início, mas os seus superiores impuseram-lhe a presença dele. Ele trocara a pena de prisão por informações sobre Radamanthys. Esse fora um grande, imenso erro. Aiacos os traíra. Eles falharam. E Saga saiu de sua casa sem nem mesmo se despedir.

Agora, em poucos dias, eles sairiam do país e voltariam a seus respectivos países até que uma nova estratégia fosse traçada... Mas antes Shion tinha que ver Saga mais uma vez... Só mais uma vez... Shaka e Mu insistiram tanto... Tanto... Shion entrou na sala de Saga sem nem mesmo bater à porta. Este levantou a cabeça do que quer que estivesse analisando e pareceu perder a fala. Antes que o silêncio ficasse mais constrangedor ainda, Shion disse:

- Saga... bom... er...eu passei por aqui... Eu... er...quero dizer... nós... vamos embora do Canadá e ... bom, eu queria me despedir de você... e me desculpar mais uma vez...

Saga quase engasgou quando viu Shion materializar-se na sua frente. Ele estava – justamente – relendo a carta que enviaria a Dohko pedindo sua transferência para outra região do país. Claro que antes precisava conseguir que o outro o transferisse novamente à força canadense, já que tecnicamente, ele continuava emprestado à força-tarefa comandada por Shion! Mas ele tinha que dar um jeito naquilo e Shaka iria ajudá-lo! Saga não tinha mais a mínima condição de continuar trabalhando tão perto de Dohko. Maldito fosse ele! Sua melhor opção era se afastar de Toronto e de seus irmãos. Era isso ou sair da polícia, conforme Dohko deixara mais do que óbvio. Agora ele... o Mestre...a causa de tudo... surgia a sua frente sem aviso.

Saga sentiu o coração dar um salto em seu peito e sentiu-se ridículo por isso. Saco! Não adiantava mais fingir! Ele passara os dias mais miseráveis de sua vida longe de Shion, sem saber notícias. Shaka simplesmente recusava-se a lhe dar notícias. Shura também. Todos pareciam armar para que eles se encontrassem, mas ele não queria se entregar assim. Sim, ele podia tentar se convencer o quanto fosse que Shion o violentara, mas Saga sabia que apesar de bêbado, ele o quisera como nunca quisera alguém em sua vida. Ele sabia que Shion arriscara a própria vida para afastar a quadrilha de Radamanthys de si. E sentia que podia matar Dohko a qualquer momento por ter tentado abusar do Mestre. MAS SHION ERA TÃO INSUPORTÁVEL! TÃO LINDO! E mexia tanto consigo... Ah, ele precisava encontrar a própria voz e falar algo antes que a situação piorasse:

- Desculpa aceita. Pode ir tranqüilo, Shion! – "Ah, droga! Por que eu fui tão ríspido?", pensou Saga, aborrecido.

- Eu...er...também pensei que... bom.. que você poderia... vir comigo ao jogo de ice hockey hoje à noite... – disse Shion meio incerto.

- Ice hockey? – repetiu Saga, surpreso. "Caramba! Como ele conseguiu os ingressos?", pensou.

- É... bom... o Shaka ...ele... ele me contou que você gostava e...bom... eu queria te convidar, Saga – disse Shion olhando-o diretamente.

Droga! Ele ADORAVA ice hockey! Era o esporte do país, não era? Ele tentara... tentara realmente... conseguir ingressos para o jogo desta noite, mas tudo estava esgotado... E agora Shion aparecia e o convidava... Saga olhou para Shion, analisando-o. Ele parecia bem melhor. A mão não estava mais enfaixada... Não parecia mais sentir tanta dor... Não estava mais tão pálido... Parecia andar normalmente. Tanto que Saga nem notara quando ele entrara em sua sala. E Saga, meio que sem querer, lembrou-se de Shion em sua cama... e de como ele o quisera então... de como ele ainda o queria... dos beijos trocados... NÃO! Ele precisava responder algo! Aquele silêncio estava ficando desagradável!

- Eu... eu... quero, sim – disse Saga com raiva de si mesmo por aceitar.

- ÓTIMO! – disse Shion com a felicidade estampada no rosto – Já que o jogo começa às dez da noite, passo em sua casa às nove. Assim dá tempo de pegar o lugar, de comer alguma coisa...

- Não... nós... nós podemos nos encontrar lá no estádio...

- De jeito nenhum, Saga! Já que você aceitou sair comigo, eu vou te tratar como você merece. Eu te pego às nove em ponto! – repetiu Shion saindo da sala antes que Saga mudasse de idéia.

Saga olhou-o sair e escondeu o rosto nas mãos. Céus! Ainda bem que Kanon e Milo andavam tão entretidos com os próprios problemas que nem notariam se ele saísse. Saga não saberia como explicar aos dois que aceitara sair com Shion. "Mas por sorte Kanon está completamente apaixonado", pensou sorrindo. E Milo parecia preste a estripar o tal do Froid tão logo ele consentisse em aparecer na sua frente. Quem diria? Kanon era o único a namorar firme! Saga sentiu algo se aquecer em seu peito. Afinal, ele tinha concordado em sair com Shion!

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Casa de Shaka

Mu sorriu feliz quando Shaka abriu a porta com cara azeda. Shaka ODIAVA surpresas. Mu adorava! Tanto que chegara na casa de Shaka umas duas horas antes do que marcaram somente para dar tempo de... bom... de fazer algo antes, ora.

Mu sabia que eles iriam embora em breve e já sentia a falta de Shaka por antecipação. Droga! Por que eles precisavam deixar o país tão cedo? Por que eles não podiam ficar por lá por mais uma ou duas semanas? Mú nunca se sentira tão feliz em sua vida antes. Mesmo com Shion ferido. Mesmo tendo que obrigar Shion a internar-se em um hospital. Mesmo que eles tivessem falhado em sua missão. Mesmo que tivessem que começar tudo do zero novamente. Mesmo assim, ele nunca antes se sentira tão completamente feliz. Tudo devido a Shaka, suas implicâncias amorosas e seu mau humor perfeccionista. Mas havia outras coisas em que Shaka exigia a perfeição... Ah, se havia...

Uma idéia havia se formado na cabeça de Mu há uns 3 dias... e finalmente – hoje cedo – ele a discutira com Shion. Assim, depois que resolvesse o presente assunto, ele a discutiria com Shaka! Sim, porque agora tinha a obrigação de fazê-lo parar de reclamar sobre o fato de ter chegado duas horas mais cedo e de que ainda tinham muitas coisas a fazer

Mu sorriu e tirou o casaco. Shaka continuou a reclamar... Mu tirou os sapatos a sorrir. Shaka começou a andar de um lado para o outro dizendo que assim não era possível... Mu tirou a camisa. Shaka retornou à sala de algum outro lugar da casa... Mu começou a desabotoar a calça. FINALMENTE Shaka acordou para o fato de que a chegada antecipada do outro podia ser uma boa coisa! Então, ele sentou-se no sofá, puxou Mu para um beijo quente e... parou de reclamar. Já Mu continuava a sorrir. Ele nunca se sentira tão querido por alguém antes.

Sim, definitivamente ele discutiria sua idéia com Shaka. Depois... bem, depois de ...ah, vocês sabem!

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Gemini

Shura gelou quando o viu descer do cockpit de som! Maldito fosse Kanon! Precisava MESMO estar vestido daquela forma? Com uma calça preta colada no corpo e meio rasgada, de coturno preto, jaqueta de couro cheia de ferragens e taxas, cheio de correntes, com os cabelos soltos e esvoaçantes. Dava vontade de usar aquelas correntes para... outra coisa! O cara era uma tentação. A imagem do desejo. Um pára-raio de vagabundos!

Shura podia jurar que não havia um só par de olhos naquela maldita boite que não desejasse o SEU Kanon. E o pior era saber que o outro não estava nem aí enquanto avançava em sua direção. Aliás, ele o olhava tão intensamente que nem viu quando dois vagabundos se aproximaram e o pegaram de jeito. Tudo o que Kanon fez foi sorrir insinuante e sussurrar algo no ouvido de um dos caras, que logo o soltou e se afastou com o outro. Então, como se nada tivesse acontecido, continuou a andar em direção a Shura e o alcançou. Mas o espanhol já estava com a cabeça quente. Não bastasse todo mundo querer o seu namorado, agora ele era agarrado e... sorria! Por todos los dioses! Ele devia ter metido a mão nas fuças dos caras. Mas ele só... sorrira.

Kanon não entendeu o porquê do mau-humor de Shura. Ele ficara quase duas horas como DJ e dedicara mais da metade das músicas a Shura! Fizera rasgadas declarações de amor. Colocara inúmeras músicas de ritmo latino em homenagem ao espanhol. E agora ele o olhava como se o fosse esganar. CACETE! Qual seria o problema desta vez? Mas Kanon não tinha ainda aberto a boca quando Shura começou a berrar consigo. Bom, claro que com o som alto daquele jeito ele precisava berrar, mas Kanon não agüentava mais ser tratado daquela forma. Caramba! Ele estava se esforçando. Contara para todo mundo que estava acompanhado. Kanon descartara todos que o cantaram desde que os dois começaram o... namoro. (Kanon ainda tinha dificuldades em falar aquela palavra). Ele só pensava em Shura, só ficava com Shura e mais... só queria ficar com Shura. Saco! Ele acabara de ameaçar aqueles folgados com os seguranças se eles não saíssem imediatamente da boite. O que ele podia ter feito de errado que justificasse que o outro berrasse com ele daquele jeito? Será que ele não gostara das músicas? SACO! O espanhol era mesmo insuportável:

- QUAL O PROBLEMA AGORA, ESPANHOL? – disse Kanon, zangado.

- VOCÊ! VOCÊ É O PROBLEMA, KANON! PRECISAVA MISMO VESTIRSE ASSÍ? - Kanon se divertiu com o ciúme do espanhol... "Então era isso...", pensou.

- Hoje eu fui o DJ. Eu PRECISO me vestir assim! Agora porque você não pára com esse ciúme bobo e dança comigo, hein? – disse Kanon em seu ouvido.

Shura sentiu-se estremecer. Ah, não! Não ia ser tão fácil assim...CIÚME? pois, sim! Ele não era hombre de ter ciúme! Por supuesto que no! O problema era que Kanon não fizera nada com os folgados! NADA. Ele não se dava o respeito. Devia ter começado uma briga. Shura de bom grado bateria nos caras. Mas Kanon sorrira... apenas isso...

- VOCÊ NÃO FEZ NADA COM AQUELES CARAS QUE TE AGARRARAM! – disse Shura, emburrado.

- Claro que eu fiz. Eu os mandei embora.

- DEVIA TER BATIDO NELES... ME CHAMADO.

- PÁRA DE SER ESTÚPIDO, SHURA!! Eu não preciso te chamar para me livrar de uns folgados! E não preciso bater neles! – disse Kanon perdendo a paciência.

Mas Shura estava furioso e não quis ouvir a voz da razão. Ele ODIAVA que todo mundo quisesse Kanon. ODIAVA. Sim, sabia que estava errado. Sabia que seria assim... Ele teria que confiar em Kanon! Por incrível que pudesse parecer, agora começava a entender o Maschera, aquele carcamano idiota e grosso! Era horrível todo mundo querer seu namorado! Horribile! Mas ele precisava se acalmar, caso contrário botaria tudo a perder. Então, se afastou.

Kanon até tentou ir atrás, mas o espanhol o dispensou. Chateado, ele tentou ir para o seu escritório, mas um garçom o parou, um dos DJs pediu uma opinião... e ele demorou alguns minutos para lá chegar... "Saco, Shura! O que você queria que eu tivesse feito? O quê?", pensou desanimado. "Por que não dava certo com Shura?" Céus! Estava tentando tanto! Ele queria tanto que desse certo! Tanto! Mas o espanhol não era fácil. Ou melhor... era difícil. Isso para não dizer impossível.

Então, empurrou a porta do escritório com raiva, quando foi puxado violentamente para dentro e jogado ao chão. Antes que percebesse o que estava acontecendo, alguém pegou suas mãos e as algemou as suas costas. Ele tentou gritar, mas o cano frio de um revólver na sua cabeça o fez pensar melhor. Então, foi puxado para cima e colocado de joelhos, ainda com o revólver na cabeça. Foi tudo tão rápido! De certa forma, Kanon já esperava ver Radamanthys, que estava à sua frente, confortavelmente sentado em uma poltrona, tomando um whisky, junto de Valentine. Radamanthys olhou-o triunfante antes de estender uma mão e tocar o seu rosto:

- Ah, Kan... se você soubesse como eu senti a tua falta...

Kanon sentiu como se um réptil o tivesse tocado. Como ele quisera Radamanthys por tanto tempo? Agora tudo o que ele lhe inspirava era... nojo! Com raiva, Kanon cuspiu nele somente para sentir dor no rosto e o gosto metálico de sangue em sua boca, ao levar uma forte bofetada. Se alguém não o tivesse segurado, possivelmente ele teria caído ao chão. Mas agora tudo o que lhe restava era olhar com desprezo para Radamanthys novamente. Maldito fosse ele! Ele não saíra do país, afinal. E aparentemente viera buscá-lo. Kanon rezou aos deuses para que Milo, Saga e Shura ficassem em segurança... Ah, ainda bem que Shura brigara consigo e fora embora! Ainda bem... Então, Kanon disse:

- Você devia estar preso, Radamanthys. Eu não quero mais nada com você!

Com ódio no olhar, Radamanthys se levantara e fizera sinal para que Kanon também fosse levantado. Ele apenas aguardou. Não havia mais nada que pudesse fazer, afinal... Fora pego como uma mosca numa teia da aranha. Raios! Então, Radamanthys aproximou-se, puxou forte o seu cabelo e o beijou violentamente. Ele falou que não, fechou os lábios fortemente e tentou dar-lhe uma cabeçada, mas o outro apertou sua garganta com força... Kanon sentiu dificuldade em respirar. Tudo escurecia. Ele sentia o gosto de sangue na boca nos lugares em que Radamanthys o mordia com força. Ele sentia dor nos lugares em que Radamanthys o apertava com violência. Ele o machucava de propósito. Era como se quisesse humilhá-lo.

Então, sem pensar, Kanon deu-lhe uma joelhada... O outro berrou de dor enquanto ele lutava para respirar. Vagamente ouviu a voz de Radamanthys pedindo o revólver ao tal do Valentine. Viu este sorrir malignamente. Bom, ele iria morrer... Melhor que fosse rápido... Fechou os olhos esperando pelo que viria... Pena que não dera certo com Shura... Ele tentara tanto... Kanon pensou em Saga, Milo e Shura enquanto esperava pelo tiro. Mas o que ele sentiu foi uma explosão de dor que o pegou desprevenido. Manchas de cores fosforescentes surgiam em sua cabeça. Kanon sentiu o nada sob seus pés e sentiu seu corpo se mover contra a sua vontade... Não, não fora um tiro, fora? Era uma sensação estranha...Uma dor violenta e atordoante... Aquelas cores berrantes e sem forma... Kanon não conseguia mais identificar direito o que passava defronte a seus olhos... Com as mãos algemadas, ele não tinha como se segurar... Como ele demorava a cair... Demorava muito...Kanon não tinha mais a exata consciência de onde estava... A dor era tão forte que ele não sabia mais de onde ela vinha... Então, ele sentiu que suas pernas bateram em algum lugar com força... Doía... A seguir, foram suas costas se chocando fortemente contra algo... Doía muito... Seu corpo foi arremessado novamente e então Kanon ouviu um grito alto... Parecia que aquele grito ecoava há bastante tempo, já... Era... estranho... Havia... dor... Muita... dor... E aquelas... manchas... amarelas... roxas... verdes... Tão... estranho... Onde ele estava?... O que... tinha acontecido...? Um baque violento e Kanon não agüentou mais a dor...

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Gemini

Kamus estava muito feliz! Muito! Finalmente – depois de quatro dias de geladeira, ele resolvera que já era hora de parar com aquele joguinho de gato e rato. Milo ligara várias vezes. Shura lhe contara que ele implorara por notícias. Que quase o agredira para conseguir seu endereço ou seu nome real. Aparentemente também tentara alcançar o Hacker, via Shaka. Mas Froid conseguira se safar dos ataques de Milo e falara com ele apenas uma vez num tom entediado. Ah, como ele rira quando Milo batera o telefone em sua cara, aos berros. Era tão simples irritá-lo! O problema era controlar a necessidade que ele próprio sentia de Milo!

Mas hoje tudo aquilo teria um fim. Milo já devia ter aprendido a não brincar consigo. E talvez... talvez... hoje Froid permitisse que o outro brincasse consigo.. mas de outro modo! Do SEU modo! Ele mal entrara na boite e vira Milo em meio a uma imensa roda de amigos. Este os largou mal o viu e andou em sua direção, determinado. Quando Kamus ia dizer algo, ele o puxara e beijara-o. Quando Milo, finalmente, levantou a cabeça, disse:

- Bom, Froid! Chega de joguinhos. Vamos para a minha casa agora.

- Oui... d´accord, mais... bien... je crois que eu deva cumprimentar o Kanon...- disse sentindo o efeito que o outro tinha sobre si.

- Deixa para depois - disse Milo arrastando-o enquanto desligava o próprio celular - E desliga essa sua coisa aí. Hoje eu não quero que nada nos atrapalhe! – disse Milo apontando para o seu comunicador.

O que ele podia fazer? Milo parecia resolvido dessa vez e Kamus estava de pleno acordo. Afinal, o que podia dar errado? Eles estavam de recesso mesmo! Então, desligou o comunicador e sem notar nada de estranho, os dois saíram da boite em direção à casa de Milo. Kanon descia do cockpit naquele momento e não os viu. Shura estava tão furioso com os folgados que devoravam Kanon com o olhar que também não os viu.

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Gemini

Por aquelas coincidências da vida, na saída, Shura ficou logo atrás dos dois idiotas que tentaram agarrar o SEU Kanon. Estava preste a dar-lhes uns bons sopapos quando ouviu um deles dizer:

- Droga! Agora que o Kan está comprometido ele dispensa todo mundo.

- Me conta! Ele me disse que não era para eu aparecer mais por aqui... A Gemini perdeu metade do interesse com o Kanon fazendo doce...

- Deve durar pouco!

- Tomara! – disse o outro pagando.

Shura ficou com um sorriso bobo. Kanon dispensava todo mundo agora que estava comprometido? Ah, ele era tão fiel. Era óbvio que não podia arranjar briga na sua própria boite! Seria péssimo para o lugar. E Shura se lembrou de um antigo ditado... Puedes cazar más moscas con miel que con vinagre! O que ele ganhava brigando com Kanon, afinal? Então, Shura deu meia volta e foi em busca de Kanon para se desculpar. Maldito gênio forte o seu! Infelizmente, não o viu em lugar nenhum. Foi para o escritório. Será? Mas lá chegando ele ouviu um grito alto... E o som de móveis se quebrando... Céus! Tinha que ser muito alto para que ele conseguisse ouvir com a música rolando solta! Shura sentiu o coração parar! E, logo em seguida, disparar dolorosamente! KANON! Então, Shura ligou o comunicador e programou-o para transmitir para todos em rádio. A seguir, tirou o revólver e meteu o pé na porta.

Ele viu Kanon que acabara de cair no chão com o sofá sobre si e uma mesa embaixo. Kanon estava assustadoramente imóvel para alguém que caíra naquele exato momento. Um filete de sangue escuro começava a escorrer pela lateral de seu rosto... "Morto ou desmaiado?", desesperou-se Shura. Sentiu que alguém tentava tolher-lhe os movimentos, mas o desespero deu-lhe uma força sobre humana. Ele jogou quem quer que fosse para longe e ajoelhou-se ao lado de Kanon, afastando o sofá e os seus cabelos, para ver a imensa marca da coronhada que levara e o ferimento que se abrira em sua cabeça... Logo as mãos de Shura encontravam-se manchadas de sangue. Seu coração batia desesperado! Shura chamava-o sem parar. "KANON! KANON! Habla comigo! Por favor!" Mas ele não se mexia. Pobrecito! Shura tocou-lhe o rosto de forma cuidadosa, enquanto checava o pulso. Vivo! Pelo menos isso!

Com ódio, Shura ergueu os olhos e o viu... RADAMANTHYS! Nas mãos ainda tinha o revólver com cuja coronha atingira Kanon. Maldito fosse ele! Ele o olhava sorrindo. Shura avançou para cima dele, mas dois homens o impediram, torceram seu braço para trás, o algemaram e colocaram um revólver em sua cabeça. Por mais que quisesse, não conseguia apagar o sorriso da cara de Radamanthys:

- YO VOY MATARTE, RADAMANTHYS!

- Ora, ora, ora... Quem diria... O novo namoradinho do Kan é o policial que o tirou do hotel... O que você acha disso, Val?

- Eu acho que o maldito deve trabalhar para o Mestre, Rada – disse Valentine sibilando cada palavra.

- É... é bem possível – disse Radamanthys.

Ele ordenou que os homens revistassem Shura e não demorou muito para que seu comunicador fosse encontrado. Os homens o deram para Radamanthys:

- O que é isso?

- NÃO TE INTERESSA! – Shura gemeu quando levou um violento soco.

- O que é?

- KANON TE GUSTA! COMO VOCÊ PODE BATER NELE DESSE JEITO? - berrou Shura, indignado.

Ele estava apavorado com a imobilidade de Kanon, que continuava jogado no chão, sangrando, perto do sofá virado e com a mesa esmagada por baixo de si. Com certeza ele fora acertado violentamente e voara longe. Ele parecia muito machucado. A marca da coronhada se desenhava na sua têmpora. Imensa. O filete de sangue não parava de escorrer. Ele se destacava contra a palidez assustadora que parecia tomar-lhe o rosto. O local começava a inchar. Céus! Uma pancada na cabeça com aquela violência podia ter as mais variadas conseqüências! Podia causar um traumatismo craniano... Levar ao coma... Ah, seu coração se apertava ao vê-lo naquele estado. Seu Kanon! E estava muito ferido! Radamanthys pareceu seguir o seu olhar e abaixou-se ao lado de Kanon, agradando-lhe o cabelo. Ele nem mesmo se mexeu. Shura revoltou-se com a imagem de Radamanthys tocando o SEU Kanon!

- Ah, o Kan vai ficar bom! Eu vou cuidar bem dele... Ele só tem que aprender a me obedecer. Daí eu não bato mais nele... Só quando ele me pedir... – disse Radamanthys em tom provocativo.

Shura tentou avançar para cima de Radamanthys para tirá-lo de perto de Kanon, mas os dois homens o seguraram fortemente. Enquanto isso, Valentine mexia no comunicador. Ele apertava várias teclas, mas o aparelho não parecia responder a contento. Shura só torcia para que os outros membros da equipe tivessem desabilitado a função de localização ao ouvir que Radamanthys estava com ele. Então, Valentine aproximou-se de Radamanthys e disse:

- Nós temos que sair daqui, Rada.

- E o espanhol? – disse Radamanthys apontando para Shura.

- Vamos levá-lo. Ele deve ser da equipe do Mestre. O Aiacos vai nos dizer com certeza. Se for, ele pode saber onde está o dinheiro. Nós podemos matá-lo mais tarde – disse Valentine – E deixa o aparelho aí... Eles devem poder nos localizar com ele!

- Eu o mataria já! Afinal, daqui a pouco nós vamos ter o próprio Mestre e o tal do Saga! Além disso, o Aiacos pode demorar tentando pegar o brinquedinho que ele tanto quer...

- Depois, Rada, já disse. Vamos levá-lo – disse Valentine para os homens, enquanto o outro resmungava algo. Mas Radamanthys sabia que ele tinha razão!

- O KAN... ELE TEM QUE IR PARA UM HOSPITAL – começou Shura antes de levar um soco nos rins e cair de joelhos.

Shura foi arrastado para a saída dos fundos, com um revólver colado às suas costas. Ele não tinha a mínima dúvida que o usariam caso fosse necessário... Dois outros homens carregavam Kanon, que ainda não se movia. Radamanthys e Valentine vinham conversando animadamente atrás dele, como se nada demais tivesse acontecido. Estranhamente eles não encontraram absolutamente ninguém pelo caminho. Obviamente haviam cuidado disso antes... Shura só torcia para que Kanon ficasse bem. E para que a sua equipe soubesse que Radamanthys ainda estava no país. "O resto não importa mais", pensou ao ser empurrado com truculência para o porta-malas de um dos carros que os aguardavam. Kanon, imóvel, foi jogado ao seu lado. Ele nem mesmo gemeu.

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Um restaurante

Do outro lado da mesa, Shion sorria para Saga que falava sem parar. O jogo fora ótimo! Saga estava tão descontraído... Claro que quando Shion aparecera com um luxuoso carro com motorista, ficara desconfortável. Mas o que mais podia fazer? Shion não conseguia dirigir com aquela costela quebrada. Ele queria tratá-lo bem. Quem sabe para, ao menos, deixar uma boa impressão. Mas quando ele vira os lugares que Shion conseguira, ficara empolgado. Realmente adorava ice hockey. Enquanto o outro entendia muito pouco ou quase nada. Assim, os dois conversaram animados durante todo o jogo. Saga explicava o que podia entre um berro e outro. Shion estava tão feliz por vê-lo tão descontraído que torceu de coração para que o time de Saga ganhasse. Ah, era difícil sentir o corpo de Saga tão próximo e não tocá-lo. Mas resistiu o melhor que pode...

No intervalo, Saga dissera que ia pegar sanduíches para os dois, mas Shion convidou-o para jantar depois. Sim, sentiu a hesitação de Saga, mas ele finalmente aceitou, o que o fez sorrir feliz... Quem sabe...? Quem sabe ainda teria uma chance? Quando o jogo acabou, os dois esperaram a multidão dispersar um pouco e finalmente foram para o carro e para o restaurante. Tudo corria às mil maravilhas, pensou Shion ao pegar a conta ignorando a proposta de Saga para dividi-la. Já no carro, Shion deu instruções para o motorista para ir a sua casa e fechou a divisória. Agora os dois estavam no escuro, sentados no banco de trás. Shion ouviu a voz de Saga:

- Nós vamos para sua casa? – "Sim, há desconfiança na sua voz", notou Shion.

- Eu... tenho que te entregar o documento... agradecendo a ajuda e te devolvendo à força canadense...– disse Shion, cauteloso.

- ...Só isso...? – perguntou Saga. Não, não era mais desconfiança, pensou Shion sorrindo.

- Bom, Saga – disse Shion de forma suave – você deve entender que se eu não te agarrei ainda foi devido a esta droga de costela quebrada...

- Ah, foi? – perguntou Saga num tom levemente interessado.

- Se não fosse por ela, Saga... agora eu me ajoelharia na tua frente, te empurraria com o meu corpo contra o banco do carro...

- ... – Shion ouviu o outro respirar um tanto mais profundamente e isso lhe deu mais coragem...

- Então, eu abrira a tua camisa e espalmaria as minhas mãos no seu peito... Sentiria o teu corpo... Mas eu não te beijaria...

- ...Não? – perguntou Saga. Shion sorriu ainda mais.

- Ah, não, Saga... Antes eu iria deixar as minhas mãos passearem pelo teu corpo... talvez... talvez... eu beijasse o seu pescoço.

- ...Huumm – Shion fechou os olhos, feliz, antes de acrescentar.

- Então... Saga... eu te apertaria ainda mais contra mim... até sentir que você perdeu o fôlego... e só então eu te beijaria... Só então...

- ... – Ele teve certeza de que ouviu Saga suspirar.

- Mas é claro que eu não posso fazer nada disso... Não com essa costela quebrada. Por isso não há problema em você vir para minha casa. – acrescentou suavemente, com a respiração um pouco agitada.

Em pouco tempo Saga estava de joelhos por cima de Shion, esforçando-se por seguir exatamente as instruções dele... Foi quando os dois ouviram o sinal de uma transmissão...

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Casa de Shaka

- KANON! KANON! Habla comigo! Por favor!

- YO VOY MATARTE, RADAMANTHYS!

- Ora, ora, ora... Quem diria... O novo namoradinho do Kan é o policial que o tirou do hotel... O que você acha disso, Val?

- Eu acho que o maldito deve trabalhar para o Mestre, Rada.

- É... é bem possível.

- O que é isso?

- NÃO TE INTERESSA!

- O que é?

- KANON TE GUSTA! COMO VOCÊ PODE BATER NELE DESSE JEITO?

- Ah, o Kan vai ficar bom! Eu vou cuidar bem dele... Ele só tem que aprender a me obedecer. Daí eu não bato mais nele... Só quando ele me pedir...

- Nós temos que sair daqui, Rada.

- E o espanhol?

- Vamos levá-lo. Ele deve ser da equipe do Mestre. O Aiacos vai nos dizer com certeza. Se for, ele pode saber onde está o dinheiro. Nós podemos matá-lo mais tarde. E deixa o aparelho aí... Eles devem poder nos localizar com ele!

- Eu o mataria já! Afinal, daqui a pouco nós vamos ter o próprio Mestre e o tal do Saga! Além disso, o Aiacos pode demorar tentando pegar o brinquedinho que ele tanto quer...

- Depois, Rada, já disse. Vamos levá-lo.

- O KAN... ELE TEM QUE IR PARA UM HOSPITAL...

Shaka e Mu ouviram, horrorizados, aquela conversa! Mu correu para o comunicador e desabilitou a função de localização imediatamente após saber onde estavam Shura e Kanon. Na boite! Mas o que fazer? Era óbvio que eles não chegariam a tempo! Óbvio! ! E o tal do brinquedinho que Aiacos queria... Milo, sem dúvida alguma! Mu levantou-se da cama de Shaka sem absolutamente nada além de seus longos cabelos a lhe cobrirem o corpo e ligou para o Mestre.

- Shion! Você ouviu?

- Sim, ouvi...

- Precisamos saber onde estão Milo e Saga...

- O Saga... ele está comigo... Ele está tentando ligar para o Milo...

- Shion, o Radamanthys está atrás de você! Onde você está?

- No carro, Mu. – disse Shion, calmamente. – Nada vai me acontecer. Eu prometo! - ... – Mu sentiu um nó se formar em sua garganta. Mas Shion não parecia disposto a discutir mais:

- O Milo... ele não atende ao telefone... Será que o Froid está com ele, Mu?

Mas Mu já localizara Froid na casa de Milo, a despeito do louco estar com o comunicador desligado, contra as expressas instruções do Mestre. A seguir, ele localizou o Top e o Maschera e mandou-lhes uma mensagem para que todos se encontrassem na casa de Saga. O Mestre aguardava na linha. Mu ouvia-o falar ao longe. Aparentemente ele tentava acalmar Saga. Céus! O que eles fariam? Radamanthys levara Shura e Kanon. Kanon parecia ferido! Como o maldito conseguira enganá-los daquela forma? Olhou para Shaka, sentado na cama, preocupado. Droga! Por que isso tivera que acontecer? Então, voltou a falar com o Mestre:

- Shion! Eu estou indo para a casa do Milo! Já pedi para o Top e o Maschera me encontrarem lá.

- Ótimo! Eu te encontro lá!

- NÃO! VOCÊ NÃO VAI, SHION! O Radamanthys quer você e o Saga! Vocês dois vão ficar o mais longe possível de lá.

- Nós já estamos chegando, Mu. Vem para cá logo! – disse Shion desligando o telefone.

Mu começou a se vestir como um raio! Maldito Shion! Ele estava ferido! Ele ia se jogar de novo na boca do leão! E Saga iria junto! O que dera no idiota do Froid para desligar o comunicador? Ele com certeza não ouvira a mensagem de rádio! Pelos deuses! Mu estava tão desesperado que foi pego completamente de surpresa quando Shaka o abraçou, dizendo:

- Fica calmo, Mu! Todos precisam que você esteja calmo agora! Eu vou estar com você o tempo todo! Eu te amo!

Mu olhou-o agradecido. Claro que ele não queria que Shaka fosse, mas algo no olhar dele o convenceu que nem adiantava argumentar. Shaka iria e pronto! E, sim, ele precisava da força de seu amor agora. Então, os dois partiram rapidamente.

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Desta vez foi rápido, não foi? E o maligno Radamanthys apareceu para pegar o Kan-Kan! Agora é...AÇÃO! Bom, pelo menos espero!

Vocês notaram que o Heero do GW assombrou minha fic? Eu e a Cristal viramos e reviramos o arquivo e nem sinal dele... Eu até re-postei, mas ele voltou e está lá, no começo do capítulo 20! E eu que nem conheço GW...

Como sempre agradeço as madrinhas Makie e Musha! Agradeço as reviews de Makie, Musha, Kiara Salkys, Lyta Moonshadow, Sirrah, Dionisiah, Lukinha, Condessa Oluha,Cristal Samejima, Virgo no Áries, Boromira, Haina Aquarius-sama,Tsuki Torres, Dark Wolf, Annie, Camis, Nathalie-chan, Athenas de Áries, Lhu-chan, Kika-sama, e Theka Tsukishiro. Muito, muito obrigada pelo carinho e gentileza!

Cristal, linda! Obrigada pela ajuda!

Beijos da

Virgo-chan

Mai/08